terça-feira, 11 de novembro de 2014

Mulheres!

Nas últimas semanas eu recebi um link (várias vezes, de várias fontes) de um vídeo. Em geral, não assisto, mas como ele veio indicado por pessoas que considero bastante, resolvi assistir. Ele mostra uma mulher andando na rua em Nova Iorque, vestindo roupas bem básicas, e retrata o assédio que ela sofre dos homens. Vocês devem ter visto, mas segue ele aqui: https://www.youtube.com/watch?v=b1XGPvbWn0A. Eu procurei o vídeo original, mas tem várias versões com legenda (não que precise de legendas, mesmo para quem não entender as palavras, para sentir o que está acontecendo).
Eu vi o vídeo. Uma vez só. Me revolta o estômago. Principalmente porque sei exatamente o que é estar nessa situação. Qualquer mulher deve ser capaz de entender esse sentimento, de nojo, de raiva e de medo, em alguns momentos. o vídeo já teve mais de 14 milhões de acessos, segundo eu li no site da BBC (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141028_video_cantadas_rb)
Por curiosidade macabra eu resolvi olhar alguns comentários que esse vídeo gerou, numa publicação no Facebook. Gente, aí sim eu fiquei mal! MAL! Para mim é TÃO óbvio que esse tipo de atitude é errada, imoral e não pode ser admitida, sem exceções! Quando eu comecei a ler os comentários (nos quais eu acho que as pessoas colocam sua opinião verdadeira, pois não há filtros nem olho no olho) eu fiquei mal de verdade. Homens e mulheres justificando, concordando e reforçando a atitude masculina.
Argumentos como “tem mulher que faz de tudo para aparecer” são os mais recorrentes. Deixa eu falar uma coisa: tem mulher que faz tudo para aparecer, sim. Tem homem também. E não é por isso que eles merecem ser agredidos.
Mas a moça do vídeo em discussão não mostra nenhuma que leve a entender que ela quer “aparecer”.  Ela está caminhando na rua. Com roupa básica, normal, com a qual ela pode estar indo para qualquer lugar. Em que tipo de mente doentia isso dá direito de alguém agredir, perseguir, falar o que quiser? E mesmo que ela estivesse com roupa curta, decotada, transparente, pelada! Nada disso dá o direito aos homens de agredi-la. 
Tenho pena de mulheres que se colocam do lado dos agressores, pois acredito que elas também sofrem agressões como as do vídeo e outras, mas se submetem, e ainda não perceberam sua submissão. Tenho pena de homens que se colocam do lado dos agressores, pois não percebem que justificando esse tipo de atitude, eles expõem suas mães, irmãs, namoradas ao mesmo tipo de agressã. Agressão essa atribuída à falta de auto controle masculino, como se homens não tivessem moral, consciência, auto controle e polegar opositor.
Se algum cara quem ler isso estiver em estágio de evolução e tiver dúvidas se age de forma inapropriada (leia-se: como um fdp), fica uma dica: se você não gostaria que fizessem com sua mãe ou com sua irmã, é errado. Não faça. Outra dica: há uma diferença enorme entre elogio e assédio, e não, as mulheres não saem na rua para ouvir seu assédio. Lembre-se que mulher é mulher. Todas temos direito de andar na rua com segurança, todas temos direito de vestir a roupa que quisermos, todas temos direito de ir a festas e qualquer outro lugar e nos sentirmos seguras, todas temos direito de ser mulher. Eu quero um mundo onde ser mulher não seja justificativa para alguém me agredir. Onde minha filha possa vestir o que ela quiser, ir aonde ela quiser, com quem ela quiser, e se sentir segura.
Onde cada mulher de qualquer idade, opção sexual, cor, profissão, estilo...qualquer mulher, possa ser o que é sem que isso a coloque em risco.
O texto ficou longo, e quem me conhece sabe que tenho muito mais a dizer sobre isso, mas fico por aqui. Espero que quem não ainda não assistiu, assista o vídeo. Pense, se coloque no lugar da mulher e das mulheres que conhece, das mulheres que não conhece...e reflita sobre sua própria atitude.


Renata é mulher, mãe de mulher, e sonha com um mundo onde gênero, raça, origem, nada seja justificativa para agressões. E para fazer desse sonho um mundo de verdade, tenta provocar um pouquinho a evolução de pensamento de quem ela encontra por aí.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A ruga


Eis que após semanas de trabalho pesado, sono perdido, dores de cabeça e estômago, dias sem curtir o sol e noites sem curtir a lua, ela apareceu. 

Sim, eu sei que rugas não surgem de uma hora para a outra. Começam a se formar quando nossa pele começa a se formar. Mas essa é diferente. Não é como as “linhas de expressão” que já me acompanham há tanto tempo que nem me lembro se um dia elas não estamparam minha cara. 

Não, ela é diferente. De repente, sem aviso nenhum, aproveitando um período de distração em que o único objetivo de eu me olhar no espelho era ver se não tinha comida no dente, apareceu marcando a minha testa de fora a fora. Tão funda que temo me perder dentro dela se me atrever a explorar. Sabe Deus o que ela guarda. Ela é tão grande que quando me olho no espelho ela é a primeira coisa que eu vejo, acho até que ela se projeta para frente um pouquinho, como se estivesse estufando o peito. Será que ela está expandindo? Um buraco negro bem no meio da minha testa! Com tantos lugares nessa galáxia...

Nunca fui (e não pretendo me tornar) obcecada pela juventude ou pela minha aparência. Mas fiquei abalada com esse acontecimento. Não sei ainda se foi porque ela apareceu sem eu nem perceber, o que indicaria que tenho dado pouca atenção a mim mesma. 

Ou se realmente é o lance de estar ficando velha (ou madura) que me incomoda...

O fato é que estou pensando num nome para ela, para ver se isso facilita a nossa relação, que tende a ser bastante duradoura.


Renata aceita sugestões para nomear sua mais nova companheira de viagem. Também aceita indicações de cremes próprios para peles balzaquianas.




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Assinatura de emails


De uns tempos para cá, encuquei de botar reparo na assinatura do email das pessoas. 

Sim, é claro que eu leio o conteúdo (na maioria das vezes) mas é tamanha a variedade de estilos e informações presentes nas assinaturas que eu acredito seriamente que haja uma especialidade acadêmica dedicada exclusivamente a esse assunto. Investigando a subjetividade e as motivações por detrás daquelas palavrinhas na assinatura padrão (ou não). Vocês já colocaram reparo nisso? Já pensaram na assinatura de vocês?

Alguns tipos saltam mais aos olhos, como os com desenhos, claro. Ainda mais se o desenho não tem absolutamente nada a ver com o assunto do e-mail ou com o cargo da pessoa. Veja bem, não falo de logotipos (meu e-mail profissional carrega o logotipo, obrigatoriamente, e isso até ajuda na comunicação). Falo de desenhos, mesmo. O que a pessoa quer mostrar? Que ela é divertida? Quer amenizar o tom sério do e-mail? Como quando a gente xinga alguém e coloca um =) logo depois.

Outro que tenho visto bastante é aquele que traz tanta informação que nem precisa abrir o Lattes da pessoa, tá tudo lá: desde a data de nascimento até o time preferido. Às vezes, a assinatura é maior que o corpo do e-mail. Será que isso demonstra a proporção da importância entre cada coisa? Assinatura X conteúdo?

E tem os ocupados. Tão ocupados que a assinatura deles é a inicial do nome. Como nos filmes americanos, em que as pessoas se chamam pelas iniciais: ei, R, por favor, avise N que T está aqui! Isso para mim quer dizer: “estou tão ocupado que não vou me dar o trabalho de escrever meu nome todo (nem mesmo abreviado) e não sei formatar uma assinatura padrão que poderia facilmente deixar minhas assinatura mais simpática”. Pode ser que a mensagem que eles querem mandar seja outra, mas daí já não sei.

Renata segue escrevendo esporadicamente e tentando entender essa maluquice da comunicação na era da modernidade.






segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Eu não visto 38, e daí?


Ao longo dos meus 33 anos eu nem consigo mais lembrar quantas dietas eu fiz. Já passei aos 100 quilos algumas vezes. Me senti um lixo em ambas. Sofria porque estava gorda, comia pra me sentir melhor, engordava mais, me sentia um lixo, comia mais e o ciclo nunca acabava. Na loucura adolescente tomei anfetamina. Já fiquei sem comer carboidrato. Me sentia era feia, horrorosa e diferente. 

Todo dia sites, revistas, tv tem uma reportagem sobre alguém que se tornou vitorioso e iluminado e perdeu 40 quilos e agora é feliz. Eu gostaria que os sites, revistas e tv dedicasse a mesma quantidade de páginas sobre pessoas que tem graves distúrbios alimentares como anorexia e bulimia como dedicam àquelas que “mudaram de vida” porque emagreceram. Eu gostaria que eles escrevessem sobre os riscos dos suplementos alimentares como escrevem sobre os riscos do açúcar. Mas principalmente, eu gostaria de ver pessoas acima do peso deixando de serem tratadas como doentes. Quando uma pessoa está emagrecendo ela só recebe elogios. Muitas delas conseguiram isso de forma nada saudável. Gente magra também perde o fôlego porque é sedentário. Gente magra não necessariamente é saudável, não necessariamente come bem e cuida da saúde. Ela é só magra.

Na verdade, eu queria sites, revistas e tv mais honestos. Quantas daquelas mulheres mais felizes e magras não sofrem com distúrbios? Ou por anos estão se matando com remédios para emagrecer? 

Eu sigo lutando contra a balança e meu metabolismo lento (de quem passou dos 30) de quem toma 50mg de hormônio pra hipotireoidismo por dia. Mas eu hoje me acho bonita, coisa que não me achava aos 15 anos, mesmo vestindo mais que 46. Também tenho consciência bem maior sobre a minha saúde, meu bem estar. Nado, faço RPG, tento me manter tranquila, comer as coisas que me fazem bem, sem paranóia. Sou mais leve, em todos os sentidos.






Mariana escreve esporadicamente e atualmente se sente leve, bonita e saudável! Mas mesmo assim não consegue comprar um biquíni que caiba no seu corpo e no bolso ao mesmo tempo. Enxerga no espelho e sente no corpo bem menos do que a balança lhe diz - e ainda assim é feliz pra dedéu!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O lado bom de errar

Intuição de mãe não falha. Falha. Sou a prova disto. Desde que descobri minha gravidez tinha uma certa intuição a respeito do sexo do meu bebê. Não falei pra muitas pessoas, mas algumas pessoas sabem disto. E ontem fiz uma ecografia e (finalmente! Como demora pra chegar este dia) descobrimos o sexo da nossa joia preciosa! É uma MENINAAAAAAAA!!

Meu amor, saiba que a mamãe errou sim! A vida toda desejei ter uma menina pra encher de lacinhos, maquiar, fazer trança, colocar roupas frufruzentas. Mas quando me descobri grávida, talvez pra não criar nenhum tipo de expectativa, imaginei: é um menino. E sabe o que de bom aconteceu com tudo isso? Aprendi, silenciosamente, a ser mãe de menino. Imaginei mil vezes os diálogos que teria com ele, nossos jogos de futebol e lutinhas no tapete da sala. Imaginei como seriam nossas conversas sobre o amor, sobre a vida, sobre integridade, sobre respeitar as mulheres e não tratá-las como objetos. Decidi que iria aprender (na marra!) a gostar de azul e que montar um quarto de menino poderia ser tão encantador quanto montar um de menina.

Todo mundo sempre me disse “tu tem cara de mãe de menina”. É, eu tenho sim! Mas o dia em que Deus resolver me presentear com um menininho lindo, terei aprendido como ser mãe dele, e terei aprendido com você filha! Tu nem veio ao mundo ainda e já me ensinou uma grande lição, e eu só posso te amar a cada dia mais e mais.

Aprendi a ser mãe de menino. Já nasci sabendo ser mãe de menina. Imagino agora como será a nossa relação, minha princesa. Unhas pintadas, maquiagem, meus sapatos desfilando em pezinhos minúsculos, meus colares num pescocinho infantil, pulseiras espalhadas pela casa. Conversas sobre coisinhas de mulheres, dieta, primeiro amor. Nós duas falando mal dos homens (tá, a gente tem que se divertir também né?). Filmes de comédia romântica, contando juntas as calorias de um saco de pipocas. Sei que nossa vida cor de rosa não será sempre um mar de rosas, mas ela será doce e teremos muita paciência uma com a outra. Quero que você possa se espelhar em mim, confiar em mim em todos os dias da sua vida. Que sinta vontade de me contar teus segredos, que queira me ouvir. Que nossos olhos brilhem ao olharmos uma para a outra.

Eu te amo filha! Obrigada por me mostrar que “errar” pode ser, às vezes, tão doce!


Andri escreve às sextas-feiras e não poderia estar mais feliz do que está agora.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Do preconceito ao... preconceito

Semana passada minha cidade natal apareceu no Fantástico. Não, não é motivo de orgulho, mas de vergonha alheia e preocupação.
Para dar um pouco de contexto, um dos maiores orgulhos de grande parte (friso que não são todos) dos moradores de Caxias do Sul é sua descendência italiana. Nunca entendi o porquê. As pessoas valorizam e buscam sua origem longínqua na Itália, viajam para lá ver os “parentes” e se declaram italianos. Para mim, quem nasce no Brasil é brasileiro. Aliás, para mim e para a Constituição Federal, mas enfim...cada um cada um.
Dito isso, se entende que foi uma cidade construída por imigrantes, que não se encontravam na melhor das situações no seu país de origem. Fizeram uma viagem sofrida até o Brasil, encontraram uma realidade diferente da que estavam costumados: a língua, as pessoas, os recursos. As falsas promessas. E muitos prosperaram, deixando como legado o sobrenome que ainda tem forte ligação com a Itália.
Isso foi no final do século XIX, muito tempo se passou, muitos outros imigrantes e migrantes chegaram ao Brasil, ao Rio Grande do Sul e, sim, a Caxias do Sul. Lecionei lá por muitos anos, e sempre fiquei impressionada com a quantidade de pessoas de diversos lugares do país que escolhia a fria (em vários sentidos) cidade para morar. Muitos chegaram ao sul como mão-de-obra para a construção civil, que não era encontrada no local. Outros porque tinham amigos e parentes vivendo lá, e achavam que poderiam recomeçar suas vidas. Outros porque enfrentavam uma situação tão ruim que perderam o medo e o apego e decidiram arriscar.
Recentemente, um novo movimento de imigração vem surgindo, de pessoas vindas de países como Haiti, Bangladesh, Gana e Senegal, numa das maiores ondas de imigração registradas no país. A situação se repete: pessoas chegam com esperança de uma vida melhor, mais segura, com mais dignidade; encontram outra terra, outra hábitos, outra língua, outro clima. Encontram portas abertas mas também encontram muitas portas fechadas. Encontram o “nós” e o “eles”, numa dicotomia impossível de conceber. A reportagem do Fantástico divulgou o que quem mora ou circula pela cidade de caxias do Sul já tinha percebido: o preconceito.
Argumentos falhos e mentirosos tentam dar suporte a ideias absurdas de exclusão, tão levianos que nem vale a pena repetir aqui. Quem tiver interesse, pode acessar a matéria e fazer sua própria análise.Não vou ser preconceituosa e dizer que toda a população pensa assim, até porque, felizmente, não acredito nisso. Mas queria tanto que tais pessoas pusessem a mão na consciência, se vissem no espelho, usassem um pouco do cristianismo que é tão difundido na cidade, para ver os imigrantes como o que são: pessoas. Gente. Igual aos moradores, igual aos migrantes, igual aos demais imigrantes... gente! Tem gente feia, bonita, magra, gorda, alta, baixa, negra, branca, amarela, cor de rosa (como os próprios “gringos” quando voltam da praia), gente honesta, desonesta, chata, divertida.... gente de tudo o que é tipo. Mas é tudo gente. Sem preconceitos.

 


Renata sente orgulho de muitas coisas da sua terra natal. E espera que a tal onde migratória sirva para ensinar essa pequena lição para algumas pessoas, sobre empatia, compaixão e preconceito. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Colorir a alma da gente

Festival Internacional de Folclore acontecendo aqui na minha cidade, Nova Petrópolis. Oportunidade única para conhecer outras culturas, gente diferente e ao mesmo tempo essencialmente igual a nós. Estava há pouco sentadinha ao sol do começo da tarde, curtindo o horário de folga e assistindo algumas apresentações. Todas lindas e contagiantes, mas eis que surge no palco o Grupo Compagnie de Danse Pom’kanel de Martinique. Martinica é uma ilha que fica na América Central e foi colonizada pelos franceses. Isso foi o que aprendi sobre este lugar. Mas existem aquelas informações que os livros didáticos não trazem e que somente nossos olhos são capazes de nos mostrar com perfeição.

Quando eles sobem no palco, a energia se espalha em poucos segundos. Você tem vontade de dançar junto, é impossível ficar parado. Suas roupas coloridas, suas peles negras, são um espetáculo à parte. Dançam o tempo todo sorrindo, transmitem nos olhos o que sentem e o que sentem é inexplicável através de palavras. Desejo que como eu, as pessoas que moram ou estão de passagem por nossa cidade tenham se permitido o prazer de deleitar seus olhos por meia hora que seja, com tamanho espetáculo.

A apresentação por si só, já teria me bastado para muitas horas de alegria ao relembrá-la. Mas como sou daquelas pessoas que gosta de tirar sempre uma lição de tudo o que acontece, cá estou eu, refletindo para saber o que, além do prazer gratuito que a arte proporciona, esta apresentação de dança pode me ensinar.

Aprendi com este povo tão simpático que levar a vida sorrindo realmente é o melhor remédio. Que devemos nos permitir conhecer nosso corpo e usufruir dele da melhor forma, pois é um instrumento de comunicação, ele realmente fala, mesmo quando nos mantemos calados. Aprendi que ser cordial é uma virtude. Que as cores transmitem energia. E, principalmente, aprendi que não importa se falamos o mesmo idioma, a linguagem da música e do sorriso é universal.


Eu, que andava tendo uns dias meio down, estou decidida a sair na rua e puxar papo com um estranho, quem sabe a pessoa maravilhosa que posso acabar conhecendo? Esqueçam vocês também aquele papo de mãe “não vá falar com estranhos”, e falem. Falem com todos que cruzarem seus caminhos, permitam-se! A felicidade não vem para quem fica em casa se lamentando. Ela está na rua, nos lugares e situações mais inesperadas.

Andri escreve às sextas-feiras, vai ali bater um papo cabeça com o primeiro estranho que aparecer e já volta

Créditos da Imagem: Mauro Stoffel

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Navegar é preciso


Há muito tempo sem passar por aqui, estava ensaiando um texto sobre a importância do trabalho. De quanto ele dignificava o homem, de quanto ele nos fazia bem, etc. e tal. Estava bem feliz com minhas conquistas profissionais, numa fase muito boa para "negócios". Ficava indignada com algumas amigas e conhecidas que tinham largado mão de sua vida profissional, para se dedicarem exclusivamente aos filhos, marido e o lar. Me perguntava: como isso seria possível, em pleno século 21?? E não cansava de repetir: “Meu Deus, como me realizo no trabalho, como me sinto bem sendo útil, sendo reconhecida, fazendo mil coisas ao mesmo tempo...” E dá-lhe aparecer e aceitar proposta de trabalho. Eis que.... "bum"! Estafa, crise aguda de estresse, ansiedade, e a coisa toda. 

Mas enfim, não vim aqui para entrar nos detalhes do problema, que só quem já teve uma crise dessas para saber do punk hard que é. Nem para descrever como saí dela. Vim falar que navegar é preciso. 

Largar tudo, se desconectar, dar um breack para os comerciais.. Pura questão de saúde. Viajar, passear, namorar mais, falar besteira, dançar, ouvir música... Tudo isso é tão fundamental quanto o trabalho. 

Na verdade, penso que, no caso de viajar, uma coisa está ligada a outra. Claro, se você não tem o privilégio de nascer em berço esplêndido ou ter um maridão que lhe sustente (e também para quem não tem problema com isso, o que não é o meu caso, particularmente). Sempre falei que trabalho para poder viajar. Não é para ter carro do ano, casa luxuosa, bolsa e roupa cara. É para botar o pé na estrada e desbravar, se encantar, contemplar. Não há um ano em que eu não viaje, mesmo sob indignação da família, que insiste para que eu “me firme”. Mas cada um sabe onde seu sapato aperta.

E o meu sapato aperta quando começo a me obcecar demais pelas tarefas cotidianas, quando perco o sono e aí. ... Deus ajude! Me descobri workholic e nunca imaginei. E olha que o coração vai bem, não é fuga de um relacionamento ruim. É vício mesmo. Freud ou Jung com certeza explicam!! Rs.. 

Enfim, é daqui que vos falo, fazendo exatamente o que mais amo: ouvindo música, escrevendo ( bem vinda de volta inspiração), de dentro de um avião, rumo a Venezuela. Porque sim, navegar é mais que preciso: é vital!




Gabriela voltou das férias, segue trabalhando com moderação e já planejando a próxima estação!







terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vaquita

Tenho andado sumida do blog (e de outras áreas da vida, mas que não vêm ao caso nesse post), principalmente, porque priorizei trabalho nesses últimos tempos. Tive visita da família e isso também recebeu bastante do meu tempo. 

Nas últimas semanas estou fazendo um curso na Carolina do Norte, Estados Unidos, sobre conservação marinha. Tenho muitos assuntos para contar! Há um grupo bem diversificado, com alunos de graduação, mestrado e doutorado. E há também um grupo internacional, formado por estudantes e/ou profissionais, de 21 países, onde me encaixo.

Quero falar das diferenças e similaridades culturais; de como foi estar aqui na final da Copa; das perguntas que fazem sobre o Brasil; mas o assunto que não sai da minha cabeça e que eu quero que vocês saibam é a vaquita.

Leram certo: v-a-q-u-i-t-a. 

“WTF?” vocês devem estar pensando. Calma e senta que lá vem história.

A vaquita é simplesmente o cetáceo (ordem que inclui as baleias e golfinhos) mais fofo do mundo! Ela é pequeninha, foi descoberta na década de 50 (isso é muuuito recente) e vive em um só lugar do mundo: na parte norte do Golfo da Califórnia. Dentre TODOS os lugares do mundo! Isso quer dizer que existe só uma população de vaquitas. Tá, e aí? Por que não paro de pensar nelas? Existem bichos fofos e bichos raros aos montes.


O fato é que se estima que existam 97 vaquitas no mundo. Se vocês tem dúvida se leu certo, eu repito noventa e sete animais. Só. E a maior ameaça é a pesca com rede de emalhe que visa capturar outra espécie ameaçada (um peixe chamado totoaba), cuja captura é proibida. E adivinha por que as pessoas pescam totoaba? Por que uns caras lá na China usam a bexiga dela como um ingrediente valioso.

Gente, me digam que não sou só eu que não me conformo que vamos levar a vaquita à extinção porque uns caras gostam de comer bexiga da totoaba! Pelamordedeus! Detalhe: uma bexiga dessas podem valer até 10 mil dólares na Ásia. Esse é o preço de uma espécie?

O governo do México está tentando reverter a situação, mas não é algo fácil: fiscalização, monitoramento, educação, incentivos... todo mundo sabe que não é fácil. Mas se não for feito algo AGORA, não tem mais volta. 

http://www.ecologiaverde.com/campana-para-proteger-a-la-vaquita-marina-el-mamifero-marino-mas-amenazado-del-mundo

E é isso que não me sai da cabeça: a vaquita, a totoaba, a ganância, a ignorância, a extinção. Se alguém tá pensando: tá, e eu com isso? Queria dizer que estamos todos ligados. Que o produto que a gente consome tem uma história e que cada passo dessa história tem consequências. Que a gente tem que se informar, tem que fazer escolhas melhores (de produto, de caminho, de candidato, de vida), tem que assumir que é problema nosso.



Renata segue pensando na vaquita e não sabe se sente mais pelas 97 vaquitas que estão literalmente à beira da extinção ou pelos 7 bilhões de seres humanos que podem levar a tantas outras espécies, inclusive a si mesmos, à extinção...



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre a Copa


Polemizar tem sido minha especialidade. E não será diferente neste texto. Dessa vez, o assunto é a Copa do Mundo no Brasil, e o comportamento dos brasileiros. Ainda que eu tente não emitir opiniões de cunho político, há momentos em que fica inevitável. Ainda assim, vou tentar expressar minha opinião, sem que ela seja político-partidária. Se isso ocorrer, não me importo que discordem, mas peço respeito, porque é bom, e todo mundo gosta!

A Copa do Mundo acabou de acontecer no nosso país, e, em geral, tudo ocorreu da melhor forma, sem grandes problemas! Aliás, foi um evento maravilhoso, que mostrou sim que o brasileiro sabe se portar, sabe receber bem todas as pessoas, de todas as partes do mundo, e sabe fazer festa! Disso quase todos já sabiam, mas, por motivos que não são os mencionados pela mídia, houve quem fizesse cara-feia para a Copa, quem ficasse contra, e, o pior, quem torcesse contra. E, torcer contra não é contra a Seleção Brasileira, mas contra a Copa, contra o próprio país. Você não acha feio? Eu acho!

Eu acho uma atitude feia porque cada um pode ter sua opção política, pode ser a favor ou contra governos e partidos, pode se manifestar, pois estamos numa democracia (conquistada com muita luta, e que deveria ser valorizada!). Entretanto, somos todos brasileiros, e, mesmo quem não torce pelo futebol da Seleção, deveria torcer pela sua nação. Torcer para a Copa ser um evento lindo, para os turistas gostarem daqui, e quererem voltar, para mostrar para o Mundo que o nosso povo é educado, é respeitoso, e é festeiro. Torcer para que seja consertado o que estiver errado, para que possa melhorar o que estiver ruim. 

Acho uma atitude feia, porque tem um monte de gente que sai do país a cada Copa, para torcer pelo Brasil no exterior, mas resolveu ficar de mal justamente no ano em que a Copa é em casa! Acho feio porque não vemos outros povos torcendo contra sim mesmos, ainda que haja problemas em todas as nações. Isso só aconteceu no Brasil!

A Copa foi um sucesso porque parte do povo, povo mesmo, não foi contaminada pela onda de mau-humor que foi instalada neste país nos últimos meses. Uma onda que resolveu reclamar da Copa anos depois do Brasil ter sido eleito país-sede para o evento. Uma onda que não procura saber de outras fontes de informações, e recebe qualquer informação midiática como verdade absoluta. Uma onda de mau-humor que resolveu quebrar tudo o que vê pela frente, sem motivo, só por raiva. 

Ainda bem que, mesmo amedrontando alguns turistas, a maioria deles veio, se divertiu, e saiu com uma boa imagem no nosso país! Ainda bem que pusemos as bandeiras nas janelas, nos carros, no corpo, para mostrar que torcemos pelo Brasil!



Tania continua se preocupando com opiniões mal-formadas, e mal-informadas, que estragam a imagem do Brasil, e não contribuem em nada para melhorar este país!








domingo, 27 de julho de 2014

Se conselho fosse bom...



Já diz a tão conhecida máxima: “se conselho fosse bom ninguém dava, vendia”... Porém se você realmente me permitisse lhe dar um conselho, seria o seguinte:
Jamais mendigue a atenção de quem quer que seja.
Não faça esforços hercúleos para estar próximo a alguém que prefere qualquer outra coisa à sua companhia.
Não invente desculpas para prolongar uma conversa desnecessária apenas para manter a outra pessoa por perto.
Não crie pretextos para encontros forçados apenas para dividir alguns momentos com alguém que não quer ficar perto de você.
Não faça chantagem emocional acreditando que poderá comover alguém que já não se importa com você.
Não force a barra, não insista, não se humilhe.
Entenda que existem muitas pessoas que apreciam sua companhia e que querem ficar ao seu lado por livre e espontânea vontade.
Valorize quem está ao seu lado porque lhe quer bem e não por simples força do hábito.

Déia escreve aos domingos e deseja, de coração, que as pessoas aprendam a valorizar-se.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Guardei minha camisa

O momento é triste, e não faço desse momento nada mais do que ele realmente é: tristeza por perder, vergonhosamente, uma partida de futebol de semifinais, na Copa do Mundo! É só isso, e já é muito! O Brasil não vai melhorar ou piorar por isso. Futebol é nossa festa. E doeu por isso. Porque foi um vexame dentro de casa. Mas foi vexame no campo. Não confundam, nem façam alusão a outras coisas. Não cabe aqui, não leva ninguém a nada.

Assim como não leva ninguém a nada torcer contra o Brasil. O que doeu muito, mais do que eu imaginava, foi ver brasileiros torcendo contra, e felizes porque o Brasil perdeu. Ridículo! Não há alemães torcendo contra a Alemanha. Não há argentinos torcendo contra a Argentina. E não venha falar que por causa social, política, etc. Todo lugar tem seus problemas. Ninguém torce contra si mesmo. Doeu ver isso aqui. Doeu porque é manipulado, sim! Doeu porque, enquanto o Brasil ganhava, estava tudo bem. Quando perdeu, aí é por causa do social que estão torcendo contra?!? Tenha paciência!!!

Como estou tentando me acalmar, resolvi brincar um pouco, e, que me desculpe Paulinho da Viola, mas acabei fazendo parodia de sua música, “Guardei Minha Viola”. Foi inevitável. Não me levem a mal, mas vai aí a paródia para aliviar a tensão...


Minha camisa foi pro fundo do baú
Não torça mais pra Seleção
Quero esquecer, ela não deixa
Os 7 a 1 que foi no Mineirão!


E lá no bar, quero afogar
As mágoas que esse jogo me deixou
E pra facilitar o meu desejo
Guardei minha camisa, não torço mais!


Tania está chateada, triste, com raiva do vexame da Seleção. Isso é coisa de quem torce. Mas ela torce sempre para o Brasil, sua pátria, sua nação!!!!










domingo, 20 de julho de 2014

Uma questão de equilíbrio...


Dizia o filósofo Aristóteles, que a virtude é o meio termo entre dois vícios, o vício do excesso e o vício da falta. Em outras palavras, uma vida virtuosa reside no equilíbrio entre os extremos.
Pensando nisso, resolvi escrever algumas dicas a mim mesma que, talvez, possam lhe ser úteis também:


Dê sempre o melhor de si, mas não deixe que abusem de você.

Se entregue, mas não a ponto de perder-se.

Ame, mas não permita que usem seu coração.

Chore, mas não a ponto de não poder mais sorrir.

Confie, mas não em demasia.

Brinque, mas não a ponto de não levar as coisas sérias a sério.

Escute, mas não perca sua própria voz.

Mude, mas não esqueça suas raízes.

Perdoe, mas não permita que lhe machuquem novamente.

Diga sempre a verdade, mas evite ser cruel.

Lute pelo que acredita, mas se permita mudar de ideia.´

Sonhe, mas mantenha os pés no chão.

Seja humilde, mas não se humilhe.

E, por fim, faça tudo da melhor maneira possível sempre, ainda que seus esforços possam não ser reconhecidos.


Déia escreve aos domingos e segue na luta por encontrar o equilíbrio.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Carta para Julieta

Hoje escrevo para lhe contar um pouco do que aconteceu nestes mais de 25 anos desde que você se foi. Eu era tão pequenina e sequer lembro de você, mas posso imaginar todas as coisas que nós teríamos feito juntas. Nos finais de semana eu iria para a sua casa e você faria "nega maluca" pra mim, depois me deixaria dormir no seu colo enquanto cantava uma canção de ninar.

Quando eu tinha seis anos entrei para a escola. Você teria gostado de me ver andando cheia de pose com aquela mochila de bichinho cor de rosa. Você teria rido muito quando um ano depois eu guardei os toquinhos do cabelo do menino que eu gostava, que a mãe cortou no salão, em uma gaveta. Teria ficado orgulhosa quando eu disse: A vida tem certos rumos que nem um poeta descobre! Teria ficado preocupada quando eu sumi e só voltei tarde da noite aos nove anos, mas teria também me defendido e dito pra pai e pra mãe não me castigarem, já que a culpa não era minha.

Vó! Sei que você teria ficado com o coração na mão, quando aos doze anos, saímos de Santiago e viemos morar em Nova Petrópolis. Teria passado meses esperando que nossas férias chegassem para que fôssemos te visitar e os dias que passaríamos contigo seriam uma grande farra.
Sei que ficaria feliz e ao mesmo tempo preocupada quando eu apareci com o primeiro namorado em casa. Estaria na plateia sorrindo na minha formatura do ensino médio, vibraria junto comigo quando entrei para a faculdade, acompanharia minha angústia ao escrever o TCC, estaria orgulhosíssima da profissão que eu escolhi. 

Posso te imaginar chorando baixinho no dia da minha formatura da faculdade e depois me abraçando orgulhosa, dizendo que me ama.  E agora vó, com a notícia de um bisneto ou bisneta que vem por aí, qual não seria a sua alegria? Tenho certeza de que já estaria fazendo sapatinhos de tricô e olhando pra minha mãe com a certeza da ótima avó que ela vai ser. 
Você não esteve presente nestes dias todos que falei aqui, mas sei que de onde estiver, vibrou comigo, chorou comigo, partilhou de minhas alegrias e tristezas, e, mais do que isso, sei que você me protegeu e olhou por mim todos os dias da minha vida.


Andri escreve às sextas-feiras e dedica este texto para a sua avó Julieta, a estrela mais brilhante deste imenso céu.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

100 dias felizes

Uma amiga me contou que estava participando de um desafio na internet que se chamava 100happydays e eu, como adoro desafios resolvi participar também. O desafio consiste em você tem fazer pelo menos uma coisa que te faça feliz por dia e fotografa-la. Não importa o que fizer, vale tudo, desde que te faça feliz. Comer alguma coisa deliciosa, viajar, encontrar um amigo, fazer uma boa ação pra alguém, enfim qualquer coisa serve.

Achei o desafio o máximo e resolvi compartilhar. Afinal, sempre acreditei que a felicidade era prima-irmã do simples. No site dizia que 71% das pessoas que se inscrevem no desafio não conseguem completa-lo.

Fiquei assustada por uma porcentagem ser tão alta em uma coisa relativamente simples. Acredito que no auge de nossas vidas corrida, a falta de tempo para nós mesmos é o que faz esse número ser tão elevado.
Por isso estou dentro! A partir de amanhã pelo menos em um momento do meu dia farei uma coisa que me faça feliz. Vamos ver se consigo fotografar todas.


Samira segue pensando tanto no trabalho que acredita que dessa forma tiraria um tempo para ela se lembrar que a vida vai muito além do trabalho, prazos e de obrigações.


Você conseguiria ficar feliz por 100 dias seguidos?



domingo, 13 de julho de 2014

Papo de Boteco


É incrível o tipo de papo que rola em uma mesa de bar!
No boteco, com uma cervejinha gelada na mão o riso corre solto, a timidez dá uma trégua e até mesmo aquela pessoa supostamente culta e intelectualizada, fala inúmeras bobagens e conta piadas sem sentido.

Noite dessas fui ao boteco com dois amigos, um homem e uma mulher. Eu, que não podia beber por conta de uma dor terrível no estômago, fui só para acompanhá-los. Quanto a eles, já saíram de casa meio “altos” e lá no boteco apenas complementaram sua “subida astronômica”, se é que vocês me entendem... ;)

Fato é que o papo que rolava lá no boteco era dos mais esquisitos... Reflexões existenciais recheadas de frases de efeito, revoltas incontidas com relação ao comportamento alheio, fofocas mal disfarçadas e alfinetadas a pessoas nas mesas vizinhas.

E isso sem contar os bêbados chatos que faziam fiasco, cantavam, dançavam e choravam suas mágoas. E eu, sem ter bebido uma cervejinha sequer, fiquei refletindo sobre a mudança de comportamento que se opera em uma mesa de bar e rindo das situações inusitadas. Parece que, a despeito da bebida, as pessoas esquecem seus receios, seus tabus, expõem seus anseios...se libertam! Todos são amigos, compartilham cigarros, copos, conversas, confissões.

Às vezes me parece que acabamos conhecendo mais uma pessoa em algumas horinhas de conversa “descontraída” no boteco da esquina do que em longas preleções individuais...


Déia escreve aos domingos e gostou da ideia de ir a um boteco e não colocar sequer uma gotinha de álcool na boca, pois assim pôde observar com maior clareza os diversos comportamentos humanos...


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...