terça-feira, 30 de outubro de 2012

Soneca

Sabe quando a gente vê a mesma palavra várias e várias vezes seguidas, até o ponto de ela soar completamente estrangeira? Não sei se acontece com todo mundo, mas comigo acontece muito. E a palavra hoje é “soneca”. Não só porque passei o dia querendo parar uns minutos e tirar uma soneca. 

Fui dormir tarde, e de manhã fiz uso do artifício mais vezes do que deveria. A cada 5 minutos, uma soneca. E eu realmente dormia, com sonhos incluídos! 


No trabalho, muito por fazer e pouca concentração, apliquei  a técnica do Pomodoro e a cada 25 minutos, lá estava ela, a soneca, encompridando meu Pomodoro em mais 5 minutos. 


De tanto ler, ver, pensar e falar essa palavra, ela parece totalmente estranha: SONECA. Uma palavra fofa, mas seca. Soneca. Se fosse ao diminutivo, talvez soasse mais familiar: sonequinha... Mesmo assim, estranha. Como o nome daquela prima em terceiro grau que você não vê desde as bodas daqueles tios avós que...bem, como alguém que você deveria reconhecer, mas não reconhece. Soa vagamente familiar, mas presentemente estranha. E lembra um pouco boneca, mas não é. Como quando alguma coisa quase cabe em algum lugar ou na sua vida, quase, quase, mas não cabe. 


Daqui a um minutinho meu celular vai despertar e eu vou voltar ao meu Pomodoro, sem SONECA. Dessa vez. 




Renata espera poder acabar a terça com uma boa...adivinhem!

sábado, 27 de outubro de 2012

Beleza Cansa!


Não, eu não estou me gabando de ser bela. Nem pensem isso! O título acima é uma referência à famosa frase “Isso cansa a minha beleza!”. Quem já ouviu essa frase sabe que se trata de uma brincadeira, para algo chateia a pessoa em determinado momento. Entretanto, atualmente ocorre o oposto, e não é brincadeira. Nos dias de hoje é preciso se esforçar, se martirizar, se cansar para ser bela.

É isso mesmo! No conceito de beleza de nossa sociedade não existe uma beleza natural, algo que nasce com a pessoa. Nós, mulheres, temos que nos fazer belas, e cada vez mais e mais, e já não nos contentamos com uma beleza simples. Sempre precisamos lavar os cabelos com o xampu quinhentos cuidados para os fios, usar o condicionador com óleo de qualquer coisa para o cabelo ficar mais liso, ou mais cacheado, secar com secador, arrumar, pintar os cabelos, depilar o corpo, fazer as unhas, usar maquiagem para o dia, trocar a maquiagem para noite, passar base com protetor solar, passar creme anti-idade para o dia e outro para a noite, passar hidratante corporal, usar desodorante para clarear as axilas, pinçar as sobrancelhas, ente outros cuidados diários. Meu Deus! E ainda temos que cuidar do físico, fazer caminhada, musculação, praticar algum esporte para ficar magra, com a aparência das celebridades!

E isso acaba? Não. Se não alcançarmos o sonhado corpo da atriz da novela, há ainda os procedimentos mais invasivos, como lipoaspiração, lipoescultura, cirurgias plásticas para modificar o rosto todo, o corpo todo, silicones nos seios, nas nádegas, nas coxas, etc. Tem o botox, o preenchimento, a drenagem linfática... Tudo isso pra ficar bela? Que beleza é essa que cansa, que causa stress, que provoca transtornos alimentares, transtornos comportamentais. Pra quê tanta exigência? (Parece a outra da música “Amélia”, justo a que não era mulher de verdade!) Pra quê tanta tortura com a própria imagem?

Cuidados com o corpo são bons e necessários. É preciso cuidar para envelhecer de bem com a vida e com a saúde! Para evitar problemas com a saúde é que devemos praticar exercícios físicos, ou usar cremes protetores para a pele, etc. Mas não é preciso virar uma mulher fatal. Será que essa mulher fatal é feliz? Porque não acho que pessoas que precisem modificar tanto sua imagem estejam felizes. Se você não gosta de você a ponto de praticamente se mutilar em nome de uma beleza estética ditada pela mídia, então você está doente. E não está se cuidando como devia. Essa escravidão pela beleza precisa acabar.

Também não estou fazendo apologia da feiúra, e não pensem isso. Não acho legal ver pessoas descuidadas, desmazeladas, que não têm vaidades. Acho que é preciso um pouco de vaidade, de cuidados, para a gente se sentir bem. E cuidados com o corpo melhoram nossa mente, pois ficamos mais confiantes. Mas é preciso saber dosar essa preocupação com a beleza, para evitar excessos! Vivemos numa sociedade que produz e consome os melhores cosméticos, mas onde as mulheres estão cada vez menos contentes com a própria imagem, e ficam obcecadas por atingir uma beleza divina! Por isso é preciso cuidado, pois a beleza cansa!

Mini-resumo: Tania se preocupa com os excessos da sociedade de consumo, pois é uma sociedade que consome os próprios seres humanos!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vento no litoral

O vento trazido pelo mar 
acordou as fadinhas espanholas 
que moram nas folhas dos coqueiros, 
e elas ficaram tocando 
suas minúsculas castanholas.



Renata ouve essa música todos os dias. Para quem é bom de trocadilho: as duas.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Acabou o gás


Em qualquer situação, ficar sem gás de cozinha é chato. Primeiro, porque sempre acaba quando a gente está cozinhando, perceberam? Depois, porque quebra o “timing”: a massa empapa, o molho esfria, o bolo murcha; e pode ser ainda pior se a fome é grande e a pressa também.

Estou eu, num bairro distante de uma pequena cidade, numa noite chuvosa, cozinhando e eis que acaba o gás. Sem metáforas, acabou o gás mesmo.

O que fazer? Ligar para a tele-entrega, óbvio. Não, nada é assim tão óbvio aqui. Por causa do mau tempo, o entregador foi para casa mais cedo. Como assim?!

Segunda tentativa: falei com o proprietário do lugar, que repetia: mas está chovendo. Sim, eu percebi. E não vejo a relação entre eu precisar de gás e estar chovendo. Me ofereci para ir buscar o botijão de gás. E ele: mas está chovendo. E eu: mas eu vou buscar. E ele: mas está chovendo.

Desisti. Eu ia perder a compostura se continuasse nesse diálogo.

Muito mais fácil foi sair de casa na chuva, com a panela na mão, e terminar de cozinhar na casa do vizinho.

No dia seguinte, chego em casa mais cedo de propósito para pedir o famigerado gás; não estava chovendo nem nada e ouço um: mas o entregador não está...

Renata tenta valorizar o lado bom das coisas, sempre. 
E escreve aqui quase toda semana.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ilha deserta


Não, eu não morri. Nem ganhei na loteria e joguei tudo pro alto. Nem estou de férias num lugar paradisíaco. Nem encontrei o amor da minha vida e fugi em lua de mel. Nem consegui um estágio na Antártida. Nem me envolvi na campanha eleitoral. Nem estava em alto mar, pirando o cabeção vendo baleias (ok, eu fiz isso por um dia, mas fica pra outro post).


Não, nada disso. Eu sumi nas últimas semanas, pois estive me dedicando 101% ao trabalho. Resultado: aprendi muito. Muito, mesmo. E descuidei da saúde, e de outras coisas importantes, como o blog, onde adoro escrever!
Fase encerrada, uma nova começando. Retomando o que ficou de lado, aos poucos.


Renata esteve numa ilha deserta por essas semanas, rodeada de trabalho por todos os lados. Quase se afogou, encontrou suporte em algumas boias, e desenvolveu novas habilidades de sobrevivência. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um novo tempo verbal: Futuro do Impossível


Todos nós estamos reaprendendo a Língua Portuguesa após a Reforma Ortográfica. E, o que antes parecia muito difícil, agora parece ainda mais!

Entretanto, há pessoas que insistem em não aprender o próprio idioma. E, se isso não bastasse, há pessoas que desaprendem, e ainda ensinam errado. Exemplo disso é o linguajar de operador de telemarketing (me desculpem os profissionais do ramo), sofrível, que abusa de erros de concordância, além de tentarem vender produtos, e de não resolverem problemas, quando necessitamos de auxílio. Esse típico linguajar tomou as ruas, e hoje muita gente o usa, como se fosse correto.

Foi criado, assim, um novo tempo verbal: o Futuro do Impossível. Esse tempo verbal, que não existe, assim como as ações conjugadas nele, consegue a façanha de utilizar três verbos, em tempos verbais diferentes, para não dizer coisa nenhuma! Observe, pois você já se deparou com ele: “vamos estar solicitando”, “vou estar providenciando”. E isso existe?! Não! Foi diretamente traduzido de manuais de instrução de aparelhos, em Inglês, e não houve preocupação em se adequar à estrutura gramatical da Língua Portuguesa. Começou assim, e foi se disseminando entre as pessoas.

Agora, pense bem, pois, se você “vai estar fazendo” alguma coisa, em que tempo essa ação ocorre? Quando ela vai se encerrar? Se utilizamos, ao mesmo tempo, um verbo no futuro do presente, um verbo no infinitivo, e um verbo no gerúndio, é óbvio que essa ação é mais do que o que se poderia traduzir como presente contínuo, isso é o Futuro do Impossível! A ação nunca será concluída! E ainda está errado!

Parece linguajar de malandro, que sabe que não fazer o que lhe foi pedido, e joga com as palavras, dizendo exatamente que vai fazer, mas não tem data para isso. Assim, se eu não quero, ou não posso fazer alguma tarefa que me foi dada, mas não desejo me indispor com a pessoa que a ordenou, posso simplesmente utilizar o novo tempo verbal Futuro do Impossível, e dizer que “vou estar providenciando”. Automaticamente, a pessoa que escuta entende que a tarefa será feita, e eu disse, na verdade, que não vou concluí-la.

Ironias à parte, é uma forma de falar e de escrever equivocada, que não deve ser usada, pois nossa língua é maravilhosa, difícil, sim, mas deve ser respeitada.


Mini-resumo: Tania tem dificuldades com a Língua Portuguesa, como quase todas as pessoas, mas acredita que é preciso mais cuidado ao escrever, e mais consideração com nosso idioma!

domingo, 16 de setembro de 2012

Epitáfio

"[...] Devia ter arriscado mais e até errado mais... ter feito o que eu queria fazer [...]"
(Epitáfio - Titãs)







Cada vez que escuto essa música dos Titãs, me ponho a pensar na infinidade de momentos prazerosos que as pessoas simplesmente acabam deixando para trás...Há tantas coisas que gostariam de ter dito, tantas coisas que gostariam de ter feito e, no entanto, seguem vida afora como se tivessem mil vidas para viver, como se o tempo jamais fosse lhes escapar pelos dedos, como se todas as oportunidades pudessem, de alguma forma, retornar sempre...

Tenho uma curiosidade quase insana em saber o que as impele a essa falsa ilusão de que ser uma pessoa comedida é o caminho mais adequado para a suposta felicidade...

“Ah! Mas se eu for uma pessoa comedida sofrerei menos”, alguns poderão me dizer.

“Bem, sendo uma pessoa comedida evitarei muitos percalços e perigos da jornada”, outros afirmarão categoricamente.

E tantos outros blábláblás...

Ok, até pode ser que muitos sofrimentos, decepções e dores serão evitados... Até pode ser que supostos percalços e perigosos sejam, em certa medida, evitados... mas... e daí?

Ao mesmo tempo em que evitam supostos sofrimentos, deixam de vivenciar muitas emoções, ao mesmo tempo em que sentem essa falsa segurança, vão deixando a vida se esvair.

E, curiosamente, essas mesmas pessoas que passaram a vida toda “pisando em ovos” e evitando arroubos, são as mesmas que, ao ouvir essa canção, ficam com os olhos cheios d’água e um semblante melancólico...


Déia escreve aos domingos e segue mergulhando de cabeça em tudo o que a vida oferece...

domingo, 9 de setembro de 2012


Não sou tão ácida quanto pareço e nem tão meiga quanto gostaria.
Sou sensível, curiosa, teimosa, impaciente, gentil e temperamental.
Não tenho "papas na língua" e nem medo de me mostrar como sou.
Tenho o coração mais mole do mundo e um sangue que ferve em um minuto.
E tenho, acima de tudo, mania de amar incondicionalmente e de acreditar no imenso poder de um sorriso.


Déia escreve aos domingos e, aos pouquinhos, está reencontrando em si a inspiração para voltar a escrever...

domingo, 2 de setembro de 2012

... o tipo de pessoa...


Não sou o tipo de pessoa que coloca um sorriso nos lábios com o intuito de disfarçar as lágrimas...
Não sou o tipo de pessoa que tolera relações superficiais, pessoas fúteis e sorrisos vazios...
Não sou o tipo de pessoa que age de acordo com aquilo que os outros esperam de mim...
Eu sou, sim, o tipo de pessoa que sente as coisas com intensidade, que mergulha de cabeça naquilo que acredita e que vive sua vida com paixão...
Sou o tipo de pessoa que sorve cada momento (bom ou ruim) como se fosse o último instante a ser vivido...
Sou, enfim, o tipo de pessoa que ama profundamente e que procura espalhar esse amor...

Déia escreve aos domingos e segue plantando sorrisos e colhendo corações pelo caminho...

sábado, 1 de setembro de 2012

Automóveis e Mulheres


Se nos compararmos aos automóveis, nós mulheres, de uma maneira geral, queremos ser exatamente opostas aos veículos que desejamos. Nós não queremos pneus no corpo, mas queremos os melhores, às vezes até os maiores para os nossos carros. Queremos muito espaço nos veículos, mas queremos ser magras, e, em muitos casos, vestimos roupas que nos apertam, nos oprimem (de várias formas...), para parecermos ainda mais magras.

O pior acontece no caso do consumo. Queremos os carros mais econômicos, que consumam pouco combustível. No entanto, o que mais desejamos é podermos comer muito, e gastar a energia, a caloria, rapidamente. Desejamos ter um metabolismo ultra acelerado, que nos permita comer muito, e gastar a energia, para podermos consumir mais. Pelo menos a maioria das mulheres que conheço é assim. Ou seja, elas querem carros que consumam pouco para rodar, mas desejam consumir muito, ou seja, poder comer o que quiser, mas gastar essa energia de forma acelerada e mágica!

Sim, nós mulheres somos as rainhas das contradições! Está certo que, ultimamente, muitas desejam o air-bag duplo no corpo e no carro! Mas não são todas. E tem ainda uma coisa que também é desejo para o veículo e suas donas: a lataria impecável, sem sinais! Qualquer mulher acha ruim um amassado ou um arranhão em seu carro, e uma tragédia se isso acontece em seu corpo!

O que é triste mesmo, nessa comparação que deveria ser absurda, é que muitas mulheres querem ser objeto de desejo dos homens, assim como os automóveis são. Nesses casos, elas acabam se desumanizando mesmo, e se transformando, com plásticas, preenchimentos, botox, silicone, extração de costelas, lipo-esculturas, lipo-aspirações, etc, em verdadeiros objetos.

Assim, o que começa como oposto, se torna semelhante, e quem perde é a mulher, todas as suas conquistas, sua personalidade, suas características. Até quando seremos assim? Até quando seremos escravas de nossa vaidade, que é mais cruel que o espelho da madrasta da Branca de Neve?!



Mini resumo: Tania sempre brinca, faz analogias estranhas, mas, no fundo, se preocupa muito com a condição humana.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Devaneios


Eu nunca fui de poesia. Digo, escrever poesia. Porque curtir e apreciar são outros quinhentos: curto muito, até deliro. Mas meu papo é prosa. Quando criança rascunhava uns textos, uns pensamentos... Até peça de teatro eu já inventei de escrever no ginásio! Sempre tive o hábito de cultivar agendas, encher de pensamentos, transcrever meus poemas e poesias prediletos... Desses dois últimos, nada meu, tudo copiado (com os devidos créditos, sempre). De uns anos pra cá, não sei se atribuído à maturidade que vem batendo na porta, que vem trazendo mais segurança à criatividade, segurança na própria escrita, na liberdade textual, de ousar e se permitir, venho rabiscando uns devaneios em forma de versos (ou poemas ou poesias, me permitam não entrar no mérito de definição conceitual). Bem, coincidência ou não, percebi, pelas datas que assino esses tais devaneios, que essa “inspiração” costuma emergir justo nos finais de mês. E no meu caso, o fim do mês acaba coincidindo com os inícios do “vermelho” do meu calendário feminino, se é que vocês me entendem. E hoje é 31 de agosto, fim do mês, dia da segunda lua azul. Lua, agosto, ciclos.. Repletos de devaneios! E foi num desses fim de mês, eis que vieram um monte de uma vez...

...

O silêncio da cama. 
O silêncio da alma. 
O silêncio dos corpos. 
O silêncio sem calma. 
O vazio do peito. 
O vazio da noite. 
O vazio da chama. 
O silêncio vazio. 
O silêncio do dia. 
O silêncio no drama. 
O silêncio sem chama. 
O silêncio do verso. 
O silêncio. O silêncio. 




Maria, onde estão tuas forças?
Maria, afasta de ti tua forca.
Mas Maria, quem ria?
Maria, não chores.
Não dissabore.
Que a vida tem sabor, meu amor.
Que a vida quer teu calor, Maria!
Agora não rias.
Apenas venha, que eu te pego a mão. 




Quem me dera estampar o riso.
Quem me dera decolar a chama.
Quem me dera esquentar a cama.
Quem me dera degolar a lama.
Quem me dera dar nada mais do que apenas sou.
Quem me dera ser você e eu, juntos, num verso em prosa.
Sem cálice. Sem freio. Só meios. 



Sem devaneios certeiros.
Sem ego, sem cheio.
Sem queira ou não queira.
Sem aperto de mão.
Só olhar no olhar.
Só querer sem saber.
Sem crer para entender
Sem olhar para crer.
Sem inferno, sem erro.
Só pecado no meio.
Só pecado com cheiro.
Com sabor, só amor
Todo amor que guardei pra você.
Sem começo, sem fim. 



De dia na cama eu fico pensando
se você...
se você...
Eu fico pensando. 



Escrevo
escrevo
escrevo
escrevo...
Escrevo pra mim.
Escrevo pra você.
Mas escrevo 'sozin'. 




Gabriela continua sem saber escrever verso, poema ou poesia. Mas arrisca uns devaneios, sobretudo no fim do mês.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A pergunta que não quer calar!

Vale a pena trabalhar tanto?
A humanidade tem jeito?
Estou gorda?
Vou conseguir dar conta do doutorado?
Será que vai chover?
Que horas são?
Está manchado?
Qual é o datum?
Que filme vamos ver?
O que vou almoçar hoje?
Por que os dias bonitos passam mais depressa?
Devo contar tudo pra ela/e?
De que cor eu levo?
Levanto ou durmo mais 5 minutinhos?
Que música é essa?
Que horas vamos no ver?
Como se fala greve em inglês?
Vai dar pizza de novo?
Como viajar no tempo?
Você acredita nisso?
Quando vamos ser levados a sério?
A culpa do machismo é das mulheres?!
O que foi que você falou?
Como fazer coxinha em casa?
Por que adoçar tanto o café, o suco, se a vida já é tão doce?
Por que no FB todo mundo é tão legal e inteligente?


Dentre tantas perguntas, a que mesmo não quer calar é: por que Deoooos as pessoas não trancam a porta quando vão ao banheiro?

Renata cheia de dúvidas, não só nas terças.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

TPM



TPM é chorar quando uma personagem do livro bobo que você está lendo morre. Sendo que você já sabia que isso ia acontecer.

Sem mais.
Renata escreve às terças e tem TPM todo mês.

sábado, 18 de agosto de 2012

Perdas


Perdas dolorosas, perdas que aliviam.
Temporárias e permanentes
Súbitas e paliativas.

Lidar com a perda não é uma habilidade nata, é algo que nos é empurrado goela abaixo e vida afora. Sem escolha, senão enfrentá-la.

Na minha vida, chegou quando eu beirava os 30. Por certo modo me sentia aliviada por não ter lidado com ela mais cedo. Acho mesmo que não teria raça pra levantar (sou do tipo bem frágil – apesar das aparências). Chegou em um momento em que eu supostamente estaria mais forte para lidar com ela, mas nunca estaria de fato preparada.
A perda definitiva.

A perda definitiva de alguém que amamos. De acordo com Elisabeth Klüber-Ross, quando sofremos uma perda catastrófica, passamos por cinco fases diferentes de dor. Começamos pela negação. A perda é tão impensável, que achamos que não pode ser verdade. Depois dela vem a raiva, botamos a culpa em todos, até mesmo em quem atendeu o telefonema recebendo a informação: “por que tu atendeu ao telefone????!!!!!”. Seguindo-se, chega a negociação, negociamos o que sentimos, dá até sentimento de culpa, medo de esquecer quem se foi. Na depressão oferecemos a nossa alma em troca de apenas mais um dia. Até a aceitação... quando aceitamos que fizemos tudo o que podíamos. E deixamos ir.

Não dá pra ler o parágrafo anterior e achar que tudo passa rapidinho. O tempo se arrasta. O ar nos falta, dá raiva de ver alguém sorrindo – parecendo que o outro não tem direito de ser feliz perante tanta dor. Questionamos até se existe vida depois da perda. É uma dor egoísta, só nossa. Por saber a falta que o ser amado fará na nossa vida. Da sua ausência nos jantares de família, nos aniversários dos nossos filhos, nas bodas dos nossos pais, nas férias na praia, no aconselhamento profissional e até do ciúme que ele tinha – que eu dava risadas e me sentia silenciosamente amada.

Mais de 5 anos se passaram. Algumas perdas recentes de outras pessoas me fizeram relembrar a maior perda da minha vida. Eu queria poder dizer a eles que passa. Como comumente se diz: com o tempo passa. Poder dizer pra eles que o tempo cura. O tempo não cura. A saudade é perene. O tempo só faz com a saudade se torne mais colorida e menos dolorida.

A saudade que causa dor hoje é a saudade que amanhã te fará sorrir.




Lil escreve aqui esporadicamente..

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ampliando a rede

Estamos felizes em compartilhar com vocês, queridas leitoras e queridos leitores, uma novidade: a nossa página no Facebook: Blog De Repente, 30.. Nossa ideia é que, com este recurso, possamos nos aproximar ainda mais, além de melhor divulgar os posts daqui.

Curtam, comentem e compartilhem!




Este post foge aos temas tradicionais e, tem, sim, um caráter informativo.
Com carinho, das mulheres do De Repente, 30...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Autoconhecimento

Todo aprendizado é um processo, um caminho. Esse caminho pode ser tortuoso, difícil, longo...depende de onde você parte, aonde quer chegar e de que recursos dispõe pra isso.
Andei e ando por vários caminhos, uns mais solitários, uns leves, uns cujo final ainda não sei exatamente onde é. Outros pelos quais passei na intenção de andar com alguém e que acabaram se tornando meus.
Eu tenho procurado andar cada vez mais pelo caminho do autoconhecimento.
Difícil, viu? Muitas surpresas boas, muitas explicações! Muitas fichas que caem e acabam virando dicas para um melhor viver.
Mas às vezes dá uma vontade de voltar. Um medo de olhar mais atentamente no espelho e ver aquelas falhas que vivem debaixo da franja, cobertas por corretivo. O perfil ruim que nunca é fotografado.
Mesmo desafiador, o apendizado é cada vez mais cheio de gratificação, cheio de recompensas. Então sigo, não tão firme e nem sempre tão forte, nesse caminho.
Mesmo sendo de autoconhecimento, e por definição, que só eu posso trilhar, às vezes há companhia em alguns trechos, que o deixam mais divertido, leve ou mesmo desafiador.

Renata anda por vários caminhos, e nas terças anda por aqui.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PAI

Homens... será que vou conseguir entendê-los? Sei que a pergunta é clichê, mas chegou a minha hora de fazê-la.

Tive, e tenho um grande homem na minha vida: meu pai. Que me deixou muito exigente em relação às minhas escolhas de um tempo pra cá.

Meu pai é um jovem senhor muito correto, digno e com um dom nato para a diplomacia.

Sempre foi espelho pra mim.

Mas para ele, e para todo pai, imagino eu, sempre fui sua menininha.

Esse carinho de pai foi “superprotetor”, mas “supernecessário” para encarar as voltas da vida.

E numa dessas voltas, pela primeira vez pude me abrir, com toda a minha verdade, com meu paizinho.

E ele soube escutar, sem julgamentos.

Conseguiu passar por cima dos diferentes conceitos das décadas que nos separam.

Entendeu, e deu apoio incondicional à sua menininha. Que sofreu e que cresceu. Que se reergueu e que agora ama ainda mais esse paizão.

E foi no meio de toda a tormenta, que ganhei o melhor conselho de todos os tempos: “Viva a sua vida sem esperar nada de ninguém. Lute pelo que é direito seu, mas não se exponha.”

As palavras não foram exatamente essas, mas eu entendi e estou tentando colocar em prática...

Um pouco atrasado, mas “rasgando uma sedinha” para o meu pai, em homenagem ao dia dos pais.

Loris, ainda se sentindo a menininha do pai aos trinta e poucos...

domingo, 12 de agosto de 2012

As aventuras do transporte coletivo

O transporte coletivo da cidade onde moro é uma aventura! Os motoristas estão quase sempre apressados, e, algumas vezes, é preciso ir para o meio da rua para tentar para o ônibus no ponto em que ele deveria parar para o usuário. E isso acontece comigo quase todas as manhãs, quando preciso chegar no horário no serviço. Além disso, os usuários deste tipo de transporte também se esqueceram de atitudes educadas e respeitosas, de civilidade, pois não se levantam para dar lugar aos idosos, e até fingem dormir nesses momentos. Abrir as janelas pela manhã, nem pensar. Não sei quem inventou que Belo Horizonte é frio, e toda a população passou a acreditar. Fica aquele abafamento no ônibus, e, se alguém abre a janela, é o vento que incomoda as pessoas, e não a falta de ar das janelas fechadas!

Mas, se pensam que são esses os problemas do transporte em Beagá, se enganam. Quem vive aqui sabe o motivo da passagem de ônibus se tão cara: temos DJs no coletivo, que são os jovens que usam o celular como rádio, sem fones de ouvido, e obrigam todas as pessoas a ouvirem a música que eles gostam, que geralmente é funk! Temos também porteiros nos ônibus! Sim, se a sua cidade não tem, aguarde, pois isso é a educação que os pais dão as filhos atualmente, e as grandes cidades não estão imunes a isso. Os adolescentes se assentam nos degraus das portas do ônibus, entre eles alguns DJs, e não saem de lá nem que as pessoas implorem para sair do ônibus! É preciso saltar entre eles para descer no ponto desejado.

Aliás, eu tenho muita vontade de criar um aparelho para ser usado nos degraus das portas de todos os coletivos da capital, que daria pequenos choques elétricos nos traseiros daqueles que se assentassem nestes locais. Não seria problema pisar nesses degraus, pois os sapatos isolariam a eletricidade. Entrentanto, as roupas não teriam tal propriedade, e nossos queridos porteiros de ônibus teriam o incômodo de receber um choque no assento. E não importa o tamanho do assento da pessoa, nem se é “acento agudo ou cincunflexo”, com dois “esses” ou com “cê”, mas, com certeza, não seria comigo!

Brincadeiras a parte, seria muito bom não ter esses desconfortos no ônibus. Desconfortos que, na verdade, são de atitudes, e não de problemas no sistema de transporte coletivo, que existem, e são muitos, mas que seriam suportáveis se os usuários fossem mais educados.


Mini-resumo: Tania é usuária guerreira do transporte coletivo! E usa porque precisa, e não pra fazer turismo!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Adestramento

Tenho um cachorro cheio de energia, se é que vocês me entendem, chamado Piá. Talvez eu devesse ter chamado ele de Lorde, ou Gentleman, ou Cavalheiro...mas agora ele incorporou totalmente seu nome. E é um Piá.

Além de ser muito, mas muito ativo, o Piá é muito criativo - achou formas muitos claras de expressar que quer brincar de lutinha comigo, como morder certas partes e sair correndo...
Ele também é muito inteligente. Passei um tempo ensinando ele a sair de dentro de casa (algo que ele não se conforma) e a sentar. Quando ele senta, ganha um snack. Sai, senta, snack. A lição dos 3 S.
Lição aprendida, fui fazer outras coisas (algo que ele também não se conforma, o tempo não é só dele) e o Piá começa a latir DESESPERADAMENTE! Eu penso que deve ser uma cobra, algo que o assustou muito e volto correndo! Ele senta. E espera o snack. Ele estava ME adestrando!
O Piá também é expert em desafios de lógica: ele acha formas de fugir do pátio que ninguém entende! Cada vez que eu chego em casa vejo que a vizinhança está construindo um forte apache para evitar que ele fuja: toras de coqueiro, tijolos, telhas, peças de concreto, ossos de baleia...tudo e todos contra o mestre da fuga. Por enquanto, ele está ganhando.

Renata escreve às terças. O Piá foge todos os dias.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Gente do interior

A gente pode fingir que não é do interior e que se admira com coisas da capital fazendo um ar blasé quando reclamam dos escandalosos engarrafamentos; bocejando de leve quando falam do preço absurdo da vida. Pode fingir que é normal chamar perigoso de esquisito, só para não enfrentar a dura realidade da violência sem limites.
Pode andar de ônibus ao invés de metrô "porque gosta de ficar ao ar livre".
Mas na hora de cruzar uma rua movimentada, não tem como fingir. Todos passam voando, sendo literalmente jogados pro alto pelas motos (isso eu vi hoje), e a gente, que é do interior, fica ali, esperando o sinal verde que nunca chega...a noite caindo...os grilos cantando...cri, cri, cri...e a gente ali.
Aí não tem como fingir.

Renata, uma moça do interior, escrevendo de uma capital.
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