quarta-feira, 30 de julho de 2008

A antítese da quadragésima casa

Neste final de semana meu digníssimo ficou adoentado. Corri para a locadora para fazer algo que eu andava precisando muito: alugar uma pilha de filmes e passar horas aconchegantes incontáveis. Delícia. Pra variar, e já que ele não estava muito disposto a realmente assistir os filmes comigo peguei um mix de alguns filmes legais e outros filmes “de amorzinho”, que geralmente passam bem longe do nosso DVD. Um deles, com o título em inglês 27 dresses (o título em português é tão infame que eu não me lembro), retrata uma doida por casamentos, que já foi dama de honra 27 vezes (no estilão americano onde a noiva avacalha com melhores amigas para ser a mais linda na própria festa), guarda todos os vestidos ultrabregas e aguarda sonhadoramente pelo seu próprio, esperando que seu perfeito príncipe encantado se declare (o chefe mauricinho, que nunca deu a menor bola pra ela mas que “pegou” a irmã piranha na primeira oportunidade). O filme é péssimo e absurdamente previsível, com algumas poucas cenas engraçadas.

Porém, foi inevitável lembrar deste filme quando ontem, fomos ver a trigésima nona casa candidata a ser nosso lar de aluguel neste fim de mundo em que moramos. 39 houses. Já temos uma casa engatilhada, mas que o proprietário ficou de marcar uma reunião para acertarmos os detalhes e até agora nada. Tenho receio de que ele esteja procurando outros inquilinos, então, continuamos olhando as que ainda aparecem, após uns dois meses de dedicação intensa para esta questão. A casinha de ontem é bem simpática, pequena e barata. Cumpriria bem com a proposta de morarmos nela e fazermos uma poupança para comprar algo nosso, provavelmente quando sairmos desta city. A casa engatilhada, no entanto, é nosso sonho de consumo no momento: ampla (gigante para duas pessoas, na verdade), iluminada, arejada, bem localizada e linda. É definitivamente o que vínhamos procurando, mas o preço do aluguel é proporcional a tudo que ela oferece.

No filme a mocinha obviamente não fica sozinha, pois descobre que um carinha que é a antítese de tudo que sempre sonhou é o que há de melhor para ela (típico de filmecos). Ao ver aquela casinha, a antítese do que viemos procurando bateu de novo à nossa porta: se apertarmos o bolso um pouquinho poderíamos comprar uma como aquela, pagando uma prestação com valor parecido ao que vamos pagar de aluguel pela casona engatilhada. Em qualquer outro lugar eu não teria dúvida em abraçar meu sangue proletário e ir em busca da casa própria. Neste lugar ermo e inóspito (me puxei no recalque agora), no entanto, onde não se pode nem contar com um bom psiquiatra (não é de boca pra fora, é experiência própria recente), morar bem é praticamente um pré-requisito para manter a sanidade, e não uma opção de luxo.

Pra variar fica a dúvida, e os milhares de cálculos que se repetem nas nossas cabeças e não nos dizem nada: espero pacientemente pelo meu príncipe encantado (a casona linda e cara) ou fico com minha antítese e compro uma casinha honesta como a de ontem (the fortieth house). Ó céus!

Gisele Lins, novamente em seus dilemas de neo-caipira urbana, escreve aqui às quartas.

4 comentários:

Sisa disse...

Gi, eu vi esse filme, e pior nem foi eu me identificar com a moça, eu madrinha de casamento pela Nª vez que serei sábado. O problema foi meu fofo ver também e dizer "Assisti um filme e lembrei-me de ti. Chama 27 vestidos" (o nome em Portugal é esse). Me senti A ENCALHADA! ahhaa.
Bj

Renata disse...

Pra quem só lê os textos, os dilemas neo-caipiras são ótimos! Desejo boa sorte na escolha que fizerem! Ah, tô esperando um novo texto de casamenteo, vai ser pipoca mesmo??
Bjs!
P. S.:
Em agosto espero que nos vejamos!

Milena disse...

hahaha
eu não vou opinar porque não vi nenhuma.
mas tenho certeza que vou gostar mais daquela que você escolher!
rs
bjo

Anna Oh! disse...

Por mais q o aluguel seja tentador, o "sonho da casa própria" (como diz Sílvio Santos hauahauahau) pesa mto.
Boa sorte na escola!

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