sábado, 26 de abril de 2014

Milena. Mulher. Mãe.

Gerar uma vida é um estado milagroso. 
Pensar em um ser humano crescendo dentro de mim me faz sorrir, e me ocupa de um amor que já não tem tamanho.
Me dá poder. Me dá medo. Me dá curiosidade.
Meu pequeno milagre está crescendo a olhos vistos. Já dá pra ver pelo lado de fora o efeito da sua movimentação na minha barriga.
Eu, que olhava para outras mulheres gerando outras vidas com certa inveja, pois nunca acreditei que este estado estivesse reservado para mim.
Eu, que sempre me imaginei mãe, mas nunca me imaginei grávida.
Eu, que agora carrego comigo um pequeno grande milagre.
Um milagre que era para ser meu. Sempre foi.
Um milagre que driblou todas as estatísticas e desafiou todas as improbabilidades.
Um milagre disposto a me mostrar, desde o comecinho, que a vida não é aquilo que eu planejei pra mim.
Um milagre-menino, que nem nasceu ainda, mas que já me faz uma pessoa mais feliz. Mais forte. Mais completa.
Por ele mudei (e continuarei a mudar) meus planos, minhas roupas, meu vocabulário, minhas convicções e meus dogmas.
Por ele mudei meu rumo. Já sou mais compreensiva. Mais paciente. Mais quieta. Mais planejadora. Mais mãe. Mais mulher. Mais Milena.
Para ele vou cantar a música que minha mãe cantava pra mim:

O Filho Que Eu Quero Ter
Toquinho/Vinícius de Moraes

É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

Milena não escrevia a décadas e, de repente, pariu um texto.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sobre o tempo e a noção que dele fazemos


Invariavelmente acontece algo que me faz pensar sobre o tempo e a forma como nós o concebemos ou fazemos uso dele. O tempo é um conceito filosoficamente discutível. Muitos filósofos já pensaram sobre o tempo; todo e qualquer ser humano que se preza já se pegou pensando a respeito do mesmo. Mas afinal, há como definir o tempo?

Um conceito abstrato, você jamais verá o tempo, jamais tomará uma cervejinha sentada no bar da esquina olhando nos olhos do tempo, jamais gargalharão juntos lembrando-se de uma piada. Você não andará de mãos dadas com o tempo e nem trocarão olhares furtivos em uma balada. No entanto, ele está ali, todos os dias, jogando a favor ou contra você.

Você está atrasada para um compromisso e sai de casa esperando andar mais rápido que de costume. Só que há um engarrafamento no trânsito. 1X0 para o tempo.

Você descobre que seu chefe resolveu antecipar o fim de semana. Ninguém precisa trabalhar nesta sexta-feira: “Ganhei mais um tempo na praia”.

Um beijo na boca faz nossa noção do tempo parar. Falar com alguém que não vemos há anos faz o tempo voltar atrás. A ansiedade faz com que o relógio ande muito devagar. Um dia de folga parece passar rápido demais.

Você aprende mais em um dia do que aprendeu em uma vida toda. BINGO! É aí que você descobre que a vida não se conta em anos vividos, mas sim pela experiência, pelas vivências. Todos os dias podem ser uma fonte inesgotável de aprendizado. Todos os dias são, de fato, uma oportunidade. É o que fazemos com nossos minutos que dita qual será nossa representação do tempo.

Podemos ter 15 ou 30 anos, isso é o que menos importa. Se o tempo será nosso amigo ou inimigo quem é que pode dizer? São nossas atitudes, nosso modo de levar a vida que farão com que o tempo nos encante ou atormente.


Andri escreverá às sextas-feiras e está muito feliz e empolgada em poder dividir o que pensa com vocês. Está a cada dia mais perto dos 30 e isso não a deixa assustada, pelo contrário, a motiva a ver o mundo de forma cada vez mais serena.





domingo, 20 de abril de 2014

Das pequenas ressurreições

Para aqueles que são cristãos hoje é um dia interessante. Não pela montanha de chocolates que possivelmente estarão consumindo nesse exato momento, mas sim porque supostamente lembram-se de que alguém que morreu para salvar-lhes os pecados ressuscitou.

Para aqueles que não são cristãos, penso que também há algo interessante a ser pensado no dia de hoje. E isso diz respeito à questão da ressurreição. E, por favor, antes de você desistir da leitura pensando tratar-se de um post religioso, saiba que minha reflexão não terá absolutamente nada de religiosa, ok?

A palavra ressurreição, para quem não sabe, tem origem no termo latino ressurrectio, que significa, literalmente, o ato de ressurgir, de voltar à vida.

E isso, invariavelmente, me faz pensar sobre a imensa quantidade de vezes em que morro e ressuscito todos os dias.

Morro quando alguém que amo sofre, quando alguém que amo parte, quando alguém que amo simplesmente já não me ama mais...

Morro quando vejo a esperança se acabar, o sonho definhar, a alegria desaparecer...

Morro quando a saudade vem sufocar meu peito, a tal ponto que a respiração falta e as lágrimas abundam...

Morro quando amargo uma decepção, quando minhas expectativas se frustram, quando a ansiedade me consome...

Enfim, morro de diversas maneiras, dia após dia.

Contudo, na mesma intensidade com que morro diariamente, também ressuscito a cada momento!

Ressuscito no sorriso de quem amo, no abraço apertado dos amigos e familiares, no carinho de meus alunos...

Ressuscito na mensagem inesperada que alguém envia dizendo que sente minha falta, na empolgação de uma nova descoberta e, inclusive, no ronronar do meu gato quando acariciado...

Ressuscito quando alcanço algum objetivo, quando engasgo de tanto gargalhar, quando sinto o aroma de pipoca recém estourada, de café fresquinho, de grama cortada...

Ressuscito infinitas vezes todos os dias!

O filósofo Heráclito de Éfeso, há mais de 2500 anos atrás, já dizia que tudo flui, tudo muda constantemente, tudo se transforma!

Nada permanece o mesmo.

Inclusive nós!

Que possamos, então, celebrar nossas mudanças, nossas transformações, enfim, nossos devires!!

Portanto, FELIZ RESSURREIÇÃO PARA TODOS NÓS!!!


Déia escreve aos domingos e deseja que todos possam ser como a Fênix que, apesar de morrer, ressurge de suas próprias cinzas!


terça-feira, 15 de abril de 2014

O que é do homem o bicho não come

O que é do homem o bicho não come
O que é pra ser, será.
Deixa a vida me levar.
No fim tudo, dá certo. Se ainda não deu, é porque ainda não chegou o fim.
O universo conspira a favor de quem é do bem.
Isso é coisa do destino.
Deixa nas mãos de Deus.




São tantos ditos e ditados com a mesma mensagem que até convence. Por um tempo. Mas eu tenho minhas dúvidas. Por um lado, super acredito em livre arbítrio. Acho que é uma das maiores contribuições da Igreja Católica para a sociedade (uma pena que mesmo alguns cristãos esqueçam disso). Cada um é livre para fazer suas escolhas, e SEMPRE há uma escolha. E para cada uma delas, as respectivas consequências. Isso pra mim é claro.

Por outro lado, há essa forte tendência de dizer que no fim das contas não importa tanto assim, afinal “o que é pra ser, será”. Será? Me parece comodismo. Um pouco de medo de lidar com suas escolhas e consequências. 

Muitas pessoas falam: ah, foi assim porque era o destino. E me pego pensando que elas falariam isso diante de qualquer situação. Qualquer coisa que aconteça, resultante das várias escolhas que fazemos na vida, é coisa do destino? Então quer dizer não importa o que a gente escolhe, o que for pra acontecer vai acontecer de qualquer jeito? Então todas as listas de prós e contras, as unhas roídas, as noites mal dormidas, foram em vão? A energia gasta em cada decisão poderia ter sido usada em outra coisa? É isso, produção? Ou foram parte do grande plano do destino? 

Me conforta pensar que tudo o que for pra ser, será. Mas não me convence. Não consigo pensar que vivemos num tabuleiro manipulado por outras forças. Que a gente brinca de escolher, mas que na verdade tem alguém escolhendo pela gente. Me divirto com coincidências, mas não as atribuo ao destino. São coincidências. Quem buscar um padrão ou uma explicação nelas, vai achar. Como em quase tudo, quem procura acha.

Não sou uma maníaca controladora (menos que o nível Mônica, até), e sei que há muitas forças nesse universo que vão levar os acontecimentos prum lado ou pra outro. Mas eu posso escolher ir com a maré e ver no que dá (e depois dizer que foi o destino, se eu quiser); assim como posso escolher nadar contra ou achar outro caminho, e ver no que dá (e depois dizer que foi adivinhem o quê? Isso mesmo: o destino!).




Renata não fez esse texto como uma crítica ao jeito de pensar de ninguém, é mais um desabafo sobre algo que a deixa confusa. Como vocês pensam, se é que pensam, sobre isso? (E alguém aí tem mais ditados nessa linha?)


sábado, 12 de abril de 2014

Fabiana Cozza faz homenagem à Clara Nunes

Sempre que posso, escrevo sobre cantores que admiro! Já escrevi sobre Fabiana Cozza, e fui a três shows dela. Ela é paulista, cantora de samba, e excelente intérprete! Seus shows são sempre lindos, e surpreendentes. 

Dessa vez, tive a oportunidade de assistir ao seu show em homenagem à Clara Nunes, intérprete de sambas, e da mais pura música brasileira de raiz, falecida em 1983! Também já escrevi muito sobre Clara Nunes neste blog, e ainda considero suas interpretações as mais lindas da música brasileira! 

Pois bem, fui, como sempre vou, ver mais um show em tributo à Clara. E, como adoro suas músicas, infelizmente sempre faço comparações, e acabo achando que as cantoras poderiam ter feito mais, algo que fosse além das suas interpretações originais, exatamente para evitar essas comparações. E Fabiana Cozza, finalmente, foi além, fez mais! E foi incrível! Sua apresentação não é só musical, é teatral! Ela interpreta as letras das músicas de Clara Nunes, ela entra nas histórias, e nos leva junto! 

O show combina tudo, desde a iluminação específica para cada música, com as luzes nas cores dos orixás, e a percussão também específica, como nos terreiros! Os músicos que a acompanham são outro presente ao público, pois acompanham as interpretações de Fabiana Cozza, e cada instrumento pode ser, além de ouvido, sentido pelo público! A coreografia da cantora preenche todo o palco, e brilha, ilumina! Cada música é personificada, e Fabiana se torna a personagem das letras das canções! Especial o momento de início do show, quando ela canta somente o início de “Senhora das Candeias”, e aparece sua sombra à luz da lua (leia a letra e vai entender!)! E, ao cantar “Lama”, e em seguida “Pau de Arara”, faz uma relação das músicas com a própria história da Clara, pois, em “Lama”, fala-se das pessoas que sobem na vida, mas sem moral, e que isso não é uma boa conduta; e em “Pau de Arara”, ao final, fala “eu penei, mas aqui cheguei”. E mostra como Clara lutou, honestamente, e conseguiu a fama, sem ficar “com a moral enterrada na lama”! Espetacular!

Este show já está registrado em CD e DVD, e pode ser conferido por todos! E recomendo ver, ouvir, e sentir o show “Canto Sagrado – Uma Homenagem à Clara Nunes”, de Fabiana Cozza.



Tania admira cantoras de samba, tributos à grandes intérpretes da música brasileira, e, especificamente, Clara Nunes




quarta-feira, 9 de abril de 2014

O que tivemos e não compartilhamos


Faz muito tempo que escuto de amigas e amigos meus, que são pais, que eles deram para os filhos tudo o que não tiveram na vida. Acredito que esse seja o desejo da maioria dos pais; proporcionar aos filhos uma vida melhor do que a que tiveram. Assim, muitos pais realmente se esforçam para dar tudo aos filhos: as melhores roupas, as melhores viagens, os melhores brinquedos, carros, celulares, etc. Também se preocupam com a formação acadêmica, e pagam as melhores escolas, para que os filhos frequentem as melhores faculdades. 

Tudo isso é mesmo muito importante e muito bonito, e não pensem que sou contra dar aos filhos o bom e o melhor. Não sou tão cruel assim! Entretanto, o que tenho visto, em muitos casos mesmo, é que os pais deram tudo o que não tiveram, mas se esqueceram de dar também tudo o que receberam de seus velhos pais na vida: valores, educação (aquela que se aprende em casa!), respeito, cultura, tolerância, paciência, etc. Parece que tudo isso está se perdendo, pois os novos pais, que têm melhor poder aquisitivo, se esqueceram de dar atenção à sua formação como pessoa, aquela que seus velhos pais lhes deram, a muita custa, mas que os transformou em pessoas corretas, respeitosas, educadas, gentis. 

Se ninguém percebeu isso, ou não acha importante, me desculpe. Mas eu vejo isso todo o tempo, em jovens filhos que não respeitam os próprios pais, nem seus professores, que não cedem lugar aos mais velhos nos ônibus, que não têm paciência de esperar sua vez no trânsito, e fecham cruzamentos, e buzinam, e gritam, e batem! Vejo jovens filhos se importando mais com estética do que com ética, e fazendo plásticas, e tomando anabolizantes, para ficarem mais bonitos. Mas nunca estão contentes. Vejo jovens talentos pisando nas cabeças de outros colegas de trabalho, para subir na vida, para ter sucesso. E colecionando milhares de amigos no Facebook, sem ter nenhum para sair no fim de tarde, para uma conversa num barzinho. 

Ninguém vê que faltou alguma coisa? Ninguém vê que faltou o pai falar da importância de agir correto, de crescer lutando honestamente, de valorizar amigos, pais, professores, e de aprender com eles?! Ninguém vê que faltou o pai educar o filho, para ele não gritar com os outros, para ele ser gentil com crianças e idosos, para ele respeitar as leis, as regras de conduta em sociedade?!?! 

Para mim, nem o Gigante acordou, nem nossa sociedade, que deixou de dar a seus filhos tudo o que teve, para dar somente o que não teve!


Tania se preocupa muito com o comportamento da sociedade, e não está otimista com tudo o que tem acontecido


sábado, 29 de março de 2014

Mulher Maravilha


Ter saúde, ter paciência, ser linda, beber e não ter ressaca, ser pontual, ter pele boa, ser espirituosa, ser criativa, correr, alongar, nadar, meditar, depilar, cozinhar coisas saudáveis e gostosas, responder todos os e-mail, aguentar assédios de gente sem noção, dançar loucamente, aproveitar enquanto viaja sem pensar que vai acabar, segurar o choro quando precisa transbordar, não ter medo de errar.

Mariana escreve esporadicamente e por vezes sente que ser mulher hoje em dia é coisa de heroína.


domingo, 16 de março de 2014

Carta à jovem Déia




             Dia desses, em um momento nostalgia, fiquei pensando como agiria se tivesse novamente 18 anos, mas com a maturidade que tenho hoje. Sei que esse pensamento é absurdamente clichê, e que passa pela cabeça de todas as pessoas em algum momento de suas vidas mas, ainda assim, ele estava lá, latente em minha mente e não havia como ignorá-lo.
  Pensei, então, no que diria a mim mesma, caso pudesse ficar frente a frente com minha versão mais jovem e, bem, aqui estão minhas palavras para essa Déia-jovenzinha:

- Experimente todas as possibilidades que a vida lhe oferecer, mas não de maneira afoita, e sim degustando prazerosamente.
- Não se subestime jamais. Acredite em sua capacidade, mas levante a bunda do sofá e vá à luta. As coisas não cairão do céu no seu colo, menina!
- Não faça as coisas com pressa. Há tempo para tudo. Aprecie os pequenos prazeres e as pequenas bênçãos do dia-a-dia.
- Não deixe de fazer o que lhe dá prazer apenas por medo do que as pessoas irão dizer. Se alguém resolver falar de você, fará isso de qualquer maneira, independentemente da maneira como você aja.
- Aliás, seja menos desconfiada! Afinal, cada pessoa está ocupada com sua própria vida e, portanto, suas preocupações não giram em torno de você.
- Aprenda a lidar com seus medos e, principalmente, com seus fantasmas. Não finja que eles não são importantes. Enfrente-os! Afinal, eles não deixarão de existir simplesmente por você tentar ignorá-los.
- A vida não é aquela visão cor-de-rosa que pintaram a você quando era criança. A vida é dura e, na maioria das vezes, bastante difícil. Aprenda a lidar com essa multiplicidade de cores e tons que a vida tem e, com eles, pinte a sua própria tela.
- E só crie altas expectativas se souber como lidar com altas quedas. Caso contrário, viva um dia de cada vez e faça sempre seu melhor.
- Aliás, esteja preparada, pois você vai quebrar a cara, vai cair e se machucar feio incontáveis vezes. Aprenda, pois, a se reerguer a cada queda, a juntar os caquinhos e a seguir em frente.
- Aprenda que ninguém morre por sentir dor. E, muito importante, saiba que cada um carrega dentro de si suas próprias dores e enfrenta suas próprias batalhas, portanto, só se lamente com alguém quando for absolutamente imprescindível.
- Não deixe jamais de fazer alguma coisa porque está com medo. O medo é bom na medida em que nos dá um certo senso de autopreservação. Mas não deixe que ele lhe impeça de alguma coisa. Faça-a, apesar do medo!
- E se tiver que se arrepender de algo, não fique choramingando pelos cantos. O arrependimento é bom porque nos aponta novos rumos. Não o confunda com culpa desnecessária e inútil
- Não se torne dependente de substância alguma. E, mais importante ainda, de PESSOA alguma.
- Nunca, jamais, em hipótese alguma, permaneça ao lado de alguém simplesmente por comodidade ou, pior, por medo de não encontrar outra pessoa. Você certamente estará perdendo preciosas oportunidades de novas vivências.
- Não deixe de vivenciar coisas novas por ter alguém ciumento e inseguro ao seu lado. Aliás, melhor ainda, não namore cedo. Você lamentará em seu íntimo os anos perdidos, mas usará para si mesma desculpas como: “Bem, valeu pela experiência...”, ou “pelo menos aprendi como NÃO agir em uma próxima relação”... Então só namore quando estiver realmente certa de ter aproveitado muito sua vida e sua própria companhia.
- Não se curve facilmente frente às derrotas. Tente de novo e de novo e de novo. Afinal, já dizia Thomas Edison: “Quando você tiver esgotado todas as possibilidades, lembre-se disso: você não as esgotou!”.
- Trate todas as pessoas com gentileza sempre e não somente quando lhe convém.
- Sorria mais, viva mais leve, guarde menos mágoas, se irrite menos, se apegue menos a coisas pequenas e sem sentido.
- Não brigue com seus pais por motivos banais. Acredite-me, eles farão muita falta quando se forem e você se recriminará por não os ter abraçado ao invés de ter saído batendo porta.
- Aliás, errou, peça desculpas. Não há vergonha alguma em voltar atrás e reconhecer o erro. Orgulho em demasia é sempre um mau conselheiro.
- Reflita bem antes de seguir a opinião da maioria. Já dizia Nelson Rodrigues (e não sem certa razão!): “Toda unanimidade é burra.”. Portanto, seja cuidadosa nesse aspecto.
-- Se alimente adequadamente. Se exercite constantemente e nunca, jamais, deixe de ler bons livros, de estudar e de se aperfeiçoar.
 Você tem todo o direito de dizer o que pensa às pessoas, mas não tem o direito de feri-las com sua grosseria. Portanto, seja cuidadosa na escolha das palavras.
- Se você ama muito alguém, nunca saia de sua presença sem dizer-lhe isso. Pode parecer uma “banalização da frase ‘eu te amo’” mas, acredite, isso evitará dolorosos arrependimentos futuros.
- E por falar em amor, quando amar alguém, ame com toda a intensidade, ame por inteiro. Você provavelmente irá se machucar e doerá terrivelmente, mas ainda assim você estará efetivamente vivendo e não apenas existindo amorfamente.
- E, sobretudo, seja sempre fiel aos seus sentimentos. Sempre!

Déia escreve aos domingos e gostaria realmente de ter recebido essa carta quando tinha 18 anos...


terça-feira, 11 de março de 2014

Problemas para dormir.....zzzzzzzzz

Como eu escrevi em outro post, (http://drepente30.blogspot.com.br/2014/01/resolucoes-de-ano-novo-e-o-dedao.html), tive problemas para dormir no final do ano passado. Tinha dificuldades para pegar no sono, dormia pouco e mal, acordando toda hora; tive pesadelos e passei horas lendo na cama, o que em meu estado normal é impossível, porque eu praticamente apago depois de ler algumas páginas.

Dormir mal ou dormir pouco me deixa super indisposta, irritadiça e distraída. Tudo fica mais difícil, desde decidir entre tomar café e chá a tomar decisões e ser produtiva no trabalho. Concentração, então, não passava nem perto de mim!

Recorri a alguns rituais para o antes de dormir: luz indireta, às vezes, velas; silêncio ou música calma; incenso; banho morno; leite quente; chá de ervas, de camomila, de qualquer coisa; cápsulas naturais, alongamento... combinações entre essas coisas, rezar, meditar, pedir, ler, andar pela casa, contar carneirinhos...
Recorri, então, às amigas: me surpreendi ao saber que muitas não dormem bem também! Tipo, nunca! Uma me disse que 50% das pessoas têm problemas para dormir! Gente, o mundo seria um lugar tão melhor se todo mundo dormisse bem! Campanha por boas noites de sono!!!
Sim, eu sei que existem zilhões de remédios pra dormir, mas eu não quero usar. Não tenho nenhuma indicação clínica pra isso!
Futricando na internet, achei um livro e comprei: Para viver em paz – o milagre da mente alerta, de Thich Nhat Hanh. Santo remédio! O livro fala sobre budismo, numa perspectiva de “estar consciente, estar desperto para o que está acontecendo no seu próprio corpo, como também no mundo que o cerca”. Lindo, né?
Mas o melhor é que o livro vai te ajudando a construir essa consciência, essa presença. Para quem, como eu, sofre de ansiedade, aprender a estar plenamente presente, em UMA coisa, traz uma leveza enorme! Conseguir ver seu tempo, algo que a gente acha que escorre pelas mão, como algo inesgotável! Ele trata da mente alerta, o “milagre que permite restaurar, numa fração de segundo, a mente dispersa, reintegrando-a em sua totalidade, de forma a podermos viver cada momento da vida”. Que sonho, né?
Viver cada momento da vida! Porque muitas a gente simplesmente nem percebe que passou. Quando a gente vê, está na hora de dormir. Quando vê, já chegou em casa. Quando vê, já acabou de comer, já acabou o banho, já terminou o livro, as férias. Quando se vê já são seis horas! Imagina que presentão poder viver todos os momentos! E o lindo disso tudo é que a gente pode.
O livro traz também algumas dicas de meditação para todos os gostos e níveis.
O fato é que ler esse livro me fez repensar a forma como lido com muitas situações, me ajuda a lavar a louça (efeitos colaterais), e tem me ajudado a dormir melhor. Bem, quase sempre! Mas o bom é que é de forma natural e com que eu consigo lidar cada vez melhor.
Para quem quer dormir (e viver) melhor, fica a dica de leitura.


Renata vem tentando resolver seus problemas para dormir, mas ficou curiosa: vocês têm problema pra dormir?

sábado, 8 de março de 2014

Quem é essa mulher?



Ela cresceu sabendo que um dia teria que ter um trabalho bom, que desse seu sustento.

Cresceu sabendo que as tarefas domésticas seriam sua responsabilidade e aprendeu a gostar de limpar, arrumar e organizar.

Cresceu ouvindo que filhos a levariam para um estado de prisão, mas que teria suas recompensas.

Cresceu vendo suas amigas se embelezarem e percebeu que isso seria uma busca sua também. Muito prazerosa.

Cresceu tendo a certeza de que um dia, se ela seguisse todas as outras lições, alguém apareceria para completar sua vida. Alguém especial que despertaria sua vontade de ser uma pessoa melhor.

Cresceu desejando isso e esperando que esse alguém especial fosse sua recompensa de mocinha obediente. 

A vida não foi exatamente assim, não é? A vida te ensinou que as coisas não seguem um padrão. A vida te ensinou que tudo fora da ordem é a melhor forma de amadurecer, apesar de ser mais sofrido. A vida te abriu possibilidades e você, mesmo sem pensar direito se seria o certo, foi pelo caminho mais difícil e venceu! Venceu! 

Você jogou com sua sorte e passou por experiências duras e outras tantas lindas.

Encontrou pessoas que andaram ao seu lado, e outras tantas que só queriam estar ao seu lado, sem somar. 

Encontrou amores superficiais, nada convencionais e outros bandidos. TODOS te fizeram sofrer e AMADURECER.

E aquela pessoa, aquela que seria sua recompensa está aí, agora. 

Olhe em volta. Viu? Não?

Então olhe para dentro! Isso! Aí está a pessoa que você merece. Você. Ame-se. 

Você é uma VENCEDORA mulher! 

Alegre-se por ter tido todo esse aprendizado. Foi uma sorte a sua vida ter sido do jeito que foi. Você é LINDA!



Lóris deseja: Feliz dia da MULHER!



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Presente Mais que Perfeito

Será que sou a única porto-alegrense que se irrita com o hábito portoalegrês de classe média de mostrar-se feliz e satisfeito com sua vida o tempo inteiro?

Talvez a bolha que vivam os impeça de entenderem o que acontece. Vendo de fora, da visão de quem mora longe há tanto tempo, fica quase tão claro quanto água cristalina.

A corrida contra o tempo pra ganhar mais dinheiro do que se precisa pra viver bem, o carro do ano, a roupa da moda, os condomínios de luxo na praia, os lugares badalados, os tratamentos estéticos, as joias caras e os restaurantes com preços abusivos. 

Morar em Petrópolis, Bela Vista ou Moinhos de Vento é aceitável. Deusolivre morares no centro. Se morares no Bonfim... hum... esse está no limbo, a caminho de uma vida melhor.

Eles espontaneamente te dizem como são felizes, sem sequer essa pergunta ter sido mencionada. Saem quase todas as noites para beber com os amigos nos lugares badalados. Tem pânico da solidão. Não leram Tolstoi, Machado de Assis, nem Nietzsche. Não tem religiosidade e nutrem um apego superficial pela família. Seu objetivo de vida é alcançar o sucesso. E o sucesso nesse caso é ter dinheiro e “parecer feliz”. 

Sério? Só tu deves acreditar nisso então.

Momento amarga alguns podem proferir. Sendo uma mulher de muitas opiniões e algumas delas radicais, arriscarei um: realista apenas (e um pouco irritada talvez - risos).

Continuo amando minha terra e todos os meus amigos e familiares que nela residem dos quais eu não vivo sem – afinal pisciano não substitui pessoas, apenas soma... Com a idade, cada vez mais uma grande parcela do meu tempo é propositalmente dedicada à manutenção destes. Daqueles que valem!

Recentemente fiz outra escolha consciente: de ser feliz com meus problemas da vida (que ninguém escapa), mas sem deixar de reconhecê-los e, principalmente, de tentar ser uma pessoa melhor a cada amanhecer. Não que eu consiga, mas a tentativa existe e é real.

Sendo toda generalização uma bela ignorância, este relato não se refere a todos os porto-alegrenses que talvez se enquadrem no estereótipo relatado acima, visto que depois que nos tornamos pais (e falo em causa própria – mais risos), o que mais queremos é prover conforto e segurança à prole. Esses escapam das minhas farpas. E outros do bem também, por favor, não se sintam ofendidos. Se for tua amiga, eu não te considero fútil. Ponto!

O que me incomoda é a necessidade da venda de uma imagem de uma realidade inexistente. De uma felicidade de vida vazia e sem objetivo profundo. Assim, VAZIA.

Não se fala em problemas pra não demonstrar fraqueza. Porque pega mal ter problemas, pesa pra imagem.

O que deixarás quando passares dessa pra melhor? Alguém que te amou de verdade quando fazias questão de manter relacionamentos de bar (amores não sobrevivem à superficialidade)? Filhos que não tivestes por egoísmo em dedicar seu tempo a uma pessoa que não fosse você mesmo? Os beneficiados pelo trabalho voluntário que nunca fizestes? Ah sim, a mamãe vai lembrar... Mas essa provavelmente não estará mais aqui pra contar que filho (a) “maravilhoso (a)” ela acha que teve.

Se por acaso achares que essa briga é só minha e que eu estou insana, leia Manual de Ingenuidades, há pelo menos algumas pessoas concordando comigo. De acordo com este, o PICMB (Perfeito Idiota de Classe Média Brasileira) não faz trabalhos domésticos, não respeita trabalhos manuais, seu tempo vale mais do que o tempo do outro, se sente o parâmetro de tudo, vai pra Orlando sempre que pode, acha a Europa chata, a Ásia um planeta esquisito, joga lixo no chão, e a melhor de todas, adora pagar caro. Não tem coisa que rotule mais um PICMB como gostar de pagar vale pagando caro. Porque caro significa “eu posso pagar”, não significa que o produto valha a pena.

Respire fundo. Antes de me atacar reflita se não estás dentro da bolha. Até aceito opiniões divergentes, mas só de quem tenha saído da província amada por pelo menos 10 anos e aberto enfim seus horizontes para o mundo.

Ser cidadã de lugar nenhum me dá uma sensação de não pertencimento. O outro lado da moeda é que estou definitivamente emancipada.

Lil escreve aqui esporadicamente. Por vezes polemicamente.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Grande Família Gérson


Infelizmente para o jogador de futebol da Seleção Brasileira da década de 1970, Gérson, que fez o comercial do cigarro, no qual ele dizia que gostava de levar vantagem em tudo, a expressão “Lei de Gérson”, para tudo relativo a falta de ética e valores, pegou! Não só pegou, como é a lei mais respeitada em nosso país! Para quem não se lembra, nosso país é aquele do Gigante que acordou! Mas vou deixar essa do Gigante para outro dia, pois também não me desce pela garganta!

Mas, voltando à Lei de Gerson, tenho que desabafar: a família Gérson é a maior do país! Todos aqui querem levar vantagem em tudo. E não importa o tamanho de tudo para cada um. Pode ser furar o sinal vermelho, ou ganhar uma propina, ou passar na frente de uma pessoa numa fila (são tantas...), ou ultrapassar um carro, só para parar no semáforo (quando pára) junto com o mesmo motorista ultrapassado!

Todos são Gersons. O motoqueiro que passa pela calçada, quase atropelando pedestres, é Gérson. O político que aceita propina é Gérson. O motorista de ônibus que não pára no ponto para fazer a viagem mais rápida e deixa pessoas sem condução, este também é Gérson! A mulher que coloca o filho para pedir esmola no semáforo, é Fulana Gérson. Aquela que marca lugar no restaurante com a bolsa, e vai se servir, é Sicrana Gérson. O sujeito que enfia a mão na buzina para fazer um trânsito engarrafado andar, na marra, é, com certeza, Gérson! E por aí vai... Somos uma nação de Gersons! E estamos em franca proliferação. Aliás, nem coelhos se reproduzem tão rapidamente!

E, se alguém tem dúvida sobre quando isso começou, aí vai um refresco na memória: começou quando a sociedade se tornou unicamente de direitos, sem deveres. Começou quando os crimes deixaram de ser punidos com o rigor da lei. Começou quando a boa educação deu lugar a uma falsa (falsa, sim!) educação democrática, que forma o cidadão! Começou quando o bom-senso foi morto e enterrado, em nome dos direitos individuais! 

E dizem que sou estressada. Alguém consegue não se incomodar ao ver o que nos tornamos? Consegue. A maioria consegue. Mas eu ainda não estou na maioria. E, por isso, não vou sair para uma manifestação, que sempre começa pacífica, e termina como todos já sabem. Se as pessoas não conseguem agir com ética, com bom-senso, não podem exigir que o outro aja! 



Tania tem andado cada vez mais indignada com a grande família Gérson que tomou posse do seu país!



O comercial citado no texto: 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ei Pequetita


Ei Pequetita!

A vida está uma correria! Que bom! Adoro viver nessa correria com você ao meu lado!

Agora estamos numa fase em que você já entende muita coisa e passa alguns finais de semana com o seu pai. Essa é a segunda vez que você vai com ele.
Confesso que ainda estou me adaptando porque, apesar de você ter dois aninhos e cinco meses (uma mocinha!), eu ainda acho que você é um bebezinho. 
Você ainda não entende porque a mamãe não vai junto, mas no futuro você vai entender que estamos fazendo o melhor pra você.

Hoje você curtiu bastante a nossa manhã de sábado, juntinhas em casa. Tive que insistir muito para que você concordasse em se aprontar para sair com o pai. Te expliquei que o papai fica com saudades de você e que esse tempo com ele é importante. Mesmo assim você fez birrinha é só aceitou entrar para o banho quando o interfone tocou. E quando eu te levei até o carro você me abraçou e disse que queria que eu fosse também...
Quero que você entenda que essa é uma coisa boa meu amor! E a mamãe vai estar sempre por perto quando você precisar. É só você chamar que eu vou correndo ao seu encontro, como sempre faço!

Esse ano começou bem agitado! Fomos a várias festas de confraternização juntas e viajamos juntas no reveillon e nas férias de janeiro para a praia! 
A praia foi uma farra desde a saída no aeroporto até a chegada! Você adorou o mar! Saia correndo na areia, com uma liberdade incrível! Tudo era novidade! A cama da pousada, os cafés da manhã junto com outras pessoas com as quais você fazia questão de conversar, sentando nas mesas delas; os passeios de carro observando as paisagens novas; o avião...esse foi uma farra à parte! Sentava, abotoava o cinto sozinha e conversava com os vizinhos de poltrona. Em um dos trechos você quis ir sentada ao lado de uma moça que viajava sozinha e foi conversando com ela como se conhecesse.
Tudo foi muito bom! Mas quando chegamos em casa você correu para sua cama e brinquedos! Estava com saudades! E na manhã seguinte, estava ansiosa para ir para a escola!
Percebi que alguma coisa tinha mudado. Seu espaço...agora você está consciente de que é uma pessoinha e tem seu espaço. Tem suas vontades e se impõe diante delas...e tenta me convencer com conversas...mas também com birrinhas. Coisas de "Quilança"(criança)!

Já estou aqui morrendo de saudades de você! E só tem duas horas que você saiu...rsrsrs.
Amanhã, quando chegar, vou estar te esperando com muito amor!

Te amo muito minha Pequetita


Loris Bahia é também Loris Mãe e está tentando deixar registrado algumas das fases mais importantes de sua filha em um blog feito especialmente pra ela. A doce Catarina.

Obs: texto originalmente publicado aqui

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O que vai e o que fica.


O que devemos fazer com algo que se quebra? Jogamos no lixo ou colamos os pedaços? Sinceramente, não tenho exatamente uma certeza do que devemos fazer quando isso acontece.

Ultimamente tenho decido juntar os pedaços e colá-los novamente, porque as coisas que andam se quebrando são valiosas de mais para mim para eu abrir mão delas.

Por menores que pareçam, elas tem lembranças e histórias, que me veem a memória só de olhar para elas. 

Às vezes acho que algumas coisas estão tão quebradas que não merecem consertos. Nesses casos devemos jogá-las fora, sem apego material ou emocional, para permitirmos que novas experiências preencham esse espaço, que estará vazio.

Difícil é decidir o que vai e o que fica. 

Acho que o imã de geladeira que quebrou ontem, eu vou jogá-lo fora hoje. 



Samira segue sem saber o que fazer com muitas de suas coisas, quebradas ou não, mas segue pensando nelas uma de cada vez...
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