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quinta-feira, 9 de março de 2017

Daquele 8 de março de 2017...

Nesse 8 de março tão emblemático, de uma época em que vivemos o ápice da informação sobre a luta das mulheres contra atitudes machistas; mulheres essas que perderam a vergonha de se expor e contaram tudo o que vivenciaram, dando a oportunidade para outras mulheres, como eu, de se reconhecerem em cada ou diversas situações. 

Confesso que quando li as primeiras “confissões” vivenciadas por conhecidas ou desconhecidas, fiquei chocada. Nas minhas veias ainda correm os ensinamentos de minha mãe e de minha avó, aqueles do tipo - “roupa suja se lava em casa”, “devemos ser discretas”. Mas, no momento seguinte, me identifiquei e reconheci que cada texto daquele trazia um aprendizado dolorido de mulheres para outras mulheres, como eu, que ainda enxergavam aquelas atitudes como “normais” acordarem! Eram para um bem maior, uma doação.

O que mais me surpreendeu foram os relatos de esposas e seus companheiros ou ex-companheiros. 

Lembrei de uma história, que aconteceu comigo e um namorado. Eu mordi os lábios dele, que era grande e bem mais forte que eu. Foi o que consegui fazer, presa entre seus braços e pernas, sem poder gritar por ajuda, depois da recusa em dormir com ele. Ter agredido ele fisicamente me trouxe uma culpa imensa e gerou muitos insultos no dia seguinte. Na época me calei e concordei que eu estava louca, como ele disse. Me sucumbi àquela culpa e aguentei ouvir aquela história, sendo contada por ele, omitindo o motivo da agressão, colocando a mim como carrasca.

Histórias de agressão física não se repetiram. Eu calei as psicológicas. E vivi feliz para sempre. Até hoje...

O que me deixa triste é que somente depois de anos, (e graças ao que tenho lido dessas mulheres corajosas desta nova geração), eu tenha descoberto que insultos assim sairiam, sim, da boca de homens que insistem em dizer que “mulher que apanha, apanha porque merece”. Hoje aprendi com elas que, o simples pronunciar desta frase já é uma agressão. 

Por causa delas foi que entendi que se alguém tenta te diminuir, dizendo coisas do tipo: “você não pode viver sozinha pois não conseguirá se sustentar, a não ser que arranje um emprego de telemarketing das 23 às 6 hs (desqualificando o trabalho da mulher e do profissional de telemarketing); “ você não pode ser mãe por ser mais infantil que uma criança” (desqualificando seus desejos); “você está agindo como puta! Você é uma mulher casada!” - quando você saí a noite com suas amigas (desqualificando anos de luta por liberdade feminina); ou ainda te chama de “careta louca” por você achar um absurdo ele dar cobertura para o amigo adúltero, afinal “o problema é deles e não meu!” (reafirmando sua supremacia machista ao defender o amigo MACHO), ele está agredindo você! 

Infelizmente foram coisas que experimentei quando não tinha maturidade para reconhecer o que é GASLIGHTING e outros conceitos de agressão à mulher. E agradeço demais por estar tendo a oportunidade, de coração tranquilo quanto ao passado, de aprender, amadurecer e mudar! Não me calo NUNCA MAIS. 

Nada de sentimentos de piedade. Nada de “Pobre de nós mulheres que enfrentamos isso”...mimimi! De jeito nenhum!

Existem homens maravilhosos, companheiros, que acompanham essa mudança na sociedade e estão querendo estar ao nosso lado nessa luta. Ainda bem! E ainda bem que conheço pessoas assim. Singulares. Homens e mulheres. Gente que trata o assunto com naturalidade, mas naturalidade de leão que defende o bando!

Essas pessoas estão me ensinando a ser mulher de verdade. Mulher, com todas as fragilidades mas também qualidades femininas. Me ensinam reconhecer o valor de cada atitude anti-machista e selecionar, escolher a quem vale estar por perto. E principalmente não deixar acontecer menos do que eu mereço. Eu, mulher. Eu, ser humano do bem.



LorisB. deseja um Feliz dia das mulheres, como são. Cada qual com suas particularidades. Cada qual com seus desafios e cada qual com o direito de ter seus afetos sempre renovados e estabelecidos.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

“Que ninguém nos ouça.”

Pausa na semana. Feriado. 
Pausa para tomar café às onze da manhã e acordar às nove. Pausa na vida. 
Pausa para sentar na cama e escrever. Ah como é bom! 
Vai durar o tempo do “Show da Luna”, eu sei. Mas sorverei este momento como o bom café da primeira xícara de manhã. 
Preparei um texto mentalmente na madrugada de ontem que não consigo lembrar mais. Mas de uma coisa lembro. Quero falar deste livro que comecei a ler já com lágrimas nos olhos nas primeiras páginas. 
Uma delicadeza exposta por essas duas grandes mulheres que, como a gente aqui do Drepente30, dividem histórias de vida, angústias e desejos. 
O livro é uma compilação de troca de emails entre a jornalista Leila Ferreira e a publicitária Cris Guerra. 
As duas conterrâneas aqui da “terra do pão de queijo”. Lindas, guerreiras, mulheres de Minas Gerais.
Já nas primeiras páginas me identifiquei com as histórias das duas.
A Leila relatando sua angústia por não ter se tornado mãe me trouxe de volta aos meus 34 anos, quando me separei, depois de um relacionamento de quase 20 anos.
Eu vivia triste, deprimida por não ter conseguido realizar este sonho de ser mãe. E me sentia velha demais para começar tudo de novo e ter um filho. Afinal nós mulheres temos o tal do relógio biológico que é determinante! E eu ainda tinha um agravante. Um tal fantasma chamado “ciclos anovulatórios” recém descobertos pelos médicos. Enfim. Meu destino já estaria traçado. Seria eu, como Leila, a mulher que enfiaria de cabeça no trabalho e viveria com meus fantasmas. E foi isso que fiz. Caí de cabeça em tudo que me apresentavam profissionalmente. Foi uma época de muita produção, reconhecimento profissional e talvez determinante, por causa da energia que vem disso tudo e que atrai pessoas a nossa volta.
E aí que começa a se fundir a minha história com a de Cris Guerra. Que resolveu enfrentar a maternidade com coragem depois da morte do seu companheiro e pai do seu filho que morreu, quando ela ainda estava grávida. Confesso que chorei litros enquanto lia seu relato.
A minha história era igual a dela até certo ponto. Eu não perdi ninguém fisicamente. Nem mesmo emocionalmente. Não perdi meu amor. Mas vivo intensamente essas coisas que toda mãe solo enfrenta por aí… 
Naquela época de grande energia produtiva acabei ficando grávida de um namorado (nem sei se posso assim dizer, pois estávamos nos encontrando há 2 meses apenas), paixão, amor, ou o que possam nominar. Eu chamo de namorado. Mas esta é uma outra história. Que um dia conto. O que posso dizer é que a minha filha não ficou sem pai. Ela ama aquele pai e eu tenho muito orgulho de ter vencido batalhas Homéricas com o meu orgulho (besta) para ver isso acontecer. Amo muito ser coadjuvante dessa relação entre os dois. Amo tudo que tenha a ver com eles.
Bom...mas por questões de incompatibilidade temporal, cronológica, e por puro susto dos dois, não conseguimos ficar juntos naquele momento. E foi um rompimento doloroso. Quase uma morte. E quando se está gerando uma vida ficamos mais sensíveis a tudo o que acontece. Eu e Cris Guerra enfrentamos essas “mortes” e estamos vivas e lindas e mães. Super mães. E mulheres, com todas as suas angústias mas também com todo o tesão de experimentar todas as experiências que a vida nos coloca. O amor pela vida me trouxe um fio de conexão com aquela mulher. Que nem conheço! 
De volta ao livro, as duas vão relatando seus dias e suas experiências de maneira muito gostosa de ler. E a gente vai acompanhando como se tivesse lendo emails de amigas próximas, nos contando seus dias e suas impressões. 
Descobri com este livro, que a vida da gente tem muito em comum. E somos um universo. 
Quero sempre estar aqui dividindo com vocês essas experiências.

Leiam o livro e depois me contem! 

É um livro da editora Planeta. “Que ninguém nos ouça - terapia virtual entre duas mulheres.” Das autoras Leila Ferreira e Cris Guerra.

Beijocas e bom feriado! 

LorisB., uma mineirinha que adora ler, traz aqui uma indicação de leitura leve e gostosa (assim como é o pão de queijo da nossa terrinha) para as amigas do nosso também cantinho terapêutico. Tudo no diminutivo para honrar a “mineirice”!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Dos desafios

Fui “desafiada” por minha amiga de Blog a escrever sobre os desafios da mulher entre 30 e 40 anos nos dias de hoje.

Eu não sou jornalista. Não sou acadêmica. E não estamos aqui para fazer parte de pesquisas. 

Acredito que sempre, nós humanas, seres vivos habitantes deste planeta, deste país, estaremos vivendo um momento político e econômico que influenciará nosso comportamento social. Mas deixaremos isso para os cientistas daquele universo. Estou aqui para falar de amenidades...de “umbigo”. Estou aqui para falar da minha síndrome de Cinderela. Da minha falta de jeito com a maternidade. Do que acho. Do que consegui abandonar pelo caminho e de outras bagagens que se somaram ao peso que carrego por ser humana. E mulher. E mãe. E profissional.

E do que aconteceu nesse período que estive ausente. 

Para falar um pouco de como é difícil arrumar um tempo sozinha em casa para escrever, descrevo a cena: Estou ainda na mesa de café da manhã, em um domingo que, finalmente, consegui ficar em casa com minha filha de 4 anos. Até agora só escrevi essas poucas linhas, pois a cada 5 minutos ela, que está aqui por perto, assistindo ao filme Frozen, me interrompe. E por mais que eu tenha pedido para “deixar a mamãe trabalhar um pouquinho”, ela não atende. Então, daqui a pouco vou ficar culpada e largar todo o resto para brincar de Barbie.

Sei que essa deve ser a realidade de muitas e muitas mulheres que criam seus filhos sozinhas. Ou até pior. Eu sei que sou privilegiada mas faço parte dessa estatística. Sou mãe em tempo integral e ela tem um pai de 15 em 15 dias por 2 dias. Um pai amoroso sim. Um querido que conquistou o amor da minha filha. Mérito todo dele. Ela simplesmente é apaixonada por ele.

Eu amo muito ser mãe. A maternidade é sim um desafio prazeroso. E tem sido assunto que deu “panos pra manga” nos últimos dias. Eu poderia escrever todas as delícias de ser mãe e também todas as amarguras. Mas eu só tenho a dizer uma coisa: é uma experiência pessoal. Assim como o casamento. Assim como um grande amor. O grande amor…

O último ano foi o mais desafiador. Muito além da maternidade. Uma experiência de expansão de tudo o que eu entendia por amor. Escrevi muito sobre, enquanto passava por aquilo. Mas eram desabafos não confessáveis. Quem precisava escutar, sim, escutou. Digeriu. Retribuiu. E foi embora de novo. Não. Não foi embora. Está aqui. Para sempre. Foi esse o resultado. Amor é nosso. O sentimento. Ele não aprisiona. Ele não precisa de status. Ele só precisa aquecer o coração. Sabe, aquele calorzinho no peito… Sim. Eu amo essa pessoa e isso não vai mudar mesmo que sua vida tenha uma distância física, conceitual e circunstancial da minha. Sei que ele levará com ele a parte confessa deste sentimento por toda a sua vida. E eu cuidarei que a minha parte nunca se acabe, pois ela me faz bem. 

E assim, 2015 terminou com muitas lágrimas mas 2016 começou leve. Muito amor pra ser compartilhado. Muita luz e paz de espírito. Independente da situação política e econômica do mundo, o mundo particular é o que você faz dele.

LorisB. aceitou o desafio e trouxe suas experiências do ano de 2015...que não foi fácil pra ninguém! Mas acredita que com um pouquinho de boa vontade a gente faz um ano melhor.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Das delícias dessa fase

No princípio eu achava estranho.
Frequentava os mesmos lugares, as mesmas pessoas, mas não tinha muito sentido.
Culpei a situação.
Culpei os lugares.
Culpei as pessoas.
E por fim culpei a mim mesma, por estar sempre me agarrando às opiniões de todos, menos à minha própria. Menos aos meus fatos. Menos à minha própria história.
Achei estranho por uns bons anos.
Mas, como sempre acontece na vida de todo o mundo, uma hora “a coisa” tem que mudar. E você muda.
Muda tudo.
Nem tanto assim fisicamente. Ou então a gente não percebe...o que é bom não é?
Minhas preocupações (vulgos “pitis”) são bem mais brandas em relação cabelo branco, a ruga na testa, as bolsas nos olhos.... Tenho aprendido a conviver com elas. A mudança importante e menos visível é a que vos apresento.
Ocupei espaços. Ocupei pessoas. Me ocupei de outras. De situações também.
As opiniões, agora, são mais minhas, e meu botão do “fodase”está mais acessível à mão.
Percebi que o tempo passa muito rápido mesmo. Não é boato...
Aos 39 estou eu, aqui, buscando realizações pessoais, que venho protelando desde os 20 e o amor (que sei que é) para a vida toda. E as coisas vão acontecendo... Como se tivesse dado o primeiro impulso numa peça da engrenagem.
Então a balzaca, que daqui há alguns poucos meses será uma mulher de 40 (chamem o Roberto!), tem uma frase de impacto e nem um pouco antiquada (sarcasmo mode on): “A vida começa aos quarenta!”

LorisB. está bem próxima de fazer 40 anos e está feliz com a clareza que essa fase traz. Apesar das bolsas embaixo dos olhos...

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Essa coisa do feminismo

Eu sei que tem gente falando muita coisa sem noção por aí sobre o “novo feminismo”, sobre mulheres extremistas, e tal…
Estou acompanhando, de longe, um movimento que me desperta algumas memórias e sensações que não tinha reparado… e passei a não julgá­-las como extremistas. 

Vou explicar:

Sempre fui chamada de “metida”. Sempre me acusaram de fresca quando não queria sair de casa sozinha à noite, ou andar por determinada rua sozinha. Algumas pessoas já me disseram que eu tinha que baixar a cabeça quando recebesse cantadas na rua. Outras pessoas me disseram que isso era legal! Sinal de que estou chamando atenção dos homens…(pffffff).

Mas, lendo essas meninas, “feministas antipáticas”, me recordo de ter passado por várias situações de perigo e discriminação, por ser mulher. E que a minha cara fechada e o meu isolamento sempre foi a maneira que arranjei de me defender. 

Não sou feminista. E nunca tinha parado pra pensar nisso. Acho que o respeito deve ser mútuo entre SERES HUMANOS independente do sexo. 

Mas eu fui criada (ai ai...que antigo isso!) para ser um pouquinho independente e um pouquinho submissa. Sou filha da revolução sexual. Meus pais viveram essa transição mas não eram visionários. Eu fui estimulada a ter minha idenpendência financeira e só. Ninguém me disse mais nada. Eu não soube identificar muitas coisas que aconteceram. E não dei o meu grito na hora certa. Até começar a vivenciar essas coisas abertamente no ambiente de trabalho. Sim! Coisas do tipo: Mulher não pode ganhar igual ao homem, principalmente no setor público, pois tiram muitas licenças…(Seu babaca! Se a gente não tirasse licença maternidade talvez você nem estivesse nascido pra estar aí falando merda!)... 

Não acho que essas meninas estão dando a cara à tapa em vão! E elas tem que mostrar os extremos sim. Serem radicais. É dessa discussão meio sem direção é que vamos tirar os benefícios. Coloca tudo pra fora que depois organizamos! Tudo que não foi dito! 

LorisB não é nenhuma radical... Mas gosta do movimento pelo respeito!


sábado, 8 de março de 2014

Quem é essa mulher?



Ela cresceu sabendo que um dia teria que ter um trabalho bom, que desse seu sustento.

Cresceu sabendo que as tarefas domésticas seriam sua responsabilidade e aprendeu a gostar de limpar, arrumar e organizar.

Cresceu ouvindo que filhos a levariam para um estado de prisão, mas que teria suas recompensas.

Cresceu vendo suas amigas se embelezarem e percebeu que isso seria uma busca sua também. Muito prazerosa.

Cresceu tendo a certeza de que um dia, se ela seguisse todas as outras lições, alguém apareceria para completar sua vida. Alguém especial que despertaria sua vontade de ser uma pessoa melhor.

Cresceu desejando isso e esperando que esse alguém especial fosse sua recompensa de mocinha obediente. 

A vida não foi exatamente assim, não é? A vida te ensinou que as coisas não seguem um padrão. A vida te ensinou que tudo fora da ordem é a melhor forma de amadurecer, apesar de ser mais sofrido. A vida te abriu possibilidades e você, mesmo sem pensar direito se seria o certo, foi pelo caminho mais difícil e venceu! Venceu! 

Você jogou com sua sorte e passou por experiências duras e outras tantas lindas.

Encontrou pessoas que andaram ao seu lado, e outras tantas que só queriam estar ao seu lado, sem somar. 

Encontrou amores superficiais, nada convencionais e outros bandidos. TODOS te fizeram sofrer e AMADURECER.

E aquela pessoa, aquela que seria sua recompensa está aí, agora. 

Olhe em volta. Viu? Não?

Então olhe para dentro! Isso! Aí está a pessoa que você merece. Você. Ame-se. 

Você é uma VENCEDORA mulher! 

Alegre-se por ter tido todo esse aprendizado. Foi uma sorte a sua vida ter sido do jeito que foi. Você é LINDA!



Lóris deseja: Feliz dia da MULHER!



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ei Pequetita


Ei Pequetita!

A vida está uma correria! Que bom! Adoro viver nessa correria com você ao meu lado!

Agora estamos numa fase em que você já entende muita coisa e passa alguns finais de semana com o seu pai. Essa é a segunda vez que você vai com ele.
Confesso que ainda estou me adaptando porque, apesar de você ter dois aninhos e cinco meses (uma mocinha!), eu ainda acho que você é um bebezinho. 
Você ainda não entende porque a mamãe não vai junto, mas no futuro você vai entender que estamos fazendo o melhor pra você.

Hoje você curtiu bastante a nossa manhã de sábado, juntinhas em casa. Tive que insistir muito para que você concordasse em se aprontar para sair com o pai. Te expliquei que o papai fica com saudades de você e que esse tempo com ele é importante. Mesmo assim você fez birrinha é só aceitou entrar para o banho quando o interfone tocou. E quando eu te levei até o carro você me abraçou e disse que queria que eu fosse também...
Quero que você entenda que essa é uma coisa boa meu amor! E a mamãe vai estar sempre por perto quando você precisar. É só você chamar que eu vou correndo ao seu encontro, como sempre faço!

Esse ano começou bem agitado! Fomos a várias festas de confraternização juntas e viajamos juntas no reveillon e nas férias de janeiro para a praia! 
A praia foi uma farra desde a saída no aeroporto até a chegada! Você adorou o mar! Saia correndo na areia, com uma liberdade incrível! Tudo era novidade! A cama da pousada, os cafés da manhã junto com outras pessoas com as quais você fazia questão de conversar, sentando nas mesas delas; os passeios de carro observando as paisagens novas; o avião...esse foi uma farra à parte! Sentava, abotoava o cinto sozinha e conversava com os vizinhos de poltrona. Em um dos trechos você quis ir sentada ao lado de uma moça que viajava sozinha e foi conversando com ela como se conhecesse.
Tudo foi muito bom! Mas quando chegamos em casa você correu para sua cama e brinquedos! Estava com saudades! E na manhã seguinte, estava ansiosa para ir para a escola!
Percebi que alguma coisa tinha mudado. Seu espaço...agora você está consciente de que é uma pessoinha e tem seu espaço. Tem suas vontades e se impõe diante delas...e tenta me convencer com conversas...mas também com birrinhas. Coisas de "Quilança"(criança)!

Já estou aqui morrendo de saudades de você! E só tem duas horas que você saiu...rsrsrs.
Amanhã, quando chegar, vou estar te esperando com muito amor!

Te amo muito minha Pequetita


Loris Bahia é também Loris Mãe e está tentando deixar registrado algumas das fases mais importantes de sua filha em um blog feito especialmente pra ela. A doce Catarina.

Obs: texto originalmente publicado aqui

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Das flores que sempre voltam.

Minha mãe sempre me dizia: “Não fique igual a mim. Seja independente e sociável”.

Confesso que não assimilava muito bem quando era criança, mas aquilo ficou como um mantra na minha memória. Nunca julguei que ser igual a ela fosse ruim. Pelo contrário. Sempre admirei muito sua dedicação com a gente. Foi por ela ser do jeito que é, que somos uma família. 

Outro dia li uma postagem num blog que falava sobre uma reportagem, dessas revistas direcionadas ao público adolescente, que estaria influenciando o comportamento de meninas. Uma coisa meio assustadora do tipo: qual a opinião dos meninos a respeito das meninas que são para ficar e as meninas que são para namorar. 

Mudar a cultura de um povo é possível, mas demora “mil anos” pra acontecer. Infelizmente a nossa cultura tem essa base machista de objetificação da mulher. E com todas as mudanças que aconteceram até hoje, estamos vivendo uma fase de objetificação dos homens também, vamos combinar né gente? A coisa tá meio “objetificante” demais! 

Daí uma coisa que me incomodou foi: - em que estágio de evolução estaremos, quando a minha filha for adolescente (ela tem 2 aninhos)!? 

Mas será que isso é mesmo uma coisa para se preocupar? Qual a influência dessas revistas ou outros meios de comunicação na cabeça da minha filha? 

Bom...por isso falei da minha mãe no início. O mantra dela me serviu de escudo. Ela talvez não tivesse ideia, mas estava fazendo uma revolução em uma cabeça. A minha cabeça. Que não se deixou influenciar por nada das coisas ruins que chegaram até a minha cabeça de menina. 

Pronto! Livre do incômodo estágio de evolução das outras meninas, entendi que a minha menina vai precisar de alguns mantras pra continuar ser a pessoinha descolada que já se anuncia. 


LorisB. se preocupa em ser. E anda se adaptando a essa tarefa tão prazerosa de ser mãe.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Simples assim

“Quanto mais simples a casinha mais sincero o bom dia.” – Fernanda Takai

A cada dia penso mais e vivo mais essa gostosura de simplicidade. Gostosura de viver perto das coisinhas mais simples e mais sinceras da minha vida. Meu cantinho, que é meu. Minha pequerrucha que é minha cúmplice e vem se tornando minha companheirona. - Amor demais! – Meus trajetos que se tornaram mais curtos. Meus sonhos que se tornam cada vez mais tranquilos. Meu sono que vem se reestabelecendo. Meu trabalho sendo reconhecido, por quem precisa ser, sem alardes. Pessoas boas se aproximando...

Descobrindo que viver é tão gostoso e tão mais simples do que eu achava ser. 

Não me vejo mais naquela outra que era tão ansiosa por não estar conseguindo “estabelecer metas de vida, alcançar objetivos”, e ver o resultado convertido em grana! Essa não era a minha vida. A minha vida é essa que vivo agora. Sou simples. Não sonho, e nunca sonhei em conquistar o “topo”. Talvez, por isso, eu não lutasse para conquistar. Não era o meu caminho. Sou simples. Agora sim. Sou simples. Sou eu. 

Muito prazer, 

LorisB.



LorisB. está feliz e desejando muito que todos seus amigos queridos sejam também.



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Mudança


Perdi de mim mesma. Ainda não sei quando. Se na meninice dos 20 ou nos desejos dos 30. 

Busquei o caminho de volta. E nesse caminho encontrei pedaços desconhecidos de mim. Apanhei-os. Estranhei-os. Aceitei-os e cheguei até a amá-los. Depois acabei por juntar todos. E com eles em mãos iniciei o gratificante trabalho de me reinventar.

Outras pessoas vieram. Uns deixaram carinho, aconchego, conforto, palavras doces. Cada pedacinho de coisa boa esculpida, transformada e absorvida por mim. Outras passaram só para olhar... E ainda houve aquelas que trouxeram coisas não tão boas, a princípio, mas que ajudaram a moldar o que hoje tenho como a grande vitória. O meu ser fortalecido e em contínua transformação.

Sem querer parar e apaixonada pela vida, tenho agora o controle sobre o que sou e o que quero. 

Certa de que as escolhas que fazemos são sempre as melhores para a nossa vida. 



Nesses últimos dois anos, Lorisb. aprendeu que sofrer por amor dói. Mas passa. Que amigos verdadeiros ficam ao seu lado sempre, mesmo que distantes. Que preconceito é o pior dos sentimentos. Que as situações mais difíceis te impulsionam. Que é muito gratificante crescer e ajudar a crescer. Que a maioria das pessoas prefere acreditar em contos, ditos, fábulas, ou na própria imaginação. Que perdoar é muito difícil, mas é possível, e necessário. E que se você não se abre para o novo a velhice da alma pode te pegar. Cuidem-se!






quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mães


Esta semana assisti a um filme que me levou a uma conexão de ideias que acabou por me fazer buscar um grupo de ajuda. Desses que a gente entra quando quer parar de fumar. Busquei um grupo de mulheres que, como eu, são mães ditas “solteiras”. 

Uma vontade de buscar mais informações sobre esse universo que, para mim até então, era como o planeta Júpiter (sei que existe, mas não irei a Júpiter). Só agora isso me incomodou um pouco. Depois de um ano e sete meses de dar a luz à pessoa que povoa o meu mundo. 

Não sofri nenhum tipo de preconceito e nem mesmo ninguém me apontou como um ser estranho por isso. Mas algumas situações que passei nos últimos dias me levaram a pensar que talvez as pessoas me julgassem. 

Não me sinto marginalizada por ser mãe “solteira”. Já fui casada e convivi com casais no qual a mulher, mesmo sendo casada, era mãe “sozinha”, ou seja, não tinha ajuda nenhuma do pai da criança, mesmo estando ele morando debaixo do mesmo teto. Seria ela uma Mãe solteira?

Também já vi mães casadas que depois de dar a luz, não assumiram a maternidade. Quem cuidava era uma babá ou avó ou até mesmo o pai da criança.

Existe também a mãe que ficou viúva e teve que assumir a criação dos filhos sozinha. Seria uma Mãe solteira?

Outra categoria é a mãe que divorciou e ficou com os filhos. Seria ela agora classificada como Mãe solteira também?

E nessas categorias ainda temos a variação das mães que recebem ajuda financeira dos pais das crianças, as que recebem ajudas financeira e na criação (pais participativos), e as que não recebem ajuda nenhuma. O que não sei se acrescenta valor (e qual seria o peso de cada variante) no título Mãe solteira. 

Dentro da categoria das “mães que entregaram seus filhos pra outra pessoa criar” eu não posso classificá-las como mães. Mãe ou pai são aquelas pessoas que assumem integralmente a criação do filho. Aquelas que não assumem ,eu vou classificar como doadores de células para reprodução humana. O que é cruel, eu sei. Mas estou tentando estabelecer aqui uma lógica para ver onde me encaixo no que é determinante para uma “Mãe solteira”.

Sou divorciada. Sou mãe, e posso dizer isso, pois assumi todos os aspectos que envolvem essa função. Sou uma mulher solteira. E não acredito que vivo numa sociedade que ainda discrimina uma mulher que cria seus filhos sozinha, independente da situação que a levou a isso.



Lóris B. perdeu o sono e ficou perambulando pela internet, lendo várias bobagens machistas e ficou muito triste em chegar à conclusão de que temos um caminho longo de mudança cultural.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PAI

Homens... será que vou conseguir entendê-los? Sei que a pergunta é clichê, mas chegou a minha hora de fazê-la.

Tive, e tenho um grande homem na minha vida: meu pai. Que me deixou muito exigente em relação às minhas escolhas de um tempo pra cá.

Meu pai é um jovem senhor muito correto, digno e com um dom nato para a diplomacia.

Sempre foi espelho pra mim.

Mas para ele, e para todo pai, imagino eu, sempre fui sua menininha.

Esse carinho de pai foi “superprotetor”, mas “supernecessário” para encarar as voltas da vida.

E numa dessas voltas, pela primeira vez pude me abrir, com toda a minha verdade, com meu paizinho.

E ele soube escutar, sem julgamentos.

Conseguiu passar por cima dos diferentes conceitos das décadas que nos separam.

Entendeu, e deu apoio incondicional à sua menininha. Que sofreu e que cresceu. Que se reergueu e que agora ama ainda mais esse paizão.

E foi no meio de toda a tormenta, que ganhei o melhor conselho de todos os tempos: “Viva a sua vida sem esperar nada de ninguém. Lute pelo que é direito seu, mas não se exponha.”

As palavras não foram exatamente essas, mas eu entendi e estou tentando colocar em prática...

Um pouco atrasado, mas “rasgando uma sedinha” para o meu pai, em homenagem ao dia dos pais.

Loris, ainda se sentindo a menininha do pai aos trinta e poucos...

sábado, 26 de novembro de 2011

Acreditando em Deus

Não. Nunca fui fervorosa frequentadora da religião que meus pais me iniciaram. Confesso até que desconfiava de tudo o que era dito.

De um tempo pra cá, comecei a prestar atenção na minha evolução espiritual.

Comecei achar isso importante. Muito importante, aliás. Acho que todos temos nossas crenças e fazemos nossas orações. Eu sempre fazia. Mas não gostava de admitir. Sei lá porque. Talvez me sentisse hipócrita, como poderia admitir minha fé se não frequentava e até desconfiava daquilo tudo...

Minha mãe se tornou uma espécie de rezadora compulsiva nos últimos anos. Era até chato ter uma conversa com ela, pois para tudo ela achava uma explicação católica. Acho que era também por minha causa. Ela me confessou que estava muito preocupada com meu comportamento nos últimos cinco anos. Me achava triste e amargurada, e, como não podia ajudar, resolveu rezar por mim. Ultimamente tenho notado que ela se aquietou. Talvez tenha conseguido alcançar sua pequena graça...

Falo assim, um pouco distante, pois não estava mesmo acreditando muito no que ela vem me dizendo, insistentemente, desde que fiquei grávida: "minha filha, minha novena trouxe essa menina pra você. Acredite em Nossa Senhora das Graças! Foi ela, através da minha novena. Eu tinha certeza de que iria receber essa graça!" - Confesso que não acreditei mesmo! Não sou assim tão religiosa para acreditar nessas coisas...

Mas hoje, uma ligação dela e uma descoberta minha, me fez curvar diante da minha descrença e me coloquei a rezar em agradecimento. Nossa Senhora das Graças tem me acompanhado durante, pelo menos, os últimos três anos, e eu não sabia. Não estava vendo os sinais. Sei que isso pode parecer meio insano...eu mesma acharia se não fosse comigo, mas vou me recolher a minha humilde existência e agradecer, se não por mim, pela minha mãezinha, que se desdobra pra me ver feliz.

Eu, aqui, com uma medalhinha partida na mão, me faço pequena diante dessa energia superior que guia e protege a minha vida. E aproveito para rezar por todos que estão e passaram por ela. Que tenham paz e muito amor nos corações.

LorisB. escreve esporadicamente.

sábado, 2 de abril de 2011

“A lagartixa bebeu água na fonte.”


Essa frase não tem nada a ver com qualquer assunto para uma postagem inaugural, eu sei. Mas eu fiquei travada para escrever e um amigo sugeriu dizer essa frase três vezes, de trás pra frente. Dizem que cura soluço, quem sabe ajudaria a dar o “start” no meu texto?


Já escrevi bastante sobre mim. Aliás, faço isso desde 2004, quando entrei pra esse mundinho “bloguístico”. Agora, estou eu aqui, feliz da vida, falando das experiências dos meus 30 anos. Confesso meu medo de falar besteiras (e o que estou fazendo aqui, agora, senão falando besteira?).


Bom. Repeti a frase conforme “indicação”, e coloquei uma coletânea de CDs da BLITZ para tocar. Presumo que vocês saibam que Blitz é uma banda dos anos 80. Desculpa, gente! Tenho um pouquinho mais de 30 e gosto muito das coisinhas de quando era adolescente. Mas gosto das coisas legais de hoje também. Vou fazendo releituras e misturando tudo.


Acho que funcionou! Vou falar um pouquinho sobre o que acho dessa fase e com o passar do tempo vou contando minhas histórias.


Nunca me assustei com os 30. Afinal as minhas preocupações não eram muitas. Podia continuar a viver curtindo e pronto. Mas quando a gente faz 30, passa a querer mais compromisso com a vida. A gente passa a querer assumir algumas responsabilidades que, talvez, nos transforme em mulheres mais fortes. Com laços bem atados, eu uma esperança de futuro. E os sentimentos vêm de forma mais intensa. É impressionante como a paixão vem com mais força nessa fase! A paixão pela vida. Essa que nos faz “mudar de fase no jogo”.



LorisB. mudou radicalmente sua vida desde que se apaixonou por ela. Resultado disso foram, a mudança no trabalho, o estado civil e o bebezinho que já dá cambalhotas na sua barriga.

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