terça-feira, 29 de maio de 2012

Troca troca

Há algumas semanas fizemos na minha casa uma sessão de trocas. Amigos vieram e trouxeram suas coisas para trocar: livros, roupas, bijuterias, jogos...o que fosse. Também era permitido para os mais apegados apenas emprestar, pois tem gente (culpada!) que se apega a alguns livros.
Passamos horas comendo, bebendo e conversando. E trocando, é claro! Como era a primeira vez, as trocas foram tímidas. Mas surgiram várias lembranças de coisas que poderiam ser trocadas numa próxima oportunidade, e que doravante vão ser guardadas com carinho.
Foi muito legal! Além do convívio e da tarde agradável que passamos (estava friozinho, e tinha pinhão e vinho) nós demos uma movimentação as coisas que de outra forma iriam servir para juntar pó nas nossas casas ou iriam ser descartadas.
Ao invés de comprar mais coisas, movimentamos o que já havia no nossos sistema, por assim dizer, aumentando a vida útil desses objetos, e satisfazendo a necessidade de comprar aquilo. Colocar cada vez menos elementos novos no ciclo. E de quebra, conhecer melhor seus amigos e tirar um tempo para interagir.
Foi super simples, com pouca gente, e o resultado foi ótimo!


Renata recomenda a todos pensar em outras soluções que não comprar: trocar, emprestar, reutilizar, modificar, transformar. Se tornar um pouco mais sustentável, em cada pequeno aspecto.

sábado, 19 de maio de 2012

Era uma vez um bolo de chocolate

Oi, meu nome é Mariana, tenho 31 anos e estou aqui pra fazer uma confissão séria: acabei de comer um bolo de chocolate. Isso mesmo que vocês estão lendo, vou repetir, acabei de comer um bolo de chocolate inteiro, sozinha. E não foi daqueles bolinhos pequenos metidos a besta que estão na moda não, foi daqueles bolos a moda antiga, daquelas formas com furo no meio e tal. Há muuuuito tempo mudei minha alimentação e doce (minha grande e universal tara) foi o corte mais radical que tive que fazer. Pra terem noção tenho meio ovo de páscoa até hoje no armário. Realmente me tornei uma pessoa contida e controlada. Mas é que hoje acordei absurdamente gripada, febre alta e não fui trabalhar. Sozinha em casa, doente, puro dengo. A única solução pra isso foi fazer um suculento bolo de chocolate que comi ainda quente. Inteiro. E só pra dar uma culpinha básica, fiz calda – de chocolate, é claro! Agora tô aqui terminando de tomar o litro de chá quente que fiz pra acompanhar o bolo e fazendo as contas de quantas voltas na piscina terei que dar pra compensar esse momento de histeria! E viva o chocolate!



Mariana escreve esporadicamente. Atchimmm!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tá Louca? Tá bem? Tá feliz?

Sim!!! Tô louca! Tô bem! Tô feliz!!

Meninas, este negócio de ser “chefe” é uma ilusão danada! A gente acha que vai ter autonomia, ganhar bem e ter alguma encheção de saco. Na prática, a gente não tem autonomia NENHUMA, ganha relativamente bem e tem encheção de saco o tempo inteiro! Qualidade de vida ZERO. Não deu pra mim. Este estilo paulista de viver é uma doideira. O povo acha que vc tem que ficar disponível 24h por dia, 7 dias por semana. Chegou a ponto do gerente de SP reclamar comigo que eu não tinha respondido um email que ele havia me enviado às 22h de um domingo!! Disse que precisava de mais agilidade. Sinceramente?! Mineiro não funciona assim. Não é à toa que Belo Horizonte é praça de testes de produtos rsrs Povo chaaaaato!! No Carnaval tive uma crise de choro; voltei a tomar antidepressivo. Até que comecei a ter vontade de quebrar o telefone cada vez que ele tocava. Um dia meu chefe me ligou QUATORZE vezes pra falar a mesma coisa e eu já tinha respondido na primeira que só ia rolar no dia seguinte. Ratifiquei minha conclusão de que dinheiro realmente não compra tudo, liguei pro meu antigo diretor, pedi pra voltar como corretora – não queria nada de coordenação, supervisão, gerência – e ele disse que eu podia voltar na hora. Queria que eu assumisse cargo de gestão, mas não ando querendo. Preciso cuidar da minha saúde, ajudar meu marido a cuidar da dele. Estamos gordos demais. Pedi demissão. Voltei pro emprego antigo, como corretora, mas antes recebi outras duas propostas de trabalho pra gerente e declinei. Fui com meu marido a uma nutri e estamos seguindo o plano alimentar direitinho, nos matriculamos na academia e vamos pelo menos três vezes por semana. Não tenho mais horário pra cumprir. Posso estudar tranqüila sábado sim, sábado não, nos findis só trabalho se tiver cliente agendado e estou viciada em Game Of Thrones rsrs Pra melhorar, uma semana depois que completei 35 anos um carro com quatro carinhas de menos de 30 bateu no carro da frente de tanto que os caras estavam me olhando!! Até conferi pra ver se eu não estava com a roupa suja ou a meia desfiada, mas eles estavam era achando bonito mesmo. Fiquei me achando!! kkkkkk 35 com chassi de 30!! Estou aliviada. Estou feliiiiiz da vida.

Laeticia está louca, está bem e muito feliz!!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dos 3 aos 30 – o tempo voa e não para

Rio Branco, Acre. Sim, ele existe e eu vim de lá, ACREdite! 1985, três anos de vida. Filha única, casa de madeira, calcinha e pés descalços no chão. Chupeta, a companheira inseparável e a mamadeira, às manhãs. Feio até falar isso de alguém que viria a se tornar fonoaudióloga um dia. Mas disposta a abandonar os tais “hábitos orais deletérios” (é claro que nessa época eu lá sabia que diacho isso significava!), aos cinco anos, numa determinação corajosa para alguém da idade, declarei: tchau, chupeta. E com ela foi embora a Gabi bebê. Como recompensa, ganhei uma bicicleta de “rodinhas”. Mas digo que parei por aí, no quesito bicicleta. Lamento até hoje não ter a “desenvoltura” dos amigos que embarcam nas aventuras sobre duas rodas, enfrentam trilhas, longas estradas e até mesmo o trânsito. Mas ok, me contento com as viagens sob quatro rodas – não mais “rodinhas”. Viajar de carro é uma grande paixão, por sinal. Na verdade, viajar é uma grande paixão. Mas vamos por partes, ainda estamos nos 5 e nessa época as viagens ainda não eram possíveis....

Após 9 anos como filha única, passei a dividir as atenções com mais uma mocinha, Rafaela, minha irmã de cachinhos dourados. Desde então passei a exercitar meu lado maternal e cuidador. Mesmo sem querer, me sentia muito responsável por aquela criaturinha. Sensação curiosa de ser meio mãe aos 9... Bom, a fase “Xou da Xuxa” passou e a “era mocinha” chegou precocemente, aos 11. Foi bem numa virada do ano (imagine, de branco, que beleza!!), numas férias com a família, em Fortaleza, Ceará. E assim, uma nova Gabriela ia chegando, uma menina-moça precoce. Precoce em tudo. Era um ano adiantada na escola, sempre quis estar no meio dos adultos, beijei e namorei mais cedo que as amigas, fui morar sozinha muito cedo. Quem sabe pelos meus pais terem me tido muito novos (olha a cacofonia entregando! Haha!), com 20 anos, e eu era a única criança na turma de amigos deles, os meus “tios”. Engraçado porque hoje eu que sou a tia Gabi, a tia de coração dos filhos dos amigos.... É, o tempo passa, o tempo voa...

Num salto pros 13, Renato Russo na cabeça, no toca-fitas e nos cadernos. Colégio das irmãs, na época o chamado ginásio. A vida e os ideais eram românticos. Bolava planos com uma amiga de Curitiba de irmos a sua terra natal fazer Medicina na federal (como se entrar numa faculdade pública de Medicina fosse a coisa mais fácil do mundo!), e depois abrirmos uma mega instituição, onde pessoas carentes seriam medicadas, receberiam banho, comida e roupas decentes.. Ah, como éramos ingênuas e idealistas!... Hoje essa amiga é bióloga e virou empresária, tem um Centro de Yoga e SPA. Não deixa de ser um centro de bem estar, afinal! E eu virei o que meu avô insiste em dizer, “quase médica”. Bem, eu insisto com ele que não, mas sabe como são essas pessoas de antigamente: vestiu branco, virou doutor!

Na verdade, na verdade, esse meu idealismo meio visionário sempre esteve dentro, só recebe pequenas doses de realismo ao passar dos anos. Filha de mãe administradora e de pai professor de História, já quis seguir os passos do meu pai. Ele pulou longe: “- Não, minha filha. Não queira esse fardo. Vida de professor não é fácil”. Mas a vontade do ensino, da troca e de estar e trabalhar em grupo, nunca saiu, nunca me abandonou. E hoje, na construção de minha identidade profissional, tenho tido mais certeza disso.

Pois bem, avancemos aos 15. Metade do segundo ano do segundo grau, pais devidamente convencidos e eu, a tal amiga curitibana e sua irmã, embarcamos juntas numa aventura ao novo, pelo menos pra mim: do Acre ao Paraná, de Rio Branco a Curitiba. Acreditem, o choque é grande. De clima tempo, à clima pessoas. Uma grande experiência que merece textos à parte.

Seis anos, muitos amigos, muitos caminhos e muitas histórias. O sonho de médica veio por água a baixo, após dois anos de vestibulares em todo tipo de universidade pública do Brasil que se possa imaginar. Nesses muitos caminhos, acabei caindo de paraquedas num curso que hoje eu digo que só não gostava antes porque não conhecia (e também não me conhecia o suficiente, diga-se de passagem): Fonoaudiologia. Nenhum outro curso poderia cair tão bem para uma pessoa que ADORA se comunicar, que gosta de gente, que gosta do cuidar, mas que também AMA cultura, arte, música e educação. Sim, a tal educação, lembra? Pois é. Descobri que Medicina era um sonho utópico e estava um tanto longe da minha essência. A propósito, faço um parênteses aqui e digo que acho de muita responsabilidade tomar uma decisão de extrema importância que é a “o você vai ser quando crescer” com apenas 18 anos.

Quatro anos de faculdade, muitos amigos, muitos caminhos, muitas histórias, com direito a namorado argentino e tudo no fim do trajeto (que tinha 39 anos, o que representou muito para alguém que só tinha 21!!). Bem, o namoro não vingou (ele estava pronto para casar e eu ainda não) e a volta, o retorno, o “fechamento de ciclo” foi certa: Acre, de volta pra casa, vamos nós.

Casa dos pais. Não preciso nem dizer que o choque foi grande, agora ao inverso, depois de seis anos morando sozinha, pseudo “dona do próprio nariz” (pseudo porque quem me sustentava de fato até então ainda eram meus pais). Batalhas e colaborações do destino (me considero uma pessoa de sorte, graças a Deus!), após passar em dois concursos públicos, um do município e outro do estado, para trabalhar como fono, fui contemplada num desses apartamentos populares pra (voltar) a morar sozinha. Posso dizer que essa série de acontecimentos foram divisores de água na minha vida. A partir daí já estava com os dois pés na vida adulta, uma vez que já tinha meu emprego, já ganhava meu próprio dinheiro e já pagava minhas próprias contas. De pseudo dona do meu nariz, passei para assalariada endividada, com carro novo e viagens anuais para rever os amigos das terras gélidas do sul, e assim, desestressar o pancadão da vida de gente grande.

Sete anos de volta à terra, numa cidade provinciana de só um cinema (na época, porque hoje já tem um shopping com cinema de primeira que não só passa filme dublado, graças!!) acabaram por fadar uma pessoa que AMA novidades, conhecimento, movimento e diversidade de opções de tudo. Os dois cursos de especialização não saciavam o lado curioso de querer aprender sempre mais, e lá vou eu de volta ao novo, ao diferente, a velha busca incessante pela conquista: Bauru, mestrado em Fonoaudiologia na USP. Novos amigos, novos caminhos, muitas histórias, com o adicional de uma cachorra adotada, que em outra ocasião comento. E então... de repente, 30, finalmente! Mas é isso... o tempo voa e não para.

Após dois anos morando em Bauru, dissertação já nos finalmente, a hora do “estou de volta pra casa outra vez” chegou. Móveis vendidos, cachorrinha despachada e o resto da vida material dentro de um carro que embarca num caminhão cegonha pra casa logo mais. E daqui vos falo, Aeroporto de Congonhas,17h15, numa escala de voo infinito de volta pra casa (sim, o Acre existe mas é longe pra dedel, tipo 4 mil km!!), escrevendo essa mini biografia da minha vida (que de mini não tem nada; acreditem, fono fala pra caramba!) numa tentativa de passar o tempo e driblar a ansiedade. Mais uma vez o coração com esperança desse “novo de novo” e a saudade no peito dos amigos que fiz, deixei, mas que prometo rever. Falando nisso, metade dos amigos que fiz por aí diz que vai conhecer o Acre, mas apenas 2 ou 3, os mais corajosos, acabam indo.

É.. são muitos lugares, muitos caminhos e muitas histórias.... E sobre mim e esses muitos caminhos, lugares e histórias, conto com tempo. A emoção, devaneios e divagações sobre a chegada dos 30 também merecem capítulos à parte. Afinal, sobre isso envolve esse blog e essas super balzaquianas que aqui compartilham suas vidas e pensamentos.

Obrigada por me receberem, meninas! Um agradecimento especial à Renata, que respondeu ao meu email do tipo “que-lindo-tudo-isso, posso-fazer-parte-também, deixa-deixa?”, de forma super receptiva e acolhedora. E como ela mesmo disse, mentes novas são sempre bem-vindas e eu concordo. Por isso a vontade de me misturar por aqui, bem no estilo de novos baianos: “vou mostrando como sou e vou sendo como posso∕jogando meu corpo no mundo∕ andando por todos os cantos ∕ e pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto.” Comecemos os trabalhos então, porque o tempo voa, o tempo passa e não para!

Gabriela começa a escrever esporadicamente!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Linhas aéreas não tão inteligentes

Causo da semana: como viajar de Porto (nem sempre tão Alegre) para Porto (nem sempre tão seguro) em 43 horas em sem passar por um deles. Parece impossível? Mas não no Brasil.
Minha filha partiu de ônibus para Porto Alegre, de onde voaria para Porto Seguro com escala em São Paulo. Chegando em São Paulo, muita desinformação depois, soubemos que alguns vôos não estavam pousando em Porto Seguro por causa da chuva. Eu telefonei para o aeroporto e fui informada de que o aeroporto não estava fechado, que alguns vôos estavam pousando e que no dia seguinte tudo correria normalmente, se "Deus quiser". Levantamos a possibilidade de ela viajar para Vitória, dormir na casa de um amigo desses "para todas as horas" e de lá viria de ônibus. A resposta foi que só se eu comprasse outra passagem e perdesse o trecho até Porto, pois eles não podiam alterar o destino.
Ela passou a noite em São Paulo, saiu do hotel às 4 da manhã, pegou o vôo às 6 da manhã e chegou em: Salvador! Porque não foi possível pousar novamente em Porto Seguro. Mudaram o destino? Me pareceu...Não sou gênio em geografia, mas me pareceu.
Lá em Salvador deram opções: ir de ônibus até Porto (leva 12 horas e ela teria que procurar um hotel tarde da noite para pernoitar e seguir viagem no dia seguinte); voltar a São Paulo; voltar a Porto Alegre; esperar em Salvador alguns dias até poder voar para Porto Seguro. Resposta: nenhuma das anteriores!
A nossa preferência era voar até Vitória e vir de ônibus, pois assim os horários fechariam. Ela foi pedir o reembolso, pois afinal de contas ela não chegou ao seu destino, e não recebeu. Motivo: ela já tinha chegado ao seu destino! Como?!
Se reembolso ou qualquer desconto em outro trecho, compramos uma passagem por outra companhia aérea, ela voou para Vitória, pegou um ônibus e 7 horas de estrada até uma cidade próxima. Uma amiga e eu fomos buscá-la de carro, e às 3 da manhã, dois dias depois, de ter saído de casa ela chegou!
Parece piada, que num país desse tamanho, se brinque desse jeito! Falta de informação, de opções, de consideração, de respeito! Ela chegou, estamos curtindo muito o tempo juntas, mas não poderaiadeixar essa história sem o registro.

Renata espera que essa história não desanime futuras visitas, da filha e dos amigos. Mas recomenda evitar o tal trajeto!

Tradução de mim...

Existe um poema, do Ferreira Gullar, que, quando li pela primeira vez, me identifiquei de imediato.
Até fiz uma imagem, mesclando-o com uma foto (que hoje "resgatei" e postei em outro blog, vários meses depois...).

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Traduzindo...

Tenho necessidade de conexão e interação, com as pessoas que gosto, e com aquelas que nem conheço (sou assumidamente uma viciada em redes sociais). Porém, ao mesmo tempo, gosto de estar sozinha, e assim fico por períodos maiores do que deveria. Essa solidão social, na vida "real", que às vezes é bem-vinda, muitas outras me deprime.

Costumo pensar e analisar (até demais) minhas atitudes, relações, ambições, passado e futuro, negligenciando o presente frequentemente. E essa minha mania de sempre pensar, questionar e criticar tudo ao meu redor, especialmente eu mesma, faz meu pensamento viajar... Deliro. Deliro muito. E a melhor parte do meu ser é este meu Eu Delirante, assim como a pior.

Meu Eu Delirante é aquele divertido, agitado, que cria e  inova, que quer mudar o mundo. Meu Eu Delirante é aquele que machuca, que me reduz a um grão de poeira cósmica, que reflete minha insignificância no mundo, que congela e paralisa. É um amigo perigoso, meu querido " friendenemy ".

É um ser que não posso aprisionar, pois se o fizer (já fiz) os resultados serão catastróficos (sim, também é um Eu Superlativo). Então o liberto em imagens pretensiosamente artísticas. Tenho necessidade de expressão, e ele é o responsável. Um dia, talvez, quem sabe, esse meu Eu se traduzirá em Arte.




Andreia escreve esporadicamente, pois fica muito tempo delirando, algum desenhando e manipulando imagens,  e pouco escrevendo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O causo da carteira

Esse é da série "coisas que só acontecem comigo". Há algumas semanas, passei o final de semana em um lugar paradisíaco! Praia, mar, rio, mangue, pessoas muito legais e a água de coco mais doce que se tem notícia! Tudo lindo! Mas como lá quase ninguém aceita cartão, separei a habilitação e um dinheiro, e guardei a carteira na mala.
Desfiz a mala com toda a apressa, e na segunda-feira percebi que estava sem carteira. Pensei: tenho que lembrar de procurar na mala. Obviamente, esqueci. E na terça -feira o mesmo pensamento se repetiu.
O detalhe é que nunca perco minha carteira, não sou dessas.
Terça-feira, no meio da tarde recebo um telefonema, no trabalho:
- Você é a Renata?
- Sim.
- Você perdeu sua carteira?
Pensei com meus botões e dei a única resposta que podia:
- Acho que sim...
Resumo da ópera: eu deixei a carteira no balcão de um restaurante, em outra cidade. O pessoal de lá investigou tudo o que havia lá dentro. Como minha carteira é, na verdade, um porta cartões, não há muito o que investigar.
Encontraram minha carteira de mergulhadora e deduziram: se ela mergulha, o pessoal do ICMBio deve conhecer! Levaram minha carteria lá, mas a foto é antiga e niguém reconheceu. Pelo nome, acharam que eu podia ser amiga de uma amiga minha. Ligaram pra ela, que passou meu contato.
À noite fui buscar a carteira, que estava com TUDO dentro. Inacreditável!
Ainda por cima fiz duas amigas, as investigadores do Prado! Essas pessoas não só tiveram boa vontade extrema em devolver a carteira, como foram atrás e se empenharam!
É bom ver que tem gente do bem!

Renata se admira quanto encontra pessoa do bem. Mas não devia, ela acha que isso deveria ser normal.

Preocupações

Costumo escrever coisas engraçadas, dicas culturais ou observações despreocupadas sobre amenidades neste blog. Somente alguns textos são um pouco mais profundo, sobre algum tema relevante. Entretanto, há assuntos que me preocupam demais. Já escrevi sobre tolerância religiosa, sobre algumas compulsões da atualidade, como busca excessiva pela beleza e pela magreza, e sobre a violência contra algumas classes profissionais, como a dos professores. Como não gosto de ficar insistindo, ou escrevendo demais, por temer cair no dramalhão e perder o crédito, acabo preferindo temas mais brandos.

Mas hoje não será possível ir para a brincadeira. Tenho me preocupado muito com as obsessões de nossa sociedade. Dessa vez, o que me deixa chateada é essa vontade de vencer custe o que custar; essa gana de crescer na carreira, de subir na vida, sem se importar com os outros, sem se importar com a real qualidade de vida. E esse comportamento tem se alastrado com uma velocidade assustadora. O que me deixa triste é que a maioria das pessoas com quem convivo tem se comportado assim, e chego a não ter assunto para conversar com elas, pois é somente de vencer na vida, ascender profissionalmente que se tem falado. Não é mais o amor “que anda nas cabeças, anda nas bocas”. Ninguém mais se preocupa nem mesmo com seus próprios sentimentos. O que vale é ter status; é ter sucesso na carreira.

Isso me incomoda demais, porque não consigo, e nem quero ser assim. Mas é difícil conviver com as pessoas, e discordar o tempo todo. A gente fica antipatizada. E, mesmo correndo esse risco, prefiro meu modo de vida. É claro que quero crescer profissionalmente, e, como todo mundo ter sucesso na vida. Mas não quero a qualquer custo. Não quero abrir mão de meus valores, e quero ter outros assuntos pra conversar. Quero comentar filmes que vi, músicas que ouvi, amores que tive, amizades que me são importantes, fatos engraçados e corriqueiros, sem me preocupar com minha postura para ganhar uma promoção no trabalho. Quero trabalhar com a minha competência, e merecer as promoções que possam acontecer, mas sem deixar de ter personalidade, e opinião. Quero continuar com minha vida sem excessos, ou com poucos excessos, e curtir um jantar a dois, ou uma cerveja no bar. Quero vestir num dia roupa social, e no outro, jeans. Quero ser eu, e não ter que pedir desculpas por não me portar como a maioria. Mas essa é a minha tarefa diária mais difícil.



Mini-resumo: Tania não sabe como escrever sobre essa obsessão de sucesso profissional, sem ser chata. Mas ela tem se preocupado muito com o tema.

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