quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Da relatividade

Neste último mês antes do meu ritual de transformação em balzaca, ou seja, o níver de trintona, tenho pensado no paradigma de como é bom não ter algumas das coisas que eu sempre quis, ou que todos sempre querem.

Desta vez não é pieguice, nem o pessimismo exagerado, ou a apatia que tenho visto me rondando, não. Digamos que talvez seja uma provinha do exercício de usar um pouco mais  a sabedoria acumulada em três décadas, que eu imagino fazer parte desta próxima fase, literalmente próxima.

Quer ver? Blábláblá de final de ano. Um porre. Ainda me afeto querendo fazer um esforço hercúleo para comprar presente, mandar cartão, mandar notícias pelo menos, e ho, ho, ho, ficar muito feliz porque, afinal, é natal. Sim, eu quero compartilhar coisas boas e carinho com quem eu amo, mas puxa, existem outros tantos pequenos momentos do ano que eu consigo fazer isso e nem valorizo. Eu quero mais é conseguir ligar mais vezes pra dizer que tenho saudade, mandar um e-mailzão no aniversário e dizer que eu te amo e queria estar aí. E por aí afora, e não ser apenas mais um cartãozinho vermelho no pé de uma árvore fadada ao falecimento. Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo? Que musiquinha chata, pombas! Até parece que tudo que ficou pendurado do ano que passou não virá bater na minha cachola lá pelo dia dois de janeiro. Que tudo se realize, no ano que vai nascer? O que é tudo? Defina tudo? Tá louco? E todas as coisas que eu pensei que seriam boas, mas um tempinho depois eu mudei de idéia (hum, eu diria que talvez uns 30% de tudo o que eu penso), e se elas tivessem se realizado? Tá bom, digamos que se refira apenas às que temos certeza que são boas? Que coisa chata, e o gostinho da conquista? Da incerteza? Há não! Tô fora. Muito dinheiro no bolso? Podem me execrar agora, mas tá louco? O que eu quero com muito dinheiro no bolso? Eu quero é re-aprender a ser organizada, a fazer bons negócios, bons investimentos, boas compras, e ter o que eu preciso na hora que eu preciso. Esta história de muito dinheiro no bolso combina é com “dinheiro na mão é vendaval”. Prefiro aquela lenda da bolsinha que multiplica infinitamente uma moeda, mas só faz uma de cada vez.

De quebra, o desejo por coisas que eu nunca quis também estão chegando. Seguem exemplos. A) parar de dar explicação: sinto, muito, mas não vou; ao invés de olha, sabe o que é, tenho que levar minha mãe pra fazer exame de fundo de olho e o carro estragou e vou ter que pegar o carro da vizinha da minha tia emprestado, então, não vai dar pra ir. B) Escrever um texto inteirinho sem usar “talvez”: a coisa é ou não é, caramba (xiii, isso tá longe, só nesse texto já foram dois, heim?). C) Parar de querer agradar o mundo: não gostou? Problema seu, bem! Hoje eu só consigo dizer isso da boca pra fora, mas ainda chego no upgrade de SENTIR o dane-se dentro do meu ser. D) Finalizar o que me comprometo a fazer: talvez demore, sim, mais que um ano, ou dois, porque ficar se torturando por isso, principalmente no fim do ano, se não tem outro jeito? Desligar o “E se”: e se o mundo acabar com um meteoro gigante, do que vai adiantar eu ter ficado sofrendo por antecedência todas as possibilidades remotas de desastres na minha vida? Xô exu! E) Parar de fazer listas: que é o que eu ainda estou fazendo exatamente agora.

Para este fim de ano, para o próximo ano, para a próxima década, eu quero é paz! 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. No olho do ciclone do fim do ano está bem disposta a não se afetar e aguarda ansiosa  a  despedida de 2008, apenas porque vai estar reunida com a sua família e os seus amigos queridos.  

Um comentário:

Milena disse...

Bom, tenho que admitir que, tirando no que diz respeito a parar de fazer listas, no resto você está se saindo muito bem =)

E que venham os 30 =)
beijos

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