segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Minha irmã, meu São Francisco de Assis

Quando criança já era assim, presença constante dos animais. Em nossa casa sempre tivemos vários, por vezes inúmeros e diversos. Minha irmã e meu pai sempre foram os mais apegados, os mais cuidadosos, enquanto eu, gostava mesmo era de fazer experimentos. Lembro-me de minha irmã no jardim com os braços abertos e olhos fechados, não sei ao certo se cantava alguma música conhecida ou se era alguma espécie de cântico em língua por ela mesma inventada, fato é que o intuito era encantar passarinhos, sim. No entanto e para ela infelizmente, essa técnica só funciona mesmo em filme. Mas ela nunca se deu por vencida e tenta, teimosamente, ensinar gato a não comer passarinho, galinha a não comer as verduras e a cachorro enterrar suas necessidades fisiológicas. É, ela sempre foi assim, quando nosso cágado (um tipo de tartaruga que gosta de ficar na água) transbordou da piscininha e se perdeu pelo jardim adentro, ela chorou, quando os coelhos procriaram tanto ao ponto de deixar todos enlouquecidos e foram distribuídos entre amigos e vizinhos, ela também chorou, quando nossos infinitos gatos pegavam passarinhos, também, e até hoje ela é assim. O mais engraçado é que ela atraí animais perdidos e abandonados, outro dia foi a vez de um filhote de andorinha. Ao ir na rua comprar pão, me volta com o pão, claro, e um minúsculo filhote de andorinha, segundo ela, estava caído na calçada. Bom como já é de se esperar, temos gaiolas vazias em casa, no caso desses incidentes acontecerem, usualmente cuidamos do pobre pássaro e depois o libertamos saudável e feliz. Mas esse coitado, talvez por ser tão pequenino, talvez devido a queda, não resistiu e no dia seguinte estava lá, duro, caído, no chão da gaiola. Ela veio chorando ao meu encontro, o passarinho morreu. Ela sempre foi assim, e sempre será, meu São Francisco de Assis. 

 

Acontecido na semana passada, me fez pensar nesse conto. Ao mesmo tempo que me sinto feliz por existirem pessoas assim, gostaria que minha irmã sofresse menos com as leis naturais da natureza.

2 comentários:

Laeticia disse...

Pelo visto, Ana Maria é parente do meu Tio Joaca... Mas não fique achando que ela sofre, porque o que ela ganha dos animais de volta pessoa nenhuma nunca será capaz de dar. Bichos são melhores que pessoas. Acredite. Beijos.

Mariana disse...

Adorei seu texto Silvia! E me identifiquei muito com ele! Sou o maior pára raio de cachorro abandonado! Adoro bichos tambem! Beijos!

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