sexta-feira, 25 de abril de 2008

Cabra – cega

Quem não lembra das brincadeiras de criança? Pegador, amarelinha, cabra – cega... Na verdade eu nunca soube direito se era cabra – cega ou cobra – cega, mas entre tantas brincadeiras de criança era a que eu mais odiava. Eu não lido muito bem com tensão, e pra mim esta brincadeira sempre foi tensa. A pessoa é colocada de olhos vendados em um lugar, rodada até ficar tonta e quase cair, depois tem que sair caindo pelas beiradas tentando agarrar pessoas que ela não vê, que fogem dela passando muitas vezes raspando nela, gargalhando às custas do infeliz.

Pois minha vida ultimamente parece uma brincadeira de cabra – cega. Eu sei que tudo que quero (e quem eu quero) está ali, perto de mim, e me sinto cega e tonta, sem saber nem como começar a tatear. Às vezes sinto que quase agarro uma coisa ou outra, e o que era pra ser desafiador vira uma frustração que me persegue. Sinto que o que eu tenho que agarrar está ali, ao alcance das minhas mãos, e quando eu passo perto e deixo escapar, escuto gargalhadas se afastando.

Esta brincadeira é de extremo mau gosto e eu estou odiando.


Sisa está sendo obrigada a brincar de cabra cega em uma vida que ainda precisa de uma faxina que ela ainda não conseguiu enxergar nem por onde começar.



2 comentários:

Angel disse...

Que faxina demorada é essa! Vamos lá, eu te ajudo! Quando e onde começamos?

Marcela Maria disse...

É impressionante como todos os seus textos se encaixam perfeitamente na minha vida!

Também tenho passado por algumas brincadeiras de cabra-cega, e não gosto muito disso...

Mas a minha "faxina" está praticamente concluída, e eu tbm não sabia por onde começar.

Parabéns pelos textos!

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