quarta-feira, 29 de abril de 2009

Para que serve um irmão

Irmão serve pra gente não se sentir nem tão só, nem tão sufocado pelos pais quando chega neste mundo. Irmão serve pra gente admirar desde pequenininho. Serve pra ter o brinquedo que sonhamos que ele nos empreste, ou melhor, que sonhamos que ele brinque conosco. 

Irmão serve para nos dedurar para os pais quando a gente fez ou deixou de fazer alguma coisa, quando comemos o que não devíamos, chegamos na hora errada, andamos com quem não podíamos e ainda tivemos a ilusão de que conseguiríamos esconder tudo isso. Mas, incrivelmente, também serve para acobertar todos os mesmos pequenos crimes, quando estiver em boa lua conosco. Nestas horas, jura até pela morte da mãe sobre algo que nem é tão verdade assim. 

Irmão serve pra ser o primeiro a nos mostrar que no mundo, opa, tem gente que veio antes em qualquer situação, e que terá direitos em função disso, legítimos ou não, mesmo que consideremos isso injusto, às vezes. Mas tem o outro lado também, pois possivelmente eles sofreram mais do que nós em muitas coisas que nossos pais já estavam mais amaciados quando chegou nossa vez. Então, irmão também serve pra gente aprender a dar valor para os pioneiros que abriram alas em qualquer situação. 

Irmão serve para nos ensinar a andar de bicicleta e a nos esconder ou correr mais rápido (geralmente aprendemos isso quando fugimos dele, mas acaba servindo para muitas outras coisas). Irmão serve pra fazer cabana na sala e acampamento no quintal. Também nos ensina como fazer chantagem emocional e porque o que funciona com os pais não funciona na rua. 

Irmão serve pra nos mostrar que a gente está ridícula com aquela roupa (melhor ouvir a gozação em casa do que dos amigos, não?). Ou pra nos dizer que a gente está linda, quando não está, só porque sabe que vai deixar a gente feliz. 

Irmão serve para nos levar pela primeira vez na reunião dançante, na balada, ou para fazer algo bem proibido, escondido dos pais, obviamente. 

Irmão serve para nos defender até o fim fora de casa, com unhas, dentes e porrada, se for preciso, mesmo que estejamos de mal há duas semanas dentro de casa. Se souber bastante palavrão então, ou arrota bem alto, estamos feitos. 

Irmão serve para desabafar, pra ser alguém que podemos xingar e pedir desculpas com facilidade. Serve para dar colo quando nos sentimos sós, para encher a cara com a gente, quando queremos esquecer de alguma coisa, ou para ficar em silêncio, vendo as estrelas e ouvindo o barulho do mundo quando o coração precisa ficar mais leve. 

Irmão serve para nos dizer, sem firulas, que um namorado é um babaca, ou que um outro é um cara legal, e que, já que não podemos fugir de experimentar o que existe neste mundo, porque não tentar? 

Irmão serve pra entrar na igreja com a gente, quando o pai já se foi. Serve pra rir quando a gente tropeça, ou faz uma cagada, fazendo a gente ver que nada é tão grave nesse mundo. Serve pra se emocionar quando a gente consegue andar de bicicleta, se formar ou conseguir um emprego legal, mesmo sabendo que, em todos os casos, estamos indo embora. 

Irmão serve pra gente começar a aprender de um jeito mais fácil como é o tal esquema de amar e ser amado. Irmão serve pra nos dar sobrinhos que amaremos como nós amamos a ele, e a quem defenderemos como ele nos defendeu, por toda a vida. 

Para os que  egoisticamente foram os únicos que nasceram de uma barriga, muita calma. IRMÃO deve ser entendido não só como aquele de sangue, e que merece esta definição, mas sim, como aquele que cuidadosa, e raramente escolhemos chamar de nosso irmão, seja de sangue ou não. Abençoados aqueles que, como eu, podem chamar com orgulho de IRMÃO os que vieram dos mesmos pais. 

E desculpando-me pela delonga, mas já sem resistir, segue uma música das mais simples, e mais lindas, que eu já ouvi. 

Corpo e Alma - Kleiton e Kledir

 

Quando eu era assim
Bem menor
Não tive afim, sei lá
De pensar em nós
Agora eu sei e entendo melhor
Vidente eu li no céu
Vai por mim, somos corpo e alma
Meu irmão, meu par

Quando a solidão
Se enredar em ti
E o coração dançar
Conta comigo
Eu quero estar, viu
A teu lado
E haja o que houver
Junto a ti, feito corpo e alma
Meu irmão, meu par

Sei que a vida vai aprontar
E o que vier, azar
A dois é fácil segurar
Se Deus deixar, viu
Meu amigo
Vou sempre estar aqui
Junto a ti, feito corpo e alma
Meu irmão, meu par

 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Nesta, muita saudosa de seus irmãos de barriga. Dequinho, parabéns pelo teu dia, mesmo quando longe, estamos sempre contigo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Natal

Semana passada escrevi em um rascunho, de lápis, de pé um texto detonando uma operadora de celular que me atendeu mal pela enésima e última vez.
Por causa de zilhões de afazeres urgentes, não consegui digitar o tal texto e acabei dando espaço para uma estreante: bem vinda!
Tudo bem, pensei, semana que vem escrevo. Mas acontece que, novamente, será impossível.
Acontece que estou escrevendo de um hotel à beira da piscina e à beira mar em NATAL!
Estou a trabalho, mas consegui conhecer algumas coisas e fazer o famoso passeio nas dunas de Genipabu, que vale toda a fama que tem.
E vocês têm que concordar comigo que é impossível se indignar com qualquer coisa numa situação dessas...

Renata deseja a todos muito sol, muito mar e muiota água de côco!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cuma?

Conversa de gente doida:

_ Bom dia o senhor saberia me informar como é que eu faço pra chegar na Av. Álvarez Maciel?
_ Ihhh! Num sei não.
_ O senhor saberia me dizer pelo menos o nome desta rua que estamos?
_ Ih moça, num sei também não.
_ ....O senhor não sabe nem o nome dessa rua!
_ O moça num sei não, mas de uma coisa eu sei; sei que não tô perdido.

****
Em um estabelecimento:
_ O garçom vocês tem vinho?
_ Não, vinho não tem não, mas tem Pepsi.
_ ....
Casos e acasos, vividos, ouvidos, contados.

domingo, 26 de abril de 2009

A Culpa é da Maçã

É impressionante a perseguição à maçã na história. Na versão bíblica, era o fruto proibido. Prová-la significou a expulsão do Paraíso. Na história infantil da Branca de Neve, olha a vilã aí de novo! A madrasta oferece a maçã à Branca de Neve, que, ao comê-la, cai em sono profundo. Ou seja, praticamente tornaram a maçã a personificação do mal!

Com o filme tão queimado, a gente começa a pensar que, se fosse oferecida à Branca de Neve uma torta de chocolate, ela não cairia no sono mortal. Poderia ficar mais gordinha, poderia ter diabetes quando mais velha, mais ficaria viva por um bom tempo! Se fosse oferecida uma boa fatia de picanha, A Branca de Neve poderia ter problemas com colesterol alto, ou, no piro dos casos, desenvolver o mal da "Vaca Louca"! Mas não, ofereceu-se à Branca de Neve justo uma maçã! Ninguém ofereceu à ela cigarro, ou bebida, que também matam, mas aos poucos. A menina não teve a chance nem de ficar viciada, comeu a maçã e caiu no sono.

Tudo bem, estou pegando pesado com a maçã. Os religiosos iriam me criticar por tanta blasfêmia, e ainda por cima porque a maçã é simbólica. O mesmo me diriam pedagogos e pais em geral, que diriam que a história infantil é só uma metáfora para as crianças não aceitarem nada de estranhos. Estão certos. Mas, então, por que pegar no pé só da maçã?! A bruxa, fantasiada de velhinha, poderia ter oferecido um doce à Branca de Neve. O doce estaria envenenado, e a Branca de Neve cairia no golpe do "Boa Noite Cinderela"! Olha aí a confusão! Mas foi isso o que aconteceu, só que com a maçã no lugar do doce. Atualizando a história, as crianças de hoje não aceitariam mesmo a maçã. Nossa sociedade é glutona mesmo, e uma criança iria preferir um bolo de chocolate!

Já no caso de Eva, não creio que ela ficasse tentada com a maçã, e sei que, segundo os textos sagrados, ela queria ter o conhecimento do bem e do mal, e o fruto vinha dessa árvore. Mas poderia ser outra fruta, como a manga, por exemplo. Até Isaac Newton descobriu a gravidade por causa da maçã, segundo alguns humoristas! A maça lhe caiu na cabeça, e ele percebeu a força de atração da gravidade. Meu Deus! Mas será que maçã é a fruta mais comum do universo!?! Não dava pra ser mais criativo?!

Bom, depois de tanta viagem na maionese (maionese com maçã, por favor), vou continuar comendo maçã, mas tenho a impressão que ela pode ser prejudicial à minha saúde!

Tânia gosta de frutas, principalmente de maçã. Mas acha que há um complô histórico mundial que as discrimina!

sábado, 25 de abril de 2009

Duas, mais uma, é a uma.


Sempre pensei que o tempo é relativo, apesar de mensurável. E o que relativiza o tempo, é o sentimento, este sim, imensurável. Algumas vezes me olho no espelho e vejo uma mulher persistente, madura, que está em busca de seus objetivos, mesmo que o trajeto até eles estejam repletos de curvas. Outras vezes, vejo uma garota crescida, com inúmeras dúvidas e incertezas sobre seu futuro, além de um medo latente.
 
A mulher é aquela que sonha acordada, passional ao extremo, chora e ri compulsivamente. Se sente bem, mesmo não sendo exatamente o que imaginava ser há uns dez anos atrás. O tempo passou depressa, alguns anos foram suprimidos do seu calendário, uma fase improdutiva, depressiva, que merece ser esquecida. Outros anos foram triplicados, em virtude de sequencias de acontecimentos intensos superpostos. Somando os anos sentidos, ainda seriam cerca de trinta. A mulher é calma, anseia por tranquilidade. Prefere o mundo real, colorido, mesmo com a paleta de cores incompleta.

A garota crescida é uma sucessão de não saberes: como nada acontece conforme planejado, ela se perde nas incertezas. Quando pensa que, enfim, sua vida está dando certo, alguma volta a vida lhe dá, e o certo se torna duvidoso, ou inexistente. A garota é ansiosa, angustiada, medrosa. Prefere o mundo virtual, pois o colorido pode ser ajustado conforme sua necessidade.

Ambas habitam o mesmo ser. A convivência é tumultuada, discutem entre si constantemente, e nem sempre a que profere a palavra final é a correta. O resultado dessa convivência não acertada é a presença constante do mediador.
 
A terceira parte, que habita o mesmo ser composto, é uma pessoa racional, com uma sagaz capacidade de avaliação da situação. Porém, seus defeitos são gritantes e desconcertantes: é uma atrasada nata, inúmeras vezes, não chega a tempo de mediar, somente de analisar e concordar ou refutar a parte vencedora, já que é tarde para acordos; é um tanto quanto insana, pois, se seu humor está sarcástico, simplesmente monta a arena para as gladiadoras lutarem, e, como não é uma romana, esquece o pão, e deixa o circo.

O ser é tripartido, numa mutável divisão desigual. O resultado é uma personalidade em constante mutação, e, quero muito acreditar, em constante desenvolvimento. 

Andreia, sempre numa batalha interior, buscando melhorar a cada dia.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Rotina de Mulher Moderna


06:11 – Ser acordada na marra pelo marido pra correr na Av. Silva Lobo
07:40 – Chegar em casa bufando e suando e correr (de novo) para o chuveiro porque você já está atrasada
09:00 – Levar os documentos na concessionária porque você está trocando um carro quitado por um financiado (crise é foda)
10:00h – Correr (de novo) pro escritório porque você está uma hora atrasada!!
10:45h – Após ouvir muita música no trânsito, finalmente chegar ao trabalho
11:00h – Cobrar do contador incessantemente sua declaração de renda que até hoje não está pronta
11:20h – Finalmente começar a ligar pra todos os seus clientes
12:00h – Almoçar correndo (again!) e voltar pra escrever o post porque a Carla já lançou a aposta no grupo
12:30h – Engolir a comida porque um cliente ligou querendo ir ver uma cobertura de 400 mil reais que pode te render quatro mil de comissão
15:00h – Chegar do atendimento exausta, suada e sem a proposta na mão, porque o cara tem que ver com a mulher dele primeiro (e tá certo o cara, cá entre nós)
15:15h – Ligar de novo pro contador pra cobrar sua declaração de renda.
15:30h – Ir pra reunião de última hora da equipe porque é raro conseguir juntar todo mundo
16:30h – Correr (alguma surpresa?!) pra uma empresa pra ouvir a proposta de trabalho que querem te fazer
17:00h – Gentilmente declinar a proposta e conseguir o que só uma mulher moderna consegue: dizer não e manter as portas abertas
18:00h – Lembrar que o trânsito está uma bosta, seu notebook está no escritório e você ainda nem escreveu o post
18:30h – Conferir o blog desesperadamente pra ver se postaram algum texto esporádico
18:31h – Escrever freneticamente um post que não era o que você pretendia e rezar pra ninguém postar um esporádico
19:17h – Explicar pro marido que é melhor ele ir tomar uma cerveja enquanto você acaba o post, porque depois você vai sim ao centro espírita
19:18h – Terminar o post e publicar no blog: NÃO TEM PREÇO!!!

Laeticia tarda, mas não falha, é furona, mas nem tanto, e a piadinha da Carla está fazendo ela ficar craque em escrever posts em questão de minutos!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Receita para um lar

Se alguém me perguntasse na semana passada como se faz um lar, admito que eu teria que pensar muito na resposta.

Em grande parte, porque a vida que eu levo atualmente não me deixa tempo para me dedicar à função.

Sim, porque um lar é algo que exige, em primeiro lugar, dedicação.

Tive várias casas durante a minha vida - a casa da minha avó, a casa da minha mãe, as amazonas, as casas em SJC e agora a casa em Itapira - mas e o lar?

A casa da minha mãe é um lindo lar. Com a cara e o jeito dela. Porque é assim que um lar tem que ser.

E porque é que eu me peguei pensando nisso quando comecei a escrever esse texto? Porque nesse último feriado eu tive a agradável surpresa de visitar um lar.

Um lar que ainda está nascendo, mas que já tem a cara da dona.

Um lar que nasceu primeiro dentro das idéias, e que toma forma a cada dia.

Um lar onde ainda não se habita, mas que já acolhe quem por ali passa.

Esse lar é a casa da Carol e do Rodrigo, e esse texto é um desejo de que lá eles sejam muito, muito felizes.

Milena escreve aqui às quintas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Arrepio na nuca

Quer coisa melhor que arrepio na nuca? 

Daqueles de quando imaginamos a cena de algo que queremos muito e ainda não aconteceu. 

De quando encontramos o caminho na estrada, depois de termos nos perdermos. 

De quando, após espera, vemos o rosto da amiga, do amado, do irmão que partiu e agora retorna. 

De quando temos um pressentimento e resolvemos não atravessar a rua, não sair agora, escutando nosso anjo e economizando seu trabalho. 

Daqueles na hora de tomar coragem pra dizer algo muito importante para alguém. 

Daqueles de resultado de prova, de resultado de exame, de resultado qualquer, que tenha sido positivo. 

Daqueles na hora que chega aquele e-mail, em que cada minuto de espera serviu pelo infinito. 

Daqueles da notícia boa que chega de surpresa, do amigo que arrumou um emprego, do que vai ter um bebê ou do bebê que acabou de nascer. 

Daqueles de quando alguém que te abraça no meio da noite, ou de alguém que pegamos nos observando sem querer. 

Arrepio na nuca de beijo no pescoço, respiração afobada, coração acelerado, tesão. 

Quer coisa melhor? 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Deseja e quer muitos arrepios, para hoje e sempre, para ela e para você.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Abril 2009

Faz tempo que lido com os mesmos questionamentos.

Há uns 15 anos atrás eu parecia ter uma visão bem detalhada de como a minha vida seria quando eu tivesse uns 30 anos.

Assumo que sou (ou era) uma romântica incorrigível, alguém que acredita (va) no lado lindo da vida, no amor incondicional e nos contos de fadas.

E a droga é que nem posso culpar minha mãe por tal feito, visto que a mesma é uma pessoa bem realista e que jamais alimentou essa minha ideia fantasiosa da vida.

Por que cargas d’água então sou (era) assim?

Quando paro pra pensar nisso prefiro culpar o zodíaco por ter nascido no dia 26 de fevereiro de 1979 e, portanto, sob o signo de Peixes, sol em Peixes e ascendente em Gêmeos, o que em teoria, deveria balancear essa minha visao extra rosa da vida mundana. Engano seu (ou meu!).

Imaginava eu ser proprietária de uma escola fundamental bilíngue (sim, o pioneirismo tambem fazia parte das minhas características), trabalhar como hobby apenas e não por necessidade financeira, ter um casal de filhos lindos e maravilhosos e casar com meu primeiro namorado que, por ter muito sucesso profissional, me daria uma vida de princesa e com todas as atenções que uma pisciana exige. Obviamente que nunca passou pela minha cabeça que sucesso profissional custaria o tempo dele e portanto, o nosso.

Nesta vida fantástica eu faria ginástica diariamente, depilação todos os meses, manicure e pedicure uma vez por semana, cabelereiro a cada 20 dias, massagens frequentes e viagens internacionais incessantes.

Óbvio que eu teria uma empregada que cozinharia, limparia, passaria e também faria as compras do supermercado.

Ai como tudo era tão bom lá, onde meus neurônios se encontravam.

Paaaaaaaaara tudo!

De que serviu o movimento feminista? A longa luta que as mulheres de gerações anteriores passaram para conquistar um nível de relativa igualdade nesta nossa sociedade machista?

Dane-se tudo isso. Eu nasci foi na década errada.

15 anos depois não, meu trabalho não é um hobby. Sou uma audiologista que trabalha 40hs por semana e que tem sua carreira como um dos focos de sua vida (mas onde foi que isso mudou?).

Não, não casei com meu primeiro namorado. Na verdade tive uns 6 namoros sérios até achar que tinha encontrado o “the one”. Casei, descasei e “me ajuntei” de novo . O tal do amor incondicional revelou-se uma balela. Enquanto o relacionamento estiver funcionando segue adiante. Se não estiver bom pra ele, pra mim, ou ambos é melhor mesmo deixar a energia circular e encostar o caminhão em outro posto de gasolina.

Sim, meu marido tem sucesso profissional mas quem garante que o sucesso dele é o meu? Bom pra ele mas melhor pra mim se eu mesma encontrar meu lugar ao sol, e não na sombra de alguém.

Vida de cinderela? Alguém ja ouviu dizer que na Austrália empregada existe? O máximo dos luxos disponíveis é uma faxineira semanalmente que limpa o chão, a cozinha e os banheiros. E ai de ti se tu quiseres que ela limpe o forno. A resposta será um respeitosamente: “No sorry”.

E os cuidados comigo? Com muita sorte consigo marcar cabelereiros e afins nos finais de semana quando o o Seu Fritz não decide que o vento ta pegando e que temos que debandar pra praia senão o mundo vai acabar. A ginástica rola em casa mesmo, com os aparelhos que o mesmo Fritz adquiriu para ter a garantia que a mulher nao vai embarangar, mesmo com a falta de tempo.

Ao invés de repetidas visitas à clinica estética, a rotina na verdade se resume a passar, lavar, limpar, escrever, organizar, telefonar, cozinhar, cuidar, trocar, sorrir, gargalhar, comprar, pular, abraçar, beijar, empacotar, embrulhar, dirigir, distrair, brincar, arrumar e, é claro, além disso: trabalhar.

Sim, tenho uma filha linda e maravilhosa , esta foi a única parte do “plano” atingida com sucesso. O segundo filho? Bem, quem sabe daqui a alguns anos, quando eu passar a aceitar de uma vez por todas que meus neurônios pensantes e sonhadores me pregaram uma peça do caramba!

Lil escreve aqui esporadicamente e de lá, bem longe, do outro lado do mundo chegou até a esquecer que no meio de tudo isso ela fez sim incessantes viagens internacionais.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Do outro lado da rua


Esteve sempre no mesmo lugar, bom nem sempre, mas desde que ela se lembrava, lá estava, a casa. No meio de um jardim, um tanto quanto tumultuado, por gramas, ervas, matos, árvores, se via ao longe uma casa. Pequena, com varanda, chamando para entrar, no entanto, abandonada. Por muitos anos estava assim, sozinha, no meio de outras casas habitadas, mas ela, sozinha. Vez ou outra, um mendigo se aventurava e por lá permanecia por alguns dias, depois, estes, também sumiam. 

Em suas caminhadas Anastácia um dia reparou, mais do que já havia olhado e começou a sonhar, mais do que já sonhava. Com a casinha, o jardim, as flores que irá plantar, mensageiros do vento, um cão, quem sabe dois, gatos, o varal com roupas de cama estendidas, a sala, a varanda, uma rede, a cozinha, comidinhas, o quarto, seus amigos, sua família, e com ela mesma. Anastácia passou dias a sonhar, tudo nos máximos detalhes. Seu companheiro sempre presente. A casa agora tinha cheiro de bolo, gosto de gente feliz, som de uma música que Anastácia gosta muito. Em fim a casa agora tinha vida, a vida de Anastácia.


Sonhando e acreditando Anastácia vivia, pois sabia que a casinha estava só e somente só a sua espera.

sábado, 18 de abril de 2009

Aventuras em Série - 3º Aventura - Março de 1999


Outro feriado, Anastácia apenas queria descançar, não queria pensar em nada, em mais nada. Viajaram, ela e a pessoa que agora a fazia mais feliz. Foram novamente para uma cidade que era, por ambos, adorada, pois já continha muitas estórias, causos e acasos, mas pela primeira vez alugaram uma casinha, um tanto quanto, interessante.

Tarde, logo na chegada, resolveram, uma carninha, sim, vamos lá. Como tinham muito em comum, não era difícil tomarem decisões sobre o que iriam comer ou beber, o acordo estava por si só, préviamente estabelecido. Sim, uma carninha e uma cerva sempre desciam bem.

Contudo a tal calne estava congelada,portanto um solzinho caía bem. Lá se foi, seu bem amado, com a melhor das intenções, colocou a bandeja na varanda, pois lá, e somente lá, havia sol. Mas esqueceu do infeliz detalhe, o lindo e amoroso cachorrinho do vizinho, que perambulava por todos os jardins, e por lá também estava, e a despeito de Anastácia ter demonstrado carinho pelo canino, o mesmo, assim que farejou a bandejola congelada ao léu não pensou duas vezes e LAPU!

Após alguns minutos tomando a bendita cervejinha, ambos foram em busca da carne desconjelada, mas nada encontraram. Perceberam de imediato o que havia acontecido, foram em busca do cão, agora, inimigo consumado, e o encontraram, no maior bem bom, no meio do mato com cara de égua que acabou de participar de um belo banquete.


Ocorrido numa Semana Santa, episódio cômico, do qual riem até hoje.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Desespero

Foi depois do almoço que meu corpo começou a ficar mole. Parecia que eu havia tomado uma surra. Daí a pouco a cabeça começou a doer. Quer dizer, começou a doer mais, porque já estava incomodando desde cedo. Aquela dorzinha chata, nem muito forte, nem muito fraca, que não te deixa esquecer dela. Fica ali doendo o dia todo. E o pior é que eu nem posso pensar em ir pra casa porque o trabalho me espera, a conta bancária está indo de rosa pra vermelha e eu preciso correr atrás do prejuízo. Olhos ardendo em frente ao notebook? Imaginação!! Cabeça parecendo que vai arrebentar quando o telefone toca? Bobagem! E quando tocam dois, três telefones simultaneamente? Ai, que vontade de evaporar!! Tô doida pra juntar tudo e ir embora tomar um banho gostoso, tomar um chá quentinho e me enfiar debaixo das cobertas. O desespero já está me dominando. Que falatório!! Parece que todos os sons estão amplificados. Até o ar condicionado que eu amo está me incomodando. Quero ir embora. “E.T., telefone, minha casa!!” Mas o trânsito deve estar tão ruim ainda que é melhor esperar. Mesmo que eu já não esteja conseguindo pensar. É melhor esperar aqui no geladinho do que no trânsito congestionado. Acho que é falta de sertralina! O médico mudou o horário de tomar. Não... não é falta de sertralina. Ele me explicou que não ia fazer diferença. É. Não tem jeito. É gripe mesmo!!

Laeticia acordou mal humorada com o Bola apelando pra ela ir correr com ele, achou ótimo ter ido, mas o vírus a dominou completamente ao longo do dia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Expectativa é tudo

Há muito tempo que O Fantasma da Ópera é o meu musical preferido. Sei de cor todas as músicas e todas as cenas. Acho lindo mesmo e sempre que começo a ouvir acabo repetindo continuamente minhas partes preferidas. 

Posto isso, era de se esperar que O Fantasma fosse o primeiro musical que eu assistiria na Broadway, certo? Certo. 

Ingressos na mão lá fui eu para o Majestic. 

Sim, o espetáculo é um espetáculo. O cenário é de cair o queixo. O figurino é sensacional. 

Mas não me emocionou. Pra falar a verdade teve uma hora que me deu até um pouco de sono. Triste, mas verdadeiro. 

Saí de lá bem desiludida com os musicais em geral e passei pela Broadway quase todos os dias sem ter vontade de assistir nenhum dos outros. 

Até que, dois dias antes de voltar para casa, resolvi dar uma nova chance à famosa rua. Fui para a TKTS naquele esquema: 

- Qual é o espetáculo mais barato que você está vendendo? 

- É a matinê da pequena sereia para amanhã. 

- Serve. 

E foi assim que eu voltei à Broadway para assistir A Pequena Sereia. 

Gente, meu queixo caiu e durante mais de duas horas não voltou ao lugar. Eu não consigo nem contar a quantidade de superlativos que surgiram na minha mente enquanto Ariel – que é a mais perfeita sereia que eu já vi – cantava, dançava e patinava pelo palco. Úrsula, a bruxa marinha mais má de todos os tempos também é perfeita. Daquelas que dão pesadelo em criancinhas. Quase me fez chorar cantando Poor Unfortunate Souls.  Sebastian, o crustáceo é hilário e o menininho que interpreta o Linguado é a coisa mais fofa do universo. 

Não dá pra relatar porque não existem palavras suficientemente boas, mas fica aqui o meu conselho: se tiverem oportunidade, não percam. Levem seus filhos e avós e observe o que os novaiorquinos chamam de “efeito-a-pequena-sereia”. 

Milena se reencontrou com os musicais quando não havia nenhuma expectativa de que isso fosse acontecer. Voltou feliz, mas queria ter assistido O Rei Leão, Mary Poppins, Chicago, Shrek, Hair, Cats...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Oração para uma menininha aos dois

Que aos dois anos tua maior preocupação seja convencer a mamãe a te deixar vestir o que tu queres, mesmo que o resultado seja um susto para os outros. 

Que aos dois tu já saibas do que tu gostas e tenhas tua cor preferida, tua fruta preferida e teu jeito preferido de dormir, mas que continues muito curiosa e aberta para tudo o que é novo e se apresente a ti. 

Que tu já saibas conquistar o que tu queres, ainda mais se for com um sorriso, uma carinha sapeca, ou fazendo ombrinho, mas não com um chorinho. 

Que tu caibas inteirinha deitada na barriga do papai, e que ele tenha horas infinitas pra te deixar lá. 

Que tu aches que a mamãe é a mulher mais linda do mundo, e rezes para que tu sejas igualzinha a ela quando cresceres, só bem depois de estar cansada de andar dependurada nas pernas dela. 

Que o teu maior sonho seja que a tua fantasia de fada não se estrague nunca e que a mamãe te deixe ir para a escolinha com ela sempre que tu quiseres. 

Que tu já conheças o mar e a neve, o trenó e o papai-noel, as conchas, uma fogueira, os filhotes, as pantufas e as abóboras. 

Que tu saibas de cor a música que tu mais ama, e que a mamãe e o papai tenham muita paciência para deixar-te ouvi-la pelo menos mais umas setecentas vezes. 

Que tu te surpreendas a cada dia, a cada instante, e te permita rir muito, ficar atônita, com os olhos arregalados e a boca aberta, sempre que isso acontecer, sem se preocupar com o que os outros pensem de ti. 

Que tu sempre vejas coelhinhos e dragões nas nuvens e que tenhas muita pena dos que não vêem. 

Que aos dois você seja às vezes uma mocinha comportada como uma princesa, outras vezes endiabrada como uma espoleta e que já entendas que na vida terás que ser às vezes uma, outras a outra. 

Que aos dois tu já tenhas mordido a bochecha da melhor amiguinha, e já tenhas tido o pé mordido por ela também. 

Que tu já tenhas dormido em uma barraca, visto uma estrela cadente, lambido uma lágrima para ver que gosto tem, lambido um sorvete que depois caiu no chão e abraçado alguém de surpresa, tornando maravilhoso o seu dia. 

Que tu ainda sintas com prazer os raios de sol ou o vento batendo no rosto e ainda aches muito divertido perseguir as borboletas, interromper o caminho das formigas ou girar no mesmo lugar de vestido rodado até cair tonta no chão. 

Que tu adores os cães, a chuva, o trovão, o avião e o escuro, mas morras de medo de demorar muito para ver a dinda de novo. 

Que os anjos te protejam, neste e em todos os outros anos de tua vida, e que Deus te faça tão feliz quanto tu já fazes aos que te amam e te tem sempre, sempre no coração, mesmo que em pensamentos, mesmo que do outro lado do mundo. 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Parabéns Isadora, não cresça tão rápido, não, fique pequenininha na minha oração.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Elas


Hoje falarei de algumas mulheres que há um tempo entraram na minha vida, cada uma do seu jeito, e conquistaram um lugar muito especial no meu coração:

A Tai é a amiga de toda e qualquer hora, com risadas garantidas. É a amiga que deixa a vida mais divertida.

A Fran é a amiga racional, que tem conselhos e sempre tem uma história sobre qualquer assunto que seja. É a amiga que deixa tudo mais claro.

A Cami é a amiga calma, comedida, mas por dentro um turbilhão de ideias, sentimentos, vontades. Sabe ouvir e tem muito a dizer. É a amiga que adoça a vida.

A Fer é a amiga gringa, que faz a gente rolar de rir. É parceira pra bagunça sempre. É a amiga que acredita no amor.

A Laura é a amiga terapeuta, que ouve e tenta dar conselhos. Que entende minhas aflições sem nem eu precisar explicar. É a amiga aquariana.

Renata manda um abraço para todas, e deseja que todos tenham amigas assim!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Receita de Páscoa

Acorde depois de dez da manhã e tome um bom banho.

Ligue pra Fany Bombons e confira se há a melhor torta de chocolate do mundo e da Paraíba inteirinha!

Vá buscar a torta de chocolate e, no meio do caminho, depois do seu pneu furar e você ligar pro seu marido pedindo socorro, sinta-se o máximo quando TRÊS cavalheiros se oferecem pra trocar seu pneu enquanto o maridão não chega.

Ligue pra sua mãe e conte pra ela do pneu furado, do atraso e do almoço que você ainda não fez. Sua mãe compreenderá e não te matará por atrasar em um dia a entrega da torta de chocolate que você prometeu pra ela.

Imprima a receita da melhor torta de bacalhau do mundo e da Paraíba.

De receita em punho, faça de conta que você domina a arte da culinária, ao invés de admitir pra você mesma que panelas lhe causam verdadeiro pânico.

Esqueça-se momentaneamente que sua sogra vai almoçar na sua casa e que o almoço é a torta de bacalhau que VOCÊ ainda não fez.

Agradeça a Deus pela existência do Verde Mar, do Super Nosso Gourmet e da Boníssima, que vendem bacalhau limpo, dessalgado e desfiado.

Respire fundo e encare a receita, os ingredientes e as panelas.

Tente manter seu controle emocional quando a campainha tocar e a família do seu marido chegar.

Relaxe ao ganhar abraços, beijos e ovo de Páscoa da Ferrero Rocher.

Abra um vinho pra descontrair enquanto chora picando cebolas com as mãos lambrecadas de óleo pra não ficar cheirando cebola por uma semana. Não vai adiantar muito, mas vale a tentativa.

Vá tomando vinho e seguindo a receita religiosamente, afinal, Semana Santa é um momento religioso e a gente tem que ter muita fé para que dê tudo certo!! Quando você assustar, a torta de bacalhau já estará pronta pra ir pro forno.

Bata um papo gostoso e descontraído enquanto sua torta de bacalhau espalha um delicioso aroma no ar, fazendo com que todos os presentes declarem estar com água na boca.

Tome mais um pouco de vinho, afinal, vinho faz bem à saúde, além de ser o sangue de Cristo.

Sirva a torta de bacalhau usando sua louça especial e seu faqueiro lindo, que fazem tudo ficar mais gostoso.

Ouça elogios e finja que não sofreu com medo da receita desandar. Agradeça, afinal, você é uma mulher educada.

Morra de orgulho quando as pessoas repetirem uma, duas, três vezes o prato.

Sirva a melhor torta de chocolate do mundo e da Paraíba e vibre com a cara de felicidade dos presentes.

Tome um coca zero pra economizar calorias e ajudar na digestão, afinal, tudo que você serviu, também comeu. E muito!!

Ouça feliz as pessoas dizerem que adoraram passar um tarde super agradável na sua casa.

Fique mais feliz ainda quando seu marido disser que a cozinha está arrumada e você verificar que ela está REALMENTE arrumada.

Tome um bom banho, coloque sua camisolinha mais gostosa, durma de colherzinha com seu marido e sonhe com os anjos.

Laeticia não está nem aí pra Semana Santa, não vê sacrifício algum em comer bacalhau, mas aproveita sempre a oportunidade de se divertir.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uma conversa sobre o tempo...

- Outono? Onde?

- Aqui, nesse hemisfério.

- Só pode ser brincadeira. Isso aqui está mais quente que o inferno!

- Mas é outono sim. E digo mais! Dizem que o inverno desse ano vai ser o pior dos últimos anos.

- Tomara que sim. Mas pior no sentido de será o mais frio ou pior no sentido de que nem frio vai fazer?

- Não sei. Acho que será o mais frio.

- Tomara que sim. Será que neva?

- Neva onde? 

- Aqui nesse hemisfério.

- Só na Antartica. E na Patagônia.

- Dá pra morar na Patagônia?

- Deve dar. Alguém aí conhece alguem que mora lá?

- ...

Milena está considerando se mudar para a Patagônia quando for inverno nesse hemisfério. Não sabe se gosta de pinguins ou não, mas como diria uma grande amiga gaúcha: "a tenteada é livre, não é?"

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Bridezilla


Para casar precisa só de um juiz, salão, bufê, umas flores, um fotógrafo e opcionalmente um padre (depois do noivo, a parte mais difícil, é claro), certo? Doce ilusão.

O casamento não é mais uma instituição, é agora uma indústria. Se antes casamenteiro era o santo, hoje é a profissão de muita gente. Assim, absurdos se acumulam para quem escolheu acolher este evento, o que exige um acúmulo também de paciência, sendo que este item está em falta no mercado.

Sabia que para casar na igreja tem que fazer curso de noivos? E que para isso é preciso pelo menos dois dias INTEIROS (depende da cidade) ouvindo palestras que vão desde harmonia do lar às técnicas de administração e sexualidade, além do depoimento de casais da igreja que estão juntos a tanto tempo que dá até preguiça de pensar? E que se o noivo for estrangeiro, ele precisa que a igreja em que ele se batizou envie de lá um documento confirmando que ele foi batizado e que não é casado? Pelo menos não estou casando com um iraquiano, ou um marciano.

E que os serviços, quando envolvem casamento, custam aberta e absurdamente mais do que os mesmos serviços para outra festa qualquer? Há é casamento? Então o preço é maior. E que se não avisar que é casamento pode ter uma multa no fim?

- Desculpe senhora, este docinho caramelado custa setenta centavos, mas como eu estou vendo que é para um casamento, vai sair um e oitenta, mas a multa de vinte centavos por omissão, dois reais cada. É pegar ou largar.

Pegar ou largar também é a lei. Muita gente que trabalha neste ramo pensa assim. A primeira coisa que querem saber é quanto, no total, os noivos têm para organizar a festa. Se vocês não sabem, descubram logo, pois muita gente não dá seu preço sem saber o tal do “orçamento”. Pior é quando dizem que sentem muito, mas que não começam a conversar com festas que custam menos de X (que costuma ser o triplo da tua pretensão). Gente é assim mesmo, eu juro! Ou ainda tem o tal, “há, mas é casamento, sai caro mesmo, é uma festa única, diferenciada, fazer o que?”. Alooowwww????

E quando tu descobres que a música que tu querias entrar na igreja todo mundo usa na bênção das alianças, então, não pode. Que entrar descalça na igreja não é querer estar humilde perante Deus, mas sim um grande desrespeito, então, não pode. Que um mix de porções de coisinhas gostosas custa o dobro do que um super bufê, então, não pode. E que se tu contratares uma decoração, mas não pagar a “taxa de montagem” tu vais chegar na tua festa com um monte de arranjos empilhados em um canto, sobre as toalhas coloridas dobradas em uma pilha sobre uma mesa. O quê? Um casal de padrinhos para cada lado, mas e os presentes? Não pode, não pode, não pode. Gente é por isso que ninguém casa nos dias de hoje!

No entanto, sejamos justos. Quem começar juntando a paciência pode, sim fazer milagre. Um em cada dez profissionais trabalha porque gosta, tem os pés no chão e consegue ser flexível para viabilizar algo que seja próximo ao inicialmente imaginado. Também quem tem uma super mãe, e amigas que casaram recentemente (o que de fato, ajuda muito, mas está cada vez mais difícil hoje em dia) pode se considerar muito sortuda. Com um pouquinho de organização, jogo de cintura, perseverança, simplicidade também dá para compensar a falta de paciência e ir conseguindo tudo aos pouquinhos, mantendo o tal do “orçamento” na linha.
E no final das contas, como tudo na vida, o que é difícil acaba sendo mais gostoso. Eu nem dava tanta bola para casar na igreja, mas depois desta grande (e para mim inesperada) aventura que é organizar um casamento, confesso que, neste momento, ver a expressão do Sr Puko quando eu entrar na igreja é o que eu mais quero e só de pensar minha barriga vira um iceberg. Tenha certeza de que valerá a pena.


Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. “Bridezilla” é a divertida definição dos australianos que certamente melhor se encaixa ao seu atual momento.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Renovação

A origem da Páscoa remete aos rituais pagãos de agradecimento pela colheita ou algo assim. Como muitas coisas populares, foi agregado ao catolicismo e teve seu significado levado bem para o lado da religião.

Como um parênteses, esclareço que tenho, sim, inúmeras críticas à Igreja Católica e a várias igrejas por aí afora, mas como meu pai sempre disse: igreja é coisa de gente, não se espera que seja perfeita.

Mesmo assim, acredito que religiosidade é essencial na vida de qualquer ser humano. Como é possível acordar e pensar: bom, eu, que sou um amontoado de células e moléculas que o acaso juntou e em mim resultou, vou fazer o que hoje? Respeito todas as crenças, e acho importante a pessoa ter uma.

Como católica, considero a Páscoa a mais importante das celebrações, pois traz a mensagem e o espírito do renascimento, da renovação. Parte por ser este o significado no meu nome, mas a maior parte por ser tão forte a história e seu significado, que fico mesmo tocada nesta época, mais que no Natal. Porque agora se pensa em recomeçar, em reunir forças e realmente lutar pelo que se acredita. E realmente se sente ser amado, incondicionalmente. E isso não tem preço, nem mesmo uma cesta gigante de chocolates traz isso.

Renata deseja que o coelhinho seja generoso com todos e que o sentimento de renascimento toque vocês!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Feixe de luz


O clima estava cada vez melhor, acreditava ela. Somente agora percebia o quanto havia mudado. Não sabia quando aconteceu nem como, ou por que, mas se modificou. Parecia que vivia melhor. A chuva não era mais motivo para reclamações, mas apenas uma sensação de limpeza. Suas ânsias com relação ao trabalho estavam arrefecendo, no tocante ao amor, apaziguadas. Tinha a sensação de que não estava mais numa sala de espera, via e fazia as coisas acontecerem. Anastácia tinha visto a luz da Lua ontem, sem querer, sua janela estava fechada, mas mesmo assim a luz adentrou em seu quarto. Tudo pareceu mais claro. Anastácia percebeu que havia esgotado o passado, não pensaria mais sobre isso, não valia mais a pena, nunca valeu. Caminhava para o futuro e somente nele queria pensar. Anastácia sonhava novamente.

Uma luz singela, inesperada, por vezes nos mostra que algumas sombras nos acompanham, e que na verdade, nós é que as convidamos para ficar. E, que, por vezes devemos dizer adeus.

sábado, 4 de abril de 2009

Março em três tempos


1º tempo: Níver

Modéstia muito à parte, março é O MÊS. E no último março completei meus 35 anos. É... os 30 já não estão tão repentes assim. Minhas parceiras de blog e alguns leitores já sabem que adoooooro aniversário. E melhor ainda é passar essa data com muitas (de preferência) pessoas que amo, um bom bolo e brigadeiros. Porém, dessa vez não foi bem assim. Foi um dia ótimo, cheio de abraços e presentes. O bolo já estava encomendado e, para minha surpresa, também foi um presente. À noite, na hora das comemorações, fui a um restaurante muito legal aqui em BH. Confesso que esperava mais amigos por lá. Paciência! Os amigos presentes no dia são pessoas que amo muito e me encheram de carinho e atenção. Além de minha mãe e meu irmão preferido (o único). O bolo estava fantástico, dormido então, ficou melhor ainda. Faltaram os brigadeiros, buéééé! O orçamento estava curto devido ao movimentado março que eu ainda teria.

2º tempo: Colação de grau

Menos de uma semana após meu aniversário foi minha colação de grau. Concluí minha segunda graduação: Secretariado Executivo. Pois bem, investi num pretinho básico bem em conta e em um sapato novo. Mas, pra variar, algo em mim era diferente das outros formandos: minha expectativa era brochante para a maioria das pessoas. Não estava eufórica, nem ansiosa pela chegada desse dia. Pra mim foi tudo muito normal, como da outra vez, me senti um peixe fora d’água em cima daquele palco, e aí sim, fiquei ansiosa pra tudo terminar rápido. Mais uma vez estive cercada de amigos que amo muuuuito e minha mãe, que não conseguia esconder a felicidade. Isso compensou toda e qualquer sensação estranha vinda do ET que vos escreve.

3º tempo: Férias – Caldas Novas

Alguns dias após a colação começaram as férias do trabalho. Ah, que maravilha! Como esperei esse momento! A viagem para Caldas Novas já estava planejada. Para a escolha do lugar levei muito em consideração o fato de viajar sozinha. Não queria ir à praia, nem sei o porquê, mas não queria. Paguei um bom preço, literalmente, por estar só. A hospedagem encarece um bocado para ficar em um apartamento sozinha. E lá fui eu! Caldas é uma cidade calma e deliciosa para descanso, exatamente o que eu precisava. As águas quentes são “tudo de bom”. Ficava com os dedos enrugados todos os dias de tanto banho de piscina. O passeio ao Hot Park foi ótimo (www.rioquenteresorts.com.br). A praia do cerrado é uma delícia e a adrenalina do Half Pipe foi o ponto alto das férias: adoooooorei! E adorei também as pessoas que conhecei: Vó Neide (uma graça!), Cacau (mulher forte e independente) e Dani (minha companheira no Half Pipe). E mais uma vez percebi claramente que uma morena de 35 anos, linda e charmosa (eu!!!!!) viajando sozinha incomoda muuuuuuuita gente. E ainda mais se ela não olha pra homem nenhum... rs! Descansar era meu objetivo e foi alcançado com louvor. Dessa vez também teve vinho, uma jarrinha só, num bom restaurante italiano. A banheira também estava lá, porém, dessa vez, não me senti atraída por ela como no Hotel Fazenda. Ficou de enfeite... Cá estou, de volta de Caldas, pretinha e cheia de boas lembranças.

Angel viveu um mês de março bem agitado! 
Adorou ficar cercada de pessoas muito amadas tanto quanto adorou sua viagem solo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Não tem dinheiro que pague

Dormir na cama da gente

Tomar café passado na hora na casa da vó

Rever velhos amigos

Desfazer as malas

Achar a calça perfeita (boa, bonita e barata)

Fazer planos e vê-los se concretizar

Céu azul num dia de praia

Sensação do dever cumprido

Unhas feitas

Achar a bolsa mais linda do mundo em uma super-promoção

Fazer listas e riscar item por item

Vento gelado no rosto

Sapato novo e confortável

Risada de criança

Milena está de volta agora que as férias acabaram, bem feliz.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Biocronômetro (Ou a irritante síndrome da ansiedade crônica galopante em contagem regressiva)

Faltam trinta anos para eu me aposentar e continuar trabalhando.
Faltam doze anos para eu adotar um filho.
Devem faltar uns três anos para termos um filho.
Faltam sete meses e um dia para nossa lua-de-mel.
Faltam sete meses para nosso casório.
Espero que faltem menos de sete meses para eu ver a mana e a gringa.
Espero que faltem menos de sete meses para eu ver a Lila e a Isa.
Faltam dois meses e meio para fazermos sete anos juntos.
Devem faltar uns dois meses para a Panfs virar mocinha.
Falta um mês para eu talvez ver meu fofo e meu bródi no seu níver.
Faltam doze dias para a Páscoa.
Faltam doze dias para terminar minhas férias.
Faltam dez dias para eu conseguir organizar tudo o que é preciso.
Faltam dez dias para eu matar a saudade da Mi.
Faltam sete dias para uma das maiores fofuras do mundo fazer dois anos.
Faltam três dias para a incrível experiência do curso de noivos.
Faltam três dias para seis gurias saudosas se encontrarem.
Espero que faltem menos de três dias para eu ver meus padrinhos de casamento.
Faltam dois dias para eu experimentar o bufê.
Faltam dois dias para eu ver o meu amor.
Falta um dia para eu levar negrinho para minha vó e ganhar cafuné.
Faltam cinco horas para o jogo do Brasil com o Lú e a Déia.
Faltam quatro horas para eu receber o orçamento que espero.
Faltam umas três horas para possivelmente chover em Porto Alegre.
Faltam trinta e cinco minutos para eu não mais poder postar hoje.
Faltam vinte minutos para eu sair correndo para tentar resolver um cacho coisas.
Faltam cinco minutos para minha mãe perder a paciência me esperando.
Faltam dez segundos para acabar o texto.
Falta uma eternidade para eu parar de biocronometrar.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Tic-tac-tic-tac.
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