terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As pequenas coisas

Gosto muito de observar as pessoas. O jeito que se vestem, gesticulam, como mudam o tom de voz e a postura frente a determinada situação. Como coram ao se envergonhar (coisa cada vez mais rara).
E gosto de observar não os discursos inflamados nem os grandes gestos. Isso não é autêntico. O que mostra mesmo a essência da pessoa são os pequenos gestos. Aqueles praticamente automáticos. Que são naturalmente inerentes à pessoa, e os quais muitas vezes ela nem percebe.
Admiro que sempre guarda papéis na bolsa ou no bolso, para não jogar na rua, por exemplo. Admiro quem cede o lugar no ônibus. Admiro quem dá sua mesa no restaurante a uma mulher com criança de colo. Admiro quem se preocupa com animais e plantas, em pequenos gestos do dia a dia.
Admiro, sobretudo, quem acha que esse tipo de atitude é natural, que não precisa fazer santinhos e distribuir por aí dizendo: eu sou um cara legal!
Admiro que o é por essência, e não por publicidade.

Renata anda com a cabeça a mil com coisas da vida, mas não deixa de observar as pessoas. E está muuuito feliz porque a filhota é bixo numa federal!!!!!! \o/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A LISTA

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?
(Oswaldo Montenegro)

Carla se questiona:
Ao longo da vida, quantas mentiras temos que dizer?
Quanto nos modificamos, às vezes até para pior, em função de outros?Já pensou nisso?
 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Era pra ser

Era pra ser uma carta de amor. Era um pacote de mil fatias de cebola picadas – como fazia lacrimar! Era uma coleção de vírgulas e reticências, o avesso inteiro de um coração, um alagamento irreversível de sentimentos - jorrava, pingava, molhava. Era um buquê de palavras, um contrato entre os países da alma, um frasco inteiro de paz. Era uma verdade bruta feito diamante, uma compota de suspiros. Era pra ser uma carta de amor, mas não saiu uma palavra se quer.

Mariana escreve esporadicamente, ainda sem coragem de dizer o que sente a quem nem sonha saber ser remetente.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mancada no serviço

Quem me conhece sabe que, vira e mexe, dou uma mancada, e, para não piorar as coisas, eu mesma a conto, fazendo graça, e aí vira piada. No serviço isso também já aconteceu.
Certa vez, quando trabalhava no setor administrativo de uma empresa, o telefone tocou logo cedo, e eu atendi. Ouvi uma voz sussurrando meu nome, mas a pessoa não se identificou.  E, achando que era alguma colega me passando um “trote”, fazendo hora com a minha cara, também passei a conversar aos sussurros:
_Alô. – sussurrou a pessoa, sem se identificar.
_Alô. – retribuí, também aos sussurros, pensando tratar-se de uma brincadeira.
_Tania? É você? – continuou sussurrando a pessoa não identificada.
_Sim, sou eu. – murmurei baixinho de volta.
_Está tudo bem aí, no serviço? – a voz sempre baixa.
_Está. – e eu mantendo o sussurro...
Essa conversa demorou uns poucos minutos, mas sempre em tom quase inaudível, e eu pensando ser brincadeira de colega.
Depois de um tempo, vem a bomba:
_Então está bem. É a sua supervisora. É que estou rouca, e não estou passando bem. Telefonei para ver se aí está tudo em ordem, pois não poderei comparecer ao trabalho hoje.
E eu, já voltando ao tom de voz normal, tentei responder com a verdade, já que não havia mais o que dizer.
_Ah, me desculpe, é que achei que fosse alguma colega brincando comigo.
A história passou, e isso tem alguns anos. Não ficou ressentimento por parte de minha supervisora, que sempre me lembra desse ocorrido, rindo muito da minha mancada!

Mini-resumo: Tania sempre passa alguns apertos assim, porque leva as coisas na brincadeira, até no serviço. Mas acaba fazendo grandes amizades assim também!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Momento desabafo

Sabe aqueles momentos em que você gostaria de ter à mão um relógio do tempo? Sim, daqueles de histórias encantadas mesmo. Com um relógio desses eu daria corda ao contrário e faria o tempo voltar alguns dias ou meses... Ou, melhor ainda, faria o tempo parar para que eu pudesse terminar tudo o que tenho p/ fazer...
Estou, como costumamos dizer aqui no RS, na capa da gaita. (Para quem não sabe, isso é o mesmo que dizer que estou, literalmente, acabada, um bagaço, com um pé na cova, virada do avesso e por aí vai...)
Minha média de sono tem sido de 3 a 4 horas por noite, no máximo. E não é que eu não sinta sono ou cansaço, não. Simplesmente não consigo mais dormir. A cabeça fica trabalhando a mil por hora. Então, resignadamente eu levanto, ligo o computador e escrevo minha dissertação. Tem sido assim nos últimos meses.
Férias? Nem sei o que é isso...
Mas, por incrível que pareça, eu até que tenho administrado relativamente bem esses “detalhes”.
O problema, mesmo, é lidar com a cobrança e falta de compreensão dos amigos.
É extremamente irritante ouvi-los reclamar o tempo todo do quanto eu ando sumida, do quanto eu supostamente deixei de valorizar a amizade, do quanto eu não me importo com eles e  blá-blá-blá whiskas sachê...
PQP!!!
Será que é tão difícil assim entender que estou enlouquecida com o prazo de entrega da minha dissertação de mestrado?!?
É mesmo necessária chantagem emocional do tipo:
“Nem parece que vc se importa comigo, afinal nem liga mais...”.
"Mas como assim você não tem um tempinho p/ irmos tomar um café??? Vou ter que marcar horário com quantos meses de antecedência?”.
“Será que vc ainda vai lembrar o caminho aqui p/ minha casa quando resolver visitar os pobres?”.
“Quem sabe você consiga me visitar antes que meu filho/filha complete quinze anos, né? (sendo que o respectivo filho/filha é ainda um bebê!!!)”.
“Mas será que se eu morrer vc conseguirá tirar umas horinhas para ir ao meu velório ou nem p/ isso vc teria tempo?”
Afff! Pelamor!
Sinceramente, é só mesmo porque amo muito meus amigos que não os mando tomarem lá, sabe?
Tenho que morder a língua, contar até 10, respirar fundo e explicar, pela enésima vez, que estou sumida não porque eu não queira lhes ver e sim porque, momentaneamente, eu NÃO POSSO MESMO!!!

Déia escreve aos domingos e anda irritadíssima com a falta de compreensão que origina esse tipo de cobrança e já vai logo avisando aos amigos queridos que parem de fazer chantagem emocional se não quiserem ouvir um belo e sonoro palavrão!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sem KY não dá!!

Sou uma leitora voraz. Desde que fui alfabetizada leio tudo que me cai às mãos. E a Playboy não seria uma exceção. Li todas as Playboys dos últimos onze anos, absolutamente todas. Gosto muito, mas nem sempre alguma coisa fica na memória por mais de uma semana. Aconteceu apenas duas vezes: um artigo do Lusa Silvestre entitulado “A Mulher Para o Resto da Vida” e um epíteto que saiu na edição deste mês:  
“O PROBLEMA DA VIDA É QUE ELA NÃO VEM COM KY.”
 
De fato. E que triste. Seria bem mais prazerosa a vida se ela fosse mais fácil. Não que não seja, mas há momentos em que um amortecedor cairia bem.

Os leitores mais frequentes do blog já devem estar acostumados aos meus textos-crise. Bastante comuns, aliás, uma vez que crise é meu sobrenome. Mas minha vida é bastante engraçada, cá entre nós. Vivo rindo, me divertindo, mas nem por isto eu deixo de passar por momentos em que eu merecia um tubo de KY! Aí, colegas, num primeiro momento, não tem como rir, não é mesmo?

Outro dia estava conversando com minha mãe. Ela estava preocupada porque meu irmão passou no vestibular pra um curso de tecnólogo e acho ela estava meio frustrada por ele não estar estudando em uma escola tradicional. Minha idéia era consolar minha mãe, fazer a ficha dela cair porque, afinal, o curso que ele escolheu é uma profissão mais moderna e acaba que as escolas muito tradicionais investem mais em cursos mais reconhecidos.

Mas a conversa foi mudando de rumo e, papo vai, papo vem, ela acabou soltando que eu realmente já tinha dado carada demais pra minha “pouca” idade. Que tinha me desiludido cedo demais com coisas com as quais todo mundo se desilude. Só que aos 45, 55, 70 anos e não aos 25, como aconteceu comigo. Acho que minha mãe se preocupa comigo mais do que eu gostaria de acreditar... Muito constrangedor isto!!

Enfim, continuo dando minhas caradas por aí. É o que acontece quando a gente não tem muito medo de se arriscar. As caradas são consequências das nossas escolhas, sabem, o que não quer dizer que as escolhas foram equivocadas. Entre escolher e colher frutos das escolhas sempre decorre algum tempo e aí, minha amiga, muita água pode rolar por baixo da ponte.

Não tenho medo de viver. Não tenho medo de me arriscar. Já tive menos medo, mas continuo uma pessoa de peito aberto. Bem corajosa para enfrentar desafios e buscar a realização de sonhos. Acho que a gente tem que continuar destemida, sabe. Só que agora, quase completando trinta e cinco anos, andei mudando um pouco de idéia. Continuo me arriscando a dar umas caradas. Mas, sinceramente?! Tô ficando fresquinha rsrs Sem KY não dá!!!


Laeticia está cada vez intrigada com a vida, com suas escolhas, suas razões e suas consequências. Só que agora, prefere isso tudo com amortecedor traseiro!!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O ladrão mal educado

Hoje comecei a refletir a respeito da enorme quantidade de gente mal educada que tem nesse mundo...
É impressionate!
E elas estão por toda parte: no trânsito, no supermercado, no trabalho, na escola, na faculdade, na vizinhança, na farmácia, no comércio, nos consultórios médicos e odontológicos e por aí vai.
A lista é quase infinita.
E, geralmente, a pessoa mal educada sempre acha que está certa, que tem "toda a razão".

Dia desses fui em um mercado aqui da minha cidade que, às quartas-feiras, realiza uma promoção de horti-fruti. Obviamente o mercado lota. Um horror!
Pois eis que calhou de eu precisar fazer umas compras exatamente nesse dia e, como o dito mercado é super perto de casa, decidi ir, mesmo sendo a "quarta-feira dos horrores" (leia-se das promoções).
Entrei no mercado já conformada com a muvuca infernal que teria que enfrentar e me dirigi ao local onde ficam "estacionados" os carrinhos de compras.
O mercado estava lotado e tinha apenas um carrinho disponível. Fiquei feliz com minha sorte e já estava estendendo o braço para pegá-lo quando simplesmente fui fortemente empurrada para o lado por um indivíduo grandalhão que, sem a menor cerimônia, resolveu "descartar a concorrência" me dando um baita encontrão(!).
Pois o dito cujo nem se deu ao trabalho de se desculpar. Simplesmente pegou o carrinho que estava quase em minhas mãos e saiu como se não tivesse acontecido coisa alguma!!!
E eu fiquei lá abobalhada olhando ele se afastar, sem realmente acreditar que tal coisa grotesca tivesse realmente acontecido...
Claro que depois que eu me recuperei da surpresa fiquei louca de raiva. Não por causa do carrinho, obviamente, mas por conta da falta de educação dele.
Onde já se viu dar um empurrão em alguém para roubar um carrinho de supermercado?!?!?
E a cara de paisagem do indivíduo??? Quer dizer, o tipo chega no mercado lotado, empurra um mulher com pelo menos uns 20 cm a menos do que ele, rouba o carrinho que ela ia usar e ainda sai com uma  poker face digna dos melhores memes da web?
Simplesmente inconcebível!
E, pasmem, o cara aparentava, pelo menos, uns 40 anos! Não era nenhum adolescente porra louca!!!
Afff...

Parece que as pessoas mal educadas (e sem noção!) estão realmente conseguindo dominar o mundo.  'o'

Déia escreve aos domingos e lamenta ter ficado tão chocada com a atitude do sujeito que nem se lembrou de revidar com, pelo menos, um chutezinho na canela... ;)



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carta Aberta à Andreia


Andreia,

Sei que não é consolo, mas cá estou eu, com quase 35 anos, um curso de Direito e uma especialização em Ciências Penais pela PUC Minas nas costas, fluente em três idiomas, cursando um MBA na FGV e cadê realizações concretas?!! Também me sinto imensamente frustrada, não sou a profissional de sucesso que muitos professores profetizaram, não prestei concurso público como outros professores insistiram, não segui a carreira acadêmica, não fui uma grande advogada, não conheci o mundo todo e todo mundo, me casei, mas não quero ou tenho medo de ter filhos.

Hoje trabalho em uma construtora como supervisora comercial. Há dias em que tenho vontade de me jogar no Ganges!! Como hoje, por exemplo. Mas nem à Índia consegui chegar. Durante os últimos quatro anos trabalhei como corretora. Ganhei dinheiro? Sim, ganhei. E bem mais do que quando advogava. Mas minha vida parece acontecer em círculos. Trabalho, trabalho, mas não consigo “acumular” nada. Não tenho um carro quitado, não tenho um apartamento. E não tenho prespectiva de ter. Até hoje não descobri em quê eu gostaria realmente de trabalhar. Aí vou vagando sem rumo por aí. Não sou preguiçosa, nem tenho vocação pra viver às custas dos outros. Por isso trabalho muito, mas em áreas que não significam muito, ou nada, pra mim. Vejo minha irmã mais nova e muitas vezes me pego pensando onde foi que errei. A menina sabe o que quer desde nova: dizia que queria ser professora. O primeiro emprego de verdade da vida dela é ser professora concursada na UFMG. E eu nem sei o que quero fazer da vida!!! Fico me sentindo uma verdadeira fraude. Não serei hipócrita com você: sei que sou muito inteligente e mais capaz do que a maioria das pessoas. Mas isto até hoje não me garantiu um lugar ao sol, a despeito dos meus mais verdadeiros esforços. Chega a ponto da minha mãe que tem pavor de gente vagabunda me dizer que preciso parar de trabalhar um pouco. Acho que fico me escondendo no trabalho, mesmo que eu não me satisfaça com ele. Aí, quando fico meio à toa, como tenho ficado desde setembro, não há como me esconder das minhas frustrações. Ultimamente tenho me sentido um lixo. Esta é a realidade.

Verdade que tive uma sorte na vida: eu encontrei um grande companheiro. Impressionante como pode um cara apoiar tanto uma pessoa tão instável e passional como eu. E tenho me sentido mais instável a cada dia que passa. De tanto quebrar a cara, acabei perdendo um pouco da minha auto confiança. Engordei pra burro (só 15 quilos) e estou pastando, quase que literalmente, pra tentar voltar ao normal.

Mas quando paro pra pensar friamente, evento raro na minha vida, vejo que sou muito feliz!! Sim!! Pode parecer incrível, mas sou feliz. A felicidade não é uma constante, sabe. Quero dizer, pra ser feliz a gente não tem que ser a melhor profissional, ter o melhor carro, apartamento, ser independente financeiramente, estar acompanhanda, ter filhos, cachorro e se sentir num comercial de margarina, tudo ao mesmo tempo e agora. Porque tudo ao mesmo tempo e agora nem o Jim Morrison deu conta! E não há nenhum motivo pra eu acreditar que eu sou mais intensa do que ele. Não quero morrer jovem. Quero viver muito! Então acho que preciso viver um pouco menos acelerada, quase em slow motion mesmo. Mas também não quero ser igual àquela coitada da propaganda da Renault que tudo que ela queria, não conseguia, mas tinha sempre uma alternativa piorzinha “que tudo bem”. Cá entre nós, tudo bem o caralho!! Minha vida não é o comercial da Pepsi!! Mas já sei que eu não vou conseguir ter tudo, ser tudo, viver tudo. Porém, tenho muito: muito amor, amizade, ombro amigo, companheirismo, compreensão, alegria, risadas, gargalhadas indecentes, quase pornográficas. Sou muito: passional, alegre, feliz, emputecida com muita coisa, revoltada com outras, e eternamente insatisfeita. Vivo muito, mas cada vez mais um dia de cada vez. E então tudo bem de verdade.

A vida é feita de escolhas e acabo de me dar conta de que vivo a vida que escolhi. Se eu não tivesse me casado, certamente teria me jogado no mundo, viajaria mais, viveria em outros países, conheceria outras culturas, continuaria magra e linda. E viveria pensando no amor que teria deixado pra trás, nos cachorros que não teria tido, na pouca importância que a magreza e a beleza física têm no frigir dos ovos. É, amiga, a vida não é mole não... A gente não pode se dar ao luxo de viver pensando “what if”, senão a gente endoida. Seja você mesma, viva cada momento devagarzinho, saboreie, não tenha medo de errar. Não deixe nada mais para depois. Aos quase 35, o depois me parece muito assustador. Enfim, viva, porque no final das contas, somos o resultado das nossas experiências e seremos muito amadas assim, do nosso jeito.
 
Laeticia é solidária à Andreia e entende perfeitamente o que ela está sentindo.

Feliz coincidência pra você!

Hoje, por uma grande coincidência, encontrei um bilhetinho de uma amiga querida dizendo:
“A coincidência é a presença discreta de Deus...”, de Joanna de Angelis. 

Incrível como a vida parece ser, mesmo, um empilhado aparentemente aleatório de coincidências. Mas quando a gente se afasta um pouquinho, e olha pela lente da humildade, vê que elas estão encaixadas perfeitamente, como um Lego, formando toda a nossa existência.
Arrogantes somos quando pensamos que podemos controlar muita coisa. Devemos achar mais do que suficiente quando conseguimos controlar nossas próprias ações. E felizes somos quando aceitamos a generosidade do Universo que nos presenteia com imprevisíveis coincidências, construindo nosso caminho, passo a passo.

Renata deseja que todos consigam ver as surpreendentes coincidências que nos são generosamente oferecidas todos os dias!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desejo que você

Desejo que você...

Levante a cabeça, encare a vida e não tenha medo de vivê-la.
Aliás, desejo que você encare o medo nos olhos, estufe o peito e siga sempre em frente.
Não existem tempestades as quais não sobrevenha a calmaria.
Não existem caminhos livres de acidentes.
Só é digno da vitória quem não se acovarda diante das dificuldades.
Portanto, abandone a postura de vítima, aproprie-se de sua vida e lute por aquilo que deseja.

Déia escreve aos domingos e deseja a todos uma "inundação" de coragem...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Crise dos 35?

"Se eu tivesse observado todas as regras, 
eu nunca teria chegado a lugar nenhum"
 Marilyn Monroe


Sem dúvidas, Marilyn Monroe é uma das divas que eu mais adoro!

BELA - SEDUTORA - SURPREENDENTE- LUTADORA - SOFREDORA - COMPLICADA - AMADA - DESAMADA - FAMOSA - DIFAMADA - TALENTOSA - SOLITÁRIA...

Uma mulher que entrou para a história, que viveu apenas 36 anos, e, mesmo em 2012, 50º ano de sua morte, continua a ser lembrada, e venerada, e alvo de polêmicas. Uma Diva, Um mito, Uma mulher, Uma balzaca.

Mas porque escrever sobre ela aqui, neste nosso blog tão íntimo?
Porque ela também era uma balzaquiana, e sua fama veio pertinho dos trinta, e dos trinta não passou.
Uma mulher extrema, intensa.
Impossível, para mim, não me identificar com alguns pontos (sim, pontos, porque estou longe, bem longe de ser Marilyn).

E impossível não me questionar: o que estou fazendo da minha vida?

Tenho 34, e este ano farei 35. Minha crise dos 30 veio aos 35. Vejo minha vida, e não vejo nada de concreto por mim realizado. Sinto-me frustrada. Muito frustrada. E cansada. Não sou uma profissional de sucesso, não sou tão independente quanto gostaria de ser, não tenho um namorado/marido, não tenho filhos (achei que este lado nunca pesaria, afinal, nunca fui louca por ser mãe - e também não o quero de imediato - mas penso com mais seriedade no assunto... Sabe aquela história do relógio biológico? Não é apenas história).

Às vezes, sinto-me numa espécie de crise de meia idade (daquelas masculinas)...
Ah... como eu gostaria de ter um Editor de Vida !
Se bem que agora também gostaria de um "corretor de idade".

Quero viver tudo o que não vivi nos últimos anos neste ano. Fazer tudo que deixei para depois. Amar como se não houvesse amanhã. Respeitar meu ser e a minha maneira de ser acima de tudo. Arriscar. Não alimentar relações pessoais e familiares desgastantes. Preciso ser feliz diariamente. E não uma caricatura de mim mesma. Ou um eterno esboço de quem gostaria de ser.

Quero ser EU. Apenas isso. Lidando com meus defeitos, melhorando minhas virtudes.
Penso que quem gosta, de fato, de mim, me aceitará, e entenderá. E não me criticará (muito), ou me recriminará (muito), nem ficará eternamente me chamando de louca (ou inconsequente).

Pode parecer algo simples para a maioria... Mas, para mim, não é (embora eu pensasse o contrário, a verdade é que as opiniões alheias tem tido, em minha vida, um peso bem maior do que deveriam ter - e talvez tenham contribuído, e muito, para os meus vários anos de depressão).

Demorei, mas estou aprendendo a dar limites (aos outros, pelo menos, porque quando eu perco o meu limite, fico surda, e não me ouço). Uns me chamam de ingrata, outros, de egoísta. Sinceramente: me chamem do que quiserem! Não quero voltar a ter depressão! Não quero voltar àquele estado de apenas sobreviver. Não quero mais lacunas na minha existência.

Erro muito, eu sei. Tendo a achar que erro mais do que deveria, que sou muito mais errada que as demais pessoas. Será mesmo? Acho que não. Todos erram, afinal, "errar é humano"...

Cansei de pedir desculpas. Os equívocos são meus, não dos outros. Eventualmente, podem repercutir em outra pessoa. Mas quem realmente sofre? Quem precisa superar? Quem precisa refazer? Quem precisa se desculpar, se for o caso? Quem precisa acordar no dia seguinte? Quem precisa encarar as pessoas? Quem, de fato, lida com as consequências dos meus atos?

Eu.

Querem falar, criticar, acusar, julgar e condenar? O problema, aí, não será mais meu...

Não quero chegar aos 36 infeliz.



Andreia escreve esporadicamente, e agora está passando pela crise dos "quase 35".
Andreia quer ser apenas Andreia.
Simples assim.



domingo, 22 de janeiro de 2012

Sons da noite na cidade

"Na madrugada silenciosa
ouço passos ao longe
gritos de pavor
soluços de desespero
gargalhadas de insanidade
um estampido surdo...
e um cheiro fétido
se espalhando pelo ar..."
(escrito por mim em novembro de 2005)

Déia escreve aos domingos e hoje acordou sentindo-se um tanto quanto macabra...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Oração

Senhor
Fazei com que eu coma todos os chocolates que precisar e não engorde.
Fazei com que eu tenha forças para não matar pessoas que me irritam apenas por existir, e me dê luz para tolerar as pessoas que ousam cantarolar perto de mim.
Afasta as pessoas que não respeitam meu espaço imediato e ficam me tocando, desnecessariamente e sem ter intimidade para isso; para seu próprio bem.
Fazei com que o espelho não me mostre o quanto estou inchada e com olheiras.
Ilumina meus próximos para que não falem se asneiras que viram na televisão, porque NÃO ME IMPORTA.
Alivia, senhor, as cólicas e dores no peito. Obrigada pela existência dos filmes de mulherzinha, das amigas e de Coca-Cola.
Me dê forças para não gritar com todo mundo, por mais irritantes que as pessoas sejam.
E fazei com essa TPM acabe logo.
Amém. 

Quem quiser acrescentar pedidos, promessas, oferendas e ameaças a essa oração, fique à vontade. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

O poder da gentileza e do sorriso

Essa semana eu tive um problema de saúde e precisei ir ao pronto-atendimento no hospital. Óbvio que fui até lá esperando ser mal atendida, mal examinada e despachada apenas com um punhado de receitas na mão. Não sei como é o atendimento nos pronto-atendimentos da cidade de vocês, mas aqui onde moro geralmente os plantonistas mal pousam os olhos sobre seu rosto, não lhe examinam, lhe “entopem” de medicamentos e só.     Entretanto, fui surpreendida por uma médica plantonista extremamente atenciosa, gentil, interessada e, acima de tudo, sorridente e carinhosa.

Ela me examinou com cuidado, solicitou 3 exames diferentes, deu “1.200” explicações e foi extremamente gentil.

Eis que fiquei pensando no quanto a gentileza, o carinho e, principalmente o sorriso nos rosto (mas aquele sorriso que vem dos olhos, sabe?) fazem a diferença...

Esse episódio realmente me fez pensar no quanto atitudes simples podem mudar completamente o estado de ânimo de outra pessoa. Aquela médica provavelmente estava lá atendendo há horas, talvez estivesse até mesmo em plantão duplo (ou algo do gênero) e mesmo assim conseguia ser gentil e sorridente. 

Enfim, eu cheguei lá me sentindo péssima fisicamente e, para piorar meu estado geral, ainda estava com uma expectativa terrível... Mas graças ao carinho, cuidado e atenção daquela médica, apesar da dor física, saí de lá sorrindo e com um calorzinho gostoso no peito.

Déia escreve aos domingos e gostaria de deixar um agradecimento especial à médica Meiry Dambrós por ter feito a diferença no seu dia.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Gente pegajosa

Tá bem. Eu assumo. Sou chata. Não gosto de gente me pegando, querendo me abraçar, me beijar, relar a mão em mim a nenhum titulo. É claro que as pessoas queridas não se encontram na categoria “gente”, mas sim na categoria “pessoas queridas”. Mas este círculo é muito, muito restrito.

Meu marido tem um conhecido que não podia me ver que vinha querendo dar abraço e beijo. E eram aqueles abraços loooongos, apertaaaados, aqueles beijos compriiiiiidos!! Affe, nunca vi querer forçar tanto uma intimidade inexistente. Eu evitava, mas não era sempre que dava certo. Aí eu me sentia super desconfortável e enrijecia o corpo pra ver se o cara desconfiava, se a ficha dele caía. Coincidentemente, ele só vinha com estes abraços e beijos pegajosos longe do meu marido, então namorado. Um dia achei que a ficha dele ia cair, porque ele me soltou – sim, soltou, porque eu me sentia presa – e falou algo do tipo “o Bola é ciumento, né, ele não gosta que a gente te abrace”. Foi a deixa que eu precisava! “Na realidade quem não gosta mesmo sou eu, sabe, fulano; acho insuportável este tipo de gente que fica pondo a mão na gente sem propósito.” Tóim! Nunca mais aconteceu.

Outra coisa que acho simplesmente insuportável é gente que mal me conhece me chamando de Lê ou outro diminutivo do meu nome. Vejam bem, meus amigos costumam me chamar de Leleca. Minha família me chama de Lê. Penso que as pessoas do meu convívio não pessoal por quem tenho simpatia podem me chamar de Laeticia. E aquelas com quem convivo por obrigação, preferencialmente, devem me chamar de Maria Laeticia. À exceção, of course, de nossa colega balzaca Sílvia, que, por um mistério do universo, vira e mexe me chama de Maria Laeticia. E a Angel, que me chama simplesmente Maria. São aquelas exceções que a gente ama de verdade.

Dia destes fui à casa de uma parenta de quem gosto muito e cujo marido é extremamente simpático. Chegamos lá e havia mais convidados para o churrasco. E minha prima me chamando Lê pra cá, Lê pra lá e de repente ouço uma voz diferente, estranha aos meus ouvidos me chamando de Lê. Quase tive uma síncope. Aí a menina ficava o tempo todo me chamando de Lê. Meu desconforto era evidente, mas a “gente” não se fez de rogada e continuou. Até que meus nervos deram sinal de colapso e convidei o Bola gentilmente a ir embora dali. Evidentemente marido já havia percebido meu desconforto.

E não é que hoje um cliente veio cheio de mãos, braços e bocas quando gentilmente eu ajudei um corretor no atendimento?!! Não, meninas, eu não estou me achando. Mas sempre há quem prefira picanha a filé mignon, não é mesmo? Complicado. Ainda mas no ambiente de trabalho. E o cara veio todo, todo me tascar um beijo quando eu, prontamente, estiquei meu braço, bati no ombro dele e soltei “muito prazer em recebê-lo em nosso lounge, SENHOR fulano. O corretor tal está à sua disposição sempre que o SENHOR precisar”. O cara ficou sem graça e saiu acompanhado pelo corretor. Espero não ter matado a venda dele. Mas agüentar cliente tentando encostar em mim não está no meu contrato.

Mania feia que esta gente tem que querer contato físico toda hora, com todo mundo! De querer ser íntimo logo de cara!! Tudo bem, calor humano é muito bom, mas calor humano de quem conhecemos, neam?!! Ou então, já que é pra ficar tudo encostado, que seja no Mineirão torcendo pelo Galo, no carnaval de rua ou numa liquidação maravilhosa!! Fora destas situações, bebê, não gosto mesmo de gente relando a mão em mim!!


Laeticia é chata.










terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Livros e pessoas

Eu, leitora inveterada, por vezes acabo encontrando curiosas coincidências entre personagens, histórias e pessoas. Há pouco tempo almocei com os dois Fernão Capelo Gaivota que conheço. Um muito diferente do outro, mas duas gaivotas sonhadoras. O forte desejo de fazer algo que amam, mesmo que não seja o rumo que a maioria toma, simplesmente sendo mais um na boiada.
Desejo legítimo, não motivado pelas futilidades de querer ser diferente ou de chocar; não balizado por parâmetros alheios. Fieis a si mesmos.
Desejo por desejo, algo meio instinto. Ter nascido para isso.
Eles não querem convencer ninguém que não quer ser convencido. Não querem aparecer ou provar que estão certos. Não querem se exibir nem aparecer num programa de televisão.
Eles só querem voar.

Renata admira a persistência e a honestidade dos Fernãos. E recomenda o livro para quem não conhece, ou conhece mas já esqueceu da sensação de ir cada vez mais alto.