segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Da vida


Pra minha idade acho que já fiz um bocado, aqui e ali, bem acompanhada ou não, sendo que às vezes a má companhia era eu mesma, mas não me arrependo. E percebo com alegria que posso dizer que não me arrependo de nada, se fosse pra viver de novo, assim o seria. Talvez seja por isso que acredite que já experimentei bastante o que não significa o suficiente e assim prossigo.

Mas nessas e outras já quebrei algumas coisas, dentes, nariz, corações, incluindo o meu, é claro. Fui algumas vezes pro fim do poço, e achei que ele não tinha fim, mas tem, tem sim, e agora, de quando em quando me vejo voltando pra lá, e não sinto mais tanto medo, já sei que da mesma maneira que se vai, se volta.

E nesses anos de vida, já visitei lugares que sempre quis, xinguei em línguas que não sabia falar, bebi com gente que nunca vi, confiei em desconhecidos que se tornaram amigos, apreendi a aguçar a mente e escutar o que ninguém diz, mas que está lá.

Aprendi a manter a calma quando o avião sacode mais do que o usual e você olha pro lado e vê olhos de pavor, olho pra dentro de mim e penso - tudo bem, eu fui, eu vi, eu vivi, se for agora que seja. E quando se chega em fim em terra seja aqui ou lá, a gente bate palmas e tem vontade de beijar o chão assim como o Papa, e o faz, mentalmente.

E a vida continua, assim como o mundo, a traçar seu percurso, já tive carro roubado, mala também, numa vez roubada, na outra amassada. A gente se sente idiota e ao mesmo tempo feliz, afinal se tantas coisas boas e ruins acontecem é sinal de que tenho vivido. E se tudo fosse bom, ou ruim, como poderia distinguí-los ou, ainda, medí-los. Podia ser melhor? Sempre pode, mas podia ser pior também. E agradeço, pois apesar das várias estripulias, não tenho do que reclamar.


Silvia escreve às segundas.

5 comentários:

Thaty disse...

Ja diz aquele velho ditado popular...
" se arrepensa apenas do que não fez"
E eu concordo plenamente.

Grande Beijo
Thaty
Pedaços do Cotidiano

Anônimo disse...

É o eterno devir, minha querida... a única permanência!

E, mesmo estando e sendo o pior, lembramos sempre que vivemos no melhor dos mundos, 'graças a Deus'! E que no fundo do poço não há outro lugar senão o acima!

Beijo,
Sérgio

Marco disse...

E o que seria da vida se não fosse essas loucas experiências, né?

Marco disse...

E o que seria da vida se não fosse essas loucas experiências, né?

Andréia B. Borba disse...

Lindo texto!
Parabéns!

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