segunda-feira, 20 de abril de 2009

Do outro lado da rua


Esteve sempre no mesmo lugar, bom nem sempre, mas desde que ela se lembrava, lá estava, a casa. No meio de um jardim, um tanto quanto tumultuado, por gramas, ervas, matos, árvores, se via ao longe uma casa. Pequena, com varanda, chamando para entrar, no entanto, abandonada. Por muitos anos estava assim, sozinha, no meio de outras casas habitadas, mas ela, sozinha. Vez ou outra, um mendigo se aventurava e por lá permanecia por alguns dias, depois, estes, também sumiam. 

Em suas caminhadas Anastácia um dia reparou, mais do que já havia olhado e começou a sonhar, mais do que já sonhava. Com a casinha, o jardim, as flores que irá plantar, mensageiros do vento, um cão, quem sabe dois, gatos, o varal com roupas de cama estendidas, a sala, a varanda, uma rede, a cozinha, comidinhas, o quarto, seus amigos, sua família, e com ela mesma. Anastácia passou dias a sonhar, tudo nos máximos detalhes. Seu companheiro sempre presente. A casa agora tinha cheiro de bolo, gosto de gente feliz, som de uma música que Anastácia gosta muito. Em fim a casa agora tinha vida, a vida de Anastácia.


Sonhando e acreditando Anastácia vivia, pois sabia que a casinha estava só e somente só a sua espera.

6 comentários:

Dani Vieira disse...

Ler este texto foi um dos melhores presentes de aniversário que eu poderia ganhar hj!!

=]

Mariana disse...

ai ai... uma casinha bem parecida com essa (com direito a cheiro de bolo e musica boa tambem) tem habitado meus sonhos tambem... um dia chego la! beijos!

Angel disse...

Por que não escreve um livro!?
Suas narrativas são tão deliciosas...
bjo!

Gisele Lins disse...

Ô Sílvia, já consigo te ver na casinha... Nos convida para um chá com pão de queijo?
Beijos!

Silvia disse...

Me identifiquei muito com você e so seu jeito de se expressar. Sinto muito a falta de amigas assim. Gostaria de poder conversar mais co você, mas não encontrei nenhum endereço poder entrar em contato. Nem sei se essa minha mensagem vai chegar até você, mas de qualquer forma quero dizer que é muito bom encontrar pessoas assim.

paulo fernandes disse...

Silvinha, alguém já disse que seus textos tem uma atmosfera interiorana e sao escritos com uma simplicidade que faz lembrar Adelia prado?
beijos

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