quinta-feira, 12 de abril de 2012

Como é, afinal, a balzaquiana de 2012?

Dia desses, numa conversa com um amigo, novamente me deparei com uma questão e uma resposta que nós, balzaquianas assumidas, já sabemos (mas que muita gente mais nova, ou mais velha, ainda não se deu conta).

Como é a mulher de 30 hoje?
A resposta: depende da balzaca em questão!

Dessa vez, não vou escrever sobre aparência, já o fiz aqui . Escreverei sobre o comportamento.

Existem vários tipos de balzaquianas (os leitores que nos acompanham já se deram conta disso), descreverei, brevemente, alguns:

- a solteira desencanada:

Nós (faço parte desse grupo), somos solteiras porque assim estamos (algumas até já foram casadas). Queremos ser felizes (e somos insatisfeitas, muitas vezes).  Antes de colocar uma nova família no meio, queremos conhecer o nosso verdadeiro eu. Não somos egoístas, nada disso: queremos ser independentes antes de ter pessoas dependendo da gente. Entenderam? Nos dedicamos a nossa profissão, aos nossos amigos, ao nosso amor, aos nossos bichinhos de estimação, a nossa casa, aos nossos dramas. Queremos aprender muito: ler, estudar, viajar, testar... Queremos, também, nos dedicar a um filho, ou um marido, mas não acreditamos em gravidez acidental e em casamentos forçados, queremos frutos de um amor, numa situação de equilíbrio emocional e financeiro. Sim, queremos muito, e por isso, continuamos solteiras (e temos fé na santa medicina para adiarmos a maternidade até uns 40...).

- a profissional:

Esta balzaca pode tanto ser solteira quanto ser casada. O importante, aqui, é brilhar em sua profissão (antes que a considerem fria, já aviso que ela não é). Dedicar-se com afinco a uma profissão requer sacrifícios que poucas de nós estão realmente dispostas a enfrentar. São mulheres batalhadoras, que são vistas como agressivas, se solteiras, ou como insensíveis, se casadas, ou ausentes, se mães. Dependendo da profissão, ainda enfrentam o estigma de serem mulheres em posição de poder, e, em alguns casos, apesar de serem mais competentes, mandarem e se responsabilizarem mais, ainda recebem salários menores que os masculinos em categoria similar. Normalmente, são boas mães, boas esposas e boas amigas. Elas são pessoas focadas, objetivas, e, acreditem, seu tempo é precioso, portanto, sempre priorizarão a qualidade. Briguinhas bobas, fofoquinhas, intrigas, ou qualquer outra coisinha sem importância, não têm espaço na vida delas. Simplesmente, porque elas não têm tempo a perder com isso! 

- a casada e sem filhos:

Apesar de já terem encontrado um par, não têm filhos. O motivo de não terem filhos são inúmeros: emocionais, biológicos, financeiros, ideológicos. Porém, quaisquer eventos familiares se transformam em  interrogatórios: "pra quando é o bebê?", "quero ser madrinha, hein?", "já tentou o chá da santa barriguda?", "quer levar chifre? cuidado, ele vai te largar se não tiver uma criança!". São muito cobradas pela sociedade e pela família. Acredito que, atualmente, recebem mais cobranças que as solteiras, porque já é relativamente normal, para muitos, ver alguém optar por uma vida sozinha, mas uma vida de casada sem filhos gera indagações diversas. Existe, sim, família a dois! Um casal pode construir muitas coisas além de filhos, tristes são as pessoas que não enxergam isso. Estas mulheres, apesar de serem alvo nos eventos sociais, estão bem consigo mesmas, têm seus momentos de dúvidas, como qualquer outra mulher, e sabem que tudo tem seu tempo e que estão no caminho certo. Têm suas prioridades, individuais e a dois, que pode ser , inclusive, o filho que ainda não aconteceu. Merecem um descanso dessas perguntinhas chatas!

- a mãe de família:

Estas são as mulheres que optaram por uma família tradicional: marido e filhos. Escolheram e planejaram esta vida. Sonharam com isso desde crianças, idealizaram e concretizaram muitos dos sonhos adolescentes, grande parte, ainda antes dos 30. São mães dedicadas e adoráveis! Curtiram a gravidez, curtem os filhos, que na maior parte ainda são pequenos. Muitas tiveram casamentos tradicionais. Algumas poucas estão nesta situação sem planejar, mas amam viver em função da família. Não estou descrevendo "amélias" ou mulheres "do lar", estes seres estão em extinção! São mulheres que trabalham, estudam e tudo o mais. Suas vidas tem dois ou três turnos! Têm um dia-a-dia muito cansativo. Mas a prioridade é a vida familiar num sentido mais tradicional. Costumam ser pessoas doces e com muito amor, não apenas à sua família, mas ao ser humano e à sociedade. Acredito que estas são as românticas dos trinta anos. Talvez seja mera coincidência, mas na minha experiência pessoal, também são as mais engajadas em trabalhos voluntários, e as que mais se solidarizam com o sofrimento alheio.

- a mãe de adolescente e/ ou jovem adulto:

Elas podem ser casadas com o pai do filho, podem já estar em um segundo, ou terceiro, casamento, ou podem ser solteiras. Hoje encontraram equilíbrio, ou algo próximo, mas grande parte tem uma história de luta. Muitas dessas mães engravidaram sem planejar, enfrentaram alguns preconceitos, algumas enfrentaram família e falta de dinheiro, muitas também não contaram com o apoio do pai da criança. Estas são as balzaquianas guerreiras! E hoje também parceiras das crias! São as mães-amigas-irmãs. Chegaram aos trinta com muita bagagem, consequentemente, costumam ser mulheres sábias, talvez não de uma forma erudita, algumas encurtaram sua vida acadêmica, mas possuem uma sabedoria madura sobre a vida e as pessoas, e um incrível jogo de cintura.

- a solteira convicta:


Esta seria a legítima solteirona. Ela não está assim, ela é assim. Pode ou não ter filhos. Mas um marido não faz parte de seus planos. Ama a liberdade de ser e de agir. Tem seus casos, seus amores, mas é totalmente independente. Gosta de agir conforme sua vontade, seus sentimentos. Não abre mão de seus planos facilmente, adora a liberdade. Não conheço muitos exemplares deste tipo para exemplificar da melhor forma, mas elas existem! 

- a solteirona desesperada:

Esse é o tipo de balzaquiana que denigre a categoria. Elas querem muito casar e ter filhos! Até aí, tudo bem, muitas balzaquianas desencanadas e muitas que priorizam a profissão também querem muito casar e ter filhos. O problema: só falam disso! Conhecem um homem e querem logo saber o estado civil (e ainda existem as que além do estado civil querem saber o extrato bancário e a árvore genealógica). Catam pretendente em qualquer situação. Quando conseguem alguém, dizem "eu te amo" em menos de um mês de relacionamento, três encontros e declaram namoro (parece que o infeliz é o último exemplar do gênero masculino). Esse é o tipo de balzaquiana que assusta! Pressiona e chantageia (e não sabe porque está sozinha... ah, sabe: "homem não presta"). Infelizmente, marcam de forma negativa aqueles homens desavisados que cruzaram seu caminho (e os estragam para as demais trintonas solteiras). A justificativa da pressa, muitas vezes, é o desejo da maternidade. Sim, ainda temos um prazo biológico, mas que varia de mulher para mulher. E temos os avanços da medicina, que possibilitam adiar, pelo menos um pouco, esses ponteiros, ou congelando óvulos, ou realizando tratamentos hormonais. Mas estas mulheres ignoram os avanços tecnológicos, a possibilidade de ser mãe solteira ou de adoção, e, principalmente, o bom senso. Estereotipam a categoria (numa forma caricatural, muitas vezes).




Devem haver mais tipos de balzaquianas que não lembrei, e, em cada tipo, existem, sim, as exceções, assim como existem as mesclas, mulheres que são um pouco de um tipo, um pouco de outro.

Andreia, uma balzaca solteira e desencanada, algumas vezes frustrada, outras sonhadora, escreve esporadicamente. Neste texto, fez uma categorização baseada em observações pessoais, que podem não ter correspondência na realidade de outras pessoas, ou de mulheres de outras regiões.
Andreia aceita opiniões contrárias, podem comentar!

6 comentários:

Advokete disse...

Acho que sou a profissional casada e sem filhos.

Costumo ser realmente vítima em praticamente todos os eventos sociais que possibilitem um mínimo de intimidade. E em algumas vezes, por pessoas com quem me encontrei apenas naquele dia. É chato. Mas já sei como afastar estes urubus inconformados com nossa (minha e do Bola) opção de não ter filhos: digo que não posso e desabo a chorar!! A pessoa fica tão sem graça que sai fora rapidinho.

Quanto ao trabalho, é isso aí mesmo. Não quero depender de ninguém, muito menos de marido. Marido quer que a gente seja companheira, amiga, amante. Quer que a gente seja independente e ao mesmo tempo nos proteger. E mesmo eu, que sou tipo fêmea alfa, confesso que, apesar de não precisar, gosto muitíssimo da idéia de que meu marido pode e é capaz de me proteger!! Vai que um dia precisa!! Rsrs

Rachel disse...

Hahahhahaha Achei o máximo o blog de vcs!!! Seguindo meninas!!! Um bjo e sucesso!!!

andreia disse...

Acho que a nossa geração de balzaquianas é a mais heterogênea!

Não seguimos um padrão físico ou psicológico.

Talvez sejamos a geração mais "bem resolvida" (ou a que mais resolveu fazer o que tem vontade, sem seguir padrões predefinidos).


:)

Rachel, Bem-vinda!
Siga, comente e compartilhe!

Adoramos nossas leitoras (e nossos leitores).

beijos

Dri disse...

Gostei da tira.. rs...

Renata disse...

Achei o texto sensacional. Agora que virei uma balzaquiana virei visitante assídua do blog. Me identificando cada vez mais. Parabéns!

Libna Gonçalves disse...

Amei o texto!!

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