sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Devaneios


Eu nunca fui de poesia. Digo, escrever poesia. Porque curtir e apreciar são outros quinhentos: curto muito, até deliro. Mas meu papo é prosa. Quando criança rascunhava uns textos, uns pensamentos... Até peça de teatro eu já inventei de escrever no ginásio! Sempre tive o hábito de cultivar agendas, encher de pensamentos, transcrever meus poemas e poesias prediletos... Desses dois últimos, nada meu, tudo copiado (com os devidos créditos, sempre). De uns anos pra cá, não sei se atribuído à maturidade que vem batendo na porta, que vem trazendo mais segurança à criatividade, segurança na própria escrita, na liberdade textual, de ousar e se permitir, venho rabiscando uns devaneios em forma de versos (ou poemas ou poesias, me permitam não entrar no mérito de definição conceitual). Bem, coincidência ou não, percebi, pelas datas que assino esses tais devaneios, que essa “inspiração” costuma emergir justo nos finais de mês. E no meu caso, o fim do mês acaba coincidindo com os inícios do “vermelho” do meu calendário feminino, se é que vocês me entendem. E hoje é 31 de agosto, fim do mês, dia da segunda lua azul. Lua, agosto, ciclos.. Repletos de devaneios! E foi num desses fim de mês, eis que vieram um monte de uma vez...

...

O silêncio da cama. 
O silêncio da alma. 
O silêncio dos corpos. 
O silêncio sem calma. 
O vazio do peito. 
O vazio da noite. 
O vazio da chama. 
O silêncio vazio. 
O silêncio do dia. 
O silêncio no drama. 
O silêncio sem chama. 
O silêncio do verso. 
O silêncio. O silêncio. 




Maria, onde estão tuas forças?
Maria, afasta de ti tua forca.
Mas Maria, quem ria?
Maria, não chores.
Não dissabore.
Que a vida tem sabor, meu amor.
Que a vida quer teu calor, Maria!
Agora não rias.
Apenas venha, que eu te pego a mão. 




Quem me dera estampar o riso.
Quem me dera decolar a chama.
Quem me dera esquentar a cama.
Quem me dera degolar a lama.
Quem me dera dar nada mais do que apenas sou.
Quem me dera ser você e eu, juntos, num verso em prosa.
Sem cálice. Sem freio. Só meios. 



Sem devaneios certeiros.
Sem ego, sem cheio.
Sem queira ou não queira.
Sem aperto de mão.
Só olhar no olhar.
Só querer sem saber.
Sem crer para entender
Sem olhar para crer.
Sem inferno, sem erro.
Só pecado no meio.
Só pecado com cheiro.
Com sabor, só amor
Todo amor que guardei pra você.
Sem começo, sem fim. 



De dia na cama eu fico pensando
se você...
se você...
Eu fico pensando. 



Escrevo
escrevo
escrevo
escrevo...
Escrevo pra mim.
Escrevo pra você.
Mas escrevo 'sozin'. 




Gabriela continua sem saber escrever verso, poema ou poesia. Mas arrisca uns devaneios, sobretudo no fim do mês.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A pergunta que não quer calar!

Vale a pena trabalhar tanto?
A humanidade tem jeito?
Estou gorda?
Vou conseguir dar conta do doutorado?
Será que vai chover?
Que horas são?
Está manchado?
Qual é o datum?
Que filme vamos ver?
O que vou almoçar hoje?
Por que os dias bonitos passam mais depressa?
Devo contar tudo pra ela/e?
De que cor eu levo?
Levanto ou durmo mais 5 minutinhos?
Que música é essa?
Que horas vamos no ver?
Como se fala greve em inglês?
Vai dar pizza de novo?
Como viajar no tempo?
Você acredita nisso?
Quando vamos ser levados a sério?
A culpa do machismo é das mulheres?!
O que foi que você falou?
Como fazer coxinha em casa?
Por que adoçar tanto o café, o suco, se a vida já é tão doce?
Por que no FB todo mundo é tão legal e inteligente?


Dentre tantas perguntas, a que mesmo não quer calar é: por que Deoooos as pessoas não trancam a porta quando vão ao banheiro?

Renata cheia de dúvidas, não só nas terças.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

TPM



TPM é chorar quando uma personagem do livro bobo que você está lendo morre. Sendo que você já sabia que isso ia acontecer.

Sem mais.
Renata escreve às terças e tem TPM todo mês.

sábado, 18 de agosto de 2012

Perdas


Perdas dolorosas, perdas que aliviam.
Temporárias e permanentes
Súbitas e paliativas.

Lidar com a perda não é uma habilidade nata, é algo que nos é empurrado goela abaixo e vida afora. Sem escolha, senão enfrentá-la.

Na minha vida, chegou quando eu beirava os 30. Por certo modo me sentia aliviada por não ter lidado com ela mais cedo. Acho mesmo que não teria raça pra levantar (sou do tipo bem frágil – apesar das aparências). Chegou em um momento em que eu supostamente estaria mais forte para lidar com ela, mas nunca estaria de fato preparada.
A perda definitiva.

A perda definitiva de alguém que amamos. De acordo com Elisabeth Klüber-Ross, quando sofremos uma perda catastrófica, passamos por cinco fases diferentes de dor. Começamos pela negação. A perda é tão impensável, que achamos que não pode ser verdade. Depois dela vem a raiva, botamos a culpa em todos, até mesmo em quem atendeu o telefonema recebendo a informação: “por que tu atendeu ao telefone????!!!!!”. Seguindo-se, chega a negociação, negociamos o que sentimos, dá até sentimento de culpa, medo de esquecer quem se foi. Na depressão oferecemos a nossa alma em troca de apenas mais um dia. Até a aceitação... quando aceitamos que fizemos tudo o que podíamos. E deixamos ir.

Não dá pra ler o parágrafo anterior e achar que tudo passa rapidinho. O tempo se arrasta. O ar nos falta, dá raiva de ver alguém sorrindo – parecendo que o outro não tem direito de ser feliz perante tanta dor. Questionamos até se existe vida depois da perda. É uma dor egoísta, só nossa. Por saber a falta que o ser amado fará na nossa vida. Da sua ausência nos jantares de família, nos aniversários dos nossos filhos, nas bodas dos nossos pais, nas férias na praia, no aconselhamento profissional e até do ciúme que ele tinha – que eu dava risadas e me sentia silenciosamente amada.

Mais de 5 anos se passaram. Algumas perdas recentes de outras pessoas me fizeram relembrar a maior perda da minha vida. Eu queria poder dizer a eles que passa. Como comumente se diz: com o tempo passa. Poder dizer pra eles que o tempo cura. O tempo não cura. A saudade é perene. O tempo só faz com a saudade se torne mais colorida e menos dolorida.

A saudade que causa dor hoje é a saudade que amanhã te fará sorrir.




Lil escreve aqui esporadicamente..

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ampliando a rede

Estamos felizes em compartilhar com vocês, queridas leitoras e queridos leitores, uma novidade: a nossa página no Facebook: Blog De Repente, 30.. Nossa ideia é que, com este recurso, possamos nos aproximar ainda mais, além de melhor divulgar os posts daqui.

Curtam, comentem e compartilhem!




Este post foge aos temas tradicionais e, tem, sim, um caráter informativo.
Com carinho, das mulheres do De Repente, 30...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Autoconhecimento

Todo aprendizado é um processo, um caminho. Esse caminho pode ser tortuoso, difícil, longo...depende de onde você parte, aonde quer chegar e de que recursos dispõe pra isso.
Andei e ando por vários caminhos, uns mais solitários, uns leves, uns cujo final ainda não sei exatamente onde é. Outros pelos quais passei na intenção de andar com alguém e que acabaram se tornando meus.
Eu tenho procurado andar cada vez mais pelo caminho do autoconhecimento.
Difícil, viu? Muitas surpresas boas, muitas explicações! Muitas fichas que caem e acabam virando dicas para um melhor viver.
Mas às vezes dá uma vontade de voltar. Um medo de olhar mais atentamente no espelho e ver aquelas falhas que vivem debaixo da franja, cobertas por corretivo. O perfil ruim que nunca é fotografado.
Mesmo desafiador, o apendizado é cada vez mais cheio de gratificação, cheio de recompensas. Então sigo, não tão firme e nem sempre tão forte, nesse caminho.
Mesmo sendo de autoconhecimento, e por definição, que só eu posso trilhar, às vezes há companhia em alguns trechos, que o deixam mais divertido, leve ou mesmo desafiador.

Renata anda por vários caminhos, e nas terças anda por aqui.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PAI

Homens... será que vou conseguir entendê-los? Sei que a pergunta é clichê, mas chegou a minha hora de fazê-la.

Tive, e tenho um grande homem na minha vida: meu pai. Que me deixou muito exigente em relação às minhas escolhas de um tempo pra cá.

Meu pai é um jovem senhor muito correto, digno e com um dom nato para a diplomacia.

Sempre foi espelho pra mim.

Mas para ele, e para todo pai, imagino eu, sempre fui sua menininha.

Esse carinho de pai foi “superprotetor”, mas “supernecessário” para encarar as voltas da vida.

E numa dessas voltas, pela primeira vez pude me abrir, com toda a minha verdade, com meu paizinho.

E ele soube escutar, sem julgamentos.

Conseguiu passar por cima dos diferentes conceitos das décadas que nos separam.

Entendeu, e deu apoio incondicional à sua menininha. Que sofreu e que cresceu. Que se reergueu e que agora ama ainda mais esse paizão.

E foi no meio de toda a tormenta, que ganhei o melhor conselho de todos os tempos: “Viva a sua vida sem esperar nada de ninguém. Lute pelo que é direito seu, mas não se exponha.”

As palavras não foram exatamente essas, mas eu entendi e estou tentando colocar em prática...

Um pouco atrasado, mas “rasgando uma sedinha” para o meu pai, em homenagem ao dia dos pais.

Loris, ainda se sentindo a menininha do pai aos trinta e poucos...

domingo, 12 de agosto de 2012

As aventuras do transporte coletivo

O transporte coletivo da cidade onde moro é uma aventura! Os motoristas estão quase sempre apressados, e, algumas vezes, é preciso ir para o meio da rua para tentar para o ônibus no ponto em que ele deveria parar para o usuário. E isso acontece comigo quase todas as manhãs, quando preciso chegar no horário no serviço. Além disso, os usuários deste tipo de transporte também se esqueceram de atitudes educadas e respeitosas, de civilidade, pois não se levantam para dar lugar aos idosos, e até fingem dormir nesses momentos. Abrir as janelas pela manhã, nem pensar. Não sei quem inventou que Belo Horizonte é frio, e toda a população passou a acreditar. Fica aquele abafamento no ônibus, e, se alguém abre a janela, é o vento que incomoda as pessoas, e não a falta de ar das janelas fechadas!

Mas, se pensam que são esses os problemas do transporte em Beagá, se enganam. Quem vive aqui sabe o motivo da passagem de ônibus se tão cara: temos DJs no coletivo, que são os jovens que usam o celular como rádio, sem fones de ouvido, e obrigam todas as pessoas a ouvirem a música que eles gostam, que geralmente é funk! Temos também porteiros nos ônibus! Sim, se a sua cidade não tem, aguarde, pois isso é a educação que os pais dão as filhos atualmente, e as grandes cidades não estão imunes a isso. Os adolescentes se assentam nos degraus das portas do ônibus, entre eles alguns DJs, e não saem de lá nem que as pessoas implorem para sair do ônibus! É preciso saltar entre eles para descer no ponto desejado.

Aliás, eu tenho muita vontade de criar um aparelho para ser usado nos degraus das portas de todos os coletivos da capital, que daria pequenos choques elétricos nos traseiros daqueles que se assentassem nestes locais. Não seria problema pisar nesses degraus, pois os sapatos isolariam a eletricidade. Entrentanto, as roupas não teriam tal propriedade, e nossos queridos porteiros de ônibus teriam o incômodo de receber um choque no assento. E não importa o tamanho do assento da pessoa, nem se é “acento agudo ou cincunflexo”, com dois “esses” ou com “cê”, mas, com certeza, não seria comigo!

Brincadeiras a parte, seria muito bom não ter esses desconfortos no ônibus. Desconfortos que, na verdade, são de atitudes, e não de problemas no sistema de transporte coletivo, que existem, e são muitos, mas que seriam suportáveis se os usuários fossem mais educados.


Mini-resumo: Tania é usuária guerreira do transporte coletivo! E usa porque precisa, e não pra fazer turismo!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Adestramento

Tenho um cachorro cheio de energia, se é que vocês me entendem, chamado Piá. Talvez eu devesse ter chamado ele de Lorde, ou Gentleman, ou Cavalheiro...mas agora ele incorporou totalmente seu nome. E é um Piá.

Além de ser muito, mas muito ativo, o Piá é muito criativo - achou formas muitos claras de expressar que quer brincar de lutinha comigo, como morder certas partes e sair correndo...
Ele também é muito inteligente. Passei um tempo ensinando ele a sair de dentro de casa (algo que ele não se conforma) e a sentar. Quando ele senta, ganha um snack. Sai, senta, snack. A lição dos 3 S.
Lição aprendida, fui fazer outras coisas (algo que ele também não se conforma, o tempo não é só dele) e o Piá começa a latir DESESPERADAMENTE! Eu penso que deve ser uma cobra, algo que o assustou muito e volto correndo! Ele senta. E espera o snack. Ele estava ME adestrando!
O Piá também é expert em desafios de lógica: ele acha formas de fugir do pátio que ninguém entende! Cada vez que eu chego em casa vejo que a vizinhança está construindo um forte apache para evitar que ele fuja: toras de coqueiro, tijolos, telhas, peças de concreto, ossos de baleia...tudo e todos contra o mestre da fuga. Por enquanto, ele está ganhando.

Renata escreve às terças. O Piá foge todos os dias.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Gente do interior

A gente pode fingir que não é do interior e que se admira com coisas da capital fazendo um ar blasé quando reclamam dos escandalosos engarrafamentos; bocejando de leve quando falam do preço absurdo da vida. Pode fingir que é normal chamar perigoso de esquisito, só para não enfrentar a dura realidade da violência sem limites.
Pode andar de ônibus ao invés de metrô "porque gosta de ficar ao ar livre".
Mas na hora de cruzar uma rua movimentada, não tem como fingir. Todos passam voando, sendo literalmente jogados pro alto pelas motos (isso eu vi hoje), e a gente, que é do interior, fica ali, esperando o sinal verde que nunca chega...a noite caindo...os grilos cantando...cri, cri, cri...e a gente ali.
Aí não tem como fingir.

Renata, uma moça do interior, escrevendo de uma capital.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Nuvem

Numa nuvem de pensamentos
vejo rostos
ouço vozes
que logo se tornam poeira
se materializam e somem em instantes
E a nuvem - universo
segue
orbitando ao meu redor.

Renata está nas nuvens; não no melhor sentido.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sobre Alice e os amigos talentosos


Ter bons amigos é tudo, ponto. E ter bons amigos talentosos, então... é o êxtase, é viver rodeado de arte, beleza, bom gosto e bom senso, o que seja. Admiro, aprecio, gosto, “curto no facebook”... Além do que, penso que a gente se contamina, sabe? Não tem como sair o mesmo e ileso, nem em 5 minutos de conversa.

E falando deles - desses amigos - tem uma que eu queria falar hoje especialmente: Anne Glaucy Melo, professora de Língua Portuguesa, mulher de 30 e poucos, conhecida popularmente como a "mulher do Magrão". Magrão é o baixista de uma banda de rock acreana maravilhosa, chamada Los Porongas, que cada vez tem ganhado mais espaço na cena musical do rock nacional. Mas posso ser sincera? Desculpe o querido baixista, mas essa referência é tão limitante... Ela é muito, mas muito mais que isso. AcrEana e ariana (assim como eu, e eu adoro!), desempenha um importante papel de guru na vida de muita gente (inclusive na minha), envolvida na arte das práticas espiritualistas. Ela não gosta desse título, mas fazer o que, "ossos do ofício", né, mana?!

Além de tudo, e por isso a trago aqui, é aspirante a escritora. Vive prometendo aos amigos que em breve "sai do armário". E enquanto isso não acontece, vou aqui compartilhando seus escritos (com a devida permissão e créditos), numa espécie de, digamos, "amostra grátis". Um trecho de um texto que faz uma releitura do livro "Alice no País das Maravilhas". Segundo ela, as "impressões sobre Alice". Vamos lá:

"Estou sob o arcano da existência...
Foi assim, com essa frase, que acordei hoje, sexta, feriado. Não tirei o pijama, não abri a janela e nem vi a chuva que veio e já foi. A única coisa boa essa semana foi um encontro de amigos, onde falamos de livros e da vida. 'Alice no País das Maravilhas'.Já li esse livro outras vezes, mas nunca numa crise de absurdez existencial... isso faz muita diferença.Como tanta coisa passou tão despercebida? Um jogo de caça ao tesouro, onde a gente se perde e se acha... Como um nonsense total pode ser tão prático? A grande charada é a velha pergunta ‘Quem sou eu?’ É onde tudo começa.
Mas vamos por partes.
De repente, Alice ficou muito pequena e diz: ‘Não sobrou quase nada de mim para formar uma pessoa respeitável’. Sempre encontraremos um bolo ou cogumelos que nos fazem crescer, mas honestamente, quase nunca temos altura necessária pra pegar as chaves que abrem as portas certas. Choramos um poço e não fica nem bem. Perde-se muito tempo e muita água. A corrida do Caucus, muito interessante, é como a nossa. Corre-se tanto, sem saber pra onde ir...E o gato de Cheschire, indicador do caminho de Alice: ‘é claro que depende do caminho que se quer ir, mas nunca sabemos direito; basta ir em frente que chegamos em algum lugar...’ Não é assim a vida? (...)"
Anne Melo




Gabriela ama seus amigos talentosos, pois eles lhe servem como inspiração. Anne é uma mulher de 30 e poucos e assim como muitas, tem talentos preciosos guardados, asas pra voar longe... E agora vem chegando a hora de levantar voo. Gabriela agradece especialmente Anne, por permitir que sua arte se torne comum.




domingo, 15 de julho de 2012

Lembranças

E hoje me pus a pensar se as pessoas se recordam, de vez em quando, daqueles que, porventura, cruzaram seu caminho algum dia...
São tantas as pessoas que passam por nossas vidas, são tantos os bons e maus momentos vivenciados, são tantos os reencontros e despedidas que vivenciamos que, por vezes, me ponho a pensar se seria possível retermos dentro de nós todas as impressões que nos causam.
Claro que isso se refere somente a pessoas que, de alguma maneira, nos tocaram fundo, seja positiva ou negativamente.
Quanto a mim, guardo comigo tantas lembranças e impressões... 
Algumas pessoas se fizeram de tal maneira presentes em minhas recordações e deixaram marcas tão profundas que penso ser impossível não ter delas lembranças vívidas e constantes (e por vezes dolorosas também). 


Déia escreve aos domingos e às vezes sente lembranças tão vívidas que sente como se as tivesse vivenciando novamente...

sábado, 14 de julho de 2012

Não Gosto de Dinâmicas de Grupo

Não sei se algum leitor é adepto desse prática, ou se gosta, mas eu detesto dinâmicas de grupo. E não consigo entender como as dinâmicas de grupo conseguem mostrar certas caracterísiticas individuais das pessoas, que quem as organiza teima em afirmar. Primeiro, são práticas de ambiente de trabalho, onde, geralmente as pessoas usam máscaras para sobreviver. E não é exagero dizer assim, pois há muitos lugares onde somente se sobrevive mesmo. E, em ambientes de trabalho, quem está começando, ou tentando uma vaga no local, não vai expôr seus defeitos, e vai exaltar suas qualidades. Assim, como explica a Sociologia, usamos nossas máscaras sociais para o convívio diário. E, se usamos máscaras, para que fazer dinâmica de grupo?

Outra coisa: geralmente se diz que essas dinâmicas servem para ver como o indivíduo reage em determinadas situações, como ele se socializa, como atua em atividades de grupo. Pode-se realmente perceber essas atitudes dos indivíduos, mas, em muitos casos, até por saber como deve agir para conseguir uma promoção, ou um emprego, o indivíduo realiza as tarefas com perfeição, com espírito de equipe, mas, na verdade, é somente uma pessoa ambiciosa, inteligente e individualista, que agiu para alcançar seu objetivo, e não é realmente assim no cotidiano. Logo, se em me “adestrar” para reagir de acordo com o que esperam de mim, em determinado momento, posso conseguir algum sucesso, mesmo que eu não tenha escrúpulos, certo?! Eis a nossa sociedade. Sempre inventando artifícios para que tudo fique exatamente como sempre foi. E as dinâmicas de grupo, tão defendidas por administradores por aí, é só mais um desses mecanismos, que não provam nada realmente. E, quem participa com sinceridade, muitas vezes se expõe, achando que está fazendo seu melhor, e não consegue nada.

Mini-resumo: Por mais que defendam a prática, Tania não consegue concordar com a efetiva utilidade das dinâmicas de grupo. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Vida de Patroete ou Eu Achava Que Só Acontecia Comigo

Ultimamente minha maior preocupação tem sido conseguir uma faxineira. Aliás, desde que me casei. Nem precisava ser muito decente, não. Tratando bem da Laila, limpando a casa de forma minimamente razoável, não queimando as roupas e não quebrando a casa inteira já servia. Não fazia questão nenhuma de que a casa ficasse do jeito que mamãe ensinou que deve ficar, já que não sou eu mesma quem arruma, mas presenciei cada coisa nos últimos anos que Deus me livre e guarde!!

Esta foi até antes de eu me casar. Era véspera de Natal e o primeiro que eu passaria com a família do meu então futuro marido no sul de Minas. Com direito a participar do amigo oculto! Tirei uma das crianças e comprei o presente com o maior cuidado. Era um conjuntinho de fazer bichinhos em gesso, com pincéis e tintas coloridas. Brinquedo não imbecilizante, como diria minha mãe. Deixei o presente, lindamente embrulhado, no apartamento do Bola, bem em cima da mesa, pra não correr o risco da gente se esquecer. Criança magoa, né? Cheguei na casa do Bola no dia 23 de dezembro já de mala e cuia pra viajarmos e dei falta do presente. Liguei pro Bola, que ainda não tinha chegado do trabalho. “Bola, onde foi que você guardou o presente do Lucas?” “EEEEEUUU não guardei em lugar nenhum, está em cima da mesa da sala.” “Não tá, não!” “Bom, deveria estar. Liga pra Luciana e vê com ela onde que ela guardou.” Luciana era a faxineira que eu mesma havia arrumado quando o Bola decidiu morar sozinho. Gente de confiança, filha da ajudante que trabalha na casa da minha vó há anos e que continuou lá mesmo depois que minha vó morreu. “Luciana? Oi, Luciana, é a Laeticia, tudo bem? Aqui, conta pra mim onde que você guardou um presente que estava em cima da mesa da sala. Uma caixa grande.” “Ah? Ah? Ah? É... É... É... Ai... Ai... Ai, Laeticia do céu! Ai, meu Deus! Eu achei que era presente de Natal pros meus filhos e até já dei pra eles brincarem...” Pior é que eu ainda teria que ficar com esta infeliz em casa até encontrar outra. Mas antes que isto acontecesse, a Luciana pediu demissão porque o marido não queria mais que ela trabalhasse em casa de família.

Aí a Luciana me indicou – ai que medo que me deu – a Daniela, prima dela. Apesar do medo que me dominava, acabei contratando a menina porque pelo menos tudo indicava que ela não ia “limpar” a minha casa enquanto nós estivéssemos trabalhando. Imaginei que uma evangélica não fosse me dar dor de cabeça. Eis que num belo dia chego em casa algumas horas antes do horário costumeiro. Nem se eu der mil chances pra vocês adivinharem a cena vocês adivinham! Primeiro que o som estava tão alto, mas tão alto, que a Daniela não me ouviu chegando!! Era um funk horroroso, daqueles quase pornográficos. A TV estava ligada, sem som, naquela baixaria de Márcia Goldsmith. A bonitona da minha faxineira estava usando um short gi-ne-co-ló-gico e um top que mal tapava os mamilos. A tábua de passar roupa estava entre minha mesa de jantar e a TV. Em cima da mesa, minha petisqueira cheia do grana padano do Bola, regado pelo azeite italiano do Bola, bebendo a Guiness do Bola!!! A infeliz dançava – se é que aquilo pode ser considerado dança e música -, passava as roupas com a mão direita e comia e bebia com a esquerda!! Encostei na parede e fiquei parada observando aquela cena dantesca, esperando que a rapariga pelo menos olhasse pro lado e nada. “Você está precisando de mais alguma coisa, Daniela?!!” Não preciso dizer que esta saiu do posto de trabalho no mesmo dia, né?

Alguém me indicou a Andréa, faxineira que contratei depois que a Daniela saiu. A Andréa parecia um sonho!! Se a gente ficasse em casa, ela limpava até a gente. Cuidava da casa quase como se fosse dela. Mas falava demais. Ficava comentando na casa da minha amiga o que acontecia na minha casa e vice versa. A gente foi tolerando porque a danada até areava as esquadrias de alumínio das janelas. Até o dia em que peguei a filha de uma marafona de porta aberta conversando ao celular e falando pra amiga “Ah... A Laeticia não merece o marido que tem!! O Alexandre é um maridão!!”. Rua!!! Rua!!! Suma das minhas vistas, olho gordo dos infernos!!

Esta última que eu tive o desprazer de dispensar quase me enlouqueceu. Na mesma semana ela 1) quebrou o pé da cadeira, tentou colar, deixou a cadeira lá montada pra eu chegar morta de cansada e me esborrachar no chão; 2) jogou fora o café gourmet e o biscoito de chocolate francês do Bola e 3) derreteu meu vestido Calvin Klein com o ferro de passar roupa. Tudo isto somado ao tanto de coisa que ela já havia destruído (arrancou o gancho de segurar a porta da parede, sumiu com todos os parafusos que prendiam os ralos no chão dos banheiros, arrebentou todas as minhas persianas, dentre outras coisas) resultou numa demissão quase sumária.

Agora estou com outra. Vamos ver no que vai dar. Fiz um roteiro e vou ficar de plantão em casa sexta-feira pra ensinar o quê e como se faz. Eu devia era cobrar pelo treinamento!! Porque embora eu odeie serviço doméstico, aprendi que até pra “mandar” a gente tem que saber fazer. Só não aprendi a cozinhar mesmo. Mas isto é um capítulo à parte.


Laeticia chegou à conclusão de que, de fato, faxineira boa é espécime em extinção.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Acumuladores


Antagonizando a Renata (sem querer e com peso na consciência, é claro), eu sou o oposto do minimalismo. Já escrevi aqui sobre o meu “problema” com compras.

Também já escrevi aqui sobre o meu vício criativo. Corte e costura, scrapbooking, caligrafia, forração francesa. Tudo isso me faz muito feliz. E infelizmente me transforma em uma acumuladora.

Daí que cerca de 3 meses atrás alguém me avisa que teremos que nos mudar temporariamente porque a nossa casa de seis (isso mesmo SEIS) quartos vai passar por uma reforma.

O destino? Um apartamento de 3 quartos.
PÂNICO
TERROR
AFLIÇÃO

Minha primeira reação foi escrever para todas as minhas amigas perguntando quem é que tinha um quartinho vazio que eu pudesse alugar como depósito.

Sério gente. Meu quarto mede 20m². E ele é muito mais um ateliê do que um quarto.

Três amigas minimalistas (ou quase), mas com casas grandes, ofereceram-me o precioso espaço. A Gisele até disse que eu poderia montar meu ateliê na casa dela, para não correr o risco de entrar em síndrome de abstinência!

Aí veio a segunda fase trágica... o encaixotamento.

A idéia era separar tudo em 3 categorias: coisas para levar para o apartamento x coisas para guardar x coisas para me desapegar.

4 semanas depois o resultado pode ser resumido assim:
. tenho muita roupa, mas uso a maior parte delas durante 1 ano.
. tenho muitas bolsas, nécessaires, bags, ecobags, malas e mochilas. Não uso a maior parte delas, mas elas são lindas. O que fazer, José?
. tenho 6 pares de galochas. Todas lindas e fashion. Me abracem?
. tenho tecidos para costurar sem intervalo por umas 3 ou 4 aposentadorias. Preciso parar de trabalhar logo.
. tenho caixinhas, molduras e outras coisinhas de MDF para forrar até enjoar.
. tenho aviamentos suficientes para montar um pequeno armarinho.
. tenho material escolar suficiente para montar uma grande papelaria ou loja de scrap.

Tudo isso me faz feliz.
E ocupa muito espaço.
E me faz feliz.

A terceira fase é viver no apartamento. Dividir quarto me obrigou a exercitar certo minimalismo, mas garanto que não estou nem perto de conseguir me mudar com 2 malas.
10? Talvez. 2? Nunca.

Voltar para a casa após a reforma e trazer tudo de volta será o próximo grande desafio.
Até lá, quem sabe eu não consiga me desapegar de uma ou duas bolsas... um ou dois pares de galochas... uma ou trinta e cinco canetas?

Ou isso ou vou virar um capítulo de Acumuladores.

Milena escreve aqui muito, muito esporadicamente. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Minimalismo

Há nove meses, em função do trabalho, mudei de Estado com mala e cuia. Duas malas e uma cuia. Um colega me disse que eu ia passar a levar uma vida minimalista. Ter menos, comprar menos, precisar de menos. Menos tudo.
Na hora isso não fez muito sentido, pois nunca fui extremamente consumista. E quem consegue se mudar com duas malas, já é um pouco minimalista, não? Às malas foram se somando outras bolsas, mochilas, caixas, sacolas e compras, mas não acho que nada em excesso. Mudei para uma casa totalmente mobiliada cuja dona, minha amiga e super caprichosa, deixou em perfeito funcionamento. Lá tem tudo o que preciso. Mas a coisa do minimalismo não saiu da minha cabeça.
Comecei a ler alguns blogues que falam de experiências de vida e da busca pelo minimalismo. E só de ler sobre a experiência de outras pessoas, vi o quanto carrego coisas de que não preciso. O quanto pensava em comprar coisas das quais não preciso. E me senti mais leve. Não mudei radicalmente nada na minha vida em função disso, como pessoas que passaram um ano sem comprar nada, ou que mudaram pra uma casa 3 vezes menor; mas o valor que dou pras coisas e o quanto carrego nas costas vem mudando.
Além de mais leve, é um jeito mais econômico e sustentável de levar a vida. E que vem me conquistando, mesmo dese antes de eu saber.



Renata a caminho do minimalismo. Mas com passos minimalistas, por enquanto!


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terça-feira, 26 de junho de 2012

Balanço parcial

Estamos na metade do ano! E são vários os possíveis comentários: como passou rápido! Passou voando! Eu nem vi passar! Não vejo a hora que acabe! Tudo depende de como você vê a vida, e de como sua vida é/está.
No meu caso, pensei que era hora de checar minha lista de metas para 2012 e fazer um balanço parcial. Fazer alguns ajustes. Colocar um "vezinho" (vulgo ticar) em alguns itens.


Resultado: algumas metas importantes já atingi, e algumas estou no caminho certo para tal. Outras...bom, outras têm cada vez menos chance de serem cumpridas. E o pior é que justamente essas já foram reaproveitas da lista de 2011, por não terem sido atigidas.
Será que tem algo errado com elas? São irreais? Seá que eu deveria partir elas em etapas, e ir realizando uma por vez? Será que me falta vontade efetiva de fazer?
Ainda não sei a resposta, mas a pergunta me intriga deveras...
Fiquei curiosa: vocês fazem essas listas? Costumam olhar pra elas de vez em quando? O que vocês fazem quando nunca riscam um item?

Renata está em fase de balanço e aceita sugestões.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Amor

Há duas semanas estou embolando esse texto, mais ou menos como bolacha Maria em boca de velha.
Pois o teor é muito importante, e merece ser escrito com todo o tempo e cuidado. Mas quando na vida a gente tem oportunidade de parar todo o tempo necessário e fazer as coisas do jeito que merecem? Optei por escrever de forma simples, que até combina com meu jeito de viver! Lá vai:
Minha filha e eu nunca estivemos separadas por muito tempo; houve duas ocasiões em que passamos um mês distantes, com data certa para o reencontro, e foi sofrido mesmo assim. Mas isso mudou no ano passado, quando recebi uma proposta de emprego e mudei de Estado. Por várias razões, ela ficou com meus pais.
O trabalho é ótimo, o lugar é legal, as pessoas são ótimas. Mas ela não está aqui pra compartilhar nada disso.
Nos falamos todos os dias, e sempre há o que dizer. Tentamos muito continuar uma na vida da outra. E tive medo que perdêssemos um pouco da sintonia. Quatro longos meses depois, ela veio me visitar; e de novo após 4 meses. E não mudou nada! O amor é algo assim. Não é volúvel. Não é dependente das coisas externas. Não sofre com o tempo e distância. Não enfraquece.  Não precisa de explicação. É amor.


Agora ela também vai se mudar, vai morar em Florianópolis, estudar na federal. Eu não pdoeria estar mais orgulhosa! Se bem que me orgulho dela sempre. Tenho orgulho do ser humano que ela é, e agradeço todos os dias por poder fazer parte da vida dela.
E se isso não é amor, eu não sei o que é.
Saudades? Sinto saudades o tempo todo, mas aprendi com uma amiga (amada!) que sentir saudades é uma oportunidade de lembrar como amamos e como somos amadas. Lindo! Sentir saudades é bom!
Eu sei que sempre vou sentir saudades dela quando estivermos distantes; e sei que nossa sintonia nunca mudará. E sei que ela me ensinou o que é amor!

De forma simples, Renata tenta explicar o que é amor! E espera que todos vocês tenham a oportunidade de sentir isso nas suas vidas!

domingo, 10 de junho de 2012

Quem é vivo sempre aparece

Não, não morri.
Tampouco abandonei o blog.
Ocorre que, nos últimos tempos, minha vida anda simplesmente uma LOUCURA TOTAL!
Só para vocês terem uma ideia, passei os meses de dezembro, janeiro e fevereiro enlouquecida terminando minha dissertação de mestrado para defendê-la em março. 
Em abril descobri que minha mãezinha está com câncer no cérebro (e ela já havia tido câncer no útero e recém havia curado um câncer no pulmão).   ):
Em maio casei, após 7 anos e 8 meses junto com meu amor.
E agora, em junho, quando eu recém havia voltado de Lua de Mel recebi a notícia de que minha mãe estava hospitalizada com infecção generalizada.

Pois bem, pessoas queridas, eis minha justificativa para o sumiço.

Mas aos pouquinhos estou voltando. ;)

Déia escreve aos domingos e, enquanto não volta à ativa, deixa uma fotinho do casório p/ que vocês possam dar uma espiadinha...




domingo, 3 de junho de 2012

A Irritante Arte de Bisbilhotar

Se há uma coisa que me irrita é gente intrometida. Sei que há aquelas pessoas que perguntam como estamos, e sobre a família, etc, mas isso é educação e trato social. Ficar mexericando a vida da gente é outra coisa; é falta de serviço, e ter uma vida bem monótona pra ficar se preocupando com a vida dos outros. Infelizmente, tenho conhecidos que se preocupam demais com minha vida. E são poucos os que realmente se preocupam comigo, e perguntam sobre minha saúde, minhas novidades.

Convivo, em vários lugares que frequento, com pessoas que perguntam minha vida toda, e invadem mesmo minha privacidade. Meu Deus, como tem gente querendo saber o que não lhe interessa! Gosto de gente que conversa, dialoga, conta suas notícias e ouve as minhas. Gente que só saber perguntar é uma chatice. Querem saber tanto, que interrogam até sobre se tenho dinheiro no banco, e quanto. Se eu vou comprar carro (não tenho carro), e quando. Se eu vou viajar em determinado feriado prolongado. Se eu não conhecesse, pensaria que iria me sequestrar!

Pra piorar, tem gente que me telefona, no celular, no fim de semana, e pergunta onde eu estou! Oras, não passou pela cabeça da pessoa que eu posso não querer contar onde estou?! E, algumas vezes, a mesma pessoa me telefona, em casa, e me pergunta onde eu estava! É o fim! Dá uma vontade de responder malcriadamente!

Mas mamãe me deu educação, e eu preciso saber usá-la, principalmente nessas ocasiões!!!


Mini-resumo: Tania também se preocupa com os outros, e pergunta, mas nada de intromissões!!!!

sábado, 2 de junho de 2012

It´s a long long long long way….

     
Como eu já disse, o Acre é longe e eu vim de lá. E nesse exato momento estou escrevendo de dentro do avião, justamente na penúltima parte da saga de uma longa jornada de volta pra casa. No último texto (que na verdade foi o meu primeiro aqui), terminei dizendo que estava voltando pra minha terra, após ter concluído os trabalhos presenciais do mestrado, para assim reassumir meu serviço em Rio Branco. Acontece que, de fato, “it´s a long long long long way”, como diria Caetano. E nessa long road, a gente vê muita coisa no caminho, imagina então numa trajetória de 4 mil Km, quase de Oiapoque ao Chuí (pesquisei e vi que o extremo Norte fica na verdade no Monte Caburaí, em Roraima). Tudo isso em pleno feriado, onde tudo se vê e todos se movem.

Embarco no sábado de manhã, 1h30 da tarde, com aquela fina ressaca de despedida de sexta. A noite foi boa, bar de rock tradicional da cidade, com Red Hot cover. Ainda não tinha conhecido o bar com a pinga mais famosa e gostosa da cidade, e olha que eu nem gosto de pinga, mas essa era realmente boa. Saldo da noite: positivo. Saldo de sono: negativo.

A previsão de chegada em Porto Velho, Rondônia, meu destino final de hoje (ficava mais barato pernoitar em Porto Velho, ficar na casa de uma amiga e ir pra Rio Branco no dia seguinte) é de 1h40 da manhã. Detalhe: horário local. O que significa que, pelo horário de Brasília, estarei chegando às 2h40, depois de longas escalas em Congonhas e depois em Brasília (o que pelo lado bom me rendeu os textos de estreia aqui do blog). Ou seja, são mais de 12 – eu disse 12 – horas de jornada, incluindo tempos de voo e tempo em escala. Vocês têm noção do que é isso? É quase uma viagem internacional atravessando o Atlântico. Incluindo valores, diga-se de passagem. É, de passagem, literalmente.

Falando em preços, já de cara posso dizer que paguei um pequeno grande mico, pra estrear com chave de ouro a minha saga do dia. Sabe aquele nosso famoso jeitinho brasileiro? Pois é, nem sempre ele é aconselhável e conveniente. O fato é que era lógico que iria pagar excesso, já que estava indo de mudança. Isso somado ao fato de ser mulher e ter uma veia meio cigana. E é claro que, sabendo disso, eu fiz de tudo para encher a mochila de mão (que tinha rodinha, se não eu não dava conta), para dar uma amenizada no peso da mala. A amiga que foi me deixar tinha ido estacionar o carro, enquanto eu descia e agilizava o check-in. A fila estava curta e como em alguns aeroportos eles pesam também a bagagem de mão, e como com certeza a minha deveria estar ultrapassando todos os limites, eu, “espertamente”, pedi para uma moça e uma senhora, aparentemente mãe e filha, para olharem minha mochila, enquanto fazia o check-in, para que eles não tivessem que pesá-la. E eu ainda expliquei tudo isso e percebi que elas, não fizeram uma cara lá muito boa, especialmente a que parecia ser a filha. Vai ver questão de temperamento ou humor do dia, pensei. Ok, check-in feito, excesso de malas (como o previsto) pago, voltei nas moças, agradeci e saí ao encontro da minha amiga, que já tinha estacionado o carro. Pronto, “crime” consumado! Troquei algumas palavrinhas com minha amiga e na hora marcada me despedi dela e me dirigi à sala de embarque. O que eu não esperava era que, lá dentro, a dita cuja da moça (a da cara não muito simpática) me aparece com um crachá estampado no pescoço, bem da dita companhia área que eu estava embarcando! Ahhh, queria enfiar minha cara debaixo do travesseiro que eu carregava... hahahaha.. Pois bem, tem coisas que só comigo mesmo, viu.

Continuando a saga, tive a sorte de viajar bem na época da nova resolução da bendita empresa área, de suspender lanchinhos nos voos. Ah, que saudade das extintas Varig e Vasp, com aquelas bandejas quentinhas, cobertas por papel alumínio, com direito a sobremesa, cervejas e até whisky (não que eu goste, mas na minha época de faculdade, os colegas que também moravam fora, chegavam “no grau”, ao descer os degraus). Mas quem não tem cão, caça com gato, e dá-lhe amendoim e barra de cereal! O que me salvava eram as lanchonetes de cada aeroporto. E é por lá que a gente mais vê de tudo.

E nessas, uma das cenas que mais me chamou a atenção no saguão do aeroporto, foi uma turma na mesa ao lado da minha. Penso que na tentativa de espantar o tédio da espera, eles brincavam de "stop". E eu, também no tédio da espera, quase pedi pra participar! Hahaha. O melhor não foi isso: quando chegou a letra A, cidade, estado, país. Adivinhe??? Yeah, a mocinha grita: ACRE! hahaha.. morri! Pensei: é, pois é pra lá que eu vou!

Outras duas coisas interessantes me aconteceram e me deram cada vez mais a certeza que o mundo é realmente um ovo, quase reduzido à gema, de tão pequeno. Meu destino inicial foi Bauru, certo? Pois bem, fiz escala em São Paulo, capital e quando fui embarcar de novo no avião, de São Paulo para Brasília, reconheci de longe um colega do mesmo hospital que eu estagiava em Bauru, com sua esposa.Daí eu questiono: eu não poderia ter encontrado eles no voo de Bauru? Sim, poderia, deveria. Mas não. Eles estavam em São Paulo, vindo de um casamento, e agora estavam indo pra casa da mãe dela, e assim como eu, iam fazer escala em Brasília. Primeira constatação do dia que o mundo nem é tão imenso e a vida é cheia de encontros inusitados. A segunda constatação disso veio em seguida.

Quando estava finalizando o primeiro texto do blog na conexão em Brasília, depois de, claro, matar a fome de arroz e feijão, vi que o relógio marcava 5 minutos para o horário que deveria estar no portão de embarque. Meu Deus!!!! Perdi a hora no meio das palavras e pensamentos!! Então, eu pergunto a mim mesma: com emoção ou sem emoção??? Ah, com emoção, sempre! Comigo sempre com emoção, ora infelizmente, ora felizmente. E era um tal de respira fundo e cadê a saída, cadê o embarque, cadê o portão, correndo desesperadamente nos corredores infinitos do aeroporto de Brasília. Que Deus me acuda e eu não perca esse voo, pensava. Mas no meio do caminho não tinha um pedra. Pelo contrário, tinha uma grande amiga, conterrânea e colega de profissão, sentada com uma colega e uma mala imensa ao lado dela. Destino: férias em Orlando. Gente, não tinha como não parar e trocar 10 palavras no mínimo, mesmo que esbaforida, atrasada e desesperada. Lembre, eu gosto é de gente, gosto do movimento e da interação, mesmo que isso me custe bons sustos! Fazia anos que a gente não se via e mesmo no meio do desespero, deu pra matar as saudades mesmo que rapidinho, e ainda consegui chegar atrás do último passageiro. UFA!!!! Sim, sempre com emoção. E vamos lá, porque it´s a long, long, long, way e ainda faltam 2h e meia para chegar no começo do fim. E depois disso, sete dias intensos de um curso chamado “Professional & Self Coaching” me aguardam. Estou super ansiosa, pois só tenho ouvido falar coisas maravilhosas a respeito....Mas são cenas dos próximos capítulos.
........
Domingo, última etapa da saga. Acordei, tudo deu certo, não perdi voo, não paguei excesso. E de novo escrevo da janela do avião. Do alto avisto um rio branco, que não é branco. “Um rio torto que não vê o mar”. A long trip finalmente chegou ao fim. Mas a vida, graças a Deus, não; ainda tem chão.


Gabriela escreve esporadicamente, já que a vida cigana do pra lá e pra cá não ajuda. Mas espera por dias mais calmos e terrenos,
 porque andar de avião pra ela é um suplício!

Raízes são para esconder?

Há duas semanas ou mais, caminhando de volta para casa, uma mulher e seus dois filhos, andarilhos de minha cidade me ofereciam mudas de flores para comprar.

Na ocasião disse que não!

Hoje, com um troco no bolso, pude comprar as mudas...e na hora da “paga” ela me diz: mas você vai levá-las assim? Eu não tenho sacolas... com a vergonha de quem me pedia quase em silêncio para que não deixasse as raízes expostas.

Respondi que sim,que levaria sem sacolas... escondendo as raízes na bolsa que estava comigo e que tenho.

Fazendo o meu caminho de volta pra casa pude pensar na cena e nas imagens que aquela pessoa solta na cidade me dava. E mais...uma pergunta: Raízes são para se esconder?

São para se guardar, para cuidar e fazer achar o caminho de volta!

Dormi sozinha e feliz, com Orquídeas e saudades no bolso!

Da minha janela posso ver um novo colorido e agora torço para que as mudas me tragam alegrias no olhar...sigo plantando!

Salve a cidade porque faz brotar!

Salve a minha raiz que me permite perceber novas mudas sem medo!

Impressões, Impressões... agora na tríade que a vida nos coloca como enigma, só me resta escrever um livro!

Juliana escreve esporadicamente e andava um tanto em silêncio...as vezes palavras brotam no meio da madrugada.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Que fazer?

PessoALL,

Não sei se vocês estão acompanhando, mas o Governo Federal reduziu os vencimentos dos médicos federais em 50%. Ou seja, se antes eles trabalhavam 20 horas para receber menos de R$1.500,00, à partir de agora trabalharão 40 horas pelo mesmo salário. Fora outros benefícios cortados e obrigações impostas. Vai chegar o momento em que nosso país não terá saúde pública por falta de médicos, já que ninguém vai querer trabalhar pro Estado. Complicado. Como o Bola é médico, temos muitos amigos médicos e a Raquel, ginecologista e obstetra muito conceituada, que abre espaço na agenda do consultório particular pra atender na rede pública por convicção, escreveu um texto que eu gostaria de tornar público. Segue abaixo. É longo, mas vale a pena.


"Era uma vez uma menina brasileira, nascida em família de classe baixa, que morou por 20 anos na beira de uma rodovia, na entrada de uma favela.
Ela era inteligente e adorava estudar. Sabendo disso, seus pais resolveram investir nos seus estudos. Abriram mão do seu próprio conforto e de suas aspirações para realizar o sonho da filha: ser médica.
Por causa de seu desempenho escolar, ela estudou por onze anos com bolsa num colégio particular. Mas os gastos com transporte e material escolar sacrificaram financeiramente seus pais.
Na escola ela sofreu bullying, por suas roupas simples, porque carregava seu material numa sacola de feira e passava vergonha na casa das colegas por não conhecer TV com controle remoto e outras modernidades da época.
Mas tudo isso valeu a pena, pois ela entrou “de primeira” numa faculdade pública. Durante a graduação, o sacrifício não foi menor: estudando em horário integral, não podia trabalhar para se sustentar e dependia do esforço dos pais, os quais também bancavam os estudos da irmã caçula.
Horas incansáveis de estudo, madrugada adentro, se privando do convívio com a família, para, finalmente, ao final de seis anos, receber seu diploma: médica!
Mais dedicação para o concurso de residência médica e ela inicia sua especialização de três anos. Depois, passa num concurso para trabalhar naquele que foi o hospital universitário federal onde ela teve toda sua formação, desde a graduação até a especialização. O salário era baixo, mas havia quatro grandes pilares de sustentação de um “castelo”: 1) trabalhar para a população carente; 2) ajudar na formação de novos médicos; 3) dedicar à ciência e 4) a estabilidade e os benefícios de um cargo público, coisa tão incomum no meio médico em geral e que lhe traria alguma segurança financeira.
Empolgada, logo entrou para o mestrado. Aí o castelo começou a desmoronar: o governo não dá a mínima pra ciência. Abandonando sua veia de pesquisadora, ela pelo menos se sentiu consolada por ter tido uma grande experiência profissional e por essa qualificação ter melhorado seu vergonhoso salário.
De alguns anos pra cá, outro pilar de sustentação do castelo desabou: enquanto os governantes – verdadeiros responsáveis pelo descaso e caos da saúde pública no Brasil – estão protegidos em seus palácios e gabinetes, os médicos, sobrecarregados e mal remunerados, ficam na linha de frente encarando a insatisfação da população. O que deveria ser apenas uma batalha contra as doenças, virou uma grande guerra: contra as condições precárias das instituições de saúde, equipes médicas desfalcadas, falta de estrutura, de medicamentos e de leitos, ameaças e agressões físicas e verbais.
Na tentativa de superar tais condições, nossa personagem precisa improvisar como o “Mac Gyver” e se munir de “super-poderes” para atender a demanda do serviço e fazer seu trabalho da melhor maneira possível.
A parcialidade da mídia corrobora para que a população se volte contra a classe médica, bombardeando os noticiários com matérias sensacionalistas. A exploração de situações protagonizadas por “laranjas podres do cesto” rotulou toda uma classe, tornando o médico um vilão. Nenhum veículo da mídia retrata o cotidiano do médico do serviço público, que luta arduamente naquela guerra e precisa ter múltiplos empregos para complementar sua renda, para sustentar os seus e fazer jus aos anos de estudo e dedicação. Nessa empreitada, ele se priva dos momentos com família e amigos. Não sabe o que é horário comercial, lazer, final de semana ou feriado.
Mas nossa personagem ainda alimenta sua alma com os pacientes que reconhecem seu trabalho. Ela se sente estimulada com a nobre função de formar médicos e especialistas. Submete-se a tais condições pensando que tem o privilégio de ter um emprego federal, com férias, décimo terceiro, aposentadoria e alguns benefícios (que são ínfimos se comparados àqueles do judiciário, por exemplo).
E então, estranha e inusitadamente, sua governante aparece com uma medida provisória que reduzirá seu salário em 50% e aos poucos extinguirá seus benefícios e plano de carreira. Bum! O castelo desabou! Uma MP tão estrategicamente bolada que a colocaria num beco sem saída. Sua reação inicial foi de indignação e revolta. Depois, começou a racionalizar e imaginar como isso afetaria seu dia-a-dia e seu futuro. Por fim, caiu em profundo desgosto, por perceber sua insignificância aos olhos do governo.
Ela olhou para trás, reviveu cada momento da sua história de esforços e sacrifícios, lembrou da privação de seus pais, pensou em cada centavo investido em sua formação, em cada hora de sono perdida, em cada dia ausente do convívio familiar. E chorou.
Olhou para frente e vislumbrou aquele hospital universitário sofrendo com exoneração em massa; profissionais extremamente capacitados abandonando seus cargos. A população sofrendo sem atendimento de qualidade num serviço terciário. Graduandos de medicina e médicos residentes órfãos de aprendizado. E se entristeceu.
Olhou num contexto mais global, tentando entender as razões de tal medida e se alertou com as mazelas de outros profissionais de saúde, dos professores, dos policias, etc. Imaginou o futuro deste país que não valoriza aqueles que são a base de uma sociedade decente e verdadeiramente rica. E teve medo.
Só não perdeu a esperança porque valoriza o ser humano. Se esse texto te sensibilizou ou te fez pensar, então há esperança. Trata-se de uma história real."

Raquel W. Santos,
Ginecologista e Obstetra

terça-feira, 29 de maio de 2012

Troca troca

Há algumas semanas fizemos na minha casa uma sessão de trocas. Amigos vieram e trouxeram suas coisas para trocar: livros, roupas, bijuterias, jogos...o que fosse. Também era permitido para os mais apegados apenas emprestar, pois tem gente (culpada!) que se apega a alguns livros.
Passamos horas comendo, bebendo e conversando. E trocando, é claro! Como era a primeira vez, as trocas foram tímidas. Mas surgiram várias lembranças de coisas que poderiam ser trocadas numa próxima oportunidade, e que doravante vão ser guardadas com carinho.
Foi muito legal! Além do convívio e da tarde agradável que passamos (estava friozinho, e tinha pinhão e vinho) nós demos uma movimentação as coisas que de outra forma iriam servir para juntar pó nas nossas casas ou iriam ser descartadas.
Ao invés de comprar mais coisas, movimentamos o que já havia no nossos sistema, por assim dizer, aumentando a vida útil desses objetos, e satisfazendo a necessidade de comprar aquilo. Colocar cada vez menos elementos novos no ciclo. E de quebra, conhecer melhor seus amigos e tirar um tempo para interagir.
Foi super simples, com pouca gente, e o resultado foi ótimo!


Renata recomenda a todos pensar em outras soluções que não comprar: trocar, emprestar, reutilizar, modificar, transformar. Se tornar um pouco mais sustentável, em cada pequeno aspecto.

sábado, 19 de maio de 2012

Era uma vez um bolo de chocolate

Oi, meu nome é Mariana, tenho 31 anos e estou aqui pra fazer uma confissão séria: acabei de comer um bolo de chocolate. Isso mesmo que vocês estão lendo, vou repetir, acabei de comer um bolo de chocolate inteiro, sozinha. E não foi daqueles bolinhos pequenos metidos a besta que estão na moda não, foi daqueles bolos a moda antiga, daquelas formas com furo no meio e tal. Há muuuuito tempo mudei minha alimentação e doce (minha grande e universal tara) foi o corte mais radical que tive que fazer. Pra terem noção tenho meio ovo de páscoa até hoje no armário. Realmente me tornei uma pessoa contida e controlada. Mas é que hoje acordei absurdamente gripada, febre alta e não fui trabalhar. Sozinha em casa, doente, puro dengo. A única solução pra isso foi fazer um suculento bolo de chocolate que comi ainda quente. Inteiro. E só pra dar uma culpinha básica, fiz calda – de chocolate, é claro! Agora tô aqui terminando de tomar o litro de chá quente que fiz pra acompanhar o bolo e fazendo as contas de quantas voltas na piscina terei que dar pra compensar esse momento de histeria! E viva o chocolate!



Mariana escreve esporadicamente. Atchimmm!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tá Louca? Tá bem? Tá feliz?

Sim!!! Tô louca! Tô bem! Tô feliz!!

Meninas, este negócio de ser “chefe” é uma ilusão danada! A gente acha que vai ter autonomia, ganhar bem e ter alguma encheção de saco. Na prática, a gente não tem autonomia NENHUMA, ganha relativamente bem e tem encheção de saco o tempo inteiro! Qualidade de vida ZERO. Não deu pra mim. Este estilo paulista de viver é uma doideira. O povo acha que vc tem que ficar disponível 24h por dia, 7 dias por semana. Chegou a ponto do gerente de SP reclamar comigo que eu não tinha respondido um email que ele havia me enviado às 22h de um domingo!! Disse que precisava de mais agilidade. Sinceramente?! Mineiro não funciona assim. Não é à toa que Belo Horizonte é praça de testes de produtos rsrs Povo chaaaaato!! No Carnaval tive uma crise de choro; voltei a tomar antidepressivo. Até que comecei a ter vontade de quebrar o telefone cada vez que ele tocava. Um dia meu chefe me ligou QUATORZE vezes pra falar a mesma coisa e eu já tinha respondido na primeira que só ia rolar no dia seguinte. Ratifiquei minha conclusão de que dinheiro realmente não compra tudo, liguei pro meu antigo diretor, pedi pra voltar como corretora – não queria nada de coordenação, supervisão, gerência – e ele disse que eu podia voltar na hora. Queria que eu assumisse cargo de gestão, mas não ando querendo. Preciso cuidar da minha saúde, ajudar meu marido a cuidar da dele. Estamos gordos demais. Pedi demissão. Voltei pro emprego antigo, como corretora, mas antes recebi outras duas propostas de trabalho pra gerente e declinei. Fui com meu marido a uma nutri e estamos seguindo o plano alimentar direitinho, nos matriculamos na academia e vamos pelo menos três vezes por semana. Não tenho mais horário pra cumprir. Posso estudar tranqüila sábado sim, sábado não, nos findis só trabalho se tiver cliente agendado e estou viciada em Game Of Thrones rsrs Pra melhorar, uma semana depois que completei 35 anos um carro com quatro carinhas de menos de 30 bateu no carro da frente de tanto que os caras estavam me olhando!! Até conferi pra ver se eu não estava com a roupa suja ou a meia desfiada, mas eles estavam era achando bonito mesmo. Fiquei me achando!! kkkkkk 35 com chassi de 30!! Estou aliviada. Estou feliiiiiz da vida.

Laeticia está louca, está bem e muito feliz!!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dos 3 aos 30 – o tempo voa e não para

Rio Branco, Acre. Sim, ele existe e eu vim de lá, ACREdite! 1985, três anos de vida. Filha única, casa de madeira, calcinha e pés descalços no chão. Chupeta, a companheira inseparável e a mamadeira, às manhãs. Feio até falar isso de alguém que viria a se tornar fonoaudióloga um dia. Mas disposta a abandonar os tais “hábitos orais deletérios” (é claro que nessa época eu lá sabia que diacho isso significava!), aos cinco anos, numa determinação corajosa para alguém da idade, declarei: tchau, chupeta. E com ela foi embora a Gabi bebê. Como recompensa, ganhei uma bicicleta de “rodinhas”. Mas digo que parei por aí, no quesito bicicleta. Lamento até hoje não ter a “desenvoltura” dos amigos que embarcam nas aventuras sobre duas rodas, enfrentam trilhas, longas estradas e até mesmo o trânsito. Mas ok, me contento com as viagens sob quatro rodas – não mais “rodinhas”. Viajar de carro é uma grande paixão, por sinal. Na verdade, viajar é uma grande paixão. Mas vamos por partes, ainda estamos nos 5 e nessa época as viagens ainda não eram possíveis....

Após 9 anos como filha única, passei a dividir as atenções com mais uma mocinha, Rafaela, minha irmã de cachinhos dourados. Desde então passei a exercitar meu lado maternal e cuidador. Mesmo sem querer, me sentia muito responsável por aquela criaturinha. Sensação curiosa de ser meio mãe aos 9... Bom, a fase “Xou da Xuxa” passou e a “era mocinha” chegou precocemente, aos 11. Foi bem numa virada do ano (imagine, de branco, que beleza!!), numas férias com a família, em Fortaleza, Ceará. E assim, uma nova Gabriela ia chegando, uma menina-moça precoce. Precoce em tudo. Era um ano adiantada na escola, sempre quis estar no meio dos adultos, beijei e namorei mais cedo que as amigas, fui morar sozinha muito cedo. Quem sabe pelos meus pais terem me tido muito novos (olha a cacofonia entregando! Haha!), com 20 anos, e eu era a única criança na turma de amigos deles, os meus “tios”. Engraçado porque hoje eu que sou a tia Gabi, a tia de coração dos filhos dos amigos.... É, o tempo passa, o tempo voa...

Num salto pros 13, Renato Russo na cabeça, no toca-fitas e nos cadernos. Colégio das irmãs, na época o chamado ginásio. A vida e os ideais eram românticos. Bolava planos com uma amiga de Curitiba de irmos a sua terra natal fazer Medicina na federal (como se entrar numa faculdade pública de Medicina fosse a coisa mais fácil do mundo!), e depois abrirmos uma mega instituição, onde pessoas carentes seriam medicadas, receberiam banho, comida e roupas decentes.. Ah, como éramos ingênuas e idealistas!... Hoje essa amiga é bióloga e virou empresária, tem um Centro de Yoga e SPA. Não deixa de ser um centro de bem estar, afinal! E eu virei o que meu avô insiste em dizer, “quase médica”. Bem, eu insisto com ele que não, mas sabe como são essas pessoas de antigamente: vestiu branco, virou doutor!

Na verdade, na verdade, esse meu idealismo meio visionário sempre esteve dentro, só recebe pequenas doses de realismo ao passar dos anos. Filha de mãe administradora e de pai professor de História, já quis seguir os passos do meu pai. Ele pulou longe: “- Não, minha filha. Não queira esse fardo. Vida de professor não é fácil”. Mas a vontade do ensino, da troca e de estar e trabalhar em grupo, nunca saiu, nunca me abandonou. E hoje, na construção de minha identidade profissional, tenho tido mais certeza disso.

Pois bem, avancemos aos 15. Metade do segundo ano do segundo grau, pais devidamente convencidos e eu, a tal amiga curitibana e sua irmã, embarcamos juntas numa aventura ao novo, pelo menos pra mim: do Acre ao Paraná, de Rio Branco a Curitiba. Acreditem, o choque é grande. De clima tempo, à clima pessoas. Uma grande experiência que merece textos à parte.

Seis anos, muitos amigos, muitos caminhos e muitas histórias. O sonho de médica veio por água a baixo, após dois anos de vestibulares em todo tipo de universidade pública do Brasil que se possa imaginar. Nesses muitos caminhos, acabei caindo de paraquedas num curso que hoje eu digo que só não gostava antes porque não conhecia (e também não me conhecia o suficiente, diga-se de passagem): Fonoaudiologia. Nenhum outro curso poderia cair tão bem para uma pessoa que ADORA se comunicar, que gosta de gente, que gosta do cuidar, mas que também AMA cultura, arte, música e educação. Sim, a tal educação, lembra? Pois é. Descobri que Medicina era um sonho utópico e estava um tanto longe da minha essência. A propósito, faço um parênteses aqui e digo que acho de muita responsabilidade tomar uma decisão de extrema importância que é a “o você vai ser quando crescer” com apenas 18 anos.

Quatro anos de faculdade, muitos amigos, muitos caminhos, muitas histórias, com direito a namorado argentino e tudo no fim do trajeto (que tinha 39 anos, o que representou muito para alguém que só tinha 21!!). Bem, o namoro não vingou (ele estava pronto para casar e eu ainda não) e a volta, o retorno, o “fechamento de ciclo” foi certa: Acre, de volta pra casa, vamos nós.

Casa dos pais. Não preciso nem dizer que o choque foi grande, agora ao inverso, depois de seis anos morando sozinha, pseudo “dona do próprio nariz” (pseudo porque quem me sustentava de fato até então ainda eram meus pais). Batalhas e colaborações do destino (me considero uma pessoa de sorte, graças a Deus!), após passar em dois concursos públicos, um do município e outro do estado, para trabalhar como fono, fui contemplada num desses apartamentos populares pra (voltar) a morar sozinha. Posso dizer que essa série de acontecimentos foram divisores de água na minha vida. A partir daí já estava com os dois pés na vida adulta, uma vez que já tinha meu emprego, já ganhava meu próprio dinheiro e já pagava minhas próprias contas. De pseudo dona do meu nariz, passei para assalariada endividada, com carro novo e viagens anuais para rever os amigos das terras gélidas do sul, e assim, desestressar o pancadão da vida de gente grande.

Sete anos de volta à terra, numa cidade provinciana de só um cinema (na época, porque hoje já tem um shopping com cinema de primeira que não só passa filme dublado, graças!!) acabaram por fadar uma pessoa que AMA novidades, conhecimento, movimento e diversidade de opções de tudo. Os dois cursos de especialização não saciavam o lado curioso de querer aprender sempre mais, e lá vou eu de volta ao novo, ao diferente, a velha busca incessante pela conquista: Bauru, mestrado em Fonoaudiologia na USP. Novos amigos, novos caminhos, muitas histórias, com o adicional de uma cachorra adotada, que em outra ocasião comento. E então... de repente, 30, finalmente! Mas é isso... o tempo voa e não para.

Após dois anos morando em Bauru, dissertação já nos finalmente, a hora do “estou de volta pra casa outra vez” chegou. Móveis vendidos, cachorrinha despachada e o resto da vida material dentro de um carro que embarca num caminhão cegonha pra casa logo mais. E daqui vos falo, Aeroporto de Congonhas,17h15, numa escala de voo infinito de volta pra casa (sim, o Acre existe mas é longe pra dedel, tipo 4 mil km!!), escrevendo essa mini biografia da minha vida (que de mini não tem nada; acreditem, fono fala pra caramba!) numa tentativa de passar o tempo e driblar a ansiedade. Mais uma vez o coração com esperança desse “novo de novo” e a saudade no peito dos amigos que fiz, deixei, mas que prometo rever. Falando nisso, metade dos amigos que fiz por aí diz que vai conhecer o Acre, mas apenas 2 ou 3, os mais corajosos, acabam indo.

É.. são muitos lugares, muitos caminhos e muitas histórias.... E sobre mim e esses muitos caminhos, lugares e histórias, conto com tempo. A emoção, devaneios e divagações sobre a chegada dos 30 também merecem capítulos à parte. Afinal, sobre isso envolve esse blog e essas super balzaquianas que aqui compartilham suas vidas e pensamentos.

Obrigada por me receberem, meninas! Um agradecimento especial à Renata, que respondeu ao meu email do tipo “que-lindo-tudo-isso, posso-fazer-parte-também, deixa-deixa?”, de forma super receptiva e acolhedora. E como ela mesmo disse, mentes novas são sempre bem-vindas e eu concordo. Por isso a vontade de me misturar por aqui, bem no estilo de novos baianos: “vou mostrando como sou e vou sendo como posso∕jogando meu corpo no mundo∕ andando por todos os cantos ∕ e pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto.” Comecemos os trabalhos então, porque o tempo voa, o tempo passa e não para!

Gabriela começa a escrever esporadicamente!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Linhas aéreas não tão inteligentes

Causo da semana: como viajar de Porto (nem sempre tão Alegre) para Porto (nem sempre tão seguro) em 43 horas em sem passar por um deles. Parece impossível? Mas não no Brasil.
Minha filha partiu de ônibus para Porto Alegre, de onde voaria para Porto Seguro com escala em São Paulo. Chegando em São Paulo, muita desinformação depois, soubemos que alguns vôos não estavam pousando em Porto Seguro por causa da chuva. Eu telefonei para o aeroporto e fui informada de que o aeroporto não estava fechado, que alguns vôos estavam pousando e que no dia seguinte tudo correria normalmente, se "Deus quiser". Levantamos a possibilidade de ela viajar para Vitória, dormir na casa de um amigo desses "para todas as horas" e de lá viria de ônibus. A resposta foi que só se eu comprasse outra passagem e perdesse o trecho até Porto, pois eles não podiam alterar o destino.
Ela passou a noite em São Paulo, saiu do hotel às 4 da manhã, pegou o vôo às 6 da manhã e chegou em: Salvador! Porque não foi possível pousar novamente em Porto Seguro. Mudaram o destino? Me pareceu...Não sou gênio em geografia, mas me pareceu.
Lá em Salvador deram opções: ir de ônibus até Porto (leva 12 horas e ela teria que procurar um hotel tarde da noite para pernoitar e seguir viagem no dia seguinte); voltar a São Paulo; voltar a Porto Alegre; esperar em Salvador alguns dias até poder voar para Porto Seguro. Resposta: nenhuma das anteriores!
A nossa preferência era voar até Vitória e vir de ônibus, pois assim os horários fechariam. Ela foi pedir o reembolso, pois afinal de contas ela não chegou ao seu destino, e não recebeu. Motivo: ela já tinha chegado ao seu destino! Como?!
Se reembolso ou qualquer desconto em outro trecho, compramos uma passagem por outra companhia aérea, ela voou para Vitória, pegou um ônibus e 7 horas de estrada até uma cidade próxima. Uma amiga e eu fomos buscá-la de carro, e às 3 da manhã, dois dias depois, de ter saído de casa ela chegou!
Parece piada, que num país desse tamanho, se brinque desse jeito! Falta de informação, de opções, de consideração, de respeito! Ela chegou, estamos curtindo muito o tempo juntas, mas não poderaiadeixar essa história sem o registro.

Renata espera que essa história não desanime futuras visitas, da filha e dos amigos. Mas recomenda evitar o tal trajeto!

terça-feira, 8 de maio de 2012

O causo da carteira

Esse é da série "coisas que só acontecem comigo". Há algumas semanas, passei o final de semana em um lugar paradisíaco! Praia, mar, rio, mangue, pessoas muito legais e a água de coco mais doce que se tem notícia! Tudo lindo! Mas como lá quase ninguém aceita cartão, separei a habilitação e um dinheiro, e guardei a carteira na mala.
Desfiz a mala com toda a apressa, e na segunda-feira percebi que estava sem carteira. Pensei: tenho que lembrar de procurar na mala. Obviamente, esqueci. E na terça -feira o mesmo pensamento se repetiu.
O detalhe é que nunca perco minha carteira, não sou dessas.
Terça-feira, no meio da tarde recebo um telefonema, no trabalho:
- Você é a Renata?
- Sim.
- Você perdeu sua carteira?
Pensei com meus botões e dei a única resposta que podia:
- Acho que sim...
Resumo da ópera: eu deixei a carteira no balcão de um restaurante, em outra cidade. O pessoal de lá investigou tudo o que havia lá dentro. Como minha carteira é, na verdade, um porta cartões, não há muito o que investigar.
Encontraram minha carteira de mergulhadora e deduziram: se ela mergulha, o pessoal do ICMBio deve conhecer! Levaram minha carteria lá, mas a foto é antiga e niguém reconheceu. Pelo nome, acharam que eu podia ser amiga de uma amiga minha. Ligaram pra ela, que passou meu contato.
À noite fui buscar a carteira, que estava com TUDO dentro. Inacreditável!
Ainda por cima fiz duas amigas, as investigadores do Prado! Essas pessoas não só tiveram boa vontade extrema em devolver a carteira, como foram atrás e se empenharam!
É bom ver que tem gente do bem!

Renata se admira quanto encontra pessoa do bem. Mas não devia, ela acha que isso deveria ser normal.

Preocupações

Costumo escrever coisas engraçadas, dicas culturais ou observações despreocupadas sobre amenidades neste blog. Somente alguns textos são um pouco mais profundo, sobre algum tema relevante. Entretanto, há assuntos que me preocupam demais. Já escrevi sobre tolerância religiosa, sobre algumas compulsões da atualidade, como busca excessiva pela beleza e pela magreza, e sobre a violência contra algumas classes profissionais, como a dos professores. Como não gosto de ficar insistindo, ou escrevendo demais, por temer cair no dramalhão e perder o crédito, acabo preferindo temas mais brandos.

Mas hoje não será possível ir para a brincadeira. Tenho me preocupado muito com as obsessões de nossa sociedade. Dessa vez, o que me deixa chateada é essa vontade de vencer custe o que custar; essa gana de crescer na carreira, de subir na vida, sem se importar com os outros, sem se importar com a real qualidade de vida. E esse comportamento tem se alastrado com uma velocidade assustadora. O que me deixa triste é que a maioria das pessoas com quem convivo tem se comportado assim, e chego a não ter assunto para conversar com elas, pois é somente de vencer na vida, ascender profissionalmente que se tem falado. Não é mais o amor “que anda nas cabeças, anda nas bocas”. Ninguém mais se preocupa nem mesmo com seus próprios sentimentos. O que vale é ter status; é ter sucesso na carreira.

Isso me incomoda demais, porque não consigo, e nem quero ser assim. Mas é difícil conviver com as pessoas, e discordar o tempo todo. A gente fica antipatizada. E, mesmo correndo esse risco, prefiro meu modo de vida. É claro que quero crescer profissionalmente, e, como todo mundo ter sucesso na vida. Mas não quero a qualquer custo. Não quero abrir mão de meus valores, e quero ter outros assuntos pra conversar. Quero comentar filmes que vi, músicas que ouvi, amores que tive, amizades que me são importantes, fatos engraçados e corriqueiros, sem me preocupar com minha postura para ganhar uma promoção no trabalho. Quero trabalhar com a minha competência, e merecer as promoções que possam acontecer, mas sem deixar de ter personalidade, e opinião. Quero continuar com minha vida sem excessos, ou com poucos excessos, e curtir um jantar a dois, ou uma cerveja no bar. Quero vestir num dia roupa social, e no outro, jeans. Quero ser eu, e não ter que pedir desculpas por não me portar como a maioria. Mas essa é a minha tarefa diária mais difícil.



Mini-resumo: Tania não sabe como escrever sobre essa obsessão de sucesso profissional, sem ser chata. Mas ela tem se preocupado muito com o tema.

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