quinta-feira, 30 de maio de 2013

Mundo Moderno: Interessante é quem se exibe na internet


Tenho passado por situações nos últimos tempos que me fazem pensar que estou deixando de ser interessante.

A frase acima parece de quem está deprimida, em crise, mas já adianto que não é esse o caso.

A questão é que nossa sociedade se tornou totalmente dependente da internet, e as relações estão, em grande parte, virtualizadas. Se você não reparou, provavelmente está tão bem incluído nesse processo que não sente.

Eu, como não me acostumo, me incomodo de ir a bares e ver, a cada mesa, pessoas conversando, vendo vídeos, ou acessando suas redes sociais pelo celular, para se relacionarem com seus amigos virtuais, e deixando os amigos reais, presentes à mesa, de lado. Isso acontece em todos os lugares aonde vou, e acho uma falta de educação e respeito!

Também me incomodo de ficar sabendo, dias depois, que o filho de uma amiga nasceu, só porque não tenho perfil no Facebook, onde a família postou fotos e informou a todos de seu grupo de relacionamento. Eu tenho celular, telefone fixo, e-mail, e sou amiga de quase duas décadas! Não merecia nem um sinal de fumaça? Ou era eu que tinha que ficar contando as semanas de gravidez da amiga, para saber quando o rebento viria ao mundo?! 

Há ainda muitas coisas que me incomodam nessa vida virtual que a sociedade escolheu viver. Todos querem postar as fotos de onde estiveram, para onde viajaram, os restaurantes que frequentam, os pratos que comem, a enorme quantidade de amigos que compartilham suas vidas pela rede social. Todos estão sempre lindos; todos estão sempre bem; todos são pessoas de sucesso pessoal e profissional; vivem a melhor das vidas; são sempre felizes! E precisam mostrar tudo isso para o mundo todo!

Que me desculpem todos os que fazem parte dessas redes sociais virtuais, e adoram fazer tudo isso que, com pavor, descrevi! Mas eu não gosto de falar de minha vida para o mundo. Eu gosto de falar para alguns amigos, com quem encontro, tomo uma bebida, converso por horas, conto coisas boas, coisas ruins, piadas, desabafo, dou gargalhadas! Mas eu gosto de gente de verdade. Eu gosto de ter minha privacidade, e só me abrir para quem eu quero, e para quem eu gosto. E não sinto vontade de contar para o mundo inteiro para onde fui, com quem fui, o que vesti, o que comi, onde trabalho, com quem trabalho, com quem saí.

E é por tudo isso que não sou interessante. Afinal, as pessoas interessantes estão nas redes sociais, mostrando tudo de interessante que fazem, tentando ser tudo ao mesmo tempo. Estão ali, exercendo uma enorme pressão sobre elas mesmas para serem tudo o que os outros esperam que elas sejam.

Pareço antiquada? Parece que não quero me adequar à modernidade? Pode ser, se modernidade for isso aí. Meus amigos me xingam porque tenho um celular de quase quatro anos, de teclas, que quase não tem recursos. Gente; ele fala! E manda mensagens! E é só disso que preciso! Não tenho necessidade de mais do que isso.

Eu considero que a internet é ótima! Podemos resolver muitos problemas que demoraríamos horas, ou dias para resolver se precisássemos ir ao local, ou mandar carta pelo Correio. Também podemos consultar tudo, desde locais para viagens, até significados de palavras. Podemos comprar coisas úteis, ou bons livros e CDs, que não encontramos em lojas próximas aos nossos lares. Podemos, sim, encontrar amigos que vivem longe, ou que não vemos há tempos, e isso é um ponto positivo para as redes sociais. E tem muitas outras coisas boas da internet. Entretanto, o mau uso, o exagero, a dependência do mundo virtual me incomoda, e a isso eu não pretendo me adaptar.



Mini-resumo: Tania reconhece as coisas boas da internet, e não descarta a possibilidade de um dia, quem sabe, criar um perfil numa rede social. Mas, por enquanto, não sente necessidade, ou vontade de pertencer a esse mundo virtual, porque vê muitos exageros cometidos nesses espaços.






quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mães


Esta semana assisti a um filme que me levou a uma conexão de ideias que acabou por me fazer buscar um grupo de ajuda. Desses que a gente entra quando quer parar de fumar. Busquei um grupo de mulheres que, como eu, são mães ditas “solteiras”. 

Uma vontade de buscar mais informações sobre esse universo que, para mim até então, era como o planeta Júpiter (sei que existe, mas não irei a Júpiter). Só agora isso me incomodou um pouco. Depois de um ano e sete meses de dar a luz à pessoa que povoa o meu mundo. 

Não sofri nenhum tipo de preconceito e nem mesmo ninguém me apontou como um ser estranho por isso. Mas algumas situações que passei nos últimos dias me levaram a pensar que talvez as pessoas me julgassem. 

Não me sinto marginalizada por ser mãe “solteira”. Já fui casada e convivi com casais no qual a mulher, mesmo sendo casada, era mãe “sozinha”, ou seja, não tinha ajuda nenhuma do pai da criança, mesmo estando ele morando debaixo do mesmo teto. Seria ela uma Mãe solteira?

Também já vi mães casadas que depois de dar a luz, não assumiram a maternidade. Quem cuidava era uma babá ou avó ou até mesmo o pai da criança.

Existe também a mãe que ficou viúva e teve que assumir a criação dos filhos sozinha. Seria uma Mãe solteira?

Outra categoria é a mãe que divorciou e ficou com os filhos. Seria ela agora classificada como Mãe solteira também?

E nessas categorias ainda temos a variação das mães que recebem ajuda financeira dos pais das crianças, as que recebem ajudas financeira e na criação (pais participativos), e as que não recebem ajuda nenhuma. O que não sei se acrescenta valor (e qual seria o peso de cada variante) no título Mãe solteira. 

Dentro da categoria das “mães que entregaram seus filhos pra outra pessoa criar” eu não posso classificá-las como mães. Mãe ou pai são aquelas pessoas que assumem integralmente a criação do filho. Aquelas que não assumem ,eu vou classificar como doadores de células para reprodução humana. O que é cruel, eu sei. Mas estou tentando estabelecer aqui uma lógica para ver onde me encaixo no que é determinante para uma “Mãe solteira”.

Sou divorciada. Sou mãe, e posso dizer isso, pois assumi todos os aspectos que envolvem essa função. Sou uma mulher solteira. E não acredito que vivo numa sociedade que ainda discrimina uma mulher que cria seus filhos sozinha, independente da situação que a levou a isso.



Lóris B. perdeu o sono e ficou perambulando pela internet, lendo várias bobagens machistas e ficou muito triste em chegar à conclusão de que temos um caminho longo de mudança cultural.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Uma trégua com o Universo

O texto de hoje era para ser sobre mais uma das infinitas coisas que me irritam, e que não param de aparecer. A lista não só é infinita, como continua crescendo...

Ontem, saindo da academia (palmas pra mim!) dei de cara com uma das maiores luas que já vi! Antes que vocês saiam espalhando por aí que fiquei louca, eu SEI que só temos uma lua no nosso planetinha, mas se vocês viram ela ontem entendem o que estou falando. Laranja, linda, gigante, bem no meio da rua, guiando meu caminho pra casa. Cheguei a levar um susto quando a vi pela primeira vez, e depois não conseguia tirar os olhos dela. Quando cheguei em casa, ela já estava alta, mas continuava impressionante.

Fui até a praia, para poder ver melhor. E, não bastasse o baita presente de ver o espetáculo da lua nascendo, de quebra ganhei uma estrela cadente!

Valeu, Universo, pelos presentes! Decretada trégua entre nós!


Renata espera que o Universo esteja mandando presentes legais para todos vocês! E que todo mundo perceba e valorize.



P.S.: tirei uma foto tortinha, com uma câmera simplinha, mas espero que dê para ver como estava lindo!



terça-feira, 21 de maio de 2013

Da série coisas que me irritam (4 de infinitas): lição de moral


Gente, vocês perceberam que a série tinha dado uma parada, né? Isso é porque eu estava tentando me tornar um ser superior, que não fica supervalorizando as coisas ruins e irritantes do mundo, mas usa todo o seu jeito Poliana de ser e ver o mundo. Pois é. Tentei. Mas tem coisas que tiram uma pessoa, não importa o nível de “superioridade”, do sério!

A coisa irritante de hoje são as lições de moral que as pessoas ficam dando! Sem eu pedir. Sem eu querer. Sem eu acreditar que aquela pessoa tem moral para me dar qualquer conselho! Não podem falar nada sem quererem ensinar alguma coisa, ou dar uma lição de vida. Gente, por favor, todos têm o que ensinar e todos têm o que aprender! Humildade! 

São pessoas que se acham (elas sim) superiores, e tão superiores, que têm pena dos demais. E sob o pretexto de generosidade, querem ensinar ao resto da humanidade como ser, agir e pensar. E quando a coisa vem pelas redes sociais, é pior ainda! Porque aí a pessoa “prega” para um grupo ainda maior. Eu sei, eu sei que dá para bloquear, mas convenhamos que, em alguns casos, seria grosseria demais, até para mim. 

Às vezes tenho vontade de agradecer a esses conselhos dando outro: vai abrir uma igreja e as pessoas que querem te ouvir estarão lá! Ando evitando tais pessoas e situações, mas às vezes é inevitável. 


Renata gostaria que todas as pessoas que vomitam conselhos a torto e a direito seguissem seus próprios conselhos, tivessem mais humildade e sensibilidade. Simples assim.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ser simples.


Li algumas declarações do presidente do Uruguai, Mujica, segundo alguns, o “presidente mais pobre do mundo” (título que ele rejeita).

“Eu não sou pobre. Pobre são aqueles que precisam de muito para viver, esses são os verdadeiros pobres, eu tenho o suficiente”, e, em outro trecho, “Sou austero, sóbrio, carrego poucas coisas comigo, porque para viver não preciso muito mais do que tenho. Luto pela liberdade e liberdade é ter tempo para fazer o que se gosta”. (leia a íntegra aqui)

A simplicidade é a verdadeira riqueza, uma espécie de “utopia contemporânea ocidental”: funciona e satisfaz, é esteticamente elegante e tem a capacidade de libertar pessoas de problemas e agonias cotidianas. Dizem que é extremamente difícil de ser alcançada, mas que quem a consegue tem alta probabilidade de ser feliz.

Ser simples não é apenas viver com pouco, é viver bem e com pouco. E isso é algo que vai além das questões materiais, é uma condição comportamental,  uma mudança de pensamento, uma transgressão social, e que pode ter, sim, um custo pessoal.






Andreia quer ser “rica”, mas sabe que ainda tem uma longa jornada rumo a essa tal de "satisfação pessoal". 

terça-feira, 7 de maio de 2013

O milagre da comunicação



Já escrevi sobre comunicação aqui no blog, periga ter usado o mesmo título, inclusive. Mas isso é porque eu ainda acho que a comunicação é um milagre! Não que seja criacionista e ache que a capacidade de falar, usar símbolos e abstrair conceitos seja um milagre.

Eu acho que, quando uma pessoa fala e a outra entende o que ela está dizendo, é um milagre. Quando a segunda consegue responder, numa conversa de verdade, não só contando o seu lado ou a sua opinião, mas realmente conversar sobre o que foi dito, então, isso é um festival de milagres! 

Vários desafios devem ser ultrapassados: os regionalismos, que impedem que a frase: “Vou comer uma torrada de cacetinho com batida de banana” seja bem entendida em vários lugares. O próprio vocabulário (ou a falta dele) pode dificultar o entendimento. Mas uma coisa que atrapalha muito são os pré-conceitos. É a gente já entender o espírito da pessoa sem nem esperar ela abrir a boca. E disso eu falo de carteirinha. (Dizem que) Tenho cara de braba. A minha cara de nada, neutra, de paisagem, é interpretada como cara de braba. Quando eu falo e estou séria, pronto: estou braba, chateada ou P$%%¨ da vida. Quando, em geral, não estou... Aí a resposta já vem na defensiva e a coisa degringola fácil. 

Outra coisa são as posturas que a gente deduz. Deduz que a pessoa está chateada, deduz que a pessoa está debochando. Ao invés de ouvir e refletir, já tira conclusões e age baseado nelas. O negócio é que não temos como saber exatamente a intenção do outro ao falar alguma coisa, só podemos saber e tentar administrar a forma como recebemos essa informação e o que fazemos com ela. 

E ouvir gente! Ouvir parece ser algo muito difícil. Mal e mal a pessoa acaba de falar, o outro já vem com uma história MAIS legal, MAIS emocionante, MAIS qualquer coisa que tenha alguma relação com o assunto que estava em pauta. Isso não é conversa, são dois monólogos. 



Renata anseia por conhecer pessoas que saibam se comunicar, que saibam ouvir generosamente, não se deixem enganar por pré-conceitos e que entendam ironia e sarcasmo. Não é pedir muito, é?


quinta-feira, 2 de maio de 2013

(Mais uma vez) sobre o maldito querer


Tenho esse (mau?) hábito de querer muito. Geralmente não são coisas, mas situações. O querer vem chegando, de mansinho, tímido, calado. Começa como um incômodo breve, fugaz, uma coceira que vai crescendo. Lança um lampejo de dúvida, um rabicho de ideia, pinta um esboço de um quadro na mente, que vai se enchendo de detalhes aos poucos, até que adquire os ares de uma realidade paralela. Até o ponto em que aquele querer torna-se imprescindível, e não tê-lo, insuportável. Como posso ter vivido sem ele até hoje? Como posso continuar sendo feliz sem encontrar uma forma de trazê-lo para minha vida?

O problema é que o tal querer é egoísta pra caramba. A não ser que ele seja uma coisa física, palpável (o que em 98% dos casos não é o meu caso), para concretizá-lo, sem a menor criatividade, ele exige, demanda o abrir mão de outras situações, que invariavelmente já foram quereres do passado. É como se fôssemos feitos de uma caixa quadrada, assim mesmo, bem simplesinha, onde lá dentro só houvesse espaço para X experiências simultâneas. E para acrescentar uma nova, adivinhe, é preciso abandonar uma antiga. Fácil nas primeiras primaveras da vida, quando qualquer esforço parece nos colocar em uma situação mais interessante que a anterior. Quem não troca um estágio muito legal por um emprego meio boca? Festa, balada, loucura por um amor de verdade, uma família? Gastar os tufos com bobagens por uma (ou mais) viagem incrível? Um mega apê alugado por uma casinha que é toda sua?

E depois? Venderam-nos tanto a ideia de que SÓ é preciso batalhar (ok, na maioria das vezes, batalhar muito) pra termos o gostinho das nossas conquistas. SÓ é preciso desenvolver essa ou aquela aptidão, aprender a lidar com tal dificuldade, aprender a pensar de outra forma, abraçar outras opiniões, conhecer outras pessoas, fazer de um jeito diferente, aprender outro idioma, fazer uma pós. Simples, né? Não é! Mas lá vamos nós, seguindo a cartilha à risca, com determinação ferrenha, movidos pela certeza da conquista lá na frente. Até que chegamos lá, mas parece que, quando acontece, cada degrauzinho que avançamos foi nos fazendo ver o mundo de outra forma, e o raio do nosso querer foi mais além. É como se corrêssemos atrás de uma cenourinha que vemos à frente, mas que na verdade é uma isca, na ponta de uma vara de pescar presa às nossas costas. Malvados!

Em meio ao meu tanto querer, nos últimos tempos eu andei descobrindo coisas novas sobre minha pessoa. Como sempre, quando estou em dúvida a respeito de alguma coisa, costumo pensar no maldito gênio da lâmpada, ou na fada do dente, para tentar deixar mais claras minhas prioridades e tentar facilitar as escolhas. Surpreendi-me ao pensar que, neste exato momento, o que eu quero é não querer tanto. E surpreendi-me mais ainda ao perceber que lutar contra meus “quereres” têm me feito muito mais mal do que arcar com os riscos de correr atrás deles, mesmo sabendo do sepultamento iminente de quereres antigos, já conquistados e tão, mas tão confortáveis. Então, maldito gênio, fada, ou o que for, faça-me um favor: dêem-me coragem ou sumam da minha vida com suas opções do inferno!


Gisele Lins é balzaca das antigas, escreve aqui de vez em nunca, mas não larga o osso, a vontade de voltar a ter o que dizer (de preferência coisas novas, néam) e o orgulho das meninas que andam sempre por aqui.
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