terça-feira, 13 de março de 2018

Eu nunca invejei o Highlander

Eu nunca invejei o Highlander. Pelo contrário, eu sentia uma certa pena dele. Não, minto; eu sempre senti muita pena dele. Imaginem que triste você viver para sempre enquanto seus amores se vão e você fica?! Esta perspectiva sempre me apavorou. 

Então foi com enorme surpresa que, aos quarenta anos de idade, me deparei com a consciência de que eu efetivamente não sou imortal! Creiam-me: inconscientemente eu sempre me senti e agi como se eu fosse imortal. E olha que eu sentia pena do Highlander!

Pior que a consciência de não ser imortal foi a certeza de que meus amores tampouco o são!

Vejam bem: até pouquíssimo tempo atrás eu nunca havia sentido medo de correr determinados riscos. Aliás, eu sequer concebia a existência de riscos. O único risco era não viver plenamente as oportunidades oferecidas pela vida. Voemos de asa delta! Saltemos de paraquedas! Pulemos de bungee jump! Não é a este tipo de risco que me refiro. Quem dera!

Minha irmã que malha todo dia e só come natureba; teve uma trombose aos 38 anos. Eu voltei a fazer ginástica somente há dois meses e mesmo assim para estimular meu marido a se exercitar. Fora que eu como tudo que me der vontade, da cenoura ralada a barriga de porco, com preferência, evidentemente, pelo porco.

Minha amiga descobriu um câncer de mama aos 35 anos, teve que fazer uma mastectomia; está incrivelmente bem, mas foi um baita susto. E eu fiquei enrolando até o ano passado para fazer uma mamografia e um ultrassom que minha ginecologista já havia pedido há dois anos.

Uma conhecida de 36 anos foi fazer uma cirurgia eletiva e morreu. E eu aqui planejando fazer uma plástica para levantar os peitos e ajeitar a lataria.

Outra, da época do primário, infartou aos 42 anos. Dizem que estava pegando pesado com drogas lícitas e ilícitas. Ok, eu nunca me droguei. Mas já bebi horrores a ponto de, nas palavras da minha vó, praticamente perder a dignidade e literalmente perder o rumo.

Uma terceira, de 40 anos, por quem eu nutria uma verdadeira antipatia, estava na estrada de moto e foi esmagada por uma árvore que caiu em cima dela! A mesma estrada pela qual passei duas vezes por dia, religiosamente todos os dias, durante pelo menos quinze anos da minha vida.

Agora acabo de receber a notícia de que o irmão de uma amiga, um cara praticamente atleta, em torno dos 40, infartou ontem, está no CTI e passa bem, graças a Deus. 

Eu realmente nunca havia pensado sob este prisma. Capaz que viver é perigoso! Riobaldo que era frouxo!

Não, Riobaldo, faço a mea culpa. Viver é sim perigoso. Mas não seria mais perigoso ainda deixar a vida passar pelo medo dos perigos?

Sempre optei por enfrentar meus medos. Mas eu os enfrentava meio na displicência, na certeza da imortalidade. Aquela coisa meio gaiata de quem tem certeza de que tem todo o tempo do mundo.

Agora, consciente de que o pó me espera e que o tempo já não é mais tão meu amigo, decidi continuar enfrentando os perigos, porém os estou escolhendo a dedo. 

Semana que vem vou ao médico. Continuarei com a ginástica. Terei um mínimo de discernimento para comer e beber. Não terei nenhum comedimento ao demonstrar meu amor. Porque o corpo morre, mas o amor não precisa morrer.


Laeticia agora sabe que é uma reles mortal.

sábado, 10 de março de 2018

Gente é pra brilhar – a missão

Quase como um mantra, essa frase, nome de uma música de Caetano, tem ecoado na minha cabeça. Virou título de um dos meus textos aqui no blog, no ano passado (um dos motivos do título desse ser “Gente é pra brilhar – a missão”..). E se prepara que vai ter textão sim!! Porque a pessoa demora, mas quando resolve aparecer.... parece que nunca mais vai parar! rsrsrs 

Aqui, um parêntese breve, uma inserção que fiz após processar esse texto várias vezes, a partir de algumas conversas bem interessantes e filosóficas com pessoas queridas (obrigada Paty, Kelly, Ianna e Beth!). O fato é que esse tema, o de “permitir-se brilhar”, tem me mobilizado pessoal e profissionalmente e mexido internamente de forma muito profunda e intensa. Por que, ao passo que busco ajudar o outro a se permitir brilhar, enxergo em mim tudo aquilo que também me bloqueia, que me trava e que me amedronta. Como o fato de ler e reler, escrever e reescrever esse texto umas 3 vezes, ter medo do julgamento do outro, pedir para algumas pessoas próximas lerem, até chegar ao ponto de que eu criasse a coragem o suficiente para expô-lo, expor minhas vulnerabilidades, expor minhas conquistas e sonhos, meus anseios, meus pensamentos mais profundos... E então eu percebi o poder de cura que a escrita tem para mim, e me vi, ao escrever sobre tudo isso, me curando e me libertando, com minhas próprias palavras de incentivo e superação ecoando na minha cabeça, me dizendo: “vai, liberte-se, o mundo é todo seu”! E esse texto, que seria de apresentação da minha nova proposta de trabalho, meu novo projeto, e de incentivo ao outro, acabou sendo um texto para mim mesma, para acalentar meus temores e quebrar de uma vez por todas, todas as correntes que me seguraram até aqui. Eu percebi que a chave estava comigo o tempo todo. 

E todo esse turbilhão de pensamentos e reflexões estão misturados com essa mudança radical de vida que está batendo à porta (de funcionária pública no Acre para profissional exclusivamente autônoma em São Paulo), toda essa transição de carreira que venho vivenciando... A questão é que tenho me dedicado cada vez mais a essa auto descoberta da minha missão nessa vida, do motivo pelo qual eu quero acordar todos os dias, da razão, talvez, de eu ter vindo parar nesse mundo. Sinais, insights, histórias, pessoas vêm aparecendo. E com elas, as respostas. Nesse processo intenso e profundo, vem a resposta para a pergunta que coach adora fazer para ajudar o seu cliente a descobrir seu propósito: "o que você faria até de graça?". Aliás, você já se fez essa pergunta? Ela pode ser reveladora! 

E em meio a todo esse processo de descobrir meu propósito de vida, nasceu, com muita alegria e satisfação, esse projeto, essa arte, essa logo, esse slogan: A arte de brilhar! 

De "Arte de comunicar" (projeto antigo) para "A arte de brilhar", fazendo referência assim, ao meu papel de fono e também de coach (eternamente grata, madrinha de slogan Gigi!). A “obra” tem mérito artístico de uma design gráfica, Maria Eugênia, pernambucana querida que me vendeu seu peixe só em dizer, com os olhos brilhando: "eu amo o que eu faço!". Não preciso nem dizer que, defendendo fortemente a bandeira do “trabalhe com aquilo que você AMA”, ela me ganhou ali!! “Pronto!!! Alguns ajustes de cor auxiliados pela Gigi, alguns áudios de whats app, eis o resultado: essa mistura de ondas sonoras com o sol, um sol que nasce, um sol que brilha, o nosso sol pessoal! 

E para ficar ainda mais “clara e iluminada” essa ideia, explico: a proposta hoje do meu trabalho tem sido cada vez mais incentivar, estimular, motivar que venha à tona esse brilho interno que cada um de nós carrega dentro de si! E vamos a mensagem principal desse texto: 

Simmmm, nascemos com esse sol interno, com essa luz só nossa, que por vários medos e "dedos", vamos abafando, apagando... Mas por que, meu Deus?! Não foi para sermos pessoas melhores que viemos nessa vida? Por que não se permitir ser bom? Se permitir brilhar? Aceitar com gentileza elogios? Reconhecer qualidades? Qual o problema em ser luz? Em ser luz, mesmo consciente de que onde há luz, também há sombra. E está tudo bem, ninguém precisa ser perfeito para ser maravilhoso, abundante, merecedor (minhas descobertas recentes! rsrsr). Você tem noção da liberdade que isso te dá? 

Tenho refletido muito sobre isso.. Reflexões profundas que talvez sejam tema de outro texto.. Se eu jogar tudo isso aqui agora, é possível que você, que aguentou “me ler” até aqui, desista. E eu vou ficar muito feliz de te ver chegar comigo até o fiml!!!! =) 

E eu descobri que meu movimento atual é estar envolvida nessa arte, na arte de ajudar pessoas a se permitirem, a partir do meu próprio caminho de me permitir também. Ajudar pessoas que têm medo de brilhar, assim como eu já tive, assim como eu ainda tenho.. Afinal, convivemos em uma mesma sociedade que tem dificuldade de lidar com sua autoconfiança e se incomodar quando alguém decide "se libertar dessa nóia", citando novamente a fala da maravilhosa e inspiradora Alana Trauczynski (texto na íntegra em “Gente é pra brilhar”). 

Dia desses não sabia como fazer para explicar para uma pessoa porque ela deveria me contratar para treinar sua equipe. Me vi tendo que recorrer à depoimentos de outras pessoas, pois seria mais confortável para mim que outra pessoa falasse sobre meu trabalho. Mas sabe... é o meu trabalho, o trabalho que amo, que me dedico, que faço com prazer, que vejo claramente os resultados nas pessoas, as transformações... Não deveria ser eu a melhor pessoa para falar sobre o que EU faço? Mas não, preferimos nos esconder, esconder nosso potencial atrás de palavras que não são as nossas, porque não temos coragem o suficiente de falar em voz alta o quanto podemos ser bons sim, no que fazemos! Porque aprendemos que é feio falar o quanto você é bom. Então ok, você não pode ser bom. Ou se você é, não conta para ninguém, porque ninguém vai gostar de você e te ver com bons olhos. Oi? ? ? 

E então nos acostumamos a viver em uma sociedade que torna um desafio o falar do próprio trabalho quando se é confiante nele e dedicada a ele, correndo o risco de ser chamada de pedante, arrogante, metida e “se achona”... Eu já fui uma pessoa que se incomodava também com gente assim, preciso confessar. Mas hoje sei de onde vinha esse incômodo. Eu ainda não tinha encontrado meu lugar (leia texto do Gustavo Tanaka sobre isso, é perfeito!). Porque também eu achava (achava!!) que estava tudo bem com minha autoestima. Ledo engano (falo sobre isso no texto “Mergulhar em si”). 

E quer saber hoje? Sinceramente? Após descobrir meu caminho, e seguir nessa recuperação de autoconfiança, de amor próprio e autoestima, hoje eu acho LINDO "gente que se acha" (lógico que aquelas pessoas que não apenas “se acham”, mas que de fato são!! rsrs.), gente com autoestima alta, gente segura de si. É lindo, gente, será que só eu acho! ? Não estou falando de pessoas arrogantes, de pessoas que se acham superiores a outras, de pessoas mal educadas, de pessoas mesquinhas. Estou falando de pessoas que se amam sim, que confiam em si sim, que são seguras de si! Melhor assim do que usar máscaras de falsas modestas, na minha opinião. Percebam. Notem como temos dificuldade em receber elogios, como evitamos falar de nossas qualidades. Fomos criados assim. E tudo isso pelo o quê? Pelo MEDO. Medo do julgamento do outro, medo do que vão dizer, do que vão pensar, medo de não ser bom o suficiente, medo de ser uma fraude, medo do olho gordo, medo da inveja, medo do sucesso, medo, medo, medo... É muito doido, já parou para pensar? Todo mundo se "podando", se contendo, pelo medo de incomodar, pelo medo do que os outros vão pensar... A disputa é inversa, é de quem é o mais “lascado” na vida, de quem tem mais problemas, de quem é mais coitado, de quem tem mais miséria. E então vamos fazendo pactos secretos, selados e inconscientes. "Nem eu brilho, nem você brilha", e fica tudo certo, ninguém se incomoda com ninguém... 

Naaaaaaoooo! Não precisa ser assim! E lá vem a Polyanna que habita em mim dizer que simmm, há outra saída (outras saídas), outras formas de pensar (mindsets), outras crenças que não precisam te limitar, mas sim te empoderar!! Se sua essência não é arrogante, você não precisa temer. Não se preocupe, você não vai se tornar aquilo que mais rejeita. Você vai poder brilhar sim, de forma leve, de forma natural, de forma linda. Da sua forma: única! 

Já parou para pensar que o mundo precisa de cada um de nós, do nosso brilho e do nosso poder pessoal? Já pensou que chega a ser egoísmo guardar todo esse poder aí só pra você, todo esse brilho, toda essa luz, todos esses talentos? Não conhece seus talentos? Procura um profissional. Sei que um bom coach pode te ajudar. “Ah, Gabriela, não gosto disso, não nasci para brilhar, quero apenas ter paz"... Saiba que pessoas que sabem sua missão, têm paz. E mesmo modestas (e aqui falo dos verdadeiros modestos!) brilham sim, ao seu modo. Tudo é luz. Eu sou luz e você também é. 

Então, encerro refazendo o convite feito no primeiro texto do “Gente é pra brilhar”. E o convite é simples (talvez nem tanto, mas deveria, mas poderia...). O convite é: bora brilhar, minha gente!!!! 

Bora ser feliz, viver nossa missão, nossos sonhos, descobrir nosso propósito, iluminar, com nossa própria luz, esse universo rico e abundante! 

Bora, que a gente pode, bora, que a gente merece, bora, que a gente decide! Só bora!!!!!! 

Sem medo, sem desculpas, sem vitimismo, sem máscaras, sem procrastinação, sem auto-sabotagem. Toma as rédeas da sua vida e vai... vai ser feliz!!! Liberte-se, o mundo é todo seu!!!!




Gabriela segue se descobrindo, refletindo, filosofando, fazendo as vias de “Polyanna”... E continua tudo certo (às vezes nem tanto)... E tá tudo bem se for assim. Já descobriu o seu porquê.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Um conto de ano novo

Foi no dia 30 de dezembro. De 2017. Um ano meio merda. Não se pode dizer que o ano foi meio merda. Tem que expressar gratidão. Mesmo se a merda superar as coisas boas. 2017 foi bem merda. Antes desse ano você não amava seu emprego, mas estava satisfeito com ele. Nesse ano você viu compromissos não serem honrados pelos outros. A situação financeira entrou em estado de indignidade. Você nem entendeu se ainda tinha emprego no final. Mas você tem que ser grato. Use isso como um mantra. Foi o ano que você perdeu uma pessoa muito importante. Para você, uma mãe. Aquela que agregava a família muito grande e muito dispersa. E você quase não pode vê-la antes da partida. Decidiram que você não podia viajar. Foi o empenho de uma pessoa muito querida que fez com que você pudesse vê-la. E o empenho nem foi para isso, mas resultou nisso. E você a viu tão bem e sorridente. Você levou consigo alguém, que por motivos que a vida explica havia se afastado. Mas você sentiu e mostrou que era importante. E foi muito divertido e cheio de amor. E meses depois, quando da partida, você recebeu o agradecimento do alguém que foi com você. E isso encheu seu coração de amor. E na partida, aquela que sempre agregava a família grande e dispersa, foi capaz de juntá-la novamente. E o que era para ser só triste, acabou em lágrimas, afeto e risadas.

Mas era dia 30, você e ele começam a assistir a série que deve ter sido liberada no dia 29, para botar a pá de terra e declarar: que ano mais merda foi 2017. Vocês assistem o primeiro episódio. Ok, interessante. Tão longo. O segundo, impecável. Identificação humana e tecnologia. Parece a série que vocês conheciam. Resolvem ver o terceiro: WTF. Difícil se recuperar disso. O quarto episódio parece mais leve. Impossível não haver identificação pessoal. Ainda mais se você passou por tantos relacionamentos bons, loucos ou tóxicos que mais pareceram test-drives para o seu relacionamento equilibrado e saudável. O quinto episódio não precisava existir. Que droga é essa. Você diz para ele: vamos beber. Só bebendo para aguentar isso. Beber o quê. Vamos terminar aquele vinho. Mas só tem uma taça. Vamos beber mesmo assim. Vocês beberam a taça tão rápido. Pega o espumante que está na geladeira desde o ano passado. Deve ter sido esse o erro. Não beber o espumante na virada do ano. Teve o ano inteiro para beber. Por isso o ano foi merda. Se tivéssemos bebido esse espumante. Melhor bebermos antes que o ano acabe. Imagina o que pode acontecer se bebermos no ano que vem. Não. Não dá para arriscar. O que pode ter acontecido com um espumante que ficou um ano na geladeira. Deve estar bem gelado. Você lembra que o espumante até mudou de casa. Isso foi meio bom. A mudança. Você se apega a mudança como lembrança boa. Um lugar mais próximo da civilização que facilitou a rotina. Meio bom, agora falta o silêncio e a segurança. Você gosta de silêncio. Você gosta da segurança dos lugares onde ninguém vai. O último episódio vai indo bem, mas é pesado. Bem pesado. E você só consegue dar risada. Você ri copiosamente. Você até acha que vai morrer de rir. Parece que espumante de um ano na geladeira deixa bêbado fácil. Ou é o fato de você não beber quase nunca. Ou o fato de você estar com a barriga meio vazia. Mas não, ele também ri sem parar. Ele bebe de vez em quando. Tem algo nesse espumante. Ainda bem. Talvez seja o que 2017 merece. Risada de perder o ar.

Você e ele vão para a cama. Vocês assistiram todos os episódios da série que nessa temporada não estava tão boa assim. Deve ser porque foi a temporada de 2017. Você ri. 2017 estragou até as séries fantásticas. Está tudo rodando. Você diz que tem que colocar o pé para fora da cama e tomar uma dipirona. Dá onde isso. Você lembra que foi um relacionamento tóxico que te ensinou. Realmente tem que ser grata a tudo. Como você teria aprendido que para o quarto parar de rodar tem que botar o pé para fora da cama e tomar uma dipirona. O quarto parou de rodar. Perfeito. Gratidão pelo relacionamento tóxico. E seu inconsciente começa a operar. Você começa a lembrar dos relacionamentos que teve até chegar aqui. Culpa do quarto episódio e do quarto rodando. E você pensa em como conseguia beber antes sem ter uma crise de riso ou o quarto ficar rodando. Você pega no sono em meio a pensamentos de relacionamentos e aprendizados e por que você deveria ser grato a eles. Você não sabe se o que lembra é como realmente foi. Tem relacionamentos que só dá para agradecer pelo livramento. Definitivamente.

Você acorda no dia 31 e já é de tarde. Efeitos do espumante. Você não vai fazer ceia de ano novo como já não fez de Natal. Você não está a fim de comemorar nada nesse ano. No ano passado vocês passaram a virada do ano sentados no chão ao lado do guarda-roupa que o cão escolheu para se esconder dos fogos. Deve ser por isso que o espumante não foi bebido. Não foi nada glamoroso. Você compra somente as uvas que são sua única superstição. Doze uvas, um pedido para cada mês. Você não lembra de onde tirou isso. Mas você faz isso sempre. Mesmo que passe a virada na praia. Lá vai você com suas doze uvas. Na sua região já estão estourando fogos de artifício há dias. Você não sabe o porquê disso. O cão já está em catatonismo avançado. O coração descompassado. Você nem imagina onde vai acabar passando a virada do ano. Vai ter muitos fogos. Chega a hora. Vocês se veem dentro do banheiro, os cães, música alta, o espumante deste ano, as doze uvas. Os cães sofrem. Você come as uvas tão rápido que esquece os pedidos. Era um para cada mês. Você não fez nenhum. Ao menos o espumante foi bebido. Ninguém ficou bêbado. Deve ser por causa das uvas. Os fogos duram uma hora. Uma hora dentro do banheiro. Um final debochado para um ano merda. 

2018 vai ser menos merda. O espumante foi bebido. No fundo há gratidão por todo o aprendizado. Também pelas coisas boas. Houve coisas boas. Entre o que você pretende, está ser melhor sempre. Não o ano, você. Só você pode ser melhor, o ano não. Faltaram os pedidos das uvas. Você sempre fazia isso. Mas quando foi que deu certo?


Luciana escreveu apenas um texto no blog no ano passado. Mas foi 2017, dá um desconto! Como uma resolução de ano novo, além de ser melhor sempre, estão os textos. Que poderão ser contos como esse, não necessariamente, ou totalmente, relacionados a realidade.

domingo, 26 de novembro de 2017

Divagações na brisa de domingo...

E cá estou, nesta tarde de domingo, lembrando das várias conversas que tenho com meus alunos e refletindo sobre a existência humana.
Somos uns seres esquisitos e incoerentes...
Queremos tanto gostar de alguém e quando gostamos, temos medo de nos entregar, medo de demonstrar, medo de parecermos frágeis, sensíveis, ou até mesmo bobos.
Medo de sermos apontados como aqueles que, por serem intensos demais, “assustam” os parceiros.
Não queremos ser os primeiros a chamar no WhatsApp, ou a dar um bom dia porque, afinal de contas, se ele/ela quiser, que nos chame!
Não podemos dizer que sentimos saudades, caso contrário seremos considerados carentes. (Aliás, aparentamos ser uma fortaleza quando, na verdade, somos frágeis como cristais.).
Que mundo louco é esse onde, para que o outro nos queira, é preciso fingir que não estamos nem aí?
Que raio de "doença" é essa que faz com que as pessoas imediatamente percam o interesse caso você seja legal com elas?
Que loucura!
Que medo de perder o controle! O que tem de errado em se abrir e deixar o outro entrar?
Pode machucar? Óbvio que sim! Mas e daí? Nós sempre aprendemos (e muito!) com a dor! E crescemos, superamos, amadurecemos. E evoluímos! :)
Sabe, eu morro de medo de chegar ao fim da vida e perceber que nela eu tive muito mais “E se...?” do que “Porra! Deu merda!” ou do que “Cara! Acertei o pulo!” ...
Não quero, jamais, contemplar os anos vividos e perceber que o medo me manteve presa. Deve ser algo desolador!
Eu quero é sorrir, satisfeita e maliciosa, sabendo que, mesmo que tenha doído, mesmo que tenha sangrado, foi bom pra caralho e valeu cada momento vivido!


Déia escreve aos domingos e, percebendo-se mais madura com o passar das dores, hoje sente-se grata por ter tão poucos “E se...?” em sua vida até o momento.

sábado, 25 de novembro de 2017

Mergulhar em si

Têm dias que a gente acorda inspirada. Hoje foi um deles. Estava fuçando nas redes sociais, lendo a respeito de cursos de autodesenvolvimento para mulheres, e encontrei uma vivência incrível que tratava do Sagrado Feminino. 

Aproveito para fazer um longo parênteses aqui, pois esse tem sido um tema que vem me chamado cada vez mais atenção, desde o término do meu último relacionamento. Passei a olhar para lados meus até então esquecidos e adormecidos, especialmente questões relacionadas a autoestima e empoderamento. A gente passa a vida achando que está tudo bem com nosso amor próprio, mas no fundo, na real, vê que não é bem assim e descobre um grande autoengano. Bom assim, porque você só é capaz de cuidar e curar algo quando você primeiro tem consciência que está ali. Percebe que existem coisas para serem vistas e revistas, comportamentos e atitudes, como permissões e concessões que a gente acaba dando/fazendo para o outro que podem ser tudo, menos o bom cultivo desse amor por si. E para fazer esse movimento, descobri que preciso ser bem generosa e amorosa comigo mesma. Não adiantava, nem cabia mais, negar, fechar os olhos, ignorar ou lutar contra. Descobri sobretudo que era necessário olhar para essas partes com amor, com carinho, acolhimento e compreensão. Porque no fim, acabamos sendo nossos próprios carrascos e algozes, no sentido de tentar reprimir aquilo que dói ou incomoda. Mas não. É preciso olhar com amor para as famosas “sombras”, para que a iluminação possa chegar sem resistência. E vai chegando, a cada dia, a cada passo, a cada decisão, vai iluminando, vai esclarecendo e a luz própria se fortalecendo mais e mais.. 

E sim, descobri também que precisa ter muita, muita, muuuuuuita coragem para mergulhar (de peito aberto) nesse movimento. É preciso ter muita coragem para ser o que se é. Aliás, esse é o tema de um dos livros que estou lendo no momento, “A coragem de Ser Imperfeito” de Brené Brown. Segundo a autora, “viver é experimentar incertezas, riscos e se expor emocionalmente. Mas isso não precisa ser ruim.” Para ela, a vulnerabilidade não é uma medida de fraqueza, mas a melhor definição de coragem. “Quando fugimos de emoções como medo, mágoa e decepção, também nos fechamos para o amor, a aceitação e a criatividade. Por isso, as pessoas que se defendem a todo custo do erro e do fracasso acabam se frustrando e se distanciando das experiências marcantes que dão significado à vida.” Todo esse processo pessoal que venho trilhando, acabou me rendendo estudos no campo profissional, sobre a busca pelo poder pessoal de cada um, homens e mulheres (esse último abordo no texto “Gente é pra brilhar”) e me ajudado a descobrir meu propósito de vida, minha missão, meus talentos, e o que posso contribuir com o mundo. Por meio do meu próprio caminhar.

Mas voltando a tarde de inspirações e “fuçações” (licença poética, mas adoro criar neologismos! rs) nas redes sociais, descobri esse curso, “O resgate da essência feminina selvagem”, da Morena Cardoso, uma terapeuta peregrina “fudidoviski”, que buscou conhecimento por meio de meditações nas montanhas do Himalaia, pelos templos sagrados da Tailândia, Xamanismo no Leste Europeu, danças no solo sagrado das Sequoias nos EUA, chegando aqui no Andes e Floresta Amazônica, aprendendo a medicina das curandeiras (e muito mais!). Para quem me conhece, sabe que #amomuitotudoisso e que para mim é um currículo de se admirar e se inspirar... E como as coisas vão se conectando, e a vida é feita sim, de conexões e sincronicidades, acabei descobrindo a fotógrafa que registra os momentos mais lindos dos cursos da Morena, a Ana Paula Fiedler, fotógrafa e autora de textos MAGNÍFICOS em seu IG @anapulsar, e simplesmente me apaixonei. Foi amor à primeira vista, esse amor que, no fim, acaba sendo próprio, voltando ao assunto do início. Pois ali, nos registros lindos e nutridos de ultra sensibilidade de mulheres nessa busca por si, por sua sexualidade sagrada e espiritualidade, me vi, me reconheci e me reencontrei. 

Meu olhar fica vidrado em uma foto linda, de uma mulher na água, olhos fechados, acompanhada do seguinte texto:

"[mergulhou em si]

e sentiu o êxtase de se pertencer, de sentir a energia da vida dançando em seu corpo, pulsando através dos seus movimentos de puro prazer e contato com partes já tão adormecidas. Refrescou sua alma e trouxe a cura de dentro para fora e assim pôde expressar e oferecer-se [como dádiva a si mesma]."

E então me lembrei como é lindo fazer esse mergulho em mim. E que de tempos em tempos me esqueço completamente de fazer isso... Mas que quando me permito fazê-lo, é tão bom, é tão lindo, é tão transformador... não é grandioso, no sentido de um evento interno apoteótico... mas é sutil, sutilmente transformador... Resgatei uma foto minha mergulhando em uma cachoeira, e pensei: esse texto poderia ser uma legenda que representaria bem essa foto... Acontece que a foto era de uma viagem para Penedo (RJ) em 2015. Mas e para o momento AGORA¿ Não tinha praia perto, não tinha cachoeira, o rio daqui com banho impraticável... Então olhei para a piscina “olímpica” da minha casa, para Flipper, meu golfinho da foto (simmm, eu tenho um golfinho!!! Hahaaha), para meus cachorros, para meu gato, para o céu bucólico nublado (que depois ficou azul e rosa), para o jardim e toda essa “vibe natureza” que abençoadamente me cerca... E assim o fiz. Fui lá e me permiti. Afinal, como diz a música do Gil, " o melhor lugar do mundo é AQUI e AGORA!"

Aproveitei para bater um bom papo com o “Cara” lá de cima. Agradecer todas as bênçãos, a vida, as oportunidades, os aprendizados, as experiências, e até mesmo os desafios. Aliás, são em momentos como esses que me sinto mais conectada com Deus, com o Sagrado, comigo mesma e minha espiritualidade. E assim sinto que mais uma parte de mim foi mexida. Foi olhada, foi acarinhada, foi sentida. Foi sutilmente transformada. Claro que tem mais, muito mais, mais para ser mexido, mais para ser movido, removido e curado. Mas vi que, se nunca começar, nunca vou sair do mesmo lugar. E quem me conhece sabe: eu adoro movimento! Que seja sempre bem vindo então esse movimento. Movimento esse dessa vez mais interno e profundo para dentro de mim. Mergulhar em si.


Gabriela, de uns ciclos para cá, passou a adorar ter mais momentos só consigo. Apesar de amar receber visitas, de estar em companhia de bons amigos e bons papos, passou a adorar mais sua casinha, cuidando da sua vida, das suas plantas (essas ainda menos como deveria e gostaria!), com seus “Pet filhos” . A curtir esse contato com sua espiritualidade. Aprendeu a ressignificar os momentos “solidão” para momentos “soletude”. E tem sido uma experiência incrível para ela! Algumas pessoas, amigos, conhecidos, a encontram na rua e dizem que ela está diferente... Com uma aura nova.. Que ela mudou.. E quanto a isso, hoje ela não mais discorda... Tem plena consciência que sim, que mudou. Com os seus botões pensa: ainda bem!

domingo, 19 de novembro de 2017

É preciso tempo...

Aos poucos percebi que o que tenho feito, atualmente, não é mais dar tempo ao tempo,eu tenho é ME dado tempo...
Tempo para desconstruir
velhas crenças,
para entender o porquê de certas escolhas,                                       
para perdoar, inclusive a mim mesma,
para lamber minhas feridas atuais,
para olhar com carinho para as cicatrizes antigas,
para viver coisas novas,
para realmente sentir gratidão pelas experiências vividas,
para olhar para dentro de mim mesma e entender o que mudou,
para usufruir da suposta segurança de me sentir "blindada"...
E, quem sabe, tempo para sonhar novos sonhos e construir outros caminhos.

Déia escreve aos domingos e tem tentado não apressar coisa alguma e deixar a vida seguir seu própio devir.

domingo, 12 de novembro de 2017

Sobrevivendo

Tenho, nos últimos dois anos e meio, passado por profundas e dolorosas transformações. 

Passei por situações as quais eu jamais teria imaginado passar; fiz coisas que eu não me veria fazendo e, pior, que outrora eu teria criticado veementemente... Senti dores tão lacerantes que, por vezes, realmente pensei em me entregar, em entregar os pontos... Experimentei momentos de solidão tão intensa que pensei que acabaria perdida em mim mesma...

E cá estou. Interessante como realmente, a despeito do que achei em diversos momentos, eu sobrevivi. Toda cheia de cicatrizes, costurada... retalhos de alguém que um dia fui.

Ainda sinto dores, as feridas ainda sangram, mas tenho me sentido, a cada dia mais, como que renascendo devagarinho.
​​
Déia escreve aos domingos e está, timidamente, buscando forças para conseguir abrir novamente o coração e deixar que as palavras presas se soltem e migrem para o mundo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Profissão ou Vocação?

Marido sem face sempre diz que é médico por profissão, não por vocação. Ele diz que não é destes caras aficionados, que amam a Medicina mais que tudo, abnegados em suas próprias vidas em benefício dos pacientes.

Quer matar marido sem face de raiva é aparecer o personagem daquela série que o médico só sai do hospital na periferia pra comer misto e café com leite na banquinha de frente e, ao ouvir a primeira sirene, já larga a comida e corre pra salvar a vida do paciente lá dentro.

Isso é o que ele diz. Porque o que eu vejo diariamente há dezessete anos, tempo em que estamos juntos, é bem diferente.

O que eu vejo é um cara acordar todo dia às seis da manhã, quando não às cinco, se arrumar, tomar café e ir cheiroso e bem disposto para o posto de saúde em uma das cidades com menor IDH do Brasil, depois de dirigir por uma hora. Sim, não é consultório, não é hospital particular. É posto de saúde em área de risco. Marido sem face, a despeito de seu 1,90m, muitos quilos e cara de bravo, já foi ameaçado por vagabundo armado dentro do posto de saúde. Quase fiquei viúva antes mesmo de me casar e só fui saber disso muitos anos depois. Ele sabia que eu ia surtar quando me contasse e que eu ia insistir pra ele largar o posto de saúde em Ribeirão das Neves. E eu ia mesmo insistir até conseguir convencê-lo a sair de lá. 

Isso era o que eu pensava que conseguiria. Hoje não tenho mais esta petulância. Uma vez fui conhecer o posto em que ele trabalhava num bairro (ainda mais) pobre de Neves. O que eu vi lá me chocou: a rua não tinha calçamento, corria esgoto a céu aberto e a luz do posto era um gato, porque tinha explodido alguma coisa e a prefeitura e a Cemig ainda não tinham arrumado. Marido sem face sentava em uma cadeira de ferro, dura, fazia um calor infernal e não tinha nem um ventilador por lá. Comprei uma cadeira decente e um ventilador, já que não podia colocar ar condicionado no consultório. O computador que tinha neste posto especifico, fui eu que doei. 

E marido sem face lá, todo santo dia, sendo médico por profissão, segundo ele.

Depois de muito tempo neste posto, foi transferido para um outro, mais bem localizado (mais seguro, entenda-se). Os problemas mais graves eram os mesmos: dificuldades pros pacientes fazerem exames, a ignorância da população para aderir ao tratamento, paciente doido pra aposentar por invalidez ou pelo menos conseguir um atestadinho, vereador indo bater na porta para furar fila de atendimento para eleitor e por aí vai. 

Uma vez, marido sem face teve um problema numa clínica em que trabalhou (sim, são vários "empregos") porque pedia para o paciente, se possível, realizar o exame no laboratório x, no qual ele confiava. A clínica tinha um laboratório também e houve uma celeuma porque ele não encaminhava os pacientes direto pro laboratório da clínica. Perguntei porque ele preferia o outro laboratório; disse que estava preocupado com a qualidade do exame para tratar adequadamente o paciente e não com o departamento financeiro da clínica. 

Uma outra vez ouvi de um colega dele que achava um desperdício um cara do nível de marido sem face, inteligente, articulado, trabalhar no posto de saúde ao invés de abrir um consultório próprio. Eu também achava. Apesar de já ter ouvido isto de outros colegas de marido sem face, esta foi a única vez em que o questionei. E pobre não tem direito à medicina de qualidade?! Toma distraída! Quem mandou?! 

Este é meu marido sem face, médico por profissão, não por vocação, segundo ele. Que me mata de orgulho todo santo dia. Que traz muito conforto e alento a quem muitas vezes não tem mais nada. 

Parabéns pelo seu dia, mesmo você não tendo face.

Em tempo: parabéns a todos os médicos com quem convivo e compartilho as dificuldades!

Laeticia morre de orgulho do marido sem face todo santo dia.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Com as fases e as marés

E eu, como estou?
Que sumi por aqui
Ando por aí, por ali...
Acompanhando as marés... os processos...
As luas que minguam, que crescem, que se renovam... E as que enchem... Enchem os corações da gente com os mais diversos sentimentos. Nosso corpo repleto de emoções e sensações. Que transbordam quando a Lua enche.
E nesse movimento que não para, tenho me movido mais acelerada.
Numa urgência de tempo (eu e minha velha questão com o tempo, numa relação de amor e ódio).
E enquanto isso eu vou
Correndo
Aprendendo
Refazendo
Renovando
Pulsando
Minguando
Renascendo
Apaixonando
E desapaixonando
Crescendo
Doendo
Querendo
Movendo
Transmutando
Ressignificando
Respirando
Hoje, transbordando.
E por fim, vivendo.
Tudo não necessariamente nessa mesma ordem.




Gabriela tem um quê de "haribo", como diz uma amiga, "nailô" como diz seus pais, mística, como dizem por aí. E percebeu recentemente que não sabe lidar muito bem com as Luas Cheias. Mas respeita o movimento inspirador que elas provocam. E vibra, pois enfim, voltou aqui.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Escutar

Ando tão distante do blog, muito porque os assuntos que me apetecem discutir são pesados e cada texto que inicio acaba indo drasticamente para um lado pessimista.
Mas hoje me fizeram um desafio (uma tarefa de casa, na verdade, mas que será um desafio para mim) e quis compartilhar aqui. A tarefa é:

"passar um dia inteiro sem interromper as pessoas quando estão falando". 


O curioso é que ando muito introspectiva, buscando me (re) encontrar, e uma das questões que venho pensando é em como eu costumava ouvir com facilidade às pessoas. Ouvir mesmo, não esperar a pessoa parar para respirar e aproveitar o intervalinho para retrucar, ou para contar algo parecido. Apenas ouvir. Perguntar o que fosse necessário para facilitar o entendimento. Essa era uma das qualidades que eu prezava muito em mim mesma e que, em algum momento dessa vida loka, eu perdi.
Não sei se foi a pressa para acompanhar o ritmo acelerado das coisas por fazer. Não sei se foram as mudanças causadas nos diálogos que se tornam cada vez mais superficiais, devendo caber dentro de 120 caracteres por assunto. Ou talvez eu esteja ficando egoísta. Não sei... mas sei que atenção é algo muito valioso para dar a alguém. Tempo. Dedicação. Interesse. Respeito. Tudo isso se doa em uns minutos (que podem, sim, virar horas) de uma conversa de verdade, com escuta atenta e generosa.
E eis que sou desafiada a passar um dia tentando sem interromper os outros. Parece banal, mas fiz um exercício de ouvir uma história de 5 minutos, bem interessante e bem contada, e tive que me conter diversas vezes. Fiquei chocada!
Mas, vocês podem estar falando (e me interrompendo!) só não interromper não quer dizer que você esteja realmente ouvindo. Verdade. E por isso minha mentora pediu que eu registrasse quantas vezes meu pensamento se distrai e dou uma viajada básica
Não comecei o desafio mas já estou analisando como me comporto em diálogos e confesso que não vai ser fácil. Pretendo encarar como um processo de auto conhecimento e crescimento, e não apenas como um para-casa. 
Espero ter bons resultados para compartilhar!

Renata escreve no blog há quase dez (DEZ!) anos, e tem sido muito seletiva no que compartilhar por aqui. Espera se sair bem no desafio boca fechada!





quinta-feira, 9 de março de 2017

Daquele 8 de março de 2017...

Nesse 8 de março tão emblemático, de uma época em que vivemos o ápice da informação sobre a luta das mulheres contra atitudes machistas; mulheres essas que perderam a vergonha de se expor e contaram tudo o que vivenciaram, dando a oportunidade para outras mulheres, como eu, de se reconhecerem em cada ou diversas situações. 

Confesso que quando li as primeiras “confissões” vivenciadas por conhecidas ou desconhecidas, fiquei chocada. Nas minhas veias ainda correm os ensinamentos de minha mãe e de minha avó, aqueles do tipo - “roupa suja se lava em casa”, “devemos ser discretas”. Mas, no momento seguinte, me identifiquei e reconheci que cada texto daquele trazia um aprendizado dolorido de mulheres para outras mulheres, como eu, que ainda enxergavam aquelas atitudes como “normais” acordarem! Eram para um bem maior, uma doação.

O que mais me surpreendeu foram os relatos de esposas e seus companheiros ou ex-companheiros. 

Lembrei de uma história, que aconteceu comigo e um namorado. Eu mordi os lábios dele, que era grande e bem mais forte que eu. Foi o que consegui fazer, presa entre seus braços e pernas, sem poder gritar por ajuda, depois da recusa em dormir com ele. Ter agredido ele fisicamente me trouxe uma culpa imensa e gerou muitos insultos no dia seguinte. Na época me calei e concordei que eu estava louca, como ele disse. Me sucumbi àquela culpa e aguentei ouvir aquela história, sendo contada por ele, omitindo o motivo da agressão, colocando a mim como carrasca.

Histórias de agressão física não se repetiram. Eu calei as psicológicas. E vivi feliz para sempre. Até hoje...

O que me deixa triste é que somente depois de anos, (e graças ao que tenho lido dessas mulheres corajosas desta nova geração), eu tenha descoberto que insultos assim sairiam, sim, da boca de homens que insistem em dizer que “mulher que apanha, apanha porque merece”. Hoje aprendi com elas que, o simples pronunciar desta frase já é uma agressão. 

Por causa delas foi que entendi que se alguém tenta te diminuir, dizendo coisas do tipo: “você não pode viver sozinha pois não conseguirá se sustentar, a não ser que arranje um emprego de telemarketing das 23 às 6 hs (desqualificando o trabalho da mulher e do profissional de telemarketing); “ você não pode ser mãe por ser mais infantil que uma criança” (desqualificando seus desejos); “você está agindo como puta! Você é uma mulher casada!” - quando você saí a noite com suas amigas (desqualificando anos de luta por liberdade feminina); ou ainda te chama de “careta louca” por você achar um absurdo ele dar cobertura para o amigo adúltero, afinal “o problema é deles e não meu!” (reafirmando sua supremacia machista ao defender o amigo MACHO), ele está agredindo você! 

Infelizmente foram coisas que experimentei quando não tinha maturidade para reconhecer o que é GASLIGHTING e outros conceitos de agressão à mulher. E agradeço demais por estar tendo a oportunidade, de coração tranquilo quanto ao passado, de aprender, amadurecer e mudar! Não me calo NUNCA MAIS. 

Nada de sentimentos de piedade. Nada de “Pobre de nós mulheres que enfrentamos isso”...mimimi! De jeito nenhum!

Existem homens maravilhosos, companheiros, que acompanham essa mudança na sociedade e estão querendo estar ao nosso lado nessa luta. Ainda bem! E ainda bem que conheço pessoas assim. Singulares. Homens e mulheres. Gente que trata o assunto com naturalidade, mas naturalidade de leão que defende o bando!

Essas pessoas estão me ensinando a ser mulher de verdade. Mulher, com todas as fragilidades mas também qualidades femininas. Me ensinam reconhecer o valor de cada atitude anti-machista e selecionar, escolher a quem vale estar por perto. E principalmente não deixar acontecer menos do que eu mereço. Eu, mulher. Eu, ser humano do bem.



LorisB. deseja um Feliz dia das mulheres, como são. Cada qual com suas particularidades. Cada qual com seus desafios e cada qual com o direito de ter seus afetos sempre renovados e estabelecidos.

terça-feira, 7 de março de 2017

Eu não vim aqui falar do machismo nem do feminismo (mentira!)

Eu não vim aqui falar do machismo nem do feminismo, afinal ambos não existem, são puro devaneio de mulher histérica. Eu vim falar de sexismo e misognia. E de sororidade. Palavras tão pouco faladas até pouco tempo que tem muita gente que ainda não está familiarizada, nem com as palavras, nem com que elas representam. 

Há umas duas semanas eu estava voltando de uma reunião no local que eu trabalho na qual existiam sete homens e eu. Nada mais natural já que na maioria dos locais de trabalho existem mais homens, afinal eles são bem mais qualificados, mais equilibrados, não entram em licença maternidade e não passam pela tpm todos os meses. Assim que sentei no computador li um artigo que falava sobre as barreiras enfrentadas pelas mulheres no meio científico. O ponto principal do artigo é que mulheres não são convidadas a avaliar os trabalhos de seus pares. E, se pensarmos bem, não estamos falando só que as mulheres não são convidadas a avaliar trabalhos de homens, as próprias mulheres não confiam seus trabalhos para a avaliação por outras mulheres. 

Coincidentemente, nessa mesma semana vi a foto de uma ex-orientanda que estava agora defendendo seu doutorado. A foto com a banca. Ela lá miúda cercada por cinco homens. Poxa, na minha defesa de doutorado a banca foi assim também, lembrei! As mulheres não confiam seus trabalhos a serem avaliados a outras mulheres (ou não influenciam seus orientadores para isso, nesses casos em específico), nem eu! Claro que isso foi há muito tempo e na minha atuação profissional dentro da academia, mesmo que algumas vezes instintivamente, priorizei as parcerias com outras mulheres, a orientação de mulheres e o reconhecimento de seu brilhantismo ou trabalhei para fazer aflorar seu brilhantismo podado.

Além disso já foi visto que o aceite de artigos científicos por determinadas revistas é mais fácil quando o autor principal é homem. Ah gente, super natural! Natural como aquele caso das autoras que receberam como resposta do editor de uma revista científica que seria melhor elas re-submeterem o artigo usando o nome de um homem como autor principal. Natural como a luz do dia, lógico que elas deveriam atribuir a autoria do seu trabalho a outra pessoa. Pode isso? 

Nesse contexto, o filme “Estrelas além do tempo”, muito falado no momento, é sobre a corrida espacial norte-americana na época da guerra fria, tendo como ponto central as dificuldades vividas por um grupo de mulheres negras em conquistarem reconhecimento na ciência e na engenharia. Um outro artigo fala sobre “como ‘Estrelas Além do Tempo’ destaca desafios ainda em voga para mulheres na ciência e na tecnologia”. Sim, as coisas avançaram, mas ainda há dificuldades (de 1961 para 2017). O artigo ainda comenta como meninas e mulheres atuais podem ter tido seu potencial prejudicado pela falta de referências femininas nas áreas de ciência e engenharia. “Não porque essas mulheres não existam, mas porque permanecem ocultas sem o seu devido reconhecimento.”

Outro fato que a Renata aqui do blog me chamou a atenção é que as mulheres não aplicam para vagas em que elas não estão enquadradas em 100% dos requisitos. Você pensou: natural também, a velha insegurança feminina! Para o meu emprego atual eu apliquei para uma vaga em que não me enquadrava em nenhum dos requisitos. E, segundo meu chefe, para ele eu me enquadrava perfeitamente na vaga. Veja bem, a não ser que a vaga tenha sido criada para uma determinada pessoa, muito dificilmente vai aparecer alguém que preencha 100% dos requisitos! A propósito, os homens aplicam quando querem.

Não gente, não é questão de insegurança, e se é, pensem em como fomos criadas. Fomos doutrinadas para nunca acreditarmos ser tão boas quanto somos. Desde a infância. Já ouvi falar até de mães que não reconhecem o brilhantismo, esclarecimento e força de suas filhas mulheres, mas exaltam os filhos homens, até os filhos dos outros. No meio científico existem muitas histórias de sexismo. Ouvimos muitas vezes que não somos brilhantes, despautérios como “não inventa de engravidar”. Quando somos mais duras, somos vacas mal-comidas, isso ouvido de outras mulheres! Enquanto um orientador mais duro é visto com temor e... engole o choro! (ou não, porque aluno chorar tá tão fácil hoje em dia, já viram?). Dentro da universidade já vi professor incitar disputas entre mulheres. Já vi professor assediar mulheres pela simples necessidade de poder. Assediar física e moralmente, Já ouvi dizerem que fulana só passou em tal prova por causa do tamanho do short. E ouvi muitas vezes que fulana devia estar dando para tal professor. Entre outras bizarrices.

Um estudo bastante extenso mostrou que mulheres abandonam mais as carreiras de ciência e tecnologia, mas porquê? Você pensou: claro, a velha falta de persistência feminina! Pois está enganado, cita-se “a preocupação com a falta de oportunidades de crescimento” e o fato de serem “tratadas injustamente, receberem salários menores e apresentarem menos chances de serem promovidas do que seus colegas do sexo masculino”. Algum de vocês já passou por isso? Posso usar meu próprio exemplo aqui, não abandonei a carreira, mas mais de uma vez abandonei um emprego por ser tratada injustamente. Além disso, quantas ideias as mulheres dão e só são ouvidas quando sugeridas por um homem! Claro que se uma mulher decide abandonar sua carreira pela família ou para viver outras aventuras não tem problema nenhum, escolhas devem ser respeitadas sempre. O ponto aqui é aquela que acaba abandonando sua carreira por pressão ou por deixar de enxergar perspectivas.

Assim como a personagem Katherine de “Estrelas além do tempo” precisou levantar a voz para demandar respeito em um momento de desespero, muitas de nós dentro da academia ou em outros meios profissionais, também temos esses momentos de desespero. Como aqueles momentos que interrompem a nossa fala, ou desconstroem os nossos esforços. E ao levantar as nossas vozes somos tachadas de loucas, desequilibradas. Surgem perguntas: você está “naqueles dias”? “Você está com algum problema”? Sim, não é evidente que estamos com um problema? Não estamos sendo respeitadas! 

Porém, voltando ao fato citado de que mulheres não confiam seus trabalhos para outras mulheres avaliarem, o que se vê é que elas disputam espaço entre si. Dentro de departamentos de universidades acontecem brigas inimagináveis entre mulheres. Como se o brilho de uma fosse ofuscar o de outra. Como se só houvesse lugar para uma. Em qualquer meio, mulheres são as maiores vítimas de boatos, nem Marie Curie, uma das maiores cientistas de todos os tempos – primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e a única pessoa a ganhar dois prêmios em áreas distintas – escapou disso! Aliás não sei se você sabe, mas desde 1901, 97% dos ganhadores de prêmios Nobel de ciências foram homens, sendo que em 2016 (sim, ano passado – tão recente!) nenhuma mulher estava entre os 11 ganhadores.


Claro que lá no início onde eu disse que machismo e feminismo não existem estava usando de ironia, assim como em muitas passagens do texto em que falo que tudo é muito natural. O que vejo é que além de seguirmos travando luta contra todo esse sistema desigual em que estamos inseridas, tem muitas coisas que nós podemos fazer a fim de aumentar a representatividade. Como escolher outras mulheres para avaliar nossos trabalhos, para serem nossas bancas, exaltarmos mais o brilhantismo de outras mulheres nas mais diversas áreas, promover grupos de discussão entre mulheres, ou seja dar voz e ouvidos a outras mulheres. E nos policiarmos – até que se torne “natural como a luz do dia” – para deixarmos de reproduzir discurso machista. E aí que entra a sororidade.

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Pra quem quiser ler mais:



Luciana escreve (ou deveria escrever) às terças e coincidentemente terminou esse texto hoje, véspera do dia 08.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Gente é pra brilhar

Li ontem o seguinte texto, que me inspirou a voltar a escrever aqui, depois de tanto tempo, tantas reviravoltas e mudanças ocorridas na minha vida, de meados de 2016 pra cá. Processos profundos de mudança, desapego, quebras, lutos, recomeços, ressignificações... Quem sabe vire um texto publicado... quem sabe vire um texto para guardar no arquivo pessoal, como tantos outros ensaios que andei fazendo nesse período de escassez textual por aqui... Quem sabe seja necessário um bocadinho mais de coragem e reconhecimento desse poder pessoal, que logo falo... Bom, quem sabe?! Com certeza, eu!!! Rsrsrsr... Mas deixemos tudo isso para uma outra história…. Segue o texto inspiração, da Alana Trauczynski:

“Assumir o seu poder é uma bênção para você, mas um terror para todos os que te rodeiam, porque passa a ser muito desconfortável estar ao lado de alguém que se permite, que se acha merecedor, que se abre para a abundância do universo. \"Como assim alguém que é igualzinho a mim, um ser humano cheio de falhas, se permitindo tudo isso?\" Ao invés deste pensamento escasso, que tal se permitir também? Você também merece. Só falta constatar isso. Não é preciso ser perfeito para ser inspirador, para fazer sucesso, para ser rico, fabuloso e maravilhoso... É só se dar permissão, mesmo com todos os seus defeitos. O universo vai dizer: ufa, mais um que se libertou dessa nóia... Aleluiaaaa!”
Eu escolhi e decidi ser livre.
Decidi ser livre, com todas as minhas virtudes e potencialidades, assim como com minhas vulnerabilidades e “pontos de melhoria”, como dizem no coaching.
E você, escolhe o que??!!
Está pronto para "desbloquear a abundância e seu poder pessoal"?!
Esse é o nome do curso que estou fazendo com a querida e iluminada terapeuta Ariana.Schlosser, que trabalha com a técnica da EFT. Esse curso  tem girado, a cada módulo, chaves importantes dentro de mim, quebrando várias crenças e padrões que limitavam todo meu potencial, até então contido e engavetado, por vários medos e "dedos". Motivos e votos secretos que escondemos láaaaaa no nosso inconsciente, que nos tornam nossos próprios sabotadores e algozes... Aos poucos vou desbloqueando, mas ainda tem muito chão. É um caminho profundo, essencialmente interno, de autoconhecimento. Mas toda caminhada é feita passo a passo. 
E como diz Caetano, "gente é pra brilhar". Então, o convite é: bora brilhar, minha gente!!!!
Bora ser feliz, viver nossa missão, nossos sonhos, descobrir nosso propósito, iluminar, com nossa própria luz, esse universo rico e abundante!
Bora, que a gente pode, bora, que a gente merece, bora, que a gente decide! Só bora!!!!!!
Sem medo, sem desculpas, sem vitimismo, sem procrastinação, sem auto-sabotagem. Toma as rédeas da sua vida e vai... vai ser feliz!!! Liberte-se, o mundo é todo seu!!!! 

Gabriela faz terapia, tem participado de cursos sobre desenvolvimento humano, autoconhecimento, faz coaching, medita (com muuuito esforço, pelo menos 7 minutos, e quando dá), faz a p.. toda, mas não perde essa mania de Pollyanna e de otimista crônica... rsrsrsrs... Mas como a ideia é aceitar as dores e delícias de ser o que é, está cada vez mais tranquila e assumida quanto a isso.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Sobre 2016

Escutamos das pessoas que 2016 foi um ano pesado. E como concordo com essa ideia.
2016 foi o ano em que a música perdeu seu ídolo David Bowie, em que o esporte perdeu o lendário lutador Muhammad Ali e a nossa queridíssima Chapecoense, em que terremotos e furacões ceifaram vidas na Itália, no Equador, no Haiti. Com tristeza vimos notícias de atentados na Costa do Marfim, na Bélgica, no Paquistão, na Turquia, no Iraque, no Afeganistão.

Derramamos muitas lágrimas pela Síria, acompanhando nos noticiários o drama de Aleppo.
Em 2016 vimos amigos e conhecidos perderem o emprego, empresas fecharem suas portas definitivamente por falta de recursos. Vimos amigos perderem parentes, vimos a nós mesmos perdermos a esperança (como se fôssemos espectadores de nossa própria vida, olhando-nos de fora, perplexos).

2016 foi o ano da dor. Da incredulidade. De descobrir dentro de nós forças que não sabíamos possuir, para só então, em meio a esse caos, continuar.
Cuba “perdeu” Fidel. Os Estados Unidos “ganharam” o Trump. Uma questão de ponto de vista? Talvez.

A primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil foi também a segunda pessoa a sofrer um impeachment neste solo. Por algum  tempo pairou no ar a expectativa de que as coisas iriam ficar bem. Não ficaram. O Brasil “ganhou” o Temer. O Temer não ganhou o Brasil.

O Rio Grande do Sul acompanha atônito as manobras de seu governo em uma tentativa de sair da crise. Nada parece dar certo. Os servidores públicos (me incluo nessa categoria) tiveram o ano mais complicado dos últimos tempos. Salários parcelados e aquela novela que todos já conhecem. Os noticiários divulgaram fortemente. De nada adiantou. Terminamos o ano recebendo uma parcela (a 1º de 12) do nosso 13º salário.

Mas sabem, andei pensando. O que nós não podemos é perder a esperança de dias melhores e temos aí uma virada de ano que irá acontecer. Aquele momento mágico em que a gente olha para o céu iluminado pelos fogos de artifício e sente dentro de nós que tudo vai ficar bem. Depositamos todas as nossas fichas no ano que se inicia e não poderia ser diferente. Precisamos acreditar que dias melhores virão. É o que desejo para mim, é o que desejo para você. Às 23:59h do dia 31/12/2016 eu olharei para o alto e direi: “Já vai tarde, 2016. Seja bem-vindo 2017. Por favor, mais do que não nos decepcionar, nos surpreenda.”

Andri escreve às sextas-feiras e está feliz que 2016 está chegando ao fim. Parece ter durado uma década, ao invés de um ano.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

2017 seu lindo!


Fim de ano, chegando. Todo mundo doido para sair de férias e esquecer um pouco como 2016 foi pesado. Pra gastar o décimo em presentes e festas. Tantos memes sobre o ano que parece não ter fim! O melhor deles levantava a possibilidade de o show do Roberto Carlos ser cancelado e 2016 se tornar infinito, pois o ano nunca acaba sem o show do Roberto Carlos!
Impressionante mesmo é a capacidade do brasileiro de fazer piada de tudo, na hora, 100% online. Se por um lado isso garante um sorriso no rosto e a capacidade de seguir em frente, por outro nos coloca na eterna posição de espectadores. A reação do povo é fazer piada e tocar em frente, num conformismo disfarçado de otimismo. Não levar as coisas a sério, não assumir o protagonismo de sua vida (em diversas esferas) abre todo o espaço para que outros (no caso, o Governo) tome todas as decisões.
Será que a gente acha um caminho do meio? Será que a gente consegue aplicar toda essa energia e criatividade em fazer um país melhor? Vocês conseguem imaginar?


Renata também está esperando para que o ano acabe, para rever sua família, para descansar. E se 2017 puder trazer algo de diferente, ela espera que sejam novas posturas, mais maduras e propositivas. 
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