Terá sido tão de repente assim? Desaceleramos muito com a proximidade dos 40. Aprendemos a caminhar apreciando o caminho ao invés de correr loucamente para chegar sabe-se lá onde. Descobrimos que todas queremos chegar lá, e que o lá de cada uma é diferente. Aprendemos a olhar de dentro para fora. Muita coisa aconteceu nesta década. Crianças nasceram, animais de estimação se foram, relações se fortaleceram, outras, desvaneceram. Aprendemos muito. Principalmente que dividir só nos faz melhores.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Papo calcinha ou drink de vampiro
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Eu não visto 38, e daí?
sábado, 29 de março de 2014
Mulher Maravilha
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
trans-FORMAÇÃO
sábado, 28 de setembro de 2013
Sonhava que estava sonhando
sábado, 22 de junho de 2013
Violência
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Providências para o outono
-passar a noite no telhado examinando o céu;
-arrumar as gavetas e armário;
-convidar alguém para tomar chá;
-sair do emprego;
-perder o equilíbrio;
-tomar sol com as tartarugas;
-atualizar as vacinas;
-correr para pegar o ônibus;
-amarelo, azul, o vento, astronomia, pôquer, carpintaria, os jardins;
-sair para comprar couve;
-tomar coragem;
-convidar aquele gatinho pra jantar.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Foco na Missão
Dentista, RPG, acupuntura, ioga, mamografia, conversar com a chefe. Voltar pra natação, cortar o cabelo, cuidar da alimentação, vermífogo do cachorro, levar vitrola pro conserto. Replantar uns vazos, semear umas sementes, pintar as paredes da casa, manutenção do minhocário, consertar vazamentos no banheiro, cozinha e tanque.
Finda o carnaval, começa o ano. Recomeço da rotina, se reinventando e levando comigo o amor e a leveza vividos nos dias de folia!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Grrrrr...
Amiga: - Oi, tá boa?
Mari: - Não!
Amiga: - ...
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Abrindo Caminho
Depois de meu completo desaparecimento, acho que agora finalmente estou de volta. Nesse período esbocei inúmeros textos, tinha vários prontinhos na cabeça, mas cadê forças e tempo pra escrever? A vida andou me pregando muitas peças nos últimos meses! Quebrei dedo, perdi dente. Desapeguei do trabalho, decidi cuidar mais de mim e dedico um tico do meu tempo todo dia a minha horta-jardim (aliás, alguém aí sabe como combater lagartas num pé de maracujá?). Fui do hospital com a mãe ao alto da montanha meditar. Meditar uma ova, me coloquei de castigo isso sim. Sabe quando a gente é criança e colocam a gente num cantinho pra pensar sobre nossas atitudes? Foi exatamente isso que eu fiz. Troquei a miniférias pelo castigo e não me arrependo nadinha. Pois bem, pode sair do castigo nêga. Saia do castigo e recomece, reinvente, se dê uma nova chance.
Nesse processo tenho um balancete parcial: acredito cada vez menos no que diz a TV e no que está escrito no jornal; pela primeira vez na vida me acho bonita; ainda me chateio com a ignorância e egoísmo do mundo (Funai, demarque de maneira digna as terras indígenas? Era tudo deles, tá tudo errado!).
sábado, 19 de maio de 2012
Era uma vez um bolo de chocolate
segunda-feira, 12 de março de 2012
Ar
Mariana escreve esporadicamente, gosta de brincar com as palavras, não tem nenhum problema respiratório mas está com uma leve falta de ...ar!
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Era pra ser
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Kombinado
Há alguns domingos atrás recebemos em casa um simpático casal de chilenos. Havia ganhado algumas espigas de milho, e como não sabia se eram vegetarianos ou não, tratei de fazer uma polenta, mas no lugar da carne, berinjelas. Pra acompanhar arroz, brócolis, pasta de grão de bico, cerveja e música mineira. Felipe e Daniela, jovens como nós, há algum tempo partiram de Santiago a bordo de uma Kombi roxa e bege muito charmosa com um ousado e brilhante projeto de vida: percorrer a América Latina por terra.
Fizeram um diário de bordo (www.americasintiempo.blogspot.com), registrando lugares, rotas, imprevistos, aventuras e as pessoas que vão conhecendo ao longo do caminho. Do pouco convívio, ficou muito aprendizado. Viver em espaço pequeno, produzir o mínimo possível de lixo, gastar o mínimo possível de dinheiro, ter cabeça e coração aberto. Viver de modo inteiro cada momento, sabendo que nunca mais vai estar naquele lugar na vida e talvez nunca mais veja as pessoas que conheceu. Afeto, respeito, companheirismo e leveza. Mas principalmente desapego.
Mariana escreve esporadicamente e anda cansada do egoísmo do mundo, mas sorri com micro cápsulas de otimismo e inquietude que a vida às vezes lhe presenteia.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Dados e dores
Há três anos e meio, um canal. Lá dentro, cinco milímetros de lima. Uma restauração mal feita, anos de infiltração. Uma fratura no assoalho do dente quarenta e seis. Uma extração, duas raízes agarradas, alguns pontos, sete litros de lágrimas e muito, muito sofrimento, nenhum dia de atestado. Três noites sem dormir. Quase enlouquecendo, vontade de bater a cabeça na parede, clínica de urgência. Dez minutos de espera, mais um raio-x, dois cirurgiões. Muitas anestesias, sangue, sete pontos, mais um raio-x. Cinco comprimidos de seis em seis horas, compressa de gelo de hora em hora. Uma semana sem beber, dois dias de atestado, dois dias de repouso. Agora sim, um dente a menos na boca.
Mariana escreve esporadicamente e a coisa que tem mais medo na vida é dentista. Tem passado por um ano frankstein – quebra daqui, costura de lá.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Destruir para recomeçar
Tem dias que a gente acorda com vontade de brincar de destruir coisas. Jogar uns pratos na parede, esfregar lama em obras de arte, desmanchar as linhas retas da arquitetura careta. Cortar os cabos que conectam as tomadas, desligar a energia central. Deixar no escuro toda a mentira que brilha às três da tarde. Arremessar pedregulhos nas vitrines humanas e fazer sangrar a verdade que cada um esconde no peito. Mas acho que não conseguiria queimar todos os livros de poesia, arranhar os discos e quebrar a vitrola.
Mariana escreve esporadicamente num constante processo de desapego e transformação; e acha que todo mundo deveria assistir o filme Clube da Luta.
sábado, 7 de maio de 2011
Sobre Medo e Coração
Temo a mesmice. Temo o egoísmo. Temo a falta de se deixar levar. Temo a cidade cheia de individualismo e a falta de tempo. Temo o tempo. A falta e a demasia. E temo ter todo tempo do mundo pra fazer absolutamente nada. Ou melhor: pra fazer exatamente o que quero. Ver é diferente de olhar. E disso já estou farta.
Mas nesse exato momento, o que menos esperava era conforto. Precisava mesmo era de tempestade, de um redemoinho que a levasse pra onde havia deixado sua essência. Precisava viver sua vida e decidir o que queria comer no jantar. Pois é, ela sabia disso direitinho. Sabia de todos os poréns do seu dia-a-dia e resmungava solitariamente que a partir daquela semana as coisas seriam diferentes. Nada fazia sentido. Nem sua pouca felicidade. Nem o fato de acordar tarde todos os dias implorando pro tempo passar mais rápido. Nem seus não-filhos. Nem a solidão. Nada disso fazia sentido, mas a fazia grande. De alguma forma. E, apesar de continuar ali, naquele vácuo de vida, lembrava da ferida aberta bem no meio do seu coração. A casca caída no chão. Juntou cada pedaço pequenininho e jogou um por um no lixo do banheiro. Ferida. Pele. Casca. Coração.
Mariana está bem e escreve esporadicamente. Está finalmente curada das feridas do corpo. As da alma permanecem em seu lento, porém progressivo processo de cicatrização.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Nua Árvore
E é outono; amarelo, laranja e vermelho.
Das janelas da gaiola a gaivota não conseguiu ver a super lua. Mariana lamenta, escreve esporadicamente e ganhou uma vitrola do seu tio caçula.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Pele
Hoje acordei com saudade da sua pele. Saudade do cheiro e do calor da pele da sua nuca – confesso ter uma queda especial por nucas. Foda-se aromas que se compra em frasco. Quando gosto, gosto mesmo é do cheiro da pele.
Mariana escreve esporadicamente e acordou cantarolando: “deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa...”, de Chico Buarque.
sábado, 5 de março de 2011
Já?!
Amanhã faço 30 anos. Carnaval passado fui pros blocos do Rio arrastada por um grande amigo. Lá o bichinho da folia me picou. Sábado passado comprei um ganzá e ajudei a engrossar o caldo da bateria de um bloco daqui. Há quatro dias descobri que quebrei o pé esquerdo no mesmo dia que comprei o ganzá. Não sei exatamente quando começou meu infernal astral, mas sei que ele existe forte em mim, progressivamente cruel. Hoje urrei de dor no pé durante a noite, acordei me sentindo um monstro e logo depois percebi que além de inferno astral estava também de TPM. A previsão do tempo pra amanhã é de chuva o dia todo. Acho que meus 30 anos chegaram rápido demais, dá pra esperar eu tirar o gesso e o tédio passar?
Mariana escreve esporadicamente, e sempre sonhou com uma festa de arromba para os seus 30 anos, mas o que a vida lhe deu de presente foi um pé quebrado. Neste exato momento tudo que ela queria era poder dormir de lado ou de bruços.
