terça-feira, 31 de agosto de 2010

Admirável mundo novo

Admirável mundo de plástico. Não, de papel reciclado, mais na moda. Admirável mundo veloz, onde as informações e os sentimentos são trocados aos bytes, armazenados ou deletados facilmente. Admirável mundo barulhento, que na falta de um maestro, forma um som desagradável, que polui até os pensamentos. Admirável mundo em que não precisamos nos deslocar para ver paisagens fantásticas, podemos baixá-las e colocar como plano de fundo.
Mais admirável ainda é que nesse mundo tão tosco, existam pessoas realmente admiráveis. Na semana passada, escrevi sobre o pânico de teatro e seus derivados. Lembrei que fiz uma oficina parecida há anos, e também tinha ficado muito tensa. Escrevi para o professor daquela oficina, e olhem a resposta:

“Que bom saber que você descobriu que pode voltar a ser criança e que isso é muito bom! Todos temos vários medos. Não pense que é fácil para mim falar em público. Sempre fico feliz em saber que as pessoas aos poucos se descobrem. Acho que somos um imenso continente e que muitas vezes não visitamos todos nossos penhascos com medo de querer se jogar de cabeça lá de cima. Mas precisamos entender que todo o mergulho é importante e onde não houver água, há ar. Precisamos nos afogar para valorizar o respirar.”

Gente, pasmei. Nunca mais tinha visto a pessoa e achei realmente muito legal o que ele escreveu!

Pessoas admiráveis estão também à nossa volta, na nossa casa, nos locais que frequentamos. Às vezes leva um tempo para que possamos nos admirar com elas. Pessoas que querem mudar o mundo, pessoas que querem torná-lo mais humano, mais musical, mais divertido.

Renata não cansa de se admirar com as pessoas e de admirar tantas outras. Nessa semana está especialmente admirada com a Fran e o Fer, que , neste mundo nem sempre admirável, ousaram e vão se casar! Certamente continuarão sendo muito felizes!!!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Telefone para o Ladrão


Era uma vez.... Calma, não é conto de fadas, mas parece da carochinha....Entretanto, por mais ficcional que aparente, creiam, isso acontece.


Em uma manhã de sol, o funcionário de uma grande firma de informática vai, mais um dia, para seu trabalho, na mesma rotina de tomar ônibus, trabalhar, almoçar, voltar para casa.


Ao chegar ao trabalho é barrado na entrada, pois o prédio onde trabalha fora assaltado, e levaram vários aparelhos de eletrônica e informática. Embora haja segurança predial, com alarmes, isso não evitou o roubo. A empresa de segurança comunicara que o alarme não fora acionado na central. O estranho é que as portas foram arrombadas.


Passado o susto, e, com as semanas, tudo voltando ao normal, o telefone toca, e o tal funcionário atende. Era da empresa de segurança:


_Bom dia, por favor, o alarme tocou aqui na central, e gostaríamos que o senhor informasse se está tudo bem aí?

O funcionário, João, pensa duas vezes antes de dar uma má resposta. Afinal, se não estivesse tudo bem, como ele poderia falar isso ao telefone?

_Veja bem, aqui não há problema no momento.

Mas a pessoa da empresa de segurança insiste:

_Tem certeza? É que o alarme aqui está disparado. Tem como o senhor verificar se o prédio está em ordem, se não há problema.

Aí fica um pouco difícil manter a calma:

_Senhora, eu trabalho em um prédio, e há outros andares ocupados. Não posso sair do meu andar procurando um ladrão, se é isso o que a senhora deseja.

_Não, senhor, mas o senhor poderia pedir para verificarem os demais andares do prédio, então.

_Quem? Eu devo pedir para que algum colega meu se arrisque e procure um invasor? Um suposto ladrão, porque o alarme daí tocou? Oras, eu pensei que, ao acionar o alarme, a empresa de segurança acionava a polícia, ou mandava alguém da própria empresa, mas devidamente preparado, para averiguar o local.

_O problema, senhor, é que muitas vezes toca e é por acidente, porque algum funcionário acionou sem querer, ou porque esqueceram de desligar o alarme ao entrar no trabalho.

_Ah, bom, agora estou mais tranqüilo. Entendi que vocês, primeiro, precisam verificar se não é alarme falso, para não gastarem com isso, não é? Aí, com certeza, se não for alarme falso, e se aqui estiver sofrendo assalto, eu vou conseguir falar ao telefone, com uma arma na minha cabeça, que estou sendo assaltado! É isso? Bom, então espera um pouco que vou procurar o ladrão. Assim que encontrá-lo, falo para ele: Oh, seu ladrão, tem telefone pro senhor!

Silêncio.... o telefone é desligado por parte da empresa de segurança.


Tania acha incrível episódios como este, que acontecem, ninguém acredita, viram piada, mas é a mais pura verdade!

domingo, 29 de agosto de 2010

Coisas Estranhas

Não se assustem, mas começo o texto de hoje relatando algo um tanto quanto desagradável para mim.
Infelizmente eu tenho acordado aos prantos (literalmente) todos os dias pela manhã devido às fortíssimas dores nas costas...

Logicamente fui ao médico e ele descobriu que eu tenho todos os tipos de "ose": lordose, cifose, escoliose, além de um pequeno probleminha congênito (leia-se "defeitinho de fábrica"), uma tal de "espondilólise" (nome que, na minha opinião, mais parece um xingamento). Enfim, estou com a coluna que é uma "esculhambose" geral...

Ele recomendou que eu fizesse algumas sessões de fisioterapia e eu, muito obediente (com tanta dor, nem pensei em desobedecer!), fui procurar a fisioterapeuta que me foi indicada.

Pois então... Fiz algumas sessões e nada de passar a dor nas costas...
Mais algumas sessões e...nada.

Eis que, lá pelas tantas, a fisioterapeuta (que, aliás, é um amor! Verdade!), muito preocupada com a pouca melhora das minhas dores, larga uma pérola assim:

"Querida, provavelmente essas dores devam ser derivadas da maneira como você está dormindo... Eu aconselho que você observe com muita atenção sua postura enquanto estiver dormindo".

Hã? Como assim?

Na hora fiquei indecisa entre matá-la ou matar a mim mesma!

(Não tenho muita paciência com bobagens ditas assim, à queima-roupa... )

Por fim, tomada a decisão de respirar fundo e tentar ser o mais paciente possível, limitei-me a sorrir ironicamente e dizer a ela:

"Ok, não se preocupe. Prometo que nas próximas noites ficarei acordada observando minha postura enquanto durmo".

Eu já estava pronta para rir da minha ironia maldosa quando ela responde:

"Ótimo! Isso mesmo! Observe com atenção sua postura enquanto estiver dormindo"...

Aaaaaaaahhhhhhhhh!!!!

Me digam...Alguém merece isso????

...

Déia escreve aos domingos e gostaria muito de saber se é só com ela que essas coisas estranhas acontecem...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Eu Tenho Um Sonho

Eu digo a vocês hoje, minhas amigas, que embora nós enfrentemos as dificuldades da vida moderna e das exigências feitas a nós, mulheres também modernas. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho da mulher brasileira.

Eu tenho o sonho que um dia as pessoas na praia levantar-se-ão e experimentarão o verdadeiro significado da beleza e da gostosura – eu me orgulharei de meus atributos e eles serão claros para todos.

Eu tenho um sonho que um dia, nas mais belas praias do mundo todas as megeras invejosas estejam presentes para presenciar meu sucesso ao chegar com meu lindo chapéu e óculos de sol.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no Rio de Janeiro, onde todas aquelas cachorras feiosas, mas gostosas, e aquelas meninas que parecem morar na academia, com corpos absolutamente sem celulites, que oprimem todas as demais mulheres ao seu redor, sintam-se, ao me verem, tão deprimidas quanto eu já me senti um dia a ponto de querer ir embora da praia.

Eu tenho um sonho hoje!

Esta é a minha esperança. Esta é a fé com que me matriculei no grupo de corrida. Com esta fé estou treinando às terças e quintas à noite e aos sábados pela manhã. Com esta fé estou me privando de absolutamente toda e qualquer bebida alcoólica. Com esta fé estou me privando de 300 gramas diários de carne vermelha e da sobremesa nossa de cada dia. Com esta fé tento acreditar que sou um animal capaz de ruminar e digerir mato, eufemisticamente chamado de salada por alguns e quem sabe eu serei um dia uma gostosona. Este será o dia, este será o dia quando eu poderei novamente, aos trinta e três anos de idade, usar mais uma vez um biquíni sem canga na praia.

Meu corpinho, meu lindo corpinho de volta, eu te adoro, eu te quero de novo.

Corpinho que anda mais “ão” que “inho”, eu ouço seu grito de socorro e estou indo ao seu encontro.

Não, não mais te maltratarei, você voltará a ser bem parecido com o que era antes!

E se o meu treinador tiver dito a verdade, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim olharei no espelho, nas vitrines das lojas e dos shoppings de todos os lugares.

Sentir-me-ei mais leve nas belas praias do Leblon e de Ipanema.

Sentir-me-ei mais à vontade nas lindas praias de Porto de Galinhas, de Carneiros e Calhetas.

Sentir-me-ei linda nas areias da Praia da Boa Viagem (até porque lá tem tubarão).

Sentir-me-ei charmosíssima na Praia de Pipa e em Ponta Negra.

Mas não é só isso. Sentir-me-ei maravilhosa nas lindas praias da Ilha de Phuket, na Tailândia.

Sentir-me-ei gostosíssima nas Ilhas Samet.

Sentir-me-ei tudo de bom nas Ilhas Samui e nas Ilhas Pee Pee.

Em todas as praias, sentir-me-ei linda e poderosa.

E quando isto acontecer, quando eu estiver com aquele corpitcho, e tiver desfilado de biquíni e sem canga pelas praias do mundo afora, eu vou me sentar e tomar uma cerveja beeeem gelada e pedir um tira gosto beeeeem gostoso. Porque sim, eu tenho um sonho de usar biquíni sem canga na praia de novo. Mas não precisa ser pelo resto da vida. Pode ser pelo menos só mais uma vez!!!


Martin Luther King Jr. que me perdoe!!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pânico!

Não, não será um post para falar do pânico causado pela situação alarmante de violência urbana. Nem para falar do programa de TV, polêmico, e por mim considerado detestável.

Este post fala de um pânico todo meu: teatro. Sim, tudo o que disser respeito a jogos dramáticos, improviso, exposição ao público... me dá pânico total e absoluto. Mas como não sou mulher de me esconder atrás da trincheira do meu próprio medo, me inscrevi numa oficina sobre “O coro, o corpo e a cena”, com uma profissional maravilhosa. Confirmei a inscrição, cheia de coragem, e passei toda a semana anterior tensa. Muito tensa. Quase torcendo para acordar no dia da tal oficina com torcicolo, gripe, febre ou tudo junto, só para não ir. Acordei super saudável, obviamente.

Fui e levei a tiracolo minha fiel escudeira (ou ela me levou...).

A professora foi super querida, fez de tudo para nos deixar bem à vontade, e eu em pânico.

Cada exercício, cada proposta que ela fazia, eu suava frio... E cada coisinha que eu fazia, cada som, cada gesto, cada pequeno obstáculo superado me dava um gosto de realização que enchia toda a boca!

As três horas da oficina, que pareceram na verdade treze horas, me deram uma nova perspectiva: sou meio travada assim porque meu cérebro e meu corpo são muito adultos! Não é defeito de fabricação, é mau uso! Sempre disse que nasci adulta, mas agora acho que devo aprendera ser criança às vezes, a soltar o corpo, as amarras que levei tanto tempo para prender.

E querem saber? Amei a oficina. Não a ponto de sair desvairada para me inscrever num curso de teatro! Mas para, ao menos, não perder o sono antes de fazer algo diferente e a ponto de saber que consigo me superar também nisso.


Renata se percebeu muito adulta! Já começaram os trabalhos de desapego das normas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Tempos modernos, compras modernas

Outro dia minha irmã se lembrou de um ocorrido e rimos.

Estava eu na frente do computador, olhando "coisas" na internet; mais especificamente, um site de lingerie que uma amiga havia me falado há muito tempo atrás. Olhei daqui, fucei daqui, e após alguns vários minutos, minhã irmã, que nunca foi muito chegada a tecnologia, me perguntou - O quê que você tá olhando aí? E respondi - Calcinha e sutiã. Ela mais do que depressa, soltou um suspiro e pegou uma cadeira. Contudo nesse meio tempo, tive que atualizar a página do site e PUF, meu carrinho de compras retornou vazio após vários minutos de escolha minuciosa. Soltei um suspiro, em meio a algumas palavras feias e escuto a pergunta - Que foi??? - Meu carrinho de compras sumiu.

Nada melhor do que o olhar de espanto da minha irmã - Como assim "carrinho de compras"? Você perdeu ele aonde? No meio da tela? Haha. Até hoje rimos disso, ela por que ainda acha muito estranho o funcionamento da modernidade e eu por que ela ainda não entende direito os tempos modernos.

Silvia escreve as segundas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Aventurar-se

“Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos”
(Clarice Lispector
)

Pois então... Parece que Lispector resumiu perfeitamente minha personalidade.
Literalmente eu "entro em todos os palcos"...
E ontem, de fato, entrei em um palco. Ou melhor, subi.

Tempos atrás recebi um convite do pessoal do diretório acadêmico do curso de filosofia aqui da minha cidade, para participar, juntamente com outro professor amigo meu, de um Café Filosófico e, obviamente, apesar de ter ficado morrendo de medo, aceitei.

Para quem desconhece o que é um Café Filosófico, vou explicar rapidinho: é um evento que acontece geralmente num local fora da instituição de ensino (no meu caso ocorreu em um bar aqui da cidade) com entrada franca, em que um ou mais palestrantes dialogam com o público acerca de um tema previamente escolhido.

Geralmente é um tema polêmico, que instiga a participação das pessoas e, nesse caso, não foi diferente.
O tema escolhido foi: "A questão de deus em Nietzsche e Saramago"
(Para quem conhece um pouquinho deles, já deve imaginar o quanto o tema era provocante...Um, "mata Deus
" e o outro afirma que a Bíblia é um livro de horrores...)

Me deu um pânico quando eu vi aquele mundo de gente lá...
E o pior: uns com cara de "poucos amigos" , outros nos olhando meio torto (acho que por causa do tema, sei lá!)...
E tinha também aqueles ateus de carteirinha, empolgadíssimos com a ideia de "baixarmos o sarrafo" na religião...
Claro que nenhum desses grupos parecia compreender que o que estava sendo debatido lá não eram nossas crenças pessoais e sim o pensamento de dois excelentes autores...
Mas, como dizem meus alunos...faz parte!
E, no fim, o evento foi um sucesso.

Enfim, eu quis compartilhar com vocês essa experiência porque para mim foi um momento, por assim dizer, apavorante e, ao mesmo tempo, gratificante... Aliás, comigo geralmente é assim: quanto mais receio eu tenho de fazer alguma coisa, mais gratificante e saboroso se torna o fato de aceitar fazê-la.

"Aventurar-se"... Para mim esse é o grande barato da vida, sabe?
Morrer de medo e, mesmo assim "meter os peitos"...
Se não der certo, se quebrar a cara, se sair machucado...bem, pelo menos a emoção do momento - seja ela boa ou nem tão boa assim - foi vivenciada!

A vida passa rápido demais e é um desperdício vivê-la no "mais ou menos"... Mais ou menos segura, mais ou menos satisfeita, mais ou menos amada, mais ou menos feliz...

Desafio vocês a, de vez em quando, "meterem os peitos" nas coisas que lhes apavoram e depois compartilhar comigo o resultado.

E aí, alguém vai aceitar meu desafio???

Déia escreve aos domingos, continuará "metendo os peitos" pela vida afora e esperará ansiosa para ver se alguém aceitará o desafio que ela propôs...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Futuro

Uma regra que se aplica à esmagadora maioria das pessoas: as atitudes não mudam se não houver uma cobrança.
Por isso existem leis e punições para casos de descumprimento. Por isso existe fiscalização.
Dia desses, discutindo a crise de água potável, falamos sobre isso, sobre como é essencial a existência de regulamentação e cobrança para que se modifiquem hábitos de desperdício e mau uso de recursos naturais (não gosto do termo, pois parece que a natureza é um recurso do qual dispomos quando e como quisermos, mas é o termo corrente).
Definido isso, passamos para além na discussão: nossa trineta pode escovar os dentes com meio copo de água, tomar banho em 3 minutos, só usar embalagens reutilizáveis, usar transporte público... todo o pacote. De nada vai adiantar se não houver um controle de natalidade. No número de filhos por família e na foram como são criados.
Não venham os defensores dos recursos humanos quererem lançar seus argumentos vazios de que é um direito individual do ser humano ter filhos. Porque não é. Cada criança que nasce traz um impacto pra a sociedade, traz custos ambientais, sociais. Exige investimento de saúde, educação, cuidados básicos.
E muitas famílias estão repassando para o governo (movido a dinheiro público = o nosso dinheiro) a responsabilidade por todas as necessidades de sua progênie. Então, é uma questão social, não individual.
Esse é um assunto que tem que estar na pauta de todos os candidatos. Que medidas serão tomadas? Quantas famílias mais viverão à margem de toda a sociedade? Quantos casos de mini-mulheres – meninas de 9, 10 anos, que são donas de casa e mães de seus vários irmãos, na ausência da mãe? Quantas famílias vivendo apenas de auxílio do governo, sem nenhum movimento no sentido de sair da situação de miséria?
Quando os políticos vão parar de apenas governar por seus interesses próprios? E não venham com o papel da educação, pois o que ensina mais é o exemplo cotidiano, e é comprovado que mães adolescentes tendem a ter vários filhos, e suas filhas tendem a ser mães adolescentes, reproduzindo o ciclo.
Até que se leve a sério o que se deve levar a sério, esse país vai continuar sendo uma piada, onde pessoas completamente despreparadas podem etr quantos filhos quiserem, e pessoas preparadas, mas biologicamente inaptas à concepção passam por extensas avaliações para poderem adotar uma criança.
Proponho uma avaliação também para se ter filhos biológicos. Proponho um controle, uma orientação, ao menos. Proponho a restituição do poder pátrio -a instituição família tem que existir, não importa sua constituição.



Renata está muito revoltada com a maneira como se brinca com dinheiro público e com as conseqüências disso pro futuro.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Da vida


Pra minha idade acho que já fiz um bocado, aqui e ali, bem acompanhada ou não, sendo que às vezes a má companhia era eu mesma, mas não me arrependo. E percebo com alegria que posso dizer que não me arrependo de nada, se fosse pra viver de novo, assim o seria. Talvez seja por isso que acredite que já experimentei bastante o que não significa o suficiente e assim prossigo.

Mas nessas e outras já quebrei algumas coisas, dentes, nariz, corações, incluindo o meu, é claro. Fui algumas vezes pro fim do poço, e achei que ele não tinha fim, mas tem, tem sim, e agora, de quando em quando me vejo voltando pra lá, e não sinto mais tanto medo, já sei que da mesma maneira que se vai, se volta.

E nesses anos de vida, já visitei lugares que sempre quis, xinguei em línguas que não sabia falar, bebi com gente que nunca vi, confiei em desconhecidos que se tornaram amigos, apreendi a aguçar a mente e escutar o que ninguém diz, mas que está lá.

Aprendi a manter a calma quando o avião sacode mais do que o usual e você olha pro lado e vê olhos de pavor, olho pra dentro de mim e penso - tudo bem, eu fui, eu vi, eu vivi, se for agora que seja. E quando se chega em fim em terra seja aqui ou lá, a gente bate palmas e tem vontade de beijar o chão assim como o Papa, e o faz, mentalmente.

E a vida continua, assim como o mundo, a traçar seu percurso, já tive carro roubado, mala também, numa vez roubada, na outra amassada. A gente se sente idiota e ao mesmo tempo feliz, afinal se tantas coisas boas e ruins acontecem é sinal de que tenho vivido. E se tudo fosse bom, ou ruim, como poderia distinguí-los ou, ainda, medí-los. Podia ser melhor? Sempre pode, mas podia ser pior também. E agradeço, pois apesar das várias estripulias, não tenho do que reclamar.


Silvia escreve às segundas.

domingo, 15 de agosto de 2010

Bem conservada...

Dia desses, caminhando pela rua, encontrei uma ex-aluna (que deve estar com, no máximo, uns 14 anos de idade) que, ao me ver, veio logo dizendo, toda empolgada e feliz: “Oiii! Que saudade! Tudo bem? Nossa, profe, como você tá linda! Tá super bem conservada!”.

Gente! Juro que por alguns segundos fiquei assim meio sem ação, sabe? Como se alguma coisa não estivesse se encaixando... Essa frase “como você está bem conservada!” sempre foi minha!!! Como assim alguém olha p/ mim e diz isso?!?

Depois de fazer uma “cara de paisagem” e de sorrir amarelo, resolvi me divertir um pouquinho (Ok eu confesso: às vezes, quando estou sem saber o que dizer ou fazer, lanço mão da ironia e acabo me divertindo bastante). Agradeci o suposto elogio e disse que só estou bem conservada porque sigo à risca um ritual secreto de família, passado de geração em geração.

Ela, claro, insistiu para que eu contasse o tal “ritual” e eu, muito solícita, sussurrei em tom de confissão que, todas as noites, antes de dormir, eu bebo uma colherinha de formol, purinho mesmo.

E esperei a risada da menina. Que não veio. O que veio foi um olhar espantado e uma expressão pensativa. Gelei. Senti até um friozinho na barriga.

Ela então agradeceu por eu ter compartilhado o tal “ritual secreto” e disse que ia à farmácia comprar o tal formol p/ dar de presente de aniversário p/ mãe (!!!).

Morri!

De vergonha pela brincadeira.

De vontade de rir da situação.

E de medo de encontrar a mãe dela algum dia....

E o pior de tudo é que isso realmente aconteceu! Não inventei nadinha.

De agora em diante, se alguém disser que eu estou bem conservada, prometo que só agradecerei e seguirei meu caminho...


Déia escreverá aos domingos, está muito feliz por compartilhar um pouquinho da sua vida com vocês e deseja ardentemente que ninguém resolva beber uma colherinha de formol...


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A espera...

Já tem uns dias (meses? anos?) que a vida anda meio no modo automático.

Levanta (cedo), trabalha (essa semana completando 4 anos no mesmo lugar), resolve problemas (dos mais variados tipos), pratica esportes (menos do que gostaria, mas mais do que minha vontade permite), pratica alguns hobbies (praticaria mais se tivesse mais tempo), ouve música (quase que o tempo todo), estuda um pouco (bem pouco), dorme (tarde), levanta, trabalha... bom, vocês pegaram a idéia né?

Nada contra rotina, muito pelo contrário. Eu sou um ser de hábitos e geralmente me sinto em casa tendo uma agenda a cumprir.

O meu problema atualmente tem sido com a previsibilidade da minha vida. Como uma série de detetive com um roteirista meio ruim. Ou como uma música dos Beatles. Ou como uma piada pronta. De novo, vocês pegaram a idéia.

Quem me conhece sabe que eu não sou muito de ficar refletindo sobre a insustentável leveza do ser, ou o sexo dos anjos... e prefiro deixar a vida me levar, vida leva eu (gente, acabei de citar uma música de pagode!), mas tem horas que dá vontade de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima! (pai eterno, se eu não parar com essas citações estranhas vocês me internam?).

Mas me digam, é normal passar agosto esperando setembro? (opa, Zeca Balero pode né?). Porque é assim que eu me sinto. Como se eu estivesse sempre esperando. Mas e aí você se pergunta: esperando o que minha gente?

E eu respondo: não sei. A inércia acabar? A vida ficar emocionante como um filme de ação? A oportunidade de começar de novo?

E você, espera pelo que?

Milena escreve aqui às quintas. Esperando a sexta-feira acabar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Manias

Todo mundo sabe que gente é uma coletânea de manias. Na realidade, são as manias, e não as escolhas como dizem os pensadores, que nos tornam quem nós somos.

Tem gente que tem mania de dormir de meia, de cantar junto com qualquer música, de usar cotonetes 5 vezes ao dia, de pentear o cabelo toda hora, de esfregar o olho, de comer lendo (ou ler comendo), de ler antes de dormir... (Ok, confesso, essa gente sou eu, no caso).
Mas cada um tem suas manias, umas mais reveláveis que as outras, mas todos têm.

Uma das manias que mais me chama atenção é a de colecionar. A maioria das pessoas já teve sua fase de colecionar alguma coisa. E os psicólogos da educação dizem que é muito saudável, uma forma de auxiliar na organização do pensamento. Existem coleções da moda, incentivadas por causas externas, como foi a obsessão por completar o álbum da Copa. As mais variadas pessoas nos mais variados lugares falando de quê? Figurinhas. Esse é um tipo de fenômeno coletivo e efêmero, muito interessante.

Existem coleções que são típicas da fase da vida; na infância eu amava minha coleção de papéis de carta! Era moda na escola e eu dediquei muitos recreios a fazer trocas difíceis, em negociações ferrenhas. A não ser quando a tal troca era com meninas menores, que trocavam o que eu quisesse, pois eu era das “grandes”.

Hoje eu ainda tenho a tal coleção, mas ela é apenas um souvenir daquela época. O que coleciono mesmo são frases, desde as irônicas às mais divertidas. Me encanto com o poder das palavras e há coisas que foram tão bem ditas, que não há razão para tentar falar de outra forma. Fico muito feliz quando incluo na minha coleção algumas frases minhas!

Renata abriu suas manias e coleções. Quais são as suas?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Girar

Mais uma vez a estrada que me pega,
e de saudade quase morro quando sonho,
e fico um pouco mais perto da terrinha que tanto gosto,
e, ao mesmo tempo, me fez sentir distante.

Na estrada passou gente,
ovelha, azeitona e girassol,
minha mente passou sonhando,
com o dia que volto, talvez pra sempre.

Mais uma vez vi o mundo girar,
e dentro da carcaça voadora navegante
girou minha vida no ar, no mar, no estômago,
até a chegada do alívio, ar, em terra, em fim.

E me vi crescer em silêncio,
ouvindo o eco dos outros, do fogo, do mar,
amei os azuis destas terras, e sonhei mais um pouco,
com o próximo giro do mundo.

Silvia escreve às segundas, quando por aqui está.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Editor de vida

Adoraria poder me reescrever, não reeditar, reescrever mesmo. Uma Andreia “folha em branco”.

Como me reescrever não é possível, tento me editar... O problema: vira e mexe, e algo que eu julgava superado, ou esquecido, retorna. Escolhas erradas que ainda insistem em repercutir, atitudes impensadas, palavras que gostaria de ter dito, palavras que foram ditas sem pensar, reações despropositadas, ações exageradas...

Preciso de um editor de vida!

Programadores, não preciso de nada muito sofisticado, não! Só alguns comandinhos básicos:

Erase: os anos de depressão profunda, alguns anos do primeiro grau e vários de faculdade(s);

Skip: qualquer ato consequente do alto teor alcoólico, ficadas de fim de noite, foras que levei, foras que dei e pitis diversos;

Cut: crises de ansiedade, de pânico, de choro, de culpa;

Caps Lock: momentos felizes, risadas soltas, acertos;

Blur: paixões;

Format: visual;

Emput: memórias ruins, dúvidas e pesadelos;

Extrude: autoconfiança, auto-estima, otimismo;

Color: pensamentos;

Redo: as amizades que importaram e que mesmo assim me afastei;

Undo: os relacionamentos que não deram certo e os que me fizeram sofrer, ou os em que eu fiz sofrer alguém que gostava;

Insert: felicidade, paz e amor;

Improve: sucesso;

E, numa versão plus, que tal adicionar um skip automático? Um format sazonal? Um Improve constante?

Lançada a idéia! Quem sabe, num futuro não muito distante, a fusão das ciências crie este aplicativo para a vida?

Enquanto isso não acontece, a solução é ter paciência e tentar: tentar aprender com erros (piegas, mas às vezes até que funciona), tentar perdoar a si mesmo (parece simples, mas não é), tentar não repetir o erro (vai ver que a loirice é que me faz insistir em erros conhecidos), tentar me desculpar (sinceridade) e tentar seguir (tentando não levar bagagem negativa das experiências fracassadas).

Andreia escreve esporadicamente, é pra lá de imperfeita, erra mesmo quando tenta acertar, mas avisa que está melhorando. Enquanto isso, pede uma desculpa coletiva a todos que magoou.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aplauso!

Em junho meu sobrinho de 3 anos esteve aqui na minha cidade, visitando. Como ele é o sobrinho mais fofo do mundo, tudo o que ele faz é lindo!! E sua mais nova atividade é entreter as pessoas com canções em espanhol que aprendeu na escola. No final, pra garantir que as pessoas percebam que acabou e que ele espera o merecido reconhecimento, ele diz: aplauso!

Bom, hoje quem merece aplauso sou eu!!!

Depois de dormir 5 horas e meia, me arrastar da cama sabendo que estavam 2º centígrados lá fora, e ir trabalhar. Ter que explicar para um professor = adulto = graduado, que ele não pode falar a palavra C* na escola, assim como os palavrões associados... Depois de fazer uma maratona pra almoçar em casa, presenciar e tentar conter uma crise adolescente existencial; depois de enfrentar uma turminha de 1º ano que está a milhão, depois de duas semanas de férias...

FUI PRA ACADEMIA! Aplauso! Dei duas voltas na quadra pra conseguir estacionar, estacionei longe pra caramba e ainda por cima esqueci de levar agasalho! E só podia ficar 40 minutos, pois tinha que assumir meu posto de mãetorista depois. Mesmo assim eu fui, corri, suei!!! E fiquei orgulhosíssima!
Mereço ou não mereço aplausos?!

Renata comemorou sua conquista com um X bacon! Afinal, terça é noite gastronômica das Pereiras! 
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