sexta-feira, 20 de março de 2009

QUE SAUDADES DA ÉPOCA EM QUE A CARROÇA ENTREGAVA O LEITE!


Semana passada Ruth trabalhava tranqüila quando soube que participariam de uma licitação. Foi então providenciar os documentos necessários, entre os quais várias CNDs (Certidão Negativa de Débito). 

Começou aí o calvário em função da tecnologia! O que fez trazer Raquel de volta a cena.

No Fórum de nossa abastada cidade o sistema estava fora do ar. “Então preencha em formulário manual!” “Olha, nós até temos um formulário desses, só que acabou!” E o tal sistema foi passear e só voltou 2 dias depois!

Na Receita Federal (onde quem deveria ter ido era o Sr. João, e que por problemas envolvendo outros sistemas fora do ar ficou preso em uma cidade vizinha) depois de lutar quase uma semana para conseguir uma senha, Ruth esperava sentadinha atrás de umas 80 pessoas, olhando para o painel de senhas indecifráveis – AXN 04 // AACG 15 // XVF 08... – quando vem uma voz de longe dizendo: “O atraso médio é aproximadamente uma hora porque o sistema está fora do ar!”

Raquel veio gritando lá de dentro, prestes a armar um barraco, mas Ruth a segurou impedindo a diversão e/ou perplexidade alheia!

E ficou ali sentada observando as pessoas. A grande maioria estava presa em jogos do celular, outras em seus “MP3459... Player”, outras conversando ao telefone e Ruth ali olhando e pensando que há uns 10 anos essas mesmas pessoas estariam conversando com quem estivesse ao seu lado, ou na fileira da frente, sobre como é um absurdo a demora no atendimento, ou como os atendentes são incompetentes e mal educados, ou até mesmo sobre o tempo.

De volta ao escritório o “Lentox” estava sem funcionar o que quer dizer que estavam sem Internet. Quase pararam mais uma vez em função da tecnologia, ou da falta dela. 

Ruth sente falta de quando as coisas eram manuais. As pessoas conversavam mais, se conheciam, ficavam batendo papo enquanto esperavam terminar de preencher 3 folhas de ofício. 

Hoje tudo tem código de barras, tudo é correria, o tempo passa bem mais rápido que antes e isso quer dizer que envelhecemos mais rápido também. A tecnologia ajuda em muitas coisas, como por exemplo, na medicina, mas em outras acaba com as relações interpessoais.

Carla gosta muito de tecnologia, mas enlouquece quando tudo pára de funcionar e ela não consegue resolver as coisas que precisa. Sente muita falta de quando o leiteiro entregava o leite de carroça e ela ficava brincando com o cavalo.

2 comentários:

blogdaguerreira disse...

Cheguei de paraquedas, e acabei planando suavemente.
Este texto em particular, é de uma sintonia perfeita com os dias atuais.
Outro dia, estava comentando com amigos, algo parecido; do tempo em que se conversava com vizinhos, sentava-se na varanda ou calçada e, viam-se as crianças brincando!
Mas, isso, num é mais para vcs, na faixa dos 30... rsrsrs
É apenas uma nostalgia, de nós, da faxia dos 50!!!
Obrigado, por me permitir conhecê-las.
Abraços.

Gisele Lins disse...

Carla eu tambem vivo neste mix de sentir falta de coisas que a gente sabe bem o que sao, alem de outras que nao sabe bem definir.
Precisamos de mais olho-no-olho, aperto de mao e sorrisos e de voltar a ter um vida com mais sinificados do que esta que estamos todos passando enquanto achamos que estamos vivendo.
Um beijao!

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