terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Visitas


Depois dos últimos textos aqui do blog, sobre acontecimentos bem ruins, vou tentar levantar um pouco o astral. Porque é verdade o clichê de que a vida continua. Aliás, os clichês sempre têm um fundo de verdade, mas isso é assunto pra outro dia. Só não posso mudar de assunto sem comentar que o carnaval, aparentemente, cura todos os males nesse país, e apaga a memória de todo mundo.
Bom, dito isso, venho aqui vos falar de um assunto muito bom: visitas!
Sim! Falo das visitas de pessoas queridas, que agendam tudo direitinho, não daquelas inconvenientes, que dá um tique nervoso só de pensar. Falo das visitas que realmente querem ver a gente e passar tempo junto, nem que seja batendo papo sobre blá.
Esse ano começou com muitas visitas queridas, que têm deixado minha vida mais feliz! Embora eu seja péssima anfitriã, do tipo que deixa as pessoas em casa, cuidando do gato, do cachorro e da filha, e vai trabalhar. Ou viaja e deixa as visitas em casa. Mas essas pessoas me conhecem e sabem que sou assim. E a gente se dá bem assim mesmo. Né?
Tive também visitinhas mais rápidas, para comemorar o meu aníver! Estou hoje com a idade de Cristo, e dizem que nessa época é que são tomadas as grandes decisões da vida. Como sempre fui meio precoce, acho que já tomei grandes decisões, mas nunca se sabe o que a vida reserva. Quem sabe que surpresas acontecerão esse ano ?
Digo com a voz da experiência: visitem os amigos, a família, passem tempo com as pessoas amadas, sem joguinhos nem desculpas, mas com muitas parcelas no cartão de crédito e muitas fotos engraçadas! Isso é o que faz a vida valer a pena.
Renata espera que as visitas se sintam em casa e voltem sempre. Tá aí mais um clichê verdadeiro!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Luto


Não tenho como falar de outro assunto nessa semana, a não ser sobre a tragédia que ocorreu em Santa Maria nesse final de semana.
Esse assunto, superexplorado pela mídia, mexeu muito comigo. Não sei se por ter uma filha adolescente, que sempre me avisa quando vai sair e quando chega em casa da balada, mesmo morando em outra cidade. E mesmo que as amigas achem ridículo. Ou por eu mesma ter ido a vários lugares que não tinham estrutura para lidar com incêndio ou qualquer outra ameaça.
Ou por eu estar pensando nos últimos dias em como morar no Brasil gera insegurança: a gente não pode contar que a lei seja cumprida, que os culpados sejam punidos, com os direitos básicos de ir e vir sem medo da violência, corrupção, falta de seriedade, honestidade e solidariedade. Não podemos sair e nos sentir seguros, pois alvarás, fiscalizações, planos de prevenção e combate a incêndio e a p%$# toda existem lindamente no papel, mas você não pode se sentir seguro de que eles existem no mundo real.
Talvez tenha mexido comigo por ter acontecido no meu estado natal, e em geral os gaúchos têm um apego grande pela querência (lembrando que há vítimas e familiares de vários lugares, não apenas o RS).
Talvez tenha mexido muito comigo porque sou humana. Sou mãe, filha, irmã, amiga. Tenho sentimentos. Sinto compaixão. Tenho empatia. E chorei.
Nem todo mundo sentiu isso, e muitas pessoas colocaram seu lado ruim à mostra como disse a Andreia no texto de domingo.
Mas quero falar aqui daquelas que fizeram algo bom, parabenizar quem saiu do sofá e foi ser voluntário, foi doar materiais, sangue e remédios. Quem disponibilizou o recurso que tinha, seja tempo, dinheiro ou transporte, para ajudar e tentar amenizar um pouco o sofrimento. Mesmo não morando mais em Caxias do Sul, vi no facebook o movimento das pessoas para ajudar de verdade, não só repassando mensagens, mas de verdade mesmo. Indo lá na rodoviária carregar caixas, doando sangue, comprando suprimentos básicos, como gaze, mas que fazem muita falta. Vi laços sendo formados.
Vi o exemplo de uma casa noturna da cidade que não divulgou sua agenda de festas para a semana, mas a lista de reformas que estava fazendo para aumentar a segurança. Jogos e shows sendo adiados.
Espero que a compaixão e a solidariedade não sejam despertadas apenas nessas horas de choque, mas que se tornem (se já não são) parte de nossa vida.
Espero também, pois ainda tenho esperança nesse país, que se tomem todas as providências possíveis e cabíveis para que não nada parecido aconteça de novo. Espero que esse Big Brother da vida real que a mídia criou não se banalize como o da TV; que todos os que têm responsabilidade pelo ocorrido sejam punidos e não voltem a agir com leviandade ao tratar da vida dos outros. Espero que possamos andar (e dançar e viver) em segurança.

Renata manda sua solidariedade às famílias, às vítimas e sente uma esperança ao ver as coisas boas de que o ser humano é capaz de fazer.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Reproduzimos as tão bem colocadas palavras de Fabrício Carpinejar. Não há como ser indiferente à tamanha dor.

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS (Fabrício Carpinejar)

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.


Nós, balzacas do De Repente 30... Lamentamos as vítimas do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Desejamos que os familiares e amigos das vítimas encontrem força e paz para enfrentarem os próximos dias.


O 55, aqui, é o DDD de Santa Maria.
Estes telefones são de pessoas que estão organizando as equipes de apoio e as doações. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Da mesquinharia e crueldade humanas



Suponho que todos estejam sabendo da tragédia ocorrida aqui no sul do país, na cidade de Santa Maria onde, lamentavelmente, mais de 200 pessoas morreram, vítimas de um incêndio ocorrido em uma boate.
Não se preocupem que não abordarei mais detalhes além dos que a mídia, tão habilmente, vem explorando. O que inspirou esse post não foi a tragédia em si, mas sim as mais diversas reações que ela suscitou nas pessoas.
Não foi surpresa alguma quando hoje, no fim da tarde, entrei no Facebook e me deparei com uma timeline cheia de posts a respeito. É óbvio que, dada a gravidade do ocorrido, muitos comentários surgiriam.
Contudo, fiquei estupefata, ao me deparar com "brincadeiras" (de péssimo gosto) referentes à tragédia, com comentários irônicos e descabidos, com compartilhamentos de fotos com imagens de mortos e/ou feridos e, pasmem, até mesmo com reclamações relativas a cancelamentos de shows e partidas de futebol em sinal de luto pelo ocorrido!

Simplesmente não consigo acreditar que algum ser humano consiga compartilhar frases do tipo:

"Gaúcho não gosta tanto de churrasco? Deve estar se deliciando com o cheirinho de carne assada."

"Esses jovens todos morreram porque não estavam no caminho do Senhor."

"Por favor,parem de fazer tanto drama! Morre gente todos os dias e ninguém faz esse dramalhão todo."

"Quer ir a uma boate? Conheço uma em Santa Maria que pega fogoooo"

"Churrasquinho de carne bem novinha... Alguém se habilita?"

"Só eu tô de boa com os torresmos de santa Maria?"

"Quer bronzeamento grátis? É só sair para boates em Santa Maria. você sai de lá pretinho, pretinho..."

"Milhares e milhares de pessoas morrem todo dia. Ataque cardíaco, acidente de carro, homicídio E pouquíssimos ligam. Daí quando é esse tipo de coisa todo mundo se comove de repente..."

"Inacreditável que um estado inteiro entre em luto e cancele até jogo do timão só por causa de um churrasquinho"

Eu fico simplesmente pasma com esse tipo de pessoa!
Sinceramente, não acho que alguém deva ser hipócrita e demonstrar um pesar que não sente. Se você não se sentiu afetado pela dor alheia, ok, sem problemas. Mas daí a ser cruel a coisa é bem diferente.
Qual a necessidade de disseminar crueldade em um momento em que muitos sofrem sua perda?
Que tipo de ser humano se compraz do sofrimento alheio?
Sinceramente, sinto vontade de chorar quando penso no quanto o ser humano consegue ser frio e cruel...





Déia escreve aos domingos e sente o coração pequenininho, não somente por estar de luto pelas vítimas e familiares desta triste tragédia, mas também por constatar o quão mesquinhas certas pessoas podem ser...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Sanguessugas

São nos momentos mais difíceis de nossas vidas que percebemos quem são as pessoas que verdadeiramente se importam conosco.

A maior parte das pessoas com as quais nos relacionamos sequer estão interessadas em saber se estamos bem ou não. Querem apenas visualizar um sorriso em nosso rosto a qualquer hora e simplesmente desaparecem quando percebem que o sorriso pode nem sempre estar lá.

"Curiosamente", essas mesmas pessoas também são aquelas que sempre nos procuram quando precisam de alguma coisa. 

Elas nos procuram quando brigam com a família, com o namorado (a), com algum amigo... Elas pensam em nós quando estão com algum problema no trabalho, algum problema financeiro, ou quando precisam de um ombro amigo.

Contudo, essas mesmas pessoas, quando perguntam "e aí, tudo bem com você?" não estão realmente interessadas na sua resposta. Elas esperam dos outros total atenção e consideração com seus problemas, porém são incapazes de agir da mesma maneira.

Elas vão sugando tudo o que você puder lhes dar e jamais oferecem alguma coisa em troca. 

Não se importam em saber se você precisa de ajuda, de carinho, de consolo, de um simples abraço... 

São pessoas que somente se aproximam quando VOCÊ tem algo a lhes oferecer. Elas sabem que, por vezes, você está atravessando fases ruins e, "misteriosamente" ficam ocupadas demais até para mandar um e-mail dizendo "oi, passei para saber como vão indo as coisas...". 

São raras as pessoas que, percebendo que você não está bem, lhe estendem a mão e ajudam a segurar a barra. São raras as que, de fato, se preocupam com você. E estas poucas são aquelas que, independentemente de você estar em um bom ou mau momento, estarão sempre ao seu lado. 

As demais pessoas, infelizmente, são apenas as "amizades sanguessugas" que permeiam nossas relações.




Déia escreve aos domingos e está nauseada por perceber a quantidade de "amigo (a) sanguessuga" que existe mundo afora...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

101 em 1001


2013 começa inspirado aqui no blog! Texto coletivo, balzaca nova, assuntos bem pessoais que a gente divide com vocês e um pouquinho de indignação da parte da Carla, mas quem de nós nunca...não é? Se o ano todo for assim, vamos precisar de mais gás! Mas vai ser uma beleza!
O meu ano começa com mais uma novidade. No final de 2012, eu, viciada assumida em listas, meio que fiquei obcecada com um desses projetinhos que rolam por aí: o 101 em 1001, ou Day Zero Project. Em geral esses projetos não me abalam, mas esse ficou na minha cabeça. Ele consiste basicamente em listar 101 coisas realizáveis, mas que demandem um certo esforço, para serem feitas em 1001 dias (quase 3 anos). Podem ser viagens, cursos, atividades físicas, projetos de arte, literatura...qualquer coisa!
Volta e meia eu ia lá no dayzeroproject.com e dava uma espiada nas listas; ficava viajando nas coisas que eu já quis fazer, nas coisas que gostaria de fazer, ver, aprender...
“Ah, mas e precisa de lista pra isso? Vai lá e faz!”. É, em geral é assim. E fiquei me questionando do porque eu ter focado na ideia. Penso que ter um prazo para fazer as cosias, ajuda a realmente fazê-las. E também que ADÓURO riscar coisas de listas, então seria uma motivação extra! Também é uma forma de direcionar as ações para aquilo que se quer fazer; às vezes surge um tempo livre (isso eu ouvi dizer que existe, mas como é de fonte segura, boto fé) ou uma oportunidade, e a gente meio que esquece essas vontades e sonhos. Algumas coisas ficaram para uma próxima lista! Ter a lista ajuda a direcionar a energia e usar o tempo pra fazer aquilo que a gente tem vontade.

“Mas eu nem sei se tem 101 coisas que eu quero fazer!” Olha, eu achei fazer a lista super divertido, fiquei vários dias mexendo nela, trocando idéias, vendo as listas alheias, relembrei de coisas que eu queria ter feito, foi bem legal.
“E se eu não conseguir ou mudar de ideia?”. Beleza, ninguém é escravo de nada, né? O processo é que é o interessante, se não fizer tudo, se mudar alguns itens, mesmo assim acho válido.
Me questionei bastante, e acabei falando tanto da lista que uma amiga também fez a dela (obrigada, Coral!). Agora é tocar as 101 coisas, e terminar até 29/09/2015! Talvez eu me encoraje de publicar a minha lista por aqui, mas quando fizer alguma coisa mais significativa, eu conto como foi.


Renata começa 2013 com uma longa e divertida lista para riscar vários itens! Alegria!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tempo, tempo, tempo…

Pensando sobre o poder renovador que uma boa segunda-feira tem e fugindo do senso comum inverso de “odeio segundas-feiras”, me peguei mais uma vez refletindo sobre o tempo. Tenho uma relação muito particular com o tempo. Fico horas e horas pensando sobre ele, que quando me dou conta, já se passou tanto... tempo! 

Dias atrás estava viajando, uma viagem incrível e uma realização iniciada: minha primeira viagem internacional. Comecei por perto, Peru e Bolívia, países que me surpreenderam. Coisas lindas, para se ver, para se estar. Foi quando por lá, me vi sem saber se era domingo ou se era segunda, se era 1ͦ ou 30. E o melhor: tive o prazer de saber de que tanto fazia. Ah, essas maravilhas da atemporalidade que a vida nos agracia vez ou outra.. Todo dia é dia, todo tempo é tempo! Uma sensação libertadora de se estar no tempo sem se estar. 

Por outro lado, e voltando ao assunto de início, não se pode negar o poder renovador de uma bela segunda-feira. Renovador e resolutivo. Ou de um bom novo ano, novinho em folha, com cheiro de agenda nova (meu fetiche), agenda vazia e limpinha. Só esperando as velhas, ou melhor, as novas listas por virem (também fetiche). 

Recentemente fizemos um post coletivo aqui, sobre nossas resoluções para esse ano. Nem preciso dizer que adorei a ideia, já que adoro lista e adoro traçar metas e objetivos (embora tenha me proposto nesse mesmo texto “planejar fazer menos planos”...). Mas como disse nossa balzaca Renata, os objetivos têm uma boa função de nos ajudar a direcionar nossa energia para o que no momento é prioritário para a gente. Afinal, para que perder energia – e tempo – à toa? 

A máxima de que tempo é dinheiro faz muito sentido, já que precisa-se de tempo para se realizar algo. Então, realizar metas – plausíveis – deve ser uma questão de tempo. Tempo é algo que quando se quer, tem, concordando mais uma vez com Renata (adorei e me identifiquei muito com algumas partes do texto “Simplicidade”), que diz vir “aprendendo que o tempo é da gente e quem quer fazer algo arruma tempo, prioriza, abre mão de outras coisas”. Além disso, complemento: tempo é agora. O tempo voa e não para e esse foi o subtítulo do meu texto de estreia aqui, à propósito! E hoje é segunda-feira, preciso ir, porque tenho muita coisa pra realizar pela frente, e alguns itens para riscar da agenda... 







Oração Ao Tempo 
(Caetano Veloso)


És um senhor tão bonito 
Quanto a cara do meu filho 
Tempo tempo tempo tempo 
Vou te fazer um pedido 
Tempo tempo tempo tempo... 


Compositor de destinos 
Tambor de todos os ritmos 
Tempo tempo tempo tempo 
Entro num acordo contigo 
Tempo tempo tempo tempo... 


Por seres tão inventivo 
E pareceres contínuo 
Tempo tempo tempo tempo 
És um dos deuses mais lindos 
Tempo tempo tempo tempo... 


Que sejas ainda mais vivo 
No som do meu estribilho 
Tempo tempo tempo tempo 
Ouve bem o que te digo 
Tempo tempo tempo tempo... 


Peço-te o prazer legítimo 
E o movimento preciso 
Tempo tempo tempo tempo 
Quando o tempo for propício 
Tempo tempo tempo tempo... 


De modo que o meu espírito 
Ganhe um brilho definido 
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios 
Tempo tempo tempo tempo... 


O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo 
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo 
Tempo tempo tempo tempo... 


E quando eu tiver saído 
Para fora do teu círculo 
Tempo tempo tempo tempo 
Não serei nem terás sido 
Tempo tempo tempo tempo... 


Ainda assim acredito 
Ser possível reunirmo-nos 
Tempo tempo tempo tempo 
Num outro nível de vínculo 
Tempo tempo tempo tempo... 


Portanto peço-te aquilo 
E te ofereço elogios 
Tempo tempo tempo tempo 
Nas rimas do meu estilo 
Tempo tempo tempo tempo...





Gabriela continua planejando esperar o tempo passar devagar. Mas sabe que, para isso, também não precisa paralisar! Afinal, a semana acabou de começar... Ah, e falando em tempo, hoje Gabriela faz três anos de namoro! 


domingo, 13 de janeiro de 2013

Das ausências...


A Menina olha ao redor e percebe que sua vida, no momento, está repleta de saudades.

Ela percebe que, onde antes haviam risos e flores, hoje restam apenas espaços vazios...e lágrimas. 

Ela anda pelos cômodos da casa em busca de memórias de um tempo que já se foi. 

Ela fita os olhos dos fantasmas daqueles que um dia habitaram sua vida e seu coração e sente apenas o vazio a crescer cada vez mais dentro de si. 

E a Menina, então, subitamente, se dá conta do quanto sua vida está transbordante... de ausências... 









Déia escreve aos domingos e busca, dentro de si, força e inspiração para superar momentos difíceis que assolam sua vida.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Fio do Poste


Uma amiga me convidou para escrever no blog, e confesso que, a princípio, eu pensei que não teria nada a dizer. No fim aceitei, para treinar minha redação e, aos trinta anos, todo mundo tem algo a dizer. Por isso, aqui estou eu! Por favor, não criem tantas expectativas, afinal, sou apenas uma veterinária de 30 anos, à beira de tentar a prova do mestrado e de um ataque de ansiedade, tentando sair da crise.

Começarei contando um fato que aconteceu comigo e que me incentivou ainda mais a procurar a terapia e a policiar mais meus pensamentos nas coisas boas:

Depois de ter uma crise de ansiedade, com medo de morrer antes da hora (sei que não devia pensar nessas coisas e, por isso, já estou na segunda sessão de terapia), fui conversar com meu pai, num jantar numa pizzaria próximo à casa de uma amiga, onde as mesas ficam no meio da rua (o local é importante pelo que contarei mais adiante). Disse a ele que estava me sentindo meio mal pelo mundo todo, por eu ter uma vida boa, com uma família boa, e que, naquele momento, eu estava tendo uns pensamentos não muito positivos e blá, blá, blá. Foi nessa hora, bem no meio do meu desabafo, com choros e tudo mais, que a gente ouviu um barulhão, e, de repente, um fio de energia que estava no poste se soltou e caiu quase do nosso lado, bem em cima de uma menina que saia da pizzaria! Parece até piada ou um conto desses improváveis, mas acreditem, foi verdade. Parei de chorar na mesma hora, e ainda bem que o fio estava sem energia e não machucou ninguém. Mas assustou todo mundo! Acho que meus pensamentos não eram tão negativos assim, pois poderia ter ocorrido algo muito pior e, para evitar que essas coisas aconteçam, eu estou indo à terapia e controlando eles. Agora, só coisa boa na cabeça! A terapia tem me ajudado e hoje eu recomendo a todo mundo. Não é fácil ter trinta anos, pelo menos, não pra mim.


Samira estreia aqui desejando boas vibrações e que mundo melhore já que ele não acabou.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Simplicidade

O primeiro post de 2013 aqui no blog foi um texto escrito a várias mãos, com nossas resoluções para esse ano. Não que necessariamente a pessoa precise ter alguma; ou precise esperar o primeiro de janeiro para tê-las. Isso é bem pessoal e ouvi opiniões de diversos lados, todas com bons argumentos. Creio que é uma questão pessoal, mesmo. Para mim, funciona usar o final do ano (e início do inferno astral, dizem) para fazer um balancete do ano que passou e pensar em metas para o seguinte. Não que eu viva para atingi-las somente, ou que faça um plano infalível do Cebolinha e me atenha a ele. Mas gosto de ter objetivos, e esse exercício ajuda a direcionar a energia para o que elenquei como prioridade. Imprevistos acontecem, mudo de ideia, supero algumas coisas, mas as metas têm seu papel.
As minhas resoluções para 2013 se baseiam, todas, na simplicidade. E lendo as das outras meninas aqui no blog, vi que as delas também acabam falando disso, de uma forma ou outra. Falam de levar uma vida mais simples, mais leve, de dedicar um tempo para as pequenas coisas, e que realmente importam. Dar atenção aos amigos, à família, a nós mesmas.
Eu venho aprendendo que o tempo é da gente, quem quer fazer algo arruma tempo, prioriza, abre mão de outras coisas. Falta de tempo é uma desculpa que a gente inventa, muitas vezes, pra gente mesmo.
Também venho aprendendo (vi na retrospectiva 2012 que foi um ano de aprendizados) que a vida é simples, a gente é que complica.
Tem muita coisa pra fazer? Começa por alguma; delega; abre mão de algo não essencial. Tem dúvidas? Indecisão é quando a gente sabe o que quer, mas acha que devia querer a outra coisa. É só escolher com quais consequências quer viver. Tem problemas? Todos temos; é praticamente sinônimo de estar vivo. Lide com eles; resolva ou assuma.
Parece fácil, falando assim. E acredito que até seja! É que estamos acostumados a nos apegar aos problemas, a complicar, a procrastinar, a reclamar...
Em 2013 vou continuar o que comecei em 2012, ser mais minimalista, mais seletiva, mais simples, mais serena. Isso traz uma gostosa sensação de liberdade.


Renata deseja que todos possam se inspirar, respirar com gosto e levar uma vida mais simples.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Resoluções de Ano Novo


Andreia evitará reclamações cotidianas, fechará sua boca para palavras negativas, e para a comida em excesso. Em 2013 quer uma vida simplificada e muito feliz, rodeada de amigos, de amor, de carinho, de aconchego e de gatos, os de quatro patas, e um de duas, com muitos entendimentos e nenhuma confusão. Ah, Andreia também quer a paz mundial e o fim do aquecimento global.

Em 2013 Lilian quer um amor e uma cabana. Sonhou grande demais e agora trabalha mais do que gostaria por causa do que sonhou. Uma cabana há 500m dos seus amores, com vista para praia, mordomo, cozinheiro e um carinha que cuide da piscina. Eu não disse que eu sonhava demais? Qual era mesmo a minha meta para 2013?

Mariana também evitará reclamações cotidianas como Andreia e também quer um amor e uma cabana como Lilian (aliás, que definição boa hein?). Vai usar batom vermelho e andar mais de peito aberto - no sentido postural e sentimental. Livre, a leveza é o mantra.

Em 2013 Déia fará mais exercícios físicos, comerá menos doces, passará o fim de semana de pernas para o ar (sem se preocupar), ficará mais tempo com seu amor, sua família e sua gatinha e tentará evitar que os contratempos da vida a abalem tanto.

Em 2013 Gisele quer mais gratidão, mais alegria, mais casa cheia de família, de amigos, de amor. Quer mais telefonemas, e-mails, skypes, facetimes, bilhetes, blog e cartas. Quer mais conversa fiada, mais fazer nada junto, mais cumplicidade, música e cantar baixinho. Quer mais aconchego, pernas entrelaçadas, abraços e mãos dadas. Quer mais alôs, mais "e aís?", mais gargalhadas. Quer se surpreender com as mesmas paisagens e curtir mais chegar em casa, descobrir mais um cabelo branco, rir da mesma piada, encontrar feliz as mesmas pessoas. Em 2013 chega de sombras, de "tenho-ques", de coisas, de nãos. Chega de medo, de pressa, de cobranças, de expectativas, de luto. Em 2013 a Gi quer MAIS. MUITO MAIS. Mas desta vez MAIS DO MESMO, mais da mesma Gi, a Gi de verdade. 

Em 2013 Gabriela quer ver mais o tempo passar, passar devagar, para não ter que chegar no fim dele e se indignar: "2014, já?!?". Planeja não fazer tantos planos e quer buscar o desafio quase sobre-humano de viver e estar mais no AGORA, porque cada vez está mais certa que todo o mais é ilusão. Na agenda (da qual não se separa, só quando viaja, a que substitui por um bloco de notas) já estão anotados: consertos ínfimos (mas incômodos) na casa, mexer mais no quintal e nas plantas (quem sabe uma horta?), atividade física (prazerosa, pode ser?), comer menos carne e beber menos cerveja, meditar mais. Além disso, trabalhar sobre medida, namorar muito mais, viajar sempre que der. Abraçar mais árvores, passear mais com os cachorros, dançar mais, muito mais. Um banho de chuva quando puder, um passeio na rua, mais encontros de nutrir a alma com os poucos e bons. Menos ansiedade, mais respiração, menos remédios, mais florais, menos intolerância, mais amor e mais paixão!

Laeticia espera conseguir administrar melhor o seu tempo e, quem sabe, conseguir fazer coisas simples do dia a dia como retornar ligações e emails particulares, trabalhar menos, dar a atenção merecida à sua família e aos seus amigos, desacelerar mais e viajar mais ainda; espera conseguir continuar se alimentando melhor, frequentando a academia, emagrecendo e seguindo em frente com o Projeto 36 com 65. Mas acima de tudo, Laeticia espera continuar sendo muito, muito feliz!!!

Renata quer um 2013 mais leve, com menos preocupação e mais leveza, mais pureza e serenidade. Jura que vai emagrecer, se livrando não só dos quilos a mais, mas também de outros excessos (mas talvez ainda não esteja pronta pra se livrar do drama). Em 2013 simplicidade é o lema. Vai apreciar ainda mais o pôr do sol, a lua cheia, o beijo estalado no rosto, cheiro de café e o sorriso gratuito. Vai ler, viajar, cantar e se mexer, sem deixar de lado tudo o que realmente importa.

 
E vocês, o que esperam de 2013? 


sábado, 29 de dezembro de 2012

Entardecer


Eu não gosto nada
De jogo de truco,
De sol muito forte,
De gente pedante,
De falta de pulso.

Mas eu gosto muito
De casa arrumada,
De boa conversa,
De dias chuvosos,
De amigos e amores.

Me causa desânimo
Conversa fiada,
Direitos sem deveres,
Excesso de tudo,
Falta de caráter.

Mas me admiro
Com casais de idosos
Caminhando nas tardes
Com seus cachorros
Na tranquilidade.

E então não me canso
De ver essas cenas
De vida vivida,
Pois é o que eu quero
Pra quando eu crescer!


Mini-resumo: Tania está na fase de reflexão.... Isso demora, mas acontece de vez em quando... rs....

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Grrrrr...


Amiga: - Oi, tá boa?

Mari: - Não!

Amiga: - ...



Mariana escreve esporadicamente, hoje mais azeda do que nunca. Pretende retomar a doçura, mas por hora tá difícil. Anda se cansada, triste, está com cólica e tem se sentido sozinha na multidão. Tudo está irritante – de pernilongos a seres humanos. Promete que vai se esconder debaixo da cama até essa nuvem sair da sua cabeça, pois como está representa um mal pra humanidade. Não tem planos algum pro ano que vem e essa semana não tem sido uma menina boa. Tem tratado mal as pessoas e respondendo ao mundo com intolerância e impaciência. Apesar de tudo, espera que aqui dentro bata um coração, mas hoje só acredita no amor do seu cão. (Tomara que tudo não passe de uma TPM, se for pra ser esse monstrinho que sou hoje, melhor o mundo acabar mesmo!)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Momentos transformadores

Há momentos na vida de cada um nós que nos mudam para sempre. Nos deixam mais fortes, mais sensíveis, mais auto-confiantes ou mais descrentes. Fato é que nos transformam.

Vou contar o mais recente, mas preciso antes contextualizar: sempre (e friso o SEMPRE) que vou ao banheiro de noite para fazer xixi eu olho dentro do vaso sanitário. Acendo a luz, levanto a tampa (eu moro sozinha e ela vive abaixada \o/), confiro tudo. Se estiver fora de casa, ou se não vou acender a luz, levo o celular, ligo a lanterna e confiro também. Pode parecer paranoia (e antes de me julgarem lembrem que todos vocês têm alguma), mas eu tenho medo de uma coisa: pererecas.

Não em geral, só medo de que possa haver uma dentro do vaso sanitário. Aí eu vou sentar, toda exposta e aimeudeus...nem quero pensar. Anos de ritual para o xixi noturno, e isso nunca aconteceu. Até a última quinta-feira.

Olhei bem distraída, só aquela olhadinha padrão para o vaso e lá estava ela, com um olhar malicioso, planejando pular em mim a qualquer aproximação!

Aí foi a hora que tive vontade de fechar a tampa e dar descarga! Mas minha consciência não deixou. Droga!

E foi a hora que odiei morar sozinha e não poder chamar ninguém! Foi a hora que desejei ter um namorado e pagar de mulherzinha: "amor, eu PRECISO de ajuda"!

Foi a hora que pensei em trancar o banheiro e ir dormir sem fazer xixi...

Foi a hora em que meu coração disparou e perdi a coragem.

Mas a vida continua, com ou sem pererecas ameaçadoras! Juntei toda a minha coragem que tinha pulado como uma perereca, uma sacola plástica (porque eu tenho nojinho, sim) e fui á luta. Literalmente. Ela pulava e eu corria, pulava e corria pulava e corria, até que peguei. Foi tão ruim a sensação que quase soltei!

Joguei ela pra fora, fechei bem rápido e janela e voltei pro banheiro ver se ela tinha deixado alguma comparsa. Não tinha.

Esse momento foi transformador! Não que eu tenha parado de conferir se há pererecas no vaso sanitário. Mas na noite seguinte, quando a dita-cuja estava lá DE NOVO (audácia) não fiz drama, peguei, joguei pra fora e pronto!

Já fiz tanta coisa sozinha na vida, já me convenci e aceitei de que a gente nasce e morre só. E agora eu sei que posso me defender de uma perereca sozinha! =)

Renata entrando no inferno astral, e levando lição de moral até dos anfíbios!




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ditados


Na minha terra se costuma dizer: a pessoa sai da colônia, mas a colônia não sai da pessoa. Como muitos ditados, esse é super verdadeiro. Exemplo: vim a BH a trabalho. Cheguei no hotel, e me deram o quarto 1106. Subi ao décimo primeiro andar, e vi os quartos 1101, 1102, 1103 e 1104. E só. Contei de novo, como se pudesse ter contado errado...
Voltei à recepção, que estava cheia de gente, e fiquei com vergonha de dizer: não achei meu quarto! Então optei por: você poderia confirmar o número do meu quarto?
Claro, disse a moça, 1106. 
Cri cri cri...deve ter ficado na minha cara a questão!
Então ela disse: a senhora pegou o elevador para os quartos com final de 5 a 10, certo?
Errado. Óbvio que não! E eu ia ler aquela mini plaquinha? E ia saber que ao invés de pegar o elevador logo em frente, eu teria que dobrar à esquerda, direita e voilá: elevador certo!

Renata saiu da colônia, mas a colônia não saiu dela.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Da série Coisas que me irritam (3 de infinitas): invasores de bolhas


Essa séria seria mais do que infinita, se isso fosse possível. Tenho tido dificuldade em escolher temas para escrever, são tantas as opções! Ainda mais na TPM, as coisas irritantes surgem de todos os lados, sob formas variadas!!
Mas hoje o tema escolhido foi: os invasores de bolhas!
Todos nós temos uma bolha ao redor de nós, invisível, mas ela está lá. O meu corpo e o espaço ao redor dele me pertencem, estão na minha bolha. Algumas pessoas fazem de tudo para deixá-la bem visível, mudam a expressão e até rosnam quando algum atrevido invade essa área tão pessoal. Outros tentam esquecer que ela existe e buscam o contato mais próximo possível com outros seres. São aqueles que tocam na gente o tempo todo e falam bem de pertinho. Aproveito pra dizer: não é legal. Se estiver tão perto que posso sentir teu hálito e o calorzinho que vem da tua boca, não é legal. Salvo exceções, claro.
Minha bolha é relativamente grande, e dentro dela entra quem eu quero, quando eu quero. Me incomodam essas pessoas sem a menor sensibilidade para a bolha alheia. Se a pessoa se aproxima e eu recuo, cruzo os braços, ou até troco de lugar, hello!! Sinais de que avançou demais e ficou invadindo minha bolha.
Já houve casos de eu educadamente dar uma desculpa, tipo: vou ali e volto já. E a pessoa me segurar! Me segurar pelo braço é o fim da picada! Aliás, essa é a prova de que o Roberto Carlos não entende de mulher: O cara que pega você pelo braço! Desse cara quero distância. Não só fora da minha bolha, como fora da minha vida!
Não peço demais, só queria que as pessoas tivessem a sensibilidade e a preocupação com o espaço dos outros. Intimidade e confiança são as chaves pra poder entrar na minha bolha, e como é melhor dar dinheiro do que intimidade, são poucas pessoas com as quais me sinto confortável nesse espaço que é meu.

Renata espera comentários desse texto, até para saber qual a tolerância de vocês aos invasores de bolhas. Até lá, sonha com essa aqui:


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mais Sobre Conceito de Amizade


Já escrevi algumas vezes sobre amizade, mas o tema não se esgota. Tenho passado por um período em que antigas amizades retornaram, fiz novas amizades, e percebi que me afastei de outras amizades. Entretanto, não é a primeira vez que isso acontece, e acredito que aconteça a muita gente. Eu não acredito que distanciamento prejudique as amizades. Às vezes, ele é necessário, e, outras vezes, é inevitável. Seja por motivo de mudança de localidade, ou por mudança de comportamento, ou de trabalho, ou de mentalidade, a gente acaba se aproximando, ou reaproximando, de umas pessoas, e se afastando de outras. Algumas pessoas são somente conhecidas, ou boas companhias, mas outras são amigas de verdade.

As amigas não deixam de ser amigas por motivo de uma separação física, temporal ou ideológica. Tenho amigas antigas, que, por vários motivos, só encontro de vez em quando. E, mesmo assim, são amigas maravilhosas, que sei que posso contar com elas, e que elas podem sempre contar comigo. Não há cobranças por atenção, ou por estar mais perto. A gente se vê quando pode, e cada encontro é ótimo; é uma festa!

Outro dia tive uma notícia ruim, e mandei uma mensagem para uma amiga minha, dizendo que estava chateada (bendita tecnologia que nos aproxima!). Essa minha amiga me telefonou na mesma hora, somente para fazer graça, para alegrar meu dia! E alegrou! E sei que também já fiz isso.

E acredito que amizade está mesmo nesses gestos simples, sutis, que não exigem que se movimentem céus e terras, mas que acalentam a alma da gente.



Mini-resumo: Tania vai continuar escrevendo sobre amizade, porque sempre surge esse assunto em sua vida. E porque acredita em amizade acima de tempo, espaço e pensamento.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Da série: Coisas que me irritam (2 de infinitas) : O monólogo coletivo


Para as raríssimas pessoas que têm algum bom senso e/ou conhecem os radicais da língua mãe, um monólogo é algo que envolve uma pessoa. Não duas, não três, não quatro (como diriam os “repetidores”).

Mas eis que surgem, sempre nas horas mais inoportunas e de muito mau humor, os monologueiros coletivos. Aqueles que acham que é possível e aceitável fazer um monólogo no meio de uma conversa com outros seres humanos. Ressalto a espécie porque talvez o seu cachorrinho não se importe se só você falar, mas isso não acontece com outros seres humanos. E não, não importa quão boa é sua retórica, quão fascinante é a história que vocês está contando, ou quão importante é sua contribuição: quando você toma a palavra para si, e corta as tentativas de interação, não é mais uma conversa. É um monólogo. Não parece que é por causa das outras pessoas ali ao redor. Mas é. Para quem vê de fora por um curto período de tempo, parece uma conversa. Só que não.

Acho que pode haver alguns eventos raríssimos em que as outras pessoas calam e só ouvem, com prazer e voluntariamente, porque o relato é magnetizante. Mas esses momentos são raros. E pode apostar que nunca aconteceu com a maioria dos monologueiros.

O fim da picada ao fazer um monólogo às custas do tempo e paciência das outras pessoas, é reforçar que a palavra ( como se ela pudesse ser possuída), é só sua: cortar os mortais que se aventuram a fazer um comentariozinho naquela pequena e breve pausa para respirar. Ah, ainda bem que as pessoas têm que respirar, de outra forma haveria gente que começaria a falar com um ano de idade, e terminaria só no fim da vida. Mesmo surdo, sem nem poder ouvir sua voz, falaria só pelo hábito. Não porque alguém perguntou. Nem porque alguém se importa. Nem mesmo porque alguém escuta. Só por falar.

Falta de educação falar como se fosse o espetáculo que mais vale a pena no mundo de assistir. Só falta esperar que as pessoas agradeçam e deem flores no final. Falta de educação cortar os outros que estão falando. Se um não está escutando o outro, não é conversa. Na melhor das hipóteses são dois monólogos que acontecem nas pausas de respiração de ambas as partes.

Já experimentei deixar beeeem claro que não estou prestando atenção, como, por exemplo, lixar as unhas durante um episódio desses. E já experimentei falar: não leva a mal, mas você percebeu que me corta enquanto estou falando? Se quiserem fazer experiências assim, eu super encorajo, e espero que sejam melhores sucedidas que as minhas. Muito melhor sucedidas.

E um viva para as pessoas educadas, o poder de síntese, a autoestima que não depende de autoafirmação! Viva a conversa generosa, a troca, o ouvir atento!

Renata muitas vezes prefere o silêncio a monólogos egoístas que ela nem consegue entender, nem que queira.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Praticando a gratidão na dissertação


Nos últimos meses toda minha energia criativa estava dedicada a uma só coisa, ou melhor, três: dissertar, dissertar e dissertar. Só quem já passou por uma experiência do tipo sabe o quanto você se aliena da vida e não consegue falar, nem pensar em outra coisa. Deve saber também da culpa eterna que se cria: a culpa que habita dentro de si enquanto namora e não escreve, enquanto vê um filme, sai pra jantar, viaja ou vai pra festa e não se produz ciência. Resumindo: nem se vive, nem se adianta o trabalho. Mas enfim, sobrevivi, obstáculo vencido e superado (mesmo pensando que esse dia nunca chegaria). Benditos sejam os florais californianos!!! Bom, o fato é que não consegui produzir nada que não se relacionasse com esse momento.

Dito isso, numa espécie de justificativa de sumiço versus o desejo em mostrar “serviço” por aqui, decidi compartilhar com vocês o lado “poético” de um trabalho científico: os agradecimentos. Ouvi de uma colega que escrever essa parte era tão difícil quanto escrever a própria dissertação. Não tinha ideia do quanto. Achei por justo mencionar se não todos, grande parte daqueles que, de alguma forma, contribuíram na minha jornada e assim, me ajudaram a chegar até onde cheguei. Me perguntei se era normal escrever 8 páginas de agradecimentos. Como essa parte é livre e nossa, me permiti a quebra de protocolos (cultivo um anseio de querer sempre quebrá-los). No fim, o tiro não saiu pela culatra e os agradecimentos agradaram – e até emocionaram – a banca, especialmente a parte da Dedicatória, feita a meus pais. Numa espécie de ensaio geral adaptado do que foi essa prática de gratidão, me questiono:

Como não dedicar este trabalho a meus pais, meus maiores benfeitores nessa vida? Aqueles que sempre me incentivaram ao estudo e apoiaram minhas escolhas. Certamente sem esse patrocínio positivo amorosamente infinito, eu não chegaria até aqui. Por nunca medirem esforços para me ajudar, em todos os sentidos que um ser humano possa ser ajudado. Por, ao me ensinarem, terem feito essencialmente por meio do exemplo, deixando sua marca em meu coração, alma e intelecto. Por terem o dom de sempre me estimular, incentivando a sair da zona de conforto. Por sempre acreditarem em mim e no que eu era capaz, apostando no meu potencial de ser, estar e lutar nesse mundo. Por sempre torcerem com sinceridade pelas minhas vitórias, por serem gentis nas minhas derrotas, por serem justos nos meus tropeços. Por, mesmo nas maiores distâncias, se fazerem presentes em minha vida. Por simplesmente ser o que são, guerreiros, trabalhadores, honestos, amados e bondosos, me fazendo ter fé e esperança na vida e num presente e futuro bons.



“Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."
(Ana Jácomo) 



Como não me render ao protocolo e não agradecer especialmente a Deus? Afinal, foi Ele que me oportunizou (pelo menos é no que creio) uma das coisas que mais amo nessa existência: a dádiva da vida. Por Ele ser meu grande inspirador, pelas qualidades infinitas. Pelas bênçãos que derrama sobre mim, ao longo de minha existência. Por me segurar a mão e acalmar meu coração nos momentos nebulosos. Por alegrar meu coração nos dias ensolarados. Por me fazer companhia nos dias solitários. Por ter me abençoado com as maravilhosas pessoas que me cercam. Por nunca permitir que a minha fé acabe. Por fazer morada no meu coração. Por servir de porto seguro na jornada da minha alma. Por me fazer crer que a vida é boa.

E depois de Deus e meus pais, como não mencionar meus avós, pelo exemplo de luta e fé, por serem minha inspiração, por me fazerem sentir o tanto de amor e admiração que recebo deles? E meus irmãos queridos, de quem cuidei, quem tanto amo e por quem enfrento qualquer luta? Como não mencionar e agradecer à minha grande família de tios e primos que fazem parte de minha vida (graças a Deus!)? Afinal, sou tão feliz em tê-los sempre perto de mim. Como não agradecê-los pela força, torcida, amizade, cumplicidade, pelo seu amor?

Falando em amor, como atrever-me não mencioná-lo, esse que já faz parte de minha família, que me “aguentou” durante esses dois anos e meio, mesmos nos momentos menos aturáveis? Por ser meu amigo, meu companheiro e minha inspiração. Por acreditar em mim, nos meus sonhos, e por sonhá-los comigo. E claro, pela ajuda prática e objetiva na revisão e formatação do trabalho. Como esquecer isso tudo?

Pode parecer brincadeira, mas para mim seria impossível fazer uma lista de agradecimentos e não incluir minha querida “filhota”. Pretinha me fez abrir as portas da casa em Bauru (interior de SP, onde fiz o mestrado) e, assim, me abriu as portas ao maravilhoso mundo animal. Só tenho a agradecê-la por me tornar uma pessoa melhor e pedir que esteja presente alegrando a minha vida por muitos anos. E seria injusto não falar do Chico, o mais novo filhote da casa, por ter feito a “família” crescer e ser o vira-lata mais fofinho de todos os tempos!

Acredito que somos mestres uns dos outros nesta vida, e que ninguém aparece nela por acaso. Mesmo que não seja para sempre, mesmo que não dure eternamente, cada pessoa que passa deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. E aí, continuo me questionando: como não agradecer os bons amigos, aqueles que são a família que escolhemos? Como não lembrar das amigas de infância que me “sequestraram” para seu sonho acadêmico em Curitiba, e com as quais dividi momentos essenciais no meu processo de aprendizagem da vida, a dor e a delícia de “começar a ser gente grande”? Como não agradecer pelo seu acolhimento e de sua família, sendo que sem essa oportunidade, certamente não descobriria esse curso no qual me encaixo tão bem, como a Fonoaudiologia, uma de minhas grandes paixões?

E é claro que tive que recair no protocolo e agradecer aos professores e colegas da turma da graduação e pós-graduação. Com esses últimos, nosso dia-a-dia se torna mais leve. E sempre tem aquelas três ou quatro amigas especiais, com que a gente divide tantos momentos, bons e ruins, e com temos “devaneios” coletivos, viagens alucinantes pelo mundo complexo de Saussure que as professoras de linguagem insistiam em nos imergir!

Têm aqueles amigos também com que você divide a vida, a casa, o apartamento, as contas, alegria, tristezas e dificuldades, partes do processo de evolução e aprendizagem. Agradecer pela rotina agradável (ora nem sempre), pelas risadas e cantorias, pela amizade e companheirismo. Aqueles que hoje você vê e sente orgulho das pessoas que se tornaram, pelos profissionais que são e pelas famílias que constituíram. E você percebe que você fez parte disso e eles fizeram parte de você. Como não lembrar dos outros amigos acreanos que também compartilharam o momento de estar – tão – longe de casa (em Curitiba, Bauru, São Paulo, cidades que me acolheram nessa vida acadêmica)? E claro, como não agradecer ao povo que te acolhe, que de fato é tão acolhedor (mesmo em Curitiba, apesar das controvérsias), com quem muitos se mantém amizade, mesmo depois do tempo e da distância? Aos amigos que também são de longe, que se conhece ao longo da jornada, nada mais justo senão agradecer e torcer que se encontre sempre, em qualquer lugar do mundo.

E como não agradecer em especial àquela colega que se fez anjo em sua vida nas temporadas difíceis, por toda ajuda, por ter sempre uma palavra positiva, por te socorrer nos momentos que você mais precisou? Aquela que você agradece principalmente por ser mais que uma verdadeira amiga, mas por ser uma irmã de alma. Aquela cuja convivência se faz um aprendizado constante, principalmente de vida, e que você leva no coração para sempre.

E claro, como não agradecer aos queridos amigos de minha terra, Rio Branco, AC, que fazem parte de minha história e alegram meus dias? E àquela turma especial, a turma do curso de Coaching, com quem tive a oportunidade de dividir momentos únicos, mágicos e maravilhosos? Que compartilharam de meus sonhos, felicidades, medos, angústias, e que fizeram uma “torcida organizada” para que eu conseguisse chegar até aqui. A família que se ganha de presente da vida, amigos de alma, pessoas especiais e inesquecíveis.

Retornando ao protocolo, tive que agradecer ao estatístico que se prontificou a acudir minhas dúvidas mais esdrúxulas. Agradecer às Secretarias de trabalho que me apoiaram. Aos colegas de trabalho, pela convivência agradável e pelas trocas de saberes contínuas (especialmente às amigas “psi”), pelas trocas e possibilidade de aprendizado diário e por me fazerem acreditar num SUS que dá certo! Às colegas fonoaudiólogas, com quem junto comigo lutam, brigam, dividem anseios e também conquistas. Agradecer à banca honrosa de doutores, especialmente ao médico otorrino, pelo espaço e oportunidade de aprendizados mútuos e por ter me permitido fazer parte desse sonho, me fazendo acreditar que um trabalho transdisciplinar seja possível.

Sem dúvidas, agradecer de maneira muito especial a minha querida orientadora, pela oportunidade de ser sua orientanda. Por ser um exemplo de profissional, pesquisadora e, principalmente, ser humano. Por ser uma pessoa realmente admirável. Pelo seu acolhimento, carinho, suas orientações, “puxões de orelha”, lições de vida... por ter me aberto às portas do instituto e também de sua casa, quando mais precisei. Essas coisas a gente nunca esquece.

E para finalizar, como não mencionar e agradecer a todos os pacientes e suas famílias, os maiores motivadores de minha capacitação permanente, as maiores razões do meu aprimoramento profissional? Todo carinho e voto de confiança, todo o aprendizado? Por me ensinarem tanto: a valorizar a vida, a ter humildade, a ter garra para superar obstáculos, a ter gratidão e a nunca perder a fé? Eles fazem parte disso e seria impossível não lembrar.


Gabriela continua agradecendo e criando cada vez mais gosto nisso. E percebe que demora para escrever, mas quando escreve... não consegue mais parar! Para não perder o costume, agradece pela paciência e atenção até o fim.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Da série: Coisas que me irritam (1 de infinitas)

Andei uns dias meio irritada. TPM. Esses dias se estenderam por semanas e então: TPM de novo. Até que decidi deixar de usá-la como desculpa, embora ela tenha parte nisso, e aceitar. Sou ranzinza. Impaciente. Me irrito com muitas coisas. A Poliana sempre sussurrando no meu lado. um dia dei um tapão nela, que caiu de boca no chão e sumiu. E assim começa essa série, falando sobre as infinitas coisas que me irritam.
Foi difícil decidir por onde começar. Pensei em fazer listas: por ordem de irritação, por ordem alfabética, por ordem cronológica no decorrer do dia, sem ordem alguma.
Mas decidi falando de algo que me irrita demais e que me dá vontade de pular na garganta de quem faz: as repetições.
Eu mesma uso esse subterfúgio, principalmente na escrita, quando quero enfatizar. Por exemplo, para descrever algo que me irrita muito muito mesmo. Mas mais de duas repetições já é exagero. Mais de cinco é loucura! Ainda mais quando a pessoa está falando, pois ela tem TODOS os recursos para mostrar ênfase; pode gesticular, erguer uma sobrancelha só (bem, nem todos podem...), erguer o tom de voz, pular, sei lá! Muitos muitos muitos recursos. Mas não. Elas falam infinitamente a mesma palavra como se isso fosse fazer mais efeito do que dizer uma vez só. O único efeito que dá é fazer a gente querer dizer:  eu não sou surda.
Uma variação é aumentar a extensão dos exemplos: tinha dessa blusa em vermelho, rosa, azul, bege, laranja, verde, amarelo...quando podia dizer: várias cores. Por que falar palavras demais quando se pode falar a mesma coisa com menos palavras? Só pra ouvir sua voz? Pra ter tempo de pensar no que vai dizer depois? Por total esquecimento de que há outras pessoas ao redor e só querer ficar divagando? Por medo de que surja o silêncio? Tudo bem ficar em silêncio!
Então, se você tem essa mania horripilante de repetir a mesma palavra muitas e muitas e muitas vezes, e acha que esse texto é para você, é mesmo.
Se você não tem, não faça isso nunca!

Renata assumindo seu lado ranzinza.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Abrindo Caminho


Depois de meu completo desaparecimento, acho que agora finalmente estou de volta. Nesse período esbocei inúmeros textos, tinha vários prontinhos na cabeça, mas cadê forças e tempo pra escrever? A vida andou me pregando muitas peças nos últimos meses! Quebrei dedo, perdi dente. Desapeguei do trabalho, decidi cuidar mais de mim e dedico um tico do meu tempo todo dia a minha horta-jardim (aliás, alguém aí sabe como combater lagartas num pé de maracujá?). Fui do hospital com a mãe ao alto da montanha meditar. Meditar uma ova, me coloquei de castigo isso sim. Sabe quando a gente é criança e colocam a gente num cantinho pra pensar sobre nossas atitudes? Foi exatamente isso que eu fiz. Troquei a miniférias pelo castigo e não me arrependo nadinha. Pois bem, pode sair do castigo nêga. Saia do castigo e recomece, reinvente, se dê uma nova chance.

Nesse processo tenho um balancete parcial: acredito cada vez menos no que diz a TV e no que está escrito no jornal; pela primeira vez na vida me acho bonita; ainda me chateio com a ignorância e egoísmo do mundo (Funai, demarque de maneira digna as terras indígenas? Era tudo deles, tá tudo errado!).



  • Mariana andou perdida entre dentes, lagartas, hospital, montanhas e pensamentos, mas tem aberto seu próprio caminho, sem muita certeza do destino.
  • terça-feira, 30 de outubro de 2012

    Soneca

    Sabe quando a gente vê a mesma palavra várias e várias vezes seguidas, até o ponto de ela soar completamente estrangeira? Não sei se acontece com todo mundo, mas comigo acontece muito. E a palavra hoje é “soneca”. Não só porque passei o dia querendo parar uns minutos e tirar uma soneca. 

    Fui dormir tarde, e de manhã fiz uso do artifício mais vezes do que deveria. A cada 5 minutos, uma soneca. E eu realmente dormia, com sonhos incluídos! 


    No trabalho, muito por fazer e pouca concentração, apliquei  a técnica do Pomodoro e a cada 25 minutos, lá estava ela, a soneca, encompridando meu Pomodoro em mais 5 minutos. 


    De tanto ler, ver, pensar e falar essa palavra, ela parece totalmente estranha: SONECA. Uma palavra fofa, mas seca. Soneca. Se fosse ao diminutivo, talvez soasse mais familiar: sonequinha... Mesmo assim, estranha. Como o nome daquela prima em terceiro grau que você não vê desde as bodas daqueles tios avós que...bem, como alguém que você deveria reconhecer, mas não reconhece. Soa vagamente familiar, mas presentemente estranha. E lembra um pouco boneca, mas não é. Como quando alguma coisa quase cabe em algum lugar ou na sua vida, quase, quase, mas não cabe. 


    Daqui a um minutinho meu celular vai despertar e eu vou voltar ao meu Pomodoro, sem SONECA. Dessa vez. 




    Renata espera poder acabar a terça com uma boa...adivinhem!

    sábado, 27 de outubro de 2012

    Beleza Cansa!


    Não, eu não estou me gabando de ser bela. Nem pensem isso! O título acima é uma referência à famosa frase “Isso cansa a minha beleza!”. Quem já ouviu essa frase sabe que se trata de uma brincadeira, para algo chateia a pessoa em determinado momento. Entretanto, atualmente ocorre o oposto, e não é brincadeira. Nos dias de hoje é preciso se esforçar, se martirizar, se cansar para ser bela.

    É isso mesmo! No conceito de beleza de nossa sociedade não existe uma beleza natural, algo que nasce com a pessoa. Nós, mulheres, temos que nos fazer belas, e cada vez mais e mais, e já não nos contentamos com uma beleza simples. Sempre precisamos lavar os cabelos com o xampu quinhentos cuidados para os fios, usar o condicionador com óleo de qualquer coisa para o cabelo ficar mais liso, ou mais cacheado, secar com secador, arrumar, pintar os cabelos, depilar o corpo, fazer as unhas, usar maquiagem para o dia, trocar a maquiagem para noite, passar base com protetor solar, passar creme anti-idade para o dia e outro para a noite, passar hidratante corporal, usar desodorante para clarear as axilas, pinçar as sobrancelhas, ente outros cuidados diários. Meu Deus! E ainda temos que cuidar do físico, fazer caminhada, musculação, praticar algum esporte para ficar magra, com a aparência das celebridades!

    E isso acaba? Não. Se não alcançarmos o sonhado corpo da atriz da novela, há ainda os procedimentos mais invasivos, como lipoaspiração, lipoescultura, cirurgias plásticas para modificar o rosto todo, o corpo todo, silicones nos seios, nas nádegas, nas coxas, etc. Tem o botox, o preenchimento, a drenagem linfática... Tudo isso pra ficar bela? Que beleza é essa que cansa, que causa stress, que provoca transtornos alimentares, transtornos comportamentais. Pra quê tanta exigência? (Parece a outra da música “Amélia”, justo a que não era mulher de verdade!) Pra quê tanta tortura com a própria imagem?

    Cuidados com o corpo são bons e necessários. É preciso cuidar para envelhecer de bem com a vida e com a saúde! Para evitar problemas com a saúde é que devemos praticar exercícios físicos, ou usar cremes protetores para a pele, etc. Mas não é preciso virar uma mulher fatal. Será que essa mulher fatal é feliz? Porque não acho que pessoas que precisem modificar tanto sua imagem estejam felizes. Se você não gosta de você a ponto de praticamente se mutilar em nome de uma beleza estética ditada pela mídia, então você está doente. E não está se cuidando como devia. Essa escravidão pela beleza precisa acabar.

    Também não estou fazendo apologia da feiúra, e não pensem isso. Não acho legal ver pessoas descuidadas, desmazeladas, que não têm vaidades. Acho que é preciso um pouco de vaidade, de cuidados, para a gente se sentir bem. E cuidados com o corpo melhoram nossa mente, pois ficamos mais confiantes. Mas é preciso saber dosar essa preocupação com a beleza, para evitar excessos! Vivemos numa sociedade que produz e consome os melhores cosméticos, mas onde as mulheres estão cada vez menos contentes com a própria imagem, e ficam obcecadas por atingir uma beleza divina! Por isso é preciso cuidado, pois a beleza cansa!

    Mini-resumo: Tania se preocupa com os excessos da sociedade de consumo, pois é uma sociedade que consome os próprios seres humanos!

    terça-feira, 23 de outubro de 2012

    Vento no litoral

    O vento trazido pelo mar 
    acordou as fadinhas espanholas 
    que moram nas folhas dos coqueiros, 
    e elas ficaram tocando 
    suas minúsculas castanholas.



    Renata ouve essa música todos os dias. Para quem é bom de trocadilho: as duas.

    terça-feira, 16 de outubro de 2012

    Acabou o gás


    Em qualquer situação, ficar sem gás de cozinha é chato. Primeiro, porque sempre acaba quando a gente está cozinhando, perceberam? Depois, porque quebra o “timing”: a massa empapa, o molho esfria, o bolo murcha; e pode ser ainda pior se a fome é grande e a pressa também.

    Estou eu, num bairro distante de uma pequena cidade, numa noite chuvosa, cozinhando e eis que acaba o gás. Sem metáforas, acabou o gás mesmo.

    O que fazer? Ligar para a tele-entrega, óbvio. Não, nada é assim tão óbvio aqui. Por causa do mau tempo, o entregador foi para casa mais cedo. Como assim?!

    Segunda tentativa: falei com o proprietário do lugar, que repetia: mas está chovendo. Sim, eu percebi. E não vejo a relação entre eu precisar de gás e estar chovendo. Me ofereci para ir buscar o botijão de gás. E ele: mas está chovendo. E eu: mas eu vou buscar. E ele: mas está chovendo.

    Desisti. Eu ia perder a compostura se continuasse nesse diálogo.

    Muito mais fácil foi sair de casa na chuva, com a panela na mão, e terminar de cozinhar na casa do vizinho.

    No dia seguinte, chego em casa mais cedo de propósito para pedir o famigerado gás; não estava chovendo nem nada e ouço um: mas o entregador não está...

    Renata tenta valorizar o lado bom das coisas, sempre. 
    E escreve aqui quase toda semana.

    terça-feira, 9 de outubro de 2012

    Ilha deserta


    Não, eu não morri. Nem ganhei na loteria e joguei tudo pro alto. Nem estou de férias num lugar paradisíaco. Nem encontrei o amor da minha vida e fugi em lua de mel. Nem consegui um estágio na Antártida. Nem me envolvi na campanha eleitoral. Nem estava em alto mar, pirando o cabeção vendo baleias (ok, eu fiz isso por um dia, mas fica pra outro post).


    Não, nada disso. Eu sumi nas últimas semanas, pois estive me dedicando 101% ao trabalho. Resultado: aprendi muito. Muito, mesmo. E descuidei da saúde, e de outras coisas importantes, como o blog, onde adoro escrever!
    Fase encerrada, uma nova começando. Retomando o que ficou de lado, aos poucos.


    Renata esteve numa ilha deserta por essas semanas, rodeada de trabalho por todos os lados. Quase se afogou, encontrou suporte em algumas boias, e desenvolveu novas habilidades de sobrevivência. 
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