quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Nobre e o Vagabundo

Nos últimos 10 dias, me deparei com 2 tipos bem diferentes de ser humano: aquele nobre, altruísta, construtor de um futuro melhor; e aquele outro tipinho vagabundo, egoísta e destruidor da crença em um futuro melhor.

Em Brasília, numa cidade linda, e também muito motorizada, o que dificulta um pouco o contato humano casual (há poucas calçadas, o que dificulta o caminhar). Eu, e mais 3 colegas, estávamos saindo do Memorial JK. Como gaúchos desavisados, achávamos que era só sinalizar para um táxi que o carro pararia... Engano, táxis são abundantes por lá, porém, o embarque ocorre preferencialmente nos pontos ou através de chamadas telefônicas... Estávamos, literalmente, torrando ao sol, começando a nos darmos conta de que ninguém iria parar e nos preparando, psicologicamente, para uma longa caminhada, quando um carro passa nos observando como tantos outros... Poucos minutos depois, entretanto, este mesmo carro retorna, entra por outra via e estaciona bem próximo a nós. Uma mulher, moradora da cidade, mas carioca de nascença, é a motorista. Muito solícita, numa gentileza que nos espanta, de tão incomum, nos explica a situação e nos chama um carro.

Um ato gentil, simples, desinteressado, que a fez desviar por poucos minutos de sua rota, mas que nos salvou de muitos minutos de caminhada e espera, num calor escaldante (para gaúchos). Este gentil ato desta anônima mulher nos fez fortalecer a fé no ser humano, e gerou, sim, mais gentileza, pois numa espécie de compromisso informal, combinamos que cada um ajudaria alguém de forma similar. E um mundo melhor é possível!

O outro ser, infelizmente, um tipinho mais comum, me espantou pelo contrário. Eu e este colega resolvemos ajudar a montar um mapa de determinada cidade. Existia o trabalho, um prazo mediano, e eu poderia fazer, simples assim o meu envolvimento. Enviei o arquivo por e-mail, e deixei livre para quem quisesse melhorá-lo. E não pensei mais no assunto. Descubro, então, que meu arquivo foi rejeitado, descartado mesmo. Pode acontecer, mas estranhei. Perguntei o motivo, e, este colega, parceiro até então, disse que não conseguia desenhar em cima do meu desenho, creditou isso a uma espécie de TOC (?) e disse que meu desenho estava errado (ele poderia não ter gostado, mas errado?!). Ele fez outro mapa (pela linha de tempo, antes mesmo de ver meu resultado), e, visivelmente, fazia muita questão do dele prevalecer. Então que me avisasse, e eu não perderia o meu tempo... simples também. E eu disse isso a ele, até para evitar situações similares no futuro... Nossa... esse homem se revoltou, chegou a gritar comigo, numa atitude totalmente desproporcional... Ele desrespeitou a mim, na atitude de gritar, e ao meu trabalho, ao ignorá-lo e substituí-lo sem me notificar. Fez com que eu me sentisse idiota em perder meu tempo tentando ajudar, e uma retardada, pois, por alguns minutos, tive a impressão de ser uma discussão entre crianças de 10 anos, no máximo, não entre balzaquianos de nível superior. Essa situação me fez desacreditar no coleguismo. E, sem respeito mútuo, sem ajuda ao próximo, não creio que outro mundo, um melhor, seja possível.

Depois de a minha revolta passar, relembrei a carioca de Brasília. E sorri. E decidi ignorar o outro tipo. Se é para espalhar alguma atitude, dar continuidade a alguma dessas situações, que seja a da gentileza!

Andreia escreve esporadicamente, e se surpreende com o ser humano constantemente.

Um comentário:

Andréia B. Borba disse...

Oi!
Pois é... Gentileza, que deveria ser algo comum, é artigo de luxo no mercado, a tal ponto que chega a surpreender quando a encontramos assim, gratuita.
Ótimo post!
Bjs!
Déia

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