terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carta Aberta à Andreia


Andreia,

Sei que não é consolo, mas cá estou eu, com quase 35 anos, um curso de Direito e uma especialização em Ciências Penais pela PUC Minas nas costas, fluente em três idiomas, cursando um MBA na FGV e cadê realizações concretas?!! Também me sinto imensamente frustrada, não sou a profissional de sucesso que muitos professores profetizaram, não prestei concurso público como outros professores insistiram, não segui a carreira acadêmica, não fui uma grande advogada, não conheci o mundo todo e todo mundo, me casei, mas não quero ou tenho medo de ter filhos.

Hoje trabalho em uma construtora como supervisora comercial. Há dias em que tenho vontade de me jogar no Ganges!! Como hoje, por exemplo. Mas nem à Índia consegui chegar. Durante os últimos quatro anos trabalhei como corretora. Ganhei dinheiro? Sim, ganhei. E bem mais do que quando advogava. Mas minha vida parece acontecer em círculos. Trabalho, trabalho, mas não consigo “acumular” nada. Não tenho um carro quitado, não tenho um apartamento. E não tenho prespectiva de ter. Até hoje não descobri em quê eu gostaria realmente de trabalhar. Aí vou vagando sem rumo por aí. Não sou preguiçosa, nem tenho vocação pra viver às custas dos outros. Por isso trabalho muito, mas em áreas que não significam muito, ou nada, pra mim. Vejo minha irmã mais nova e muitas vezes me pego pensando onde foi que errei. A menina sabe o que quer desde nova: dizia que queria ser professora. O primeiro emprego de verdade da vida dela é ser professora concursada na UFMG. E eu nem sei o que quero fazer da vida!!! Fico me sentindo uma verdadeira fraude. Não serei hipócrita com você: sei que sou muito inteligente e mais capaz do que a maioria das pessoas. Mas isto até hoje não me garantiu um lugar ao sol, a despeito dos meus mais verdadeiros esforços. Chega a ponto da minha mãe que tem pavor de gente vagabunda me dizer que preciso parar de trabalhar um pouco. Acho que fico me escondendo no trabalho, mesmo que eu não me satisfaça com ele. Aí, quando fico meio à toa, como tenho ficado desde setembro, não há como me esconder das minhas frustrações. Ultimamente tenho me sentido um lixo. Esta é a realidade.

Verdade que tive uma sorte na vida: eu encontrei um grande companheiro. Impressionante como pode um cara apoiar tanto uma pessoa tão instável e passional como eu. E tenho me sentido mais instável a cada dia que passa. De tanto quebrar a cara, acabei perdendo um pouco da minha auto confiança. Engordei pra burro (só 15 quilos) e estou pastando, quase que literalmente, pra tentar voltar ao normal.

Mas quando paro pra pensar friamente, evento raro na minha vida, vejo que sou muito feliz!! Sim!! Pode parecer incrível, mas sou feliz. A felicidade não é uma constante, sabe. Quero dizer, pra ser feliz a gente não tem que ser a melhor profissional, ter o melhor carro, apartamento, ser independente financeiramente, estar acompanhanda, ter filhos, cachorro e se sentir num comercial de margarina, tudo ao mesmo tempo e agora. Porque tudo ao mesmo tempo e agora nem o Jim Morrison deu conta! E não há nenhum motivo pra eu acreditar que eu sou mais intensa do que ele. Não quero morrer jovem. Quero viver muito! Então acho que preciso viver um pouco menos acelerada, quase em slow motion mesmo. Mas também não quero ser igual àquela coitada da propaganda da Renault que tudo que ela queria, não conseguia, mas tinha sempre uma alternativa piorzinha “que tudo bem”. Cá entre nós, tudo bem o caralho!! Minha vida não é o comercial da Pepsi!! Mas já sei que eu não vou conseguir ter tudo, ser tudo, viver tudo. Porém, tenho muito: muito amor, amizade, ombro amigo, companheirismo, compreensão, alegria, risadas, gargalhadas indecentes, quase pornográficas. Sou muito: passional, alegre, feliz, emputecida com muita coisa, revoltada com outras, e eternamente insatisfeita. Vivo muito, mas cada vez mais um dia de cada vez. E então tudo bem de verdade.

A vida é feita de escolhas e acabo de me dar conta de que vivo a vida que escolhi. Se eu não tivesse me casado, certamente teria me jogado no mundo, viajaria mais, viveria em outros países, conheceria outras culturas, continuaria magra e linda. E viveria pensando no amor que teria deixado pra trás, nos cachorros que não teria tido, na pouca importância que a magreza e a beleza física têm no frigir dos ovos. É, amiga, a vida não é mole não... A gente não pode se dar ao luxo de viver pensando “what if”, senão a gente endoida. Seja você mesma, viva cada momento devagarzinho, saboreie, não tenha medo de errar. Não deixe nada mais para depois. Aos quase 35, o depois me parece muito assustador. Enfim, viva, porque no final das contas, somos o resultado das nossas experiências e seremos muito amadas assim, do nosso jeito.
 
Laeticia é solidária à Andreia e entende perfeitamente o que ela está sentindo.

Feliz coincidência pra você!

Hoje, por uma grande coincidência, encontrei um bilhetinho de uma amiga querida dizendo:
“A coincidência é a presença discreta de Deus...”, de Joanna de Angelis. 

Incrível como a vida parece ser, mesmo, um empilhado aparentemente aleatório de coincidências. Mas quando a gente se afasta um pouquinho, e olha pela lente da humildade, vê que elas estão encaixadas perfeitamente, como um Lego, formando toda a nossa existência.
Arrogantes somos quando pensamos que podemos controlar muita coisa. Devemos achar mais do que suficiente quando conseguimos controlar nossas próprias ações. E felizes somos quando aceitamos a generosidade do Universo que nos presenteia com imprevisíveis coincidências, construindo nosso caminho, passo a passo.

Renata deseja que todos consigam ver as surpreendentes coincidências que nos são generosamente oferecidas todos os dias!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desejo que você

Desejo que você...

Levante a cabeça, encare a vida e não tenha medo de vivê-la.
Aliás, desejo que você encare o medo nos olhos, estufe o peito e siga sempre em frente.
Não existem tempestades as quais não sobrevenha a calmaria.
Não existem caminhos livres de acidentes.
Só é digno da vitória quem não se acovarda diante das dificuldades.
Portanto, abandone a postura de vítima, aproprie-se de sua vida e lute por aquilo que deseja.

Déia escreve aos domingos e deseja a todos uma "inundação" de coragem...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Crise dos 35?

"Se eu tivesse observado todas as regras, 
eu nunca teria chegado a lugar nenhum"
 Marilyn Monroe


Sem dúvidas, Marilyn Monroe é uma das divas que eu mais adoro!

BELA - SEDUTORA - SURPREENDENTE- LUTADORA - SOFREDORA - COMPLICADA - AMADA - DESAMADA - FAMOSA - DIFAMADA - TALENTOSA - SOLITÁRIA...

Uma mulher que entrou para a história, que viveu apenas 36 anos, e, mesmo em 2012, 50º ano de sua morte, continua a ser lembrada, e venerada, e alvo de polêmicas. Uma Diva, Um mito, Uma mulher, Uma balzaca.

Mas porque escrever sobre ela aqui, neste nosso blog tão íntimo?
Porque ela também era uma balzaquiana, e sua fama veio pertinho dos trinta, e dos trinta não passou.
Uma mulher extrema, intensa.
Impossível, para mim, não me identificar com alguns pontos (sim, pontos, porque estou longe, bem longe de ser Marilyn).

E impossível não me questionar: o que estou fazendo da minha vida?

Tenho 34, e este ano farei 35. Minha crise dos 30 veio aos 35. Vejo minha vida, e não vejo nada de concreto por mim realizado. Sinto-me frustrada. Muito frustrada. E cansada. Não sou uma profissional de sucesso, não sou tão independente quanto gostaria de ser, não tenho um namorado/marido, não tenho filhos (achei que este lado nunca pesaria, afinal, nunca fui louca por ser mãe - e também não o quero de imediato - mas penso com mais seriedade no assunto... Sabe aquela história do relógio biológico? Não é apenas história).

Às vezes, sinto-me numa espécie de crise de meia idade (daquelas masculinas)...
Ah... como eu gostaria de ter um Editor de Vida !
Se bem que agora também gostaria de um "corretor de idade".

Quero viver tudo o que não vivi nos últimos anos neste ano. Fazer tudo que deixei para depois. Amar como se não houvesse amanhã. Respeitar meu ser e a minha maneira de ser acima de tudo. Arriscar. Não alimentar relações pessoais e familiares desgastantes. Preciso ser feliz diariamente. E não uma caricatura de mim mesma. Ou um eterno esboço de quem gostaria de ser.

Quero ser EU. Apenas isso. Lidando com meus defeitos, melhorando minhas virtudes.
Penso que quem gosta, de fato, de mim, me aceitará, e entenderá. E não me criticará (muito), ou me recriminará (muito), nem ficará eternamente me chamando de louca (ou inconsequente).

Pode parecer algo simples para a maioria... Mas, para mim, não é (embora eu pensasse o contrário, a verdade é que as opiniões alheias tem tido, em minha vida, um peso bem maior do que deveriam ter - e talvez tenham contribuído, e muito, para os meus vários anos de depressão).

Demorei, mas estou aprendendo a dar limites (aos outros, pelo menos, porque quando eu perco o meu limite, fico surda, e não me ouço). Uns me chamam de ingrata, outros, de egoísta. Sinceramente: me chamem do que quiserem! Não quero voltar a ter depressão! Não quero voltar àquele estado de apenas sobreviver. Não quero mais lacunas na minha existência.

Erro muito, eu sei. Tendo a achar que erro mais do que deveria, que sou muito mais errada que as demais pessoas. Será mesmo? Acho que não. Todos erram, afinal, "errar é humano"...

Cansei de pedir desculpas. Os equívocos são meus, não dos outros. Eventualmente, podem repercutir em outra pessoa. Mas quem realmente sofre? Quem precisa superar? Quem precisa refazer? Quem precisa se desculpar, se for o caso? Quem precisa acordar no dia seguinte? Quem precisa encarar as pessoas? Quem, de fato, lida com as consequências dos meus atos?

Eu.

Querem falar, criticar, acusar, julgar e condenar? O problema, aí, não será mais meu...

Não quero chegar aos 36 infeliz.



Andreia escreve esporadicamente, e agora está passando pela crise dos "quase 35".
Andreia quer ser apenas Andreia.
Simples assim.



domingo, 22 de janeiro de 2012

Sons da noite na cidade

"Na madrugada silenciosa
ouço passos ao longe
gritos de pavor
soluços de desespero
gargalhadas de insanidade
um estampido surdo...
e um cheiro fétido
se espalhando pelo ar..."
(escrito por mim em novembro de 2005)

Déia escreve aos domingos e hoje acordou sentindo-se um tanto quanto macabra...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Oração

Senhor
Fazei com que eu coma todos os chocolates que precisar e não engorde.
Fazei com que eu tenha forças para não matar pessoas que me irritam apenas por existir, e me dê luz para tolerar as pessoas que ousam cantarolar perto de mim.
Afasta as pessoas que não respeitam meu espaço imediato e ficam me tocando, desnecessariamente e sem ter intimidade para isso; para seu próprio bem.
Fazei com que o espelho não me mostre o quanto estou inchada e com olheiras.
Ilumina meus próximos para que não falem se asneiras que viram na televisão, porque NÃO ME IMPORTA.
Alivia, senhor, as cólicas e dores no peito. Obrigada pela existência dos filmes de mulherzinha, das amigas e de Coca-Cola.
Me dê forças para não gritar com todo mundo, por mais irritantes que as pessoas sejam.
E fazei com essa TPM acabe logo.
Amém. 

Quem quiser acrescentar pedidos, promessas, oferendas e ameaças a essa oração, fique à vontade. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

O poder da gentileza e do sorriso

Essa semana eu tive um problema de saúde e precisei ir ao pronto-atendimento no hospital. Óbvio que fui até lá esperando ser mal atendida, mal examinada e despachada apenas com um punhado de receitas na mão. Não sei como é o atendimento nos pronto-atendimentos da cidade de vocês, mas aqui onde moro geralmente os plantonistas mal pousam os olhos sobre seu rosto, não lhe examinam, lhe “entopem” de medicamentos e só.     Entretanto, fui surpreendida por uma médica plantonista extremamente atenciosa, gentil, interessada e, acima de tudo, sorridente e carinhosa.

Ela me examinou com cuidado, solicitou 3 exames diferentes, deu “1.200” explicações e foi extremamente gentil.

Eis que fiquei pensando no quanto a gentileza, o carinho e, principalmente o sorriso nos rosto (mas aquele sorriso que vem dos olhos, sabe?) fazem a diferença...

Esse episódio realmente me fez pensar no quanto atitudes simples podem mudar completamente o estado de ânimo de outra pessoa. Aquela médica provavelmente estava lá atendendo há horas, talvez estivesse até mesmo em plantão duplo (ou algo do gênero) e mesmo assim conseguia ser gentil e sorridente. 

Enfim, eu cheguei lá me sentindo péssima fisicamente e, para piorar meu estado geral, ainda estava com uma expectativa terrível... Mas graças ao carinho, cuidado e atenção daquela médica, apesar da dor física, saí de lá sorrindo e com um calorzinho gostoso no peito.

Déia escreve aos domingos e gostaria de deixar um agradecimento especial à médica Meiry Dambrós por ter feito a diferença no seu dia.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Gente pegajosa

Tá bem. Eu assumo. Sou chata. Não gosto de gente me pegando, querendo me abraçar, me beijar, relar a mão em mim a nenhum titulo. É claro que as pessoas queridas não se encontram na categoria “gente”, mas sim na categoria “pessoas queridas”. Mas este círculo é muito, muito restrito.

Meu marido tem um conhecido que não podia me ver que vinha querendo dar abraço e beijo. E eram aqueles abraços loooongos, apertaaaados, aqueles beijos compriiiiiidos!! Affe, nunca vi querer forçar tanto uma intimidade inexistente. Eu evitava, mas não era sempre que dava certo. Aí eu me sentia super desconfortável e enrijecia o corpo pra ver se o cara desconfiava, se a ficha dele caía. Coincidentemente, ele só vinha com estes abraços e beijos pegajosos longe do meu marido, então namorado. Um dia achei que a ficha dele ia cair, porque ele me soltou – sim, soltou, porque eu me sentia presa – e falou algo do tipo “o Bola é ciumento, né, ele não gosta que a gente te abrace”. Foi a deixa que eu precisava! “Na realidade quem não gosta mesmo sou eu, sabe, fulano; acho insuportável este tipo de gente que fica pondo a mão na gente sem propósito.” Tóim! Nunca mais aconteceu.

Outra coisa que acho simplesmente insuportável é gente que mal me conhece me chamando de Lê ou outro diminutivo do meu nome. Vejam bem, meus amigos costumam me chamar de Leleca. Minha família me chama de Lê. Penso que as pessoas do meu convívio não pessoal por quem tenho simpatia podem me chamar de Laeticia. E aquelas com quem convivo por obrigação, preferencialmente, devem me chamar de Maria Laeticia. À exceção, of course, de nossa colega balzaca Sílvia, que, por um mistério do universo, vira e mexe me chama de Maria Laeticia. E a Angel, que me chama simplesmente Maria. São aquelas exceções que a gente ama de verdade.

Dia destes fui à casa de uma parenta de quem gosto muito e cujo marido é extremamente simpático. Chegamos lá e havia mais convidados para o churrasco. E minha prima me chamando Lê pra cá, Lê pra lá e de repente ouço uma voz diferente, estranha aos meus ouvidos me chamando de Lê. Quase tive uma síncope. Aí a menina ficava o tempo todo me chamando de Lê. Meu desconforto era evidente, mas a “gente” não se fez de rogada e continuou. Até que meus nervos deram sinal de colapso e convidei o Bola gentilmente a ir embora dali. Evidentemente marido já havia percebido meu desconforto.

E não é que hoje um cliente veio cheio de mãos, braços e bocas quando gentilmente eu ajudei um corretor no atendimento?!! Não, meninas, eu não estou me achando. Mas sempre há quem prefira picanha a filé mignon, não é mesmo? Complicado. Ainda mas no ambiente de trabalho. E o cara veio todo, todo me tascar um beijo quando eu, prontamente, estiquei meu braço, bati no ombro dele e soltei “muito prazer em recebê-lo em nosso lounge, SENHOR fulano. O corretor tal está à sua disposição sempre que o SENHOR precisar”. O cara ficou sem graça e saiu acompanhado pelo corretor. Espero não ter matado a venda dele. Mas agüentar cliente tentando encostar em mim não está no meu contrato.

Mania feia que esta gente tem que querer contato físico toda hora, com todo mundo! De querer ser íntimo logo de cara!! Tudo bem, calor humano é muito bom, mas calor humano de quem conhecemos, neam?!! Ou então, já que é pra ficar tudo encostado, que seja no Mineirão torcendo pelo Galo, no carnaval de rua ou numa liquidação maravilhosa!! Fora destas situações, bebê, não gosto mesmo de gente relando a mão em mim!!


Laeticia é chata.










terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Livros e pessoas

Eu, leitora inveterada, por vezes acabo encontrando curiosas coincidências entre personagens, histórias e pessoas. Há pouco tempo almocei com os dois Fernão Capelo Gaivota que conheço. Um muito diferente do outro, mas duas gaivotas sonhadoras. O forte desejo de fazer algo que amam, mesmo que não seja o rumo que a maioria toma, simplesmente sendo mais um na boiada.
Desejo legítimo, não motivado pelas futilidades de querer ser diferente ou de chocar; não balizado por parâmetros alheios. Fieis a si mesmos.
Desejo por desejo, algo meio instinto. Ter nascido para isso.
Eles não querem convencer ninguém que não quer ser convencido. Não querem aparecer ou provar que estão certos. Não querem se exibir nem aparecer num programa de televisão.
Eles só querem voar.

Renata admira a persistência e a honestidade dos Fernãos. E recomenda o livro para quem não conhece, ou conhece mas já esqueceu da sensação de ir cada vez mais alto.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vegetarianos deveriam comer pedras, uma vez que alfaces também são seres vivos...

Eu já falei algumas vezes aqui no blog que sou ovo-lacto-vegetariana. Ou seja: não como carne alguma (Sim, isso mesmo, NENHUM tipo de carne) mas consumo ovos e bebo leite.

Inclusive até já comentei de situações estapafúrdias que aconteceram comigo (clique AQUI para ler).
Mas poucas coisas me deixam tão irritadas quanto me deparar com pessoas que tentam, a todo custo, ridicularizar minha opção.

Dia desses, no Facebook, um amigo muito querido postou uma bobagem qualquer sobre como os vegetarianos deveriam comer pedras, uma vez que alface também é ser vivo (Custei a acreditar que uma pessoa como ele pudesse ter postado tal coisa, mas enfim...).
:-/ 
Lendo aquilo, imediatamente me veio à mente o quanto as pessoas são preconceituosas ( e não me refiro a esse amigo especificamente e sim à grande massa).

Não consigo compreender a dificuldade que as pessoas tem em entender que quem optou por não comer carne é tão "normal" quanto qualquer outra pessoa que tenha optado por não comer pão branco, por exemplo.

Ora, e daí que eu optei por não comer carne?
Que diferença fará p/ você se minha opção foi por motivos éticos ou de saúde?
Que diferença fará na sua vida saber como "eu obtenho proteínas"?
Que lhe importa saber se eu sinto ou não "saudades" de comer carne?
(Aliás, quanto isso, se eu sentisse "saudades, eu voltaria a comer. Um tanto quanto óbvio, não?)

Não sou antissocial.
Vou a churrascos, a jantares e almoços onde as pessoas comem carne e não faço caretas de nojo quando alguém ingere um pedaço de carne.
Eu não sou dessas pessoas que saem por aí usando camisetas com vaquinhas bonitinhas segurando uma plaqueta com os dizeres: "Coma menos carne!".
Também não fico alardeando aos quatro cantos que as pessoas estão ingerindo um cadáver em estado de putrefação (com temperinhos, é claro!) a cada vez que vejo alguém colocar um pedaço de bife na boca.
Então porque cargas d'água algumas pessoas tentam fazer com que eu abra mão de minhas convicções (que, à propósito, só dizem respeito a mim) e volte a comer carne?!?
Isso me irrita profundamente!

Além disso, gostaria muito que as pessoas parassem de perguntar o que eu como "já que eu não como carne". Já estou cansada dessa pergunta besta.
E, sim, é uma pergunta besta, pois a resposta é óbvia: Eu como absolutamente tudo o que não contém carne. (Affff...)

Na verdade, alguns dias depois de ter visto o post desse meu amigo, alguém postou, também no Facebook, o link para um post do blog "Publicidade Verde", intitulado:
Genial (e divertido, inclusive)!
Recomendo a todos a leitura desse post (clique AQUI para ler).

E que fique claro que esse post não tem o intuito de propagar o vegetarianismo, nem tampouco de alfinetar meu amigo (sim, ele é meu amigo há mais de 15 anos e eu o amo muito, embora, obviamente, discordemos nessa questão), mas tão somente mostrar que "brincadeirinhas inofensivas e sem maldade" podem, sim, encher a paciência...

Déia escreve aos domingos e espera que depois desse desabafo, algumas pessoas entendam que as escolhas de cada um só dizem respeito a quem as fez.


 

sábado, 7 de janeiro de 2012

Atualizando... o primeiro notebook....

Estou com um computador novo, que ainda apanho até para digitar, de tão rápido que ele é. Bom, na verdade, é um micro bom, mas o que estou surpresa com a velocidade de processamento de dados é porque meu micro antigo era jurássico. Mesmo assim, eu só o troquei porque ele resolveu se aposentar, sem pedir permissão, depois de quase sete anos de prestação de serviços.

O fato é que, desde final de maio que ele vinha dando sérios sinais de falência múltipla.

No Final, não era todo dia que conseguia ligá-lo. (Eu já não ligava todo dia, mas ele passou a não ligar por vontade própria!) Eu, pão-dura que sou, fiquei arrasada... rs... Afinal, ele ia fazer sete anos em janeiro de 2012! Só 7 anos, e não queria mais funcionar! Um verdadeiro absurdo, só porque obsoleto já nem podia denominá-lo. Seria mais adequado pré-histórico, em avançado estágio de fossilização... rs...

Pois é, aí, quando ele entregou os pontos de vez, resolvi comprar um micro que fosse bem moderno. Comecei contando para minhas amigas que ia comprar um micro. Ouvi de três delas a mesma coisa: compre um notebook. E eu dizia que era isso que eu ia fazer. Mas elas diziam que micro é uma coisa, e notebook é outra! Lá vou eu me atualizar. Eu sei disso, mas, pra mim, notebook é só um tipo de micro que é portátil. E eu já estava verificando preços há tempos, e era só de notebooks. Mas, como eu não aprendo, depois de comprar o notebook, resolvi arrumar uma mesa para ele, pois a mesa do micro antigo estava tão estragada quanto ele, e foi embora de casa também. Eu queria uma mesa mais limpa, que desse mais espaço ao apartamento. Fui procurar. Em uma das lojas, falei com a vendedora que queria uma mesa para colocar um micro, e ela respondeu que só tinha mesas para notebooks! Eu saí da loja, e resolvi aderir. Entretanto, comprei uma mesa para colocar meu micro, que é um notebook!

Só espero que o computador portátil dure mais ou menos o mesmo tempo que o outro.


Mini-resumo: Tania gosta de tecnologia, mas é pão-dura demais para se manter

atualizada.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Laeticia no País das Maravilhas. Ou em Macondo.


“- Sonhando?
- Se esse mundo fosse só meu, tudo nele era diferente. Nada era o que é porque tudo era o que não é. E também tudo que é, por sua vez, não seria. E o que não fosse, seria. Não é?
- Sinceramente, seria bom se as coisas fizessem sentido só para variar.” (*)

Chove muito, muito mesmo em Macondo. E já se vão mais de cem anos, assim me diz meu avô. Mas não é que meu avô já não me diz coisas como antes? Talvez seja porque meu avô também já se foi e eu nem havia me dado conta até outro dia mesmo, enquanto olhava a chuva pela janela.

Chove muito, muito mesmo em Macondo. E já se vão quase dez anos que seu avô se foi, assim me diz a saudade. Mas não é que a saudade já não me diz coisas como antes? Talvez seja porque eu também já não seja como antes e disto eu só estou me dando conta agora, ouvindo o barulho da chuva que ainda cai lá fora.

Chove muito, muito mesmo em Macondo. E já se vão quase quinze anos que você se foi, assim me diz meu coração. Mas não é que meu coração já não me diz coisas como antes? Ou será que ele já não me diz coisas como antes porque eu mesma já não sou como antes? Ou será que, sim, talvez meu coração ainda me diga coisas como antes, mas eu é que não consiga mais ouvi-lo com a mesma clareza? E disto talvez eu já tenha me dado conta um dia, mas talvez tenha me esquecido também.

Chove muito, muito mesmo em Macondo. E ainda não se passou tempo algum desde que eu comecei a observar a chuva e a ouvir seu barulho da janela. Isso é o que você pensa, assim me diz uma voz. Mas não é que esta voz que tem me acompanhado desde sempre também já não me diz coisas como antes? Ou será que a voz já não me diz coisas como antes porque eu lhe dei as costas, fingi que não a ouvia? De quem será esta voz?

Chove muito, muito mesmo em Macondo. Olhando a chuva forte e ouvindo seu barulho da minha janela, sinto falta da presença do meu avô, da saudade do que passou, da força do meu coração e da voz que por tanto tempo ignorei. Sinto falta da minha própria presença, do que vivi, do que senti, do que eu ouvi, do que fui e ainda não voltei.

Chove muito, muito mesmo em Macondo. Olhando a chuva forte e ouvindo seu barulho da minha janela, dei-me conta de que ainda há tempo. Dei-me conta de que ainda há muito a ser vivido. Dei-me conta de que meu avô nunca deixou de estar presente e que minha voz só se manteve calada por um tempo porque eu havia ido embora; dei-me conta de que não me abandonou.
Chove muito, muito mesmo em Macondo. Olhando a chuva pela janela, dei-me conta de que a saudade do que se foi faz parte. Dei-me conta de que olhar pela janela e observar a chuva, ouvir seu barulho, faz parte. E dei-me conta de que sair da janela e ir me molhar na chuva também faz parte.

Chove muito, muito mesmo em Macondo. Hoje não estou mais na janela. Já não observo a chuva, tampouco ouço seu barulho de longe. Estou na rua. Estou sob a chuva, bem perto. Sinto a chuva, converso com ela. Dei-me conta de que a chuva, de perto, não me parece mais tão forte, nem tão barulhenta. Dei-me conta de que se a chuva não passar, é possível passar por ela.

Até que enfim você se deu conta, me dizem meu avô, meu coração e minha voz. Estou voltando.

Laeticia ainda há de dar-se conta de muito mais coisas.

(*)Lewis Caroll, Alice no país das maravilhas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ctrl C+ Ctrl V

Já tive pequenos desenhos copiados, algumas ideias minhas muito aprimoradas, algumas ideias que cedi de boa vontade...
Mas dessa vez, sinto-me roubada.
Não é uma imagem fofinha/ bobinha que em poucos minutos é largamente compartilhada online (adoro quando isso acontece, podem compartilhar minhas montagens!).
Foi um trabalho, voluntário, que foi muito elaborado (e já prejudicado pela baixa qualidade e erros de impressão nas duas tiragens feitas...).
Agora isso? Essa "similaridade suspeita"?
E numa instituição de ensino “maior”, que provavelmente levará a fama pela ideia original.
Gostaria muito que o "criador" dessa outra ideia se manifestasse... (ah, é, não tem nome...)
Sociedade do Pastiche!
Banalização de conceitos!
Zero respeito alheio!
Se o mundo acabasse este ano, talvez não fosse esse um bem maior ao universo?
Minhas produções, segundo muitos, são legais, mas tão legais a ponto de serem copiadas dessa forma.
Mas para mim, o que faço é inócuo.
Ainda não arquiteta, apenas uma pretensa artista sonhadora.
Sem rumo, e sem lugar.

Andreia escreve esporadicamente, mais aleatoriamente, e neste momento sofre muito ao ver sua produção gráfica sendo fonte inspiradora não autorizada de uma gráfica Ctrl C + Ctr V.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ano Novo

Todos queremos um "novo ano", um "ano bom", cheio de conquistas, realizações, objetivos alcançados etc etc etc.
Certo?
Pois bem, eu acredito que a mudança começa com cada um de nós.
Por isso, que tal começarmos nós próprios a construir esse tão almejado "ano novo"?
Pensei em algumas atitudes simples que podem, quando somadas, fazer toda a diferença. Vejamos:

*Prestar mais atenção aos sentimentos alheios (principalmente quando eles não são verbalizados);
*Sorrir mais e com sinceridade;
*Dizer "olá", "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "por favor" e "muito obrigado";
*Ser mais gentil com todos;
*Guardar menos rancor e mágoas;
*Desligar a televisão e curtir mais a família, amigos ou mesmo um bom livro;
*Buscar maneiras concretas para realizar os objetivos propostos e não apenas ficar sentado à espera;
*Manter contato com os amigos (seja por sms, e-mail, telefone etc) e dizer-lhes o quanto são importantes;
*Cultivar a tolerância;
*Cuidar menos da vida alheia e mais da sua própria;
*Se importar menos com "o que as pessaos vão dizer" e tentar ser mais leve e feliz;
*Dar um basta à ansiedade;
*Cultivar a generosidade
*Evitar sofrer por antecipação;
*Dizer sempre "eu te amo" ou "eu gosto muito de você" ou "você é muito importante para mim".
Enfim, essas são algumas atitudes que me ocorrem no momento e que, creio eu, podem contribuir para que o tão almejado "ano novo" de fato se concretize.
Nem sempre elas são fáceis (eu, pelo menos, vivo às turras com minha intolerância e minha ansiedade, por exemplo) mas também não são impossíveis de serem cultivadas.
Déia escreve aos domingos e deseja um Ano Novo, repleto de atitudes que possam, efetivamente, tornar 2012 um ano realmente "novo".
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