domingo, 19 de julho de 2009

Certezas são incertas. Assim como eu.


Estava certa que este seria “o” ano. Que 2009 iria fluir de uma maneira tranqüila, como não sentia há muitos anos. De certa forma, foi assim que transcorreram os primeiros meses. Deixei-me embriagar com a possibilidade do novo. Sabia, de antemão, que nunca mais seria a mesma. Estava crescendo na espiral ascendente da evolução. Feliz, dentro da felicidade que eu podia sentir.

Mas agora...

Não sei mais o que sinto. Falhei demais comigo mesma. Não me culpo, culpo a medicina que é lenta, os remédios que funcionam e, sem mais explicações, não funcionam mais, os intermináveis testes que nunca são conclusivos...

Agora retrocedi.

É um processo doloroso ter de remodelar seus sonhos, aprender a lidar com novas limitações. Pelo menos existe a esperança, aquela amiga que apaga a luz quando a festa termina.

Minha vida tem sido feita de sonhos, esperanças, alegrias do cotidiano.

Não sou mais aquela capaz de grandes feitos, grandes loucuras, grandes gestos. Pensando bem, acho que de grandes loucuras ainda serei capaz, nunca fui conhecida pela sanidade, e também nunca fui santa.

Mas a verdade certeira é que dentro de alguns dias farei 32 anos. E me sinto velha. Não tenho aparência de velha, mas começo a sentir o peso dos anos.

Trinta e dois anos e ainda estudante, algumas vezes penso nisso como uma virtude, de alguém capaz de ser perseverante e lutar contra as adversidades. Funciono, pelo menos nesta parte, como um camaleão, me adaptando ao meio, me disfarçando...

Mas as pessoas são más, de um modo geral, e colocam isso como incompetência.

Na verdade sou muito competente, inteligente também, mas tenho um contratempo silencioso, que me prejudica.

Preciso de tempo, e como preciso de tempo!

Sinto-me passeando por entre os seguintes quadros:

O Grito, de Edvard Munch. Nele toda minha ansiedade, minha angústia, meus temores estão retratados, assim como as enxaquecas...

Persistência da memória, de Salvador Dali. Surrealismo é a minha realidade. Meu tempo cronológico não condiz com meu tempo mental, nem com o tempo do meu corpo, estou perdida, enganada pelo relógio.

Relatividade, de M. C. Escher. Estou num lugar onde planos diferentes aparecem, e, apesar de parecer possível andar por entre eles, não é. Muitos caminhos, nenhum fim. É assim que estou, vários rumos, mas nenhum certo, vivendo em ilusão, talvez?

Esta sou eu, uma espécie de Alice no país das maravilhas, um dos meus livros prediletos. E sim, muitas vezes acho que segui o coelho atrasado entrei num buraco errado, e tive uma queda sem fim; e as pílulas que tomo, me fazem participar ativamente do mundo de Alice. Feliz desaniversário para mim! Dia 20, quem sabe, feliz aniversário...

3 comentários:

Laeticia disse...

Andréia, certeza, a gente só tem da morte... me perdoe. estou bêbada. Minha avó morreu ontem. Despedimo-nos dela hoje. E bebemos a tarde toda em homenagem à D. Maria! Dá-lhe D. Maria!!!

andreia bocian disse...

infelizmente, esta é a única certeza certa.
meus avós, maternos e paternos morreram, assim como meu pai e meu padrinho.
de certa forma, te entendo.
Dá-lhe D. Maria!
Nada do q eu escrever mudará teu sentimento.
Não me importo q esteja bebada, a dor é enorme, sei disso.
Não se censure.

Gisele Lins disse...

Deia tu es uma linda mulher, te liberta de querer te ver com a moldura que o mundo insiste em tentar te enquadrar. Tu es arte abstrata, amiga, unica e perfeita como tu es. Feliz desaniversario, felis aniversario, e que cada ano de tua velhice (pffff) te faca assim, cada vez mais linda!
Um abraco apertado, com saudades!

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