quarta-feira, 4 de março de 2009

Mau-caratismo revoltante e disseminado

Um colega que sempre tenta passar adiante seu trabalho e responsabilidades, mas é o primeiro a reivindicar os louros de algum resultado é MAU-CARÁTER.

Uma empresa que restringe mais do que o necessário e demite mais do que devia, em nome de uma crise financeira, mas evidentemente tirando vantagens desta situação é MAU-CARÁTER.

Um indivíduo que se aproveita da solidariedade das outras pessoas para explorá-las, assaltá-las, violentá-las é um grandessíssimo MAU-CARÁTER.

Um profissional, principalmente se contratado para aconselhar e ajudar a fazer escolhas, quando “empurra” serviços desnecessários porque terá vantagens com isso, seja um farmacêutico ou uma assessora de casamentos é um MAU-CARÁTER.

Um cozinheiro que cobra um valor por um jantar, e o mesmo valor vezes cinco, pelo mesmo jantar de casamento é um MAU-CARÁTER.

Um amigo que confirma que vem e não aparece e nem dá explicação, sem um motivo justo é sim um MAU-CARÁTER, além de ter certeza de que o tempo dos outros não vale nada.

Um supermercado que vende uma caixa de cereais com vermes vivos dentro, ainda no prazo de validade, é um MAU-CARÁTER. Pior ainda se desliga os refrigeradores à noite para economizar energia.

Uma padaria que se livra de frango semi-estragado fazendo empadinhas bem temperadas é infinitamente MAU-CARÁTER.

Uma empresa de telefonia que há seis meses não manda uma conta telefônica para uma residência, pois não é capaz de conseguir trocar seu endereço no cadastro de correspondências, mas que tem a cara de pau de mandar o correio entregar um modem para o mesmo endereço, e cobrar por ele, sem ele ter sido solicitado, é tremenda, absurda, vergonhosa, ridiculamente MAU-CARÁTER.

Tem dias em que o mundo quer mesmo é testar a nossa paciência. Como não acordar com os dentes cerrados e se defendendo de tudo e todos, quando a sensação é de se estar rodeado de pessoas, empresas, produtos e serviços que não valem nada, mas que sabem cobrar muito bem e dos quais, infelizmente, precisamos? Como segurar o tranco e não pensar “bem-feito, seu FDP” imediatamente, quando qualquer um destes inúmeros causadores deste sentimento horroroso que é a injustiça se dá mal? Como não ter gastrite, ansiedade generalizada ou depressão vivendo neste navio de falsários que se tornou esse planeta?

Valha-me Deus, se o inferno existe, eu até acho que me escapo pela minha conduta (eu acho heim?). No entanto, certamente serei condenada pelo tanto de mal que eu desejo a quem faz mal. E a ironia é que ainda vou ter que conviver com eles lá em baixo.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Hoje em uma quarta-feira especialmente revoltante, mesmo com suas boletinhas.

2 comentários:

Daniela disse...

Oi Gisele!
Tem dia que eu tenho essa mesma sensação, que está tudo muito errado e que estou remando contra a maré...
Bjs,
Dani

Lila disse...

Vai um exorcista ai????

hahahahahaha

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