quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ir embora, transformar-se, criar morada

Quantas vezes vamos embora na vida? Embora de uma escola, embora da casa dos pais, embora de uma cidade, embora de um trabalho, embora de um relacionamento. Seja por falta de enquadramento, de desgaste, aprisionamento, mudança de sentimento ou apenas para seguirmos crescendo. Busca. Satisfação pessoal.

Necessidade. Saber a hora de ir embora daquele trabalho que nos diminui, mesmo a cidade sendo boa. Saber a hora de ir embora daquela cidade que nos aprisiona, mesmo o trabalho sendo bom. Saber a hora de ir embora de um relacionamento que nos maltrata – amoroso, fraterno, materno – mesmo que não se queira nunca deixar ninguém. Saber a hora de ir embora da sua zona de conforto. Ou de desconforto. Sair da calmaria. Preferir o furacão. Criar asas, deixar-se aprender, crescer, evoluir. Transformar-se.

Como a pipoca de Rubem Alves, transformação não é para qualquer milho. E não acontece sem fogo. Para estourarmos precisamos passar pelo fogo e tomar certar decisões – que muitas vezes culminam em ir embora – e se nos recusarmos seguimos no fundo da bacia, imutáveis, fadados ao descarte.


Nessas idas deixamos tantos afetos pelo caminho, mas tantos mais encontramos! Aumentamos a coleção! Encontros, afetos, partidas...falei sobre isso nesse texto aqui.

E depois de tanto ir embora, assim quase sem querer, criamos morada. Em uma nova cidade, em um novo trabalho, em um novo abraço. Harmonia. Paz de espírito. Autoconhecimento. Sabedoria. 

Não que não tenhamos mais que ir embora, mas nossas vivências, nossas partidas e as transformações que nos proporcionam, parecem direcionar para deixarmos de lado o verbo ir e começarmos a conjugar o verbo ficar. 

E ficamos, sem nunca evitarmos o fogo. Até a próxima ventania.

Luciana escreve as quartas e já foi embora algumas vezes, sempre em busca de harmonia. Nesse momento ela quer ficar. Mas somos seres mutáveis, ainda bem!

3 comentários:

Anônimo disse...

Ótimo!!!

Renata disse...

Que texto lindo! Me identifiquei tanto, tantos conflitos aqui dentro por uma situação que um dia quis e agora tenho a chance de realizar. Por que tamanha insegurança?

Luciana Piovesan disse...

Insegurança é inerente ao ser humano, cabe a nós aprendermos com ela os artifícios para transpô-la. Mas acredito que nunca nos livremos dela. Até os mais seguros, vez ou outra, entram nesse conflito.

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