quarta-feira, 17 de junho de 2015

Impressões externalizadas

Vida de boi

Existe uma onda de menosprezo aos que se diferenciam de alguma forma, seja intelectualmente, seja por algum tipo de ativismo, seja por escolher o bem.

O legal mesmo é ser boi, aqueles que trabalham, trabalham pastando, para um fim não tão digno assim. Soldadinho que obedeça a ordens. 


Vê-se professores que lutam pela sua profissão sendo achincalhados, tudo se resume a “papinho intelectualóide”. Mesmo os que nunca leram Marx, viraram "seguidores de Marx". Todo mundo virou comunista também, mesmo quem não sabe nem ao certo o que significa o comunismo. Ativistas sendo julgados – quando feministas, são resumidas como “mal comidas” ou “sapatões”. A quem se diferencia por fazer o bem, tem-se a taxação de “otário”. Quem enche sua casa de gatos ou cães porque os outros não se preocupam em castrar e muito menos em cuidar, diz-se “maluco”. 

O bacana é não fazer nada. Ou fazer o mesmo, ser igual. Pensar igual. E se o pensamento em massa propagar ódio é mais bacana ainda. 

Preguiça disso tudo. 

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Pieguice pós dia dos namorados

Já vi que não tem escapatória! O ser humano é um ser dotado de pieguice latente.

Até os mais durões, vez ou outra vão amolecer e deixá-la aparente.
Até os mais fortes serão, nem que por um dia, sentimentais, românticos, sonhadores. 
Até os mais "machos" vão se emocionar com propaganda de perfume, derreter com uma declaração de afeto, se deslumbrar com fotos de um casamento.
Até os mais resistentes vão chorar com as injustiças. Vão se entristecer com as mazelas desse mundo, com as diferenças sociais, com o preconceito e intolerância que tanto cerca-os.
Vão sorrir com o sorriso de uma criança, querer levar aquele animalzinho abandonado para casa, pensar em constituir família.

E os que não nasceram com esse vírus que vez ou outra se manifesta penso faltar o gene da humanidade, e serem apenas seres, não humanos.

E no dia dos namorados postarão fotos e juras de amor eterno, serão piegas no mais que poderiam ser. Amor para toda a vida. é o que mais se lê - citando Rubem Alves, meu avô, mais uma vez: "Somos donos dos nossos atos, mas não somos donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. Podemos prometer atos. Não podemos prometer sentimentos. 'Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida vou te amar...' Lindo e mentiroso. Não se podem prometer sentimentos. Eles não dependem da nossa vontade. Sua existência é efêmera. Como o voo dos pássaros."

Mas mais engraçado que as homenagens melosas que pipocam nesse dia, são os que se incomodam com isso, eu mesma, confesso. É que acho que todo o dia é dia dos namorados – não, não estou querendo aquele mel escorrendo no feed o tempo todo! Desejo empenho rotineiro pelos relacionamentos. Rotineiro e longe das telas. Com boas surpresas fora de hora, com companheirismo e declarações inesperadas. Que a vontade de postar a foto, da flor, do presente, do café na cama seja contida e se viva o momento com seu bem-querer. 


Nem só de amor e postagens vive um relacionamento, como as amizades é preciso investimento continuo para seguir existindo. 

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Falando em amizade

Ah, amizade é coisa séria, é amor, e me emociona sempre. Tanto as que cultivo ao longo dos anos, como as que enxergo em outros pelos caminhos da vida. 

Mas algumas vezes, do mesmo jeito que existe platonismo nos relacionamentos amorosos, parece existir uma unilateralidade nos relacionamentos de amizade. Uma das pessoas se empenha, empenha, investe e a outra, ah, a outra... como no caso do platonismo, não deve amar tanto assim! E sem investimento recíproco não existe sustento para nenhum tipo de relacionamento. E o que investe cansa, ou não tem mais o que investir.

Até os relacionamentos familiares precisam de reciprocidade – uma ligação, uma mensagem de vez em quando: “ei, você aí, eu existo e estou pensando em você!”. Mas em tempos de redes sociais, receber um telefonema é coisa rara – e nem no aniversário não acontece mais!

Nesse link, uma boa leitura sobre amizade verdadeira, investimento e a importância disso tudo.

Sigamos investindo nas boas “inteirações” como disse a Renata aqui. Sejam amorosas ou de amizade ou familiares – afinal amizade também é amor – e parente pode ser amigo. 

Luciana escreve as quartas e anda bem inspirada pelas novas experiências e desafios que a vida colocou na sua frente.

2 comentários:

Márcia Almeida disse...

Ô Lu! Quando a gente se indentifica sempre com as palavras de outra pessoa que escreve com discernimento entre a razão, a emoção e a vida real, isso tem nome?! Maluca, otária, ou outros pseudônimos diminutivos tão na moda pelos novos intelectuais do ódio institucionalizado? (Ou se é boi, ou se é comunista, por exemplo? Ri aqui!)

Expressar bons sentimentos, revelar-se humana e cheia de esperanças por boas alianças, dar espaço ao que não é espelho, admitir-se frágil porém forte quando a vida chama...e isso ela (a vida) faz todos os dias. Isso é o que encontramos quando te lemos. É o lado rosa da quarta-feira cinza, fria, chuvosa, cheia de compromissos batendo na porta depois do meu café com tapioca e mel! Beijo prima!

Luciana Piovesan disse...

Que lindo primona! Sempre me emocionando! Muito grata pela tua leitura e pelas tuas palavras! Um beijo.

E vou procurar um adjetivo pra ti! hahahahah

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