terça-feira, 20 de outubro de 2009

2014 - Copa, que nada! Mais uma viagem no tempo! (ou como você tenta se comunicar consigo mesma, daqui a 5 anos)


Andreia, euzinha aqui, tentei te procurar exaustivamente, mas a busca foi em vão. Será que sua aparência mudou tanto assim? Onde será que reside? Ainda está viva? Graduou-se? Casou-se? Oh não, teve filhos?

Quero te encontrar, mas não a vejo. Será que terei e procurar um daqueles programas de reencontro de famílias? Impossível, nós não faríamos isto. Tenho uma carta para a Andreia de 2014, novamente, terei de me envolver com viagens no tempo entre dimensões.

Estou em 2014, porque esta é uma carta para ser entregue em mãos, não através de um correspondente qualquer. Agora estou em seu tempo e em sua dimensão, como faço para me encontrar?

Primeiro: verifiquei o meu endereço, certamente minha mãe ainda está viva, sua saúde é incrivelmente boa, o oposto da minha. Mas, cadê a casa? O que será que ocorreu, ela não abandonaria a vizinhança (embora esse fosse um desejo meu). Vai ver ela enxergou que a vizinhança já não era o que costumava ser na década de 80 do século passado.

Século passado... Nossa, sou uma criatura de outro século que viaja pelas dimensões espaço-tempo. Dr. Walter Bishop e Daniel Faraday teriam inveja de mim. Sim, definitivamente, estou perdendo a sanidade, misturar Fringe e Lost nesta viagem, é, definitivamente, uma viagem.

Já sei!

Web! Meu irmão estará online em algum lugar. Ainda bem que wireless está disponível em toda a cidade, é só me conectar.

Achei fácil, também, em que lugar melhor para encontrar um Workaholic e nerd. Nerd? Já é obsoleto em 2009, será que geek pegou? Ou qual será a nova definição? Google já!

Droga, eu achava que o Google iria dominar o mundo, mas a Microsoft já se estabeleceu com sua ferramenta de busca vinculada ao navegador, e desbancou o Google...

Perdi o foco, pra variar, tenho que me encontrar (e me concentrar)! Em que lugar você se esconde? Estou começando a achar que alguma de suas (minhas) patéticas soluções suicidas deu certo...

Não, eu nunca tive coragem de encarar uma suicida verdadeira, não vai ser agora.

2014, copa no Brasil, daqui a 2 anos olimpíadas, já sei, você está em algum canteiro de obras deste país!

Posso lhe rastrear, e lhe entregar a tal carta, mas não posso aparecer, minha viagem ao passado mostrou-se um tanto desastrosa, duas Andreias juntas, com intervalos de tempo, não irão funcionar, tenho medo de me estragar mais ainda. Mas o meu irmão poderá servir de ponte...

Bem pensado!

A carta:

“Andreia, amada e incompreendida,

Demorou, mas você conseguiu se formar em 2011, tarde, é verdade, você se culpa pela demora da graduação, você se ressente com o desprezo ou o desinteresse de algumas pessoas que lhe ajudaram, mas nunca a compreenderam. Faz um favorzinho para mim, não guarde mágoas. São muitas, eu sei, mas não servem para nada...

Você já obteve alta do psiquiatra? Está em alguma terapia? Ou algum outro tipo de tentativa de ajuste?

Espero, no sentido de esperança, que você esteja bem, e que não se preocupe mais em ser normal, preocupe-se em ser você (eu). Mostre o seu interior, se é que ainda não o fez.

Não se apegue a este passado de dores. Sei que você se agarra no passado, mas deixe-o, é o melhor, simplesmente esqueça-o.

Não descobri que tipo de trabalho está fazendo, mas a pergunta importante é: está feliz? Realmente, profundamente?

Provavelmente você ainda pensa em felicidade como utopia, mas se permita ser feliz, aproveite pequenos detalhes do dia-a-dia, seus gatos, principalmente, e sua família, porque não?

Ainda procurando respostas? Já sabe as perguntas, por acaso? Isso sempre ocupou espaço na sua mente, e tempo da sua vida. Não sou filósofa, você também não o é.

Mesmo sendo assim em 2009, lhe asseguro: não existem respostas definitivas, você sempre soube, e, algumas vezes, elas simplesmente não existem. Pare de procurar em que ponto da sua vida a avalanche de tristeza e medo lhe encontrou.

Não há um por quê. Ou talvez exista, mas que diferença faz, ou fez?

Ainda tentando achar o par ideal? Sei que não o encontrou, exigente demais, e pouco perseverante neste assunto. Arquitetura sempre vem em primeiro lugar. Se ainda você é assim, mude. Eu não consigo agora (2009), tento, mas tentativas inócuas, você sabe.

Já devo ser tia! Aproveite essa criança. Acho que encontrei minha mãe, ela deve estar morando perto deles. Será que nós estamos?

E o vazio interno que te dominou por quase uma década, ainda não foi preenchido? Se a resposta for não, preencha-o. Agora!

Pense em você. Sua aparência jovial se manteve, aproveite-a!

Eu (2009) quero ser feliz, ter meu diploma, mesmo em gabinete, tanto faz, e quero ser feliz em 2014, ou antes.

Consegui?

Quero que a resposta seja sim, se não for, minta para mim, preciso, desesperadamente, saber que dei certo em algum ponto da minha vida.

Com o mais puro carinho,
Andreia de 2009”

Andreia, em mais uma saga tempo-espaço. Isso que dá se fixar em ficção...

Um comentário:

Anônimo disse...

O tempo; oh!!! o tempo...
Sempre a priori, imanente, da gente!

O passado, ausência presente;
O presente, de repente...
O futuro, diferente!

Somos nós o tempo.

Um abraço em tempo,
Sérgio.

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