quarta-feira, 30 de março de 2011

Meus codinomes

Já escrevi neste blog de uma vez que fui com uma amiga minha em um bar, e me confundiram com uma tal de Izabel. Na verdade, não foi bem confusão, é que a tal Izabel e outra amiga dela marcaram encontro às escuras com dois sujeitos. Aí, eles acharam que eram minha amiga e eu. Quando a Izabel chegou com a amiga, ambas senhoras, eles ficaram decepcionados. Detalhe, ele também eram senhores, mas, pelo visto, queriam mulheres mais novas. É dose!

Pois é, na sexta-feira passada, fui a outro bar, com duas amigas, e, pra variar, me confundiram de novo. Dessa vez não foi Izabel. Meu novo nome era Guadalupe. Não, não é brincadeira! Chegamos no bar, um “boteco copo sujo” da melhor qualidade, e o garçom começou logo a andar em nossa direção, chamando por Guadalupe! E, é lógico que a minha amiga que estava comigo da vez da Izabel, não perdeu tempo, e falou que Guadalupe era eu! Caímos na gargalhada, mas ficamos lá, com um bom tira-gosto, e uma cerveja Devassa gelada, digna do tipo do bar. É que uma tal de Guadalupe havia ligado, reservado lugar. E, como eu tinha antecedentes, fiquei sendo a Guadalupe da vez. Não vi se a dona do nome chegou, e acho que, até a hora que a gente saiu, ela não foi, mas o garçom passou a me chamar de Guadalupe, e a coisa pegou.

O problema é que eu tenho uma coisa com bares, que todo mundo me reconhece, por diferentes alcunhas, mas reconhece. Como será que serei chamada no próximo bar que for? Aguardem, porque, pelo jeito, esse história continua, em episódios cada vez mais estranhos. Meu nome já está ficando maior do que o do D. Pedro II! Agora sou Taninha Izabel Guadalupe de Oxalá! E Saravá! Tinha que ser história pra sexta-feira mesmo!

Tania está cada vez com mais crise de identidade. Essa incorporação de tantos nomes, tantas histórias, numa encarnação só, é coisa para atrizes, ou pessoas loucas mesmo. Tania deve estar na segunda opção.

terça-feira, 29 de março de 2011

A etiqueta do ônibus

Em função de escolhas de vida que em breve serão tema de outro posto aqui no blog, tenho viajado muito seguido de ônibus.

E presencio cenas inacreditáveis. Surreais. Toscas, mesmo.

Por isso, decidi escrever algumas regras básicas de etiqueta no ônibus:

- nunca, jamais, por razão nenhuma, passe perfume quando for viajar. O cheiro mais caro da prateleira pode ficar insuportável com vidros fechados e ar circulando poeira.

- o encosto para os braços que há entre os bancos pertence a ambos os passageiros. NÃO coloque seu braço sobre todo o apoio, e NUNCA coloque seu braço na área da poltrona ao lado.

- nunca toque o passageiro ao seu lado, a não ser em casos extremos, como quando ele está roncando em altíssimo tom, e você pretende apenas fazer uma boa ação para o resto do ônibus.

- quando o passageiro ao seu lado colocar os fones de ouvido, ligar (ou fazer de conta que ligou seu dispositivo de som) e fechar os olhos, NÃO fale com ele. E, como diz a regra anterior, NÃO toque nele.

- fones de ouvido são para prazer sonoro INDIVIDUAL. Ninguém mais precisa ouvir: não deixe o volume no máximo, não cante junto, não batuque.

- sente na poltrona que você comprou. Evita muitos mal entendidos. Queria outra? Comprasse antes pra poder escolher. Ou pegue o próximo ônibus.

- nada justifica comer salgadinho dentro do ônibus. Exceção feita, é claro, para ônibus de excursão de escola. E só.

- assim que o ônibus parar e abrir as portas, TODOS os passageiros vão sair. Eu juro que nunca vi um ônibus arrancar com as pessoas ainda dentro, tentando sair. Podem confiar. Dá pra sair tranquilamente, um por um, sem pânico.

- se houver urgência inadiável de fazer o número2, não faça. Nunca faça o número 2 em ônibus. Ninguém precisa respirar a sua alimentação digerida há 4 dias e “transformada”. Segure.

- as conversas ao celular interessam a duas pessoas: a) emissor: aquele que ligou e que deseja falar algo; b) receptor: aquele que recebeu a ligação e vai receber a mensagem. E só!

- a cortina que está do seu lado permite/restringe entrada de luz que não vai só para o seu lado. Pense nos outros e seja educado.

- essa regra vale para ônibus e para o resto dos lugares do mundo: não jogue lixo no chão!

Renata pensa que viajar de ônibus é um bom momento para exercer a cidadania e cumprir o mais novo manual de etiqueta no ônibus. Especialmente para quem senta ao seu lado!

P.S.: quem quiser complementar as regras, fique à vontade! =)

domingo, 27 de março de 2011

Coisas que só as mulheres entendem - PARTE II

- Contar para sua avó (ou tia) que terminou o MBA, mestrado ou doutorado, ou que recebeu uma promoção no trabalho e ouvir ela dizer: "Que bom queridinha...Agora só falta arranjar um marido, né?"...

- Acreditar que encontrou um gentleman e descobrir, tempos depois, que ele é, na verdade, a personificação do Shrek...

- Conhecer um homem lindo, gentil, educado, simpático, que repara em seu cabelo, em sua maquiagem, que escuta atentamente tudo o que você diz e descobrir, frustrada, que ele é gay...

- Passar em frente a uma construção, receber uma cantada barata dos pedreiros e ficar indignada pela bagaceirice deles...

- Passar em frente a uma construção, NÂO receber cantada alguma e ficar se achando um canhão porque nem mais os pedreiros cantam você...

- Usar um perfume maravilhoso e se sentir pronta para conquistar o mundo...

- Perguntar a ele: "você acha que estou gorda?" e ficar brava com qualquer resposta que ele der... Se ele disser que você não está gorda, ficar revoltada achando que ele é um mentiroso dissimulado, se ele disser que você está só um pouquinho acima do peso, ficar magoada achando que ele é um grosso e insensível...

- Usar um corpete lindo de morrer e depois mal conseguir respirar...
- Acordar uma hora mais cedo para fazer uma hidratação nos cabelos em casa mesmo, porque a grana está curta para ir ao salão toda a semana...

- Responder "Não tenho nada" quando ele pergunta o que você tem só porque está morta de raiva da insensibilidade dele em não perceber o que você está sentindo...

- Mentir para si mesma dizendo "segunda-feira eu começo minha dieta"...

- Vestir uma roupa que costumava ficar muito bem em você, sentir enorme com ela e mentir a si mesma: "Devo estar um pouco inchada hoje"...

- Ao ser questionada pelo namorado "Você se importa se eu sair só com os amigos, amor?" (ou qualquer outra coisa que ele sabe que você detestaria mas que pergunta mesmo assim), responder sadicamente: "Você que sabe, amor..." e, internamente, ficar arquitetando uma vingança terrível caso ele decida fazer aquilo que você não quer que ele faça...

- Ficar hoooooras na frente do espelho fazendo ginástica facial (leia-se caras e bocas esquisitas) para evitar rugas e pés-de-galinha...

- Ter que, pacientemente, explicar para um homem que "pêssego", "marfim", "gelo" e "creme" são diferentes nuances de cores e ainda ter que aturá-lo fazendo piada disso...


Déia escreve aos domingos e segue se divertindo muito ao pensar nessas coisas que só mesmo as mulheres são capazes de entender...

sábado, 26 de março de 2011

Dias de loira...

Um compromisso no dia apenas, e perde o horário;

Entra numa fila desnecessária, apenas seguindo o fluxo;

Tropeça de tênis;

Pensa uma coisa e faz outra;

Confunde pessoas;

Não reconhece seu cabeleireiro fiel nos últimos 2 anos;

Derruba a garrafa de cerveja ao servir o primeiro copo;

Erra o ônibus;

Envia e-mail inacabado;

Perde, pela 10ª vez, um pen drive;

Acha complexo o mecanismo da toalha de papel de um banheiro público;

Aquece-se com um sol imaginário, num térreo com dois pavimentos construídos acima;

Lambuza a mesa com um sachê de azeite;

Num dia esquece totalmente de comer, no outro janta duplamente, pois esquece a primeira refeição;

Sente uma dor no pé e não percebe uma pedra no sapato;

Brinca e se diverte com a novidade do efeito do esmalte, já usado pela quinta vez;

Pinta os dentes com o batom rosa chiclete, acha que “limpou”, e sorri rosadamente;

E, ainda por cima, se considera uma pessoa um tanto quanto inteligente...

Andreia escreve esporadicamente, é ligeiramente loira natural, atualmente loiríssima artificial. Rindo muito de suas trapalhadas, claro, creditadas apenas ao clareamento das madeixas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nua Árvore

Já escrevi sobre o que não sei.
Sobre o que gosto e, principalmente, sobre o que não gosto.
Sobre a falta que sinto de você e sobre não sentir nada.
Sobre comidas e dietas.
Lugares e poetas

Sobre rock e samba.
Experiências vividas ou inventadas.
Blasfemei inúmeras vezes.
Escrevi sobre o tempo.
E é outono; amarelo, laranja e vermelho.

Das janelas da gaiola a gaivota não conseguiu ver a super lua. Mariana lamenta, escreve esporadicamente e ganhou uma vitrola do seu tio caçula.

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu

Adoro ser palavra


Ser a tinta dando


Forma ao pensamento,


Em curvas feitas com pressa.




Adoro ser água


Ser alívio


Ser beleza e pureza


Incolor.





Adoro ser folha


Deixar que o vento


Beije meu corpo


Me carregue


Sem resistir.





Adoro ser mel.


Doçura feita de paciência


E de milagre.





Adoro ser Sol


Vida, calor e beleza.





Adoro ser ar


Brisa fresca


Que alivia e diverte.





Adoro ser sombra


Silhuetas brincalhonas


Desenhadas


Pela luz.



Adoro ser tu


Sentir meu amor por ti


Nos meus olhos ao te ver.





Renata sente-se às vezes pouco de tudo, parte de tudo. E é muito bom!



segunda-feira, 21 de março de 2011

Passagem

Meus olhos cairam sob mim mesma, sem saber mais para onde olhar. Vi mais um dia, passando sem ter mesmo comprado a passagem para esse trem. E tenho sentido a vida correndo num chão que não ando, tropeçando em pedras que estivaram lá há muito tempo ido.

Procurei por um livro que não achei, mas dizem que é novo, lançamento, e não o encontro. Mas nem sei mais quando me disseram, memória sem relógio, lembrança nova ou antiga, já me esqueci. Mas ainda me lembro seu título, nesse dia.

Corri para casa, para o trabalho, afinal minha passagem é só de ida, não sei quando viajo, mas quando o dia chegar eu irei, buscando um tempo que se esvai de minhas mãos, de meu relógio.

Silvia escreve as segundas, quando percebe que é segunda, já.

domingo, 20 de março de 2011

DUALIDADES...

"É mais elegante desmentir a si mesmo do que ter sempre razão." (Nietzsche)

-Num dia, Crime e Castigo,

No outro, Pollyanna...

- Num dia, dieta regrada,

No outro, macarronada...

- Num dia, amor eterno,

No outro, a eterna dúvida...

- Num dia, eu quero,

No outro, estou em dúvida...

- Num dia, sonho acordada,

No outro, nem quero dormir...

- Num dia, gata manhosa,

No outro, fera raivosa...

-Num dia café bem forte,

No outro, água cristalina...

-Num dia cabaré,

No outro, convento...

E assim somos todas nós, mulheres...

Somos "feitas" de dualidades, de dubiedades, de olhares oblíquos, estilo Capitu...

Enfim, mulheres são sempre reticências...

...

Déia escreve aos domingos e ama as dualidades do universo feminino...

sábado, 19 de março de 2011

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade )

Encontros desencontrados, essa tem sido minha realidade nos últimos dias.

Encontro idealizado:

Conversas amenas animadas, olhares que se entendem, que se admiram, toques furtivos, um beijo molhado, muitos outros beijos demorados, música a ser lembrada, tempo a ser esquecido, desejo de mais.

Resultado: juntos!

Encontro realizado:

Conversas amenas, olhares de soslaio, toque tímido, olhar carinhoso, conversa séria, desestabilidade, desvio com piadas bobas, silêncio, olhares de interrogação, conversas sobre teorias afins, empolgação falsa com música antiga, mais conversa séria, beijo no rosto.

Resultado: amigos, se se reencontrarem...

Andreia gosta de alguém que talvez ame outro alguém, ou ninguém... Será que há um outrem que ame Andreia (não como amiga)?


Andreia escreve esporadicamente, gosta intensamente, acredita que demonstre minimamente, ou incoerentemente. Quer um novo encontro com esse alguém, mas, se não mais for, quer muito que exista algum outrem.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pele

Hoje acordei com saudade da sua pele. Saudade do cheiro e do calor da pele da sua nuca – confesso ter uma queda especial por nucas. Foda-se aromas que se compra em frasco. Quando gosto, gosto mesmo é do cheiro da pele.


Mariana escreve esporadicamente e acordou cantarolando: “deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa...”, de Chico Buarque.

terça-feira, 15 de março de 2011

A Ilda foi à feira

Sabe quando a gente acha que não pode ser mais retardada? Ledo engano. Sempre se pode ser mais sequelada...

Nessa semana dei uma palestra em um curso se repetirá em 5 turnos. No primeiro, deixei o carro (a Ilda) num estacionamento e fui extorquida! Paguei uma fortuna ainda com o consolo de “como é da faculdade é mais baratinho”! Absurdo! No outro turno, meu sangue gringo falou mais alto e resolvi economizar: deixei o carro na rua. Ah, saí com aquele gostinho de “estou sendo tão esperta”.

Na volta, o inimaginável: era dia de feira! Pânico!

Será que a Ilda ta bem? Será que foi guinchada? Como eu vou pra casa?!

Como Caxias tem um clima peculiar, eu precisava ir pra casa roçar de roupa, já que a temperatura havia caído mais de 10 graus e tendia a baixar mais... E na hora em que eu chegasse em casa de ônibus (pois o saltão não permitia que eu fosse a pé, já que moro em cima do Everest) já seria hora de estar em outro lugar para continuar o tal curso.

Quanto ódio de mim mesma!

Arrisquei espiar a feira para ver se ela estava ainda lá. Aliviada, vi que a Ilda estava entre dois caminhões de hortifruti, emoldurada por pilhas de melancias.

Resultado: fui pra casa de ônibus, pedi carona para mamis para ir ao curso, pedi carona a uma colega para voltar e procurar a Ilda às 10 da noite... E, sim, ela estava lá, querida! =)

Renata nunca mais vai estacionar em lugar algum sem ler atentamente TODAS as placas, e suas letras miúdas. Mas não vai deixar de tentar economizar a fortuna que é cobrada nos estacionamentos.

domingo, 13 de março de 2011

CHATOS-INVASORES-DE-ESPAÇO-ALHEIO:

Dia desses, lendo o blog de uma amiga, vi que ela escreveu que fica angustiada quando a campainha toca e ela não está esperando alguém. Concluí que deve ser por conta de experiências nada agradáveis com pessoas chatas, que costumam invadir seu espaço.
Confesso que também fico angustiada na iminência de visitas inesperadas... Principalmente quando são pessoas do tipo invasivas...
Pensando nisso, resolvi “homenagear” os quatro piores tipos de chatos-invasores-de-espaço-alheio que já cruzaram meu caminho:

Tipo I:

18hs30min. Você chega do trabalho podre de cansada e morta de cólicas, desliga o celular porque não quer falar com ninguém, se enfia no pijama e se prepara para ir direto para a cama. Seu telefone residencial começa a tocar insistentemente. Você, claro, não atende. Mas ele continua a tocar. Você começa a sentir uma certa culpa... Afinal, pode ser sua mãe com algum problema sério...ou alguém pode estar no hospital...ou (Meu Deus!!!!) alguém da sua família pode ter morrido e estão tentando lhe avisar!!!! Você, então, já totalmente desequilibrada pelo remorso atende ansiosamente:

Você: Alô!?!

Chato: Bah! Mas até que enfim, hein? Tava fazendo o quê que não atendia o telefone??? Aliás, tem telefone p/ quê se não atende???

Você, entre o alívio e raiva: Mas quem é que está falando afinal de contas?!?

Chato: Não reconhece a minha voz?

Você, já perdendo a paciência: Se eu tivesse reconhecido não estaria perguntando...

Chato: Ihhh! Mas que grossa! Tá na TPM, é?

Você: Olha aqui, se você não disser logo o que quer vou desligar essa p... na sua cara!

Chato, às gargalhadas: Calma, calma... Sou eu amiga, a fulana...

Você, bufando: Oi.

Chato: Olha só, como eu sabia que essa é a hora que você chega do trabalho, tô ligando p/ avisar que vou dar uma passadinha aí na sua casa, tá?

Você: Hein?

Chato: É que eu tenho que fazer uma horinha até as 20hs, sabe? E como eu tô sem nada p/ fazer resolvi ir até aí tomar um café!

Você, beirando as lágrimas: Pois é... mas é que eu acabei de chegar e...

Chato: Ah, mas não se preocupa, querida! Sua casa está sempre uma bagunça mesmo! Nem se estressa em arrumar... Daqui há dez minutinhos to chegando...

Você: Escuta, mas é que...

Chato: Então tá. Beijo.

tututututututututututu

...

Tipo II:

Quarta-feira à noite, você está confortavelmente instalada na poltrona da sua casa, namorando e vendo um filminho. Seu celular toca e o número é desconhecido. Como sua curiosidade é enorme, você decide atender:

Você: Alô?

Chato: Oi! Tudo bem? Aqui é a fulana...
Você: Ah! Oi!

Chato: Você tá em casa agora?

Você, adivinhando que a pessoa vai se convidar para lhe visitar, pensa em uma desculpa: Sim, mas já estou de saída...

Chato: Ah, mas então antes de sair abre a porta que eu estou parada aqui na frente...

...

Tipo III:

É dia de semana e sua rotina foi super puxada. Você chega em casa podre de cansada, doida para tomar um banho, colocar aquela roupa que, de tão velha, já poderia ir para um museu, calçar um bom par de chinelos, se acomodar no sofá para ler um livro ou assistir TV e... ding-dong! Toca a maldita campainha...Você, angustiada, desejando que seja um engano, coloca só um pedacinho da cabeça para fora da porta para espiar quem é:

Você: ...

Chato: Oiiii! Tudo bem?

Você, meio sem graça e ainda sem ter aberto a porta completamente: Oi. Que surpresa você por aqui...

Chato: Pois é, menina! Estava passando aqui por perto e resolvi vir conhecer a sua casa!
Você: Ah! Bom, entra...

Chato, olhando para tudo quanto é lado: Nossa! Que casa... diferente a sua... Bem colorida, né? É a sua cara!

Você, sem saber se recebeu uma crítica ou elogio, apenas dá um sorrisinho amarelo: ...

Chato, ainda examinando todos os seus móveis: Nossa! Que lindo esse vaso! Quanto custou? Pagou caro?

Você, muito desconfortável: Eu ganhei de presente...

Chato: É?!?!?!? Mas que sorte! Quem lhe deu deve ser cheio da grana, né?

Você: Hããã... Não sei...

Chato, esparramando-se em seu sofá: Amiga, você não se importa se eu ligar a TV, né? É que vai começar a novela...

Você, desanimando de vez: Tudo bem... Pode ligar...

Chato, ainda não contente em ter estragado sua noite: Uma pipoquinha iria bem, você não acha?

...

Tipo IV:

Tarde chuvosa de domingo... Você e seu amor aconchegadinhos na cama, no maior clima, quando toca a maldita campainha. Vocês decidem não atender. A campainha continua tocando, insistentemente, mas vocês resistem. Eis que então começa a tocar o celular. Um de vocês decide conferir no visor do aparelho quem é que está ligando e percebe que é aquele amigo (a) que vocês adoram, mas que tem o péssimo hábito de aparecer sem avisar. Vocês, então, decidem atender e dizer que não estão em casa:

Você: Alô!

Chato: Oi! Tudo bem?

Você: Tudo bem e você?

Chato: Tudo ótimo!

Você: Que bom...

Chato: Acordei você?

Você: Não, não... Nem tô em casa...
Chato: Não?!?

Você: Não...

Chato: Mas saiu à pé então?

Você, já estranhando a pergunta: Ué, por quê?

Chato: É que eu tô aqui na frente da tua casa e vi o carro estacionado aí na garagem...

Você, se sentido acuada: Ah, sim, pois é... É que resolvi caminhar mesmo...

Chato: Mas que estranho! Caminhar numa tarde chuvosa dessas?!?

Você, mortificada: Hããã...É que na verdade eu só resolvi dar uma passadinha numa amiga que mora aqui perto... Daí não valia q pena tirar o carro da garagem...

Chato: Ah tá... Então você não vai demorar muito né?

Você: Bah, o pior é que vou sim... Sabe o que é? É que é aniversário dela... Daí eu não posso sair correndo, né?

Chato: Hummm... Então tá...

Você: Pois é...

Chato: Mas não tem problema... Eu volto de noite, tá? Beijo!

tututututututu

...

Déia escreve aos domingos, D-E-T-E-S-T-A esse tipo de gente chata que invade seu espaço e faz suas as palavras de Nietzsche: “Odeio quem me rouba a solidão sem, em troca, me oferecer verdadeira companhia”.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mudanças Sociais

Saiu na Playboy deste mês, página 34: “Kerry Whybrow, um ex-bombeiro inglês que fez uma cirurgia para virar mulher, casou-se com uma jamaicana lésbica 30 anos mais nova. O casal se conheceu em um site de relacionamentos, e a união civil aconteceu na cidade de Norfolk, na Inglaterra.”

Será que todo mundo percebeu quanta mudança social foi expressa em apenas um parágrafo? Há muito pouco tempo atrás isso tudo era impensável!!!

Estou com trinta e três anos. Quando eu tinha 15 anos, ou seja, há 18 anos atrás, pouco tempo em termos de sociedade, a única transexual que eu conhecia era a Roberta Close!! Linda, por sinal! É claro que havia os travestis, mas que eu saiba nenhum deles havia feito cirurgia para mudança de sexo e a Roberta Close ainda passava o constrangimento de ter que apresentar o documento de identidade com o nome de registro civil.

Também naquela época, um inglês conhecer um jamaicano sem que um dos dois se deslocasse de onde estivesse e encontrasse o outro, seria praticamente impossível. Naquele tempo imperavam as cartas. E mails não funcionavam como hoje. Lembro que passei um ano na Tailândia, recebi mais de trezentas cartas, enviei certamente mais de 300 também e nunca enviei nem recebi um e mail sequer. Simplesmente não havia esta facilidade. Pois Kerry, da Inglaterra, conheceu sua cara metade na Jamaica através de um site de relacionamentos!!

Há pouco menos de vinte anos atrás eu estava entrando no Colégio Técnico da UFMG. Lá tinha um laboratório de informática, ou seja, computador em casa não era uma coisa tão comum assim, quiçá internet! Orkut? Linked In? Facebook! Faz-me rir!!

E alguém casar com outra pessoa trinta anos mais nova não causava tanto espanto assim, né? Mas era inconcebível um transexual se unir com uma lésbica, ainda mais trinta anos mais nova. Isso, gente, não faz muito tempo não. Foi só há vinte anos. Ali na minha adolescência.

Outra coisa. Alguém reparou que a união civil foi na Inglaterra? Melhor: alguém reparou que houve união civil? Gente, haver união civil tem vários significados!!! Primeiro: o governo britânico não é hipócrita feito o nosso e reconhece juridicamente a mudança de gênero. Segundo: o governo britânico é civilizado o suficiente para reconhecer juridicamente a união civil entre pessoas do mesmo sexo, inclusive uniões binacionais.

É muita mudança. E muito rápido. Fica mais complicado se adaptar assim. Mas a gente tem que tentar se adaptar sempre. Porque não é uma simples questão de querer se adaptar. É uma questão de civilidade. De respeito com a diversidade, com o diferente. É uma questão de respeito com a gente mesmo.


Laeticia fica extremamente feliz quando vê a diversidade sendo respeitada. Mas fica triste quando constata que este respeito ainda é exceção.

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia da Mulher

É inegável que a mulher tem méritos para receber parabéns sempre. As conquistas, a força, a tenacidade, o jeito de pensar também com o coração, a capacidade de engravidar. Qualidades e características que todos lemos nos cartões virtuais ou não, recebidos no dia 8 de março.

Mas o que me deixa pensativa e, confesso, irritada, é o fato de se precisar ter um dia para “lembrar” ou para reconhecer isso. Se realmente a mulher não fosse mais considerada o sexo frágil, não sofresse violência e discriminação, não seria mais necessário um dia para ela.

Não que eu não goste de receber parabéns, abraços, flores. Adoro! Mas ter um dia da mulher é triste. Porque ressalta o fato de ainda não haver igualdade de direitos, deveres e de oportunidades.

Não sou feminista extrema, que acha que a igualdade entre os gêneros é a solução. Pelo contrário: pessoas tão diferentes não podem ser tratadas iguais. Eu não quero que deixem de abrir a porta para mim, e nem que seja motivo de chacota ter que pedir ajuda para trocar pneu de carro e carregar peso.

Mas cada um, na diversidade, deve ser respeitado.

Pensando na razão por que muitas coisas ainda não mudaram na tal guerra dos sexos, não consigo deixar de crer que muito se deve a nós mesmas, mulheres.

Enquanto a gente permitir ser vista como um pedaço de carne no açougue, fica difícil exigir respeito. Enquanto a gente aceitar ganhar menos que os homens, e trabalhar jornada dupla numa boa, é exatamente isso que vai continuar acontecendo. Enquanto a gente sentir certa permissividade quanto à violência contra a mulher (que é inaceitável em qualquer caso!) e algumas mulheres continuarem voltando para seus parceiros agressores, precisaremos de mais delegacias da mulher e mais leis especiais, como a Maria da Penha. Enquanto formos namoradas e esposas que tratam seus maridos como filhos, vamos continuar achando normal dar conta de tudo e de todos.

São alguns exemplos de pequenas (e grandes) coisas que fazemos que garantem a manutenção de uma sociedade machista e injusta.

Não precisamos mais queimar sutiãs pra sermos vistas, mas não podemos achar que as coisas não podem mudar, pois elas precisam melhorar muito.

Até lá, Renata deseja que todos os dias sejam dias em que as pessoas merecem respeito, consideração e reconhecimento pelo que fazem e são.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Muita chuva e pouco Carnaval

Carnaval chuvoso...

Dia I: pelada (futebol para os mais íntimos) de um dos clubes da cidade. Detalhe, todos os jogadores cuidadosamente paramentados de mulheres. Cena da minha querida TV Pirata.

Dia II: tricot, tricot, tricot, costurinha, tricot, tricot, tricot, filme, outro filme e mais outro, e chuva.

Dia III: tricot, tricot, gato no balaio, gata no pufe, gata na cadeira, galinhas na chuva, sinal de mais chuva, tricot, tricot, tédio.

Dia IV: chuva, sol, chuva, sol, sol, carnaval, bloco dos sujos, andar, andar, andar, cerveja, fome, andar, volta, morro, sobe, morro, sobe, sobe, casa, banho, sede.

Ahhhh, amanhã ainda não trabalho.

Silvia escreve as segundas, por vezes na terça.
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