sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Adivinhações e Promessas de Ano Novo

Primeiro dia do ano, alto verão, muito sol, férias e eu na Bahia. Que mais poderia eu almejar? Comida, bebida e boa companhia. Tem também. E assim fomos nós para um restaurante chiquetésimo da Praia do Morro usufruir da generosidade da vida.

Devidamente acomodados num ambiente lindo e fresquinho de ar condicionado (invenção dos deuses, fala sério!!), pedimos nossos belisquetes e alquinhos (álcooiszinhos fica feio, né?) e pusemo-nos a praticar o mais agradável dos esportes: falar da vida alheia. É claro que falando assim pode ficar parecendo que somos pessoas ruins, de mau coração, reles fofoqueiros. Mas que atire a primeira pedra aquele que nunca se pegou observando as pessoas e criando verdadeiras epopéias imaginárias. Basta um estimulozinho e pronto.

Foi bem fácil começar o jogo de suposições.  A Juma Marruá estava sentadinha numa mesa bem em frente à nossa. Quero dizer, sentadinha à mesa. E olhem que o varão que acompanhava a moçoila não era de se jogar fora. Alguém se lembrou que a Juma Marruá é uma das vítimas preferidas daqueles e*cro*os do Pânico e que ela havia, segundo uma revista destas que traz informações sem as quais não poderíamos seguir vivendo em paz, dado uma resposta curta e grossa naqueles sem o que fazer. Bastou um único pedido de autógrafo pra começarmos a especular quão chato deve ser você estar afim de jantar num lugar tranqüilo e namorar um pouquinho, mas ter que passar a noite dando autógrafo pra fã. Até porque, convenhamos, qual a finalidade prática de um autógrafo? Concluí que deve ser encher o saco do coitado, no caso, coitada: a Juma Marruá, que comeu igual pato e foi embora rapidinho.

Papo vai, papo vem, estávamos lá, bebericando nossas caipis/chopes e eis que adentra o recinto um casal, digamos, exótico. Um cinqüentão (quase sessentinha) de shorts de jogar tênis, camisa pólo listrada e cara de quem tinha muitos euros na conta bancária que, temos certeza, sequer se abalou com a crise financeira mundial. Naquele bolso, sim, tínhamos certeza, a crise estava sendo só uma marolinha!! Já não podíamos dizer o mesmo da acompanhante do sessentinha: a moça não parecia que ia ficar só na marolinha. Devia ter no máximo uns vinte anos e era bem bonita a rapariga. Mas via-se de longe que não havia freqüentado a Socila: que maquiagem é esta, minha filha?!! Alguém se esqueceu de contar pra moça que a gente estava na praia. E aí a coitadinha gastou um quilo de base e pó facial pra ficar com uma cara de porcelana que não tem nada a ver com mar, areia, sol, sal e suor.

Logo de cara o sujeito fez uma grosseria sem tamanho: passou a mão no celular e disparou a ligar. Infelizmente havia um blindex impedindo que meus ouvidos de cachorro interceptassem o diálogo. Devia ser trabalho, pela cara de tédio da mocinha. Chegaram nossas casquinhas de siri e pusemo-nos a divagar sobre quão frustrante é pedir uma casquinha de siri em Minas quando, D REPENTE – momento merchandising – surge o garçon, visivelmente contrariado, e deixa sobre a mesa do casal exótico UMA PORÇÃO DE BATATINHAS FRITAS!!! Epa, epa, epa! Tem gente que não sabe pedir, viu? Com tanto camarão e peixe aqui, vai comer batata frita lá na zona, disse alguém.

Estava explicado o óbvio! O serviço que já tínhamos certeza que a rapariga prestaria não incluía bate papo. E lá ficou o sessentinha grudado no celular enquanto a mocinha devorava batatas fritas como quem come camarão empanado e olhava em volta com cara de tédio. E nós fazíamos uma ginástica mental imaginativa para adivinhar o que significaria aquele cenário (se bem que tava mais pra massagem relaxante mental do que pra ginástica).

“Acho o cúmulo da indelicadeza duas pessoas sentadas numa mesa e uma delas grudar assim no celular!!” “Mas ali não há vínculo de afinidade, só prestação de serviços.” “Certamente bate papo não está incluído no pacote.” “Ah, mas mesmo assim, puta ou não, ela está sendo vítima de uma senhora falta de educação deste cara.” “Gente, mas como que vocês sabem que ela é garota de programa?” “É garota de programa sim! Olha lá pra você ver!”

Todos olharam e viram quando chegou o filé com fritas da menina. Como é que pode alguém comer DUAS PORÇÕES DE BATATA FRITA tendo tanto camarão disponível, meu Deus? “E se ela for alérgica?” “Pobre é foda, tem alergia de camarão; mas chuchu, angu e vagem com ovo desce que é uma beleza!!” “Que alergia que nada, rapaz! Isto é desculpa porca de quem não tem bolso pra comer camarão!”

Continuamos neste papo altamente instrutivo (a orelha da menina devia estar pegando fogo) quando, D REPENTE – mais um momento merchandising – a marafona de porta aberta (sim, já havíamos decidido a profissão da pobre coitada) chama o garçon, pede a conta, PAGA e diz pro sessentinha: olha, fulano, até sem vergonhice tem limite!! Cansei de pagar suas contas e não merecer sequer educação da sua parte! Você fica aí, pendurado nesse telefone, eu aqui, comendo batata frita pra ver se pelo menos uma aberração destas chama a sua atenção e você não desprega a orelha dessa porcaria!! Cansei!! Qualquer hora vai ter gente achando que a puta aqui sou eu!!!

 

Laeticia incluiu na lista de promessas de ano novo parar – pelo menos tentar – parar com suas adivinhações de meia tigela.

3 comentários:

carlinha disse...

huahuahuahauhau Tõ passando mal de rir Leleca!!!! Afeeeeee.... Quem vê cara não vê bolso minha amiga!!!!! E não vê mesmo!!!!

Adorei e tô me matando de vontade de estar em Salvador de novo!!!!

Amo aquele lugar!!!!

Um maravilhoso 2009 p vc e que possamos nos encontrar mais esse ano!!!!

Beijos

Angel disse...

Preciso dizer que adorei esse texto...!? kkkkk
Você se supera sempre Maria!

bjos!

Evandro disse...

A "fauna humana" é realmente muito espantosa. Em uma narrativa tão fascinante fica ainda mais surpreendente.

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