sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sonhos

Nos últimos anos da minha vida, tive uma relação meio frustrante com sonhos. Lembro que quando era criança, todos os dias era protagonista de um filme diferente. Aventura, drama, terror, comédia... até que um dia, sem explicações, o meu cinema noturno fechou as portas, abrindo esporadicamente para uma sessão especial, sem aviso prévio, com projeções borradas, cortes e muito pouco charme. Lembro de colegas intercambistas contando como era engraçado ver os sonhos progressivamente deixando de acontecer em português, mudando pra inglês, e finalmente a língua local. Eu não tive isso. Faz muitos anos que acordo sem me lembrar dos sonhos, sendo que normalmente, quando os lembro, na primeira meia hora acordada qualquer vestígio dele já se foi.

Lembro de Fafá contando que em alguns sonhos ela percebia que era sonho, que pertencia a ela, e que fazia o que queria, consciente que ela que dominava aquele filme. Protagonista, autora e diretora, ela aprontava à vontade, e divertia as amigas que estavam perto enquanto ela dormia, normalmente acordando com a própria gargalhada. Algumas outras pessoas dizem que têm os cinco sentidos durante o sonho. Eu, pra minha infelicidade, só tenho dois: visão (borrada) e audição.

Pois bem, esta semana tive uma agradável surpresa, fui presenteada com um trecho diferente no meu sonho da vez. Abri a porta de um quarto, e vi, deitado em uma cama de solteiro, o motivo das minhas saudades. Feliz por vê-lo, me aproximei e deitei junto dele, espremidinha. Ele estava de costas, sem camisa, e quando eu o abracei, eu realmente senti o abraço. Ali estava a pressão do abraço. Senti o calor dele, também. Senti a pele encostando na pele. Aquele abraço durou poucos segundos, seja no relógio do sonho ou no real, mas poucos segundos de tato em um sonho me fizeram acordar em um turbilhão de sentimentos e lembranças que durou o dia todo. Acordei com esperança de um dia ter de novo esse abraço ao vivo e a cores, com cinco sentidos. Enquanto isso, a saudade me inunda, e tudo que posso fazer é sonhar, porque embora meu cinema noturno esteja fechado, só eu sei o quanto tenho sonhado acordada.


Sisa adora sonhos. Adora mais ainda quando eles viram realidade.strong>

4 comentários:

Gisele Lins disse...

Oi Sisa!
minha mãe tem uma técnica que já funcionou muito bem para quem não lembra de sonhos (e obviamente tem um tempinho sobrando): logo que acordar escrever qualquer pedacinho de lembrança (ou o que vier à cabeça, se não lembrar de nada). Aqui (hehehe) mas tem que ser praticamente antes de pular da cama. No dia seguinte escreva de novo e depois leia o que escreveu no dia anterior, nessa ordem. E daí vai, preenchendo o caderninho... Ela garante que com o tempo você começa a lembrar tudo com detalhes de verdade!
Adorei o texto e também adoro sonhos!
Um beijão!

Júlia disse...

Esse texto ficou mutio bom..utimamente tbm não tenho lembrado de sonho nenhum... amo sonhos ainda mais se eles viram realidades como vc disse.

Abraços..Júlia

Lekkerding. disse...

Talvez a gente só consiga sentir o sonho com tudo que temos quando ele vem do coração.

Então, seu sonho foi muito feliz. Espero que só sonhe assim daqui por diante, até virar realidade.

Beijos

Angel disse...

Esses sonhos que parecem reais parece que ficam na memória por tempos, né! Sei bem... mas são os melhores...

beijos!

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