sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Estilhaçada

Estou em pedaços, mas não como em peças de quebra-cabeças, que se pode ver a figura, os encaixes, e a solução é certa, embora dependa do tempo dedicado à remontagem.

Estou como estilhaços de espelhos. Um espelho que foi atingido por uma destas bombas caseiras, mal executadas, com pregos para fazer o estrago. Estilhaços de vários tamanhos, sem bordas definidas e que refletem o entorno, e que podem ser remontados, mas mais pela insistência e pela sorte, pois o tempo e a dedicação não são elementos certos para a solução do problema.

Dezembro, tempo de festas. Alegria por todos os lados, com muito papai Noel gorducho, e um pelotão de duendes animados fabricando brinquedos. Para os mais religiosos, celebração da chegada do filho de deus na terra, concebido de forma miraculosa e nascido sob as mais adversas circunstancias. Ou ainda, há celebrações para o final do ano, amigo secreto, muita bebida, exageros gastronômicos, festas, festas e mais festas.

Dezembro, para mim, não é tempo de festas. É tempo de avaliações, sim, o que me deixa um pouco frustrada, pois minhas expectativas sempre são maiores do que minha capacidade de realização. É tempo de perda, não de nascimento, é tempo de perda de um dos meus principais alicerces, é um luto que não passa com o tempo: um aperto no peito, um choro reprimido, criticado, afinal, cinco anos não é tempo suficiente para superar a morte de alguém? Pois não é não! Detesto escutar isso, ainda mais de pessoas próximas, mas escuto.

O tempo é relativo, lembram? A física considera isso, então, por favor, não me venham com limitações temporais, porque minha paciência e polidez tem limitação sim!

Esse Dezembro virou tempo de doenças, estranhas, no meu caso, graves, no meu outro alicerce. Sou uma estrutura cuja base tem cinco alicerces, originalmente. Um, entrou em colapso, irrecuperável, outro, danos estruturais que estão sendo corrigidos, um terceiro que demonstrou oscilações, o quarto e o quinto ainda estão de pé, mas o peso sobre eles aumentou consideravelmente, não sei qual índice de segurança o calculista usou nesta minha base estrutural.

Em resumo: estou prestes a ter um desmoronamento, maior que os abalos anteriores.

Não tenho poder sobre isso, literalmente, não cabe eu resolver.

O que me mantém em dezembro?

Presentes!

Não os que eu vou ganhar, mas os que vou dar (infelizmente não posso presentear a todos que gostaria). Montar e criar embalagens, me dedicar a isso, me faz bem. Não preciso de retribuição, minha alegria está em tentar agradar aos outros, pelo menos a pouca família que me resta. Amo-os de uma forma intensa, não sei se sabem o quanto, sou ruim em demonstrar sentimentos, sou um pouco adepta ao ostracismo, e consumo, com certa regularidade, chá de sumiço.

Então, só posso desejar felicidades genuínas a todos vocês. E acreditem, apesar do quadro da dor emoldurado em ouro que descrevi, consigo ter meus momentos de felicidade. Sejam felizes!

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