segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Beleza: quem põe a mesa?

Hoje me deparei com a seguinte imagem: 

Imagem original: http://www.naturallycurly.com/
adaptação/tradução: Laura de Vasconcello
Eu retirei da Marcha das Vadias de Brasília






Para mim, esta imagem, mais uma vez, reflete a pressão social ilógica que a mulher sofre para se enquadrar em determinada aparência. Porém a moda é mutável, e o que hoje é bonito e desejável, há um tempo não o era, e daqui algum tempo, provavelmente não será.

Quem é balzaca há mais tempo tem memórias dos anos oitenta. Nessa época a moda ditava cabelos crespos e volumosos, e, sim, mulheres de cabelos lisos, inclusive loiras, sofriam com sua aparência. As tais “permanentes”, longas sessões com um produto químico forte e fedorento para formar cachos, eram comuns, e eu, pré-adolescente, com uns 10 anos de idade, numa época politicamente incorreta em que o que hoje é considero bullying era "brincadeira normal de criança", me submeti a uma, para me sentir "bonita". Algo inimaginável, hoje, para uma jovem de 18 anos.  Praticamente fui taxada de racista, e provavelmente considerada burra e fútil por alguns, por comentar isso no post em que vi a imagem, mas o cartoon tem uma ruiva, que é considerada pessoa branca criticando a aparência da loira! Logo, sob o meu ponto de vista, não é um cartoon sobre discriminação racial – sim, esta existe, e é bem forte e não é meu tópico aqui, nem sou qualificada para escrever sobre, antes que mais alguém me interprete equivocadamente. 

Cabelos dos anos oitenta, daqui

A moda é mutável, assim como estes tais padrões de beleza.

Mas quem define estes padrões de beleza? Com qual interesse? E, mais ainda, porque muitas mulheres ainda se submetem a eles?

Semana passada houve uma “polêmica” na internet wannabe TV aberta: fotos das candidatas à miss bumbum, num jogo de futebol, em que as suas celulites ficaram evidentes. Agora, observando as fotos destas mesmas mulheres no site oficial do concurso, os corpos parecem ser de outras pessoas (na verdade, o são, pertencem ao imaginário do responsável pelo tratamento digital das fotos seguindo orientações de algum superior). O tal padrão de beleza “mulher gostosa” também é uma ilusão. Mulheres bundudas têm celulite, mesmo as que passam metade do dia dentro de uma academia e não consomem uma gota de refrigerante.

E sim, mulheres com celulite e gordas já foram o padrão de beleza vigente!

Eva, linda, sedutora, pecadora,
"mulher fatal" e gorda, na visão de Michelangelo Buonarroti. 

Aliás, padrão de beleza é uma das maiores falácias da nossa sociedade. A palavra “padrão” é um tipo, um modelo, algo que se repete, por definição. O modelo de beleza disseminado não se repete na vida real. É uma exceção, corresponde a uma minoria, e em alguns casos, é uma invenção.

O resultado é danoso para nossa sociedade. Muitas mulheres são infelizes com sua aparência, se submetem a tratamentos estéticos dos mais diversos, inclusive cirurgias, buscando a tão sonhada beleza, que pode variar de "fashion loira magra" à popular "mulher fruta". E muitas ainda desenvolvem doenças, de depressão a distúrbios alimentares diversos, que podem, sim, matá-las.

Acredito que está na hora de evoluirmos e pararmos de dar valor ao que é aparente, ao que é temporário, ao que é ilusão. Por uma sociedade em que o conteúdo seja mais importante que a embalagem. Sim, estou sendo irônica com a objetificação feminina, outra prática que deveria ser abolida.


Andreia escreve raramente e acredita que toda mulher pode ser linda, dentro da sua especificidade.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Das flores que sempre voltam.

Minha mãe sempre me dizia: “Não fique igual a mim. Seja independente e sociável”.

Confesso que não assimilava muito bem quando era criança, mas aquilo ficou como um mantra na minha memória. Nunca julguei que ser igual a ela fosse ruim. Pelo contrário. Sempre admirei muito sua dedicação com a gente. Foi por ela ser do jeito que é, que somos uma família. 

Outro dia li uma postagem num blog que falava sobre uma reportagem, dessas revistas direcionadas ao público adolescente, que estaria influenciando o comportamento de meninas. Uma coisa meio assustadora do tipo: qual a opinião dos meninos a respeito das meninas que são para ficar e as meninas que são para namorar. 

Mudar a cultura de um povo é possível, mas demora “mil anos” pra acontecer. Infelizmente a nossa cultura tem essa base machista de objetificação da mulher. E com todas as mudanças que aconteceram até hoje, estamos vivendo uma fase de objetificação dos homens também, vamos combinar né gente? A coisa tá meio “objetificante” demais! 

Daí uma coisa que me incomodou foi: - em que estágio de evolução estaremos, quando a minha filha for adolescente (ela tem 2 aninhos)!? 

Mas será que isso é mesmo uma coisa para se preocupar? Qual a influência dessas revistas ou outros meios de comunicação na cabeça da minha filha? 

Bom...por isso falei da minha mãe no início. O mantra dela me serviu de escudo. Ela talvez não tivesse ideia, mas estava fazendo uma revolução em uma cabeça. A minha cabeça. Que não se deixou influenciar por nada das coisas ruins que chegaram até a minha cabeça de menina. 

Pronto! Livre do incômodo estágio de evolução das outras meninas, entendi que a minha menina vai precisar de alguns mantras pra continuar ser a pessoinha descolada que já se anuncia. 


LorisB. se preocupa em ser. E anda se adaptando a essa tarefa tão prazerosa de ser mãe.



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