segunda-feira, 25 de março de 2013

“Boa Ventura!” Boa Leitura!


E, finalmente, depois de passar raiva com os “Cinquenta Tons de Cinza”, consegui ler um livro, que também ganhei, muito bom mesmo! “Boa Ventura. A Corrida do Ouro no Brasil (1697-1810)”, de Lucas Figueiredo. Como diz o título, o livro trata do período da descoberta do ouro no Brasil, de como essa descoberta gerou uma verdadeira corrida pelo metal no interior da colônia, e dos resultados para a Coroa Portuguesa. 

O autor é jornalista, e o livro, uma narrativa histórica, muito bem pesquisado, e escrito de forma fácil, tornando a leitura dinâmica. Tem muito mérito, uma vez que o tema é difícil, e são muitos fatos, personagens e datas que marcam a época dos bandeirantes e da mineração no interior do Brasil. 

Além disso, é muito interessante como o autor narra a busca incessante pelo ouro, por parte da Coroa Portuguesa, sabendo da existência de metais preciosos na América espanhola, e acreditando que seu pedaço de terra também deveria ter tais riquezas. No desenrolar da história, observa-se a verdadeira loucura pela descoberta do ouro, o anúncio da descoberta, dois séculos depois da chegada de Cabral ao Brasil, a cobiça pela extração do minério, a conquista pelo território da atual região de Minas Gerais, e, posteriormente em Goiás e no Mato Grosso, os problemas enfrentados pelos bandeirantes, a fome, as doenças, os índios e os animais selvagens, e toda a violência que a corrida do ouro causou. 

Depois disso tudo, vem a cobrança dos impostos pela Coroa, e o consumismo desenfreado da nobreza portuguesa, com seus gastos supérfluos e absurdos. E as dívidas que cada rei deixava para seu sucessor, por haver gasto demais, acreditando que o ouro de aluvião, mais fácil de extrair, nunca iria acabar. O livro mostra o comportamento da Coroa portuguesa, que nunca pensou em diferentes formas de extração dos minérios, nem em investir seu dinheiro em fábricas, em desenvolvimento para Portugal. 

Assim, além de ser uma ótima narrativa histórica, o livro é também uma denúncia ao comportamento consumista, culturalmente arraigado em nossa sociedade, que continua gastando tudo o que recebe, achando que no próximo mês tem mais salário para torrar, num consumismo desenfreado. Vale a pena ler! 





Mini-resumo: Tania gosta de bons livros, com conteúdos interessantes, que acrescentam algo a quem os lê. 

domingo, 24 de março de 2013

O Novo

Aprecio minha condição de ser inacabado.
Aprecio a possibilidade de me transformar todos os dias.
Acredito que uma das melhores coisas da vida é a emoção do novo: um novo olhar, um novo sorriso, um novo abraço, um novo afago, um novo sabor, uma nova música, uma nova paixão.
A descoberta do novo é o que enriquece o caminho.
Não quero me transformar em um "ponto final".
Meu eu é composto de exclamações e reticências...

Déia escreve aos domingos e está sempre de peito aberto para que o novo entre em sua vida.

terça-feira, 19 de março de 2013

Recado do Universo


Hoje acordei às 6 da manhã (leia-se de madrugada), disposta a ir caminhar antes do trabalho. Bom, não tão disposta, pois fiquei 40 minutos exercendo meu direito (e vício) de usar o soneca, e tendo sonhos de 5 minutos cada, sobre estar caminhando, saúde, ver o mar, etc...

Consegui levantar, me vesti de qualquer jeito, acho que prendi o cabelo, catei o cachorro e fui. Uma quadra depois, já me sentindo quase acordada e orgulhosa de mim, chove. Tipo, uma baita pancada de chuva.

Me abriguei num único telhadinho do Grauçá, e ficamos, eu e o Piá, esperando a chuva passar. Aí chega a irmã gêmea separada ao nascer do Piá, a Manjuba! Os dois brincam, se mordem, se derrubam, e eu segurando o Piá, porque senão eles somem pra sempre.

Tento colocar a Manjuba pra dentro de casa, e ela foge quase instantaneamente (perceberam a semelhança com o Piá?), e ela acaba indo pra casa comigo. E, desnecessário dizer, a chuva parou no momento em que entrei em casa.

Resumo: antes do trabalho eu já tinha tomado banho de chuva, de areia, tinha sido arrastada por dois cães malucos na rua, suado e, no final do banho, fui pra rua de toalha tentar ajudar a resgatar a Manjuba que obviamente, fugiu, e tive que tomar banho de novo! Como tinha acordado cedo, fui tomar café em casa e derrubei um vidro de AZEITONAS na geladeira! Limpei tudo, mas é claro que a casa vai ter um cheirinho sutil de azeitonas quando eu chegar.

Sério, Universo, é assim que tu me incentivas a ter uma vida mais saudável?!


Renata entendeu a mensagem: dormir até o limite, tomar banho rápido e sair sem tomar café. Esse é o jeito mais seguro de começar os dias!



terça-feira, 12 de março de 2013

Uma coisa por vez


Às vezes, tenho esse sonho maluco, de poder fazer uma coisa por vez. Sem essa loucura de vida multivariada, multifacetada, que atropela a gente. De novo a sensação de levar caldo no mar bravo, e se preocupar apenas em achar umas oportunidades de respirar. Ficar de pé, por o biquíni no lugar, arrumar o cabelo, tudo isso é secundário. Sobreviver é essencial.

Agora mesmo a vida é um caleidoscópio, que gira sem parar, e mostra um pouco de muitas facetas, hora uma em evidência, hora outra. Cacos e reflexos que vêm e vão num ritmo sem compasso.

Sonho em poder dar atenção e me dedicar às coisas que não são urgências, como tem sido. Em poder amar, trabalhar, conversar, chorar, estudar, seja o que for, plenamente.

Essa sensação é um alerta de que a vida está muito complicada. Bem a sensação de que estou sendo puxada pra baixo, com peso demais. Está na hora de me livrar da bagagem extra, de tudo o que não preciso, e deixar a vida mais leve.

Renata pede que desejem sorte, ela vem exercitando o desapego, mas ainda assim há peso demais.


domingo, 10 de março de 2013

A impermanência da vida...

A vida (felizmente!) é composta de ciclos.

Curiosamente, porém, apesar de sabermos perfeitamente bem disso, estamos sempre tentando (em vão) atingir a suposta permanência. 

Desejamos vorazmente que as coisas permaneçam, que os bons momentos permaneçam e - utopia das utopias - que as pessoas permaneçam.

Raras são as pessoas que permanecem.

A maioria segue seu rumo, esbarrando em tantas outras pessoas, desbravando novos caminhos...

O filósofo grego Heráclito, em meados do século V a.C., já dizia que "tudo flui, tudo se transforma continuamente". Não há nada fixo, nada estático. Estamos em constante devir, em constante mutação.

Ora, soltemos, então, as amarras que nos prendem à ilusória sensação de estabilidade e permanência.

Deixemos livres aqueles que, por ventura, tenham cruzado nosso caminho, para que possam partir rumo ao novo, rumo ao desconhecido.

Abracemos, pois, a vida com toda sua inconstância e instabilidade.


Déia escreve aos domingos e, embora às vezes sinta um pouco de medo, sente-se feliz pela impermanência da vida.

domingo, 3 de março de 2013

Estupidez humana elevada ao infinito

    Parece que estamos chegando, enfim, ao ápice da imbecilidade humana!
    Que me perdoem aqueles que acham cool, mas fiquei simplesmente embasbacada quando um aluno me mostrou um vídeo de uma "dança" que virou febre viral na internet, o "Harlem Shake".
    Ao som da música "Harlem Shake", da autoria do DJ Baauer, e da frase "Then do the Harlem Shake", pessoas fantasiadas (ou não) começam a realizar movimentos frenéticos, aleatórios e descompassados, na maioria das vezes com conotação sexual.
    A suposta "dança" começa com uma única pessoa fazendo tais movimentos nonsense, então surgem mais pessoas para complementar a palhaçada toda. E, a cada dia, mais e mais vídeos dessa porcaria aparecem pela net...
    Juro que fico chocada com a facilidade com a qual as pessoas se deixam envolver e massificar por bobagens como essa...
    E para aqueles que não tem a menor ideia do que é isso que me causou tanto espanto, deixo um video que (infelizmente) foi feito aqui na minha cidade:


 
    E então? Será que ainda é possível piorar?  

    Déia escreve aos domingos e, infelizmente, está começando a acreditar que os imbecis vão dominar o mundo...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Mergulho No Vazio...

A Menina tinha momentos de sentidas ausências.
De profundo vazio.
De incólume tristeza.
Os olhos perdiam-se em um ponto qualquer, entregues a alguma misteriosa lembrança.
Ninguém ousaria importuná-la nesse momento.
Nada poderia ser feito por ela.
Seria necessário aguardar que tal momento, de profunda introspecção, se esvaisse.
Até o instante em que um suspiro profundo, saído das entranhas da Menina,
Arrancasse-a das profundezas de sua tristeza.
 
 
Déia escreve aos domingos e tem, frequentemente, dado tais mergulhos no vazio da própria existência.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cinquenta tons de rosa

Ganhei no Natal, de Amigo Oculto (mas acho que foi de Inimigo Declarado) o livro “Cinquenta Tons de Cinza”, de E. L. James. E, pra piorar, a pessoa que me deu o livro, ficava sempre me perguntando se eu já o tinha lido, se estava gostando, etc. E dizia que ela adorou, e que eu iria adorar! Aí tive que ler o tal livro. Não gostei. E me desculpem as pessoas que gostaram do livro, que sei que são muitas, pois andei perguntando para outras amigas, que também o leram, e algumas leram toda trilogia, e adoraram! Mas eu não gostei mesmo! 

Acho que está mais para “50 tons de rosa”! Sim, porque o livro é um romance, não é erótico, é infantilizado, e quem tem problemas é a Anastasia (Que poderia se chamar Anestesia, alter-ego da autora), que quer mudar o Christian Grey, que é o “Cara” da música do Roberto Carlos, que, por acaso não existe! Ah, e o “Cara” da música é um controlador, possessivo, que ninguém iria aguentar conviver. Afinal, “o cara que pensa em você toda hora, que conta os segundos se você demora...”, ninguém merece. Vê se eu vou suportar um chiclete desses, me dizendo que me atrasei para o encontro?!?!?! Ah, não dá.... 

E a mulherada achando que esse conto de fadas, parecendo novela de televisão, em que as pessoas sofrem, e no final (dos três livros), provavelmente serão felizes para sempre, isso é lindo, e erótico?!?! Nesses “50 tons de rosa” eu vejo uma mulher que se porta como pré-adolescente, que acha que o estilo de vida do cara é uma doença, e quer mudá-lo de todo jeito. E o pior, ela consegue!!!!!! Acho que então sou eu quem não sabe o que é erótico e sensual. Com toda sinceridade, prefiro, até porque gosto mesmo deles, livros de Jorge Amado e de Nelson Rodrigues. 

Eu, com meus cinquenta tons mais ácidos, achei o livro cansativo, chato, e as cenas de sexo são descritivas demais, ao extremo. Isso não é sensualidade, nem erotismo. E ainda podem confundir a cabeça de muita mulher que acredita que relação dominador-submissa é isso. Isso é romance, e não bem escrito. E não vou ler os outros dois livros. 

Francamente, e a gente ainda fala mal dos livros de Paulo Coelho! Sei que são literaturas diferentes, e nenhuma delas é realmente bem escrita, pois o intuito é vender muito, e não escrever bem. Entretanto, pelo menos Paulo Coelho não se propõe a escrever uma coisa e faz outra. Além disso, infelizmente, o brasileiro tem mania de exaltar o estrangeiro, e falar mal do que vem da nossa terra. Best-seller por Best-seller, prefiro “O Monte Cinco”! 






Mini-resumo: Tania se preocupa com essa indústria cultural, que inventa modas, e não se preocupa com o mínimo de qualidade.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Foco na Missão



Dentista, RPG, acupuntura, ioga, mamografia, conversar com a chefe. Voltar pra natação, cortar o cabelo, cuidar da alimentação, vermífogo do cachorro, levar vitrola pro conserto. Replantar uns vazos, semear umas sementes, pintar as paredes da casa, manutenção do minhocário, consertar vazamentos no banheiro, cozinha e tanque.

Finda o carnaval, começa o ano. Recomeço da rotina, se reinventando e levando comigo o amor e a leveza vividos nos dias de folia!



Mariana ama carnaval, mas acabada a folia é hora de concentrar e retomar a vida real. Axé pra todo mundo! 



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Silêncio


Existem dias em que a tristeza parece que vai tomar conta de nós...
Segunda-feira, dia 11/02 foi um desses dias. Minha mãezinha faleceu e eu estava ao seu lado, segurando sua mão.
(Ela estava hospitalizada desde o dia 31/12. Tinha câncer no cérebro.)
Curiosamente, instantes antes de seu falecimento, eu estava lendo o seguinte poema de Mário Quintana:

Silêncio
"O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca (num aquário)
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios...
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso...
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro..."

Ao término da leitura, imediatamente me identifiquei com o poema. Em pleno carnaval, com toda a esfuziante alegria colorida, eu estava olhando minha mãe se degenerar em vida... Mal eu havia começado a digitar o poema no Facebook, levantei os olhos e percebi que o momento de sua partida estava chegando. Imediatamente pulei de onde estava e, juntamente com meu esposo, seguramos sua mão até que partisse.
Foi um dos momentos mais tristes da minha vida...
Nunca um poema conseguiu expressar de maneira tão perfeita meu sentimento.
O silêncio e o vazio tomaram conta de tudo.

Déia escreve aos domingos e ainda está tentando, de alguma maneira, preencher o vazio deixado pela partida de sua mãezinha querida...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Meu banheiro de verão


Diferente do que muitos pensam, faz muito calor em Belo Horizonte. E, com o passar do tempo, o desmatamento, o aumento das áreas urbanas, aqui ficou ainda mais quente. Temos períodos em que ainda faz um friozinho, mas nada parecido com a fama que a cidade tem de ser um lugar mais arejado. Já foi. Faz tempo. Hoje a variação climática aqui é quente, mais quente, e tórrido!

No período de outubro a março, mais ou menos, estamos na estação tórrida! E, como moro em um prédio abafado de calor; onde a única vantagem é que a roupa seca assim que é colocada no varal, faça chuva ou faça sol; o banho é sempre com água muito quente. E, não sei se por motivo da fiação elétrica, da localização do cômodo, ou do modelo do chuveiro, mas o banho no banheiro do que seria a Dependência de Empregada (que se transformou em despensa) é sempre menos quente, e, portanto, mais suportável. Ainda que este banheiro seja naquele modelo em que não podemos abrir os braços (imagino que empregada doméstica era apenas um robozinho de pequenas proporções, e não um ser humano, pois nem caberia no quarto, nem tem espaço no banheiro!), é lá que tenho tomado banho nos períodos mais quentes do ano.

Assim, como não tenho jardim de inverno, como as pessoas chiques, pelo menos fiz do banheiro de empregada o meu banheiro de verão!



Mini-resumo: Tania gosta de banhos em temperaturas brandas, sem queimar a pele, principalmente quando faz muito calor.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Meu coração amanheceu pegando fogooo!



Domingo.
Rua deserta.
Cidadão se aproxima cambaleante com efeitos de sua bebida "doragêlo".
Silêncio.
...e de repente ele me olha e me diz: " ôoooohhh Irene, vai buscar o querosene!!"


É... Inevitável! O carnaval já está para chegar!
Amores doces me ensinam, serão sempre amáveis!



Juliana escreve esporadicamente.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Visitas


Depois dos últimos textos aqui do blog, sobre acontecimentos bem ruins, vou tentar levantar um pouco o astral. Porque é verdade o clichê de que a vida continua. Aliás, os clichês sempre têm um fundo de verdade, mas isso é assunto pra outro dia. Só não posso mudar de assunto sem comentar que o carnaval, aparentemente, cura todos os males nesse país, e apaga a memória de todo mundo.
Bom, dito isso, venho aqui vos falar de um assunto muito bom: visitas!
Sim! Falo das visitas de pessoas queridas, que agendam tudo direitinho, não daquelas inconvenientes, que dá um tique nervoso só de pensar. Falo das visitas que realmente querem ver a gente e passar tempo junto, nem que seja batendo papo sobre blá.
Esse ano começou com muitas visitas queridas, que têm deixado minha vida mais feliz! Embora eu seja péssima anfitriã, do tipo que deixa as pessoas em casa, cuidando do gato, do cachorro e da filha, e vai trabalhar. Ou viaja e deixa as visitas em casa. Mas essas pessoas me conhecem e sabem que sou assim. E a gente se dá bem assim mesmo. Né?
Tive também visitinhas mais rápidas, para comemorar o meu aníver! Estou hoje com a idade de Cristo, e dizem que nessa época é que são tomadas as grandes decisões da vida. Como sempre fui meio precoce, acho que já tomei grandes decisões, mas nunca se sabe o que a vida reserva. Quem sabe que surpresas acontecerão esse ano ?
Digo com a voz da experiência: visitem os amigos, a família, passem tempo com as pessoas amadas, sem joguinhos nem desculpas, mas com muitas parcelas no cartão de crédito e muitas fotos engraçadas! Isso é o que faz a vida valer a pena.
Renata espera que as visitas se sintam em casa e voltem sempre. Tá aí mais um clichê verdadeiro!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Luto


Não tenho como falar de outro assunto nessa semana, a não ser sobre a tragédia que ocorreu em Santa Maria nesse final de semana.
Esse assunto, superexplorado pela mídia, mexeu muito comigo. Não sei se por ter uma filha adolescente, que sempre me avisa quando vai sair e quando chega em casa da balada, mesmo morando em outra cidade. E mesmo que as amigas achem ridículo. Ou por eu mesma ter ido a vários lugares que não tinham estrutura para lidar com incêndio ou qualquer outra ameaça.
Ou por eu estar pensando nos últimos dias em como morar no Brasil gera insegurança: a gente não pode contar que a lei seja cumprida, que os culpados sejam punidos, com os direitos básicos de ir e vir sem medo da violência, corrupção, falta de seriedade, honestidade e solidariedade. Não podemos sair e nos sentir seguros, pois alvarás, fiscalizações, planos de prevenção e combate a incêndio e a p%$# toda existem lindamente no papel, mas você não pode se sentir seguro de que eles existem no mundo real.
Talvez tenha mexido comigo por ter acontecido no meu estado natal, e em geral os gaúchos têm um apego grande pela querência (lembrando que há vítimas e familiares de vários lugares, não apenas o RS).
Talvez tenha mexido muito comigo porque sou humana. Sou mãe, filha, irmã, amiga. Tenho sentimentos. Sinto compaixão. Tenho empatia. E chorei.
Nem todo mundo sentiu isso, e muitas pessoas colocaram seu lado ruim à mostra como disse a Andreia no texto de domingo.
Mas quero falar aqui daquelas que fizeram algo bom, parabenizar quem saiu do sofá e foi ser voluntário, foi doar materiais, sangue e remédios. Quem disponibilizou o recurso que tinha, seja tempo, dinheiro ou transporte, para ajudar e tentar amenizar um pouco o sofrimento. Mesmo não morando mais em Caxias do Sul, vi no facebook o movimento das pessoas para ajudar de verdade, não só repassando mensagens, mas de verdade mesmo. Indo lá na rodoviária carregar caixas, doando sangue, comprando suprimentos básicos, como gaze, mas que fazem muita falta. Vi laços sendo formados.
Vi o exemplo de uma casa noturna da cidade que não divulgou sua agenda de festas para a semana, mas a lista de reformas que estava fazendo para aumentar a segurança. Jogos e shows sendo adiados.
Espero que a compaixão e a solidariedade não sejam despertadas apenas nessas horas de choque, mas que se tornem (se já não são) parte de nossa vida.
Espero também, pois ainda tenho esperança nesse país, que se tomem todas as providências possíveis e cabíveis para que não nada parecido aconteça de novo. Espero que esse Big Brother da vida real que a mídia criou não se banalize como o da TV; que todos os que têm responsabilidade pelo ocorrido sejam punidos e não voltem a agir com leviandade ao tratar da vida dos outros. Espero que possamos andar (e dançar e viver) em segurança.

Renata manda sua solidariedade às famílias, às vítimas e sente uma esperança ao ver as coisas boas de que o ser humano é capaz de fazer.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Reproduzimos as tão bem colocadas palavras de Fabrício Carpinejar. Não há como ser indiferente à tamanha dor.

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS (Fabrício Carpinejar)

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.


Nós, balzacas do De Repente 30... Lamentamos as vítimas do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Desejamos que os familiares e amigos das vítimas encontrem força e paz para enfrentarem os próximos dias.


O 55, aqui, é o DDD de Santa Maria.
Estes telefones são de pessoas que estão organizando as equipes de apoio e as doações. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Da mesquinharia e crueldade humanas



Suponho que todos estejam sabendo da tragédia ocorrida aqui no sul do país, na cidade de Santa Maria onde, lamentavelmente, mais de 200 pessoas morreram, vítimas de um incêndio ocorrido em uma boate.
Não se preocupem que não abordarei mais detalhes além dos que a mídia, tão habilmente, vem explorando. O que inspirou esse post não foi a tragédia em si, mas sim as mais diversas reações que ela suscitou nas pessoas.
Não foi surpresa alguma quando hoje, no fim da tarde, entrei no Facebook e me deparei com uma timeline cheia de posts a respeito. É óbvio que, dada a gravidade do ocorrido, muitos comentários surgiriam.
Contudo, fiquei estupefata, ao me deparar com "brincadeiras" (de péssimo gosto) referentes à tragédia, com comentários irônicos e descabidos, com compartilhamentos de fotos com imagens de mortos e/ou feridos e, pasmem, até mesmo com reclamações relativas a cancelamentos de shows e partidas de futebol em sinal de luto pelo ocorrido!

Simplesmente não consigo acreditar que algum ser humano consiga compartilhar frases do tipo:

"Gaúcho não gosta tanto de churrasco? Deve estar se deliciando com o cheirinho de carne assada."

"Esses jovens todos morreram porque não estavam no caminho do Senhor."

"Por favor,parem de fazer tanto drama! Morre gente todos os dias e ninguém faz esse dramalhão todo."

"Quer ir a uma boate? Conheço uma em Santa Maria que pega fogoooo"

"Churrasquinho de carne bem novinha... Alguém se habilita?"

"Só eu tô de boa com os torresmos de santa Maria?"

"Quer bronzeamento grátis? É só sair para boates em Santa Maria. você sai de lá pretinho, pretinho..."

"Milhares e milhares de pessoas morrem todo dia. Ataque cardíaco, acidente de carro, homicídio E pouquíssimos ligam. Daí quando é esse tipo de coisa todo mundo se comove de repente..."

"Inacreditável que um estado inteiro entre em luto e cancele até jogo do timão só por causa de um churrasquinho"

Eu fico simplesmente pasma com esse tipo de pessoa!
Sinceramente, não acho que alguém deva ser hipócrita e demonstrar um pesar que não sente. Se você não se sentiu afetado pela dor alheia, ok, sem problemas. Mas daí a ser cruel a coisa é bem diferente.
Qual a necessidade de disseminar crueldade em um momento em que muitos sofrem sua perda?
Que tipo de ser humano se compraz do sofrimento alheio?
Sinceramente, sinto vontade de chorar quando penso no quanto o ser humano consegue ser frio e cruel...





Déia escreve aos domingos e sente o coração pequenininho, não somente por estar de luto pelas vítimas e familiares desta triste tragédia, mas também por constatar o quão mesquinhas certas pessoas podem ser...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Sanguessugas

São nos momentos mais difíceis de nossas vidas que percebemos quem são as pessoas que verdadeiramente se importam conosco.

A maior parte das pessoas com as quais nos relacionamos sequer estão interessadas em saber se estamos bem ou não. Querem apenas visualizar um sorriso em nosso rosto a qualquer hora e simplesmente desaparecem quando percebem que o sorriso pode nem sempre estar lá.

"Curiosamente", essas mesmas pessoas também são aquelas que sempre nos procuram quando precisam de alguma coisa. 

Elas nos procuram quando brigam com a família, com o namorado (a), com algum amigo... Elas pensam em nós quando estão com algum problema no trabalho, algum problema financeiro, ou quando precisam de um ombro amigo.

Contudo, essas mesmas pessoas, quando perguntam "e aí, tudo bem com você?" não estão realmente interessadas na sua resposta. Elas esperam dos outros total atenção e consideração com seus problemas, porém são incapazes de agir da mesma maneira.

Elas vão sugando tudo o que você puder lhes dar e jamais oferecem alguma coisa em troca. 

Não se importam em saber se você precisa de ajuda, de carinho, de consolo, de um simples abraço... 

São pessoas que somente se aproximam quando VOCÊ tem algo a lhes oferecer. Elas sabem que, por vezes, você está atravessando fases ruins e, "misteriosamente" ficam ocupadas demais até para mandar um e-mail dizendo "oi, passei para saber como vão indo as coisas...". 

São raras as pessoas que, percebendo que você não está bem, lhe estendem a mão e ajudam a segurar a barra. São raras as que, de fato, se preocupam com você. E estas poucas são aquelas que, independentemente de você estar em um bom ou mau momento, estarão sempre ao seu lado. 

As demais pessoas, infelizmente, são apenas as "amizades sanguessugas" que permeiam nossas relações.




Déia escreve aos domingos e está nauseada por perceber a quantidade de "amigo (a) sanguessuga" que existe mundo afora...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

101 em 1001


2013 começa inspirado aqui no blog! Texto coletivo, balzaca nova, assuntos bem pessoais que a gente divide com vocês e um pouquinho de indignação da parte da Carla, mas quem de nós nunca...não é? Se o ano todo for assim, vamos precisar de mais gás! Mas vai ser uma beleza!
O meu ano começa com mais uma novidade. No final de 2012, eu, viciada assumida em listas, meio que fiquei obcecada com um desses projetinhos que rolam por aí: o 101 em 1001, ou Day Zero Project. Em geral esses projetos não me abalam, mas esse ficou na minha cabeça. Ele consiste basicamente em listar 101 coisas realizáveis, mas que demandem um certo esforço, para serem feitas em 1001 dias (quase 3 anos). Podem ser viagens, cursos, atividades físicas, projetos de arte, literatura...qualquer coisa!
Volta e meia eu ia lá no dayzeroproject.com e dava uma espiada nas listas; ficava viajando nas coisas que eu já quis fazer, nas coisas que gostaria de fazer, ver, aprender...
“Ah, mas e precisa de lista pra isso? Vai lá e faz!”. É, em geral é assim. E fiquei me questionando do porque eu ter focado na ideia. Penso que ter um prazo para fazer as cosias, ajuda a realmente fazê-las. E também que ADÓURO riscar coisas de listas, então seria uma motivação extra! Também é uma forma de direcionar as ações para aquilo que se quer fazer; às vezes surge um tempo livre (isso eu ouvi dizer que existe, mas como é de fonte segura, boto fé) ou uma oportunidade, e a gente meio que esquece essas vontades e sonhos. Algumas coisas ficaram para uma próxima lista! Ter a lista ajuda a direcionar a energia e usar o tempo pra fazer aquilo que a gente tem vontade.

“Mas eu nem sei se tem 101 coisas que eu quero fazer!” Olha, eu achei fazer a lista super divertido, fiquei vários dias mexendo nela, trocando idéias, vendo as listas alheias, relembrei de coisas que eu queria ter feito, foi bem legal.
“E se eu não conseguir ou mudar de ideia?”. Beleza, ninguém é escravo de nada, né? O processo é que é o interessante, se não fizer tudo, se mudar alguns itens, mesmo assim acho válido.
Me questionei bastante, e acabei falando tanto da lista que uma amiga também fez a dela (obrigada, Coral!). Agora é tocar as 101 coisas, e terminar até 29/09/2015! Talvez eu me encoraje de publicar a minha lista por aqui, mas quando fizer alguma coisa mais significativa, eu conto como foi.


Renata começa 2013 com uma longa e divertida lista para riscar vários itens! Alegria!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tempo, tempo, tempo…

Pensando sobre o poder renovador que uma boa segunda-feira tem e fugindo do senso comum inverso de “odeio segundas-feiras”, me peguei mais uma vez refletindo sobre o tempo. Tenho uma relação muito particular com o tempo. Fico horas e horas pensando sobre ele, que quando me dou conta, já se passou tanto... tempo! 

Dias atrás estava viajando, uma viagem incrível e uma realização iniciada: minha primeira viagem internacional. Comecei por perto, Peru e Bolívia, países que me surpreenderam. Coisas lindas, para se ver, para se estar. Foi quando por lá, me vi sem saber se era domingo ou se era segunda, se era 1ͦ ou 30. E o melhor: tive o prazer de saber de que tanto fazia. Ah, essas maravilhas da atemporalidade que a vida nos agracia vez ou outra.. Todo dia é dia, todo tempo é tempo! Uma sensação libertadora de se estar no tempo sem se estar. 

Por outro lado, e voltando ao assunto de início, não se pode negar o poder renovador de uma bela segunda-feira. Renovador e resolutivo. Ou de um bom novo ano, novinho em folha, com cheiro de agenda nova (meu fetiche), agenda vazia e limpinha. Só esperando as velhas, ou melhor, as novas listas por virem (também fetiche). 

Recentemente fizemos um post coletivo aqui, sobre nossas resoluções para esse ano. Nem preciso dizer que adorei a ideia, já que adoro lista e adoro traçar metas e objetivos (embora tenha me proposto nesse mesmo texto “planejar fazer menos planos”...). Mas como disse nossa balzaca Renata, os objetivos têm uma boa função de nos ajudar a direcionar nossa energia para o que no momento é prioritário para a gente. Afinal, para que perder energia – e tempo – à toa? 

A máxima de que tempo é dinheiro faz muito sentido, já que precisa-se de tempo para se realizar algo. Então, realizar metas – plausíveis – deve ser uma questão de tempo. Tempo é algo que quando se quer, tem, concordando mais uma vez com Renata (adorei e me identifiquei muito com algumas partes do texto “Simplicidade”), que diz vir “aprendendo que o tempo é da gente e quem quer fazer algo arruma tempo, prioriza, abre mão de outras coisas”. Além disso, complemento: tempo é agora. O tempo voa e não para e esse foi o subtítulo do meu texto de estreia aqui, à propósito! E hoje é segunda-feira, preciso ir, porque tenho muita coisa pra realizar pela frente, e alguns itens para riscar da agenda... 







Oração Ao Tempo 
(Caetano Veloso)


És um senhor tão bonito 
Quanto a cara do meu filho 
Tempo tempo tempo tempo 
Vou te fazer um pedido 
Tempo tempo tempo tempo... 


Compositor de destinos 
Tambor de todos os ritmos 
Tempo tempo tempo tempo 
Entro num acordo contigo 
Tempo tempo tempo tempo... 


Por seres tão inventivo 
E pareceres contínuo 
Tempo tempo tempo tempo 
És um dos deuses mais lindos 
Tempo tempo tempo tempo... 


Que sejas ainda mais vivo 
No som do meu estribilho 
Tempo tempo tempo tempo 
Ouve bem o que te digo 
Tempo tempo tempo tempo... 


Peço-te o prazer legítimo 
E o movimento preciso 
Tempo tempo tempo tempo 
Quando o tempo for propício 
Tempo tempo tempo tempo... 


De modo que o meu espírito 
Ganhe um brilho definido 
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios 
Tempo tempo tempo tempo... 


O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo 
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo 
Tempo tempo tempo tempo... 


E quando eu tiver saído 
Para fora do teu círculo 
Tempo tempo tempo tempo 
Não serei nem terás sido 
Tempo tempo tempo tempo... 


Ainda assim acredito 
Ser possível reunirmo-nos 
Tempo tempo tempo tempo 
Num outro nível de vínculo 
Tempo tempo tempo tempo... 


Portanto peço-te aquilo 
E te ofereço elogios 
Tempo tempo tempo tempo 
Nas rimas do meu estilo 
Tempo tempo tempo tempo...





Gabriela continua planejando esperar o tempo passar devagar. Mas sabe que, para isso, também não precisa paralisar! Afinal, a semana acabou de começar... Ah, e falando em tempo, hoje Gabriela faz três anos de namoro! 


domingo, 13 de janeiro de 2013

Das ausências...


A Menina olha ao redor e percebe que sua vida, no momento, está repleta de saudades.

Ela percebe que, onde antes haviam risos e flores, hoje restam apenas espaços vazios...e lágrimas. 

Ela anda pelos cômodos da casa em busca de memórias de um tempo que já se foi. 

Ela fita os olhos dos fantasmas daqueles que um dia habitaram sua vida e seu coração e sente apenas o vazio a crescer cada vez mais dentro de si. 

E a Menina, então, subitamente, se dá conta do quanto sua vida está transbordante... de ausências... 









Déia escreve aos domingos e busca, dentro de si, força e inspiração para superar momentos difíceis que assolam sua vida.



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