terça-feira, 9 de março de 2010

Plus Size

Nos últimos anos, tenho reaprendido a lidar com meu corpo. Confesso: nunca estive satisfeita com meu corpo, mesmo quando era magra, sempre achava que precisava emagrecer. Depois passei a ser o próprio efeito sanfona ambulante, porém nada drástico (para os outros, ou para mim hoje, porque na época...).

Acontece que, por uma destas sórdidas combinações de fatores da vida, aumentei, e muito, de peso e volume, e estou tendo de me adaptar a essa nova realidade. Se gosto? Não, não gosto, preferia meu corpo de 4 anos atrás, com um sobrepeso que somente mulher nota (sim, somos muito mais críticas do que a maioria dos homens).

Vejo minha imagem no espelho, ou em fotos, e não me reconheço. E pior, o emagrecimento, no momento, é sonho distante. Aí, vem os “no pain, no gain” dizerem: fecha a boca, vai malhar! Quem me dera se esta minha bagagem corporal fosse simples resultado de preguiça e comilanças...

Já tentei os meios tradicionais, não funcionaram. Meios tradicionais adicionados com auxilio de médicos, também não deram certo. Porém, serviram para eu saber a causa: um grande desequilíbrio químico e orgânico, ou químico-orgânico (pessoal da química, me socorre!). Resumindo: emagrecimento drástico, o que eu preciso, não está num horizonte próximo.

Então, diante de um futuro próximo de roupas que não servem, resolvi procurar moda para gordinhas. Primeira descoberta: no mundo fashionista, não é gordinha, é plus size! Ok, gostei do termo, mais suave, e mais fácil de aceitar do que os pejorativos que permeiam nossa sociedade (se bem que só uma vez alguém me chamou de gorda com sentido pejorativo, no trânsito... sofro muito mais com o fato de ser branquela, e sofri mais ainda com o lôra burra).

Resolvi me aprofundar neste universo, sai das fotos e resolvi ler as matérias, de revistas online de moda. E, desculpem a ignorância, me surpreendi em saber que as jovens plus size querem tanto ser modelos quando as magrinhas. E que tem tops, modelos de referência, enfim, suas Giseles. E que espertalhões dão os mesmos golpes as aspirantes a modelo, tipo ter de pagar antecipados a agências para modelar.

Nossa, eu realmente não tinha idéia desse universo ser tão vasto. Sabia da moda de tamanho G, sabia de modelos que fazem sucesso (sem nomeá-las...), sabia que existia um mundo de consumo, de sites e de revistas. Mas nunca imaginei o tamanho dessa indústria, as pressões (inclusive de manter o peso) sobre a imagem de gordinhas (achava eu, no ponto de vista de mulher em busca de corpo perfeito, que as pressões eram para emagrecer...).

Enfim, as mulheres G não querem se enquadrar no mundo M, muito menos P (visto com o mesmo pavor que uma mulher de tamanho P teria se alguém exigisse que ela engordasse 20 quilos). Querem é ser reconhecidas pelos tamanhos menores, querem aceitação, querem que sua imagem não esteja associada a valores depreciativos. São bonitas, vaidosas e militantes.

Agradável surpresa ver o mundo sob a ótica de mulheres que se aceitam, são felizes e querem seu espaço. Andreia adoraria ter esse grau de aceitação, mas sua aceitação vai até o dia em que emagrecer, pra ela, não tiver contra-indicação.

4 comentários:

kalli disse...

Muito bom seu texto :) Parabénsss

Laeticia disse...

Meu espírito ainda não se elevou o suficientemente pra não viver de dieta, tampouco sonhando em pesar novamente 59Kg...

Lila disse...

Amei o texto... Barbaro!
Bjs

Nara Faraj disse...

Eu me identifiquei bastante com o trecho que fala de não se reconhecer diante do espelho ou em fotos antigas. Não é fácil a auto-aceitação! Mas acho a moda pode contribuir muito para nos sentirmos melhores. Para estar bem vestida, basta ter bom gosto, o que não é uma característica garantida das pessoas magras.

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