quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Na contramão. Ou: como a minha máquina de costura me faz uma pessoa melhor.

Eu tenho um trabalho estressante. 40 horas por semana. Às vezes mais.

Eu vivo numa cidade sem opções de lazer.

Eu não tenho filhos, nem maridos, nem cachorros.

E eu tenho um osso quebrado.

Junte a tudo isso o fato de que eu sou meio viciada em me viciar em alguma coisa.

O resultado disso é que eu tenho um novo hobby. A máquina de costura.

O engraçado é que eu praticamente cresci em um quartinho de costura. Minha tia/ madrinha é uma excelente costureira. Talentosa mesmo. E eu só tinha tentado costurar à máquina uma única vez. Por 3 segundos. E falhei completamente. E desisti por algo como 15 anos.

Estranho que poucos meses atrás eu me encontrasse novamente na situação de querer aprender costurar à máquina. Nem eu sei explicar. Só sei que a vontade surgiu e que desta vez, aparentemente, ela veio pra ficar.

Tá que costurar não é só comprar uma máquina de costura né gente. Além do talento e da habilidade, há todo um arsenal de coisinhas que uma boa costureira tem que ter. Paninhos, fitas e viés (ou vieses? rs) são os mais divertidos. Além de um monte de tutoriais achados na internet.

Eu e minha máquina já quase nos entendemos bem. De vez enquando, posso jurar que até falamos a mesma língua. E já temos projetos para uns bons 6 meses.

Por enquanto o saldo é:

- 20 saquinhos de TNT para colocar meus sapatos

- 9 porta lenços de papel para dar de presente

- 2 alfineteiros para facilitar a minha vida

- 1 saquinho porta-qualquer-coisa pra minha amiga secreta do basquete

- 1 mente sã

Milena escreve aqui às quintas. Está enfrentando dificuldades em deixar sua máquina de costura sozinha em casa enquanto ela sai para o trabalho.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

De repente, 100

De repente 100 posts no De repente 30...

Caramba, de repente mesmo! Quase três anos por aqui?

Cheguei de gaiata, ainda no primeiro mês, e assim fui ficando, espiando, vendo o desabrochar de fases das balzacas queridas que aqui dividem um lugar no mundo.

100 inspiração inúmeras das vezes.

100 vergonha por todas as ausências.

100 noção post sim, post não.

100 desculpas pelas vezes que ofendi, ou que trouxe aqui as nuvens negras do meu sarcasmo, da minha revolta, de sentimentos, memórias ou textos confusos, de pieguices exageradas, egoísmos, de falta de talento, de olhos voltados para o lado negro da força (não foi com intenção, eu sou mesmo 100 noção). 100 dúvida cada desabafo valeu por várias sessões de terapia.

100 palavras pela gratidão de vez por outra poder dividir coisas boas, grandes ou pequenas, minhas, dos que amo, ou ainda dos que admiro.

Mais que 100% grata por ainda estar por aqui, com algumas das balzacas desde o início e com outras que, como eu, foram agregadas pelo caminho e por aqui foram ficando.

100pre, 100pre, obrigada!

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Bem ou mal, há 100 quartas-feiras (licença poética porque já foi do sábado).

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Presente de Natal

Quando eu era criança, passávamos o Natal na casa da minha avó, em São José dos Ausentes. Mesmo em dezembro, era frio. E mesmo frio e longe, o Papai Noel sempre nos deixava presentes de madrugada. Apesar dos meus irmãos me dizerem que era a mãe que fazia isso, eu os julgava como ignorantes, e continuava crendo no bom velhinho.

Um Natal foi particularmente inesquecível: estávamos na estrada ainda, e meu pai parou o carro e desceu. Fomos todos atrás e vimos uma vaca dando à luz. Eu, que nunca fui fresca, não achei nojento, mas mágico. Ficamos todos observando, em silêncio, todo o esforço do bezerrinho para nascer e o da mãe para que o filhote nascesse em segurança. Vimos o carinho dela ao limpá-lo e ao ajudá-lo a ficar de pé. Lembro que minha mãe falou algo como: esse foi um grande presente de Natal para vocês. Isso me marcou muito e comecei a ver que presente não é só aquilo que vem embrulhado em papel bonito.

Hoje ganhei mais um inesquecível presente de Natal. Fomos cantar em um lar de idosos, aqui em Caxias. Fizemos poucas apresentações até agora, mas digo com certeza que eles foram a melhor platéia. Não olhei muito para eles enquanto cantava, por medo de me emocionar e me perder. Mas quando eu espiava, via olhos muito brilhantes nos observando atentamente. Cada pedido de mais uma era de coração. E enquanto cantávamos o Glória, eis que surge o Papai Noel, com um saco cheio de presentes! Dá pra acreditar? Despedimos-nos de um por um, e todos eles tinham palavras de agradecimento e muito carinho. Foi muito bom ver que uma coisa tão simples tocou tão fundo no coração dessas pessoas, seja pela nossa presença, pela nossa música, pela nossa energia, ou por tudo isso. É cada vez mais um prazer cantar neste coral.


Renata teve hoje um dos melhores presentes de Natal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

As mazelas de fim de ano


Todo ano é a mesma coisa, a gente fica doido pra chegar o fim dele, só pra entrar de férias; mesmo que ninguém goste realmente de ver o ano passar, às vezes, voando. Mas em fim ele chegou, e eu, como de costume, estava contando os dias, os feriados, os fins de semana. Ainda não estou totalmente de férias mas quase lá. É, ser professor não é fácil, mas na verdade fazer as coisas direito não é fácil em nenhuma profissão, todas têm seu lado bom e ruim. Pelo menos eu penso assim. De qualquer forma, mais uma semana, temos que cumprir algumas horas extras pra poder entrar efetivamente de férias, então a gente corrigi prova, faz os boletins, arruma a sala dos professores, as estantes, os livros, reclassifica tudo, e por aí vai. Pra completar um aluno particular meu quer ter aula até na semana do Natal - claro, respondi com um sorriso amarelo no rosto. Afinal fazer o que né, tenho que pensar na minha viagem durante o Reveillon. Pra completar, as mazelas da profissão, fiquei doente, um saco, não acho que eu seja uma pessoa de ficar doente, mas fiquei. Começei um tratamento pra uma alergia que desenvolvi há mais de um ano, e não sara. Já fui a diversos médicos, tomei de tudo para todos, e passei tudo o que me deu vontade, nada. Aí, pensei com meus botões, quem sabe algo AL - TER - NA - TI - VO. E lá fui eu, tenho feito acupuntura e semana passada começei a tomar remédios homeopáticos. PUM - cai na cama com febre, e assim permaneço. Sem falar que no outro fim de semana comi algo que me fez um mal danado. Que pinóia, mal entro de férias e fico assim..... ahhhhhh. Será que tudo na vida pra gente melhorar primeiro tem que piorar? Eu achava que essa regra era só pra término de relacionamento.

Silvia escreve hoje com uma pulga atrás da orelha, já que ainda não conseguiu falar com o médico que a está tratando - alguém pode me dizer se homeopatia tem efeito colateral?


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O que acontece quando você faz um convite que requer maiores explicações

Comunicação é o grande viés do nosso tempo. E como já diria o velho (e sábio) ditado: quem não se comunica, se estrumbica.

Segue exemplo ilustrado...

O mote é o coquetel de confraternização da empresa onde trabalho. Ele tem hora pra começar E para acabar, de forma que os mais animados estão organizando uma balada pós coquetel. O convite, feito em PowerPoint (ou algo parecido) precisou de esclarecimentos, o que gerou a conversa transcrita abaixo.

Sim, somos loucos. E você, não é?

***

“Pessoal, para esclarecimento de algumas dúvidas, segue comunicado abaixo:No dia 18/12/09 a discoteca irá funcionar após o término do coquetel às 20:30h, onde será liberado para a entrada do pessoal da *empresa X* e seus respectivos convidados, desde que, maiores de 18 anos.
Todos os funcionários da *empresa X* poderão convidar: namorado (a), esposo (a), filhos (as), parentes e amigos.
Lembrando que ao estacionar no estacionamento da discoteca, vc ganha um convite VIP para entrar na balada, venda somente no local (vagas limitadas no estacionamento).
Obs.: As pessoas convidadas pelos funcionários poderão entrar na discoteca normalmente a partir das 20:30h desde que compre os convites antecipados no valor de R$10,00 ou na portaria com valor a definir R$???
Detalhe, os convites VIP (estacionamento) e antecipado no valor de R$10,00 serão validos para entrada na discoteca até as 21:30h, a partir desse horário será valido o convite no valor de R$15,00.”

Sra. Confúcia: Desculpe mas eu ainda não entendi uma coisa. Quem compra o convite antecipado tem direito a estacionar ou o estacionamento tem que ser pago além do convite?

Sr. Gu Li Chin: Quem for estacionar o carro, ganha o convite na hora em que colocar o carro no estacionamento. Se você não for estacionar e quiser ir pode comprar antecipado.

Sra. Confúcia: E um casal? Paga 20 para estacionar e ganhar dois convites?

Sr. Gu Li Chin: Se fizermos isso, vamos perder o controle do estacionamento. É simples. Compra um convite antecipado e o outro, ganha na hora em que colocar o carro no estacionamento. Entendeu?

... Em uma outra instância, não muito distante dali...

Sr. Frederickson: Eu provavelmente não vou a nenhum dos dois... Mas se por acaso for, acho que talvez pague o estacionamento antecipado e depois da balada pode ser que vá ao coquetel com a entrada VIP do estacionamento sem controle que ganhar na hora quando possivelmente o carro entrar na balada.

Srta. Cafiaspirina: Mas a balada sem controle só tem que pagar quem for depois do coquetel. Se entrarem com o carro, duas pessoas podem pagar.

Sra. Confúcia: Mas aí, quem paga é o carro e os passageiros VIP entram com vagas limitadas no coquetel do estacionamento.

Srta. Cafiaspirina: Mas quem controla o carro tem que ir ao coquetel, onde haverá limite de carros por pessoa...

Sra. Confúcia: Quer dizer que eu e o meu digníssimo teremos que ficar no estacionamento VIP enquanto o carro vai para o coquetel com direito a balada?

Srta. Cafiaspirina: Não. Você não entendeu. O carro VIP só entra no coquetel após a balada sem controle.

Sra Vitimada: Mas o Cascãozinho (o meu carro) não vai poder ir porque ainda não tem 18 anos! Aí vou ter de pagar o estacionamento e comprar e convite!

Sra Vitimada: Não! O coquetel é antes da balada e depois que o carro entrou no estacionamento vip que dá direito a uma pessoa ir á balada!

Sra Vitimada: Acho que eu nasci com o cabelo pintado! Na verdade sou loura! Num to entendeeeeeno!

Srta Cafiaspirina: É muito simples. Se seu carro não tem 18 anos, ele não é VIP, portanto não pode freqüentar o coquetel nem a balada pois não haverá controle. A não ser que haja duas pessoas dentro.

Sra. Kêmula: A balada é junto com nossa cantoria junto com os vampiros da noite no bairral?

Srta Cafiaspirina: Se os vampiros forem VIP sem controle, estão convidados. Não há limite máximo de idade?

Sr. Frederickson: Mas só para a balada, o coquetel é antecipado e com limite de idade só para o carro.

Sr. Caindo de Gaiato: Pessoal vamos organizar isso. Pela minha análise o que precisaremos é providenciar carros maiores de 18 anos de preferência estudantes (paga meia). Só não compreendi que horário teremos que chegar no estacionamento!

Milena escreve aqui às quintas. Adora emails coorporativos e “escreveu”o texto de hoje à muuuitas mãos =)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Soco na cara

Moro numa casa com quintal (tudo lajotado, uma beleza na concepção daqui e um horror pra mim, que daria tudo por uma graminha fresquinha e uma árvore).

Ganhei de casamento um presente super legal: uma mega blaster piscina, daquelas com a borda inflável (estas mesmas, de videocassetadas), que comporta mais de cinco mil litros de água e, pelos meus cálculos, umas oito pessoas dentro. Fomos nós que incluímos a belezinha na lista de presentes. Não vai ficar o máximo no meu quintal pelado e quente?

Pois é, só que a Pantufa minha SRD peluda dog tamanho médio amor da minha vida, vai dividir o quintal com a piscina. Então, a instalação da mesma está terminantemente condicionada à compra de uma mega blaster capa para a piscina, pois não quero correr o risco de chegar em casa e ter uma sopa de cão amor da minha vida. Junto tem que ter uma lona pra colocar embaixo, serviço completo.

Quem disse que se acha as tais capa e lona? Depois de peregrinações árduas por todas as lojas de piscinas, acessórios de jardim, materiais de construção, material para camping, lojas de 1,99 que estavam ao nosso alcance (dentro do perímetro entre nossa cidadícula e a metrópole mais próxima), apelamos para uma ferragem, que tinha uns rolos de lona na vitrine.

- Moça, a senhora vende lona a metro?

Contextualizando: uma zinha, balconista de uma ferragem, numa cidadezinha, no fiofó do mundo.

- Vendo sim, tem estas aí.

- Qual é a largura delas?

- É de quatro metros.

- Não tem mais grossa que estas?

- Tem não.

- Sabe onde posso achar?

- Há, mais grossa é difícil, heim? Tem já cortada com ilhós, mas é mais cara, sugiro comprar dessa aí mesmo e dobrar no meio. Desculpa a pergunta, mas pra que é mesmo?

- Pra colocar uma piscina inflável.

Longa pausa e cara de nádegas...

- Não é que eu não queira vender, não, mas, porque vocês não se associam num clube?

Depois não sabem porque as pessoas cometem crimes hediondos.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Ela e o digníssimo SÃO sócios de um clube bacana. Não se conforma de ter respirado fundo e segurado a TPM

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Corrida maluca

Lembram do desenho a Corrida Maluca? (Sei que é um atestado de idade mas, afinal, eu escrevo num blog que se chama De repente 30, né?)

Pois acho que estou num episódio daqueles... Sério!

Tenho aquela sensação de querer chegar, mas sem saber muito bem aonde. Tenho obstáculos sérios, engraçados, distrações, eventos surreais a todo instante, aparentemente me tirando do foco, da corrida.

Como um grupo de alunos da sexta série com revista pornô na escola! Como uma aluna de 9 anos com a mochila tão cheia de lixo que usei uma das colheres que estavam na mochila (sic) para escavar o conteúdo (que incluía uma mação podre) e colocar no lixo.

Muitos eventos são bons e surreais, como aplaudir de pé minha filha na estréia dela no teatro, uma surpresa, uma revelação! Linda, inteligente e talentosa!!!

Outros são apenas irritantes, como um motoqueiro bater na traseira do meu carro porque acho que eu ia arrancar.

Já outros são estranhamente emocionantes, como a adrenalina de apresentar canções de Natal com o coral, onde for, para o público que for.

Há os emocionantes e divertidos, como amigo secreto com pessoas mui caras, com comida muito fina!

Há os cansativos e frustrantes, como bate e volta pra Floripa pra prestar concurso e ir BEM mal...

Mas também há os cansativos e legais, como bate e volta pra Santa Maria para apresentar pôster e ser MUITO bom (exceção pras 12 horas de ônibus).

O que há é esse sentimento de balanço, de reflexão e, sim, de se chegar viva e inteira ao fim do ano: a linha de chegada e de partida.


Renata tem dúvidas se esses são obstáculos, distrações, se são a corrida em si, ou se já são a chegada... por via das dúvidas, vai curtindo tudo o que pode!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Somos ainda?


Será que ainda somos os mesmos,
que sonhavam juntos,
que andavam de mão dadas,
que acreditavam que termos um ao outro bastaria,
que o trabalho, os amigos, as conquistas, viriam como consequências de nossa união?

Será que ainda deixamos de fazer algo, por que preferimos estar juntos,
que planejamos nossas férias juntos, bem como feriados, churrascos, e visitas,
e quem sabe ainda, o quanto iremos gastar, beber, e/ou comer,
pois pensamos em conjunto e não mais individualmente?

Será que ainda estamos no mesmo degrau,
na mesma sintonia,
na mesma idéia, vontade, desejo, amizade, carinho,
e outras coisinhas que a gente só sente quando não se está mais só?

Será que somos ainda?

Silvia escreve hoje, se sentindo um pouco só.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

01/12/09: o dia em que eu tomei meu último antidepressivo, fiz aniversário de casamento e um homem quis fazer um “pograma” comigo!!


Terça-feira, 10:00h. Imaginem a cidadã aqui, toda arrumadinha, fugida do trabalho, deixando o carro com o manobrista da Mixed; toca o celular.

- Alô!
- Alô. É Letícia?
- Sim, sou eu. Quem fala?
- Letícia, quem me deu seu telefone foi um colega seu de escola, o Mário. Ele me falou que você faz pograma (sic)...
- HEIN?!!! QUEM TÁ FALANDO?! QUEM TÁ FALANDO?!
- Quem me deu seu telefone foi o Mário...
- EU QUERO SABER QUEM É QUE ESTÁ FALANDO!! AGORA!! FALA SEU NOME AGORA!! FALOU QUE EU FAÇO O QUÊ?!!
- Meu colega falou que saiu com você, que você faz pograma (sic) e eu queria saber como é que faz pra gente estar marcando porque eu queria te conhecer.
- COMO É QUE É?! QUEM É QUE TE DEU MEU TELEFONE?! FALOU QUE EU FAÇO O QUÊ?! QUEM É QUE TÁ FALANDO?! ISSO SÓ PODE SER UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO!! DE MUITO MAU GOSTO!! QUEM É QUE TÁ FALANDO?! OLHA, MEU SENHOR, A PESSOA QUE PASSOU MEU TELEFONE PRO SENHOR QUERIA ME OFENDER E MUITO!! AGORA O SENHOR ME FAÇA O FAVOR DE ME DAR O NOME E O TELEFONE DE QUEM DEU MEU CELULAR PRO SENHOR QUE EU VOU PROCESSAR ESTA PESSOA!!
- tu-tu-tu-tu... Desligou o telefone.

Vocês conseguem imaginar a minha cara? Agora tentem imaginar a cara do manobrista!! Eu já estava pensando em contratar um detetive particular e um matador de aluguel, gente, pra lavar a minha honra com sangue, vocês têm noção? Eram dez horas da manhã!! Meu aniversário de casamento!! Eu tava toda feliz que era meu último dia de sertralina!! E um ser semi alfabetizado me liga querendo fazer POGRAMA comigo!! Gente, eu entrei na Mixed completamente transtornada! Quase abri a boca a chorar de nervoso. Um ano de tratamento pra depressão quase vai por água abaixo! Dei sorte de encontrar uma amiga minha lá e ela e as meninas da loja conseguiram me acalmar, viu. Ficamos lá elaborando mil teorias sobre como o cara teria conseguido meu celular. Tentei me lembrar se algum dia tinha estudado com algum Mário. Nenhum, gente! Além do mais, teria que ser um Mário que me odiasse, né? Pra me sacanear desse jeito!! Ou então tinha que ter um Mário e outra Letícia na minha sala. Mas não, nunca estudei com nenhum Mário. E as Letícias que conheço, duvido que sejam capazes de tamanha baixeza. Aí as meninas começaram com as teorias de garotas de programa de luxo. E eu duvidando. Pois eu já estava quase sendo convencida de que uma das Letícias que eu conheço podia ser uma vagabunda com a qual eu estava sendo injustamente confundida quando meu celular toca. E não era o infeliz de novo?!

- Doutora Laeticia?
- Sim, sou eu!
- Doutora, liguei pro rapaz que me deu seu telefone e ele me mandou ligar pra doutora imediatamente e pedir um milhão de desculpas!! A doutora é adevogada (sic), né?
- Sou sim advogada.
- Pois é, doutora, o rapaz me mandou ligar pra senhora e pedir um milhão de desculpas, que ele pegou o telefone da Letícia errada, ele se confundiu todo e pegou o número errado e deu o celular da doutora adevogada (sic) e me mandou ligar e dizer que sente muito e pedir desculpas e a doutora me perdoe e desculpa ele também que ele está com muita vergonha e eu também e estou muito sem graça e a doutora me desculpe mesmo.
- Sim, mas vocês têm que tomar cuidado com estas coisas, porque vocês me ofenderam, e já pensou se meu marido atende o telefone?
- Nossa senhora mãe do céu, doutora, a senhora nem me fale uma coisa dessas, a doutora me desculpe mesmo, o rapaz está lá todo preocupado e me mandou ligar imediatamente pra doutora e pedir um milhão de desculpas então a doutora me desculpe e desculpe ele também então a doutora me desculpe mesmo viu.

E desligou o telefone.

Agora, fala sério: VOCÊS CONHECEM ALGUÉM MAIS COM QUEM JÁ TENHA ACONTECIDO ALGO SIMILAR?!!!

Laeticia decididamente vai começar a escrever um diário!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Janela digital

Andei perguntando-me por onde andavas e como seria sua vida. Já faz mais de dez anos que não a vejo agora.

É estranho, não? Naquela época você era uma menininha que parecia tímida, ciente mas alheia à morte de nosso pai. Pouco lembro de sua voz, mas lembro bem do quanto eu identificava coisas minhas em você, traços do rosto, traços do corpo, a forma como meu pai a tratava. Eu sou a caçula e você também, coisas dos tempos de hoje, ou daquela época.

Hoje o Google me contou que você passou no vestibular para Relações Internacionais e que deve começar a estudar no ano que vem. Também me mostrou uma foto de uma moça muito bonita que eu acho que é você.

Que gênio você terá? Será tão curiosa e mimada como eu? E carinhosa e teimosa? E frágil, sentimentalóide, sonhadora, que vive transitando entre seu próprio mundo cor-de-rosa e a realidade às vezes bem diferente? Será que também detesta ser melancólica, mas o é tanto?

Pelo pouco que soube hoje, temos algo em comum: você deve gostar de estudar, ou teve a sorte de herdar a inteligência de nosso pai (tão nova passando no vestibular) e deve andar querendo mudar o mundo (Relações Internacionais?).

Não tivemos culpa do que passou, havia tantos interlocutores entre nós que prefiro pensar que nossas mensagens se perderam e acabaram se tornando comunicados, frios e distantes, hoje amarelados, apagados ou mesmo esquecidos pelo tempo.

Que estes anos tenham passado para você tornando-a não apenas uma bela mulher, mas uma pessoa forte e ainda sonhadora, apesar de tudo. De longe, muito de longe, eu rezo por você e torço que esta nova fase, este mais um recomeçar da sua vida seja lindo.

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Trecho da Música Esquadros

Composição: Adriana Calcanhoto

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Às vezes de longe, muito longe.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Brasileiro, Profissão Esperança

Em cartaz no Teatro da Cidade, em Belo Horizonte, até 13 de dezembro, o musical “Brasileiro, Profissão Esperança” é uma ótima opção para quem aprecia a música popular brasileira. Este musical foi escrito na década de 1960 por Paulo Pontes, e obteve grande sucesso na década de 1970, com Paulo Gracindo e Clara Nunes. Agora, repaginado, dirigido e produzido por Pedro Paulo Cava, que já fez “Mulheres de Holanda”, sobre o universo feminino na obra de Chico Buarque, e “Estrela Dalva”, sobre a vida de Dalva de Oliveira, este peça volta a ser atual e um bom convite para se discutir os rumos sócias e políticos do Brasil, além de ótimo divertimento.

A peça conta as vidas da cantora Dolores Duran e do cronista Antonio Maria, e, assim, passeia pelo cotidiano e pelo cenário artístico do Brasil nos anos de 1950 a 19680, incluindo músicas de artistas que foram influenciados pela dupla. Além das crônicas de Antonio Maria e das músicas de Dolores Duran, interpretadas ao vivo pela atriz Rose Brant e pelo ator Mário César Camargo, com acompanhamento de piano, percussão, violão, também ao vivo no palco, há também músicas de Caetano Veloso, Chico Buarque, Maysa, Edu Lobo, Paulinho da Viola, entre outros. E há também textos de Vinícius de Moraes, do poeta português José Régio, de Paulo Francis, de Pedro Paulo Cava. É maravilhoso, e relembra um Brasil que, mesmo com problemas, corrupção, repressão, ainda tinha esperança; ainda acreditava no amor.

Diferente da montagem da década de 1970, que foi gravada e recentemente remasterizada em CD, e pode ser ouvida e sentida no tom forte e triste, a peça atual mantém a esperança como ponto alto, e mostra que ainda é preciso ter esperança em nosso país, pois essa é a marca do povo brasileiro, é nossa profissão, como diz a peça, nas palavras de Antonio Maria. Não deixe de ver!

Tania gosta de sugerir programação cultural neste blog, pois acredita que cultura deve ser divulgada, promovida, vista por todos, como forma de lazer, e de educação.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A definição de sem graça


Desde a semana passada tenho tentado escrever algo,
mas não consigo,
nem mudar de tema ou assunto,
nem pensar noutra coisa.

Desde a sua ida, a gente tem estado assim,
sem ir nem vir,
sem saber o que dizer,
continuando a viver, pois é só isso que a gente sabe fazer.

E, por mais que tentêmos encontrar respostas,
sabemos também que elas não existem,
e se exitem, ainda não foram descobertas.
Por mais que a gente tente, ficamos sem palavras, pois palavras não te trarão de volta.

E no meio disso tudo,
da vida, da morte,
da raiva e da conformação,
nos sentimos assim, sem graça, sem nada, vazios.

E percebi que esse sentimento,
se é que pode ser considerado um,
é a definição exata de quando a gente diz - sem graça.
É assim que o mundo fica quando alguém que a gente gosta se vai.

Silvia escreve às segundas, quando as palavras querem.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Cólera Nunca é Súbita


Há determinadas coisas que as pessoas dizem por aí que não deixam a menor sombra de dúvida de que falaram sem pensar. Aliás, o mais se tem visto e ouvido são pessoas sofrendo verborréias de fazer tremer o mais reles mortal, que dirá os Imortais. Embora muito do meu respeito pela Casa tenha ido por água abaixo depois que aquele senhorzinho maranhense adquiriu sabe-se lá como o seu fardão. Enfim, acabamos nos acostumando tanto a estes despautérios com nossa língua e literatura que nos surpreendemos muito quando algo de bom surge diante de nossos olhos e ecoa em nossos ouvidos. E ficamos dias e dias nos lembrando daquele momento de luz.

A Cólera Nunca É Súbita.

Alguém aí já tinha parado para pensar nisso? Já ouvi várias vezes as pessoas dizendo “fui subitamente tomado pela cólera”, “o ódio tomou conta de mim de repente”, “ quando vi, a raiva tinha me dominado na hora”! Antes que alguém ache que eu acabei de sair de um hospício ou até mesmo da cadeia, pra quem não sabe, advoguei na esfera criminal durante quase sete anos, por isto é que já ouvi muito estas frases.

Mas a realidade é que ninguém é subitamente tomado pela cólera. O ódio não toma conta de ninguém de repente. Nem a raiva nos domina sem que tenha nos dado sinais de sua presença. Aquele momento no qual passamos do limite, quando perdemos o controle de nós mesmos e nos sentimos completamente dominados por um sentimento ele não surge assim, do nada. A palavra, o gesto, o olhar, o riso. Ou justamente o contrário, a ausência da palavra, do toque, do olhar, do sorrido são apenas a gota d’água no copo de cólera.

Quem nunca assistiu ao filme do Raduan Nassar devia. Um Copo de Cólera pra mim era um filme meio incompleto até eu ver a Cólera, do Alexandre Wagner. Acho que agora o filme faz mais sentido pra mim. Era o que faltava pra eu entender aqueles olhos vidrados do personagem que superficialmente apenas declarava guerra às saúvas! Se é que alguém consegue perceber algum tipo de superficialidade num trabalho tão profundo como o do Raduan Nassar.

Você tem razão, Alexandre, a cólera nunca é súbita. Acho que cólera pode ser o somatório de tantos sentimentos e experiências que eu não me atrevo a entendê-la, tampouco a defini-la. Esta é uma tarefa complexa demais. Mas tenho um palpite: talvez a cólera seja apenas a gota d’água.


Laeticia já teve seus dias de fúria. E quem não os teve?



(*) http://www.alexandrewagner.com.br/

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Relicário

Dona Benedita viveu muito bem.
Era corajosa (principalmente), amorosa (mas não sentimental), brava (até o fim), ranzinza (até ser engraçada), forte (e não agüentava mimimi de ninguém), vaidosa, sagaz, decidida, firme. Era bem feliz.

Dona Benedita morreu dormindo aos 87 (talvez 89) anos. Morreu de velhice, ainda lúcida, após ter ajudado a criar vários netos (eu, inclusive).

Deixa para trás, com muitas saudades, 4 filhas, 15 netos e 7 bisnetos. Genros e noras. Amigos, primos, sobrinhos, irmãs.

Deixa o exemplo de uma matriarca, que sempre teve nas mãos as rédeas da própria vida.

Deixa em nossas lembranças o cheiro de lenha queimada no fogão, de café passado na hora, o gosto da melhor comida do mundo.

Deixa em nossos corações a certeza de que a vida é passageira. E passa muito rápido.

Milena escreve aqui às quintas. Nessa, está a 7 dias de luto.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma pausa na vida.

Tinha a certeza de já ter se sentido assim antes. Após algum campeonato, após alguma formatura, após a morte de alguém. Sempre depois de algo importante. Achava que devia até mesmo ser uma reação fisiológica à adrenalina de um momento muito intenso, a calmaria depois da tormenta.

Não sabia bem se gostava ou não da sensação. Uma espécie de saudosismo, a falta de não se sabe o quê. É como se tivesse perdido algo. Não algo que se foi, deixando um vazio, mas algo transbordado, deixando uma plenitude um pouco apavorante.

Uma pausa na vida a assustava, ainda que breve, onde não havia nada que queria muito, ou nada que fosse para ontem. Era como uma folha branca de papel, mágica pelo convite de que tudo ali pode ser criado, mas trágica para o criador, em seu medo do que pode vir a criar.

Um silêncio oco como trilha sonora, deixando espaço para verdadeiramente ver pessoas e situações que antes também estavam ali, mas não havia espaço para elas. Sente suas dores, vibra com suas conquistas, surpreende-se como uma criança com emoções sentidas pelos outros, tomando o lugar das emoções há pouco reservadas apenas para si mesma.

Pensou ser um tipo de tédio, mas não, um tipo de apatia, mas não. Apenas desligou o automático. Desligou-se das listas. Desligou-se das opiniões, de preocupar-se em corresponder ao que desejavam dela. Desligou-se de dar explicação quando não compreendida. Desligou-se de surtar quando o esperado resolve se atrasar, ou simplesmente não acontece. Desligou-se de analisar infinitamente se a decisão, ou a ação, era a mais correta, a mais adequada, como um cão correndo atrás do próprio rabo.

Pensou ser um tipo de preguiça, e descobriu que era mesmo. Preguiça de sua natureza ávida por novos caminhos. Preguiça de si mesma. Assustadora, mas deliciosamente preguiçosa, decidiu que queria permanecer assim, esbanjando este sentimento estranho que não era novo, mas era raro.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Procurando rascunhos, com preguiça de páginas em branco.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O mico do ano

Sei que o ano ainda não acabou, embora essa seja a sensação. Mas o mico que paguei esses dias com certeza não será superado até o dia 31 de dezembro!

Primeiro, pra contextualizar, uma pequena exibição: fiz mais uma apresentação com o coral e foi mooooito melhor que a primeira. Isso na minha opinião, o que é bem discutível.

E acabei saindo de lá em torno de 1 da manhã. Acontece que há semanas tinha combinado com uma amiga de ir nesse dia com ela a uma festa à fantasia. Ela estava no lugar da festa, fantasiada, me esperando e sem bateria no celular...

Eu, que sou uma super amiga (e modesta!), fui pra casa, tomei banho, montei uma bruxa de chapéu de tudo e fui pra festa! Visualizem, se puderem: eu chegando de táxi à 1 e meia da manhã numa festa à fantasia lotada, mas apenas umas 10 pessoas efetivamente usavam fantasia!

Como assim?! Não se pode mais nem contar com o espírito festeiro das pessoas? Com a falta de senso do ridículo?!

Respirei fundo e fui. Na entrada me ofereceram uma máscara. É óbvio que eu usei, precisava muito de uma máscara, pra tentar passar despercebida! Lá dentro, procurei minha amiga: loira, de roupa preta, provavelmente de máscara... Vocês não têm ideia de quantas loiras de preto e de máscara tinha naquele lugar!

Mas tudo acabou bem, com final feliz. Nos encontramos, a festa foi massa e minha cara de pau está cada vez mais lustra!

Renata escreve às terças, e espera que o mico do ano fique por aí, porque senão a coisa vai ficar preta!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Intelectual?


Nunca achei que alguém fosse estúpido o suficiente para acreditar naquela piada de que homem compra Playboy porque as reportagens são ótimas. Homem compra Playboy pra ver mulher pelada. Mulher bonita, gostosa, boazuda e pelada, evidentemente. Não necessariamente bonitas, ok. Mas sob o ponto de vista masculino, que é o que interessa, venhamos e convenhamos, 100% das capas da Playboy enquadram-se absolutamente nos quesitos gostosa e boazuda. O resto é resto. É bônus.

Ledo engano. E ivo. Parece que a Fernanda Young acredita neste conto da carochinha. Senão teria ficado em casa escrevendo mais uma historinha pro Rui e pra Vani!! E sequer cogitaria a hipótese de ser campeã de vendas da Playboy. A menos que seja uma piadinha infame por parte dela, caso em que já faço a mea culpa e peço pra sair!! Mas a pior piada ficou registrada. Em milhares de exemplares, um dos quais está aqui em casa.

E pensar que a assinatura da revista sai do orçamento familiar!!! Lastimável.

Ainda bem que a Flávia Alessandra vai lavar a honra da revista no mês que vem. Porque já que é pro meu marido ficar vendo mulher pelada em revista, pelo menos que seja uma mais gostosa que eu!!!

Laeticia primeiro vê e depois lê a Playboy há pelo menos oito anos. Normalmente acha os ensaios lindos, mas este da Fernanda Young ela considera uma piada de mau gosto com os assinantes. Pior, só se sair mesmo a talzinha da Uniban.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Pílulas baianas

Uma das primeiras coisas que um baiano diz ao te conhecer é que é para não estranhar que baiano tem talento: “tá lento” pra tudo.

No primeiro dia na pousada descobrimos que no meio do mato deveríamos pegar quatro canais da TV a cabo. No nosso quarto só pegavam três. Pedi para darem uma olhada. Resultado: agora só pegam dois.

Pra cobrar os olhos da cara por qualquer coisa, no entanto, o baiano é bem ligeirinho... R$ 3,00 por um côco? R$ 45,00 por um peixinho na brasa pescado lá mesmo? R$ 10,00 pra sentar no guarda-sol? Ligeiros, heim?

(homem com a filhinha em loja de artesanato de madeira)

- Que bicho é esse moça?

- É um apito!

(a pessoa aqui procurando para um amigo uma encomenda de um negócio azul pra usar no pescoço, daqueles “de religião” que esqueci o nome)

- Moça, como é o nome disso aqui?

- Colar (!).

Não acredite imediatamente no que um guia turístico baiano te diz. As chances de ele estar tirando onda com a sua cara são de 90% e dele estar inventando são de 10%. O bom é que ao menos até o fim do passeio ele confessa.

Se você é como eu e discorda do que todos dizem a respeito de frutas que causam prisão de ventre (como goiaba, caju e jabuticaba), não tente jamais comer subseqüentemente oito cajus, mesmo que pareça irresistível comê-los na Bahia, direto do pé. Isso não é uma boa idéia.

Puko me ajuda! Não tem nada passando na minha cabeça, e agora?

Quando algum passeio reservado com muita antecedência for cancelado, não se preocupe. Use o tempo extra pra questionar a três guias diferentes os motivos do cancelamento e receba três histórias estapafúrdias totalmente distintas como explicação. É divertido.

Se você for fazer um batismo de mergulho em alguma piscina natural com mais ou menos sete metros de profundidade e desconfiar que seria ridículo você lá, de long, nadadeiras, máscara, pesinho na cintura e cilindro, enquanto passa uma bonita só de biquíni e snorkel por baixo de você, pode ter certeza de que é exatamente isso que vai acontecer.

Cuidado com os hippies baianos. Eles têm a incrível habilidade de te vender tranqueiras por um preço absurdo. Pior é que você ainda sai achando que fez um bom negócio, até perceber que foi praticamente roubada, e ainda por um doidão.

Na Bahia (pelo menos no pedaço onde estamos), não toca mais Aché, nem tem fitinha do Bonfim, e é difícil achar um acarajé. Baiano não é mais lento, os gringos invadiram, turista brasileiro é quase ignorado e aqui, a inflação forte ainda existe. Mas mesmo assim, a Bahia continua linda, maravilhosa, e perfeita pra esquecer o mundo lá fora.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Nesta, em lua-de-mel e de férias na Bahia, super em paz, super relax, super light, cheia de amorzinho e com muito “tá lento”.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

You must do before 30`s (lista precoce)


Como muitos já perceberam, sou colega da Milena no time: Eu adoro fazer listas! Seja de lugares aonde ir, coisas a fazer, a comprar, até e-mails a mandar.
Se você procurar um pouco, encontrará diversas listas como 30 coisas para fazer antes dos 30. Há itens legais, outros são pura bobagem, mas são listas de outras pessoas, de outras vidas. Fazendo jus ao meu caráter ansioso e precoce, comecei a pensar na minha lista pré trinta, lembrar de coisas que queria muito fazer, coisas importantes que já fiz, embora ainda faltem quase 3 meses pra eu trintar. E, sabe, fiquei bem satisfeita com a minha listinha:
- já tive uma filha (passei meus genes adiante, com muito sucesso!);
- já me graduei. E fiz mestrado. E fiz especialização;
- já amei e fui amada. Tive o coração partido, mas continuo firme;
- magoei e fui magoada. Perdoei;
- estive perto de desistir, mas lutei;
- acampei e fiz trabalhos de campos em lugares incríveis;
- tomei banho de cascata no inverno, de jeans e camiseta, na água tão fria que era difícil respirar;
- já fui pra Europa. Pros EUA. E conheço vários lugares do Brasil;
- já fui a Minas só por amizade;
- já fiz uma tatuagem - linda!
- escrevo no blog – a realização de um desejo pessoal
- canto num coral. Mal, mas eu canto!
- conheço pessoas maravilhosas, que muito acrescentam na minha vida
- tomei as rédeas da minha alimentação, do meu peso e do meu corpo. Agora só falta do humor;
- dirijo pra onde precisar;
- tive vários empregos que me ensinaram muitas coisas;
- freqüento (e gosto de) academia;
- fiz curso de mergulho, embora faça anos, uma experiência inesquecível;
- já sou tia!!
- fui organizadora de dois livros e autora de capítulos (com muita satisfação!);
- participei da Universidade Solidária, no Maranhão – uma lição de humanidade;
- já perdi uma pessoa muito querida, e aprendi a dar mais valor à vida.

Há muitas coisas faltando na minha lista. E não acho que se deva antecipar coisas ou fases em função de uma data, cada coisa a seu tempo. Afinal, a vida começa no nascimento e não em uma data específica. Nem termina por aí. Na minha lista de coisas feitas, ainda vou colocar (só não garanto que até os 30, mas vou colocar):
- aprender uma terceira língua
- fazer uma viagem de carro pela América Latina; conhecer a Patagônia
- escalar
- cantar num barzinho
- aprender a fazer as unhas
- viajar mais
- colocar um piercing e fazer outra tatuagem
- aprender a andar de bicicleta (dispenso comentários sobre essa parte, não sei e pronto.)
- voar de paraglider
- escrever um livro
- cursar filosofia
- ver uma baleia de perto
- ter cabelo verde
- aprender a dizer não.

Renata ainda tem muito que fazer. E a lista não para de crescer.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Será que eu tenho?


Acredito que todo mundo tenha manias, umas piores, outras nem tanto. E eu lá, tambem tenho as minhas, e talvez, pelo menos para a mim, a pior de todas, tenho mania de pensar. Penso em tudo, a todos os momentos, constantemente. Procuro pensar na maneira como você pensa, tento me colocar no lugar de várias pessoas, chego até a fingir que não sou eu mesma, só pra saber como o outro poderia reagir a determinadas situações. E por aí tudo se desencadeia, começando com essa minha mania, até o hábito de pensar em como economizar o tempo. Se vou na rua e sei que tenho várias coisas a fazer por lá, mentalmente traço um caminho que gastará menos tempo, se vou ao meu quarto e já sei que depois tenho que usar o computador do meu pai e, nesse meio, corrigir provas, lavar algumas roupinhas e ir ao banheiro, faço o mesmo, pego as roupas, as provas, o copo sujo pra deixar na cozinha no caminho da lavanderia e saio do meu quarto empilhada de coisas e, até aí, ando pela casa de maneira que me faça, ao menos acreditar, que estou economizando o meu tempo. Sei que pareçe loucura e chego a pensar que possa ser mesmo, mas me sinto de certa forma, mais organizada comigo mesma, e, faço, como de costume, milhões de coisas ao mesmo tempo. Se erro o trajeto, me embaraço e reclamo, pois desperdiçei, minhas pernas, mãos e braços, uma vez que terei que voltar para buscar algo que esqueci de fazer pelo caminho. É, me assusto de vez em quando, e me pregunto quando foi que começei a raciocinar assim; e não sei a resposta. E continuo adiante, pensando e com uma pulga em minha orelha a perguntar: será que eu tenho?

Silvia escreve às segundas-feiras, por vezes achando que tem TOC.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Que Exemplo Infeliz ou Que Preguiça de Gente

Tô indo trabalhar na correria de sempre (não resisto a cinco minutos a mais na cama), zapeando o rádio e acabei deixando acidentalmente na Band News. Normalmente deixo é na Guarani FM mesmo, pra não começar meu dia ouvindo notícia ruim. Peguei o Boechat no meio de um comentário falando que na cédula eleitoral dos Estados Unidos vinham cinco matérias sobre as quais a população poderia (sim, porque lá o voto é facultativo) se manifestar sobre a alteração ou revogação da lei, além de votar e que isto deveria ser implantado no Brasil. Terminou por exemplificar que no mês passado (?) tinha havido votações por lá e que no estado x, por exemplo, não me lembro qual era o estado, a população havia decidido revogar a lei que autorizava o casamento gay.

Meninas, me deu uma dor de estômago tão grande na hora, meu pâncreas se contorceu de horror, fiquei ao mesmo tempo cega e surda, quase provoquei um acidente de trânsito. Como é que uma pessoa que tem o poder de se comunicar com as massas fala uma coisa destas no rádio!!! Me deu um asco deste cara! Olhem o currículo do âncora do Jornal da Band: ganhador de três prêmios Esso, começou a carreira no início da década de 70 e passou por O Globo, Estado de São Paulo e Jornal do Brasil. Que decepção, meu Deus!! Um cara destes me solta que as pessoas devem poder discriminar as outras de forma livre e legítima! Sim! Porque uma coisa é orçamento participativo, outra bem diferente é meter o bedelho nas liberdades individuais!! E uma vez que se fala de liberdade de orientação sexual e regulamentação jurídica da união civil entre pessoas do mesmo sexo você está sim tratando de liberdades individuais, ora bolas!! Vou além, estamos falando de Direitos Humanos!! Estamos falando do Pacto de São José da Costa Rica!! Ou a união entre duas pessoas sem filhos não é constituição de família?! Então eu e meu marido não somos uma família, nem seremos nunca, né, porque a gente não quer ter filhos!! Não estamos sob o amparo do Pacto de São José da Costa Rica!!

Aí, meninas, veio o meu choque maior. Fui conferir o Tratado pra poder vir de sola, né, no exemplo infeliz do Ricardo Boechat. Aí não foi meu pâncreas que se contorceu, nem meu estômago que embrulhou. Tive foi uma vontade súbita de cortar os pulsos!! Mas como isto só me renderia, além de muito deboche pela idiotice do ato, duas cicatrizes horrendas e incapacidade temporária para o trabalho – impensável para um profissional autônomo – restringi minha indignação a uma dose de whiskey. A Convenção Americana de Direitos Humanos é expressa ao dizer que “é reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de constituírem uma família”!!

Primeiro: do homem e da mulher!!! Segundo: observaram o verbo que antecede a palavra casamento? CONTRAIR!! Deve ser doença, né? Gente, vá lá, a convenção é de 69, mas não foi 1968 o ano que mudou o mundo?!! E o Boechat? Tava aonde em 1968? Lá no apartamento da Nara Leão participando do movimento da Bossa Nova? Com o Caetano tropicaliando por aí? Ou Bossa Nova e Tropicália eram coisa de vagabundo, maconheiro e gay? Ah, nem, viu? Que preguiça que me deu agora...

Gente culta, instruída, que se comunica com as massas, que forma opinião, falando no rádio que é bacana a população que sequer para pra pensar no que vai comer no dia seguinte poder revogar irrefletidamente uma lei que representa uma evolução da sociedade auto intitulada civilizada!! Onde é que vamos parar, hein? Porque pouquíssima gente tem a capacidade de se colocar no lugar do outro e menos gente ainda tem o hábito de se colocar no lugar do outro. E nem é por mal, não. É porque de uma forma geral, nem sempre somos educados assim. E mesmo quando somos, nem sempre o fazemos. Aceitar o diferente não é um hábito da sociedade. Nem deveria. Deveria ser simplesmente natural. Aí eu não teria passado mal com o exemplo infeliz do Ricardo Boechat e talvez não fosse necessário haver um Pacto de São José da Costa Rica.

Mas isto é utopia do mundo encantado de Laeticia. Eu já me contentaria com uma mudança nestes paradigmas hipócritas desta sociedade pseudo-católica-apostólica-romana que encobre a vida sexual nem sempre hetero de padres teoricamente celibatários. Bem faz a Suíça, lugar civilizado, onde os gays casam-se e descasam-se faz tempo. E onde não deve haver jornalistas de renome prestando este tipo de desserviço à sociedade que deve estar em permanente evolução.

Laeticia vai morrer defendendo o direito das pessoas serem felizes, independentemente de qualquer coisa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Resmungo...

Eu tenho um osso quebrado. E no momento moro em um sobrado. E quase que eu fiz um poema.

E se dizem que o poeta escreve melhor quando sente dor, no momento posso escrever um best seller.

Isso se eu estivesse de bom humor.

Do jeito que estou agora, meu best seller seria um livro de terror.

Sério, se eu não tomar cuidado, sou capaz de resmungar igual ao Rabugento pelo resto da noite.

Sozinha em casa com o cão que tem medo das muletas.

Aliás, estou procurando um nome para minhas muletas canadenses.

Tem que ser um nome de mulheres gêmeas. Tipo Mary e Anna. Mas algo mais acolhedor. Aceito sugestões.

Afinal elas me acompanharão para onde quer que eu vá pelas próximas 3 semanas.

Menos escada acima.

Preciso aprender a fazer compras com muletas. Como é que as pessoas empurram o carrinho de supermercado?

Outra coisa que não dá é pra carregar o copo d'água. Tem que encher perto da geladeira e tomar lá mesmo. Enfim, vários mistérios a serem resolvidos. Vários resmungos pela noite adentro.
Milena escreve aqui às quintas. Às vezes, só para reclamar. Humpt!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Máscaras ou o Zorro e eu


Se você observar as pessoas, ou se observar a si mesmo com certo distanciamento, vai perceber que o uso de máscaras é muito mais freqüente do que parece.
Claro, quando o Zorro usa sua máscara, mesmo que esconda apenas uma partezinha do rosto, todo mundo vê. E aquele pedacinho de pano faz com que ele assuma uma postura que não ousaria ter de outra forma.
Existem máscaras cosméticas, efêmeras, mas que resultam em efeitos muito mais internos do que externos, em minha opinião. E sua utilização segue um ritual de auto cuidado e até de auto estima que é muito importante.
Ao esqueci as máscaras de proteção, usadas por profissionais, customizadas e banalizadas em tempos de gripe A., mas que protegem a saúde e a integridade física de quem se expõe a riscos na sua atividade profissional.
Há quem use máscara por diversão, como fetiche, como parte de fantasia em carnavais e festas. Cobrem parcialmente ou totalmente o rosto, mas mostram o que há por dentro, consciente ou inconscientemente, do mascarado em questão. As máscaras protegem, divertem, escondem e revelam.
E, claro, há máscaras que ninguém vê, mas que se usa. Para esconder um sentimento, para assumir uma postura mais adequada à determinada situação. Fazemos uso freqüentemente delas e, muitas vezes, sem nem perceber. A máscara da indiferença, pra cobrir um coração partido. A máscara da arrogância, pra cobrir a insegurança. A máscara com um sorrisinho amarelo, pra cobrir a inveja. A máscara da agressividade, para cobrir a fragilidade. A máscara de sorriso colgate, pra cobrir a tristeza. A máscara para cílios, para cobrir a noite passada aos prantos.
Eu percebo que quando estou professora, sou mais teatral, mais palhaça, porque isso me ajuda a ajudar as crianças a aprenderem mais. Em situações tensas, uso uma máscara de calma e autocontrole, que sempre me ajuda a resolvê-las.
E tudo isso é bom, pois me ajuda a transitar melhor em situações diversas.
O problema das máscaras é quando se perde a noção de qual máscara se está usando. Quando viram falsidade, esconderijo. Quando ninguém sabe qual é o seu verdadeiro rosto. Quando se é diferente com cada pessoa, em cada situação. Quando dentre todas as suas máscaras está o seu verdadeiro rosto, e você não o reconhece.

Renata escreve aqui às terças. Às vezes mascarada, às vezes não.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A primeira vez a gente nunca esquece


E pela primeira vez, lá se foi, Anastácia a um jogo de futebol. Não dos maiores, mas também não menos significante, foi a um jogo do time de sua cidade, para ela, por si só, interessante.

No início, não disse ao que veio, ou melhor dizendo, não lhe causou nehuma reação realmente expressiva. Contudo e com a chegada do segundo tempo, tudo se transformou. Uma vez que seu time, ou seja, aquele recém adotado, estava perdendo, quase, deslavadamente, e para completar os jogadores pareciam espantalhos que se jogavam ao chão. Anastácia sentiu uma vontade súbita de gritar. E gritou.

De nada adiantou, é claro, pelo menos não para o time, mas para ela, foi, simplesmente, ótimo. Uma sensação incrível poder chamar de PALHAÇO os que estavam se fingindo de machucados, de PERNAS-DE-PAU aqueles que nem corriam mais e nem fingiam que corriam, e de muitas outras coisas que para ela eram mais do que justificáveis.

É, para Anastácia, mesmo tendo perdido, ganhou - um alívio danado.

Silvia escreve às segundas, às vezes bem atrasada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma Tarde no Minas Trend

Não é segredo pra ninguém que eu amo moda, né? Fico até pensando em trocar meu perfil de tablado e tribuna pra backstage. Óbvio. Não seriam passarelas do alto do meu 1,64m e do peso impublicável. Ficava assistindo flashes do Rio Summer, SPFW e Minas Trend pela TV e me imaginando na primeira fila e depois com cartão de crédito em punho pelas melhores lojas da cidade!! Ah, que sonho!!

E não é que hoje eu fui parar no Minas Trend? Pois é, e era pra eu ter ido em vários. Quem não se comunica, se estrumbica. O evento é da Fiemg e a trouxa aqui tem vários amigos na Fiemg e nunca havia me ocorrido que eles poderiam me arrumar algum trabalho de apoio na produção. Consegui melhor: um crachá de convidado e com a simplicidade daqueles que podem. “Estou com três convidadas, faz o crachá delas, por favor, meu bem? É Clarisse, Laeticia e Thacia. Brigadinha!”

E lá estava eu numa filinha básica pra ganhar um brinde, enquando a Thacia ganhava uma make up, quando alguém me chama. Genteeeeeeeeeee, era um cara da produção, justamente o responsável por nos garantir os tais crachás de convidadas: Pelé!! Meu amigo de infância!!! Siiiim, aquele mesmo que dançou quadrilha comigo no Dó-Ré-Mi e no George Chalmers, que dançou comigo em festinhas americanas, que arquitetou comigo a guerra de jaboticabas no especial que nos levava ao Instituto Alcinda Fernandes e que nos rendeu suspensão de uma semana! Que mundo pequeno!!

Hora do desfile, eu lá toda empolgada, com cara de freqüentadora assídua de desfiles de moda. Primeiro desfile: Apartamento 03. Gente, fala sério! Vocês têm que conhecer esta grife. Lindo, lindo! Nossa, amei de paixão. E nunca tinha ouvido falar. A-do-rei. Não me perguntem o preço porque não faço idéia. Esta não tinha stand. Segundo desfile era de acessórios. Não me lembro do nome porque não gostei de absolutamente nada. Terceiro desfile: Frutos do Mar. Biquinis. Cá entre nós, amigas. Vai tomar banho a gente (refiro-me a mim mesma quando digo a gente) não ter aquele corpitcho pra usar biquínis tão desbundantemente belos!!! E tinha duas modelos lá que acho que tinham que pedir licença pra serem deslumbrantes daquele jeito. Evidentemente, uma abriu e a outra fechou o desfile. A primeira era clarinha, mas não era branca cor de parede de hospital não. Tinha a pele firme. Era beeeeem magra, como são as modelo, mas tinha bundinha e peito. Não é o tipo de mulher que deve ouvir “gostooooosa” na rua, mas era chiquérrima!!! A outra era negra, elegante, a cintura da cidadã era uma falta de respeito, o que fazia com que a bunda também o fosse. A impressão que eu tinha é que se eu desse um tapa na bunda dela, não ia nem mexer, de tão dura. Affe, acho que tem dias que Deus está com preguiça e fala: toma, minha filha, hoje não vou dividir nada, toma tudo pra você mesmo!!! Sucesso, o desfile foi um sucesso. Aplausos de pé. A pergunta que não quer calar: aplausos de pé pras duas modelos ou pros biquínis? Dúvida crudelíssima rsrs

Hora de rodar os stands. Gente, quase morri!! Todos os mostruários de sapatos são literalmente meu número: 35!! O representante da Dilly muito gentilmente, diante da minha avidez pelos sapatos e do meu pedido para ter aqueles belíssimos exemplares de obras de arte nos meus lindos (modéstia às favas) pezinhos naquele exato minuto, me deu o cartão dele e pegou o meu e ESPERO que ele me ligue pra me vender o mostruário dele OU FAREI A VIDA DELE VIRAR UMA VERDADEIRA TORMENTA!!! Quase a Glenn Close em Atração Fatal.

As bolsas da Margot quase me enlouqueceram. Só não perdi a compostura porque tive a grata notícia de que o mostruário também é vendido quando vem a nova coleção!!! Dá o seu cartão aqui, moça, que vamos fazer negócio no futuro!!

Mais um passo e dou de cara com quem? Mabel!!! Olha que coisa. A vida, gente, não tem coincidência! Tem encontros! Quem é a diva das divas? Chanel, always Chanel. Chanel rima com Mabel!E Mabel é quase tudo na vida do ser. Quase porque tudo, só Chanel. E minha amiga Hélida estava lá no stand e me mostrou em primeiríssima mão a nova coleção da Mabel Magalhães. Choquei. Tudo lindo, deslumbrante. Mabel, né, gente?

Vou ser sincera com vocês. Determinadas situações, tipo uma ida ao Minas Trend, me colocam em um dilema muito, muito cruel. O que será pior: ser pobre de bom gosto, ou ser pobre de mau gosto? Eis a questão!!

Laeticia está com urticária de curiosidade pra saber o que tinha naquela caixinha que a Luz da Lua estava dando de presente pros convidados VIPS (aqueles do curral – paga língua) na primeira fila do desfile.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lista nº 15.987 - Coisas para fazer quando eu me aposentar

Aprender a tocar piano.

Aprender a costurar à máquina.

Fazer todos os álbuns de fotos que estão na minha cabeça.

Terminar de escrever o 13º livro que eu comecei.

Aprender a dançar.

Dormir até acordar todos os dias.

Cultivar um jardim.

Contar histórias para os pequenos.

Levar o tempo à sério.

Pintar o cabelo de lilás.

Morar à beira mar.

Parar de fazer listas.

Milena escreve aqui às quintas. Às vezes, só às vezes, pensando num futuro bem distante...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Feriadim

Dormir até mais tarde.
Pegar sol no campo.
Almoçar galinha com farofa (legítimo prato de farofeiros) em família, na sombra, no cobertor clássico dos piqueniques desde a minha infância.
Cochilar na grama, na sombra, ouvindo as aves e o barulho do vento nas árvores.
Ler, conversar, rir de bobagenzinhas.
Sem badalação. Sem TER que fazer tudo o que você não teve tempo de fazer durante o ano até aqui.

Renata teve o feriado perfeito.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Na reta final

Chegou Novembro,
e com ele aquela sensação de estarmos quase lá.
Festas de fim de ano,
músicas natalinas, luzes, pisca-piscas e muitos,
muitos papais- noeis.
Ainda não se gosto ou não,
compras, presentes, e muito,
muito dinheiro gasto.
Mas finalmente, férias.
Viajando ou não, férias.
Com a chegada de Novembro a gente se sente na reta final;
até que em fim.

Não sei ao certo mas acho que esse é um dos últimos feriados do ano. Temos um no início de Dezembro, se não me engano; mas hoje tive a impressão de ter sido providencial para recarregarmos a bateria e seguir em direção ao fim do ano.
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