terça-feira, 15 de maio de 2012

Tradução de mim...

Existe um poema, do Ferreira Gullar, que, quando li pela primeira vez, me identifiquei de imediato.
Até fiz uma imagem, mesclando-o com uma foto (que hoje "resgatei" e postei em outro blog, vários meses depois...).

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Traduzindo...

Tenho necessidade de conexão e interação, com as pessoas que gosto, e com aquelas que nem conheço (sou assumidamente uma viciada em redes sociais). Porém, ao mesmo tempo, gosto de estar sozinha, e assim fico por períodos maiores do que deveria. Essa solidão social, na vida "real", que às vezes é bem-vinda, muitas outras me deprime.

Costumo pensar e analisar (até demais) minhas atitudes, relações, ambições, passado e futuro, negligenciando o presente frequentemente. E essa minha mania de sempre pensar, questionar e criticar tudo ao meu redor, especialmente eu mesma, faz meu pensamento viajar... Deliro. Deliro muito. E a melhor parte do meu ser é este meu Eu Delirante, assim como a pior.

Meu Eu Delirante é aquele divertido, agitado, que cria e  inova, que quer mudar o mundo. Meu Eu Delirante é aquele que machuca, que me reduz a um grão de poeira cósmica, que reflete minha insignificância no mundo, que congela e paralisa. É um amigo perigoso, meu querido " friendenemy ".

É um ser que não posso aprisionar, pois se o fizer (já fiz) os resultados serão catastróficos (sim, também é um Eu Superlativo). Então o liberto em imagens pretensiosamente artísticas. Tenho necessidade de expressão, e ele é o responsável. Um dia, talvez, quem sabe, esse meu Eu se traduzirá em Arte.




Andreia escreve esporadicamente, pois fica muito tempo delirando, algum desenhando e manipulando imagens,  e pouco escrevendo.

2 comentários:

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Lindo o poema!

Parabéns pelo texto.
Beijos,
Selma.

andreia disse...

Obrigada, Selma!

:)

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