domingo, 28 de setembro de 2008

Um motoboy entre eu e um crime contra a humanidade

Vivo sentindo ódio de motoboy. Eles atrapalham o trânsito, buzinam, molham os pedestres e normalmente ainda têm um cheirinho meio estranho depois de passar algumas horas dentro daquela roupa de plástico quando chove. Reconheço que muitos dos defeitos dos motoboys advém da nossa pressa, da urgência que normalmente decorre da falta de organização cotidiana. Mas mesmo assim, ODEIO motoboys!!! A despeito do meu ódio, não posso deixar de admitir que estes seres são um mal necessário, pois nada nunca conseguirá acabar com "urgências" administrativas. Quantas e quantas vezes não fui salva de viver uma tragédia administrativa por um motoboy?

Pois bem! Nunca consegui manter um relacionamento muito amistoso com os motoboys, apesar de eu precisar deles e eles – em muito menor grau – também precisarem de mim. Mas a gente sempre se aturou e eu sempre fui muito educada com todos eles. Afinal, educação é básico. Mas hoje eu tive certeza plena e absoluta de que o que separa uma pessoa razoavelmente normal e civilizada de cometer genocídio é um motoboy!

Eram dez da manhã quando liguei pro motoboy e perguntei se ele podia ir ao stand do condomínio Botanique, em Nova Lima, NA HORA buscar um documento pra mim porque eu precisava ter o documento em mãos às duas da tarde na Avenida do Contorno, em Belo Horizonte. O infeliz disse que sim, podia. Eu ainda confirmei: mas tem que ser AGORA, senão não serve. E o infeliz disse que sim, já estava saindo.

Pausa pra ver se eu não estou ficando louca. Segundo o dicionário Aurélio, AGORA (advérbio de tempo) significa neste momento, imediatamente. Segundo meu momento, AGORA é sinônimo de pára tudo e vem logo! Será que só eu entendo AGORA desta maneira?!

Enfim, deu uma da tarde e nada do motoboy chegar. Liguei pro cara, né? Afinal, ele podia ter se perdido, sei lá. "Já estou chegando, D. Laeticia" (odeio quando me chamam de dona; odeio mais ainda motoboys que me chamam de dona). Mas deu uma e meia e nada do infeliz chegar. Subi pra ligar de novo, já apavorada porque o cliente me esperava às duas e meia e ouvi meu celular tocando. Atendi e era ligação a cobrar. ÓBVIO que era o motoboy.
"D. Laeticia, estou aqui no Ponto Verde (*) e o rapaz aqui falou que não tem ninguém com este nome aqui não."
"Ah?"
"Estou aqui no Ponto Verde e o rapaz falou que não tem ninguém com este nome aqui não."
"Nome, que nome?"
"D. Laeticia, preste atenção, estou aqui no Ponto Verde e o rapaz aqui falou que não tem nenhum Sr. Botanique aqui não" (inevitável cara de asterix ao telefone).
"Fulano, ô, fulano, mas não é pra você ir ao Ponto Verde não! O condomínio é que fica ao lado do Ponto Verde! Só te dei uma referência. Mas, peraí!! Você não me disse que tava chegando?"
"Sim, senhora, chegando aqui onde o Sr. Botanique mora, mas como eu disse, o rapaz aqui no Ponto Verde tá dizendo que não tem ninguém com este nome aqui não."
"Fulano! Mas eu... (pensei em uns quinhentos tipos de palavras para ofender a - escassa – inteligência do motoboy, mas me resignei e calei) Fulano, preste atenção, eu não disse que precisava que você buscasse o documento NAQUELA HORA senão nem servia?"
"Disse, sim, senhora."
"E mesmo assim você não saiu na hora?"
"É que eu não tinha visto que era hora do almoço e como comida fria é muito ruim, achei melhor comer primeiro, né, e fazer o serviço depois! E foi até bom porque o tal Sr. Botanique nem aqui no Ponto Verde chegou ainda."
"Fulano, vamos fazer o seguinte, eu mesma tô indo aí buscar o documento, pode ir embora, deixa que eu resolvo isso."
"E quem é que vai acertar comigo os VINTE E CINCO REAIS do meu serviço já que o Sr. Botanique não está aqui?!!"

(*) Ponto Verde é um centro de conveniência na estrada de Nova Lima.

Laeticia vive uma relação de amor e ódio com os motoboys da cidade, mas muitas vezes o ódio fala mais alto e ela tem vontade de exterminar todos os motoboys da face da Terra.

8 comentários:

Liz disse...

Os motoqueiros em qq parte do mundo so servem pra baguncar o transito. Nao tem jeito!
Agora esse seu motoboy realmente passou dos limites hehehe.
MOrri de ri com a historia e fiquei bem imaginando sua cara de asterix.

Huguinho disse...

Puxa, ao mesmo tempo que é trágico, é engraçado. Hoje, com os motoboys algumas coisas ficaram mais fáceis mesmo, só que este povo é muito limitado e individualista. Vc ainda precisa ter uma experiência com os de São Paulo.

Douglas Calli disse...

Pois sua historia é mesmo de rir se nao fosse tão incomoda e comica.
Mas se quizer passar um tempo aqui em São Paulo e apreciar os Motoboys aqui, sinta-se convidada hehehehe.
Certamente vc não terá estes pequenos PROBLEMINHAS rss.

Anônimo disse...

Estou pensando se irei levar mais a sério esse caso, até mesmo processar o mesmo infrator, pois preconceito é crime (Lei nº 1.390)

Angel disse...

Um motoboy incomoda muita gente, mas uma mula motoboy incomoda muuuuuuito mais. Credo!

Laeticia disse...

Preconceito? Não se trata de preconceito, Caro Anônimo, é conceito mesmo, formado após a constatação de que não sou a única a ter vontade de matar meia dúzia de motoboys no ano. Mas tranqüilize-se quanto a processar o infrator, no caso euzinha, primeiro porque só o Ministério Público pode fazê-lo; segundo porque vivemos num Estado Democrático e a liberdade de expressão é livre, VEDADO O ANONIMATO. (Constituição Federal)

Laeticia disse...

Preconceito? Não se trata de preconceito, Caro Anônimo, é conceito mesmo, formado após a constatação de que não sou a única a ter vontade de matar meia dúzia de motoboys no ano. Mas tranqüilize-se quanto a processar o infrator, no caso euzinha, primeiro porque só o Ministério Público pode fazê-lo; segundo porque vivemos num Estado Democrático e a liberdade de expressão é livre, VEDADO O ANONIMATO. (Constituição Federal)

Anônimo disse...

ENGRACADO SEU BANDO PRECONCEITUOSOS CHEIRINHO EM QUE TEMPO ESTAMOS OTEMPO QUE AINDA EXISTE PRECONCEITO ELES NAO ATRAPALHAM O TRANSITO EXISTEESSECOES NO TRASITO COMO DECARRA DE CAMINHAO DE ONIBUS AGORA SO OS MOTOQUEIROS LEVAM A CULPA SAO TRABALHADORES QUE LUTAM O DIA INTEIRO DE BAIXO DE SOL DE CHUVA FRIIO CALOR PARA LEVARSUSTENTO PARA SUA CASA AO CONTRARIO DE VCS QUE NAO TEM MUITO OQUE FAZER NA VIDACRIAM BLOG PRA FALAR MAL DA VIDAS DAS PESSOAS PQ NAO VAO CATAR COQUINHA EM UMA DESCIDA OU AJUDAR UM ABRIGO DE CACHORROS ABANDONADO OU UM ASILO OU PESSOAS CARENTES FICAM PERDENDO TEMPO FALANDE PESSOAS QUE ARRISCAM SUAS VIDAS NO TRANSITO PARA AGUNS OTARIO FALAREM MAL QUERO QUE COLOQUEM PARA TDS LEREM SEREALMENTE VCS FOREM CAPAZ MEU NOME E JULIANA MORO EM CURITIBA

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