domingo, 31 de julho de 2011

A Menina aprendeu

...E com as lições da dor a Menina aprendeu que os outros só podem lhe ferir quando ela assim o permitir.
Aprendeu, porém, que sempre é possível ferir alguém por descuido e que, por isso, é preciso estar sempre atenta.

A Menina aprendeu, também, que cuidar do sentimento alheio é importante.
Mas que é infinitamente mais importante cuidar dos seus próprios sentimentos.

A Menina aprendeu, por fim, que amar a si própria é que é relevante...


Déia escreve aos domingos e segue aprendendo, juntamente com a Menina...

domingo, 24 de julho de 2011

VERDADE

Quando alguém, pretensiosamente, diz à Menina: "Eu lhe conheço como a palma da minha mão..." ela limita-se a sorrir sarcástica e a refletir acerca da ingenuidade que é acreditar ser possível conhecer algo ou alguém profundamente.

Conhece-se aquilo que o outro quer que seja conhecido.

Conhece-se a face que o outro deseja mostrar...

Cada qual veste, a cada manhã, a "máscara" que deseja que seja vista pelos demais.

E ante os protestos indignados daqueles que se julgam "100% verdadeiros" a Menina alarga o sorriso e calmamente pergunta: "E o que é a Verdade?"...

...

Déia escreve aos domingos e gostaria de presentear os leitores do blog com um dos mais belos escritos de Drummond:


VERDADE

"A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia."

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Escrever a vida

Escrever é um ato restrito a poucas pessoas. Fora os estudantes que escrevem por obrigação e na maioria das vezes com má vontade, esse ato se restringe a poucos grupos de pessoas. Alguns escrevem por profissão, jornalistas, escritores, críticos, cronistas... ou são redatores esporádicos de relatórios e documentos pontuais. Alguns escrevem para se comunicar, via e-mail ou por outras formas, em geral virtuais, e devo dizer que pela abundância de erros crassos que vejo por aí, nem sempre alcançam seu objetivo. Uns malucos escrevem por hobby, como os blogueiros, e sentem nisso prazer.

Gosto muito de escrever, e gosto muito de ler. Ao ler, você percebe muito sobre a pessoa que redigiu. Ao ler o que escrevo, vocês devem perceber que sou objetiva, clara, sucinta, um pouco irônica. Outras escritoras deste blog são mais poéticas, ou românticas, ou entusiastas. Mas não só pela escolha do tema e das palavras pode-se ler um escritor. Me chama a atenção a pontuação. Sim, já que ela tenta aproximar a escrita da fala da pessoa, e consequentemente, do pensamento.

Eu uso basicamente o ponto final. São frases curtas e objetivas, que dizem o que eu penso. Sem rodeios, sem grandes floreios e efeitos. Afirmo o que penso e deu.

Algumas pessoas usam e abusam das reticências. Não sei se para não ser tão seco. Ou para que o leitor mesmo complete a frase... Em geral, não gosto disso. Pontos finais são para quando o pensamento não está finalizado. Eu gosto de gente que sabe o que pensa e que escreve o que sabe. Que se decide e se assume.

Alguns abusadores de reticências, porém, são sonhadores... Desses eu gosto, e por eles nutro uma admiração misturada com inveja. Eles começam o pensamento no papel e continuam seus devaneios só para sim, num desprendimento tal que chega a parecer egoísmo. Para não abandonar o leitor ao léu, o deixam cm as reticências...o começo do caminho de nossos próprios devaneios. A partir daqueles 3 passos, cada um faz o seu próprio rumo.

Há textos recheados de exclamações. Essas pessoas são entusiastas e querem compartilhar isso. Estão inflamadas de alegria ou de raiva, e não tentam disfarçar. Estas, sim, se assumem e gritam, mesmo que em silêncio, o que pensam!

E os textos cheios de interrogações? São escritores em crise, em dúvida, em xeque. Acabam por contaminar o leitor com seus questionamentos, provocando a curiosidade e a vontade de continuar aquela conversa, de procurar uma resposta.

Alguns textos vêm cheios de ponto e vírgula. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre ele. Talvez a pessoa tenha receio de concluir prematuramente uma frase; ou queira explorar todos os argumentos antes do ponto final; ou emende uma coisa na outra e não saiba mais onde parar.

É curioso esse exercício de analisar além das palavras. A forma como a gente pontua um texto é próxima da forma como a gente pontua a vida. E a forma como se pontua a vida explica muito sobre nós, nossos pensamentos, ações e como vemos as conseqüências.

Renata escreve parte de sua vida aqui, todas às terças. Ponto final.

domingo, 17 de julho de 2011

Da repulsa às coisas mornas


A Menina não gosta de ficar na superfície.
A Menina não gosta de se sentar à margem e mergulhar cuidadosamente os pés na água.
Ou a Menina se deita preguiçosamente sob o Sol para observar a calmaria, ou ela mergulha até o fundo. . .
Coisas mornas causam profunda repulsa à Menina. . .


Este texto, de minha autoria, foi publicado originalmente em meu blog pessoal, o Devaneios.



Déia escreve aos domingos e, a despeito das consequências, sempre mergulha de cabeça em tudo o que faz...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Os dias passam lentos?!

28 dias desde a última vez que eu escrevi aqui (sim, eu sinto vergonha disso)
10 dias desde a última vez que fiz as unhas (e ó, me sinto 50% da mulher que sou quando olho para a minha unha nua)
7 dias desde a última vez que eu cantei no coral (viva a serotonina!)
6 dias desde a última sexta-feira (viva a serotonina-2!)
5 dias desde a última vez que vi a menina dos meus olhos (saudades já...)
4 dias desde a última vez que comi até quase explodir (é quase um AA, minha gente...)
3 dias desde a minha última aula de costura (viva a serotonina-3!)
2 dias desde a última vez que me cozinhei para algumas amigas (sim, sou prendada!)
1 dia desde a última vez que me estressei com alguém (olha o cortisol lá nas alturas e circulando...)

Alguém aí ainda acha que a vida passa devagar???

Milena escreve aqui às quintas. Nem que seja a cada 28 dias...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Percepções e educação

Nossa experiência nos molda. Seja ela no campo profissional, pessoal, espiritual ou físico. Molda nossas opiniões, nossos medos e reações, e molda a forma como observamos e percebemos o mundo.

Dia desses vi na capa do jornal aqui da região (http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/0,17495,capa_offline) uma foto que me chamou a atenção. A notícia era sobre o recebimento e início do uso de netbooks (10, ao todo) para uso em sala de aula. Mais uma mágica maneira de gastar dinheiro na educação sem melhorar sua qualidade. Pelo cálculo simples vi que cada um custou quase oitocentos reais (!), e serão contempladas 5 escolas. Acho que a tecnologia tem muito a acrescentar à educação. Também acho que, antes de investir tanto em recursos tecnológicos, há outras prioridades. Quem sabe, até, investir para que cada professor tenha acesso à tecnologia, para aprender suas possibilidades e melhorar sua prática.

Mas voltando à foto, e se você for curioso irá lá olhar, o menino em questão, cujos olhos brilhavam frente ao pequeno monitor que mostrava imagens do grupo de rock Ramones (sic), estava de touca, dentro da sala de aula, assim como os outros meninos que aparecem na foto.

De uma foto tão bonita sobre investimentos na qualidade do ensino, eu vejo uma grande contradição: quem aprende melhor? Quem tem condições ambientais, tais como temperatura amena dentro da sala de aula, inclusive nos 10 dias em que a temperatura ficou perto de zero aqui na Serra Gaúcha, ou quem tem acesso a netbooks, ou outras ferramentas tecnológicas que sejam?

O que realmente influencia mais na qualidade da aprendizagem?

E isso é um dos inúmeros exemplos que podem ser citados sobre os engodos que engolimos toda hora, muitas vezes ser perceber, sobre como o dinheiro público é desperdiçado (e não investido) nas questões essenciais da cidadania e qualidade de vida.

Comentei sobre essa foto com algumas pessoas, e sobre o quanto fiquei indignada, e a maioria nem tinha pensado sobre isso.Vamos pensar e discutir sobre essas questões, cada um contribuindo com sua vivência e visão para que tenhamos um pouco mais de clareza. Aí, sim, poderemos argumentar e, oxalá, melhorar algumas coisinhas nesse país que não é sério.

Renata começa achar que a próxima “bolsa” que receberemos, essa sim para toda a população, vai conter nariz, peruca e sapato gigante...de palhaço (sem ofensa aos palhaços por escolha e profissão, esses sim, gente séria).

domingo, 10 de julho de 2011

Relatos de um professor

Estava eu a refletir acerca das inúmeras cobranças que recaem sobre os professores, quando acabei por recordar de um fato ocorrido comigo há, aproximadamente, uns 3 anos atrás...
Na época eu lecionava Filosofia para o Ensino Médio e havia um aluno que me preocupava bastante.
O rapaz tinha aproximadamente 16, 17 anos e tinha o (péssimo) hábito de, descaradamente, negar absolutamente tudo de errado que fazia, mesmo que tivesse sido pego em flagrante em pleno ato.
Um horror!
Certa vez eu o flagrei depredando a carteira da escola e, imediatamente, chamei sua atenção.
Ele, contudo, negou veementemente que estivesse a cometer tal ato, afirmando que eu havia cometido um equívoco e que havia sido enganada pelos meus próprios olhos (!!!).
O fato é que ele negava de tal forma que parecia realmente acreditar que eu havia me enganado. Obviamente eu fiquei imaginando se o menino não teria algum desvio psicológico e, na primeira oportunidade que tive (durante uma entrega de resultados aos pais) chamei o pai do rapaz para uma conversa e, na frente do filho que o acompanhava, relatei-lhe o ocorrido.
Além disso, contei ao pai do rapaz que este assumia tal comportamento sempre que confrontado com seus próprios atos.
E, qual não foi o meu espanto, quando o pai do garoto, ao ouvir atentamente o meu criterioso relato, esboçou um largo sorriso, deu três ou quatro tapinhas nas costas do filho e disse, todo orgulhoso:

"Esse guri é dos bons, né profe? Vai ser um excelente advogado! Que nem o pai!".

...

Déia escreve aos domingos e espera que seu desabafo sirva de alerta a certos pais que, sem perceber, criam verdadeiros monstros, que ficarão à solta pela sociedade...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Compras de domingo

Domingo, dia nacional de ficar em casa. Ainda mais se estiver 3 graus centígrados na rua.
As pessoas que vão ao supermercado no domingo de manhã, não vão fazer rancho. Nem vão porque estavam passando na frente e lembraram de algo que precisavam. Não. O público do supermercado no domingo de manhã, ainda mais se estiver 3 graus centígrados na rua, é formado pelas desafortunadas almas que necessitam urgentemente e inadiavelmente de algo para o evento semanal: o almoço de domingo.
Eis que nesse domingo, fui umas delas. Estava no meio do preparo da sobremesa (Torta da preguiçosa, para quem ficou curioso. Sim, me identifiquei com o nome.) e constato com horror: acabou o leite condensado. Como boa brasileira, não sei fazer sobremesa sem leite condensado.
Vesti casaco, manta e toda a minha coragem e fui ao supermercado. No caminho, aquela ligação típica: aproveita e traz papel higiênico que ta no fim. Beleza.
Peguei leite condensado e papel higiênico, e fui com pressa para a fila, junto com outras pessoas igualmente com pressa levando seus itens básicos para o almoço, fosse carne, salada, refrigerante.
Quando a mulher na minha frente na fila começou a encarar o que eu levava na mão, me dei conta de que só o papel higiênico aparecia, pois o leite condensado estava embaixo. Tanto ela encarou que eu pensei: Nossa, ela deve achar que tem alguém lá em casa, sentado no vaso, só esperando eu chegar com o papel pra poder sair!
Ela tanto encarou, que até puxou papo. O assunto, claro, o papel higiênico.
- Ah, desculpa ficar encarando, mas eu estava pensando se lá em casa não está faltando papel higiênico.
Respondi com um sorrisinho meia boca.
- É o tipo de coisa que a gente sempre compra, né?
A ênfase no ‘né” me fez pensar que eu devia dizer alguma coisa. Mas não disse. Dei outro sorrisinho e deixei a mulher pensar que eu tinha saído de casa, num domingo gélido, apenas pra comprar papel higiênico!


Renata fez a tal sobremesa e também se diverte criando teorias sobre as pessoas baseado no que elas compram e quando.

domingo, 3 de julho de 2011

Quando a vida vem...

A Menina gosta quando a vida vem de surpresa
lhe agarra pelos tornozelos
e lhe sacode inteira...

Quando vem perfumada e saborosa
e se desmancha em seus lábios
deixando um gostinho de "quero-mais"...

Ou quando vem impiedosa e amarga
arrancando lágrimas
e destilando fel...

A Menina gosta quando a vida vem preguiçosamente
em plácida calmaria
repleta de silêncios significativos...

Ou quando vem avassaladora
em alegre musicalidade
provocando risos saltitantes...

A Menina gosta quando a vida vem assim:
sons e silêncios
imagens e cenas
luzes e sombras
alegrias e dores
chegadas e partidas...

A Menina gosta quando a vida vem
não importando como
contanto que sempre venha...

Déia escreve aos domingos e anda sempre sedenta de vida...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Vez do Vilão

Não sei quanto a vocês, mas eu estou cansada dos maus exemplos triunfarem em todos os lugares, principalmente na mídia brasileira. Nas novelas, os vilões têm, quase sempre, saído impunes, e ricos e felizes nos últimos capítulos, isso depois de atormentarem os mocinhos durante todos os capítulos! Nos telejornais, sempre são mostrados os maus exemplos em todas as profissões. Sempre mostram os políticos corruptos, os policiais corruptos, os padres pedófilos, os médicos pedófilos, os professores violentos, ou desinteressados, etc. Quase nunca são exibidos os casos de políticos de locais carentes, que, com poucos recursos, conseguem obras importantes para a população, nem os padres que fazem trabalhos importantes em suas comunidades, nem os médicos que atendem em locais insalubres, com baixa renda, e ajudam pessoas que não teriam atendimento médico de outra maneira, nem os professores que conseguem mudar a realidade de escolas carentes, com casos de violência, e mostrar que há saída com a educação.

O mesmo para as novelas. Não se mostram mocinhos e mocinhas que pensam, que percebem as maldades dos vilões, e conseguem sair dos problemas, resolvê-los, com atitudes rápidas e inteligentes. Que tipo de nação é a nossa que mostra que o errado é que vence, é que se dá bem sempre? Que tipo de sociedade é essa que mostra que os profissionais, que estudam, que batalham no cotidiano, são ruins, não prestam, e que não adianta estudar, pois tudo está ruim, e, com esses exemplos, parece que nunca vai melhorar? Eu não entendo como uma sociedade pode se desenvolver quando somente os maus exemplos são evidenciados. Se não há saída, pra quê lutar, para quê estudar, para quê agir corretamente? A lição que se dá é que é melhor ser o bandido, o vilão mesmo, pois ele é rico, ele vive bem, ele não é punido.

Parece absurdo o que falo? Então assista às novelas e telejornais de todos os canais brasileiros, pelo menos um dia, e me diga se não é essa a imagem que é transmitida!

O desabafo acima não era para agora, mas Tania não suporta mais uma sociedade que exalta o errado, em todas as categorias!

terça-feira, 28 de junho de 2011

A tecnologia e os aniversários

Todos sabem bem o quanto a tecnologia se infiltrou nas nossas vidas e, de desconhecida, passou a ser indispensável. Exemplos são inúmeros: telefone celular, players, internet, notebook, netbook, tablets e por aí vai.

Poucas pessoas passam uma semana inteira sem acessar internet sem que isso cause transtornos na vida e crises de ansiedade.

Mas é curioso ver como isso acabou mudando hábitos. Ontem era aniversário da minha cunhada (parabéns para ela, que é leitora assídua do blog, minha fã e eu sou fã dela, a quem considero uma irmã!). Atualmente ela mora em Buenos Aires, com meu irmão e o meu sobrinho (o mais fofo do mundo, sem dúvida).

Eu mandei os parabéns pelo facebook. Aliás, eu e a torcida do Flamengo, aproximadamente. Nada contra e nada de errado, mas o fato é que, até o horário em que falei com ela, ontem à noite, ela havia recebido dois telefonemas de parabéns: um da mãe, um da sogra. Ressalto que uma não acessa a Internet, a outra apenas sob forte supervisão.

Ficamos pensando se isso aconteceu por ela morar longe, e ser caro telefonar. Mas ninguém fica tão mais pobre por uns reais usados para desejar algo de bom a uma pessoa querida, uma vez no ano.

Acho que é pela facilidade da internet, que deixa as pessoas mais próximas, mas nem tanto. É legal receber declarações de carinho escritas e publicadas num mural, para todos verem. Mas é muito legal receber aquelas palavras pensadas e ditas só para você, como um presente. Receber o tempo de quem largou o que estava fazendo para telefonar. Ou mandar um e-mail, SMS, que seja! As opções são várias. Mas nenhuma deixa entrever a emoção denunciada pelo tom de voz como uma ligação telefônica. E por um abraço dado pessoalmente, então!

Fiquei pensando nisso, e lembrei que apenas as pessoas mais próximas me viram ou me telefonaram no meu aniversário. O que deixa pensar que os recados virtuais são para os conhecidos, aquelas pessoas que estão num círculo de convívio um pouco mais distante que o círculo dos amigos.

Amigos: nos aniversários e datas importantes, liguem, apareçam, mandem recados individuais. Esses presentes são únicos, e deixam sua marca.

Renata escreve às terças-feiras, e hoje aproveita para mandar mais uma vez parabéns virtuais à cunhada, já que o abraço virá só daqui alguns meses.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Anedotas do feriado

Sábado à noite, escolhendo a pizza:

_ Você escolhe metade e eu escolho a outra metade.
_ Tá.
_ Pronto já escolhi.
_ Tamém.
_ Que tamanho vamos pedir?
_ Num sei...
_ Óh, a média tem quatro pedaços e a grande são seis...
_ Ah vamu pedi a grande.
_ Será?!
_ É, se sobrar a gente leva pra casa.
_ Tá, mas o negócio é que a gente nunca leva pra casa... quando a gente pede a média, cada um come dois pedaços e fica com vontade de comer mais um e quando a gente pede a grande cada um come três e sai daqui rolando....
_ Vamo pedi a grande!
_ Tá.

***

Domingo, fazendo cálculos depois da feira de artesanato da Igreja Anglicana:

_ Fiz uma conta errada, somei um negócio a mais, mas pode deixar que eu fico com o prejuízo.
_ Tá. Cadê seu caderno, vamos conferir se demos os 10% certinho.
_ Demo a mais por que fiz a conta com mais uma faixinha de cabelo e você também somou.
_ Ah tá bom, deixa pra igreja mesmo.
_ Tá....
_ Aqui eu vendi isso, menos os 10%, mais os colares, menos 10% de novo...
_ ??? Num tô entendendo direito.
_ Tá. Ó, o meu, o seu, vamu somar tudo e tirar os 10% que a gente já pagou, aí tem que ter esse dinheiro aí.
_ Tá.
_ Deu isso...
_ .... (contando) .... Ih tem R$8,00 a mais.... Que estranho tinha que ser menos.... E agora?
_ Uai vamo tomar uma cerveja no Sandro?!
_ É né, não vamo esquentar a cabeça com essas contas não né?! Trem chato!
_ É, num vou conferir de novo não.
_ Então vamo.

Silvia escreve as segundas.

domingo, 26 de junho de 2011

Ler nas entrelinhas . . .

O que atrai a Menina é o olhar.
O olhar que fixa.
O olhar que prende.
O olhar que hipnotiza.

Mas a Menina também se deleita com o sorriso.
O sorriso inesperado.
O sorriso no momento exato.
O sorriso bem colocado.
O sorriso que diz : "Vem!"

E a Menina se encanta com pessoas espertas.
Com pessoas que entendem um meio sorriso.
Com pessoas que entendem um baixar de olhos.
Com pessoas que entendem um entreabrir de lábios.

Com pessoas que sabem ler nas entrelinhas...

Déia escreve aos domingos e acredita piamente que pessoas que conseguem ler nas entrelinhas certamente se divertem mais que as outras...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Meu Brasil com “z”


Meu Brasil é uma casa.
Com os cheiros da infância, de café e de pão caseiro.
Os mesmos barulhos e seus problemas de manutenção.
È casa cheia como lembrava.
O telefone não pára.
Casa que vibra. Brilha!
Meu Brasil com “z” são pessoas.
Elas fazem a diferença. Fazem a alma sorrir.
Nunca encontrei pessoas assim em lugar nenhum do mundo, por mais que já tenha rodado boa parte dele.
Deixam um vazio que não se preenche.
Amor que não se acaba.
Saudade que não cede.
Felizes eram os tempos de mediocridade. De ignorância.
Os horizontes eram limitados.
Desconhecimento da perda.
O coração tinha pátria e endereço.

Viver pelo mundo traz muitas vantagens.
Algumas desvantagens também.
Sempre sentirei falta de algo. Daqui ou dali.
É o aceitar do ser incompleto.
Para todo sempre.

Lil escreve aqui esporadicamente.

domingo, 19 de junho de 2011

Coisas que aprendi com a vida... - parte II

Aprendi . . .

- que a maior obrigação que tenho na vida é ser absolutamente fiel àquilo que sinto . . .

- que é possível perceber o caráter de uma pessoa apenas prestando atenção nas coisas que a fazem rir . . .

- que o fato de uma pessoa deixar de me amar não impedirá que eu continue amando-a, mas impedirá que eu fique por perto, mendigando seu amor . . .

- que só se ensina realmente as crianças através de exemplos e atitudes e não com palavras vazias . . .

- que carinho não se implora jamais . . .

- que se não estou com vontade de fazer alguma coisa, não preciso fazê-la apenas para agradar alguém . . .

- que ciúme não tornará a pessoa amada mais fiel . . .

- que dizer "muito obrigada", “por favor", e "com licença" não custa coisa alguma . . .

- que a lealdade é um dos sentimentos mais bonitos que existem . . .

- que orgulho não leva a lugar algum . . .

- que por mais irritantes que nossos pais nos pareçam, eles são únicos e farão muita falta algum dia . . . E que, por mais incrível que pareça, o mesmo vale para os irmãos! Juro! :-/

- que aquele que compartilha comigo o segredo de outra pessoa certamente fará o mesmo com um segredo meu . . .

- que reconhecer meus erros e dizer "me desculpe" não é tão difícil assim e que se a pessoa a quem eu, de alguma forma, magoei ou ofendi, não quiser aceitar minhas desculpas o problema já não é mais meu . . .

- que não há medicina preventiva melhor do que beber muita água . . .

- que por mais vezes que eu tropece, nem sempre vou cair. Às vezes é preciso apenas um pouco de equilíbrio para evitar a queda. . .

- que por mais vezes que eu caia e me machuque, sempre vou levantar e seguir em frente. . .

- que, na maior parte das vezes, as pessoas esperam que eu diga o que elas querem ouvir e não aquilo que realmente penso . . .

- que a pergunta "tudo bem?", em geral, é feita somente por convenção e não porque a pessoa realmente queira saber como eu estou . . .

- que não devo sentir vergonha de meus sentimentos . . .

- que um sorriso sincero é capaz de rejuvenescer muitos anos . . .

- que não devo confiar em quem distribui elogios a todo o momento. . .

- que devo confiar menos ainda em quem é incapaz de elogiar sincera e desinteressadamente. . .

- que não devo refrear as lágrimas, sob pena de explodir . . .

- que o fato de não ter ninguém olhando não é motivo para eu fazer o que não faria se estivesse em público . . .

- que não devo tomar atitudes e decisões quando estou com raiva . . .

- que por mais apavorada que eu esteja jamais devo permitir que o medo me paralise. . .

- que não é minha idade que determina se sou velha ou jovem e sim minha capacidade de rir de mim mesma, de me permitir brincar feito criança e de constantemente me admirar com as coisas que me cercam. . .

- que, no final, a única coisa que realmente importará serão as lembranças de minhas ações e dos sentimentos que despertei nos demais . . .

- que quando a comida não estiver boa, basta acrescentar alguns temperos. E QUE O MESMO VALE PARA A VIDA . . . SEMPRE!

Déia escreve aos domingos e segue saltitando e brincando pela vida afora, sempre buscando aprender mais e mais. . .

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Guardadores Compulsivos

Eu guardo coisas.
Coisas que até Deus duvida.
Coisas que eu nem sei que guardo, muito menos para que eu guardo.

Semana passada eu quis comprar um móvel muito grande para o meu quarto. Lindo de morrer, super pechincha, mas nem com reza brava o bendito ia caber lá no meu craft room (que mede 4x6m e só por acaso acomoda a minha cama...)

Foi aí que eu tive um pequeno surto psicótico e resolvi me livrar das coisas.

Gente, vocês não tem idéia da quantidade de tranqueira que um guardador compulsivo consegue acumular ao longo do tempo.

Sério. Eu preciso de ajuda.

Para vocês terem uma idéia, acho que a última vez que eu nadei foi em 2008. E eu tenho uma caixa com 3 maiôs, 2 toucas, 2 óculos, desembaçador de lente e protetor auricular.

Um dia eu inventei de fazer uma caixinha com papelão onda tripla... A caixinha nunca ficou pronta, mas eu joguei fora papelão suficiente pra fazer uma pequena mudança...

Isso porque eu jamais ousaria mexer nas coisas de costura e de scrapbooking que eu comprei e nunca usei. Essas permanecerão intocadas por mais um tempo.

Até eu descobrir uma fórmula mágica para parar de comprar e guardas coisas.

Alguma idéia??

Aceito sugestões.

Milena escreve aqui as quintas. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Definições

Saudades é aquela dorzinha que se sente ao pensar em algo ou em alguém.

Preguiça é aquela coisa gostosa que se sente ao não se fazer nada.

Inveja é uma bruxa que cochicha no nosso ouvido ao vermos algo que não temos, mas queríamos ter.

Ciúme é uma vontade de colocar a pessoa amada no bolso, e tê-la só pra gente, o tempo inteiro.

Medo é uma vontade de desistir.

Coragem é uma vontade de desistir, mas não desistir.

Prazer é sorrir por dentro e por fora.

Sofrimento é chorar por dentro e por fora.

Raiva é querer que algo não tivesse acontecido.

Verdade é o que a gente acredita.

Mentira é o que querem que a gente acredite.

Velhice é perder a vontade de brincar.

Curiosidade é querer entrar nas coisas, pra ver como funciona.

Magia é o que a gente não consegue explicar.

Surpresa é um soluço com o corpo todo.

Vergonha é quando as bochechas coram, e a gente quer se esconder.

Felicidade é quando umas fadinhas cantam e pulam contentes dentro da gente.

Amar é querer, com todo o coração, que uma pessoa seja feliz.

Renata tenta explicar coisas complexas com palavras simples. E isso é bem difícil.

domingo, 12 de junho de 2011

Sobre vivenciar um "eu te amo". . .

Como hoje é dia dos namorados, decidi escrever acerca de um tema, por vezes, muito banalizado: o amor.
Tenho a nítida impressão de que, a cada dia, mais e mais pessoas falam “eu te amo” o tempo todo e para qualquer um sem, no entanto, realmente vivenciarem essas palavras.
É possível, ao olhar ao redor, perceber casais de namorados que não se respeitam, mas que permanecem juntos por conta do suposto “amor” que os une. É possível perceber casais que, há tempos, não tem o menor interesse um pelo outro, mas que se mantém fisicamente lado a lado porque, vez ou outra, um deles diz as “três palavrinhas mágicas”.
Tais coisas fazem com que eu fique me questionando: Será que um simples “eu te amo” é suficiente para que duas pessoas possam permanecer juntas e felizes? Será que, para sentir-se amado, basta apenas que o outro proclame essas “três palavrinhas mágicas”?
Não para mim!
Eu acredito que amar requer muito mais do que caras e bocas, olhares oblíquos e piscadelas sensuais... Requer muito mais do que beijos apaixonados, sexo acrobático e declarações de amor eterno...
E, por falar em declarações, em minha opinião, palavras são apenas palavras que, sozinhas, não significam coisa alguma.
Eu acredito que amar alguém requer demonstração de sentimento. E quando falo em demonstração, não me refiro a grandes arroubos apaixonados, tampouco a presentes caríssimos. Quando falo em demonstração de amor, me refiro às pequenas ATITUDES do dia-a-dia.
Você demonstra seu amor, por exemplo, quando, apesar do frio, levanta da cama no meio da madrugada para aquecer a bolsa de água quente do companheiro que está com os pés gelados.
Você demonstra seu amor quando decide acordar 10 minutinhos mais cedo para levar café na cama para o outro – mesmo que o tal “café na cama” seja apenas uma xícara de café com leite e um pãozinho amanhecido – apenas pelo prazer de vê-lo sorrir preguiçosamente.
Você demonstra seu amor quando, ao perdoar alguma falta, não fica remoendo a mágoa e guardando-a para ser jogada na cara do outro na primeira oportunidade.
Você demonstra seu amor quando aceita o outro como ele é, com suas qualidades e defeitos. E, mais que isso, quando você procura enaltecer as qualidades e “esquecer” os defeitos.
Você demonstra seu amor quando, ao perguntar ao outro como foi seu dia, ouve-o atentamente e compartilha de suas pequenas alegrias e frustrações.
Você demonstra seu amor quando respeita o outro, quando respeita seus momentos de solidão e de introspecção sem ficar constantemente perguntado o que está acontecendo e se há algum problema.
Você demonstra seu amor quando, ao discordar do outro, não o faz erguendo a voz e impondo sua opinião, mas apresentando suavemente seus argumentos e objeções.
Você demonstra seu amor quando consegue realmente colocar-se no lugar do outro antes de agir, de emitir algum julgamento, algum comentário sarcástico, ou, até mesmo, antes de soltar alguma frase do tipo: “Viu? Eu avisei...”.
Você demonstra seu amor quando suas atitudes realmente expressam um genuíno interesse e preocupação pelos sentimentos e pensamentos do outro, pelos seus problemas, pelas suas angústias, pelos seus medos, pelas suas conquistas, pelas suas alegrias, pelos seus sonhos.
Enfim, para mim, amar alguém requer esforço, dedicação, tempo, investimento psíquico e emocional e, acima de tudo, requer ATITUDE.

Déia escreve aos domingos e, neste Dia dos Namorados, espera que todos possam perceber que um “eu te amo”, sozinho, não significa coisa alguma...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mulher de fases

Atire o primeiro scarpin a mulher que não passa por fases.

Elas podem ser curtas, passageiras e inofensivas, incapazes de deixar grandes marcas. Como quando você fazia o contorno do lábio com lápis preto. Lembra? Você lembra, mas as outras pessoas não.

Outras são curtas, passageiras, nem sempre inofensivas e um pouco mais marcantes. Como quando você cortava o cabelo curto e pintava de ruivo. O que, aliás, soa como uma ótima ideia!

Existem fases mais duradouras: a fase boêmia, a nerd, a engraçadinha... Algumas duram tanto que talvez, tecnicamente, nem sejam consideradas fases.

Algumas fases só se manifestam no seu interior, são espirituais, são decisões sobre como encarar a vida, os fatos, as pessoas.

Mas, sem dúvida, a fase inspiradora da expressão “mulher de fases” é ela, a inexorável avalanche de hormônios. Ela que derruba todas as defesas e se arma com unhas afiadas, dentes pontudos e seios inchados e doloridos, à espreita da vítima do mês.

É a fase psicopata, que nem sempre deixa vítimas fatais. Às vezes, deixa.

Renata está numa fase “sobrevivi à TPM, com pequenas sequelas”. E segue sendo uma mulher de fases.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Retorno

Meu teclado está sujo, sujo demais, não sei que dia vou limpar
mas um dia eu limpo.
Procurei adesivos pra colar nos boletins de meus alunos,
não achei, acho que já colei todos que tinha.
Eu sei, estou adiantada, mas prefiro assim do que atrasada.
Marquei salão pra Julho, fiquei com medo de não conseguir horário,
agora estou com medo de que elas esqueçam de meu horário, tamanha a antecedência...
A estante também precisa de uma faxina,
projeto para o final de semana.
Gosto de limpar livros, mas precisa-se de tempo, e um bom samba na vitrola.
Já estou planejando as provas finais, também para Julho.
Enquanto isso, teço um cachecol, pra descansar uma touquinha de criança.
Tomei banho pra desanuviar,
e funcionou.
Esse ano viajo de novo, minha veia nômade não me engana,
e sempre me diz, vai e fica mais um pouco.
Mas sempre retorno de onde vim sentindo que algo meu ficou lá.
Hoje o que ficou tem me feito um pouco de falta,
ou talvez seja o contrário, tudo o que veio comigo é que quer retornar.

Silvia escreve as segundas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...