terça-feira, 12 de julho de 2011

Percepções e educação

Nossa experiência nos molda. Seja ela no campo profissional, pessoal, espiritual ou físico. Molda nossas opiniões, nossos medos e reações, e molda a forma como observamos e percebemos o mundo.

Dia desses vi na capa do jornal aqui da região (http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/0,17495,capa_offline) uma foto que me chamou a atenção. A notícia era sobre o recebimento e início do uso de netbooks (10, ao todo) para uso em sala de aula. Mais uma mágica maneira de gastar dinheiro na educação sem melhorar sua qualidade. Pelo cálculo simples vi que cada um custou quase oitocentos reais (!), e serão contempladas 5 escolas. Acho que a tecnologia tem muito a acrescentar à educação. Também acho que, antes de investir tanto em recursos tecnológicos, há outras prioridades. Quem sabe, até, investir para que cada professor tenha acesso à tecnologia, para aprender suas possibilidades e melhorar sua prática.

Mas voltando à foto, e se você for curioso irá lá olhar, o menino em questão, cujos olhos brilhavam frente ao pequeno monitor que mostrava imagens do grupo de rock Ramones (sic), estava de touca, dentro da sala de aula, assim como os outros meninos que aparecem na foto.

De uma foto tão bonita sobre investimentos na qualidade do ensino, eu vejo uma grande contradição: quem aprende melhor? Quem tem condições ambientais, tais como temperatura amena dentro da sala de aula, inclusive nos 10 dias em que a temperatura ficou perto de zero aqui na Serra Gaúcha, ou quem tem acesso a netbooks, ou outras ferramentas tecnológicas que sejam?

O que realmente influencia mais na qualidade da aprendizagem?

E isso é um dos inúmeros exemplos que podem ser citados sobre os engodos que engolimos toda hora, muitas vezes ser perceber, sobre como o dinheiro público é desperdiçado (e não investido) nas questões essenciais da cidadania e qualidade de vida.

Comentei sobre essa foto com algumas pessoas, e sobre o quanto fiquei indignada, e a maioria nem tinha pensado sobre isso.Vamos pensar e discutir sobre essas questões, cada um contribuindo com sua vivência e visão para que tenhamos um pouco mais de clareza. Aí, sim, poderemos argumentar e, oxalá, melhorar algumas coisinhas nesse país que não é sério.

Renata começa achar que a próxima “bolsa” que receberemos, essa sim para toda a população, vai conter nariz, peruca e sapato gigante...de palhaço (sem ofensa aos palhaços por escolha e profissão, esses sim, gente séria).

Um comentário:

LuH disse...

Brilhante colocação, Renata!
Há necessidades e prioridades!
bjs, querida!

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