sexta-feira, 15 de maio de 2015

Quem sabe ainda sou uma garotinha

A gente nasce, rala o joelho, leva cinco pontos na sobrancelha, quebra o braço, cresce, tem o coração partido, cola todos os caquinhos, se refaz, põe o vestido mais bonito, ensaia o melhor sorriso e vai à luta.

A gente quebra a cara, mas não desiste. Se a gente aprende com tudo isso? Até aprende sim. Mas o ato de aprender não anula a sua vontade de tentar de novo e de novo e de novo. Quantas vezes forem necessárias. Quantas vezes você achar que aguenta. E a verdade é que você aguentaria muito mais do que acredita ser capaz.

Dentro de toda mulher reside uma força inigualável. Quantas vezes você sacudiu o pó e fingiu estar bem, mesmo chorando por dentro? Quantas vezes você escreveu uma mensagem e apagou ou escreveu em um papel e rasgou em seguida, na esperança de que isso matasse sua vontade desesperada de procurar a pessoa?

Quantas vezes você engoliu o choro, o ciúme, a raiva? Quantas vezes você respondeu um “Oi, tudo bem?” com “Oi. Tudo bem.” Quando você queria responder: “Oi. Não to nada bem não. Estaria bem se você estivesse aqui comigo ou quem sabe então nós dois em Fernando de Noronha. Não precisa ser Paris não. Ali em Floripa já estaria bom. Na verdade só a parte do você aqui comigo já estaria mais do que bom”. Mas você só respondeu: “Oi. Tudo bem. E tu?”.

E isso não é ser forte querida? Claro que é. E é só uma pequena amostra da sua força. Somos metamorfose ambulante, como sugere aquela canção que você já ouviu mil vezes na vida. Fazemos coisas que até Deus duvida (a rima nem foi intencional). Nos depilamos, ficamos cinco horas sentadas na cadeira do salão de beleza retocando as mechas, tratamos o canal do dente sem anestesia, temos cólica, sofremos as dores do parto.

Somos fortes. Que ninguém duvide disso.

Mas às vezes somos só garotinhas que apesar de terem crescido, só precisam de colo e carinho.


Andri escreve às sextas-feiras e acordou hoje meio “sei lá”.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Das delícias dessa fase

No princípio eu achava estranho.
Frequentava os mesmos lugares, as mesmas pessoas, mas não tinha muito sentido.
Culpei a situação.
Culpei os lugares.
Culpei as pessoas.
E por fim culpei a mim mesma, por estar sempre me agarrando às opiniões de todos, menos à minha própria. Menos aos meus fatos. Menos à minha própria história.
Achei estranho por uns bons anos.
Mas, como sempre acontece na vida de todo o mundo, uma hora “a coisa” tem que mudar. E você muda.
Muda tudo.
Nem tanto assim fisicamente. Ou então a gente não percebe...o que é bom não é?
Minhas preocupações (vulgos “pitis”) são bem mais brandas em relação cabelo branco, a ruga na testa, as bolsas nos olhos.... Tenho aprendido a conviver com elas. A mudança importante e menos visível é a que vos apresento.
Ocupei espaços. Ocupei pessoas. Me ocupei de outras. De situações também.
As opiniões, agora, são mais minhas, e meu botão do “fodase”está mais acessível à mão.
Percebi que o tempo passa muito rápido mesmo. Não é boato...
Aos 39 estou eu, aqui, buscando realizações pessoais, que venho protelando desde os 20 e o amor (que sei que é) para a vida toda. E as coisas vão acontecendo... Como se tivesse dado o primeiro impulso numa peça da engrenagem.
Então a balzaca, que daqui há alguns poucos meses será uma mulher de 40 (chamem o Roberto!), tem uma frase de impacto e nem um pouco antiquada (sarcasmo mode on): “A vida começa aos quarenta!”

LorisB. está bem próxima de fazer 40 anos e está feliz com a clareza que essa fase traz. Apesar das bolsas embaixo dos olhos...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Extermínio de fadas

“ (...) Em guerra lutando por paz...” (Moska)

Andei parafraseando Peter Pan nas redes sociais outro dia, na postagem seguinte: “Cada vez que você posta uma indireta ou entende que uma postagem neutra de alguém é uma indireta para você, uma fada fica doente.”

Claro que era para fazer graça e claro que isso foi uma (in)direta elegante e divertida. Mas o que afinal eu quis dizer com isso?! Quem se importa com as fadas?


Eu sempre acreditei em e admirei fadas. Tenho uma tatuada, de uma brincadeira permanente de final de adolescência. Fadas para mim representam a possibilidade de poder fazer o bem (além de um símbolo de feminilidade). E acredito que todos podemos ser fada, basta querermos, mesmo sem varinha de condão ou pó de pirlimpimpim. Admiro muito as pessoas fadas. Aquelas que doam um pouco do seu tempo para ajudar ou apoiar os outros. Além da tatuagem, tenho uma fada de carne e osso também, o maior exemplo de ser humano que alguém pode ter! Sabe aquela pessoa que mesmo com o mundo caindo a sua volta não esmorece e ainda tem sempre uma palavra linda e um abraço apertado (e emocionado) para dar para a gente? Essa é a tia Zita.

Quando digo que uma fada fica doente, quero dizer que esse tipo de comportamento desrespeitoso e expositivo machuca pessoas boas. Leia-se pessoas boas aquelas que tentam fazer o bem para si mesmas, vivendo em paz e fazer o bem para os outros, transmitindo paz. Ei, fazer o bem muitas vezes é se afastar de alguém também!

Desde criança nunca aceitei bem a exposição, seja minha ou de outras pessoas. Choro com a minha, nó na garganta com a de outros. Essas indiretas disfarçadas, em que todo o resto da sua rede em comum de amigos sabe exatamente de quem se está falando. Postagens com o intuito de criticar ou ridicularizar. Violência e agressividade passiva. Tentativa de influenciar outros, violência mais uma vez.

(quanto a mim, ainda se me citasse corretamente poderia aumentar meu h-index!! Dica para a próxima citação: Piovesan, L.A.)

Exposição também é quando se escreve qualquer coisa sobre a vida pessoal de qualquer pessoa, sem a sua autorização. Pode ser amigo, mãe ou o papa, não importa.

Precisamos ser mais civilizados, da mesma forma que na vida real, é necessário ética para usar as redes sociais. Pense trinta vezes antes de postar! Podemos estar fazendo coisas que em outros países ou se o alvo quisesse, poderiam dar em processo!

Sobre exposição ainda, ontem estava pensando (aniversário é uma praga que faz a gente refletir!) em como as pessoas julgam nossa vida pelo que está exposto na rede social. Por exemplo, se na minha timeline só tem o meu cachorro fofo, as pessoas acreditam que nada mais me importa, quando na verdade é uma escolha minha. Eu escolhi postar fotos do meu cachorro fofo para fazer os outros sorrirem. Meu amor, meus afetos, meu trabalho e minha vida eu divido se e com quem eu quiser. Sou bem egoísta em relação a minha vida – da mesma forma que se me pedirem um pedaço do meu quindim! 

Peço clemência! Parem de maltratar as fadas, elas não merecem essa agonia! Esse mundo tão do avesso não pode ficar sem fantasia, ilusão e esperança. Depois a fada vira Malévola e ninguém sabe o porquê!

Luciana escreve as quarta e é uma boba que sofre com a exposição da sua pessoa  e chora por isso, até hoje. Ela tem considerado um afastamento maior da rede social a fim de manter a ternura e a lucidez, embora pudesse perder vários tesouros e boas inteirações com isso.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sobre o amor, a gratidão e a fé no ser humano


“Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria..”

Essa música do Zeca Baleiro já foi uma das minhas preferidas, e acabei por cansar de tanto ouvi-la. Mas há 1 semana, nunca combinou tanto com meu estado de espírito. Era pura felicidade!!!!!!!!! Indo para o trabalho, curtindo no som do carro uma das playlists do meu Spotify (um vício!!!), ao som de “Remedy”, do The Black Crowes, dançando, sorrindo, dando a vez pro folgadinho do carrão que se meteu na frente.... Mas ok, tá tudo lindo! Acontece que há 15 dias meu pai está lutando contra um câncer. Uma notícia repentinamente desagradável, daquelas que você nunca espera receber... Sempre é com o outro, com o vizinho, com o conhecido, o amigo do amigo... Acontece que a maldita bateu à nossa porta,.. Uma corrente de orações foi requisitada, e ela veio. Veio com força, veio com tudo, veio com poder. Foi lindo. Nunca tive um post no face tão “curtido” (quase 500 likes), com o pedido de orações/ vibrações positivas pelo meu pai. Ele é professor há muito tempo, daqueles dos mais queridos, sabe? Cansei de ouvir “nossa, seu pai foi um dos melhores professores que tive..” Fora isso, a família é gigante (ele tem 13 irmãos!), fora os inúmeros amigos que ele fez pela vida... Junto a esses, os meus, dos meus irmãos, da minha mãe, os amigos dos irmãos dele... E por aí vai... Fora ele ser um homem bom e extraordinário, mas ok, isso eu sou suspeita para falar... Foram 13 compartilhamentos. Gente de todo canto do mundo (incluindo os parentes e amigos no ´estrangeiro´). E funcionou! Graças ao comandante maior lá de cima, claro, que é quem manda. Mas graças também a essa gentileza sem tamanho, de gente que parou um pouquinho (ou o dia todo, como foi comigo e muitos da família), para fazer o que estava fazendo, e rezar, orar, mandar energias, boas vibrações, o que seja, no momento que meu pai estava sendo operado. E deu certo! Todo o tumor foi removido, nada no entorno. Recuperação ótima e hoje já está de alta. Meu pai se diz um novo homem, não sente mais dores, e está com muito mais vontade de viver! Ainda não sabemos o que virá depois, pois aguardamos o resultado da biópsia do tumor. Mas temos certeza que o pior já passou, uma batalha foi vencida. Seguindo na fé que iremos vencer completamente essa! 

Então, quer saber? Pode me chamar de “Pollyanna”. De boba. De ingênua. De piegas. Mas eu acredito muito no ser humano. Eu acredito no amor e na bondade. Eu acredito na solidariedade despretensiosa. Eu também acredito no mal, mas não deixo de acreditar na bondade alheia. Naquilo que o ser humano é capaz de fazer pelo outro, especialmente nos momentos difíceis, de aflição e desespero. Esse discurso de “prefiro um animal a um ser humano” está longe de ser meu. Amo os animais, tenho três bichos em casa e queria poder adotar todos os cachorros e gatos de rua do mundo! Mas tanto quanto o amor pelos bichos, existe o amor ao outro de carne e osso. Eu gosto de gente. E ainda mais gente do bem. Gente que ajuda a gente, quando a gente precisa, quando a gente pede socorro. “Eu tenho fé é na rapaziada”... Se hoje meu pai está bem, tenho certeza que essa corrente do bem foi fator determinante para tal.

Então, eu te pergunto, meu (minha) caro (a): como ficar imune a tanto amor e ajuda assim? Como não ter fé, como não ser otimista, como não ser grato, como duvidar do homem e do seu poder, como duvidar de Deus? Eu não me atrevo. E a vontade que eu tenho é não só beijar o português da padaria, mas abraçar e sorrir para o mundo. Retribuir tudinho! E quando ele voltar de SP, dar muitos e muitos beijinhos no meu paizinho.....

Gabriela já se conformou que é uma otimista crônica, mas não tem nenhum problema com isso.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

De repente, indignei

TPM, inferno astral, pré-36, mundo acabando.

Sim, mundo acabando. Sabe o que eu acho? Eu acho que estão todos loucos. Eu, tu, ele, nós, enfim... o mundo.

Alguém manda as pessoas baterem panelas, elas batem. Alguém manda baterem em professores – da cintura pra cima, no rosto de preferência – eles batem. Qualquer pessoa que não tenha se sensibilizado com esse fato, ou que tenha achado normal, louca. Não ter mais no que confiar – cada reportagem de cada fonte diferente dizer uma coisa diferente sobre qualquer assunto que seja, deixa qualquer um louco. O fato de nunca termos tido tanta informação – e o fato de não podermos confiar nessa informação, loucura. Pessoas que usam as redes sociais para atingirem as outras gratuitamente, loucas. Sejam conhecidas, amigas, parentes ou nos comentários das reportagens desconfiáveis, não importa, loucas. Eu que ligo a TV todos os dias e fico “assistindo” o canal do cliente por pelo menos meia hora até me dar por conta, louca. Eu que digo que não vou me afetar mais com o afetamento alheio e me afeto, uma louca afetada. 

Sabe quem é sábio e sensato? Meu cachorro, Bob Dylan. Esse sabe viver! Morando no segundo andar, se está sozinho em casa e não tem quem jogue a bola para ele, ele joga a bola pela varanda, pois sabe que a vizinha do primeiro andar vai jogar de volta para a varanda. Em seguida, o que ele faz? Ele devolve! E assim arranjou alguém para jogar bola com ele, por algum tempo, mesmo estando sozinho. Dá o jeito dele para ser feliz!

Batendo na mesma tecla: a vida é curta para tanto afetamento! Bora ser mais leve! Bora ser mais Bob!


Luciana está conseguindo escrever as quartas e está contente com essa disciplina anormal. Faltando poucos dias para mais um aniversário tem sentido que a idade, decididamente, não traz maturidade - essa vem (ou não) das experiências que a gente se permite (ou não) ter pela vida.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Como atingir a felicidade plena

A receita, caros leitores, para atingir a felicidade plena é: estar presente.
Sem ansiedades, sem expectativas, sem frustrações, apenas vivendo a sua vida naquele momento. Digam o que disserem: que é simplório (prefiro que seja simples), que é ilusão, que é difícil ou que “ah, mas você não sabe dos meus problemas”. Não importa, mantenho minha opinião.
Outros poderão alertar: nem sempre estar presente traz a felicidade, pois há momentos de dor também. Sim, há. Desculpa aí se alguém achava que nesse texto encontraria uma simpatia para acabar com o lado triste da vida... esse lado é fato consumado, não é opcional no pacote que aderimos ao nascer. E faz parte do equilíbrio da vida, afinal são esses altos e baixos é que mantêm nossas trocas gasosas, e o nosso coração batendo. E estando presente neles, a gente também passa a se conhecer melhor, a reagir melhor, a valorizar as coisas boas ainda mais.
Compartilho com vocês um exemplo perfeito de felicidade plena: amizade, bom café e panquecas! Simples e lindo assim!
 



Renata está fazendo da presença um exercício cada vez mais constante, desde que começou a ler “Para viver em paz: o milagre da mente alerta”, de Thich Nhat Hann, e recomenda a leitura para quem quer viver melhor e mais feliz. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Para Teodora

E então você chegou. Em uma despretensiosa manhã de segunda-feira. Era fevereiro, as “pessoas comuns” viviam a expectativa do carnaval que se aproximava, mas nesse momento eu não me encaixava no conceito de “pessoa comum”. Eu estava me tornando uma pessoa especial. Eu estava, definitivamente, me tornando mãe.

Em poucos minutos os nove meses que esperei para conhecer o seu rosto passaram como um filme na minha cabeça. Lembrei-me do dia da descoberta de que estava grávida. Era junho. O Brasil jogava pela copa do mundo, mas nada mais me importava. O mundo continuava girando, mas o meu mundo de repente parou. O sonho viraria realidade. “Vou ser mãe” era a mensagem que meu cérebro repetia sem parar.

Daquele 17 de junho até o dia 9 de fevereiro muita coisa aconteceu. Muita coisa mudou. E você cresceu dentro de mim. Fez minha barriga ficar imensa, presságio do que aconteceria com o meu coração depois de sua chegada.

Não sei dizer se passou rápido demais ou demorou uma eternidade para o dia do seu nascimento chegar. Fato é que ele chegou e agora eu estava deitada naquela maca te esperando. Ouvi seu choro. Olhei nos seus olhos. Minha esperança na vida renasceu. Passei a achar tudo lindo. Nenhum esforço é grande demais. Nenhuma distância é longa demais. Por você, TUDO. Se eu pudesse voltar mil vezes a esse mundo, te escolheria em todas elas para ser minha, embora eu saiba que foi você quem me escolheu para ser sua mãe e agradeço todos os dias por isso.



Andri escreve às sextas-feiras e andou ausente todo esse tempo porque estava ocupada demais babando sua filha, a Teodora, hoje com 2 meses e 22 dias.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

“Chá quente é um carinho, né?”

As palavras de uma grande amiga (tá, ela é pequena, mas grande na pessoa e grande na amizade!): “Chá quente é um carinho, né?” – me fizeram pensar nos carinhos que fazemos para nós mesmos. E como é bom! Tão bom quanto receber carinho alheio. Tão bom quanto oferecer carinho.

Chá quente em dia frio – ou no ar condicionado gelado do trabalho;

Um quindim em dia de mau humor;

Banho morno depois de um banho de chuva;

Se permitir fazer nada depois de um dia estressante;

Ou se permitir acordar tarde no sábado depois de uma semana daquelas;

Uma comida bem feita e saborosa, já que dieta não é carinho;

Um “auto-presente” em época de aniversário, ou simplesmente porque você merece.


Todas essas coisas de quem tem amor próprio, seria então “carinho próprio”? E quem enxerga que isso é carinho, será grato e feliz ao receber. 

Abraço apertado de uma pessoa querida;

Lambida do cachorro;

Um chá quente em dia frio e um quindim para animar;

O tempo que alguém despende para fazer nada junto com você;

Ou o tempo que alguém despende para te acompanhar em algo que te estressa;

Um prato de comida bem feita especialmente para você;

Um telefonema – sim! Ainda se usa! – só para saber como você está.

Ser cuidado quando se está doente.

Para estes, também será natural oferecer carinho, principalmente aquilo que considera carinho para si mesmo. E carinho não é algo restrito as suas amizades, não – pode ser oferecido inclusive para um desconhecido, como em um ato de doação ou de trabalho voluntário. 

Da mesma forma que é necessário amor próprio para amar o outro, é necessário carinho próprio para acarinhar o outro. E como é bom ter e receber conforto! Sobretudo em época de tamanha animosidade – bora aprender mais sobre carinho!


Luciana escreve as quartas e não sabe viver sem dar carinho. Mas para dar é preciso receber, e para receber é preciso carinho próprio! E fica a dica do quindim! :--)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vamos parar de contar o tempo?

Qual o tempo que um relacionamento precisa ter para ser validado? Ou para ter dado certo? Estranha essa mania das pessoas contarem o tempo, principalmente em relacionamentos. “Aniversário de dois anos de namoro”. “Ah, estamos juntos há apenas cinco meses, ainda é cedo para morarmos juntos”. “Ficamos apenas por dois anos juntos, não deu certo.” 

Já vi relacionamentos de seis meses terem dado muito mais certo do que de quatro anos. Pessoas, as quais ficaram por pouco tempo juntas, terem feito muito mais diferença e trazido tão mais uma para a vida da outra do que outras que ficaram por bastante tempo. Pessoas que ficaram juntas por um ano conhecerem-se muito mais do que aquelas que ficaram por onze. Um relacionamento para ser validado deveria levar em consideração outras características que não o tempo de duração: complementaridade entre o par, apoio, divertimento, intensidade, respeito, confiança, sexo e até aquele tal de amor, que tanto se fala e pouco se sente. 

Existem relacionamentos longos onde só acontecem desencontros, parasitismo, e desentendimentos e normalmente estes são validados, afinal deram certo - duraram longos anos! Dentro desta lógica, só vai ter dado certo se os indivíduos ficarem o resto da vida juntos! Ou seja, você pode ter tido vários relacionamentos felizes e plenos e, caso nunca se case com só a morte separando, você não terá tido nenhum relacionamento que deu certo. E se nada dá certo, você está fadado a ser frustrado, frustrado você está fadado a infelicidade eterna – e toda aquela felicidade que os relacionamentos causaram é esquecida. E, pensando bem, você nunca saberá que o seu relacionamento deu certo, a não ser que o cônjuge amado desencarne antes – aí você poderá dizer: deu certo!

Parece uma tremenda perda de tempo esta contagem, gastamos energia com o que não importa e não nos envolvemos de fato. Podemos até deixar de viver um lindo e intenso relacionamento de seis meses, uma vez que este não seria validado. E podemos ficar presos em relacionamentos de anos que não fazem mais sentido.


Que tal se deixássemos de contar o tempo dos relacionamentos e passássemos a senti-los? Aproveitá-los? Viver tudo o que este relacionamento pode trazer, ser feliz, crescer e aprender com ele, mesmo que dure três meses, quatro anos ou a vida inteira?

Se com cinco meses de namoro quiser ir morar junto para experimentar, vai. Se com um ano quiser casar com direito a igreja, padre e bolo, vai. Se com dez anos não reconhecer mais a pessoa com quem se casou, saí. Se der pé e o até a morte os separe rolar, melhor ainda!

Contar o tempo, logo ele que é tão efêmero...nos faz perdê-lo, envelhece e causa rugas. A vida é pra já, e o tempo perdido vale ouro!


Luciana está tentando escrever as quartas e já viveu relacionamentos de dois meses a alguns anos e considera todos válidos, pois aprendeu muito com eles e foi feliz, mesmo sem pretensões de eternidade. E, vivendo de bons momentos, tudo tem dado certo.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Coleções!

Uma das coisas que me interesso em saber das pessoas é sobre as coleções. Acho que mostra um lado interessante das pessoas, uma leve obsessão, um hobby ou, ao menos, uma boa história para ouvir.
Acredito que todas as pessoas tenham alguma coleção ou pelo menos já tenham feito uma. Existem aquelas coleções da moda, como as figurinhas dos álbuns de time de futebol, da copa, tazzos (agora confessei a idade) e essas coisas. Existem desde as coleções clássicas, de moedas, selos e chaveiros, até as mais esquisitas, como pulgas e aquelas que não são para os pobres mortais, como carros.
Existem umas coleções que nascem do acaso. Meu pai, sabe-se lá porque cargas d’água, resolveu que a gente devia ter uma coruja ENORME em cima da casa. Por causa disso, ele começou (e continua) a ganhar várias corujas, miniaturas, e formou-se a coleção. Eu já colecionei figurinhas e papeis de carta. Guardo moedas dos países que já visitei, mas não considero uma coleção (um punhadinho de níqueis que só tem significado pra mim mesma). Não curto a ideia de colecionar por colecionar, e não consigo me dedicar a isso.
Apesar disso, hoje mantenho uma coleção, que começou a muitos anos, de forma totalmente não intencional. Quando eu era criança ganhei da minha madrinha um azulejo que ela tinha pintado, tem um cachorrinho e umas florzinhas. Eu gostei, mas não tinha ideia do que fazer com aquilo... Não sou muito apegada  a coisas, mas nunca me desfiz dele  porque, afinal de contas, ela tinha feito para mim, e eu adoro coisas únicas e personalizadas! Acabou que, uns anos atrás, uma amiga me trouxe como presente de uma viagem: adivinhem o que? Sim, outro azulejo. Esse com a Mafalda, que amo! Massa, eu pensei, agora ao invés de um, tenho dois azulejos! E ainda não sei o que fazer com eles...

Aí veio o “estalo”: posso colecionar azulejos! E aí, daqui um tempo eu vou ter uma pilha de azulejos empoeirados e provavelmente quebrados... Não pareceu assim uma ideia tão boa. Mas pensando um pouco mais longe, eu sei que quero construir uma casa (local a definir, aceito sugestões). Quando a vida estabilizar, quando a momento for certo, vou querer sentar, planejar e construir uma casa sob medida. E nessa hora os azulejos vão ser perfeitos! Vou poder colocar na parede muito carinho e as histórias de lugares e pessoas que conheci! Aí, sim, nasceu minha coleção de azulejos. Ela cresce devagarzinho mas cheia de amor, com lembranças de quem viajou e lembrou de mim e com recordações de lugares onde fui e que vou guardar não só no coração.


Renata deixa o relato da sua coleção e um sutil “ficaadica pros amigos que vão viajar e não sabem o que trazer de presente! 

domingo, 19 de abril de 2015

Sobre a ansiedade...ou o medo por antecipação

Será que vou conseguir finalizar esse artigo dentro do prazo?
Será que vou conseguir escrever minha tese?
Será que estou ficando doente?
Será que essa dorzinha constante pode ser grave?
E essa dor de cabeça? Será que pode ser um tumor?
Será que fechei a porta de casa? Ou desliguei o gás?
Será que serei assaltada? Ou, pior ainda, estuprada?
Será que aquela pessoa está me olhando tanto porque há algo de errado comigo?
Será que as consequências de todas as escolhas erradas que cometi na minha vida vão me assombrar eternamente?
Será que esse constante aperto no peito, que não me deixa respirar, vai continuar piorando e me sufocando?
Será que todas as noites vou acordar em pânico e com taquicardia porque sonhei que coisas ruins acontecerão em minha vida?
Será que essa ansiedade constante, esse medo insano de coisas que ainda não aconteceram (e que podem sequer vir a acontecer) pode acabar se tornando incontrolável?

Déia escreve aos domingos e, nos últimos tempos, apesar de racionalmente saber que isso é puramente psicológico, anda às voltas com "crises" de ansiedade cada vez mais frequentes, que andam deixando sequelas, inclusive, no âmbito físico.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Papo calcinha ou drink de vampiro

Eis que aos trinta e tal você descobre que não sabe nada sobre menstruação! e olha que a essa altura você já passou pelo menos dois terços da sua vida sangrando, todo mês.

E não me venha com esse papinho de que menstruação é boa e tal. Não é. É uma meleca, por mais cuidadosa que você seja, tem um cheiro ruim, você se sente suja, desconfortável, enfim. Até que de curiosa você decide comprar um copinho de silicone medicinal de custa setenta reais - o tal do coletor menstrual - e aí você descobre que não sabe de nada, inocente! Menor que um vidrinho de esmalte, com a forma de uma tulipa. Já tinha lido vários relatos e sempre achava todos exagerados e sempre pensava: ok, deve ser legal mas não exagera né galera! Ele não há de fazer a menstruação deixar de ser um sofrimento!

Absorvente comum é uma merda, você fica com um colchão, uma fraldinha entre as pernas e lá aquele sangue velho apodrecendo entre as suas pernas. Pois é, não é azul e lindinho como mostra na tv. É sangue. E em contato com o oxigênio e abafado na sua queridinha as bactérias se divertem. Aí é que fede, coagula; e vaza, mancha sua roupa, sua cama. Você acorda parecendo que vai afogar de tanto sangue. Espirrar, nem pensar! Absovente interno também é péssimo. Parece que você tá uma rolha entre as pernas. Aquilo além de absorver o sangue absorve também todo a lubrificação natural que existe dentro de você. E incomoda pacas. Sem falar no tanto de lixo que ambos geram né?

O copinho (nome íntimo do coletor menstrual) é super flexível, molinho. Aí você dobra ele (existem vários tipos de dobra) e dobradinho ele fica do diâmetro de um absorvente interno. Aí você coloca ele lá dentro de você - esse era meu medo! Mas não é láaaa dentro! O absorvente interno fica bem mais "lá no fundo" do que o copinho. Então lá dentro (logo ali na entradinha) ele se abre e forma tipo um vácuo que faz com que ele fique firme lá. Enquanto isso você vai ser feliz, espirrar, abaixar, nadar, dá até pra esquecer que você está menstruada, pois não dá pra sentir ele dentro de você! Dá até pra dormir sem calcinha! A cada 12 horas você tira, lava e coloca de novo! É nessa hora que tudo muda! Primeiro que você olha pra aquele copinho antes de colocar e pensa que vai encher aquilo em 3 horas! Mas na verdade por mais que seu fluxo seja intenso, os 30 ml (média de capacidade dos coletores que existem no mercado) são mais que suficiente! Eu usava absorvente noturno e meu copinho nunca passou da metade! Depois você percebe que não tem aquele cheiro de menstruação. Não tem cheiro de nada. Quando muito um cheiro (suave) de ferro. E o aspecto não é nada daquele drama que a gente vê no absorvente! É um sangue fluido, vivo! Ouso até dizer: lindo! Revolucionário!
Achou nojento? Véi, na boa... nojento é essa fraldinha aí que você usa!

Mariana está perdidamente apaixonada por seu copinho de sangue e mudou totalmente a sua relação com a menstruação desde que começou a usá-lo assim como mudou sua relação com o lixo quando adquiriu uma composteira. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Sobre o sentimento de imenso carinho que se tem por alguém ou por algum animal

A mim importa, há bastante tempo, a minha satisfação como ser humano e as resoluções que tomo perante o que a vida me apresenta. Ter coisas não me preocupa. Esse desapego chega a ser um problema, não tenho nada, todas as vezes que mudo de cidade, eu acabo deixando tudo para trás – vendendo algumas coisas por preço de nada, doando muitas coisas para conhecidos e desconhecidos e tendo que “re-adquirir” tudo. Isso acaba acarretando em um endividamento eterno e nenhum bem para chamar de meu. Claro que é bom ter algumas coisas, mas sabe o que me interessa ter de verdade? Afetos. Tanto os afetos passageiros, como os afetos de longa data, ou os recentes. Quero uma coleção de afetos! E tenho!

Sabe esses encontros que fazem mudanças nas nossas vidas de forma recíproca? Para mim é isso que nos movimenta! Acredito que tudo que passamos, mesmo que por milésimos de segundos, traz algum aprendizado. E a partir daquele milésimo de segundo já somos outro. Aquele amigo de longa data. Aquele amor que sempre será. Aquele conhecido recente, mas que já faz uma diferença danada. Aquela pessoa que você só encontrou uma vez na vida, mas você nunca esquecerá. Aquela pessoa que começa a conversar com você no meio de uma caminhada na praia e em questão de meia hora te ensinou sobre a vida, sobre as pessoas e sobre ser gente com h de humano. Aquele amor que durou pouco, mas que fez você crescer e cresceu junto com você. E não estou falando só de pessoas não. Tem também aquele cachorro gordo e perneta que entrou na sua casa, criou morada, e trouxe um ensinamento danado. Aquele cachorro que lutou pela vida com uma valentia admirável. Aquele cachorro fofo que te ensina a ser feliz todos os dias.

E afeto é algo totalmente alheio a questões de parentesco, ou de coleguismo, ou vizinhança, ou mesmo de amizade. Ou de “vira-latisse” ou raça. Afeto é questão de toque. E de se deixar tocar. Como o sentimento que aquela música especial causa. Ou toca ou não toca.

E é pelos afetos que sigo em frente, e é por eles que luto. 

“E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto” (Luiz Galvão e Moraes Moreira, 1972).

Luciana anda tão feliz, encontrou uma peça sumida da sua coleção! Alguém que a tocou primeiro por sua música e, depois, pela pessoa que é. E está torcendo para que ele perceba o quão especial ele é e como é importante sorrir.



terça-feira, 14 de abril de 2015

A Graça, uma mulher de 30

Quem acompanha o blog sabe que ele surgiu em 2007, e muitas balzacas têm entrado e saído, de forma bem orgânica. Isso é uma das coisas massa do blog, que dá pra ele essa cara relax, sem grandes pretensões fora compartilhar o que se passa na vida e na mente dessas mulheres de 30. Sim, nós já tivemos algumas vezes a conversa sobre o futuro do blog, se vai passar a ser De Repente 40, ou algo do gênero. Me parece que não, pois nossos 30 já estão garantidos na vida de cada uma de nós, mesmo que sobre eles se acumulem mais 10, 20 ou mais 30. Nossas 30 primaveras, nossos 30 anos de aprendizados, tombos, recuperações, conquistas e decepções, dúvidas, certezas e intuições estão sempre com a gente. Representa essa fase em que a gente para de levar a vida tão a sério, não por leviandade, mas por perceber que as prioridades são outras. 

Aí eu toda nessa onda, fui atrás da “Graça” dos 30. Na verdade, ela existe na minha cabeça e eu esperava que existisse também em tirinhas em algum lugar. Esperava achar uma Mafalda aos 30, ou uma versão adulta do Armandinho. Madura, segura (mas nem tanto), que sabe rir da vida e sabe falar a verdade. 

O que eu achei? Uma tirinha que fala sobre emagrecer e crises sobre o que vestir... sério?! TEM que existir alguma coisa engraçado, sobre a Graça dos 30. Mas inteligente, feminista, livre, sagaz. Nosso universo é tão maior e cheio de coisas mais importantes do que o que vestir...

Renata escreveu esse texto como um pedido para quem souber de algo do gênero compartilhar com as balzacas aqui. Bora tocar a campanha para achar a Graça dos 30! Mandem nos comentários ou no Facebook, ok?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Reflexos, reflexões e desassossegos

É tanto Carnaval e pouca Quaresma. É tanto bacalhau e pouca caridade. É tanto chocolate e pouca reflexão. É tanto corrupto posando de bom moço. É tanto incoerente se achando bem sensato. É tanta baixa autoestima escondida atrás da soberba. É tanto maluco eleito deputado. É tanto machista jurando cabeça aberta. É tanto apegado vivendo lá no seu passado. É tanto alarde devido a boatos infundados. É tanto mediano com doutorado. É tanta mentira, é tanta irresponsabilidade. É tanto desrespeito com direito a carteiraço. É tanto juiz sem ao menos ser advogado. É tanto ativista de teclado. É tanta fúria lotada de preconceito. É tanta inércia disfarçada de conformismo. É tanto tira que devia andar desarmado. É tanto suicida que acaba assassino. É tanto avião encontrando o chão. É tanta falta de fé. É tanta falta de amor. É tanta intolerância. É tanta impaciência. É tanta hipocrisia. 

E o mundo vai girando mal humorado, tedioso, preocupado, amargo, alarmista, indisposto, desarmônico, desvalorizado, descompromissado, desassossegado, desumano, desconfiado, dessaboroso, desleal, desrespeitoso. Des, des, des... prefixo com sentido de oposição. Oposto a que? Ao que era antes? Ou ao que desejávamos que fosse e, só agora – que sofremos esse bombardeamento de informações e que a personalidade das pessoas pula nas nossas telas – percebemos que não é?

Luciana quer escrever sobre coisas boas, mas só consegue escrever sobre o que a toca e a faz refletir – pensou que coisas boas tocantes estão em falta no mercado – mas olhou pela janela e viu que, embora um tanto quanto cinza, o mundo ainda é colorido!





terça-feira, 7 de abril de 2015

Inteiração


Sf. Ato ou efeito de se tornar mais inteiro. Ação recíproca de dois ou mais espíritos nos outros. Ocorre a partir de trocas com pessoas interessantes, de boa índole e de bom coração. Os efeitos podem ser intensificados se tal troca ocorrer em ambiente ao ar livre e com amplo contato com a natureza, como praias e/ou cachoeiras. 
O sujeito que deseja se tornar mais inteiro deve buscar encontros e vivências com pessoas com alto astral, generosas, inteligentes e divertidas. Atenção: após tais eventos o sujeito pode passar a sentir saudades destas pessoas, o que se torna um incentivo para novas inteirações, sucessivamente. Importante ressaltar que, ao se tornar mais inteiro, o sujeito pode vir a contribuir ainda mais com a inteiração dos demais, levando a um ciclo de aprendizados e evolução. 


Renata acredita que somos todos inacabados e podemos nos tornar mais inteiros se acharmos o caminho e a boa companhia para trilhá-lo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Essa coisa do feminismo

Eu sei que tem gente falando muita coisa sem noção por aí sobre o “novo feminismo”, sobre mulheres extremistas, e tal…
Estou acompanhando, de longe, um movimento que me desperta algumas memórias e sensações que não tinha reparado… e passei a não julgá­-las como extremistas. 

Vou explicar:

Sempre fui chamada de “metida”. Sempre me acusaram de fresca quando não queria sair de casa sozinha à noite, ou andar por determinada rua sozinha. Algumas pessoas já me disseram que eu tinha que baixar a cabeça quando recebesse cantadas na rua. Outras pessoas me disseram que isso era legal! Sinal de que estou chamando atenção dos homens…(pffffff).

Mas, lendo essas meninas, “feministas antipáticas”, me recordo de ter passado por várias situações de perigo e discriminação, por ser mulher. E que a minha cara fechada e o meu isolamento sempre foi a maneira que arranjei de me defender. 

Não sou feminista. E nunca tinha parado pra pensar nisso. Acho que o respeito deve ser mútuo entre SERES HUMANOS independente do sexo. 

Mas eu fui criada (ai ai...que antigo isso!) para ser um pouquinho independente e um pouquinho submissa. Sou filha da revolução sexual. Meus pais viveram essa transição mas não eram visionários. Eu fui estimulada a ter minha idenpendência financeira e só. Ninguém me disse mais nada. Eu não soube identificar muitas coisas que aconteceram. E não dei o meu grito na hora certa. Até começar a vivenciar essas coisas abertamente no ambiente de trabalho. Sim! Coisas do tipo: Mulher não pode ganhar igual ao homem, principalmente no setor público, pois tiram muitas licenças…(Seu babaca! Se a gente não tirasse licença maternidade talvez você nem estivesse nascido pra estar aí falando merda!)... 

Não acho que essas meninas estão dando a cara à tapa em vão! E elas tem que mostrar os extremos sim. Serem radicais. É dessa discussão meio sem direção é que vamos tirar os benefícios. Coloca tudo pra fora que depois organizamos! Tudo que não foi dito! 

LorisB não é nenhuma radical... Mas gosta do movimento pelo respeito!


sábado, 21 de março de 2015

O poder do “eu vou” – um texto pequeno só para quebrar o gelo!

Essa semana a fofa da minha terapeuta – sim, eu faço terapia! – chamou a minha atenção para o fato de que todas as vezes que eu disse “eu vou fazer tal coisa”, eu fiz tal coisa. Ela comentou que todas as vezes que lançamos um desejo – ou um desafio – para o Universo, alguma modificação acontece nele e as nossas próprias atitudes e escolhas fazem com que comece a ser trilhado o caminho para que tal coisa aconteça. Pensando seriamente no assunto, faz sentido. Assim se encaminharam várias conquistas que eu tive na vida. E olha que eu sempre me orgulho em falar que não faço planos! Que as coisas acontecem para mim! – acho que preciso mudar meu conceito de plano. 

E hoje mais um “eu vou” se concretiza. Quando li este blog pela primeira vez eu pensei: “um dia eu vou escrever nesse blog!” e hoje, alguns anos depois, recebi o convite! Fiquei muito lisonjeada, escrevo muito, mas só o que publico são artigos científicos e um texto ou outro no facebook sobre coisas que me tocam. 

Certamente falarei mais “eu vou” por essa vida, tem sido divertido! E bem vinda para mim, nessa nova experiência que tem tudo para ser muito enriquecedora!


Luciana escreveu este mini-texto após parar de saltitar pela casa por receber o convite da Renata e, muito contente, promete fazer jus a este convite.

domingo, 8 de março de 2015

Sobre flores, chocolates e cumprimentos...



Sim, meu caro, eu gosto de receber flores, ainda que elas simbolizem uma suposta fragilidade.
E não, eu não me importo de receber “parabéns pelo dia da mulher”, desde que ele venha acompanhado de atitudes respeitosas, não somente nesse dia 08/03, mas em todos os outros dias do ano.
Para além de um simples “parabéns”, o que eu e todas as mulheres queremos é tão somente respeito.
Aliás, para que não restem dúvidas, vou explicar bem direitinho:
Não é uma atitude respeitosa quando você diz: “Ah, tudo bem... ela não consegue porque isso não é coisa de mulher”.  Isso se chama condescendência!
Ou quando, no trânsito, você sarcasticamente fala “Só podia ser mulher mesmo”.  Isso, meu caro, se chama preconceito!
Também não é atitude respeitosa quando você nos olha e diz “Que foi? Tá irritadinha por quê? Tá naqueles dias, é?”.  Isso é uma atitude estúpida!
Ou quando você cospe impropérios do tipo “Cavala, potranca, delícia” e ainda se ofende (!) quando não gostamos do que ouvimos. Isso é atitude de cafajeste!
Ah! Também não é ter respeito quando você me julga por usar um decote, por usar roupa curta, por usar um batom vermelho... ou, no outro extremo, quando diz que sou desleixada por ter coragem de sair “sem nem um batonzinho”...Isso, meu caro, é babaquice!
E, para seu conhecimento, também não é ter respeito quando você diz coisas do tipo: “Nossa, aquela mina me chupou na primeira vez que a gente saiu! Só pode ser puta mesmo!” Ou “Capaz que eu namoraria aquela mina... Comi ela já na primeira noite!”. Isso, sinto muito informá-lo, é ser o mais escroto dos caras!
E, para finalizar:
NÃO, isso tudo definitivamente NÃO É FRESCURITE DE MULHER!!!
Queremos, para além de flores, chocolates e cumprimentos, sermos respeitadas como pessoas e como mulheres, não apenas um dia por ano, mas em todos os dias de nossas vidas!

Déia escreve aos domingos, agradece os cumprimentos que recebeu pelo Dia internacional da Mulher, mas também convida a todos a uma pequena reflexão acerca da necessidade da existência de tal dia.


terça-feira, 3 de março de 2015

Da série coisas que me irritam (5 de infinitas): burrocracia

Eu sei, eu sei...esse tema pode gerar uma série em sim, mas hoje eu quero falar sobre um requisito burrocrático básico para muitas transações: comprovante de endereço.
Eu sinceramente não consigo entender que p%$#@ passa na cabeça do cidadão que decidiu que comprovantes de endereço aceitáveis vêm da companhia de energia elétrica, saneamento, telefone ou cartão de crédito (entre outros, creio eu). Pedaços de papel muitas vezes com endereço errado, nome errado, emprestados por outra pessoa...sem valor algum. Eles valem MUITO mais que minha palavra e assinatura dizendo onde eu moro e posso ser procurada. Qualquer cidadão consegue em pouco tempo reunir comprovantes de endereço aceitáveis (moro com minha irmã; coloquei meu nome na conta de luz da minha avó) com endereços que não são seus endereços residenciais. Mas mesmo assim, esses papeis são aceitos. E apenas eles. 
Certa vez precisei de uma certidão negativa da justiça para tomar posse em um concurso público. Lá constavam todos os meus dados pessoais eu, ingênua, pensei: que papel no mundo pode ser melhor do que esse como comprovante de endereço? Foi assinado por um juiz, no fórum! Tsc, tsc....recebi um: “não, moça, apenas conta de água e luz”. Claro.
Isso é menos que uma gota d’água no oceano de burrocracia, no qual as cosias estão tão gravadas na pedra que ninguém sabe mais quem gravou, o porquê gravou; apenas seguimos o mesmo caminho tortuoso trilhado por alguém.
Aqui caberia até uma teoria da conspiração: talvez há muitos anos pessoas venham complicando a rede burrocrática para levar ao apocalipse. Ou, ao menos, se divertir com a burrice alheia, que repete procedimentos ineficazes sem fazer nenhuma sinapse para refletir sobre ele.


Renata tinha dado um tempo nessa série, mas às vezes é simplesmente impossível! ela espera que até a próxima terça-feira seu lado Poliana tenha se fortalecido.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A vida no mar


Apesar de estar longe de ser uma workaholic, hoje vim falar do meu trabalho, o quanto amo o que faço e como cresço com ele a cada dia. Eu sou veterinária em tempo integral e trabalho basicamente com mamíferos marinhos (isso mesmo! Com baleias e golfinhos). Desde quando comecei a fazer estágios, em 2008, nessa área, nunca trabalhei com animais em cativeiro. Trabalho basicamente com encalhes (quando o animal vem parar na praia) ou com observação de fauna embarcada. Hoje vim falar pela minha paixão de estar embarcada e o quanto isso influência quem eu sou.

Nunca soube explicar muito bem a sensação de estar embarcado. Para mim é uma mistura de confinamento, medo, autoconhecimento e satisfação. Nem pra todo mundo é da mesma maneira. Algumas pessoas simplesmente não nasceram para isso e acham um absurdo ficar tanto tempo longe da família ou longe das suas rotinas cotidianas em um ambiente quase “BBB”. Eu sou daquelas que sente falta de ficar no mar. Não digo perto, como estar na praia. Eu sinto falta de ficar no mar sem ver nenhuma faixa de terra. Só céu e mar. Na maioria das vezes só percebo o quanto sou “viciada” quando estou novamente embarcada.

O primeiro e o último dia são sempre os mais difíceis. O primeiro é a adaptação: a saída da zona de conforto. O último é a saudade acumulada e os problemas terrestres batendo a sua porta.

As pessoas confundem seu trabalho com cruzeiro de passeio, ou com “mar em fúria”, e nenhum desses descreve bem o que é estar confinada num navio durante 14 dias (às vezes 35 ou mais). Meu trabalho quando estou embarcada, consiste em fazer avistagens de biota marinha, ou seja, fico olhando para o mar procurando: aves, tartarugas, peixes, baleias e golfinhos. É importante para descrever quais animais tem naquela determinada região ou alertar a embarcação (dependendo da atividade) que tem animal perto.

Pra mim, sinto sempre que estou em paz naquela imensidão. No embarque eu fico viajando, muito mais do que quando estou em terra. Penso em coisas que me deixam bem. Faço DRs comigo mesma, com os outros e me resolvo. E gosto da minha companhia. Amadureço. Percebo o quanto sou pequena e insignificante diante da imensidão de um mundo e universo tão vasto. Tomo consciência que sou nada. Entendo isso e não me apavoro. Não me assusta. Quando me for, serei memória. Adubo. Poluição. Tudo depende se me conheceu bem ou mal. As vezes viramos tudo isso muito antes de morrer. Nessas horas sei que não sou ninguém e nada. Sou uma consciência que irá desaparecer, como uma ideia que tivemos algum dia. Somos escolhas. Sempre que estou no mar, faço as pazes comigo e se tenho pendências com o divino, elas são resolvidas. Às vezes sou presenteada em ver coisas que quase ninguém viu, como um grupo enorme de golfinhos ou uma fragata quase na minha cabeça.

Estar embarcada é como estar feliz com a minha companhia. Saber que sempre vou me adaptar, até as coisas que não gosto. É saber que tudo é uma questão de perspectiva.

Samira, segue entre baleias, golfinhos, devaneios e ela mesma, e espera que todo mundo tenha a oportunidade de ver um golfinho ou uma baleia (livre, nadando no mar) e sintam a mesma alegria que sente toda vez que se encontra com eles.A vida no mar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sete dias, sete anos

Passado o vendaval de fim de ano (que às vezes a gente confunde com fim do mundo) e passado e encerrado com chave de ouro o inferno astral, eu começo de vez o ano e, dessa vez, um novo setênio (quem quiser saber mais sobre os setênios pode começar por aqui)

Com esse novo setênio veio ainda mais clara a ideia de finitude e, com ela, a importância do desapego; a maturidade e sua fiel escudeira responsabilidade. E, cada vez mais, a busca pelo autoconhecimento. Dentro do ciclo da alma, essa é uma fase do desenvolvimento da consciência e, para alguns, uma segunda puberdade. Um renascimento e a busca pelo equilíbrio entre o ser e o ter. 

Fase de libertação do que já não se mostra mais tão relevante e de busca do que é essencial, que nos faz autênticos. São sete notas musicais, sete dias na semana, sete deuses no Olimpo, sete pecados capitais, e sete anos para a tomada de consciência. 

Renata acaba de entrar em um novo setênio (it’s evolution, baby) e escreve aqui (quase todas (raramente, mas pretende aumentar a frequência)) nas terças-feiras. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Quando nosso corpo vira morada de alguém

Durante nove meses (meu Deus! Como passou rápido!), meu corpo serviu como a “casinha” de um ser que está quase chegando. Dentro desta casinha ela cresceu, ganhou peso, todos os seus órgãos foram se desenvolvendo no ritmo ditado pela sabedoria da natureza. Neste mesmo processo, eu também ganhei peso e novas marcas pelo meu corpo. É disto que quero falar.

Toda mulher, em maior ou menor grau, tem sua vaidade. A maioria de nós passa a vida lutando contra a balança, fazendo dieta da lua, da sopa, dos pontos e, faríamos até mesmo dieta da pedra, caso nos dissessem que esta funciona! O processo de aceitação do seu novo corpo é lento e gradual. Você sabe que isto tudo está acontecendo por um bem maior (e se não soubesse, todos os dias alguém te lembraria disso!). Ainda assim, o espelho em alguns dias costuma ser mais cruel do que nos outros.

Você acorda de manhã e se olha no espelho. UFA! Ainda nenhuma estria. Se enche de cremes, óleos, pomadas e tudo aquilo que te disseram que vai evitá-las. Você que antes tinha preguiça até de passar protetor solar, veja só, está se cuidando como ninguém. Repete este ritual de se besuntar toda de cremes e óleos várias vezes por dia.

Mas em uma destas manhãs você acorda, se olha no espelho... e SURPRESA! Estrias.

Bah! Sensação de fracasso: Por que comigo, meu Deus? Eu me cuidei tanto. Sensação de futilidade: Tanta coisa mais importante pra me preocupar e vou dar bola pra umas estrias? Tentativa de consolo: Estou gerando uma vida dentro de mim, tudo isso vale à pena. Crise de drama: Eu nunca mais vou usar um biquíni na minha vida. Medo: Meu marido vai me achar horrorosa.
Todas essas sensações vem juntas, não nos enganemos mulheres. Ao conversar com uma amiga, lhe disse: “Como poderei ser uma boa mãe se estou arrasada por estar com estrias?”. Ela carinhosa e sabiamente me disse: “Tu vai ser uma ótima e linda mãe. Eu também enchi de estrias. Dá vontade de se jogar da ponte, mas não adianta”.
É! Dá vontade de se jogar da ponte sim. Até que tu lembra que em diversos lugares do mundo, pessoas sofrem com problemas reais. Crianças não tem o que comer, são espancadas por aqueles que deveriam lhes dar amor. Idosos são tratados como lixo pelos seus entes queridos. Pessoas tem seus corações e esperanças partidos ao meio. E tu se sente ainda pior. “Eu não poderia estar sofrendo por causa de estrias, sou uma fútil”.
Queridas mulheres! Queridas mães! SIM. Nós temos o direito de sofrer um pouquinho por isso sim. A culpa só faz tudo parecer pior. Não seremos péssimas mães porque derramamos lágrimas quando as estrias apareceram. Somos apenas mulheres, frágeis e ao mesmo tempo fortes, sufocadas por uma sociedade que nos cobra perfeição. Não somos perfeitas e no fundo nem queremos ser. Mas gastamos horas na academia, mesmo que odiemos fazer isso. Torcemos o nariz para um bolo de chocolate, mesmo querendo devorá-lo. Usamos maquiagem, mesmo achando que não é necessário. Compramos roupas que não refletem nossa verdadeira essência, mas nos fazem parecer sexys. Pintamos as unhas, nos depilamos, passamos fome, tudo por uma ditadura de beleza. Vaidade é uma coisa maravilhosa. Desconfio de qualquer ser humano que não a tenha, inclusive dos homens. Mas acho que o preço que estamos pagando está saindo caro demais.

Sonho com o dia em que aquilo que você É, vai valer mais do que aquilo que você APARENTA ser. O dia em que não te julgarão pela roupa que estás usando. Que alguém olhará nos fundos dos teus olhos sem rímel e dirá: “Vejo tua alma através dos teus olhos. És linda!”. O dia em que você não precisará sair na rua preocupada com o que os outros vão pensar a teu respeito. O dia em que você será apenas... VOCÊ MESMA. Uma linda mulher, independente de tua forma física.

Andri escreve às sextas-feiras e está a 17 dias de conhecer a pessoa mais importante de sua vida, a Téo. 
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