terça-feira, 27 de março de 2012

Lacunas

Tenho um problema com lacunas. Elas me incomodam.  Saber que ficou um quadradinho em branco na palavra-cruzada, uma palavra engolida no final da frase, um ponto final faltando, me incomoda. Mesmo que o ponto final seja só para eu ver, só pra mim, eu preciso que ele esteja lá.
Saber que as palavras não ditas podem não ser entendidas, saber que os lugares não visitados poderão ser esquecidos,  me incomoda.
Saber que passei terças-feiras ocupadas demais, inspirada de menos, e ficou o espaço vazio, me incomoda.
Pode ser excesso de responsabilidade, perfeccionismo ou apenas a velha e pura obsessão, rebatizada de TOC.
O que quer que seja, estou trabalhando para lidar com as lacunas, porque elas existem, e se as pausas têm papel tão importante na música, pode ser que as lacunas tenham papel importante na vida.

Até lá, Renata escreve nas terças. Nas futuras e em algumas passadas.

domingo, 25 de março de 2012

Dinda feliz e coruja...

Sim, eu sei, andei sumida. Desaparecida, na verdade... A “Síndrome da folha em branco” me alcançou e a inspiração para escrever desapareceu.
Mas eis que nesta quarta-feira, dia 21, aconteceu algo que simplesmente não posso deixar de compartilhar.
Uma das minhas três turmas de 3º ano do Ensino Médio fez uma surpresa linda para me convidar para ser paraninfa deles na sua formatura (detalhe: estamos em março e a formatura é somente em dezembro!).
Entrei na sala de aula e estava tudo escuro. Quando acendi as luzes eles estavam enfileirados uns ao lado dos outros, cada um segurando uma folha de papel com uma letra, onde se lia: “Andréia, aceita ser nossa dinda?” e outra folha com um coração escrito “Nós <3 você”. Eles também enfeitaram a sala com balões coloridos, e escreveram no quadro “Nós te amamos sua linda!”.
Além disso, ainda me presentearam com uma cesta enooooorme com 30 rosas (30 alunos = uma rosa para cada aluno) e um cartão lindíssimo!


Óbvio que chorei né? Aliás, não só chorei como comecei a transpirar, a tremer e a gaguejar. Fiquei absolutamente feliz com tamanha demonstração de afeto e carinho!
Sei que muitos dirão: “Minha nossa! Mas como é exagerada! Foi só um convite p/ ser paraninfa de um 3º ano, e daí?”.
Bem, para aqueles que pensam assim, é preciso que eu esclareça que sou absolutamente apaixonada pela minha profissão e, principalmente, pelos alunos que fazem (e fizeram) parte da minha vida. Cada um deles é como se fosse um pedacinho de mim. Cada olhar carinhoso, cada sorriso, cada abraço que recebo deles é como se eu recebesse uma dose extra de felicidade. E eu realmente me importo com eles, com seus sentimentos, com seus problemas, com suas conquistas, com suas alegrias. Sempre acreditei que demonstrações de amor e carinho são absolutamente essenciais e fazem bem tanto a quem as recebe quanto a quem as oferece. Por isso fiquei tão emocionada, feliz e lisonjeada com o convite, pois foi uma retribuição do carinho e amor que sempre lhes dedico.
Déia escreve aos domingos e acredita que alegrias devem sempre ser compartilhadas.

sábado, 24 de março de 2012

O que realmente importa

Recentemente tive uma tremenda decepção com alguém que eu julgava ter excelente caráter. Quebrei a cara, mesmo. E fiquei mal, fiquei triste, perdi preciosos momentos chorando.
Mais recentemente ainda, soube que uma amiga está doente. Me senti patética, ridícula!
Como fui dar tanta importância a algo tão pequeno? 

A vida é muito mais que isso. É cada dia. São as pessoas que a gente AMA mesmo, e que nos amam. É ter saúde, é viver todo dia, é distribuir coisas boas, semear, para que elas germinem e se espalhem, dominem o mundo! Lições que aprendi também com essa amiga, exemplo de força, luz e perseverança; extremamente inteligente, sensível e sensata, uma pessoa admirável de verdade.
 
Renata deseja que todos espalhemos muita luz e pede que mandem boas energias para essa amiga querida!

terça-feira, 20 de março de 2012

Licença Felicidade

Quando estava na oitava série, tinha o hábito de passar os recreios e intervalos na biblioteca da escola e um dos livros que li neste período possuía um título bastante desconcertante: “Só as mãe são felizes”, um tanto quanto egoísta da parte da autora e mãe de Cazuza fazer tal escolha para esta biografia. Esta afirmação me parecia um tanto prepotente, afinal como, no auge do meu egocentrismo adolescente, posso não ser feliz? Ela está excluindo uma gama de leitoras com este título! É isso mesmo que ela está querendo dizer? Não posso acreditar.

Pois é! Cá estou, quatorze anos depois concordando com Lucinha Araújo. Não há dúvida que só as mães são felizes! É impossível ter felicidade maior. Embora seja um clichê essa é a realidade, é como se o passado não tivesse importância, como se a maternidade tivesse trazido sentido para a vida através de ensinamentos diários - isso que meu filho tem apenas cinco meses- (MEU filho, sinto-me a mulher maravilha quando digo essas palavras).

O que ela quer dizer é que embora o filho dela tenha trazido tantos problemas devido a vida desregrada que levava, foi ele quem trouxe o amor verdadeiro e incondicional a existência dela e isso é intocável, sagrado e só hoje compreendo.

Hoje penso em todas as mães com um olhar de admiração. Penso nos meses que todas esperaram para ver o rostinho dos seus bebês e no que passaram por este período, penso na mágica que ocorre quando o bebê mexe e quando ouvimos o primeiro choro; e finalmente penso nas mulheres que não puderam ter estas emoções e penso que elas não são felizes...será que o egocentrismo na adolescência ainda me acompanha? Não estou negando que ocorram outras tantas sensações, mas a benção de gerar uma vida é indescritível, deveria ser proibido mulheres estéreis.

Sim, sei que estou romantizando a gravidez, que existem muitas crianças indesejadas, que existem mães completamente diferentes de mim que entendem que os filhos foram feitos “para o mundo”, desapegadas ao extremo, porém, mantenho minha afirmação de que as boas mães, incluindo as não biológicas, valorizam cada gesto, cada progresso, cada descoberta como se fosse o maior tesouro, o maior bem.

A maternidade traz sensações inéditas, quase impossível sair ilesa. Ela me trouxe o egoísmo da mãe do Cazuza, que em suma é : centralizar sua vida na vida do seu filho, nada mais importa, eu disse N A D A. O fim do mundo não é mais a roupa que você não tem, o cabelo desarrumado, ou o chefe mal humorado e sim o filho doente! Viramos segundo plano e não é tão ruim quanto parece. Ficamos uma noite em claro (no meu caso, várias) e quando o sol aparece, junto dele vem o sorriso do seu bebê. Que maravilha, já esquecemos das horas sem dormir!

Ser mãe é o que tem de melhor na vida, ainda mais eu que tenho o filho mais lindo do mundo!

P S: este texto foi escrito logo após o nascimento do meu filho, há pouco mais de dois anos. Relendo-o, revivo as mesmas sensações, me emociono e sinto saudade, mas percebo que não citei a minha admiração por mulheres que escolhem não ter esta experiência; pode parecer contraditório, no entanto, prefiro pensar que para fazer isto bem feito deveria ser pré-requisito ter o chamado “instinto maternal” . Será que temos que falar/escrever mais sobre isso?

Cláudia escreve esporadicamente

sexta-feira, 16 de março de 2012

Se Meu Fusca Falasse

É, meus caros e minhas caras; eu também, como tanta gente, tive um fusca. Foi meu primeiro, e, até agora, único, automóvel. Hoje não tenho nenhum, pois não sou de dirigir. Prefiro colocar o fone de ouvido e escutar minhas músicas, enquanto o motorista do ônibus se preocupa com o trânsito para mim. Pode ser que, algum dia, resolva ter outro carro, mas não por agora.

Bom, o fusca foi na época da faculdade, e era muito legal tê-lo. Passei muitos apuros com ele, perdi o freio algumas vezes; o cabo do freio-de-mão arrebentou uma vez; tinha sempre folga no volante; às vezes o banco do motorista corria para trás, e ficava preso, e eu me sentindo léguas distante do volante e dos pedais; e, às vezes o mesmo banco deslizava para frente, e eu ficava cara a cara com o para-brisa. Era uma emoção!

Certa vez, quando ia para a aula, desabou um temporal. Eu mal enxergava a frente, e não tinha como encostar o carro. Quando pensei que não podia piorar, o limpador de para-brisa do lado do motorista se quebrou e saiu voando... Aí eu não via mais nada mesmo! Tive que abrir a janela e dirigir até a faculdade com a cabeça para fora do carro, tomando aquela chuva, para poder enxergar o trânsito. Resultado: cheguei encharcada, e o banco do fusca também, e ainda teve colega de aula que fez hora comigo, pois passou por mim, de ônibus, e viu a cena!

Mas foi um período bom, com problemas e alegrias, como são todos, e com todos, e que é bom relembrar!


Mini-resumo: Tania gosta de relembrar histórias que fazem sorrir as pessoas. Afinal, a gente passa raiva com muita coisa, e é sempre bom parar para rir um pouco.

terça-feira, 13 de março de 2012

Pequena grande irmã

Ela tinha 6 anos quando nasci. Trocou minhas fraldas e já sabia fazer cafezinho. Ensinou-me a andar de bicicleta sem esfolar o queixo, fugiu de Morey no mar, pulou janela para eu não segui-la e abandonou-me para as festas quando a adolescência chegou.

E me deixou órfã.

Provou que cabelo tinha gosto ruim (grrrr), que os menores frascos têm as melhores fragrâncias, que mulher é elegante, tem estilo e se comporta em público. A ser forte e a acreditar em mim. A buscar meus objetivos com fibra e forca, mas sem cair do salto. A ser cuidadora, inteligente, articulada e politizada. A ser menos porto-alegrense (os gaúchos sabem bem o que isso quer dizer) e abrir meus horizontes. A ser vaidosa, mas não deixar a vaidade tomar conta de mim. A cuidar da beleza, mas também da psique e da espiritualidade. A ser super duper ultra. Uma baita pequena mulher.

Tu provastes que o caminho era longo, mas possível e ainda desfilou na passarela... Minha irmã maravilha!

E o fez sem ter ideia da influência que estava a ter na minha personalidade.

Tu és um orgulho pra mim (menos quando as pessoas acham que sou tua irmã mais velha).

Feliz aniversário. Te amo!


Lil não escreve há tempos. Sente falta do blog e quer voltar à ativa -
 em breve?

O destino dos sonhos

Dia desses reccebi um e-mail promocional de alguma empresa para a qual não passei meus dados, e para a qual não pedi para receber nada. Enfim, o título do e-mail dizia: Destino dos sonhos.
Nem abri para ver qual seria o destino dos sonhos, até porque cada um tem gostos e preferências próprias; e não tenho vontade nenhuma de conhecer os destino dos sonhos das massas. Nada contra, mas prefiro destinos não tão populares.
O engraçado é que, logo que vi o título do e-mail, pensei que era algo sobre “o destino dos sonhos”. Em para onde nossos sonhos vão. De onde eles vêm, a gente sabe. Vêm dos nossos medos e dos nossos desejos. São nossas aspirações nem sempre ditas e assumidas. São nossos fantasmas internos. Mas e depois? Será que eles somem? A gente para de sonhar porque resolveu? Porque superou? Ou porque surgiram coisas ainda mais preocupantes no caminho?
E para onde vão os sonhos que a gente tem para o futuro? As várias vidas que a gente vive na imaginação, no faz de conta, dentro da nossa cabeça. Viajando, sendo vários personagens. E um a um eles vão se despedindo. Para onde eles vão? Será que um dia encontraremos de novo aquilo que sonhávamos ser, e nos olharemos nos olhos? Será que sentiremos saudades desse algo que nunca foi, ou sentiremos alívio por termos nos despedido a tempo? Será que seremos amigos, um aprendendo com o outro?
Será que vamos nos reconhecer?
Qual será o destino dos sonhos?


Renata anda com a cabeça cheia de interrogações, o pé com bicho de pé, o estômago cheio de borboletas e o coração cheio de lágrimas contidas. Assuntos para os próximos textos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ar

Amaciar, amar, apalpar, bigodear, blefar, brocar, burlar, cabritar, carambolar, carnavalizar, cultivar, dar, disfarçar, embaçar, embalar, embromar, embrulhar, empepinar, encravar, enroscar, enrustir, falcatruar, fingir, fumar, galantear, gargarejar, habitar, honrar, iludir, ilusionar, juntar, justificar, lambuzar, ludibriar, marombar, meditar, mentir, mistificar, mocar, nadar, naturalizar, objetivar, organizar, paquerar, pulsar, rabiscar, rosquear, saculejar, saborear, saçaricar, tapear, trair, uivar, viajar, ventilar, verdejar, voar, zarpar.
Mariana escreve esporadicamente, gosta de brincar com as palavras, não tem nenhum problema respiratório mas está com uma leve falta de ...ar!

terça-feira, 6 de março de 2012

Butanding

Minha vida é surreal. Não tenho certeza se é só minha percepção, ou se ela realmente é. Pra mim, minha vida é super surreal. E recentemente tive a oportunidade de fazer a coisa mais surreal de todas: snorkel com tubarões-baleia!
Esses peixes, não por acaso chamados de "gigantes gentis", podem chegar a medir 18metros, pesar mais de 40 toneladas e viver mais de 100 anos! Eles são lindos, elegantes, encantadores e, sim, gigantes! 
Em Donsol, Filipinas, há um local onde você pode fazer a chamada interação com os tubarões baleia, de dezembro a março, quando eles aparecem por lá, atraídos pela disponibilidade de alimentos. Assistimos um vídeo sobre o animal, seus hábitos e recomendações para a interação, tanto pela segurança dos turistas quanto pela segurança do bicho. Fomos de barco, com um guia super experiente. Quando havia tubarões-baleia por perto, ele dizia: Get ready! Nós vestíamos nadadeira, máscara e snorkel e sentávamos na borda do barco! Muita gente fazia o mesmo, em diversos barcos. No começo foi até difícil nadar por causa de tanta gente concentrada em cima do bicho! Depois, nos afastamos e encontramos nosso próprio tubarão-baleia (butanding, como é chamado por lá)! Ao cair na água, estava na frente da boca imensa dele! Mesmo sabendo que ele só come plâncton e pequenos peixes, a boca gigantesca dele vindo aberta na minha direção foi incrível!
Fiquei boiando, e tive que encolher as pernas para não tocar no corpo dele (apesar de ter curiosidade, era norma, e serve para tentar reduzir o stress causado pelos turistas). Ele nadou por baixo de mim, com movimentos lentos mas se deslocando muito rapidamente. Após ver todo o corpo imenso daquele animal maravilhoso, nadamos, eu e o guia (minto, o guia nadou por nós dois e me levou...) ao lado do butanding, e pude olhar no olho dele!
Até mesmo ver ele nadar para o fundo, até que seja possível só ver as manchas brancas que ele tem no dorso, e depois sumir por completo, é impressionante! Fizemos umas sete ou oito interações, e meu dia ficou completo quando o guia disse que eu estava atraindo os peixes para ele!
Tudo foi impressionante! Os gigantes gentis são lindos!
Mas também é impressionante que a caça só tenha sido proibida em 1998, nas Filipinas! E que se saiba tão pouco sobre eles. por exemplo, sobre essa população de Donsol, na qual mais de 300 indivíduos já foram reconhecidos, não se sabe de onde vem e para onde vai no resto do ano. O quanto a humanidade não sabe é também impressionante.

Renata gostaria que todos tivessem oportunidade de interagir com seres vivos muito massa! Mesmo que eles não sejam tubarões-baleia: podem ser cachorros, gatos, aves, peixes, plantas, invertebrados...até mesmo, outros seres humanos! Também pode ser impressionante!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Escute!!!

Eu fico abismada com o quanto algumas pessoas não escutam! Falam, falam, falam; param só para respirar. Se você se aventurar a tecer algum comentário (qualquer que seja) nessa pausa feita apenas por necessidades fisiológicas, a pessoa vai impacientemente (e isso no melhor dos casos) esperar você acabar para emendar sem nenhuma pausa a conversa. Dela, é óbvio.
Um monólogo protagonizado por duas pessoas. Que poderia ter como interlocutor uma árvore, uma mesa, uma garrafa, e o efeito seria o mesmo.
Tenho cada vez mais preguiça de gente assim. Acho até que já escrevi sobre isso no blog, mas na falta de alguém que escute esse desabafo (de verdade, sem ficar esperando acabar para engatar a história da prima da cunhada da vizinha da secretária do destista que uma vez...), sobrou para vocês, leitores!
Peço encarecidamente que prestem atenção nas conversas que andam tendo, e vejam se são conversas ou se são dois monólogos com pausas coordenadas como um jogral. Conversar – ouvir e falar – faz bem à saúde. O resto você pode fazer com o espelho, uma árvore, uma mesa ou uma garrafa.

Renata acha que ouvir é parte essencial de uma conversa. Mas se sente minoria nessa opinião.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As pequenas coisas

Gosto muito de observar as pessoas. O jeito que se vestem, gesticulam, como mudam o tom de voz e a postura frente a determinada situação. Como coram ao se envergonhar (coisa cada vez mais rara).
E gosto de observar não os discursos inflamados nem os grandes gestos. Isso não é autêntico. O que mostra mesmo a essência da pessoa são os pequenos gestos. Aqueles praticamente automáticos. Que são naturalmente inerentes à pessoa, e os quais muitas vezes ela nem percebe.
Admiro que sempre guarda papéis na bolsa ou no bolso, para não jogar na rua, por exemplo. Admiro quem cede o lugar no ônibus. Admiro quem dá sua mesa no restaurante a uma mulher com criança de colo. Admiro quem se preocupa com animais e plantas, em pequenos gestos do dia a dia.
Admiro, sobretudo, quem acha que esse tipo de atitude é natural, que não precisa fazer santinhos e distribuir por aí dizendo: eu sou um cara legal!
Admiro que o é por essência, e não por publicidade.

Renata anda com a cabeça a mil com coisas da vida, mas não deixa de observar as pessoas. E está muuuito feliz porque a filhota é bixo numa federal!!!!!! \o/

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Era pra ser

Era pra ser uma carta de amor. Era um pacote de mil fatias de cebola picadas – como fazia lacrimar! Era uma coleção de vírgulas e reticências, o avesso inteiro de um coração, um alagamento irreversível de sentimentos - jorrava, pingava, molhava. Era um buquê de palavras, um contrato entre os países da alma, um frasco inteiro de paz. Era uma verdade bruta feito diamante, uma compota de suspiros. Era pra ser uma carta de amor, mas não saiu uma palavra se quer.

Mariana escreve esporadicamente, ainda sem coragem de dizer o que sente a quem nem sonha saber ser remetente.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mancada no serviço

Quem me conhece sabe que, vira e mexe, dou uma mancada, e, para não piorar as coisas, eu mesma a conto, fazendo graça, e aí vira piada. No serviço isso também já aconteceu.
Certa vez, quando trabalhava no setor administrativo de uma empresa, o telefone tocou logo cedo, e eu atendi. Ouvi uma voz sussurrando meu nome, mas a pessoa não se identificou.  E, achando que era alguma colega me passando um “trote”, fazendo hora com a minha cara, também passei a conversar aos sussurros:
_Alô. – sussurrou a pessoa, sem se identificar.
_Alô. – retribuí, também aos sussurros, pensando tratar-se de uma brincadeira.
_Tania? É você? – continuou sussurrando a pessoa não identificada.
_Sim, sou eu. – murmurei baixinho de volta.
_Está tudo bem aí, no serviço? – a voz sempre baixa.
_Está. – e eu mantendo o sussurro...
Essa conversa demorou uns poucos minutos, mas sempre em tom quase inaudível, e eu pensando ser brincadeira de colega.
Depois de um tempo, vem a bomba:
_Então está bem. É a sua supervisora. É que estou rouca, e não estou passando bem. Telefonei para ver se aí está tudo em ordem, pois não poderei comparecer ao trabalho hoje.
E eu, já voltando ao tom de voz normal, tentei responder com a verdade, já que não havia mais o que dizer.
_Ah, me desculpe, é que achei que fosse alguma colega brincando comigo.
A história passou, e isso tem alguns anos. Não ficou ressentimento por parte de minha supervisora, que sempre me lembra desse ocorrido, rindo muito da minha mancada!

Mini-resumo: Tania sempre passa alguns apertos assim, porque leva as coisas na brincadeira, até no serviço. Mas acaba fazendo grandes amizades assim também!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Momento desabafo

Sabe aqueles momentos em que você gostaria de ter à mão um relógio do tempo? Sim, daqueles de histórias encantadas mesmo. Com um relógio desses eu daria corda ao contrário e faria o tempo voltar alguns dias ou meses... Ou, melhor ainda, faria o tempo parar para que eu pudesse terminar tudo o que tenho p/ fazer...
Estou, como costumamos dizer aqui no RS, na capa da gaita. (Para quem não sabe, isso é o mesmo que dizer que estou, literalmente, acabada, um bagaço, com um pé na cova, virada do avesso e por aí vai...)
Minha média de sono tem sido de 3 a 4 horas por noite, no máximo. E não é que eu não sinta sono ou cansaço, não. Simplesmente não consigo mais dormir. A cabeça fica trabalhando a mil por hora. Então, resignadamente eu levanto, ligo o computador e escrevo minha dissertação. Tem sido assim nos últimos meses.
Férias? Nem sei o que é isso...
Mas, por incrível que pareça, eu até que tenho administrado relativamente bem esses “detalhes”.
O problema, mesmo, é lidar com a cobrança e falta de compreensão dos amigos.
É extremamente irritante ouvi-los reclamar o tempo todo do quanto eu ando sumida, do quanto eu supostamente deixei de valorizar a amizade, do quanto eu não me importo com eles e  blá-blá-blá whiskas sachê...
PQP!!!
Será que é tão difícil assim entender que estou enlouquecida com o prazo de entrega da minha dissertação de mestrado?!?
É mesmo necessária chantagem emocional do tipo:
“Nem parece que vc se importa comigo, afinal nem liga mais...”.
"Mas como assim você não tem um tempinho p/ irmos tomar um café??? Vou ter que marcar horário com quantos meses de antecedência?”.
“Será que vc ainda vai lembrar o caminho aqui p/ minha casa quando resolver visitar os pobres?”.
“Quem sabe você consiga me visitar antes que meu filho/filha complete quinze anos, né? (sendo que o respectivo filho/filha é ainda um bebê!!!)”.
“Mas será que se eu morrer vc conseguirá tirar umas horinhas para ir ao meu velório ou nem p/ isso vc teria tempo?”
Afff! Pelamor!
Sinceramente, é só mesmo porque amo muito meus amigos que não os mando tomarem lá, sabe?
Tenho que morder a língua, contar até 10, respirar fundo e explicar, pela enésima vez, que estou sumida não porque eu não queira lhes ver e sim porque, momentaneamente, eu NÃO POSSO MESMO!!!

Déia escreve aos domingos e anda irritadíssima com a falta de compreensão que origina esse tipo de cobrança e já vai logo avisando aos amigos queridos que parem de fazer chantagem emocional se não quiserem ouvir um belo e sonoro palavrão!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sem KY não dá!!

Sou uma leitora voraz. Desde que fui alfabetizada leio tudo que me cai às mãos. E a Playboy não seria uma exceção. Li todas as Playboys dos últimos onze anos, absolutamente todas. Gosto muito, mas nem sempre alguma coisa fica na memória por mais de uma semana. Aconteceu apenas duas vezes: um artigo do Lusa Silvestre entitulado “A Mulher Para o Resto da Vida” e um epíteto que saiu na edição deste mês:  
“O PROBLEMA DA VIDA É QUE ELA NÃO VEM COM KY.”
 
De fato. E que triste. Seria bem mais prazerosa a vida se ela fosse mais fácil. Não que não seja, mas há momentos em que um amortecedor cairia bem.

Os leitores mais frequentes do blog já devem estar acostumados aos meus textos-crise. Bastante comuns, aliás, uma vez que crise é meu sobrenome. Mas minha vida é bastante engraçada, cá entre nós. Vivo rindo, me divertindo, mas nem por isto eu deixo de passar por momentos em que eu merecia um tubo de KY! Aí, colegas, num primeiro momento, não tem como rir, não é mesmo?

Outro dia estava conversando com minha mãe. Ela estava preocupada porque meu irmão passou no vestibular pra um curso de tecnólogo e acho ela estava meio frustrada por ele não estar estudando em uma escola tradicional. Minha idéia era consolar minha mãe, fazer a ficha dela cair porque, afinal, o curso que ele escolheu é uma profissão mais moderna e acaba que as escolas muito tradicionais investem mais em cursos mais reconhecidos.

Mas a conversa foi mudando de rumo e, papo vai, papo vem, ela acabou soltando que eu realmente já tinha dado carada demais pra minha “pouca” idade. Que tinha me desiludido cedo demais com coisas com as quais todo mundo se desilude. Só que aos 45, 55, 70 anos e não aos 25, como aconteceu comigo. Acho que minha mãe se preocupa comigo mais do que eu gostaria de acreditar... Muito constrangedor isto!!

Enfim, continuo dando minhas caradas por aí. É o que acontece quando a gente não tem muito medo de se arriscar. As caradas são consequências das nossas escolhas, sabem, o que não quer dizer que as escolhas foram equivocadas. Entre escolher e colher frutos das escolhas sempre decorre algum tempo e aí, minha amiga, muita água pode rolar por baixo da ponte.

Não tenho medo de viver. Não tenho medo de me arriscar. Já tive menos medo, mas continuo uma pessoa de peito aberto. Bem corajosa para enfrentar desafios e buscar a realização de sonhos. Acho que a gente tem que continuar destemida, sabe. Só que agora, quase completando trinta e cinco anos, andei mudando um pouco de idéia. Continuo me arriscando a dar umas caradas. Mas, sinceramente?! Tô ficando fresquinha rsrs Sem KY não dá!!!


Laeticia está cada vez intrigada com a vida, com suas escolhas, suas razões e suas consequências. Só que agora, prefere isso tudo com amortecedor traseiro!!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O ladrão mal educado

Hoje comecei a refletir a respeito da enorme quantidade de gente mal educada que tem nesse mundo...
É impressionate!
E elas estão por toda parte: no trânsito, no supermercado, no trabalho, na escola, na faculdade, na vizinhança, na farmácia, no comércio, nos consultórios médicos e odontológicos e por aí vai.
A lista é quase infinita.
E, geralmente, a pessoa mal educada sempre acha que está certa, que tem "toda a razão".

Dia desses fui em um mercado aqui da minha cidade que, às quartas-feiras, realiza uma promoção de horti-fruti. Obviamente o mercado lota. Um horror!
Pois eis que calhou de eu precisar fazer umas compras exatamente nesse dia e, como o dito mercado é super perto de casa, decidi ir, mesmo sendo a "quarta-feira dos horrores" (leia-se das promoções).
Entrei no mercado já conformada com a muvuca infernal que teria que enfrentar e me dirigi ao local onde ficam "estacionados" os carrinhos de compras.
O mercado estava lotado e tinha apenas um carrinho disponível. Fiquei feliz com minha sorte e já estava estendendo o braço para pegá-lo quando simplesmente fui fortemente empurrada para o lado por um indivíduo grandalhão que, sem a menor cerimônia, resolveu "descartar a concorrência" me dando um baita encontrão(!).
Pois o dito cujo nem se deu ao trabalho de se desculpar. Simplesmente pegou o carrinho que estava quase em minhas mãos e saiu como se não tivesse acontecido coisa alguma!!!
E eu fiquei lá abobalhada olhando ele se afastar, sem realmente acreditar que tal coisa grotesca tivesse realmente acontecido...
Claro que depois que eu me recuperei da surpresa fiquei louca de raiva. Não por causa do carrinho, obviamente, mas por conta da falta de educação dele.
Onde já se viu dar um empurrão em alguém para roubar um carrinho de supermercado?!?!?
E a cara de paisagem do indivíduo??? Quer dizer, o tipo chega no mercado lotado, empurra um mulher com pelo menos uns 20 cm a menos do que ele, rouba o carrinho que ela ia usar e ainda sai com uma  poker face digna dos melhores memes da web?
Simplesmente inconcebível!
E, pasmem, o cara aparentava, pelo menos, uns 40 anos! Não era nenhum adolescente porra louca!!!
Afff...

Parece que as pessoas mal educadas (e sem noção!) estão realmente conseguindo dominar o mundo.  'o'

Déia escreve aos domingos e lamenta ter ficado tão chocada com a atitude do sujeito que nem se lembrou de revidar com, pelo menos, um chutezinho na canela... ;)



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carta Aberta à Andreia


Andreia,

Sei que não é consolo, mas cá estou eu, com quase 35 anos, um curso de Direito e uma especialização em Ciências Penais pela PUC Minas nas costas, fluente em três idiomas, cursando um MBA na FGV e cadê realizações concretas?!! Também me sinto imensamente frustrada, não sou a profissional de sucesso que muitos professores profetizaram, não prestei concurso público como outros professores insistiram, não segui a carreira acadêmica, não fui uma grande advogada, não conheci o mundo todo e todo mundo, me casei, mas não quero ou tenho medo de ter filhos.

Hoje trabalho em uma construtora como supervisora comercial. Há dias em que tenho vontade de me jogar no Ganges!! Como hoje, por exemplo. Mas nem à Índia consegui chegar. Durante os últimos quatro anos trabalhei como corretora. Ganhei dinheiro? Sim, ganhei. E bem mais do que quando advogava. Mas minha vida parece acontecer em círculos. Trabalho, trabalho, mas não consigo “acumular” nada. Não tenho um carro quitado, não tenho um apartamento. E não tenho prespectiva de ter. Até hoje não descobri em quê eu gostaria realmente de trabalhar. Aí vou vagando sem rumo por aí. Não sou preguiçosa, nem tenho vocação pra viver às custas dos outros. Por isso trabalho muito, mas em áreas que não significam muito, ou nada, pra mim. Vejo minha irmã mais nova e muitas vezes me pego pensando onde foi que errei. A menina sabe o que quer desde nova: dizia que queria ser professora. O primeiro emprego de verdade da vida dela é ser professora concursada na UFMG. E eu nem sei o que quero fazer da vida!!! Fico me sentindo uma verdadeira fraude. Não serei hipócrita com você: sei que sou muito inteligente e mais capaz do que a maioria das pessoas. Mas isto até hoje não me garantiu um lugar ao sol, a despeito dos meus mais verdadeiros esforços. Chega a ponto da minha mãe que tem pavor de gente vagabunda me dizer que preciso parar de trabalhar um pouco. Acho que fico me escondendo no trabalho, mesmo que eu não me satisfaça com ele. Aí, quando fico meio à toa, como tenho ficado desde setembro, não há como me esconder das minhas frustrações. Ultimamente tenho me sentido um lixo. Esta é a realidade.

Verdade que tive uma sorte na vida: eu encontrei um grande companheiro. Impressionante como pode um cara apoiar tanto uma pessoa tão instável e passional como eu. E tenho me sentido mais instável a cada dia que passa. De tanto quebrar a cara, acabei perdendo um pouco da minha auto confiança. Engordei pra burro (só 15 quilos) e estou pastando, quase que literalmente, pra tentar voltar ao normal.

Mas quando paro pra pensar friamente, evento raro na minha vida, vejo que sou muito feliz!! Sim!! Pode parecer incrível, mas sou feliz. A felicidade não é uma constante, sabe. Quero dizer, pra ser feliz a gente não tem que ser a melhor profissional, ter o melhor carro, apartamento, ser independente financeiramente, estar acompanhanda, ter filhos, cachorro e se sentir num comercial de margarina, tudo ao mesmo tempo e agora. Porque tudo ao mesmo tempo e agora nem o Jim Morrison deu conta! E não há nenhum motivo pra eu acreditar que eu sou mais intensa do que ele. Não quero morrer jovem. Quero viver muito! Então acho que preciso viver um pouco menos acelerada, quase em slow motion mesmo. Mas também não quero ser igual àquela coitada da propaganda da Renault que tudo que ela queria, não conseguia, mas tinha sempre uma alternativa piorzinha “que tudo bem”. Cá entre nós, tudo bem o caralho!! Minha vida não é o comercial da Pepsi!! Mas já sei que eu não vou conseguir ter tudo, ser tudo, viver tudo. Porém, tenho muito: muito amor, amizade, ombro amigo, companheirismo, compreensão, alegria, risadas, gargalhadas indecentes, quase pornográficas. Sou muito: passional, alegre, feliz, emputecida com muita coisa, revoltada com outras, e eternamente insatisfeita. Vivo muito, mas cada vez mais um dia de cada vez. E então tudo bem de verdade.

A vida é feita de escolhas e acabo de me dar conta de que vivo a vida que escolhi. Se eu não tivesse me casado, certamente teria me jogado no mundo, viajaria mais, viveria em outros países, conheceria outras culturas, continuaria magra e linda. E viveria pensando no amor que teria deixado pra trás, nos cachorros que não teria tido, na pouca importância que a magreza e a beleza física têm no frigir dos ovos. É, amiga, a vida não é mole não... A gente não pode se dar ao luxo de viver pensando “what if”, senão a gente endoida. Seja você mesma, viva cada momento devagarzinho, saboreie, não tenha medo de errar. Não deixe nada mais para depois. Aos quase 35, o depois me parece muito assustador. Enfim, viva, porque no final das contas, somos o resultado das nossas experiências e seremos muito amadas assim, do nosso jeito.
 
Laeticia é solidária à Andreia e entende perfeitamente o que ela está sentindo.

Feliz coincidência pra você!

Hoje, por uma grande coincidência, encontrei um bilhetinho de uma amiga querida dizendo:
“A coincidência é a presença discreta de Deus...”, de Joanna de Angelis. 

Incrível como a vida parece ser, mesmo, um empilhado aparentemente aleatório de coincidências. Mas quando a gente se afasta um pouquinho, e olha pela lente da humildade, vê que elas estão encaixadas perfeitamente, como um Lego, formando toda a nossa existência.
Arrogantes somos quando pensamos que podemos controlar muita coisa. Devemos achar mais do que suficiente quando conseguimos controlar nossas próprias ações. E felizes somos quando aceitamos a generosidade do Universo que nos presenteia com imprevisíveis coincidências, construindo nosso caminho, passo a passo.

Renata deseja que todos consigam ver as surpreendentes coincidências que nos são generosamente oferecidas todos os dias!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Desejo que você

Desejo que você...

Levante a cabeça, encare a vida e não tenha medo de vivê-la.
Aliás, desejo que você encare o medo nos olhos, estufe o peito e siga sempre em frente.
Não existem tempestades as quais não sobrevenha a calmaria.
Não existem caminhos livres de acidentes.
Só é digno da vitória quem não se acovarda diante das dificuldades.
Portanto, abandone a postura de vítima, aproprie-se de sua vida e lute por aquilo que deseja.

Déia escreve aos domingos e deseja a todos uma "inundação" de coragem...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sons da noite na cidade

"Na madrugada silenciosa
ouço passos ao longe
gritos de pavor
soluços de desespero
gargalhadas de insanidade
um estampido surdo...
e um cheiro fétido
se espalhando pelo ar..."
(escrito por mim em novembro de 2005)

Déia escreve aos domingos e hoje acordou sentindo-se um tanto quanto macabra...
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