terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vaquita

Tenho andado sumida do blog (e de outras áreas da vida, mas que não vêm ao caso nesse post), principalmente, porque priorizei trabalho nesses últimos tempos. Tive visita da família e isso também recebeu bastante do meu tempo. 

Nas últimas semanas estou fazendo um curso na Carolina do Norte, Estados Unidos, sobre conservação marinha. Tenho muitos assuntos para contar! Há um grupo bem diversificado, com alunos de graduação, mestrado e doutorado. E há também um grupo internacional, formado por estudantes e/ou profissionais, de 21 países, onde me encaixo.

Quero falar das diferenças e similaridades culturais; de como foi estar aqui na final da Copa; das perguntas que fazem sobre o Brasil; mas o assunto que não sai da minha cabeça e que eu quero que vocês saibam é a vaquita.

Leram certo: v-a-q-u-i-t-a. 

“WTF?” vocês devem estar pensando. Calma e senta que lá vem história.

A vaquita é simplesmente o cetáceo (ordem que inclui as baleias e golfinhos) mais fofo do mundo! Ela é pequeninha, foi descoberta na década de 50 (isso é muuuito recente) e vive em um só lugar do mundo: na parte norte do Golfo da Califórnia. Dentre TODOS os lugares do mundo! Isso quer dizer que existe só uma população de vaquitas. Tá, e aí? Por que não paro de pensar nelas? Existem bichos fofos e bichos raros aos montes.


O fato é que se estima que existam 97 vaquitas no mundo. Se vocês tem dúvida se leu certo, eu repito noventa e sete animais. Só. E a maior ameaça é a pesca com rede de emalhe que visa capturar outra espécie ameaçada (um peixe chamado totoaba), cuja captura é proibida. E adivinha por que as pessoas pescam totoaba? Por que uns caras lá na China usam a bexiga dela como um ingrediente valioso.

Gente, me digam que não sou só eu que não me conformo que vamos levar a vaquita à extinção porque uns caras gostam de comer bexiga da totoaba! Pelamordedeus! Detalhe: uma bexiga dessas podem valer até 10 mil dólares na Ásia. Esse é o preço de uma espécie?

O governo do México está tentando reverter a situação, mas não é algo fácil: fiscalização, monitoramento, educação, incentivos... todo mundo sabe que não é fácil. Mas se não for feito algo AGORA, não tem mais volta. 

http://www.ecologiaverde.com/campana-para-proteger-a-la-vaquita-marina-el-mamifero-marino-mas-amenazado-del-mundo

E é isso que não me sai da cabeça: a vaquita, a totoaba, a ganância, a ignorância, a extinção. Se alguém tá pensando: tá, e eu com isso? Queria dizer que estamos todos ligados. Que o produto que a gente consome tem uma história e que cada passo dessa história tem consequências. Que a gente tem que se informar, tem que fazer escolhas melhores (de produto, de caminho, de candidato, de vida), tem que assumir que é problema nosso.



Renata segue pensando na vaquita e não sabe se sente mais pelas 97 vaquitas que estão literalmente à beira da extinção ou pelos 7 bilhões de seres humanos que podem levar a tantas outras espécies, inclusive a si mesmos, à extinção...



Um comentário:

Nana disse...

Nossa, eu nem conhecia o bichinho mas achei ele fofo e acho um crime só ter esse pouquinho no mundo!
Bj e fk c Deus.
Nana
procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

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