terça-feira, 20 de março de 2012

Licença Felicidade

Quando estava na oitava série, tinha o hábito de passar os recreios e intervalos na biblioteca da escola e um dos livros que li neste período possuía um título bastante desconcertante: “Só as mãe são felizes”, um tanto quanto egoísta da parte da autora e mãe de Cazuza fazer tal escolha para esta biografia. Esta afirmação me parecia um tanto prepotente, afinal como, no auge do meu egocentrismo adolescente, posso não ser feliz? Ela está excluindo uma gama de leitoras com este título! É isso mesmo que ela está querendo dizer? Não posso acreditar.

Pois é! Cá estou, quatorze anos depois concordando com Lucinha Araújo. Não há dúvida que só as mães são felizes! É impossível ter felicidade maior. Embora seja um clichê essa é a realidade, é como se o passado não tivesse importância, como se a maternidade tivesse trazido sentido para a vida através de ensinamentos diários - isso que meu filho tem apenas cinco meses- (MEU filho, sinto-me a mulher maravilha quando digo essas palavras).

O que ela quer dizer é que embora o filho dela tenha trazido tantos problemas devido a vida desregrada que levava, foi ele quem trouxe o amor verdadeiro e incondicional a existência dela e isso é intocável, sagrado e só hoje compreendo.

Hoje penso em todas as mães com um olhar de admiração. Penso nos meses que todas esperaram para ver o rostinho dos seus bebês e no que passaram por este período, penso na mágica que ocorre quando o bebê mexe e quando ouvimos o primeiro choro; e finalmente penso nas mulheres que não puderam ter estas emoções e penso que elas não são felizes...será que o egocentrismo na adolescência ainda me acompanha? Não estou negando que ocorram outras tantas sensações, mas a benção de gerar uma vida é indescritível, deveria ser proibido mulheres estéreis.

Sim, sei que estou romantizando a gravidez, que existem muitas crianças indesejadas, que existem mães completamente diferentes de mim que entendem que os filhos foram feitos “para o mundo”, desapegadas ao extremo, porém, mantenho minha afirmação de que as boas mães, incluindo as não biológicas, valorizam cada gesto, cada progresso, cada descoberta como se fosse o maior tesouro, o maior bem.

A maternidade traz sensações inéditas, quase impossível sair ilesa. Ela me trouxe o egoísmo da mãe do Cazuza, que em suma é : centralizar sua vida na vida do seu filho, nada mais importa, eu disse N A D A. O fim do mundo não é mais a roupa que você não tem, o cabelo desarrumado, ou o chefe mal humorado e sim o filho doente! Viramos segundo plano e não é tão ruim quanto parece. Ficamos uma noite em claro (no meu caso, várias) e quando o sol aparece, junto dele vem o sorriso do seu bebê. Que maravilha, já esquecemos das horas sem dormir!

Ser mãe é o que tem de melhor na vida, ainda mais eu que tenho o filho mais lindo do mundo!

P S: este texto foi escrito logo após o nascimento do meu filho, há pouco mais de dois anos. Relendo-o, revivo as mesmas sensações, me emociono e sinto saudade, mas percebo que não citei a minha admiração por mulheres que escolhem não ter esta experiência; pode parecer contraditório, no entanto, prefiro pensar que para fazer isto bem feito deveria ser pré-requisito ter o chamado “instinto maternal” . Será que temos que falar/escrever mais sobre isso?

Cláudia escreve esporadicamente

7 comentários:

Nana disse...

Q texto lindo! Bj e fk c Deus.

@elisabeteporto disse...

texto maravilhoso, e como vc disse, lendo este texto tbm me passou um filme... realmente É MARAVILHO SER MÃE! e a cada dia você tem esta certeza... noutro dia o lipe me chamou diversas vezes e não ouvi, ele estava brincando, qndo ele voltou disse: "mãe tu não me viu?" fiquei mto chateada, logo ele percebendo completou "nunca, nunca, mas nunca mesmo pense que tu é uma má mãe, pq tu é a melhor mãe do mundo" E QUERO MAIS QUE ISSO??? é de se emocionar! bjcas prima, ti amo!

Lisi Perondi disse...

Parabéns amiga por ser assim....autêntica, corajosa, audaciosa...enfim por ser vc! Amei o texto...escreva mais! Bjs e sucesso.

Carla disse...

Realmente eu não consigo enxergar essa beleza na maternidade, muito antes pelo contrário.

Passar noites em claro, ficar sempre em segundo plano, deixar de viver por si e passar a se preocupar somente com o filho.... me parece uma vida enfadonha e muito limitada, que não vale alguns sorrisos e elogios.

Mas ainda bem que somos todos diferentes uns dos outros!

Seja bem vinda!

Desperates Winehouse disse...

Digamos que ser mãe é..."a dor e a delícia de ser o que é"...porque os adolescentes...ahh os adolescentes...dão um trabalho...
mas é bom, bombom D+!!

Mulheres de 30 disse...

Obrigada pelos comentários. Adorei todos!
Meninas, obrigada por me receberem...

Loloh disse...

Lindo Cláudia!
Vou pegar esse livro pra ler. Também tenho uma princesa de 7 meses. E tenho essa mesma sensação de que TUDO ficou para segundo plano. Mágico!

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