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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Renascer

Foi eletrizante.

Ele  exibiu todas as principais características de sua combinação perfeita.  Um pouco mais alto que ela, penetrantes olhos azuis, extremamente ansiosos e atenciosos.  Olhando para trás no tempo, apenas anos (muitos anos!) depois ela percebeu que era um comportamento obsessivo e compulsivo.  Mas só se pode ver isso em retrospectiva.

Ele a seguiu por semanas e teve um sorriso radiante toda vez que a olhava.  As mensagens de texto insistentes eram engraçadas e sedutoras.  Ele demonstrou extremo contentamento, entusiasmo pela vida.  Ele era alegre e em forma.  Mas acima de tudo, seu mundo parava toda vez que ele olhava para ela.  Ele disse que nunca se sentiu assim antes, estava sendo tão impulsivo ... Na verdade, ele dedicou sua vida a ela.  Por 18 meses.

Quando tudo mudou?  Apenas uma coisa precisava mudar.  Quando o suprimento se torna preso.  É aí que todas as mudanças acontecem.

Repentinamente ela não tinha mais voz, não tinha escolhas.  Ela não podia escolher onde morar, para onde ir, onde os móveis seriam posicionados na casa.  Suas amigas não eram boas o suficiente para dedicar seu tempo.  Ela não era boa o suficiente para cozinhar, criar os filhos.  Ela tinha que esquiar, acampar.  Oh meu Deus, quem não gostaria?  Ela tinha que gostar das atividades dele.  Todos no mundo gostavam, por que não ela?

 Sua rede de relacionamentos era alimentada o tempo todo com informações para se distanciar dela.  Ela é louca, era a palavra usada por aí.  Da mesma forma que seus pais e sua família foram alimentados, eventualmente até no trabalho isso se descencadeou.

 Ela começou a perder a luz.  Seu desejo pela vida.  Ela ficou contida e cheia de dúvidas.  Ele a amava, então ela pensou que ele poderia estar certo.  Talvez ela estivesse mesmo louca.

 A questão central nos relacionamentos obsessivos, compulsivos e controladores é a falta de auto-estima.  Ele não podia acreditar que ela ficaria por opção.  O medo do abandono era insano.  Na verdade, ele sabia que, trancando-a, eventualmente ela voaria.  Por que não?

O treinamento era constante: comportava-se e ela recebia presentes incríveis.  Se ela não fazia que era solicitado, ela recebia tratamento silencioso.

6 anos em de regeneração pessoal.  Auto-crescimento, auto-crença, exaustão emocional entre auto-culpa e resistência.  Se ela tentasse dizer uma palavra, ele diria mais alto.  Até que ela desistisse de falar.

 Cercado por mentiras, falta de apego e necessidade de retratar para o mundo que era uma família perfeita.  Uma prisão sem grades.  Uma existência solitária.  Afinal, quem acreditaria que o cara mais legal teria um lado tão sombrio dentro de casa?

 Até que ela ficou pronta.  Emocionalmente pronta.

 Mas ela nunca estava preparada para o que viria a seguir.

 Então ele diz: você está me deixando?  Você está louca?  (A mesma conversa maluca, como sempre.).  Você acha que encontrará alguém que faça tudo o que eu faço por você?  Você é nada.  Sua carreira foi por minha causa, os filhos são por minha causa, nossa casa é por minha causa e nossos amigos estão a nossa volta por minha causa.

 Mas ela estava pronta.  Ela tinha auto-crença suficiente naquele momento para não ouvir mais uma palavra.

 A próxima estratégia usada foi oposta: persegui-la com constantes mensagens de texto obsessivas, planos de encontros, presentes caros, oferecer-se para viajar para ilhas paradisíacas e fotos de seu corpo (como se assim se apagariam todos os feitos passados ​​e a crueldade de uma existência isolada e  triste).

 Então, para provar que ele estava certo.  Afinal, ele é o Sr. Certo, ele sempre esteve certo.  O plano maligno começa.

A despejou de sua própria casa (para nunca mais voltar, ela nunca esteve lá novamente, nem mesmo para recolher seus pertences pessoais).  Não lhe foi permitido  ver as crianças por um período inaceitável.  Desabrigada por um mês, sua imagem denegrida no trabalho onde “ela foi instruída” a não voltar, com direito a menos da metade do que construíram juntos, reputação prejudicada profissionalmente, pessoalmente e com seus próprios filhos.  Nem vamos mencionar as mentiras envolvidas para que a polícia viesse atrás dela para desviar  sua atenção de seus direitos para o modo de sobrevivência.

 Estilo de Hollywood.  Suas próprias realizações e carreira de vida construídas com tanto foco foram destruídas.  Por uma pessoa.  Quem não se amava o suficiente para deixá-la ir em paz.

 Raiva, engano, mentira, força, traição, escuridão, egoísmo e ciúme.

 Mas ela é forte.  E ela acredita em si mesma.  Ela nunca pensou que seria novamente feliz.

Feliz.  E ela é.  Ela está livre de novo.  E agora ela pode brilhar.  O sorriso aberto dela diz tudo.  Ela é livre.

Lil sofreu por muitos anos e agora escolhe olhar para o que funciona e deixa a vida mais leve.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Aquelas coisas bizarras que só acontecem comigo!



Já ouvi de pessoas que disseram querer passar mais tempo comigo pra ter mais emoção na rotina.

Eu não sei bem ao certo se essas coisas me procuram ou eu as procuro. Mais provavelmente acontecem porque eu dou permissão, causado por aquele instinto inerente na gente em ajudar o outro, ao invés de ter medo. Um sentimento quase infantil que presume que todos são bons até que se prove o contrário.

Na frente de um hospital ele me chama, por volta dos seus 20 anos, explica que a namorada tentou se suicidar e que está esperando que a mãe dele venha buscar. Mas porque ela está demorando um pouco, ele pergunta se eu posso ligar e verificar se ela está vindo.

(Por segundos um filme passa na minha cabeça e confesso que eu até olho para os lados pensando ter alguma câmera escondida, porque aquilo não poderia ser real, ele contava detalhes íntimos da vida desgraçada que eles estavam levando, coisas que não se dizem a um estranho transeunte).

Eu ligo e a chamo pelo nome. Kylie. Não esquecerei o nome, nunca...

Ela me diz que não quer saber do Michael e, muito educadamente, se desculpa pelo incômodo que o filho me causou. - " Ele nem mora comigo”, ela diz. Nessa altura eu já sabia que ele morava numa casa do governo, mas isso por acaso isenta do papel de mãe??? (Julgamento da mãe leoa indo para as alturas!)

Eles se falam no meu telefone por alguns minutos quando o rapaz repete: -“ Eu sei que não queres saber de mim, mãe. Ok, obrigado. Te amo!”

Me devolve o telefone e diz que vai beber em algum lugar.  E o fará com o dinheiro da pensão do governo, que, por ele ter depressão, é considerado incapaz de trabalhar. (Os meus poucos minutos de interação com o rapaz  - longe de ser psiquiatra - me pareceu mais uma esquizofrenia).

Antes de partir: -“Thanks babe, you are hot!'”

Porque toda a história triste acaba com algum nível de comédia...

Tirando o sarcasmo de lado. Meu coração ficou despedaçado. Ele não deve ser fácil, pode ter causado muitos problemas pra ela. Mas nunca se desiste de um filho, nunca... Especialmente quando ele te diz que te ama, desesperado por atenção...

Lil escreve aqui esporadicamente e acredita que a responsabilidade materna vá além dos anos iniciais de vida e que mesmo indiretamente, uma boa parte do desequilíbrio emocional dos adultos advêm dos relacionamentos mal resolvidos com suas figuras maternas e paternas. Mesmo que Kylie não goste da ideia....

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Presente Mais que Perfeito

Será que sou a única porto-alegrense que se irrita com o hábito portoalegrês de classe média de mostrar-se feliz e satisfeito com sua vida o tempo inteiro?

Talvez a bolha que vivam os impeça de entenderem o que acontece. Vendo de fora, da visão de quem mora longe há tanto tempo, fica quase tão claro quanto água cristalina.

A corrida contra o tempo pra ganhar mais dinheiro do que se precisa pra viver bem, o carro do ano, a roupa da moda, os condomínios de luxo na praia, os lugares badalados, os tratamentos estéticos, as joias caras e os restaurantes com preços abusivos. 

Morar em Petrópolis, Bela Vista ou Moinhos de Vento é aceitável. Deusolivre morares no centro. Se morares no Bonfim... hum... esse está no limbo, a caminho de uma vida melhor.

Eles espontaneamente te dizem como são felizes, sem sequer essa pergunta ter sido mencionada. Saem quase todas as noites para beber com os amigos nos lugares badalados. Tem pânico da solidão. Não leram Tolstoi, Machado de Assis, nem Nietzsche. Não tem religiosidade e nutrem um apego superficial pela família. Seu objetivo de vida é alcançar o sucesso. E o sucesso nesse caso é ter dinheiro e “parecer feliz”. 

Sério? Só tu deves acreditar nisso então.

Momento amarga alguns podem proferir. Sendo uma mulher de muitas opiniões e algumas delas radicais, arriscarei um: realista apenas (e um pouco irritada talvez - risos).

Continuo amando minha terra e todos os meus amigos e familiares que nela residem dos quais eu não vivo sem – afinal pisciano não substitui pessoas, apenas soma... Com a idade, cada vez mais uma grande parcela do meu tempo é propositalmente dedicada à manutenção destes. Daqueles que valem!

Recentemente fiz outra escolha consciente: de ser feliz com meus problemas da vida (que ninguém escapa), mas sem deixar de reconhecê-los e, principalmente, de tentar ser uma pessoa melhor a cada amanhecer. Não que eu consiga, mas a tentativa existe e é real.

Sendo toda generalização uma bela ignorância, este relato não se refere a todos os porto-alegrenses que talvez se enquadrem no estereótipo relatado acima, visto que depois que nos tornamos pais (e falo em causa própria – mais risos), o que mais queremos é prover conforto e segurança à prole. Esses escapam das minhas farpas. E outros do bem também, por favor, não se sintam ofendidos. Se for tua amiga, eu não te considero fútil. Ponto!

O que me incomoda é a necessidade da venda de uma imagem de uma realidade inexistente. De uma felicidade de vida vazia e sem objetivo profundo. Assim, VAZIA.

Não se fala em problemas pra não demonstrar fraqueza. Porque pega mal ter problemas, pesa pra imagem.

O que deixarás quando passares dessa pra melhor? Alguém que te amou de verdade quando fazias questão de manter relacionamentos de bar (amores não sobrevivem à superficialidade)? Filhos que não tivestes por egoísmo em dedicar seu tempo a uma pessoa que não fosse você mesmo? Os beneficiados pelo trabalho voluntário que nunca fizestes? Ah sim, a mamãe vai lembrar... Mas essa provavelmente não estará mais aqui pra contar que filho (a) “maravilhoso (a)” ela acha que teve.

Se por acaso achares que essa briga é só minha e que eu estou insana, leia Manual de Ingenuidades, há pelo menos algumas pessoas concordando comigo. De acordo com este, o PICMB (Perfeito Idiota de Classe Média Brasileira) não faz trabalhos domésticos, não respeita trabalhos manuais, seu tempo vale mais do que o tempo do outro, se sente o parâmetro de tudo, vai pra Orlando sempre que pode, acha a Europa chata, a Ásia um planeta esquisito, joga lixo no chão, e a melhor de todas, adora pagar caro. Não tem coisa que rotule mais um PICMB como gostar de pagar vale pagando caro. Porque caro significa “eu posso pagar”, não significa que o produto valha a pena.

Respire fundo. Antes de me atacar reflita se não estás dentro da bolha. Até aceito opiniões divergentes, mas só de quem tenha saído da província amada por pelo menos 10 anos e aberto enfim seus horizontes para o mundo.

Ser cidadã de lugar nenhum me dá uma sensação de não pertencimento. O outro lado da moeda é que estou definitivamente emancipada.

Lil escreve aqui esporadicamente. Por vezes polemicamente.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Aqui me tens de regresso.


Nossa, eu aqui outra vez. E pela primeira vez em 5 anos escrevendo de um note em português, sem precisar de revisão ortográfica. (Êêêêêê, minha editora Andreia, que o diga - ela deve estar colocando as mãos para o céu nesse momento).

Dizem que a vida é aquilo que acontece quando estamos vemos televisão. Na vida moderna, a vida é aquilo que acontece quando não estamos em frente ao computador.
Como toda mortal, minha vida também não é perfeita (pasmem!) e tem várias pedras no meu sapato. Mais do que eu gostaria de contar, que causam calos e feridas. Algumas estão abertas, sangrando... e não vão desparecer assim como o gênio da lâmpada. Eu tenho que lidar com isso!

Mas eu tô assim, de boa com tudo, mesmo assim. Percebi que se eu esperar para que tudo esteja em seu lugar para ser feliz, esse dia nunca chegará. Que se eu esperar pra viver quando meus filhos se formarem, quando eu comprar a casa no Rosa, quando eu receber uma promoção de emprego ou quando aquela pessoa mala resolver esquecer da minha existência, vou sobreviver apenas esperando por algo que nunca acontecerá.

Óbvio que muito crescimento pessoal aconteceu nesse processo de amadurecimento para que eu chegasse aqui. Mas sim, eu cheguei lá!!!!!!!! Lá naquele lugar que eu me sentiria bem, sem precisar que todas as coisas ao meu redor estivessem bem. Naquele lugar onde me aceito e sinto que sou ok do jeito que sou, parando de exigir coisas absurdamente inatingíveis para a maioria dos seres humanos, parando de pensar que posso ser super tudo. Me permitir ser quem sou.

Então assim, divido sorrisos, tento passar ao próximo à beleza de se estar saudável, ter forças para começar um novo dia, e me permeando na ideia de que eu realmente quero que quando as pessoas lembrem-se de mim, sozinhas, elas tenham um sorriso no rosto.

Que esse bem-estar tenha vindo pra ficar e que seja eterno enquanto dure. 

Amém, que assim seja, e todas as coisas que o valem.

2014 continue dessa forma meu amigo, que estou aqui de braços abertos para recebê-lo. Cheia de vontade.





Lil escreve aqui bem esporadicamente. Com a alegria em estar viva, e, somente esta ser um motivo suficiente para sorrir e fazer sorrir.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Me ralei?

Sair do país de origem é se desprender, aprender e expandir os horizontes. É se libertar e descobrir. Respeitar e amar o diferente.
Retornar é reviver, re-amar, reaprender, re-descobrir e reencontrar. E, enfim, realizar que o coração e o corpo nunca mais estarão no mesmo lugar. Um pedaço aqui e outro lá.
A equação é indiferente do lugar onde se está.
Me ralei!




Lil é balzaca com o coração pelo mundo.

sábado, 18 de agosto de 2012

Perdas


Perdas dolorosas, perdas que aliviam.
Temporárias e permanentes
Súbitas e paliativas.

Lidar com a perda não é uma habilidade nata, é algo que nos é empurrado goela abaixo e vida afora. Sem escolha, senão enfrentá-la.

Na minha vida, chegou quando eu beirava os 30. Por certo modo me sentia aliviada por não ter lidado com ela mais cedo. Acho mesmo que não teria raça pra levantar (sou do tipo bem frágil – apesar das aparências). Chegou em um momento em que eu supostamente estaria mais forte para lidar com ela, mas nunca estaria de fato preparada.
A perda definitiva.

A perda definitiva de alguém que amamos. De acordo com Elisabeth Klüber-Ross, quando sofremos uma perda catastrófica, passamos por cinco fases diferentes de dor. Começamos pela negação. A perda é tão impensável, que achamos que não pode ser verdade. Depois dela vem a raiva, botamos a culpa em todos, até mesmo em quem atendeu o telefonema recebendo a informação: “por que tu atendeu ao telefone????!!!!!”. Seguindo-se, chega a negociação, negociamos o que sentimos, dá até sentimento de culpa, medo de esquecer quem se foi. Na depressão oferecemos a nossa alma em troca de apenas mais um dia. Até a aceitação... quando aceitamos que fizemos tudo o que podíamos. E deixamos ir.

Não dá pra ler o parágrafo anterior e achar que tudo passa rapidinho. O tempo se arrasta. O ar nos falta, dá raiva de ver alguém sorrindo – parecendo que o outro não tem direito de ser feliz perante tanta dor. Questionamos até se existe vida depois da perda. É uma dor egoísta, só nossa. Por saber a falta que o ser amado fará na nossa vida. Da sua ausência nos jantares de família, nos aniversários dos nossos filhos, nas bodas dos nossos pais, nas férias na praia, no aconselhamento profissional e até do ciúme que ele tinha – que eu dava risadas e me sentia silenciosamente amada.

Mais de 5 anos se passaram. Algumas perdas recentes de outras pessoas me fizeram relembrar a maior perda da minha vida. Eu queria poder dizer a eles que passa. Como comumente se diz: com o tempo passa. Poder dizer pra eles que o tempo cura. O tempo não cura. A saudade é perene. O tempo só faz com a saudade se torne mais colorida e menos dolorida.

A saudade que causa dor hoje é a saudade que amanhã te fará sorrir.




Lil escreve aqui esporadicamente..

terça-feira, 13 de março de 2012

Pequena grande irmã

Ela tinha 6 anos quando nasci. Trocou minhas fraldas e já sabia fazer cafezinho. Ensinou-me a andar de bicicleta sem esfolar o queixo, fugiu de Morey no mar, pulou janela para eu não segui-la e abandonou-me para as festas quando a adolescência chegou.

E me deixou órfã.

Provou que cabelo tinha gosto ruim (grrrr), que os menores frascos têm as melhores fragrâncias, que mulher é elegante, tem estilo e se comporta em público. A ser forte e a acreditar em mim. A buscar meus objetivos com fibra e forca, mas sem cair do salto. A ser cuidadora, inteligente, articulada e politizada. A ser menos porto-alegrense (os gaúchos sabem bem o que isso quer dizer) e abrir meus horizontes. A ser vaidosa, mas não deixar a vaidade tomar conta de mim. A cuidar da beleza, mas também da psique e da espiritualidade. A ser super duper ultra. Uma baita pequena mulher.

Tu provastes que o caminho era longo, mas possível e ainda desfilou na passarela... Minha irmã maravilha!

E o fez sem ter ideia da influência que estava a ter na minha personalidade.

Tu és um orgulho pra mim (menos quando as pessoas acham que sou tua irmã mais velha).

Feliz aniversário. Te amo!


Lil não escreve há tempos. Sente falta do blog e quer voltar à ativa -
 em breve?

sábado, 8 de outubro de 2011

Um bolo de chocolate


Para preencher a saudade
Pra fazer nos sentirmos mais doces
Pra relembrar a infância
E deixar suas marcas nos quadris
Uma prova de amor
Uma demonstração de carinho
O alimento que não sacia a fome
Que acalenta o coração
Para quem vem visitar
Para quem está de passagem
Para o vizinho idoso
Para quem amamos
Para sermos doces
Celebra aniversário
Nascimento
Batizado
Casamento
Chá de fralda
Não transforma personalidades
Mas as melhora momentaneamente
Para quem oferece
Para quem aceita
Quente, frio
Segunda, sábado
Chuva, sol
Sorrir ou parar de chorar
Ofereça bolo de chocolate
Muda o dia, a semana
Muda o humor
Lil escreve esporadicamente. Se deliciando em um bolo de chocolate.

sábado, 1 de outubro de 2011

Sobreviver


E estar um degrau acima do viver
Ou vários abaixo do não viver
Talvez equivalente ao subsistir
Aceitar e ser complacente
Não viver independentemente
Resignar-se
E acreditar que o outro possa tomar decisões que preferirmos não arriscar

E preguiça
Desânimo
Conveniência

Arrependimento
Lentidão
Tarde demais

E acordar aos 70 anos e vermos que sobrevivemos apenas e que a VIDA, aquela, nos passou assistida, pela janela.
Lil escreve aqui esporadicamente e se irrita com quem não toma responsabilidade pelo destino de suas vidas. E às vezes ainda culpa os outros por isso. Se esforça mais e mais para não viver na mediocridade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nascer e morrer

Não está mais na infância ou na adolescência mas quer proteção.
Protegida pela idéia de coletividade. Para evitar a solidão.
Sai da zona de conforto mas quer a certeza que o conforto encontra-se em algum lugar.
Que pode até ser distante, mas existe.
Como o trapezista que não dispensa a rede.
Rede velha que o tempo puiu. E se desfez.
Nunca foi usada.
Ousar, ousar. E pisar no carvão em brasa.
Pra deixar o medo sumir e também puir.
Se nasce sozinho e se morre sozinho. Sem rede!
Lil escreve esporadicamente.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quanto querer....


Há alguns meses quando descobri que seria mãe de um menino, tive dúvidas e apreensões.
Desconhecia o universo masculino do lado de cá, sempre o assisti passar pela janela e nunca o compreendi de maneira inerente.
Os homens são lógicos, querem resolver todos seus problemas, não entendem por que as mulheres conversam por conversar e têm certa tendência ao suicídio com seus esportes radicais. Sem contar aqueles que têm dificuldades de expressar suas emoções.
Que medo de ter um exemplar saindo de mim e não saber lidar com sua linguagem, suas ânsias e suas necessidades. Como o ensinarei sobre a vida se nossos interesses serão tão diversos? Se ele vai querer experimentar tudo aquilo que quis distância por toda minha vida? Como então guiar alguém sem a experiência exigida para o cargo?
Em meio aquelas tormentas uma amiga disse que era pra eu relaxar, que bebê é assexuado e não importa o que sejam, são seus filhos. Embarquei na onda e resolvi curtir a maternidade de um bebê, seja ele menino ou menina.
Tive a prazerosa surpresa de descobrir que ser mãe de menino e tudo de bom!
Confesso que devo estar influenciada pela minha prática pois já não sou marinheira de primeira viagem. Isso tornou as mamadas, noites mal dormidas e troca de fraldas muito mais fáceis. Mesmo assim, observei no meu pequeno um comportamento que a minha filha nunca teve. Quando insatisfeita, não havia o que a acalmasse. Com ele, faço o mundo se colorir só com a minha voz e a minha presença. Está chorando? Canto uma musica qualquer e o choro e rapidamente substituído pelo sorriso no olhar que só ele tem.
Estamos apaixonados. Foram 5 meses de relacionamento e amor intenso. E eu estou em deleite.
Ainda há a questão da diversidade sexual. Haverão perguntas que não terei resposta, mas para isso existem os papais, para mostrar a eles o lado lógico do mundo. Eu agora estou aqui para dividir emoções. Só emoções.
Lil escreve aqui esporadicamente.
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