domingo, 16 de março de 2014

Carta à jovem Déia




             Dia desses, em um momento nostalgia, fiquei pensando como agiria se tivesse novamente 18 anos, mas com a maturidade que tenho hoje. Sei que esse pensamento é absurdamente clichê, e que passa pela cabeça de todas as pessoas em algum momento de suas vidas mas, ainda assim, ele estava lá, latente em minha mente e não havia como ignorá-lo.
  Pensei, então, no que diria a mim mesma, caso pudesse ficar frente a frente com minha versão mais jovem e, bem, aqui estão minhas palavras para essa Déia-jovenzinha:

- Experimente todas as possibilidades que a vida lhe oferecer, mas não de maneira afoita, e sim degustando prazerosamente.
- Não se subestime jamais. Acredite em sua capacidade, mas levante a bunda do sofá e vá à luta. As coisas não cairão do céu no seu colo, menina!
- Não faça as coisas com pressa. Há tempo para tudo. Aprecie os pequenos prazeres e as pequenas bênçãos do dia-a-dia.
- Não deixe de fazer o que lhe dá prazer apenas por medo do que as pessoas irão dizer. Se alguém resolver falar de você, fará isso de qualquer maneira, independentemente da maneira como você aja.
- Aliás, seja menos desconfiada! Afinal, cada pessoa está ocupada com sua própria vida e, portanto, suas preocupações não giram em torno de você.
- Aprenda a lidar com seus medos e, principalmente, com seus fantasmas. Não finja que eles não são importantes. Enfrente-os! Afinal, eles não deixarão de existir simplesmente por você tentar ignorá-los.
- A vida não é aquela visão cor-de-rosa que pintaram a você quando era criança. A vida é dura e, na maioria das vezes, bastante difícil. Aprenda a lidar com essa multiplicidade de cores e tons que a vida tem e, com eles, pinte a sua própria tela.
- E só crie altas expectativas se souber como lidar com altas quedas. Caso contrário, viva um dia de cada vez e faça sempre seu melhor.
- Aliás, esteja preparada, pois você vai quebrar a cara, vai cair e se machucar feio incontáveis vezes. Aprenda, pois, a se reerguer a cada queda, a juntar os caquinhos e a seguir em frente.
- Aprenda que ninguém morre por sentir dor. E, muito importante, saiba que cada um carrega dentro de si suas próprias dores e enfrenta suas próprias batalhas, portanto, só se lamente com alguém quando for absolutamente imprescindível.
- Não deixe jamais de fazer alguma coisa porque está com medo. O medo é bom na medida em que nos dá um certo senso de autopreservação. Mas não deixe que ele lhe impeça de alguma coisa. Faça-a, apesar do medo!
- E se tiver que se arrepender de algo, não fique choramingando pelos cantos. O arrependimento é bom porque nos aponta novos rumos. Não o confunda com culpa desnecessária e inútil
- Não se torne dependente de substância alguma. E, mais importante ainda, de PESSOA alguma.
- Nunca, jamais, em hipótese alguma, permaneça ao lado de alguém simplesmente por comodidade ou, pior, por medo de não encontrar outra pessoa. Você certamente estará perdendo preciosas oportunidades de novas vivências.
- Não deixe de vivenciar coisas novas por ter alguém ciumento e inseguro ao seu lado. Aliás, melhor ainda, não namore cedo. Você lamentará em seu íntimo os anos perdidos, mas usará para si mesma desculpas como: “Bem, valeu pela experiência...”, ou “pelo menos aprendi como NÃO agir em uma próxima relação”... Então só namore quando estiver realmente certa de ter aproveitado muito sua vida e sua própria companhia.
- Não se curve facilmente frente às derrotas. Tente de novo e de novo e de novo. Afinal, já dizia Thomas Edison: “Quando você tiver esgotado todas as possibilidades, lembre-se disso: você não as esgotou!”.
- Trate todas as pessoas com gentileza sempre e não somente quando lhe convém.
- Sorria mais, viva mais leve, guarde menos mágoas, se irrite menos, se apegue menos a coisas pequenas e sem sentido.
- Não brigue com seus pais por motivos banais. Acredite-me, eles farão muita falta quando se forem e você se recriminará por não os ter abraçado ao invés de ter saído batendo porta.
- Aliás, errou, peça desculpas. Não há vergonha alguma em voltar atrás e reconhecer o erro. Orgulho em demasia é sempre um mau conselheiro.
- Reflita bem antes de seguir a opinião da maioria. Já dizia Nelson Rodrigues (e não sem certa razão!): “Toda unanimidade é burra.”. Portanto, seja cuidadosa nesse aspecto.
-- Se alimente adequadamente. Se exercite constantemente e nunca, jamais, deixe de ler bons livros, de estudar e de se aperfeiçoar.
 Você tem todo o direito de dizer o que pensa às pessoas, mas não tem o direito de feri-las com sua grosseria. Portanto, seja cuidadosa na escolha das palavras.
- Se você ama muito alguém, nunca saia de sua presença sem dizer-lhe isso. Pode parecer uma “banalização da frase ‘eu te amo’” mas, acredite, isso evitará dolorosos arrependimentos futuros.
- E por falar em amor, quando amar alguém, ame com toda a intensidade, ame por inteiro. Você provavelmente irá se machucar e doerá terrivelmente, mas ainda assim você estará efetivamente vivendo e não apenas existindo amorfamente.
- E, sobretudo, seja sempre fiel aos seus sentimentos. Sempre!

Déia escreve aos domingos e gostaria realmente de ter recebido essa carta quando tinha 18 anos...


6 comentários:

Anônimo disse...

Cartas aos domingos com 18 anos
ou domingos com cartas de 18 anos?
és a questão!

dentrodabolh.blogspot.com

andreia disse...

Há uns anos tb escrevi aqui no blog uma carta pra Andreia de 15 anos e uma para a Andreia do futuro (de 2014, que já é presente! Medo de reler...)
Muito legal esse exercício.


:D

Andréia Borba Chies disse...

É sempre um exercício interessante esse, né? ;)
Bjs.

Ana Bia disse...

Só queria que esta carta fosse dada de PRESENTE em todos os aniversários das jovens de 18 anos....ainda que não fizesse sentido imediato, elas pensariam duas vezes ou mais antes de cometer muitas bobagens...de toda forma, creio que ainda valha para muitas jovens de 30.

Mariana Penna disse...

Anhhhh, se na prática fosse fácil!!

Um beijo!!

angel red disse...

Farei 30 anos na sexta e adorei o blog. Parabéns a tds. Esse texto, em particular, mt mexeu comigo.
Gostaria de ter lido isso aos 18 anos. Passou um filme em minha mente ao ler td o texto e relembrar tantas experiências.

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