domingo, 7 de dezembro de 2008

O dia que a máscara caiu

O filme Titanic foi campão de bilheteria em muitos lugares do mundo, só se falava no Titanic, no quanto espetacular o filme era, os efeitos especiais bla bla bla. Naquela época eu morava em Viçosa no sul de Minas. E lá como em muitas outras cidades do interior, o cinema tinha virado igreja da ‘Assembléia de Deus’.  Sem cinema e muito menos sem dinheiro, só fui ver o tal famoso filme quando foi lançado em DVD, na verdade vídeo cassete, muito tempo depois.  Esta é a parte numero um da historia de hoje. 

A parte número dois, tem a ver com a minha sensibilidade, ou melhor, insensibilidade. Na minha adolescência eu era longe de ser uma ‘manteiga derretida’, chorar pra mim só em caso de funeral e olhe lá. Tentava sempre regular minhas emoções o máximo possível. Quando o cachorro lá de casa morreu (ele tinha nove anos), minhas irmãs mais velhas choraram pra caramba. E eu lá, sendo forte me segurando, tentando ser bem lógica. Já que o cachorro estava doente, e a gente sabia que não ia ter jeito. Não tinha motivo para chorar. Chorar por namorado então era completamente proibido, eu podia ficar com raiva, quem sabe até triste, mas chorar de jeito nenhum. Então vocês podem imaginar qual era a minha opinião sobre chorar em filmes.  

Era um domingo chato em Viçosa, e eu e minha prima Bela não tínhamos nada pra fazer. Dinheiro na época não era uma coisa que andava sobrando muito. Resolvemos então ir ao cinema da universidade ver que filme estava passando. Cinema é um nome carinhoso dado a sala de exposição de filmes da universidade. Administrado por estudantes o ‘Cinema Carcará’ era a atração do domingo principalmente para os alunos que moravam na universidade. Uma sala grande com telão quase caseiro, o vídeo usado era um VHS alugado, almofadas espalhadas pelo chão, e pronto, era só encontrar um cantinho, deitar e se divertir. Dependendo do filme a sala ficava lotada, todo mundo sentadinho no chão um do lado do outro, era só espremer que sempre cabia mais um. Assisti muitos filmes graças ao Cinema Carcará.  

Mas desta vez era especial, era o filme Titanic, o tão falado filme Titanic. Eu e Bela chegamos cedo, pegamos as melhores almofadas e deitamos na frente, perfeito! O inicio foi tranqüilo, um historia de amor normal, sem ser muito melosa. Um pouco de ação e de quebra Leonardo de Caprio não tinha mesmo do que reclamar. Então chegou a parte trágica do filme. Navio afundando, gente morrendo, aquela coisa toda. Olhei pro lado e reparei que uma menina que estava do nosso lado estava chorando. Olhei com aquela cara, ai meu Deus. O filme continuou dramático, mais mortes, mais gritos e aquela cena clássica onde Leo morre, vai afundando lentamente no mar. Crise total no cinema, a mulherada toda chorando, lágrimas e mais lágrimas. Caos total. Eu olhei pra minha prima, demos uma risadinha e continuamos firmes e fortes. O filme acabou, THE END, Celine Dion cantando ‘my heart will go on ’, a mulherada se recompondo da choradeira, limpando o nariz se ajeitando pra sair do cinema. As letrinhas começaram a passar. Eu olhei pra minha prima, ela olhou pra mim... Não agüentamos mais, ohhhh JACK, ela me abraçou, eu a abracei, choramos muito, de soluçar. De fazer buáááá bem alto mesmo. ‘Oh Jack’, eu dizia, ela dizia. E o processo continuou. O povo saiu do cinema e nós lá chorando na primeira fila. As luzes foram acesas e nós lá chorando. A situação foi tão drástica que o menino responsável pelo cinema teve que pedir pra gente ir embora, pois ele tinha que fechar a sala, ele com aquela cara de quem não tava entendendo nada, e a gente chorando. No caminho pra casa mais chororô, oh Jack, oh Jack... 
 

Liz nunca tinha se emocionada tanto, sentiu um alivio de poder chorar tudo que tinha direito. Hoje em dia continua controlando um pouco o lado emocional, mas se dar permissão pra chorar em algumas ocasiões. Outro dia chorou assistindo animal planet. 

3 comentários:

Lekkerding. disse...

Eu até hoje não entendo a razão desse filme ser tão emocionante pras pessoas, e já assisti algumas vezes. Não chorei, não nada. Não vi a graça.

Gisele Lins disse...

Hahahahahaha! Adooorei teu post Liz, oh Jack, oh Jack, hahahahahaha! Muito bom mesmo! Eu era mais chorona, chorei no Titanic, chorei quando o pai do Rei Leão morreu, chorei quando o Lobo bonitão de Dança com Lobos morreu, chorei quando o ciclope se afogou na areia movediça na Lenda, e quando o menino encontra os pais no Imperio do Sol (puxa que Matusalém isso, heim?). Faz muito tempo que isso não acontece, uma pena, pois eu acho natural, saudável e nada vergonhoso. Agora chorar no Animal Planet é o ápice da catarse, heim? Um beijão pra você!

Marcela disse...

Hahahaha!

Bem, da primeira vez que eu vi Titanic, eu... dormi! haushau

Mas na segunda, qdo vi tudo, eu tbm não aguentei e tive que chorar!

Adorei o texto, parabéns! =)

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