terça-feira, 27 de maio de 2008

Eu quero mais...

Após dez anos de formada em Relações Públicas, decidi pela segunda graduação, para melhor qualificação técnica em uma profissão valorizada e com ótimas ofertas de trabalho: Secretária Executiva.

Já na inscrição do vestibular, conheci a versão de que o título de Secretária Executiva Bilíngüe não existia mais naquele curso (naquela instituição), pois o tempo de curso havia diminuído em um ano e seríamos agora somente Secretárias Executivas. O Bilíngüe ficaria por conta de uma dedicação extra classe e extra diploma. Ok! Isso não seria motivo para desistir. Queria e precisava trabalhar, e o curso me ajudaria bastante.

Prestei o vestibular e, pasmem, fui aprovada em 1º lugar com pouco mais de 60 pontos, 68 se não me engano. Como assim!? A redação foi determinante para essa “vitória”. Afinal fiquei anos sem estudar as disciplinas básicas de um vestibular, mas escrever eu sempre soube. Sorte minha! Fiquei um tanto preocupada com esse resultado, com receio do que encontraria em sala de aula. Felizmente, o potencial das pessoas não é ruim, mas o comportamento em sala de aula deixa muito a desejar, pelo menos aos meus olhos.

Um dos assuntos discutidos no Primeiro Encontro das Balzacas (ou Primeiro Encontro das Mulheres de 30, como quiserem) foi a educação, em especial a Escola Plural. Esse modelo de educação que inibe a reprovação de alunos auxilia para que as crianças cheguem aos 10, 11 anos ou mais idade mal sabendo escrever e ler. Imagino a frustração dos professores que, comprometidos com a formação de cidadãos, são inseridos nesse sistema e, sem opção (ou enquanto não têm outra opção), compactuam com essa “maluquice”.

Em minha primeira graduação não convivi com frutos da escola plural, agora sim. E mesmo aqueles que estudaram em escolas particulares, têm uma expectativa completamente diferente daquela que eu tinha aos meus 20 e poucos anos.

A compulsão por notas é quase doentia. Não importa o aprendizado, importa uma nota boa, para ficar “bem na fita” com a galera e “salvar” o semestre. Se a nota é mais baixa do que o esperado, surge o questionamento: será que o fulano me deu a cola errada ou o professor fez vários tipos de prova com as mesmas questões? Quando na verdade dever-se-ia questionar: qual parte da matéria eu não entendi? Estudar pra quê se colar é tão fácil, se o professor “deixa” colar? Estudar para que se é mais fácil me enganar?

Quando me deparo com professores que me exigem mais do que a maioria, é a glória! Glória que, comumente, dura pouco porque chovem reclamações de todos os lados. A maioria dos alunos pira com os professores “de verdade”. Afinal é preciso estudar nesses casos. E a maioria das escolas (faculdades particulares) não suporta a pressão dos alunos contra esses professores e acaba por reprimi-los em sua essência educadora e, em algumas vezes, essas situações resultam em demissão.

Estou em uma fase de intolerância, principalmente com esse tipo de situação. Optei por uma segunda graduação encolhida por um corte no currículo, recheada de professores medianos, um coordenador de fachada (quase um ator de novela mexicana) uma pedagoga amante dos gerundismos e muitas colegas a procura de um diploma (quanto mais fácil for para conseguir, melhor!) e eu lá, louca, no meio de tanto disparate.

Não me julgo melhor do que ninguém. Apenas mais exigente. Eu quero mais do que facilidades, do que gerundismos, do que novelas mexicanas, do que professores medianos, do que primeiros lugares questionáveis...

Vou até o fim em minha opção, apesar de muitas expectativas frustradas. Motiva-me estudar, os poucos professores educadores que encontrei por lá e os bons resultados que certamente virão após a conclusão do curso. E a parte boa dessa situação faz-me querer estudar ainda mais, continuar exigente e, quem sabe, fazer parte da estatística positiva do ensino.

Angélica questiona a escola plural e os frutos que ela produz. Defende os professores que atuam como educadores e as instituições de ensino que optam pela educação antes do lucro. Acredita que a educação e a cidadania andam juntas, embora muitos estudantes prefiram ser “pseudos” em ambos os temas.

Adorei nosso encontro das Balzacas e já estou sonhando com o próximo, quem sabe para comemorarmos um ano de blog!?

6 comentários:

Milena disse...

Essa realidade é da escola é triste, como também é triste pensar que os pais apostam na escola para educar os filhos, que muitas vezes crescem sem referências.
A escola deve instruir, ensinar. Aos pais fica a missão mais difícil, que é educar.
***

Também adorei o encontro Angel!
e gostei da idéia de realizarmos um encontro para comemorarmos um ano do blog =)

Renata disse...

Angel, faço idéia de como deve ser frustrante pra ti ir pras aulas depois de fazer uma graduação e ter como cenário este que se apresenta. Mas acho que pessoas exigentes com o próprio desempenho terão melhores resultados! Realmente acho e espero que isso aconteça!

També adorei o encontro! Com certeza nos veremos no próximo!
Beijão!

vanandram disse...

Angel,
amei o seu texto porque ele reflete a realidade do que enfrentamos em sala de aula, todos os dias, infelizmente. Sua postura é admirável!
Grande abraço,
Vanessa.

idéias da Cris disse...

Este texto sobre a educação é muito bom, adorei, pena que está acabando a cada dia que passa professores comprometidos com a educação, o panorama é triste, mas não devemos deixar de falar sobre educação.

Marco Túlio disse...

Ah, Angélica: parece que os filmes de ficção não são disparates, distantes...
Sugestão: consulte os biólogos, pois estamos convivendo com uma espécie quase humana. É só decifrar o DNA que verá a diferença. Imediatamente, devemos procurar "conhecer o inimigo"... É uma estratégia. Ora: eles estão aí, vivinhos!!! E tem mais: são muitos, e a cada período histórico vai-se aumentando este "exército". Desculpe-me pela franqueza, caso tenha desapontado você. Abraços. Tutu.

Rosi disse...

Visitando o blog me deparei com esse texto e foi identificação imediata. Estou as voltas de apostar em uma segunda graduação para mudar de carreira, vida, etc. Sou formada em Comunicação Social/Publicidade, fiz graduação e tudo mais, só que estou há dois anos fora da área e bastante descontente. Penso em optar pela área da educação, na qual me identifico bastante. Ao me deparar com textos como esses fico realmente triste pela verdade que a gente não quer ver/acreditar. E me questiono se será realmente uma boa opção ou mais uma frustação com "diplomas".
Um abraço e volto mais vezes, prometo.

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