quarta-feira, 8 de julho de 2015

Abandono

Há cerca de duas semanas adotamos uma cachorrinha. Tá, quem a viu já viu que de “inha” não tem nada, é uma bela de uma fillhotona. Embora já tivéssemos um cachorro, vimos a necessidade dele ter uma companhia e dessa necessidade a possibilidade de fazer o bem para um serzinho. Não é o primeiro cão que adoto, quem me conhece sabe que tenho várias histórias em relação a isso. Mas o ato de adotar vem de um abandono e é sobre isso que quero falar hoje.

Toda vez que a Curie vem com todo o seu tamanho e amor para cima de mim exigindo carinho e impondo seu corpinho, não tão inho assim, eu fico imaginando como alguém pode abandonar um ser que parece ter sido tão amado? Ela visivelmente é uma cachorrinha que ganhou muito carinho, o que a gente nota pelas suas atitudes. Certamente dormia com alguém quentinha à noite, pois é o que ela tenta todas as noites por aqui. E ela é muito esperta e muito fácil de educar também, o que faz eu me questionar mais ainda sobre isso.


Mas o ser humano tem uma capacidade muito grande de abandono, seja de afetos, seja de projetos, seja de metas, seja de ideais, seja de si mesmo.

Um ser humano que abandona suas crianças, porque não abandonaria um cãozinho?

Um ser humano que abandona seus amores, sem nem ao menos lutar por eles.

Um ser humano que abandona sua consciência e aplaude quem lincha outro ser humano até a morte.

Um ser humano que abandona seus amigos, e às vezes nem percebe isso.

Um ser humano que abandona sua ética, e passa por cima dos outros.

Um ser humano que abandona a si mesmo, e quando percebe já não é mais quem gostaria de ser.

Um ser humano que só não parece capaz de abandonar o material, seus preconceitos, sua ira, seu egoismo.

Enfim, abandonos à parte, esta família está muito contente – embora ainda em adaptação – com a nova integrante canina Curie, sobretudo o pequeno Bob Dylan, que agora tem que o “afofe” todas as horas do dia.

Luciana é um ser humano que escreve as quartas e já cometeu alguns abandonos na vida. Por alguns lutou antes de desistir, por outros nem tanto.

2 comentários:

Márcia Almeida disse...

Lindo como sempre, Lu. Profundezas da alma da gente, fazem pensar...
Abandonamos ou cansamos? Cansamos, por isso abandonamos? Abandono é desamor? Abandono é escolha? Ou é facilidade? Atalho mais curto, talvez. Abandono é dor, dos dois lados, ou mais... Beijooooo.

Luciana Piovesan disse...

Obrigada pelo comentário, como sempre muito pertinente primona! Penso que é mais prático desistir do que achar soluções, demanda menos esforço! Beijo grande

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