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sábado, 22 de novembro de 2025

COP30 e os encontros

Quem me acompanha nas redes sociais já sabe que esse mês passei uns dias em Belém do Pará, para a COP30. Sendo profissional da área socioambiental, e sendo um ser humano que se preocupa com o nosso planeta e seu futuro, foi uma experiência marcante.

Vi paineis e palestras inspiradoras, aprendi coisas novas, tive insights e ideias, conheci lugares. Não vou nem ousar fazer uma análise dos resultados da COP, pois há profissionais capacitados e dedicados a fazer análises muito boas e uma busca rápida na internet pode te mostrar algumas delas. 

Mas o que mais me marcou, e sobre o que eu quero falar, foram as pessoas.

Essa COP teve uma imensa participação popular. Milhares de indígenas se fizeram presentes em espaços da COP, buscando a visibilidade que por muitas vezes lhes é negada. Havia pessoas do mundo todo, com uma série de interesses, conflitos, bagagens e contribuições. Já deu pra perceber que foi intenso né?


Mas quero compartilhar algumas reflexões sobre os encontros. Os encontros entre pessoas. Revi muitas pessoas que há tempos eu não via, e isso também foi um dos pontos altos desses dias em Belém, pelo menos para mim. 


Voltando no tempo um pouquinho, para fins de contexto: há 2 anos eu precisei pedir demissão de um emprego que eu amava mas que me adoeceu profundamente. Caí na chamada “armadilha de amar o que se faz”, e passei de todos os meus limites, de tempo, de energia, de dedicação e disponibilidade, além de alguns outros sobre os quais talvez eu escreva no futuro. Apesar de fazerem dois anos, em alguns aspectos, ainda é recente. 

Assim que eu saí do emprego, minha primeira reação foi me afastar de tudo e todos da área ambiental. Quem já passou por situações traumáticas deve entender essa necessidade de proteção, mesmo de coisas inofensivas. Eu sinceramente acreditei que não conseguiria voltar a trabalhar na área, tanto que busquei outros caminhos profissionais.


Com o passar do tempo, fui fazendo trabalhos com amigas e amigos, fui me reconectando com pessoas e voltei a atuar na área socioambiental. É onde consigo dar minha melhor contribuição, é onde eu vejo meu propósito. E hoje está tudo bem. 


Mesmo estando de volta à área, grande parte do trabalho é feito de casa, na frente de um computador. Eu sei, parece contraintuitivo né, mas é assim. Apesar disso, facilitei diversas oficinas presencialmente, nas quais eu já havia me reconectado com algumas pessoas. Mas a COP elevou esse movimento para outro nível. Foram MUITOS reencontros potentes que também me ajudaram a reencontrar meu EU profissional. Ainda sigo buscando meu lugar como consultora autônoma, experimentando formatos de trabalho, e construindo uma nova identidade. E os encontros têm papel importante nesse processo. 


Não acredito (e nem espero) que as pessoas com as quais me encontrei saibam desse contexto todo e do papel importante desses encontros (e isso me traz outra reflexão, a de não sabermos o que se passa na vida das pessoas com as quais interagimos. Na dúvida, seja legal). Algumas pessoas que encontrei e com quem convivi em Belém, sempre estiveram por perto. Mesmo longe e mesmo com seus próprios desafios.

Algumas pessoas me deram seu sorriso sincero e abraços afetuosos, cheios de felicidade recíproca pelo encontro. Teve encontros com a curiosidade pelo meu tempo sumida, mas sem cobranças e com compreensão. 

Teve encontros em que percebi as pessoas utilitaristas (acho um termo chique para interesseiras) que se afastaram assim que entendiam que eu não estava mais na tal instituição. Ou seja, não tinha mais “algo a oferecer”.

Teve encontros generosos, que aceitaram que sou/estou uma pessoa cansada e mesmo assim me chamaram para rolês, me apresentaram pessoas, compartilharam conselhos, mostrando que, da mesma forma que eu penso, há espaço para todos trabalharem.

Não vou mentir, também teve uma ou duas pessoas que acharam por bem fingir que não tinham me visto. Coisa delas né?


Porque no final do dia, o que temos e que nos faz humanos, são os encontros. As relações e as conexões. E por isso dedico meu trabalho a facilitar esses encontros, essas trocas, as escutas legítimas e a construção de novo, via inteligência coletiva. 




Renata segue trabalhando com dedicação e esperança, e

aprendendo a reconhecer e respeitar seus limites cada dia mais.


segunda-feira, 2 de junho de 2025

Liberdade ou autenticidade?

Esses dias, caminhando na praia (uma das minhas coisas preferidas na vida) vi de longe uma pessoa nadando. Estava pertinho da praia, não no fundo. E chamou a atenção por dois motivos: era a única pessoa dentro da água, porque estava relativamente frio, e porque nadava de forma brincalhona. Não sei se é a melhor palavra, mas a pessoa não nadava como se estivesse fazendo exercícios ou exercitando técnicas de nado. A pessoa brincava. Mergulhava, mudava de posição, dava braçadas irregulares. E parecia estar fruindo desse momento. Do mar. Do seu corpo.

E automaticamente deduzi: é um homem. 

Segui minha caminhada, também desfrutando da praia e do meu corpo. E dos meus pensamentos. Chegando mais perto, percebi duplamente surpresa que era uma mulher. Surpresa porque realmente tinha tido "certeza" de que era um homem e surpresa por perceber esse viés machista em mim, de que são os homens que fazem coisas de forma livre e por diversão.

Eu me considera feminista. Leio, estudo, dialogo, inclusive comigo mesma. E percebi esse viés tão machista. Racionalmente, eu sei que tanto homens quanto mulheres brincam, fruem e agem de forma livre. Inconscientemente atribui essas ações a uma pessoa do gênero masculino. E percebo que em geral as mulheres têm um uso prático ou útil do seu tempo, mesmo quando descansamos "aproveitamos" para fazer algo. Organizar, limpar, cuidar, adiantar algum trabalho. Me peguei pensando em de onde isso vem.

Desde cedo, meninas viram "mocinhas" e assumem responsabilidades, ao passo em que os "moleques" podem ser moleques até quando lhes convir. Vocês já repararam que quando uma mulher relata uma infância de brincadeira na rua, subir em árvores, essas coisas, ela fala que foi criada como moleque? Quando na verdade, ela foi criada como criança...

As brincadeiras tipicamente femininas envolvem trabalho e cuidado. As masculinas, envolvem movimento e liberdade. Apesar de ter ficado surpresa com esse viés machista que percebi em mim, fiquei muito feliz ao perceber a liberdade daquela mulher. Adulta. Brincando no mar. Sem se preocupar em parecer sexy (outra coisa comum e que exige energia, tempo e dinheiro de muitas mulheres), fruindo daquele momento.

Me questiono se o que chamamos de liberdade não seria na verdade autenticidade. Ser o que se é. Ser quem somos.

Obrigada moça desconhecida.



Renata escreve esporadicamente por aqui, e com mais frequência no Instagram @mindfulness_descomplicado.


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Leveza

Uma das minhas metas para esse ano é levar uma vida mais leve. Eu sei, você deve estar se perguntando, o que é uma vida mais leve?

Creio que não haja consenso, mas eu tenho claro o que isso quer dizer. Enfim, meta definida, está inclusive no meu lema do ano.


Mas eis que o universo, com seu jeitinho todo malandro, fez uma livre interpretação dessa meta e comecei o ano retirando o apêndice. Um órgão vestigial, não faz diferença em termos de peso, mas é um órgão a menos né?


Brincadeiras à parte, a cirurgia foi de urgência e agora já está tudo certo. Passei 4 dias com dor, uma dor que alguns dizem que é insuportável, e eu achava que era cólica menstrual. Vocês têm noção disso?!


Depois da cirurgia, ouvi alguns relatos similares, de que algumas mulheres ficaram com dor tempo demais, se colocando em risco, por achar que tinham que aguentar ou por achar que sua queixa não seria levada a sério. Isso me chocou demais, não apenas porque eu também fiz isso e cheguei a um estágio bem grave, quanto por saber o quanto é recorrente.


Mulheres, se cuidem. Pessoas que convivem com mulheres, insistam para que busquem atendimento.


2024 começou animado por aqui, e seguimos problematizando. Afinal, eu quero uma vida leve, mas não superficial.


Renata escreve por aqui esporadicamente, há anos.

E vem percebendo os ciclos da vida cada vez com mais clareza.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Clichês e retrospectiva

Vocês já sabem que eu sou fã de clichês. Eles existem por uma razão e são muito, mas muito úteis. Então, vamos ao clichê anual de fazer uma retrospectiva do ano que passou e do quanto aprendemos com ele.

Mas vocês também sabem que sou bem objetiva, e o que aprendi com esse ano foi: sou resiliente pra caramba. Spoiler dado, vamos aos fatos e vocês (espero) irão concordar comigo.

Estava há 11 anos em um emprego pelo qual me exonerei de um concurso público, mudei de estado e deixei minha filha aos 18 anos seguir o rumo dela, também em outro estado. Baita investimento. Acontece que há um tempo, vinha tendo reações não tão legais ao trabalho. Choro constante, angústia, sonhos/pesadelos, falta de perspectiva, crises de pânico e por aí vai (a lista é longa e posso falar mais sobre isso em outro momento).  Resumindo, cheguei a um ponto de colocar um balde ao lado da minha estação de trabalho (home office, graças à deusa) por medo de passar mal e vomitar a qualquer momento. O balde foi usado mais como suporte mesmo, mas o mal estar era constante e cada vez menos suportável.

Houveram muitas conversas, terapia, medicação, meditação, orações.... e tive que pedir demissão. Tive, pois das opções que me foram oferecidas era a única que me trazia alguma paz.
Saí do emprego. Desempregada pela primeira vez desde os 16 anos de idade. Não tinha ideia do que fazer. Não tinha ideia de quem eu era sem trabalho.  Me lembro claramente de um dia em que perguntei pro meu gato (o Gordinho) como ele passava os dias. Ele se espreguiçou, e deitou no chão da sala. Deitei do lado dele. E dormi. Um sono entregue e cheio de gatilhos.

Nesse período eu estava participando de um processo seletivo que, modéstia à parte, eu tinha certeza de que iria ser selecionada. Não fui. Males que podem vir pra bem, me disseram. Na hora, fingi acreditar (não tinha muita escolha mesmo). Meu único plano, então, era tirar um ou dois meses para descansar e me recuperar. E depois, mais forte e mais centrada, recalcular a rota.

Nesse mesmo período, meu pai começou a ter sérios problemas de saúde que só se multiplicaram. A cada dia, levávamos um susto e o tratamento mudava. Foram 7 internações hospitalares. A atitude mental dele, o apoio de amigos e familiares, a dedicação da equipe médica, fizeram com que, alguns meses depois, ele hoje leve uma vida normal e autônoma. Mas ao custo de noites sem dormir, idas e vindas à casa dos meus pais, ao hospital, à minha casa, a consultórios médicos, farmácias, pronto socorro, etc. Ao custo de muita incerteza, de insegurança, de buscar entender informações complexas não muito disponíveis. A recuperação milagrosa do meu pai veio. E os meses sem descanso físico nem mental cobraram a conta.

Não é um desses clichês que a gente ama? A conta chega. E chega viu?

O ano não foi só (tudo) isso, claro. Teve reencontros com amigos, teve desafios profissionais, teve viagens e muita, mas muita terapia pra ajudar a dar conta minimamente de tudo. Terminei minha segunda formação como instrutora de yoga e finalmente criei coragem de começar a dar aulas. Tive excelentes oportunidades como consultora, vindas de ex colegas generosas e competentes, e o prazer de trabalhar está voltando.

Como os memes são os novos clichês: fiz o que pude; podia pouco.

Refleti bastante sobre abrir aqui no blog esses assuntos tão pessoais e de tanta vulnerabilidade; mas a experiência tem me mostrado que falar abertamente sobre assuntos "difíceis" pode ser uma ponte ou mesmo um ponto de apoio para pessoas que estejam navegando num mar de incertezas e medos.

Ainda estou aprendendo com tudo o que vivi. Ainda me surpreendo (positiva e negativamente) com atitudes das pessoas. Ainda estou me entendendo sem o trabalho para o qual me dediquei por mais de uma década (essa palavra década faz a gente parecer velha né). Ainda estou refletindo sobre a brevidade da vida. Sobre a importância da saúde, da força mental e das boas relações. Ainda estou recalculando a rota e buscando onde posso melhor contribuir com o mundo, sem me violentar. Ainda estou acertando a conta. 


Renata escreve quando o coração manda e ela, aquariana, obedece. E deseja um 2024 de muita paz para todes. 

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O Cuscuz

Depois de uma vida inteira baseada na certeza de que não só eu não gostava, eu era fisiologicamente incapaz de engolir cuscuz, descobri que: pasmem! Eu gosto de cuscuz.

Gosto de cuscuz doce, gostoso de cuscuz com um pouquinho de sal. Gosto de cuscuz com leite de côco. 

Essa descoberta aconteceu durante a travessia do Vale do Pati, na Chapada Diamantina, que fiz esse ano (2022 para a posteridade). Foram cinco dias caminhando, superando limites físicos, mentais e espirituais, com muito contato com a natureza e com pessoas incríveis. Onde os banhos de cachoeiras eram como estar novamente no útero. O útero de gaia, literalmente

As noites eram ao redor da fogueira vendo a via láctea e ir dormir às 20:30 era socialmente aceito, assim como passar o dia de roupa molhada e cheia de barro. 

E o café da manhã...ah, o café da manhã era um dos pontos altos dessa rotina. E todos os dias eu comi: cuscuz. Comi com apetite e prazer. Comi como quem degusta a história e o aroma a cada bocado.

Fiquei tão animada que comprei uma cuscuzeira pequena (vermelha e linda, que já chamei de Ilda) e vou incorporar essa comida na minha rotina. Talvez querendo trazer um pouco do gosto da natureza pra casa.

Depois disso, minha filha me mostrou o podcast “Só ouço falar” e ouvimos juntas o episódio da laranja (https://open.spotify.com/episode/3Gl1H7CGW7LZ48gNm4Suik?si=03e6d7e0e44d4fad), que de uma forma engraçada e leve conta uma experiência semelhante à minha do cuscuz mas, como você já deduziu, com uma laranja. 

Foi um momento: uau! Percebi que o cuscuz era a minha laranja, ou seja, era aquela decisão que tomamos (ou que foi tomada por nós) há muito tempo sobre o que gostamos e do que não gostamos, e que nem questionamos. Vivemos com essas certezas do que é bom e do que é ruim. Do que gostamos, fazemos, podemos, queremos e do que não. E quanta coisa deixamos de provar e viver por causa disso... Quanto nossa vida poderia ser muito mais rica (ou divertida) se a gente não acreditasse piamente nessas crenças que vêm sabe-se lá de onde.

Renata está certa de ainda há várias laranjas nesse mundo e está animada para olhar para isso. Quem sabe você também possa olhar e descobrir novos sabores, gostos, sensações. Afinal, a vida é cheia de laranja. E cuscuz.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

 Meditação

O que vem na sua mente ao ler essa palavra?

Essa é mais uma daquelas palavras que chegam carregadas de significados, que podem ser diferentes para cada pessoa, mas que em geral não deixam espaço para novas percepções.

Esse texto é um relato da minha experiência com meditação, e pode ser que te incentive a ter uma curiosidade para entender o que meditar pode significar, a partir da sua própria experiência.

Fui criada em uma família católica, e frequentar missas e grupos de oração era parte da minha rotina, sem questionamentos. Eu gostava dessa vibe de pessoas reunidas com objetivos mais elevados. Até que fui percebendo que não era bem assim, e fui aos poucos me desiludindo e me afastando. Como herança dessa época, ficaram resquícios de alguns preconceitos e a falta de hábito de buscar outras formas de enxergar o autodesenvolvimento.

Águas passadas, cheguei em uma fase da vida (que imagino que seja muito comum) em que estava tão estressada que não dormia, não me concentrava e me sentia oprimida pela quantidade aparentemente desumana de demandas para resolver. Nessa época, caiu nas minhas mãos um livro que foi um divisor de águas: Para Viver em Paz - O Milagre da Mente Alerta, do fofo monge Thich Nhat Hanh. Por mais que eu tente, não lembro como ele veio parar na minha vida (se o anjo que me indicou esse livro estiver lendo o texto, me fala!). Tenho esse livro até hoje, rabiscado e meio manchado, e é um dos poucos livros que faço questão de carregar em todas as mudanças.

É um livro pequeno, simples. E que abriu as portas para uma percepção de que viver melhor não só é possível, como é fácil. 

Juro.

Nessa época eu estava tão estressada que atos simples como lavar a louça eram quase uma tortura. A cabeça pensando nas milhares de coisas a serem feitas, o corpo preso em uma atividade necessária, mas que parecia tão inútil, gastando tempo precioso que podia estar sendo usado para tantas coisas que eu não conseguia nem enumerar. Uma luta entre o presente e o futuro, e o passado dando pitacos e gerando culpa... era um pesadelo. Seguindo os conselhos do livro, me propus a fazer um exercício buscando manter a mente no presente, a tal da mente alerta que o livro menciona já no título. O exercício era simples: ao lavar a louça, lave a louça. Quem já sentiu ansiedade já percebeu que isso pode ser bastante desafiador. Se tem algo que eu sou, é dedicada, e eu me dediquei a essa atividade. Olhei no relógio antes de começar a lavar a louça, e ao lavar cada prato, cada copo e cada talher, eu falava em voz alta: estou lavando o prato; estou enxaguando o prato, estou sentindo a água nas mãos, estou percebendo a espuma escorrer com a água. Optei por falar em voz alta porque minha mente estava tão barulhenta que eu não conseguia apenas pensar. Mesmo me sentindo boba, segui o exercício até terminar de lavar a louça. Quando acabei, olhei novamente no relógio. Cinco minutos tinham se passado. Se me perguntassem quando tempo eu levava em média para lavar a louça, eu teria dito sem titubear: pelo menos 20 minutos perdidos da minha vida! (sim, ainda rolava um drama para piorar a situação).

Percebi que levei apenas 5 minutos para fazer uma atividade necessária, sem me desgastar com a ansiedade de coisas que não podiam ser resolvidas enquanto eu lavava a louça, com bônus de não ter quebrado nada (que já estava virando rotina) e de perceber que a mente tinha descansado um pouco...ufa. Enquanto eu lavava a louça, eu estava lavando a louça. Simples assim. Isso foi revolucionário na minha vida!

O livro não é sobre lavar a louça, mas sobre como viver em paz. E o caminho é a presença, é a compaixão, é escolher viver dessa forma. No mundo em que vivemos, com tanta pressa e tanta demanda, pode parecer desafiador, mas é possível. E um caminho é a prática da meditação. Ela é acessível a tod@s, e a sua prática traz benefícios em diversos aspectos da vida. Apesar de sua influência budista, as práticas são laicas, não é necessário ser budista para meditar.

Depois desse episódio, me tornei mais e mais interessada em meditação, passei a me tornar mais consciente, mais compassiva e sim, a viver melhor. Isso quer dizer que eu não me irrito e que medito o tempo todo? Não. Continuo humana, sentindo, errando, aprendendo, e continuo meditando, estudando e acreditando que é possível viver em paz.

 


Renata escreve aqui esporadicamente, há anos, e um dos seus desejos para 2022 é uma vida melhor e com paz para tod@s. Ela acredita que a prática da meditação é um caminho para isso.

sábado, 22 de agosto de 2020

Histórias (não só) da infância

As histórias contadas para as crianças, geração após geração, não apenas conectam essas gerações umas nas outras, como também passam lições de vida, a tal " moral da história". Desde criança gosto das palavras...das histórias, contadas oralmente e das histórias escritas. Hoje em dia ouço podcasts, mas na infância uma das melhores atividades da escola era, sem sombra de dúvida, a hora do conto! Lembro que minha professora da pré escola lia diariamente um trechinho de um livro "enorme" e eu amava esse momento. 
Lembro com uma sensação de orgulho quando a bibliotecária desistiu de tentar me fazer reler os livros "para os pequenos", e finalmente me liberou para a retirar livros da "ala dos grandes"! Lembro de algumas histórias que me marcaram, como a da cigarra e da formiga. Eu oscilava entre achar muito injusto que a cigarra passasse frio e achar que era resultado de ela não ter se preparado (esse era o enfoque dado quando eu ouvia essa história, um aviso pra nunca pararmos de trabalhar...). Mesmo assim, eu não conseguia achar certo que uns tivessem conforto e outros, nada. Porém não conseguia expressar e discutir sobre esse dilema, assim como tantos dilemas da infância, e guardei ele. 
Quando percebi que a cultura também é importante, e não apenas o trabalho, eu lembrei muito dessa história da cigarra e da formiga. Será que a formiga não aproveitava as canções da cigarra? Será que elas não tornaram a labuta mais leve? Será que ela não poderiam ter cooperado, cada uma fazendo seu melhor e ajudando-se, mutuamente? Não sei como foi, e nem qual a melhor solução, mas penso que pelo diálogo entre cigarras e formigas, e pelo reconhecimento de que trabalho braçal, cultura e lazer são importantes, podemos escrever uma nova história. Você tem alguma história da infância que te marcou? Conta pra gente. 

Renata escreve esporadicamente por aqui, e tem dias de cigarra e dias de formiga.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Você já se ouviu hoje?

Estive ausente do blog. Na verdade, estive ausente da escrita, essa forma de expressão que tanto prezo e que por muito tempo foi meu suporte para comunicação e autoconhecimento. O blog, com o passar dos anos, ganhou uma identidade muito maior que os textos publicados, e nessa dimensão estou completamente presente.

Mas voltando à escrita, e ao nosso afastamento, percebo que foi um afastamento da minha própria voz. Um abafar do que eu tinha para me dizer, mas preferia não ouvir. Venho me sentido cada vez mais preparada para fortalecer minha voz, me respeitando e me ouvindo.

Percebo também que, parte da minha relutância em voltar a escrever para o blog, vem dessa "pandemia de conteúdo" que foi trazida (ou criada) pela pandemia de coronavírus. Muitas reflexões excelentes já foram feitas sobre os impactos da pandemia na saúde, na economia e até no sono das pessoas, e não vou entrar nessa discussão. Mas quero chamar vocês para refletir sobre a pandemia de conteúdo que segue crescendo. De repente, todos têm muitas coisas interessantes e "imperdíveis" a serem compartilhadas, e TEMOS que assistir/ouvir/compartilhar tudo o tempo todo. Por um lado isso é maravilhoso, pois o acesso a conteúdos de qualidade está sendo muito facilitado.

Por outro lado, gera uma ansiedade (mais uma) de tentar ver tudo, acompanhar tudo, saber de tudo e (claro) aparecer em tudo... Confesso que, no início dessa onda que eu, ingenuamente, achei que seria breve, eu tentei "aproveitar" bem e assisti (ou, melhor, deixei o celular conectado) em várias lives e aulas online gratuitas de diversos assuntos. Como portadora-em-recuperação de FOMO (o medo de perder as coisas) eu, felizmente, logo percebi que era simplesmente impossível, e extremamente desnecessário tentar acompanhar tudo, e fui ficando cada vez mais seletiva nas escolhas dos conteúdos que quero ver. E se não conseguir ver todos os selecionados, tudo bem.

A partir do momento em que consegui acompanhar de maneira mais presente os conteúdos, fui percebendo que há um excesso de tudo... conteúdos sendo veiculados em diversos canais simultaneamente, que depois ainda ficam gravados e seguem bombardeando timelines e e-mails... o horário "de pico" das lives, em que aparentemente todo mundo está vendo ou fazendo uma live... entrar numa live com poucos participantes "sem querer", e da qual você fica sem graça de sair virou uma nova forma de gafe (dê o primeiro block quem nunca fez isso)... assistir stories de algumas pessoas pode se tornar um trabalho de dedicação integral, dada a quantidade de assuntos (ou falta de, acontece).

E mesmo consumindo poucos conteúdos de poucas pessoas, por vezes me questiono a motivação de quem produz e distribui. Há quem trabalhe com isso, e já tinha essa prática antes da pandemia; há os marinheiros de primeira pandemia; há os amadores; há os deslumbrados. São pessoas que precisam muito serem vistas e ouvidas. E como tem gente precisando disso: atenção! E aprendi a duras penas que perceber as nossas necessidades e cuidar delas é uma tarefa essencial de cuidado a ser feita com autorresponsabilidade. E muitas vezes a solução é muito mais simples do que buscar likes e seguidores por meio de estratagemas virtuais.

Então, mesmo que relutante em "produzir mais conteúdo", quis deixar aqui esse texto e propor uma coisa bem simples: escute mais. Escute a si mesm@ e escute as outras pessoas. Escutar mesmo, sabe? Sem julgar, sem interromper, sem concorrer com a história da outra pessoas. Só escutar. Vamos atendar a essa necessidade que está se mostrando de forma tão aparente, e reduzir a sobrecarga e a solidão. Escutar é uma forma de acolhimento e de cuidado. Para se escutar, é preciso silêncio. Para escutar o outro, é preciso presença.

Renata escreve esporadicamente, e hoje venceu diversas resistências internas para propor: escute mais. Se cuide, use máscara e, se puder, fique em casa.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Descanse

Em tempos de home office obrigatório, acúmulo de atividades e todas as incertezas inerentes à pandemia, há uma pressão ainda maior pela produtividade. Estamos sendo constantemente bombardeados por lives, dicas, cursos e outros que nos incentivam a sermos produtivos o tempo todo. Faça a primeira live quem não ficou ansioso ou indeciso sobre como usar melhor seu tempo, se fazendo exercício, limpando a casa, fazendo os deveres de casa com as crianças ou cozinhando; ou tudo ao mesmo tempo. 

Mas um dos princípios da produtividade, para alguns autores com os quais eu concordo muito, é que ser produtivo é fazer o melhor uso do seu tempo, naquele momento, com os recursos que você tem disponíveis. E muitas vezes o melhor a fazer é: descansar. Uma boa noite de sono ou um momento de relaxamento consciente, por exemplo, podem ser chaves para a saúde física e mental. E não tem como sermos produtivos se não estivermos saudáveis. 

Ainda não está convencido? Pense que seu corpo é uma cidade. Cada célula é uma pessoa. E cada pessoa tem seu papel. Uns são agricultores, produzindo nosso alimento. Uns fazem a defesa, como policiais. E por aí vai... Quando essa cidade está sob ataque, toda a população fica em estado de alerta. Em casos graves, vão todos para um abrigo antiaéreo! Todos se preparam para sobreviver. E nesse estado de stress, ocorrem alterações hormonais importantes para nossa defesa. Nosso corpo/cidade se mantém apto a sobreviver, mantendo as funções essenciais. Porém, se a população dessa cidade passar muito tempo em estado de alerta...não vai ter ninguém plantando ou brincando. Não vão ocorrer os processos normais que mantêm a cidade/corpo funcionando. 

Por isso que, principalmente em momentos de muito stress, precisamos desligar o alarme e deixar nossas células todas descansarem. Se restaurarem. Respirarem. Para poder fazer suas funções com tranquilidade. Entendo que isso vai contra muitas coisas em que acreditamos, e que pode ser necessário que a gente aprenda a descansar. E, sim, existem técnicas para isso! Mas experimente exercitar um descanso reparador, com muito conforto, sem estímulos externos (então deitar no sofá para assistir TV não conta), e imaginar suas células/cidadãos todas se restaurando, descansando e se fortalecendo. 

Renata escreve esporadicamente aqui e apenas deseja a todos que puderem: bom descanso!

domingo, 29 de março de 2020

Lar

Nossa vida vai se moldando às experiências que vivemos. E essa experiência que todos nós estamos vivendo nas últimas semanas tem afetado muito a humanidade, de diversas formas. Uma delas é dar espaço a questões internas, na limitação das distrações rotineiras. Assim, aproveito esse momento para voltar para mim, e para os meus. E, claro, para minhas questões. Dentre elas:

Onde é seu lar?
Como sabes?
É um endereço?
Uma época?
Um planeta?
Uma sensação?
São momentos sutis em uma busca. 
São sensações de segurança e acolhimento que dão o ar da graça, em certos momentos.
Pode ser físico. Material. Concreto. Mental. Sutil. Espiritual. Um espaço. Um som. Eco. Cheiro. Sabor. Calor. Arrepio. 

Lar.

Tão desejado quanto arredio.

Lar. 

O mulher jeito de ter é não ter.
É ser. É estar. Aqui e agora.

Renata segue oscilando entre momentos de medo e ódio, e momentos de introspecção e aprendizado. Seguimos.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Por que devemos parar de chupar


Calma, não é nada do que vocês estão pensando! Falo em chupar pelo canudo de plástico!
Há esse recente movimento pelo fim dos canudos de plástico, mas um desses plásticos de uso único que estão poluindo nosso planeta e que sem os quais podemos viver muito bem, obrigada. Mas o que acontece é que vivemos no automático. Vivemos achando normal coisas que são estranhíssimas... imagine, por exemplo, explicar para um alienígena em passagem pelo nosso planeta: canudo é feito de plástico, que é feito de derivados do petróleo (aí você tem que explicar como petróleo é um recurso não renovável mas que usamos como se fosse) e quer serve para tomarmos uma bebida sem tocar no recipiente, é usado por uns 5 minutos e depois jogado no lixo. Aí quando o alienígena perguntar: mas por que você não quer tocar no recipiente? Vá lá...há casos de pessoas com alguma dificuldade que podem realmente necessitar de canudo, fora esses casos, não vejo justificativa. E mesmo para quem tem necessidade, por que não usar produtos reutilizáveis? Como boa gaúcha, sou usuária da “bomba” para tomar chimarrão, basicamente um canudo de metal que uso há anos.
Parece ridícula essa explicação, e de fato é. Mas na nossa vida fazemos várias coisas similares, consumindo de forma totalmente irresponsável, sem parar para pensar. E hoje, na sociedade em que vivemos, o consumo é nosso maior poder. Não caio mais no: ah, mas todo mundo uso... nem no: mas já que esse canudo já foi produzido, tem que usar. Não, não tem.
Precisamos assumir a responsabilidade pelas nossas ações, e não seguir no modo automático, consumindo tudo o que o mercado quer que a gente consuma.
Para quem precisa ou não abre mão do canudo, há diversas opções de metal, bambu e até vidro. Para quem não precisa, mas gosta do canudo para mexer a bebida: peça uma colher de verdade, que vai ser lavada e reutilizada por anos. É pelos pequenos hábitos e pequenas ações que começamos uma grande mudança. E para você ver que não é tão pequeno assim, se estima que canudos de plástico sejam 4% de todo o lixo plástico do planeta. Imagina todos os 7 bilhões de pessoas falando: não quero canudo, obrigada.
Já há países e cidades que estão banindo o canudo, mas ele é apenas uma questão sobre a qual precisamos rever nossos hábitos de consumo, rumo a um sistema de produção e consumo mais sustentável.
E eu quero ser parte dessa mudança, canudo a canudo, pequenos hábitos por vez. E você? O que tem feito para fazer parte dessa mudança?

Renata escreve aqui cada vez mais esporadicamente, mas segue acreditando no poder das pequenas ações.


terça-feira, 18 de abril de 2017

Escutar

Ando tão distante do blog, muito porque os assuntos que me apetecem discutir são pesados e cada texto que inicio acaba indo drasticamente para um lado pessimista.
Mas hoje me fizeram um desafio (uma tarefa de casa, na verdade, mas que será um desafio para mim) e quis compartilhar aqui. A tarefa é:

"passar um dia inteiro sem interromper as pessoas quando estão falando". 


O curioso é que ando muito introspectiva, buscando me (re) encontrar, e uma das questões que venho pensando é em como eu costumava ouvir com facilidade às pessoas. Ouvir mesmo, não esperar a pessoa parar para respirar e aproveitar o intervalinho para retrucar, ou para contar algo parecido. Apenas ouvir. Perguntar o que fosse necessário para facilitar o entendimento. Essa era uma das qualidades que eu prezava muito em mim mesma e que, em algum momento dessa vida loka, eu perdi.
Não sei se foi a pressa para acompanhar o ritmo acelerado das coisas por fazer. Não sei se foram as mudanças causadas nos diálogos que se tornam cada vez mais superficiais, devendo caber dentro de 120 caracteres por assunto. Ou talvez eu esteja ficando egoísta. Não sei... mas sei que atenção é algo muito valioso para dar a alguém. Tempo. Dedicação. Interesse. Respeito. Tudo isso se doa em uns minutos (que podem, sim, virar horas) de uma conversa de verdade, com escuta atenta e generosa.
E eis que sou desafiada a passar um dia tentando sem interromper os outros. Parece banal, mas fiz um exercício de ouvir uma história de 5 minutos, bem interessante e bem contada, e tive que me conter diversas vezes. Fiquei chocada!
Mas, vocês podem estar falando (e me interrompendo!) só não interromper não quer dizer que você esteja realmente ouvindo. Verdade. E por isso minha mentora pediu que eu registrasse quantas vezes meu pensamento se distrai e dou uma viajada básica
Não comecei o desafio mas já estou analisando como me comporto em diálogos e confesso que não vai ser fácil. Pretendo encarar como um processo de auto conhecimento e crescimento, e não apenas como um para-casa. 
Espero ter bons resultados para compartilhar!

Renata escreve no blog há quase dez (DEZ!) anos, e tem sido muito seletiva no que compartilhar por aqui. Espera se sair bem no desafio boca fechada!





terça-feira, 6 de dezembro de 2016

2017 seu lindo!


Fim de ano, chegando. Todo mundo doido para sair de férias e esquecer um pouco como 2016 foi pesado. Pra gastar o décimo em presentes e festas. Tantos memes sobre o ano que parece não ter fim! O melhor deles levantava a possibilidade de o show do Roberto Carlos ser cancelado e 2016 se tornar infinito, pois o ano nunca acaba sem o show do Roberto Carlos!
Impressionante mesmo é a capacidade do brasileiro de fazer piada de tudo, na hora, 100% online. Se por um lado isso garante um sorriso no rosto e a capacidade de seguir em frente, por outro nos coloca na eterna posição de espectadores. A reação do povo é fazer piada e tocar em frente, num conformismo disfarçado de otimismo. Não levar as coisas a sério, não assumir o protagonismo de sua vida (em diversas esferas) abre todo o espaço para que outros (no caso, o Governo) tome todas as decisões.
Será que a gente acha um caminho do meio? Será que a gente consegue aplicar toda essa energia e criatividade em fazer um país melhor? Vocês conseguem imaginar?


Renata também está esperando para que o ano acabe, para rever sua família, para descansar. E se 2017 puder trazer algo de diferente, ela espera que sejam novas posturas, mais maduras e propositivas. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sobre perspectiva e solidariedade

Há muito tempo sem aparecer por aqui, ontem eu decidi que escreveria. Não que isso seja um sacrifício! Eu adoro e sinto falta de escrever. Mas não estava priorizando e isso estava me deixando chateada. 

Enfim, decidi escrever e comecei a pensar sobre o tema. Tantas coisas acontecendo, na minha vida pessoal e em tantos outros aspectos. Podia escrever sobre tantos pequenos e grandes dramas (que convenhamos, em 2016 estão sendo ofertados em abundância!).
Aí me deparo pela manhã com a notícia do trágico acidente aéreo que vitimou a maior parte da equipe do Chapecoense e outras pessoas da imprensa e da tripulação. Fico em choque.

Isso coloca um pouco de perspectiva no nosso olhar.

Aquilo que estressava e preocupava tanto parece tão bobo.
O dia passa e as notícias não param. Falam sobre possíveis causas, sobre o histórico do time. Mas quando falam sobre as pessoas, sobre os seus sonhos, as suas famílias, é que o bicho pega. 
E das notícias que vi até agora, as que mais me tiraram lágrimas dos olhos (estado eterno de TPM, sorry) foram as manifestações de solidariedade, as homenagens e orações. Depois de meses de rivalidade (ridícula e desnecessária) entre o próprio povo brasileiro, em que cada comentário poderia vir respondido com um rótulo e uma resposta pronta, ver de novo a solidariedade e um pouco do espírito esportivo foi um acalento em meio a tanta tragédia. Claro que não são todos, como sempre os espíritos de porco aparecem, mas os espíritos bons também estão em destaque.


Deixo aqui meu respeito às vítimas, suas famílias e amigos. Impossível explicar, muito difícil de aceitar, mas que consigamos tirar alguma lição e continuar aprendendo com esses que já deram bons exemplos nas suas vidas e carreiras.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Distorção da realidade

Estou lendo (há tempo demais) uma das biografias do Steve Jobs, mas eventualmente eu fico tão irritada com a personalidade dele que largo o livro por um tempo. Uma das coisas que têm me marcado nesse livro é o que as pessoas que conviveram com ele chama de “distorção da realidade”. Em resumo, ele tinha um jeito tão envolvente que contaminava as pessoas sob sua influência e os fazia acreditar ou concordar com coisas que, em são consciência (e longe do Steve) não concordariam. 

Isso explica muitas das suas grandes conquistas e avanços, já que ele convencia as pessoas de quem elas eram capazes de fazer o impossível e elas o faziam. 

Ultimamente ando vivendo eventos de distorção da realidade não tão produtivos. Assim como essa técnica (ou o que quer que isso seja) pode ser usada para o bem, para avançar, pode ser usada para minar relações, para o mal (ou o bem e divertimento de alguns). Fato é que, sem perceber, me vi em meio a uma situação em que já nem sabia mais em que acreditar. Tantas pessoas gastando uma energia enorme falando coisas ruins, fofocas, mentiras ou não, que quando percebi, não conseguia mais ver além disso. É muito ruim viver em estado de alerta, mas o que pode acontecer ao baixar a guarda é ainda pior. Confiar nos instintos, manter o bom senso, ouvir a si mesma. Coisa difícil em tempos de bombardeamento de fotos, mensagens, áudios, textos o tempo todo, de forma ativa e passiva. Isso me levou a buscar simplicidade também nas relações interpessoais e nas fontes de informação. Nada tão radical (ainda), mas sair de alguns grupos de WhatsApp já tem ajudado. Direcionar meu tempo e energia ao convívio de pessoas que me fazem sentir bem, também. Busco mais silêncio para poder me ouvir, para poder pensar.

Renata busca cada vez mais a simplicidade, e nesse caso para poder viver bem consigo e com os outros.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Você anda tão sumida!

Uma das frases que mais tenho ouvido ultimamente é: você anda tão sumida!
E o curioso é que essa frase vem de várias esferas de convívio e não de um grupo específico. Aí eu me pergunto: afinal, onde é que eu ando, se estou tão sumida de tantos lugares?
Um fato é que tenho trabalhado bastante, inclusive em finais de semana e viajado bastante a trabalho. Depois de uns dias intensos eu preciso ficar um pouco mais recolhida para me fortalecer novamente e esse ciclo explica parte do sumiço. Ando sumida até aqui no blog!
Mas outra coisa que me chama muito a atenção em relação a esses comentários é o sentimento de cobrança que os acompanha. Raras as pessoas falam: nossa, que saudades de ti, que bom te ver! Ou fazem efetivamente um convite ou uma combinação para um bate-papo leve; a maioria cobra, mesmo, como se fosse minha obrigação dar atenção a todos no momento em que as pessoas querem. Uma indignação. Quase uma ofensa.
Mais gentileza, mas generosidade e mais compreensão, é o tem faltado na correria do dia a dia. Felizmente, ainda há pessoas que, mesmo me achando sumida, tiram um tempo do seu dia para fazer um café pra mim, ou para mandar mensagem no meio dia perguntando como estou. Viva a empatia, viva a amizade e o cuidado com o outro.

Renata anda sumida, e tem priorizado mais onde colocar sua energia. Busca uma vida com menos cobrança e mais convites para tomar café. Com menos perguntas e mais abraços.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

De repente, 2016!

Gente, vocês que são nossos leitores fieis devem ter percebido que o blog anda meio parado... O tempo passa, a vida meio que nos atropela e algumas coisas vão ficando em segundo (terceiro, quarto,etc..) plano.
Mas vou contar um pouquinho dos bastidores desse blog que, desde 2007, sobrevive a essas flutuações. Temos um grupo de Whatsapp entre as blogueiras e, por muitas vezes, usamos o grupo como nosso divã virtual.Somos um grupo de mulheres diferentes, que vivem em lugares diferentes, e fico muito feliz por poder compartilhar um pouquinho da minha vida com essas mulheres fantásticas! E notem que nem todas se conhecem pessoalmente, mas isso não tem sido nenhum obstáculo. Mais um incentivo a pequenos encontros parciais, e troca de vídeos para podermos ver como as outras falam e se expressam. E digo para vocês que, se andamos meio distantes do blog, é por conta do fenômeno de que fim do ano parece fim do mundo. Parece que temos que realizar tudo o que ficou sendo adiado durante o ano. Todas as pendências, o que foi procrastinado, adiado, tudo tem que ser zerado. 

Mentira.

O ano vira, mas a vida segue, fluída, dia após dia. Um ano novo pode começar a qualquer momento, é só a gente decidir e se prontificar a fazer as mudanças que quer. Mas é difícil fugir da tentação de fazer metas (que curiosamente se parecem muito com as dos anos anteriores...).

Renata escreve às terças e (óbvio) tem como meta escrever mais por aqui. Deseja a todos um 2016 maravilhoso!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Violência contra a mulher

Gente, depois de semanas sem escrever no blog, juro que não queria voltar escrevendo sobre esse assunto. Mas não tem condição de não falar sobre isso.

Vocês devem ter visto que o assunto da redação do Enem, que foi no último final de semana, foi “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. E isso é um fato. Não é preconceito. Não é mimimi. Não é o caso de percepção ou impressão. Fato.

Se por um lado fiquei muito feliz pela escolha do tema, que teoricamente colocou 7 milhões de pessoas para pensar sobre o assunto. Mas essa felicidade se acabou no momento em que tive a (infeliz) ideia de ler os comentários das pessoas sobre a escolha do tema. E nem falo daqueles políticos babacas que usam qualquer “oportunidade” para autopromover sua babaquice, mas de gente normal (não sei se normal foi a escolha mais adequada de adjetivo). 

E o que vi foi o reforço do machismo por homens e por mulheres, o reforço de preconceitos e muita falta de informação. Muita! 

Já escrevi e já falei bastante sobre violência contra a mulher e às vezes eu desanimo de tentar sensibilizar as pessoas. Mesmo mulheres que já foram (e são) vítimas acabam aceitando a situação, e se sentindo até culpadas pela violência que sofrem. 

Vou indicar para vocês um vídeo que está sendo bastante divulgado nas redes sociais e que pode tanto servir de apoio para as vítimas como pode tentar criar um pouco mais de empatia em quem “não acredita” em violência contra a mulher: https://www.youtube.com/watch?v=0Maw7ibFhls

Renata escreve às terças e hoje não tem energia para fazer um escândalo, mas espera que todas façam!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Plantio

Desde que me mudei pra Bahia abri mão das diferenças entre as estações sentidas no Sul, de ter dois guarda-roupas e fazer o ritual de troca de um pelo outro (e morrer de raiva dos veranicos e friagens fora de época). Mas o fato é que o tempo e as estações continuam se sucedendo, com diferenças talvez mais sutis e de menor amplitude.
Nessa semana (amanhã, se eu conseguir postar corretamente esse texto) viveremos o equinócio de setembro, marcando o início da primavera. Nele, o dia e a noite terão durações iguais e a partir daí, no Hemisfério sul, os dias vão lentamente se tornando mais longos (ebaaa \o/).
Numa época em que contamos o tempo por minutos (5 minutos de soneca, em sucessões intermináveis), em que o calendário do próximo semestre está sempre lotado, corremos o risco de nos desconectarmos do que deveria ser nossa base, nossa raiz. Os ciclos da lua, as estações, até mesmo a hora do nascer e do por do sol e da lua. Essas eram as referências de tempo de nossos antepassados e elas seguem se sucedendo mesmo que a gente não agende no nosso calendário. Pores do sol fantásticos continuam acontecendo mesmo que não sejam compartilhados no Instagram e as estações continuam se sucedendo mesmo que a gente não precise de outro guarda-roupa. Ciclos ocorrem e se sucedem, a gente querendo ou não. E participar ativamente, conectando-se, é opcional.

Podemos pensar no equinócio como a época de florescer, de germinar com cuidado e carinho nossos sentimentos, ideias e projetos, para que a colheita seja frutífera. Não custa lembrar que a gente colhe o que planta, e planta o que escolhe.


Renata deseja um feliz equinócio e um sábio plantio!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O país do isso ou aquilo

Impossível não falar da situação política (e suas implicações sociais, econômicas a ambientais) pela qual nosso país está passando. Mas vejo com muita tristeza que, quando alguém se manifesta, há muito extremismo, falta de informação e agressividade. No país da piada fácil e com qualquer tema, vem imperando o clima de gincana, de “minha equipe ganha da tua” sem nem considerar o prêmio.

Vejam, não temos várias equipes...o prêmio, seja qual for, vai valer para todos. Enquanto uns usam seu tempo criando piadas e memes (até engraçados, vá) expressando fortes opiniões (em geral embasadas em pouca ou nenhuma informação) cria-se esse clima de isso ou aquilo no país. Se é a favor de um aspecto tem que ser contra todos os outros. Se critica alguma coisa “tem que tirar todos os benefícios”. De radicalismo em radicalismo, de preconceito em preconceito, de xingamento em xingamento, o país se separa em dois “times” nessa gincana organizada. Repetindo bordões totalmente sem fundamento e que acabam por se tornar verdades que ninguém questiona. E enquanto a gente se ocupa dessas picuinhas, em achar erro de português numa faixa pra desmoralizar toda uma parte da população; ou em criticar programas sociais porque ouviu um caso da prima da amiga da vizinha do tio e sai repetindo feito papagaio, adivinhem: tem gente fazendo um serviço sério em benefício próprio. A corrupção, que não é novidade para ninguém, segue rolando solta. A área ambiental sendo desprezada: estão loteando e vendendo o país, desafetando áreas protegidas e permitindo empreendimentos altamente impactantes e de necessidade questionável. A educação segue sofrendo; para que serve um povo educado, afinal?

A gente devia superar a síndrome de Louro José (para evitar que os defensores do personagem pulem aqui = fazer igual papagaio e repetir o que lhe é dito) e deixar o clima de gincana de lado. Ler, discutir e exigir direitos que são pra todos, independentemente de quanto ganha, de para quem vota e de como escreve. Estamos, nós mesmos, criando um circo e comprando o pão com um dinheiro cada vez mais suado.

Renata fica chateada quando vê a leviandade com a qual são tratadas questões sérias no nosso país e desconfia que não aprendemos nada nas nossas aulas de história.


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