sábado, 25 de abril de 2009

Duas, mais uma, é a uma.


Sempre pensei que o tempo é relativo, apesar de mensurável. E o que relativiza o tempo, é o sentimento, este sim, imensurável. Algumas vezes me olho no espelho e vejo uma mulher persistente, madura, que está em busca de seus objetivos, mesmo que o trajeto até eles estejam repletos de curvas. Outras vezes, vejo uma garota crescida, com inúmeras dúvidas e incertezas sobre seu futuro, além de um medo latente.
 
A mulher é aquela que sonha acordada, passional ao extremo, chora e ri compulsivamente. Se sente bem, mesmo não sendo exatamente o que imaginava ser há uns dez anos atrás. O tempo passou depressa, alguns anos foram suprimidos do seu calendário, uma fase improdutiva, depressiva, que merece ser esquecida. Outros anos foram triplicados, em virtude de sequencias de acontecimentos intensos superpostos. Somando os anos sentidos, ainda seriam cerca de trinta. A mulher é calma, anseia por tranquilidade. Prefere o mundo real, colorido, mesmo com a paleta de cores incompleta.

A garota crescida é uma sucessão de não saberes: como nada acontece conforme planejado, ela se perde nas incertezas. Quando pensa que, enfim, sua vida está dando certo, alguma volta a vida lhe dá, e o certo se torna duvidoso, ou inexistente. A garota é ansiosa, angustiada, medrosa. Prefere o mundo virtual, pois o colorido pode ser ajustado conforme sua necessidade.

Ambas habitam o mesmo ser. A convivência é tumultuada, discutem entre si constantemente, e nem sempre a que profere a palavra final é a correta. O resultado dessa convivência não acertada é a presença constante do mediador.
 
A terceira parte, que habita o mesmo ser composto, é uma pessoa racional, com uma sagaz capacidade de avaliação da situação. Porém, seus defeitos são gritantes e desconcertantes: é uma atrasada nata, inúmeras vezes, não chega a tempo de mediar, somente de analisar e concordar ou refutar a parte vencedora, já que é tarde para acordos; é um tanto quanto insana, pois, se seu humor está sarcástico, simplesmente monta a arena para as gladiadoras lutarem, e, como não é uma romana, esquece o pão, e deixa o circo.

O ser é tripartido, numa mutável divisão desigual. O resultado é uma personalidade em constante mutação, e, quero muito acreditar, em constante desenvolvimento. 

Andreia, sempre numa batalha interior, buscando melhorar a cada dia.

8 comentários:

Carlinha disse...

Olá Andréia!!!!

Seja bem vinda!!!

Ótimo texto de estréia!!! Aproveite e divirta-se com a gente!!!

Lila disse...

Boa analise Andreia.
Muitas mulheres de 30 se reconheceriam nela.

Bjs p vc!!!!!!!!!!

Angel disse...

Uma Andreia, A Andreia...bem vinda ao grupo!

Belo Texto!

bjo!

Huguinho disse...

Eu também tenha umas disputas internas entre o ser homem e o garoto crescido. Tenho uma síndrome de Peter Pan (doença que eu criei) absurda. Devido a alguns medos e acontecimentos, às vezes não sinto vontade de ficar mais velho.

Gisele Lins disse...

Oi querida!
Seja muito bem vinda! Arrasou com o texto de estréia. Fiquei emocionada por por poder ter te conhecido em diversas destas fases e ver que estás agora em uma das mais bonitas! Um beijão,´com saudades!

andreia bocian disse...

Adorei escrever por aqui!
Vcs são muito legais!
bjs

Ah, gigi, é verdade, vc me conheceu em muitas fases, e agora é a fase a calmaria, acho.

Anônimo disse...

Parabéns!!!!
Amei o que escreveu tbm tenho trinta e poucos estou amando o blog de vcs.

ariane disse...

Amei seu texto tambem tenho trinta e alguns e muitos anseios.

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